EntreContos

Detox Literário.

Curto Circuito (André Luiz)

Conto - Curto - circuito - EntreContos Multitema

Quem quer riso, quem quer choro
Não faz mais esforço não
E a própria vida
Ainda vai sentar sentida
Vendo a vida mais vivida
Que vem lá da televisão”

A televisão – Chico Buarque

 

 

 

 

O ruído de estática invadia o ambiente escuro e monótono. Sobre a mesa negra, uma televisão ligada e a imagem do nada.

Alberto babava pelos cantos da boca. Os olhos fixos na tela e um pacote de Cheetos na mão engordurada.

A poltrona carcomida acostumara-se às dobras de seu corpo volumoso, com o pano velho de florais desgastado bem no assento onde Alberto sempre sentava. A televisão era sua única companhia naquele quarto escuro de uma quitinete apertada, confortando-o nos problemas da vida e nas horas difíceis, em que nem mesmo um abraço carinhoso surtia efeito.

O barulho da estática acariciava o ego de Alberto. Ondas sonoras viajavam pelo ambiente, agitando cada molécula no ar a seu redor, propagando-se partícula por partícula e movimentando as emoções do jovem rapaz imerso naquela paranoia.

O vício o consumia internamente.

Como um autômato, vivia de sonambulismo, mais parecendo um morto-vivo arrastando os pés pelo piso sujo em direção ao banheiro ou à cozinha, de onde se esqueceria da sinfonia televisiva e se jogaria fundo nos prazeres mundanos, embebedando-se de açúcar e curtindo a ressaca da diabetes.

Três Coca-Colas depois, voltava sempre à televisão, sua fiel companheira, e deleitava-se com a estática. Ah, a estática…

Alberto por vezes encontrava-se todo molhado de refrigerante, encharcado de urina ou melado de baba, mas há pouco tempo nem aquilo era um empecilho em sua relação profunda com a televisão. Comprou pela internet um pacote de fraldas geriátricas, um babador e um boné adaptado, com um canudo ao lado para ter acesso aquele manjar dos deuses.

“Ah, a bendita Co-co-ca-Co-co-la…”

Envelheceu na alma e regrediu seu corpo à infância.

Alberto tornara-se um vegetal. Diabético, hipertenso e cardíaco; vegetando.

Suas pupilas hiperdilatadas denunciavam a mania televisiva, que roubava aos poucos sua visão, fazendo com que cada dia mais ele tivesse que se aproximar da telinha, como se ela o estivesse sugando, atraindo sedutoramente, fazendo vibrar os tímpanos de Alberto com uma música estranha e terrível aos ouvidos comuns. Mas, para ele, tudo fazia sentido quando estava esparramado debaixo da luz azulada da TV.

Seus bastonetes, células oculares fotorreceptoras, pifaram um pouco antes de receberem a última imagem que fazia sentido ― um programa qualquer sobre Jedis e guerras estrelares. Desde então, tudo que invadia o mundo do jovem eram as deliciosas ondas da estática e um povaréu de sombras dançando na frente da telinha.

Subitamente, a sala ficou imersa no silêncio e na escuridão total. A televisão empoeirada deixou, naquele instante, de drogar Alberto e mantê-lo dopado. Seu copo de refrigerante desabou lentamente no carpete imundo, entornando um líquido espesso e viscoso que escorreu por entre as pernas gordas e criou um caminho de bolhas efervescentes; serviu de bebida para os ratos de estimação. As poucas bolinhas salgadas de Cheetos que restavam no pacote pularam das mãos de Alberto como se estivessem prestes a se salvar da morte, porém alcançaram as mandíbulas das baratas que infestavam a quitinete. As pragas faziam morada debaixo do tapete e dentro do tubo de imagem da televisão.

A praga maior, no entanto, morava no peito de Alberto. Quieta, dormia sossegadamente até que chegasse a hora de acordar e fazer um estrago.

Sem o fulgor dos pontos acinzentados, a claustrofobia invadia a mente do rapaz e o fazia delirar, mas era tudo muito recluso, intrínseco. Guardava a abstinência para si e a digeria lentamente. Misturava à Coca e batatinhas chips.

