EntreContos

Detox Literário.

A vassoura também se levanta (Rodrigues)

jj

As naves vinham pelo alto. Surgiam no horizonte como por mágica, redondas e verdes. A multidão apinhou-se na estação Levyx7. Os aerotrens chegavam lotados e as pessoas enchiam as plataformas. Entrei na fila. Um homem dirigiu-se a mim.

— Será uma guerra e tanto, não acha?

— Perderemos no primeiro round.

— Creio que sim.

O sistema de comunicação informou que os aerotrens estavam fora de circulação. Vi uma bela dama no meio do tumulto. Carregava uma bolsinha e ostentava um topete. Chamei sua atenção.

— Vou boxeá-lo se chegar mais perto.

Continuava uma pequena e tanto.

— Isso não lhe fica bem.

— Como se atreve?

— Não deve se recordar de mim.

Ela me observou por um instante. Buscou lembrar-se olhando para o alto.

— Oh! Como sou estúpida!

— Trabalhamos bons anos na fábrica.

— Agora lembro-me! Alô, Filintuanos!

— Não diga meu nome, isso me encabula.

— Não esperava encontrar você novamente.

— É o que todos dizem, Thalga.

— Continua um pedaço! Mas agora de cabelos brancos.

— Igualmente.

Thalga sempre foi uma mulher amável. Contornei-a com o braço e deixamos a estação. Alcançamos a rua. As naves riscaram o céu e deixaram um rastro de fumaça. Três delas fizeram movimentos ensaiados. Primeiro curvas, depois foram linhas retas e voltaram às curvas. Ao final de uma sequência, formaram uma letra A com um círculo em volta. A garota puxou-me pelo braço. Entramos em um bar.

— As naves estiveram formidáveis – eu disse.

— Imensamente. Parecem ótimos pilotos.

— Será difícil vencê-las.

— Sem dúvida!

Havia um tubo teledifusor CromoH no bar. Estava sintonizado no Canal Social. Pegamos uma mesa próxima para acompanhar. O presidente Jânio Quadros discursava. Vestia um capacete dourado, terno; e ostentava um comportado bigode. Os óculos ensombravam-lhe os olhos deixando-o taciturno.

O ruído aumentou lá fora e no bar as pessoas falavam muito, todas bêbadas. O presidente tinha o foco central e, ao fundo, era saudado pelos homens da Guarda. Todos empunhavam vassouras. Os capacetes tinham símbolos de uma foice cortada por um martelo. O presidente segurou um cabo dourado levantou sua vassoura. Todos bateram continência juntos e rodopiaram os objetos acima da cabeça. Um soldado batia em um tambor. A transmissão terminou com uma vinheta do partido.

Uma nave pousou a alguns metros do bar onde estávamos. Nos apinhamos curiosos na porta para vê-la. Grupos delas fizeram o mesmo movimento em outros pontos. A porta abriu-se na superfície maciça do objeto. Uma criatura saiu após um momento. Caminhou apreciando e medindo todas as coisas. Tinha um corte em estilo moicano que lhe descia as costas montanhosas. Não vestia roupas, seu baixio era encoberto de pelos encaracolados. Aparentava uns três metros de altura e estruturas pontiagudas brotavam de partes do corpo. A letra A que fora desenhada no céu estampava sua face. Era um ser assustador e sem rosto. Virou-se a nós e emitiu um ruído. Não pudemos entender.

A criatura sem olhos certamente nos observava. Ergueu o braço direito com o punho fechado. A fumaça verde das naves espalhou-se por todo lado. A mão da criatura, cerrada ao alto, transformou-se em uma arma. O cano era longo e a ponta, em brasa, logo nos acertaria. Tentamos nos proteger no bar. Coloquei a pequena atrás do balcão. Um relâmpago piscou junto ao estrondo. Os vidros estilhaçaram-se.

**********************

Desliguei a mochila flutuante. Bati os pés sentindo o solo e corri atrás de Thalga. A pequena entrou no refeitório da fábrica. Chamei-a e ela indicou que me sentasse em sua mesa. Nos servimos com soja sintética, mel, raiz de cogumelo e chá de coca. A mulher virou metade da bebida.

— Bon appétit.

— Estou tão aborrecida!

— Parece não estar feliz aqui na fábrica.

— Eu costumava acreditar no que fazia.

— Você é uma idealista, não há dúvida.

— Não é agradável saber certas coisas.

— O que lhe incomoda?

— Tudo, absolutamente.

— Um brinde a isso.

— Não seja idiota, Filintuanos.

— Então não serei.

— Amanhã pedirei demissão.

— Farei o mesmo.

— Será um dia glorioso.

Na manhã seguinte estivemos formidáveis. Conversamos durante todo o expediente, tomamos café e rimos. Se algum colega passava, fazíamos troça. Fomos almoçar em um restaurante clandestino. O dono estava sempre de bom humor e nos servia costelas bovinas ao molho e cerveja germânica. Comemos e bebemos copiosamente. Retornei ao meu setor. Sentei ao computador e chamei-a por mensagem. Arrumei meus pertences e guardei. Um supervisor ameaçou chamar a segurança. Mandei que fosse ao Diabo.

Thalga me esperava na área de convivência. Acionamos nossas mochilas e voamos acima da fábrica. Ela flutuou mais baixo na área de produção. Os operários estavam insuperáveis. Todos aparentavam grande vigor físico e lançavam vassouras-reais de um para o outro. Tinham a categoria dos extintos meias clássicos.

— Não parecem entediados.

— Em algumas horas estarão exaustos.

— Gosto quando está ao meu lado, Filintuanos.

— É sempre agradável.

— Não seja convencido.

— Varre, varre, vassourinha!

— Você é divertido quando se esforça.