Rebobinando a fita de sua vida, lembrou-se da infância humilde na Zona Sul. De alguns anos para frente, tudo era cinzas chovendo na trilha da vida. Principalmente depois do acidente com seus pais, naquela rodovia maldita, a Rodovia da Morte, a 381, aquele caminhão azul e aqueles faróis iluminados… Chamando-o para a perdição…

“Por que deixar o filho para sofrer, sem seus pais? Por quê?”

A baba escorria da boca de Alberto Baleia, Beto Bola, Rodelona… O destino era negro e culminava em um vórtex tenebroso de amargura. Seu passado era amargo; seu futuro, idem. O presente: um borrão nas passagens do tempo.

A televisão pregava-o uma peça, retirando dele tudo que restou: A lembrança da estática no monitor da telinha, no carro.

(A mesma que tanto incomodara a mãe… A mesma que distraíra o pai…).

A mesma que fazia Alberto chorar tanto nos últimos dias…

Esvaindo-se em choro, o corpulento rapaz cravou repentinamente os olhos em um pontinho que surgiu na direção da televisão. Ela retomava a vida lentamente, piscando e cintilando como estrelas no manto do céu. Um risco percorreu a tela e chamou de volta a droga da estática.

O barulho confortante da televisão tomou conta novamente das orelhas de Alberto e as ondas sonoras reverberaram pelo ambiente. Encontraram tímpanos surdos que não queriam vibrar.

 

A estática reinou absoluta por horas a fio.

Um estampido quebrou a porta da quitinete e fez entrar um pouco de ar no ambiente: Baratas passeavam pelas tripas adocicadas do jovem moribundo. Impulsos elétricos barrados por montanhas de amargura e gordura saturada.

Curto-circuito.

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Este texto foi baseado no tema “Vício em Televisão”, sujeito ao limite máximo de 2000 palavras.

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43 comentários em “Curto Circuito (André Luiz)

  1. Tamara padilha
    28 de abril de 2015

    Achei um pouco exagerada a história da frauda geriátrica. Alguma coisa que eu não sei o que me incomodou no conto. Talvez seja o tema. Vício em televisão a esse ponto. Mas acho que existe sim. O conto é bem escrito mas não conseguiu me causar qualquer emoção. Bem adequado ao tema. E poxa, esse foi criativo e pesado na indicação ao mesmo tempo. Acho que não teria boas ideias para esse tema. Ficou sendo algo mediano para mim o seu conto.

  2. Wender Lemes
    28 de abril de 2015

    Olá, Inércia! Uma visão bem mórbida deste ingrato aparelho. Gostei da técnica e do trabalho do espaço em si, mas talvez pudesse desenvolver melhor o protagonista dessa trama lúgubre – quem sabe, abordando mais o que está além do espaço, como fez ao citar a família. É só uma sugestão, seu conto já é bom como é. Parabéns e boa sorte.

  3. Wilson Barros Júnior
    28 de abril de 2015

    O charme da epígrafe musical é que ela se torna uma espécie de trilha sonora que acompanha o conto inteiro. A música tornou seu conto ainda mais tenebroso, mostrando que a televisão virou uma droga, literalmente. O problema são as novelas tolas, doentias, os programas de auditório degradantes, horrorosos, que ensinam tudo que não presta, com um merecido Oscar de Insanidade para as “videocassetadas” do Faustão. As expressões que você usa no conto caem como luvas, tipo “poltorona carcomida” e “quitinete apertada”. Tudo exala o desânimo, a morte em vida, que a televisão produz nos seres normais, nos longos domingos, produzindo vegetais, babões mesmo, que se negam à vida. Parabéns pela visão (sem o tele).

  4. mkalves
    27 de abril de 2015

    Se pelo menos souéssemos como o cara conseguia diheiro para se entupir de coca cola e salgadinho, o que exatamente aconteceu na rodovia da morte, desde quando ele passara a preferir a estática aos programas… mas não… então ficou muito difícil se vincular à personagem ou à trama.

  5. Bia Machado
    26 de abril de 2015

    Olá! Achei que foi bem escrito, fugiu do lugar comum para o tema, ainda associando aos males da obesidade, o que é fato. Faltou um pouco mais de emoção, a meu ver, mas isso é na minha opinião, ok? Você desenvolveu bem o enredo, repito.
    Emoção: 1/2
    Enredo: 2/2
    Criatividade: 2/2
    Adequação ao tema proposto: 2/2
    Gramática: 1/1
    Utilização do limite: 1/1
    Total: 9

  6. vitor leite
    25 de abril de 2015

    este texto parece-me bem escrito e consegue transmitir a imagem do homem que morre em frente da televisão, quase consegue que o leitor morra um pouco também. parabéns, mas, penso que podia sublinhar um pouco mais a imagem dos bichos a comer o homem…

  7. Ricardo Gnecco Falco
    25 de abril de 2015

    Bem triste e vazio, como o protagonista. Gostei do .gif, deu um ‘brilho’ especial ao trabalho. A desconstrução de Alberto, ocorrida gradativamente durante a leitura, merecia um cuidado maior ao fim, na parte da explicação do acidente. Achei que faltou um pouco de capricho nesta hora, pois este seria o momento da projeção do leitor para com o personagem; fechando desta forma a história de mãos dadas com o leitor. Fica a dica para uma repensada!
    Parabéns! Boa sorte!
    🙂

  8. Leonardo Jardim
    24 de abril de 2015

    ♒ Trama: (4/5) interessante como contou a história do jovem gordo: presente, passado e futuro. Só a mudança do último parágrafo que ficou um pouco estranha, mas acho que entendi que ele acabou morrendo, não é isso?

    ✍ Técnica: (3/5) achei boa, narrou bem, eu vi as cenas e mergulhei na quitinete do cara por alguns minutos.

    ➵ Tema: (2/2) vício em TV (✔).

    ☀ Criatividade: (2/3) embora essa figura do gordo bebendo coca e vendo TV é comum, a forma doentia e insólita que ele vivia ficou bem interessante.

    ☯ Emoção/Impacto: (3/5) gostei da leitura e da forma como foi contado o passado do personagem. Faltou, porém, acontecer alguma coisa mais marcante para essa nota ser melhor.

  9. Cácia Leal
    20 de abril de 2015

    O conto está bem escrito e foi criativa a maneira como a história foi conduzida. No entanto, o final me pareceu um pouco confuso e o que houve com ele. Na verdade, a falta de um lapso temporal, nesse caso, me fez falta (e olha que, normalmente, gosto de contos que rompem a regra de tempo e espaço). Minha confusão girou em torno do fato de ele ficar olhando apenas o “nada” na televisão. Ele já estava em transe, pré-colapso? Ou ele era viciado na estática por causa dos pais?

    Suas notas:

    Gramática: 9
    Criatividade: 8
    adequação ao tema: 10
    utilização do limite: 10
    emoção: 8
    enredo: 8

  10. Jowilton Amaral da Costa
    20 de abril de 2015

    O conto apesar de soturno é pontuado por tiradas cômicas. A narrativa é boa e prende a atenção. O cara ser viciado na estática do televisor desligado é bem inusitado e interessante. Bom conto. Boa sorte.

  11. Swylmar Ferreira
    19 de abril de 2015

    O texto atende ao tema e está dentro do limite estipulado.
    Conto bem escrito, linguagem objetiva. A trama colocada mostra claramente o horror do vicio extremo, seja qual seja.
    Parabéns!

  12. Pedro Luna
    18 de abril de 2015

    Adequado ao tema. No entanto, a trama não foi o forte. Enfim, achei que foi uma boa crítica, aliado aos dramas do passado. O vício em televisão era apenas algo que conectava as mazelas da vida do Alberto. No fim, curto circuito.