Ela desceu, pegou um naco de terra úmida e jogou na direção do meu setor. A bola marrom explodiu no vidro e escorreu. A segurança foi acionada e tivemos que fugir. Flutuamos rápido até a estação Levyx32. Entramos no aerotrem e procuramos alguns metros livres para nos encaixarmos na composição. Thalga ficou a minha frente. Nos olhamos. Beijei-a, tomei suas mãos e a beijei novamente. Saímos juntos na estação 16. Caminhamos por um longo corredor e paramos para fumar cigracks encostados no muro. Um velho lia jornal ao nosso lado. Ele chamou nossa atenção.

— Não quero boxeá-lo – disse Thalga.

— Não há necessidade, em absoluto – respondeu o velho.

— É um pequena violenta – comentei.

— Vejo que trabalham na Vassoura-Imperial.

— Pedimos demissão há pouco.

— Ótimo negócio.

— Como sabe que trabalhamos lá?

— Essas tornozeleiras são inconfundíveis.

— Quase como bolas de ferro – disse Thalga, apontando os pés.

— Não há exagero, já trabalhei na fábrica também.

— Um de nós! Alô, senhor!

— Sou. Sem sombra de dúvidas.

— Quando trabalhou na fábrica?

— Final dos anos 2030.

— Deve ser um homem corajoso – comentei.

— Um tanto pobre. Vejam aqui, somos a maioria hoje – disse e mostrou o jornal.

— Muitos vivem miseravelmente – comentei.

— E é engraçado. A fábrica produz cada vez mais vassouras-reais e a cidade está inabitável.

— As cidades-satélite estão em extrema miséria.

—É um sistema ordinário, Filintuanos.

— Filintuanos? Que nome…

— Podemos duelar, caso queira – respondi.

— Obrigado. Mas concordo com vocês, visto que não há mais saída – disse o velho.

— Gostaria que tudo isso fosse pelos ares! – exclamou Thalga.

— Que assim seja.

O velho estava faminto. Dei-lhe algum trocado e ele agradeceu imensamente. Deitou-se de lado e começou a rir olhando para os lagartos que fuçavam o lixo. Thalga deixou dinheiro enrolado no jornal. Caminhamos em direção à saída. Ela repetia as palavras do velho a todo instante. Ideais podem deixar um homem louco ou sozinho, disso não se duvida.

**********************

Levantei-me da sarjeta onde a clarão me arremessou. Voltei para o bar destruído e Thalga estava embaixo dos escombros. Cavei pelas laterais e puxei-a pelas pernas. A pequena parecia desmaiada e tinha o rosto cinza. Coloquei-a embaixo de uma torneira quebrada. A água jorrou pela testa e ela finalmente acordou. Debateu-se e gritou no meu colo, estava confusa. Logo retornou a si.

— Aonde é que estamos, Filintuanos?

— Ainda no bar. Foi uma grande explosão.

— Você está bastante machucado.

— Logo estarei bem.

Peguei uma garrafa de vinho que pendia do balcão. Bebi um gole e passei-a para Thalga. Ela adorava um bom trago. As nuvens de poeira encobriram o alto dos prédios. Algumas pessoas surgiram por trás de montes de pedras. Outras saíram de crateras no asfalto. Os invasores tinha feito um ótima investida.

Thalga pegou um pedaço de madeira para que eu usasse como muleta. Ela me ajudou a passar por um morrinho formado por estruturas despedaçadas. Levantei a muleta ao alto quando vi algo se mexer. Um gato preto saiu de dentro de um capacete e caminhou até a pequena. Passou por suas pernas e esfregou o focinho em seu coturno. Ela abaixou e acariciou a cabeça do animal.

O animal veio atrás de nós, por vezes parava para brincar com coisas do chão. Passamos pelo morro e encontramos um largo com algumas árvores e um chafariz. Sentei-me em uma das raízes grossas. Thalga caminhou até o chafariz, despiu-se e lavou o corpo. As naves continuaram cortando o céu, rápidas como pulgas amestradas.

Reforcei a muleta com alguns galhos e folhas firmes. A pequena voltou e decidimos atravessar os escombros para chegar ao hospital. O bichano aninhou-se no ombro dela e o apelidamos de Papagaio-de-pirata. Estávamos na metade do caminho, calculei que conseguiríamos chegar em duas horas. As cortinas de fumaça ainda nos impediam de enxergar ao longe.

— Precisamos ir mais adiante – disse Thalga.

— Impossível, minha perna queima como fogo.

— Tenha coragem.

Tentei dar mais um passo, mas meus ossos pareciam querer sair da pele. Sentei-me exausto e disse para Thalga que continuasse. Ela recusou e recostou-se ao meu lado. Uma nave passou baixo e flutuou perto de nós. Ficamos paralisados. Eu podia sentir o suor frio exalando dela. O objeto subiu novamente. A pequena pegou o gato no colo. Disse que seguiria sem mim. O animal recusou-se a me abandonar e aninhou-se na minha perna machucada. Gritei que fosse embora. A silhueta de Thalga sumiu.

**********************

Jânio Quadros jogava baralho com seu vice João Goulart no gabinete. Tirou um trio de Ás do seu leque e jogou na mesa. O parceiro riu e colocou suas cartas de volta ao monte. Goulart virou um copo de vodh@-3 e foi até a janela. O mar estendia-se como um tapete e ao fundo via-se a sombra do Porto de Santos. O vice-presidente colocou a cabeça para fora e apreciou a estrutura ondulada do edifício do senado, as milhares de janelas, curvas e detalhes em forma de vassouras.

— Niemeyer IV estava realmente inspirado – disse dando soquinhos na parede.

— Era um arquiteto notável.

​— Morreu cedo demais, o pobre diabo.