  13. Carlos Henrique Fernandes Gomes
    15 de abril de 2015

    Que vício mais estranho; estática! Meu pai é viciado na Globo; mais dorme na frente da TV do que assiste alguma coisa, mas vai mudar de canal que ele acorda na hora! A mesma estática da TV pode ter o rádio também, então, mesmo sendo criativa a colocação, faltou alguma coisa que o levasse à essa predileção pela TV. Um dia assisti cinco filmes do 007 numa maratona de aniversário na TV, um atrás do outro, mas o vício é pelo 007. Faltou alguma coisinha que ligasse o Beto Bola ao vício da estática particular da TV.

  14. Rodrigues
    15 de abril de 2015

    Um bom conto. O ambiente decadente em que o protagonista vive foi narrado com maestria, a cena em que as bolhas de gás do refrigerante escorrem entre suas pernas me deixou atônito. Achei o conjunto todo interessante, há uma unidade no conto que causa impacto e que somente funciona em contos curtos, por isso o mérito ao tamanho do texto. No mais, gostei da utilização da estática como droga, me lembrou o filme Videodrome, e do final muito bem planejado.

  15. Sidney Muniz
    14 de abril de 2015

    Caraca, muito bom mesmo!

    O conto é mirabolante, a ideia é mesmo genial e o enredo é diferente. Gostei disso.

    Não gostei foram das repetições, tinha tantos Albertos que pensei que eram Albertos diferente, tipo; dois ou três… risos, brincadeirinha. Acho que pode cortar alguns, bem como outras palavras como “estática” que também repete muito.

    A narrativa com esses ajustes ficará mais limpa, e para mim perfeita, pois o conto prende do início ao fim, como uma televisão mesmo.

    Do meio do conto para frente o autor(a) consegue dar uma guinada com a inserção dos insetos (pragas urbanas) e isso foi de lascar. poxa, ficou ótimo!

    No mais desejo sorte a você e vou procurar um Cheetos para comer aqui!

    Parabéns!

  16. Felipe Moreira
    12 de abril de 2015

    Caramba. O conto permeia entre humores e fica meio suspenso, ora engraçado, ora desastroso e, claro, trágico. Não há muito o que dizer de algo tão competente como a maneira que você abordou o tema. Não estou gostando de soar repetitivo, mas os trabalhos estão sendo muito bem realizados até agora.

    Parabéns, autor(a).

  17. Virginia
    10 de abril de 2015

    Achei que o tema foi bem aproveitado e a conexão com os dramas pessoais do protagonista ficaram bem claras. Não me apeguei muito a ele, achei meio repugnante, mas acho que a intenção do autor era essa mesmo. Por outro lado, a construção do personagem foi impecável. Parabéns e boa sorte ! Ah, adorei a imagem!

  18. Pétrya Bischoff
    10 de abril de 2015

    Ah, foi uma leitura que me deixou um tanto deprimida… A narrativa é sufocante, bem como as descrições. A escrita de fácil acesso permitiu que minha leitura fluísse bem. Apesar de haver um limite grande, penso que o autor tenha desenvolvido toda a ideia no texto mais curto. Gostei, parabéns e boa sorte.

  19. mariasantino1
    10 de abril de 2015

    Bom desafio para você.

    Esse tema é diferente e seu conto teve algumas passagens bem interessantes e construções bonitas com uma narrativa agradável sem destoar entre palavras rebuscadas demais ou simplórias. Em parte o personagem torna-se um autômato aquém de si mesmo e parece querer equiparar-se à televisão quando compra o boné com os canudos para alimentá-lo da fonte de energia (a coca), da mesma forma que a TV também se utiliza dos fios para obter a energia (elétrica). Esse vínculo insólito instiga, unido à falha de funcionalidade da TV e de Alberto praticamente no mesmo tempo, como se fosse um marca passo (isso está escrito certo? Digitando em word com preguiça de verificar :/ ). A TV perde a capacidade de oferecer imagens, da mesma forma que Alberto também perde alguns sentidos como a audição e visão, porém ele se conforma ao menos com a estática e o chuvisco do aparelho televisor que aparentemente é antigo, pois pelo que percebi, era o mesmo que pertenceu aos pais, já mortos. O quarto apertado onde o personagem vive se assemelha ao corpo de Alberto (exceto pelas dimensões, uma vez que o quarto é estreito e ele é gordo), mas é desprovido de limpeza e cheio de insetos, da mesma forma que Alberto é cheio de doenças, vicio… Fiquei esperando o clímax e o oferecimento de um flashback para me ligar ao Alberto, portanto este foi muito bem-vindo. Alguns Bullyings são mencionados, repassando a psiquê do personagem, mas certamente a incursão de algo como lembranças de relações mal sucedidas poderiam aprofundar mais essa relação (TV X Alberto). Destoa (em minha concepção) o choro do personagem ser pela ausência da sua droga, ao invés de ser por saudade dos pais ou companhia (uma vez que a televisão era a única “amiga” do rapaz). Quando foi mencionado >>>>> sua relação profunda* com a televisão, eu não havia sentido essa profundidade, e não consegui ver “vício” e sim um padecer paulatino e bastante melancólico que nem por sombra deixa de ser bom.
    Parabéns pelo conto.
    Média – Por tudo o que foi mencionado acima, a nota para esse conto será: 7 (sete)

    Observações >>>>> tudo era cinzas (CINZA) chovendo na trilha — curtindo a ressaca da diabetes (é DO diabetes, pois DIABETE é palavra masculina).
    Abraço!

  20. Thales Soares
    8 de abril de 2015

    Hm. Uma narração meio estranha para um tema estranho. Não sei se gostei, pelo menos não por completo. Por um lado, a narração é boa e consegue manter o leitor preso, criando um bom clima. Um clima melancolico e sombrio. Mas achei a história meio fraca, a narração não possui nenhum ápice. Acho queo limite de palavras poderia ter sido melhor aproveitado para criar uma trama mais forte. Mas a hhistória está bem escrita, trata-se de um escritor experiente.

  21. André Lima
    8 de abril de 2015

    Gostei do conto, da forma como foi narrado e do ambiente que foi criado. Mas faltou para mim um enredo mais envolvente e mais desenvolvido. Por que não mais atenção a história do Roberto? Isso daria um clima muito mais pesado ao texto.

  22. rsollberg
    6 de abril de 2015

    Curti!

    Um texto que se enquadrou perfeitamente ao tema, trazendo um vicio diferente do normal. Ou melhor, um estágio bem mais avançado do nosso vício rotineiro. O crack de tubos e catodos.

    O conto tem uma coisa suja que remete justamente ao vício, o adicto que não consegue fazer nada. Que sobrevive para alimentar sua obsessão, ou seria o contrário? É possível inferir destas linhas uma crítica ao comportamento do homem moderno e, talvez, seu fim. O curto-circuito humano.

    Parabéns e boa sorte no desafio!

  23. Willians Marc
    2 de abril de 2015

    Olá, autor(a). Primeiro, segue abaixo os meus critérios:

    Trama: Qualidade da narrativa em si.
    Ortografia/Revisão: Erros de português, falhas de digitação, etc.
    Técnica: Habilidade de escrita do autor(a), ou seja, capacidade de fazer bons diálogos, descrições, cenários, etc.
    Impacto: Efeito surpresa ao fim do texto.
    Inovação: Capacidade de sair do clichê e fazer algo novo.

    Todas as notas vão de zero a dez, sendo zero a nota minima e 10 a nota máxima.

    A Nota Geral será atribuída através da média dessas cinco notas.

    Segue abaixo as notas para o conto exposto:
    Trama: 7
    Ortografia/Revisão: 9
    Técnica: 6
    Impacto: 6
    Inovação: 6

    Minha opinião: Não gostei muito. Acho que o autor(a) levou o vicio pra um sentido tão literal que o texto ficou surreal e sem muitas explicações. Talvez esse flashback que ele teve ao fim do conto tivesse a intenção de mostrar de onde vieram seus problemas psicológicos, mas acho que faltou alguma coisa pra ligar esses dois pontos no tempo.

    Acredito que onde está “tudo era cinzas” não deveria estar “tudo eram cinzas”.

    Boa sorte no desafio.