​Ambos deixaram o gabinete e desceram ao plenário. As mesas formavam ondas quando vistas de longe. Caminharam pelo corredor central. As cadeiras estavam vazias e os dois políticos chegaram ao fundo do salão. Sentaram-se nas últimas bancadas. Estavam desolados e resmungavam. Jânio Quadros precipitou-se e retirou uma arma do paletó. Goulart olhou-o assustado e escondeu-se atrás de algumas cadeiras.

— Você não corre perigo – disse o presidente.

— Jogue essa arma, homem!

— Estou acabado.

— Você não teve culpa!

— Olhe ao redor. Tornei-me uma ilha.

​— Não! Há outra maneira!

​— Não há!

​— O poder da vassoura! Não acredita mais nele?!

​— É uma mentira, homem! A mítica vassourinha, que tolice…

​— Impossível!

​— Uma calúnia que perdura gerações.

​— Não acredito!

— Os homens… – balbuciou Quadros, observando a arma.

— O que há com você?!

— Nós, os homens…

— O que têm os malditos homens?!

— Falhamos miseravelmente…

​Mirou o cano da arma logo baixo do próprio queixo e atirou. O capacete espirrou para trás e o sangue jorrou em curva descendente. Goulart correu para acudi-lo sem sucesso. Carregou o corpo entre as cadeiras vazias e colocou-o na bancada principal. Uma listra de sangue e pegadas dividia as fileiras do plenário. O vice-presidente ajoelhou-se na beirada da mesa. Deu um telefonema e ajeitou o amigo de forma honrada.

​Todas as redes de comunicação do país anunciaram a morte do presidente. O Canal Social divulgou os detalhes. Jânio Quadros morrera ao tentar salvar a nação dos invasores. Ele tinha se jogado heroicamente em cima de uma micro-bomba F para proteger os companheiros.

**********************

​Thalga caminhou com dificuldade entre os destroços e parecia incansável. O corpo dela estava preto da poeira que subia. Calçou as luvas de boxe quando viu uma silhueta na fumaça. Colocou-se em posição de ataque, movimentou os ombros e gritou. “Se chegar mais perto, terei de boxeá-lo!”. A sombra desapareceu entre os escombros e a pequena voltou a caminhar.

​Pulou para desviar de montes de corpos. Passou por um vale, a mancha de óleo de um avião em pedaços escorria em chamas. Tirou o manto dos ombros e colocou-o na cabeça para proteger-se da fumaça. ​Chegou ao limite da região destruída e correu ao cume. Observou o hospital em ruínas. A Guarda Real era atacada por terra e ar. Uma das naves seguiu um grupo de soldados e o dizimou com um só movimento.

​Vassouras voaram por todos os lados como fiapos. Formou-se um muro de fumaça rugosa atrás de Thalga. Uma nave aterrissara nas proximidades. Caminhou na direção do objeto, mas nada se mexeu nos arredores. Meneava os ombros e batia uma luva na outra. Começou a dar sequências de socos no ar, correu e esquivou-se sozinha, agachava e desviava de golpes imaginários. Fez uma outra sequência de golpes e acertou algo em cheio. Trotou rápido para trás no caso de um contra-ataque. Deu-se por garantida após um momento e voltou ao objeto golpeado.

— Foi um direto e tanto – eu disse.

— Fílis! É você!

— Papagaio-de-pirata deve curou, sem dúvida.

— Levante-se!

— É um grande animal.

— Definitivamente, ele não traz má sorte!

Thalga correu e me abraçou com força.

​— Gatos são todos de outro mundo, com certeza! – disse.

— Aninhou-se em cima do machucado e ronronou por um tempo.

— Bicho fantástico!

— Quando me dei conta, estava novo em folha.

— Veja lá embaixo! Já não resta mais nada.

— Fomos liquidados.

As naves alinharam-se para exterminar os últimos sobreviventes. Um conjunto desceu de maneira ensaiada. Emanaram uma luz verde que piscava e desintegrava guardas e vassouras. Peguei Thalga pelo braço e nos sentamos na beirada do morro. Puxei enlatados que achara entre os destroços. Abrimos e sentimos o cheiro forte. O gato coçava-se com gosto.

— Não tivemos a mínima chance – ela disse.

​— Os invasores estiveram formidáveis.

— Muitos homens morreram honrados, sem dúvida.

— Creio que alguns correram como moçoilas.

— Não seja idiota, Fílis.

— Fílis?

— Gosto de Fílis.

— Então serei.

Assistimos ao espetáculo até o fim. As anchovas estavam deliciosas.

…………………………………………………………….

Este texto foi baseado no tema “O Poder Mítico da Vassoura de Jânio Quadros na Década de 60 no Brasil Futurista sob a Invasão de Alienígenas da Oposição”, sujeito ao limite máximo de 3000 palavras.

Anúncios

41 comentários em “A vassoura também se levanta (Rodrigues)

  1. Tamara padilha
    28 de abril de 2015

    Preciso começar dizendo que não gostei do tema. Alienígenas, guerra, invasão? Tudo muito fantástico para o meu gosto! A narração achei um pouco rápida demais. Tudo bem que você só tinha 3000 palavras, mas o trecho em que ele não vê a mulher a certo tempo, aparentemente e logo em seguida já a pega pelo braço e saem juntos. Está bem escrito mas eu não consegui sentir emoção. Acho que é muita coisa fantástica. Você foi… criativo.

  2. Wender Lemes
    28 de abril de 2015

    Olá, Lemmingway! Depois de ler, fiquei por entender quem é o mais doido criativo: quem sugeriu o tema, ou você que o aproveitou ao extremo. Quanto à técnica, nenhum erro grave, só pequenas desatenções. Foi um dos melhores até agora, na minha opinião. Parabéns e boa sorte.