  24. Jefferson Reis
    1 de abril de 2015

    Conto muito bem escrito, com um ritmo excelente que segura o leitor como a televisão segura Alberto. Inércia, em poucas palavras, apresenta a angústia de um personagem que se recusa a ser raso. As palavras certas colocadas de modo estratégico fazem do conto um perfeito curta-metragem, com cenas de câmera lenta e tudo. Adorei a humanização das bolinhas de Cheetos, um mundo à parte. É claro que a leitura me fez recordar do filme “Requiem for a Dream”.

  25. Tiago Volpato
    31 de março de 2015

    A televisão é a peste negra de nossos tempos, se bem que acho que hoje já tá mudando pro computador, enfim, um ótimo conto. Explorou bem o tema proposto.

  26. rubemcabral
    31 de março de 2015

    Achei a história de decadência e depressão um tanto comum. Esperava mais ao ver a (bela) imagem que ilustra o conto. O texto está bem escrito, com poucos erros, mas tbm sem voos criativos. Enfim, não gostei muito.

  27. Claudia Roberta Angst
    30 de março de 2015

    O conto ficou com um certo gosto de pecado, não? Com este tema, não havia como escapar disso. Lembrou-me muito de um conto do desafio passado, baseado na gula ou preguiça. Talvez, a narrativa teria mais êxito se abordasse de forma mais incisiva a televisão em si, o seu poder sobre o protagonista.
    Não encontrei falhas na revisão, salvo o Baratas em letra maiúscula após os dois pontos.
    Boa sorte!

  28. Anorkinda Neide
    28 de março de 2015

    Olha, eu achei que pegou demais nos exageros… sei lá, a leitura não ficou agradável. Entendi que a intenção foi mesmo essa, talvez o texto ficou pesado e só… há uma crítica quanto ao abuso de tv e coca-cola?..há, mas ficou embaçada pela força q vc deu às nojeiras relatadas.
    Quando falou na morte dos pais achei que poderia entrar um aspectos psicológico ali e enriquecer o personagem, mas não aconteceu isso, aliás, meio que ficou confuso o lance psicológico ali, me perdi.
    infelizmente,não consegui curtir, espero que outros venham a gostar mais que eu.
    abraço

  29. Fil Felix
    28 de março de 2015

    Até a metade do conto, gostei bastante. Me pareceu um resquício do desafio dos Pecados Capitais, algo macabro e visceral. Adoro essa coisa da estática da tv, do vício. Gostei da ambientação, com escrita simples e direta, sem floreios. Mas a parte que explica do acidente, acho que deu uma caidinha. Podia ter começado e terminado somente no apartamento, rolou uma explicaçãozinha que fez perder um pouco da graça.

  30. simoni dário
    27 de março de 2015

    Eu encaixaria esse texto no tema “drama”. O cara era um deprimido por causa da morte dos pais, na verdade o vício não era vício, e sim uma fuga para a solidão e a incapacidade de lidar com a morte deles. Está certo que a TV era a grande vilã e contribuiu para o acidente, e nesse momento fica bem marcado o vício da família em televisão, que poderia ter sido melhor abordado.
    Mas, está bem escrito, e o enredo em si é bom, e você me deixou enjoada com a descrição bem feita do personagem desleixado.
    Boa sorte!

  31. Neusa Maria Fontolan
    26 de março de 2015

    Não sou apta a julgar qualquer escrita, estou longe disso. Porém, tem algo que sempre observo, os deslizes nos fatos. É uma mania, incorrigível, que tenho. – Se ele era pobre e perdeu os pais na infância… Como é que se dava ao luxo de ficar em frente à TV, tomando coca e comendo cheetos?
    Não fique aborrecido (a) comigo, eu gostei do conto de verdade e te desejo boa sorte.

  32. JC Lemos
    25 de março de 2015

    Olá, autor(a)! Tudo bem? Direto ao assunto.

    Sobre a técnica.
    De um modo geral, gostei. Não vi problemas no modo de contar, e gostei bastante de certas construções. Aliás, algumas pareciam até coisas que costumo fazer. haha
    Como falei, ela é competente como um todo, mas creio que poderia ter sido mais requintada. Algumas construções mais complexas deixariam o trecho mais vistoso.

    Sobre enredo.
    Curti. A alienação hoje em dia é caso sério, e você conseguiu retratar bem. Como disse antes, um requinte maior no texto o deixaria melhor, mais complexo e poderia ter criado uma atmosfera mais angustiante, viciante…
    O personagem e sua doença ficaram bem característicos, marcantes. A história contada sobre o passado poderia ser maior, mas o limite impediu e eu entendo.

    Sobre o tema.
    Bem abrangente, mas no geral, você conseguiu fazer o que ficaria melhor mesmo. Foi competente nisso.

    Nota.
    Técnica: 6,5
    Enredo: 8,0
    Tema: 7,5

    Parabéns pelo bom trabalho!

  33. Eduardo Selga
    25 de março de 2015

    A concepção do conto me parece bem interessante, na medida em que aproveita um tema “batido” (mas ainda não exaurido), a alienação promovida pela indústria do entretenimento televisivo, e consegue fazer dele bom uso ao incluir um personagem cujo automatismo diante do aparelho não se explica apenas pela existência dele ou da indústria por detrás dele, e sim por trauma do passado. Aliás, no conto, o aparelho é uma figura metonímica usada para ilustrar essa indústria, e a respeito da qual há outras referências, como a Coca-Cola e uma marca daqueles salgadinhos de isopor que fedem a chulé,

    Foi uma escolha feliz usar a imagem da estática, o antigo “chuvisco” das tevês, porque há uma relação com o personagem não apenas por ser uma espécie de imagem hipnotizante, alienante (e ele está alienado do mundo): a palavra é feminino de “estático”, que significa imóvel como uma estátua, exatamente o que ocorre com o personagem. Ele põe o pé no freio de sua vida, abandona-a numa estrada deserta desde o acidente automobilístico com os pais. Imobiliza-se. Além disso, “estática”, em Física, ironicamente, se refere ao equilíbrio dos corpos sólidos, e o personagem não é equilibrado. Muito pelo contrário. E também não é sólido, se avançarmos nesse viés interpretativo, mas aqui faço uma observação: solidez, nesse ponto, se refere à persona dele, não a ele como personagem, pois está bem construído.

    O movimento de ele fechar os olhos, por meio desse caminho mergulhar no passado que explica sua fixação pelos “chuviscos”, e logo depois retornar para a morte em função do curto-circuito do aparelho é altamente simbólico. Concluímos que a insistência dele em alienar-se equivale a rever os pais, afinal “Por que deixar o filho para sofrer, sem seus pais? Por quê?”. Rever, revisitar continuamente a mesma imagem é mastigar sua dor, é masoquismo, temperada com as batatas chips. Percebemos que a explosão do aparelho é, figurativamente, a explosão dele enquanto sujeito. Não apenas suas gorduras estavam saturadas: também ele não se suportava. Por isso se largava, permitia a presença de “ratos de estimação”. As baratas que “[…] passeavam pelas tripas adocicadas do jovem moribundo”, já faziam morada em sua alma órfã há tempos.

    A narrativa apresenta alguns problemas, porém. Vejamos esse trecho: “O barulho confortante da televisão tomou conta novamente das orelhas de Alberto e as ondas sonoras reverberaram pelo ambiente. Encontraram tímpanos surdos que não queriam vibrar”. Não entendi exatamente. Se o “O barulho confortante da televisão tomou conta novamente das orelhas”, como os tímpanos estavam surdos? Sim, orelha não é tímpano, mas entendo se o “barulho tomou conta” delas, isso equivale a ouvir.

    No trecho “Um risco percorreu a tela e chamou de volta a droga da estática”, me parece haver uma ambiguidade. É que o personagem gosta da estática, delicia-se com ela por causa do passado. Então, a palavra DROGA, que eu acho está colocada no sentido de “coisa inebriante” e, nesse sentido, agradável, não foi a melhor escolha, pois pode dar a entender que o narrador reproduziu o sentimento do personagem (algo como “essa porcaria de estática”).