  3. Wilson Barros Júnior
    28 de abril de 2015

    Ficção científica espacial “romântica”, que beleza, estilo Asimov e Jack Vance. Aerotrens, mochilas flutuantes, comidas e bebidas esquisitas, realidade alternativa, diálogos apaixonados. Concordo com você, o presidente que devia ter se suicidado na primeira oportunidade era Jânio Quadros. Um conto intrigante, e muito imaginativo. Uma leitura bem agradável.

  4. mkalves
    27 de abril de 2015

    O título é tão engraçado quanto é sarcástico o tema proposto. E esse parece ser o tom da narrativa um tanto nonsense que mistura ficção científica, magia felina, futuro distópico com viagem no tempo ou ressurreição do Jango e sua vassoura. Um exercício e tanto.

  5. Bia Machado
    27 de abril de 2015

    Olha, esse tema é uma loucura! Só por isso já valeria a leitura, imagino você, autor(a) escrevendo essa doideira. Eu não sei se daria conta, rs. E você deu conta, muito bem! Gostei bastante! Deu para dar uma boa viajada nesse tema, hahaha! Único “senão” são os diálogos, dê uma cuidada maior neles na revisão, ok?
    Emoção: 2/2
    Enredo: 2/2
    Criatividade: 2/2
    Adequação ao tema proposto: 2/2
    Gramática: 1/1
    Utilização do limite: 1/1
    Total: 10

  6. Ricardo Gnecco Falco
    25 de abril de 2015

    É… Realmente, ao receber um tema como este, eu ficaria tentado a desistir de participar. Por pura covardia, mesmo (correria como uma “moçoila”). Só este fato já rende méritos ao autor desta obra. Bem escrito, tentando encontrar uma lógica em meio ao caos ideológico, a ‘história’ vai correndo e nós vamos lendo. Uma viagem e tanto. Só vou tirar alguns pontinhos devido a revisão textual ter deixado passar muita coisa, tirando um pouco da projeção do leitor na trama, sempre que esbarrando nestes gargalos. Mas está de parabéns por ter aceito a difícil missão!
    Boa sorte!
    Paz e Bem!
    🙂

  7. vitor leite
    25 de abril de 2015

    com este texto tive algumas dúvidas, apesar de gostar do modo como está desenvolvido, pareceu-me que a data era pouco futuro e podia inventar mais nas lutas, mas gostei do inesperado fim. por vezes, há uns cortes e não percebi bem as ligações e isso lamento que não pareceu resolvido.

  8. Leonardo Jardim
    24 de abril de 2015

    ♒ Trama: (4/5) imagino o autor tentando bolar alguma coisa nesse tema. Não só conseguiu, como ficou muito legal. Gostei bastante desse Brasil futurista-comunista dos anos 60!

    ✍ Técnica: (3/5) gostei, é muito ágil e as imagens bem descritas. Só os diálogos que poderiam ser melhor trabalho, com mais participação do narrador, principalmente quando são mais de dois personagens em cena.

    ➵ Tema: (2/2) cumpriu muito bem o tema louco (✔).

    ☀ Criatividade: (3/3) parte da nota deveria ir pra quem sugeriu o tema, mas a forma como você o utilizou ficou muito criativo mesmo.

    ☯ Emoção/Impacto: (3/5) gostei, mas não foi nada muito arrebatador.

    ● Bônus: +1 por ter se saído bem num tema bem complicado.

    Problemas que encontrei:
    ● O presidente segurou um cabo dourado *e* levantou sua vassoura
    ● Papagaio-de-pirata *me* curou

  9. Pedro Luna
    21 de abril de 2015

    Kkk… gostei. Sinto que não compreendi o conto como um todo, mas mesmo assim achei bacana. Os diálogos me soaram mecânicos, mas mesmo assim curti, sei lá, passou uma estranheza legal. No mais, Cigraks? Tenho até medo do que pode vir a ser um negócio desses…haha. Acho que o autor pegou o tema maluco e viajou na imaginação, o que fará ganhar pontos comigo.

  10. Pétrya Bischoff
    21 de abril de 2015

    Mas bá! Tenho que parabenizar o autor pela flexibilidade com essa temática ímpar. Durante toda a leitura, senti-me entre 1984 (principalmente em função de um casal) e Laranja Mecânica, e foi muito bom, visto que é um estória que se passa no Brasil. A narrativa é boa, senti-me um pouco confusa pela complexidade da estória, mas consegui assimilar tudo, afinal. A escrita é singular e adorei, principalmente, os diálogos. Sempre tão otimistas e artificiais, como deveriam ser. Ao mesmo tempo que a guerra e tudo mais é natural ao olhos dos operários (profissionais que, aliás, caem muito bem na ambientação). Também achei interessante esses alienígenas anárquicos e tudo mais. Um texto único e digno de pódio. Parabéns e boa sorte.

  11. Cácia Leal
    20 de abril de 2015

    Confesso que esse tema foi terrível… extremamente fechado, de modo que não havia como fugir (é quase um tema de monografia… rs). Eu gostei muito do texto, embora alguns trechos me parecessem muito confusos. No início, até o meio, pareceu-me que estava lendo “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley e essa parte me chamou a atenção. O conto está mais para o tema “distopia”. No entanto, mais ao final, me pareceu confusa a parte do suicídio do Presidente Jânio Quadros. Não ficou bem nítido o que ele sentia e o porquê de tirar a própria vida. E o final, a parte que os dois personagens (Fílis e Thalga) estão olhando tudo, de camarote, não compreendi bem. Adorei a escolha de nomes, muito criativo. Encontrei alguns errinhos, mas está muito bem escrito.