  34. Marquidones Filho
    25 de março de 2015

    Realmente, é um vício diferente (que eu saiba) relacionado à TV, mas interessante. Gostei do conto, bem escrito, fez com que eu me sentisse no ambiente provando dos danos da situação e da decadência da mesma. Parabéns.

  35. Rafael Magiolino
    24 de março de 2015

    Muito bom. Além da boa escrita, o conto refletiu o papel de muitas pessoas no mundo de hoje, que preferem se isolar do mundo para ficarem alienadas na televisão ou até mesmo em outros eletrônicos.

    Texto demais mesmo!

    Abraço e boa sorte!

  36. Fabio Baptista
    24 de março de 2015

    Ótimo conto.

    Teria encaixado muito bem no tema “preguiça” do último desafio.
    A análise aqui é a mesma do conto da moça necrófila: o background do personagem não foi o suficiente para garantir uma profundidade maior à trama, mas todo o mais que envolveu o conto conseguiu se destacar.

    Garantiu uma excelente crítica social também… me identifiquei com o personagem, mais do que gostaria de admitir.

    NOTA: 8

  37. Brian Oliveira Lancaster
    24 de março de 2015

    E: Esse desafio tem trazido agradáveis surpresas. A citação inicial geralmente entrega o autor (ou não). Nota 9.

    G: Comecei lendo pensando que disparate iria acontecer e notei um quebra suave de pontos de vista no meio do texto. Estava esperando a TV sugá-lo ou algo assim, mas o autor fugiu do clichê e ainda aplicou um tom melancólico, para encerrar num final levemente previsto, mas com palavras que causam maior impacto. Cotidiano e surreal parecem ser uma combinação certeira. Nota 9.

    U: Duas palavras me incomodaram: quitinetes, estrelares. A primeira, acho que está correta. Apenas soa estranha. Mas a segunda não seria “estelares”? (uso bastante essa palavra). De resto, escrita leve e narrativa fluente. Nota 8.

    A: Sem dúvida nenhuma tem a ver com o tema requerido. Nota 10.

    Média: 9.

  38. José Leonardo
    24 de março de 2015

    Olá, autor(a). Entretenimento pode matar, mesmo. Lendo aqui um romance sobre um Entretenimento altamente destrutivo (inclusive podendo ser usado como arma de guerra separatista) enquanto sua estória vem bem a calhar. É muito bem escrita (a figura sentadona me lembrou logo um card do Gordo Remora de um RPG que foi chamado de conspiracionista-Illuminati). Eis um autêntico conto: concisão, pouquíssimos personagens (eu incluiria a TV), foco centrado. Realidade tal como será (?): aparelho e criatura sendo uma coisa só, ligadas entre si pelas conexões — únicas responsáveis por permitir vida nos corpos. Será?

    Bom texto. Direto, mas, no fundo (naquele momento em que degustamos/avaliamos o que foi lido), muito reflexivo. Abraços.

    • Andre Luiz
      4 de maio de 2015

      José, você soube captar muito bem a essência do conto que escrevi, trazendo para sua mente a simples imagem de um homem agonizando(sem perceber)a frente de uma TV. Estava estático; imerso na estática. Ambos já estavam mortos. Obrigado pelo comentário!

  39. Gilson Raimundo
    23 de março de 2015

    Ócio ao extremo, um bom texto, parecido até com um do homem que gostava de formigas, mas teve o efeito desejado, bom.

    • Andre Luiz
      4 de maio de 2015

      Obrigado, Gilson! O que quis mesmo foi causar este efeito de ócio extremo e degeneração. Agradeço pelo comentário!

  40. Alan Machado de Almeida
    23 de março de 2015

    O conto já chama atenção pelo gif que o ilustra. Boa descrição de comportamento auto-destrutivo e a explicação de o que o levou a isso. A morte do personagem também foi um ponto positivo.

    • Andre Luiz
      4 de maio de 2015

      Obrigado, Alan! Foi uma dificuldade para achar esse gif, e se não fosse a ajuda de uma amiga, seria uma imagem estática mesmo. Que bom que gostou!

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Publicado às 23 de março de 2015 por em Multi Temas e marcado .