    Suas notas:

    Gramática: 9
    Criatividade: 10
    adequação ao tema: 10
    utilização do limite: 10
    emoção: 9
    enredo: 9

  12. Fil Felix
    20 de abril de 2015

    Olha, quem propôs o tema claramente queria bugar a mente de quem recebesse. Primeiro pq não faz muito sentido (anos 60, futurismo etc), deixando o leitor bem confuso, também. Imaginei que fosse steampunk, depois cyberpunk.

    Mas só por ter feito algum sentido, já ganha alguns pontos. Mesmo assim, não gostei muito de como as cenas foram contadas, me pareceu corrido demais. Algumas situações ficaram sem sentido, como a cena do suicídio. Simplesmente desceram e se matou, um corte muito abrupto.

    Gostei da descrição das naves e das cenas na fábrica, acho que poderia ter explorado mais esta parte.

  13. Jowilton Amaral da Costa
    20 de abril de 2015

    Este foi o tema mais esdruxulo, com certeza. Mas, você se saiu bem, a meu ver. A condução é muito bem feita e ambientação também. Boas tiradas e bons diálogos. Gostei. Vi um ou dois erros de digitação, que não comprometeram o desenrolar do conto. Boa sorte.

  14. Swylmar Ferreira
    20 de abril de 2015

    Reconheço a dificuldade do tema.
    O texto procurou atender ao tema proposto. Apresenta alguns erros como:
    – Papagaio-de-pirata deve curou, sem dúvida.
    Ficaria melhor:
    – Papagaio-de-pirata curou-o sem dúvida.

    A linguagem ´´e intrincada devido ao tema, a trama pensada pelo autor é confusa.Os personagens que pareciam bem definidos, mas no final deu uma escorregada.
    Afinal ele era ou não o Filintuanos?
    Outra coisa os personagens Jânio Quadros e João Goulart me pareceram estranhos ao contexto principal.

    De qualquer modo parabéns!

  15. simoni dário
    20 de abril de 2015

    Achei o texto confuso. Ainda não sei se entendi, mas, considerando que o tema, na minha opinião, é o mais difícil de todos daqui, sinto que você de alguma forma até deu conta. A ambientação ficou estranha pra mim, a personagem Thalma está bem caracterizada, mas o desenvolvimento da história está com partes soltas, parecem desconexas, não existe uma explicação para as coisas acontecerem como aconteceram, ficou tudo meio jogado. O texto também apresenta falhas na revisão. Não é um conto ruim, você desperta a curiosidade, tive vontade de ler até o fim pra ver onde aquilo tudo ia chegar e, acabou que não entendi muita coisa. Mas de alguma forma sua maneira de escrever prende a atenção, e aí, tem seus méritos.
    Boa sorte!

  16. Carlos Henrique Fernandes Gomes
    16 de abril de 2015

    Tentaram te prejudicar com esse tema safado, mas você se deu muito bem! Se eu tivesse uma namorada com o nome de Thalga, falaria para todo mundo, mesmo que não me perguntassem, porque é um nome lindo para uma namorada! Gostei da pequena, tipo irritadinha com estranhos. Como não entendo de política nem de hoje, nem qualquer época, fiquei boiando quanto ao poder mítico das vassoras de JQ. Mas ignorando esse aspecto do conto, e é o que fiz, gostei das imagens e da relação entre a boxeadora e o outro carinha, dando um clima de filme de ficção científica da década de 60, em preto e branco. Excelente trabalho para um teminha safado como esse.

  17. Felipe Moreira
    14 de abril de 2015

    Estudos comprovam. Não há limite para a zoeira. Com esse tema sugerido, não imaginei que pudesse sair uma trama coerente. Gostei do texto, suas referências. Confesso que algumas partes com Thalga foram um pouco cansativas. Porém, o final com ela foi mais dinâmico e competente. Não há como dar uma nota ruim para um texto bem escrito, bem ambientado na sua criatividade e bem humorado.

    Parabéns, Lemmingway. Boa sorte no desafio.

  18. Jefferson Reis
    12 de abril de 2015

    Tenho lido Ernest Hemingway, então este conto me chamou a atenção por causa do título e do pseudônimo escolhido pelo(a) autor(a). Confesso que o estilo da escrita me lembrou um pouco o escritor norte-americano, principalmente o desfecho da narrativa.
    Apesar do tema, não me decepcionei. Em se tratando de ficção científica, especulativa, coisa e tal, prefiro a seriedade (aquele tom trágico de “Interestelar”) no lugar da comédia ou sátira. Compreendo que o limite de palavras e esse tema maluco não ajudam muito.
    Encontrei alguns erros de digitação que podem ser facilmente corrigidos com uma ou duas revisões. Ah, claro! Preciso parabenizar Lemmingway pelo termo “vodh@-3” e pela ideia de transformar Niemeyer em um programa de computador.

  19. Virginia Ossovski
    11 de abril de 2015

    Nem sei o que dizer depois de ler esse tema. Adorei o conto, bem o estilo despretensioso que eu gosto. Talvez pudesse ter inventado mais história, não sei, mas gostei muito do que li, achei divertido e os personagens, marcantes. Nunca pensei que pudesse ficar tão boa a mistura de ficção científica com história do Brasil, você conseguiu quase um milagre. Parabéns pelo sucesso com o tema !

  20. mariasantino1
    11 de abril de 2015

    desafio para você

    Antes do seu conto eu não conhecia praticamente nada de Hemingway (nem o mais famoso livro dele “Por quem dobram os sinos”), só havia lido aquele conto que se passa no interior de um hotel, numa chuva, onde uma mulher deseja um gatinho abrigado embaixo de uma mesa, como se o desejo fosse algo materno e ele representasse o filho não parido (Vou pesquisar depois o nome desse texto na net, pois não guardo títulos e nomes, infelizmente — aqui, é “GATO NA CHUVA”). Bem. fui conferir se essa apatia toda por parte dos personagens (em seu texto) era característico do autor em questão, daí catei o livro (O Sol Também Se Levanta) para passar as vistas. Realmente está lá, um desinteresse, perda de fé, frustração e ironia nos diálogos do narrador personagem, Jacob. Voltei a ler o seu conto mais uma vez (acho que já foram umas quatro vezes) e a cada leitura, acho graça e fico maravilhada com o que você criou aqui. Enquanto o leitor para embasbacado com os fatos insólitos, os personagens nem…, e isso foi o que deu o ar singular ao conto. Tem também aquela falta de consciência vista nos escritos de Kafka (encantador, de fato). Não tem clima apocalíptico, os personagens debocham da situação aterradora —>> “— Será uma guerra e tanto, não acha? / — Perderemos no primeiro round./ — Creio que sim.” E as descrições são suficientes para instigar a querer mais. Aliás, tudo foi instigante demais (para mim). A trama política, a situação apocalíptica tensa/não tensa, e o flerte entre o Filis e a Thalga que remeteu ao Hemingway na acidez e crueza, mas há beleza e enternecimento assim como é na narrativa dele: — Não seja idiota, Fílis./ — Fílis? /— Gosto de Fílis./— Então serei.

    Parabéns pelo texto, contexto e intertexto.

    Média – Por criar algo singular, numa beleza irônica de ritmo crescente, e por tudo acima mencionado, a nota para esse conto será: 10 (Dez).

    Abraço

    • mariasantino1
      11 de abril de 2015

      Opa! Acho que a saudação era “Bom* desafio para você.

      • aultimaedicaoblog
        3 de maio de 2015

        Maria, fico muito feliz que tenha buscado as referências e começado a se interessar pelos livros do Hemingway, muito legal mesmo. É bem isso que você disse, no livro do Hemingway eles estão no período entreguerras, frustrados e perdidos pela Europa, buscam um novo sentido. Por isso bebem, dançam, desfrutam das coisas boas da vida como ninguém mais e, aliado a isso, a narrativa exata, na medida, envolvente e terna do escritor, que termina o livro com uma frase sensacional. Valeu!

  21. Thales Soares
    8 de abril de 2015

    Caramba, mas que história! Gostei! Fiquei extremamente empolgado com a narração. O tema ajudou bastante aqui. Puxa, que tema divertido! E o autor soube lidar com maestria, por mais exótico que o tema fosse.

    Narração brilhante, parabéns. Só achei meio broxante o final. Depois que o Jânio se matou, pouco a história avançou, foi como se a trama tivesse morrido ali. Achei que faltou um momento épico final, para fechar a trama com chave de ouro.

  22. rsollberg
    7 de abril de 2015

    Cara, você recebeu um canudo (expressão futebolística aqui do rio para designar um passe forte e sem direção), mas matou no peito com classe, deixou cair no relvado e marcou um gol de placa.

    Também fiz uma referência ao Hemingway no meu conto. Quase troquei quando li o seu, porém, em respeito ao grande escritor resolvi manter. O mais engraçado é que a cópia que li do “o Sol também se levanta” estava em português lusitano.

    Imagino sua dificuldade em criar algo completamente original dentro do tema. Inserir as referências, criar o universo e dar vazão aos personagens. Adorei a expressão “vou te boxear”.

    Os diálogos são rápidos e divertidos.
    Nunca imaginei que Niemayer e morreu cedo demais poderiam ocupar mesma frase. Dei boas risadas.

    Na parte ortográfica sé peguei “um pequena” no diálogo, quando acho que seria “uma pequena”.

    Parabéns e boas sorte no desafio!!!

  23. Jefferson Lemos
    4 de abril de 2015

    Olá, autor(a)! Tranquilidade? Que loucura, cara. hahahaha
    A pessoa que sugeriu esse tema deveria estar em outra dimensão, se é que me entende…

    Sobre a técnica.
    No geral, é boa. Têm umas boas sacadas no decorrer da trama e consegue desenvolver bem o enredo, apesar do enredo ser bem maluco. Vi uma ou utra palavrinha que me pareceram erradas, seria bom você dar uma revisada.

    Sobre o enredo.
    Para ser sincero, eu nem sei o que dizer sobre esse enredo. Vassouras e aliens e comunismo da vassoura e invasão… Não consegui me focar muito na história, mas ela está bem descrita. Os elementos futurísticos foram bem inseridos na trama, e deixou o visual bem legal.

    Sobre o tema.
    WTF! Eu não sei o que você poderia ter feito além do que já está aqui, então para mim você mandou ver no tema. hahahahah

    Nota:
    Técnica: 8,0
    Enredo: 7,0
    Tema: 10,0

    Parabéns pelo conto e boa sorte!

  24. rubemcabral
    31 de março de 2015

    Gostei bastante do conto, embora não tenha entendido tudo. Tema louco, não? Gostaria de saber quem o propôs.
    Arriscaria dizer que o conto é de autoria do Rodrigues. O enredo lembrou-me alguns filmes noiados do Cronenberg ou do Lynch. Não entendi esta frase: “— Papagaio-de-pirata deve curou, sem dúvida.”.

  25. Andre Luiz
    30 de março de 2015

    Olha, caro Lemmingway, tenho que te dizer que brincar com a história deste jeito foi muito bom, de forma que me fez retornar a um período fatídico(mesmo que a teatralidade das vassourinhas tenha me pegado mais até do que a trama em si) e com uma história boa. O pano de fundo, a meu ver, foi o mais habilmente construído, visto que você soube construir um cenário interessante, com personagens envolventes e transformou Quadros em mais icônico do que parecia ser para mim. Enfim, um texto muito bom dentro de um tema muito difícil. Minhas saudações, terráqueo!

  26. Claudia Roberta Angst
    30 de março de 2015

    Olha só, que tema mais inusitado! Sem dúvida, referências relacionadas ao período de JQ na presidência do país. Vassoura – vare vare vassourinha, por um Brasil moralizado. Os alienígenas fazendo menção à justificativa de JQ ao renunciar – pressão de “forças ocultas”. Houve também uma mistura de Jânio Quadros com Getúlio Vargas no episódio do suicídio.
    O conto foi bem desenvolvido baseado no tema proposto. No entanto, não consegui me prender à trama. Isso não se deve à falta de habilidade do autor, mas sim à minha pouca afinidade com temas futuristas ou de ficção científica.
    Além disso, perdi o fio da meada e tive de voltar alguns parágrafos para recuperar alguma razão. Uma verdadeira viagem. Deu trabalho, eu sei, reconheço, mas não apreciei como gostaria de ter feito. Boa sorte!

  27. Anorkinda Neide
    27 de março de 2015

    Céus, li pensando todo o tempo:ainda bem q este tema não caiu pra mim!kkkk
    Você fez mágica aqui, garoto(a)!

    Gostei bastante de tudo até mesmo da exagerada calma dos personagens e da falta de outros pra ambientar as cenas… mas vale tudo quando o clima é nonsense.
    Parabens!

  28. Eduardo Selga
    26 de março de 2015

    O tema proposto pode sugerir uma narrativa “anárquica”, com aporias e mesclas temporais, mas é um caminho nem sempre fácil de ser trilhado, pois muito facilmente causa a sensação de incoerência ou, melhor dizendo, inconsistência na amarração de alguns elementos narrativos.

    O envolvimento entre os dois personagens, não exatamente amor, tem como pano de fundo uma versão futurista do ex-presidente Jânio Quadros, extraído da história e lançado no conto num grande deslocamento temporal (além de 2030). O Jânio Quadros do conto é, portanto, outra persona, diferente da histórica. E nem haveria como ser de outra forma, pois o pouco sentido que ele fazia, só fazia sentido em função do tempo em que viveu. Além disso, um personagem de ficcional é sempre ficcional, mesmo se inspirado em alguém real.

    Entretanto, o quase namoro do dois não se liga a esse cenário. Não em termos de trama — eles trabalhavam na fábrica de vassourinhas, o grande achado midiático de Jânio —, mas em termos de discurso. Há um distanciamento enorme dos dois personagens em relação à cena política. Isso me parece proposital, mas causa uma fragmentação que complica o enlaçamento narrativo. A menos que haja uma coerência maior a unir os fragmentos (coisa que eu não vi)

    Digo ser proposital porque nos diálogos percebe-se a distância. Eles muitas vezes não são consequentes, é como se um falasse de uma coisa e outro de coisa diversa, o que pode ser um recurso interessante, desde que o conto como um todo funcione bem. E digo ser proposital porque o fim do texto é exemplo desse “en passant” visto no comportamento dos jovens, dessa alienação do mundo.

    Semelhante comportamento tem íntima ligação com a espetacularização da vida, ou seja, a vida como um grande espetáculo do qual somos todos espectadores, aplaudindo para não sentir a dor que o vazio da existência focada no materialismo provoca. Podemos ver isso, no conto, quando um personagem, no início, fala da batalha que se avizinha como se fosse vídeo game ou uma partida de futebol (“Será uma guerra e tanto, não acha?”) e, no final, um personagem-narrador diz o seguinte, na maior das sensaborias: “Assistimos ao espetáculo até o fim. As anchovas estavam deliciosas”.

    Talvez essa sensação de “falta de costura” entre os dois blocos do texto (o casal e Jânio) fosse minimizada com a inexistência dos blocos. Não necessariamente eliminando o alheamento dos personagens, pois esse elemento pode exercer dois efeitos na recepção textual: por um lado, pode reforçar a impressão de algumas pessoas que o importante é o presente, o prazer, como se a vida não fosse um ato necessariamente político; por outro lado, combate essa mesma postura, a depender do leitor.

    Há algumas referências gratuitas no texto. Vejamos.

    Acredito que o(a) autor(a) tenha batizado(a) o protagonista de Filintuanos como referência a Filinto Müller, um político brasileiro famoso por “caçar comunistas”. Mas, se for assim, a referenciação caiu no vazio porque o comportamento do personagem não se relaciona à figura histórica seja direta seja indiretamente. Mas precisa haver relação? Não, mas nesse caso melhor seria que o nome não estabelecesse a ponte.

    No início do texto, quando o narrador diz “Ao final de uma sequência, formaram uma letra A com um círculo em volta”, isso é claramente uma referência ao Anarquismo (ideologia política, não sinônimo de bagunça). Contudo, o texto não se relaciona a isso. No máximo, ao caos da guerra, mas esse é causado pelas forças do Estado, necessariamente contrárias ao Movimento Anarquista. No caso do conto, parece uma invasão extraterrestre, logo o Anarquismo não faz muito sentido.

    O Jânio real não se suicidou. Ao menos não fisicamente. Tanto que depois do papelão histórico da renúncia nos anos 60 conseguiu, assustadoramente, eleger-se prefeito de São Paulo nos anos 80. E aqui o conto estabelece uma questão muito boa, a ligação realidade-ficção. Se o personagem escrito por Lemmingway estoura a la Vargas a cabeça com disparo de revólver, isso é absolutamente verdadeiro em relação à figura histórica, pois Jânio morreu politicamente depois do seu ato, vindo a ressuscitar mais de vinte anos depois, paulistamente Zumbi. Logo, a destino do personagem do conto é mais real do que possa parecer.

    GRAMATICALIDADES

    A oração “— Papagaio-de-pirata deve curou, sem dúvida” parece errada. O que é “deve curou”?

    • Rodrigues
      29 de abril de 2015

      Oi, Eduardo. Obrigado pela análise. Então, o nome não tem nada a ver com o Filinto, eu nem o conhecia, na verdade. Foi inventado, mesmo. O correto sobre o papagaio seria, “— Papagaio-de-pirata me curou, sem dúvida”. Valeu!

  29. Neusa Maria Fontolan
    26 de março de 2015

    Aff!!!
    Estou indecisa. Não sei se quem mandou este tema é um sacana ou um gênio. Ou se tudo isso é uma grande brincadeira.
    Quem enviou este, eu gostaria muito de ver escrever um conto com seu próprio tema.
    Imagine você mandando seu conto para avaliação em uma revista conceituada.
    NOME DO CONTO: A vassoura também se levanta.
    TEMA: O Poder Mítico da Vassoura de Jânio Quadros na década de 60 no Brasil Futurista sob a invasão de Alienígenas da Oposição.
    Aff ! Aff! Várias vezes.
    Você foi ótimo (a). Mandou bem, meus parabéns.

  30. Alan Machado de Almeida
    25 de março de 2015

    Tenho tendência a gostar de histórias surreais, há até um gênero para isso nos EUA chamado Weird. O conto conseguiu extrair uma ideia boa de um tema tão viajado. Parabéns.

  31. José Leonardo
    25 de março de 2015

    Olá, autor(a). Nunca vi um tema tão insólito descambar num conto espetacular, sinceramente, um dos melhores que já tive oportunidade de ler no Entrecontos. A linguagem, a fina crítica (Levyx), o enredo louco e, ainda sim, coerente. É obra de um profissional, não de um amador. Imagino quem tenha dado o tema e tenho três hipóteses de autores, mas isso é o de menos: a inteligência que permeia estas linhas é impressionante (ainda mais se juntarmos tema e pouco tempo em que vigora o desafio). Os diálogos não devem em nada ao nível descritivo. Parabéns e boa sorte neste desafio.

  32. Rafael Magiolino
    25 de março de 2015

    Ótimo conto. Não me lembro a última vez que li um texto com tamanha criatividade. Imagino que ao se deparar com o tema, o autor deve ter ficado preocupado com a falta de ideias, porém produziu um excelente trabalho. Consegui imaginar este mundo ficcional com facilidade, o que me prendeu ainda mais.

    Notei poucos erros ao longo da escrita, o que valoriza ainda mais o resultado final.

    Abraço e boa sorte no desafio!

  33. Tiago Volpato
    25 de março de 2015

    Sensacional! Você mostrou ter pleno domínio de tudo aqui, parece até que o tema foi criado especialmente por você, fantástico. Parabéns, um excelente conto!

  34. Marquidones Filho
    25 de março de 2015

    Nossa! É um tema bem original e esquisito mesmo hehehe
    Gostei das palavra e significados delas, das formas como foram usadas. De um modo geral, gostei do conto, ficou bem estruturado, apesar de ter sentido falta de uma “atuação” maior das vassouras. Deve ter sido um tema difícil de se trabalhar, por isso, parabéns!

  35. André Lima
    24 de março de 2015

    Gostei do enredo, mas não gostei da forma de escrita; não sei se só eu tive essa impressão, mas parece que ficou tudo corrido demais! Me pareceu que o narrador estava correndo e desesperado para contar a história. Essa forma de narrativa não me agrada.
    Mas você deu uma boa solução para um tema complicado.

  36. Gilson Raimundo
    24 de março de 2015

    Um tema complicado uma vez que aborda o início de uma época de sangue no Brasil, não sei o que o autor quis deixar transparecer com esta sátira, será que o poder da tal vassoura seria o absolutismo ou o desejo de Jânio em limpar a corrupção no país, este invasores seriam os generais que tomaram o poder criando mais tarde heróis com Dirceu, Genuíno, Lula e Dilma que quando vencem o inimigo se torna tão letal quanto ele????? A situação dos personagens parece bem com as atitudes dos brasileiros… vamos fazer nada, tudo parece natural… uma invasão e o cara só quer saber de umas cervejas e um rabo de saia….Não sei se esta é realmente a mensagem, boa sorte.

  37. Fabio Baptista
    24 de março de 2015

    Muito bom.

    Muito bem escrito e creio que seja desnecessário comentar sobre a criatividade do autor.

    Um tema que certamente causaria calafrios em boa parte dos participantes foi transformado em um conto bem divertido.

    Só me decepcionei um pouco com o final… queria ver um pouco mais da vassoura (no bom sentido) de Janio, talvez empunhada pelo vice.

    NOTA: 8

  38. Brian Oliveira Lancaster
    24 de março de 2015

    E: Caraca, que tema! Esse sim merece todo o respeito por conseguir captar a ideia da sugestão de “amigo da onça surreal”. Nota 9.

    G: Tem todo um clima de sci-fi da era de ouro e isso me agradou – quando lagartos em trajes espaciais e polvos marinhos cientistas eram considerados algo normal. Pegou um pouco de realidade alternativa também. Não gostei muito das divisões, pois confundiram um pouco e quebraram certas sequências de ação/reação. Mas a escrita fácil e carismática compensou os pequenos defeitos. Nota 8.

    U: Certas construções incomodaram um pouco, mas não chegam a atrapalhar. Este diálogo ficou um tanto incompreensível “Papagaio-de-pirata deve curou, sem dúvida”. Nota 7.

    A: Olha, tenho que dar os parabéns ao autor. Que castigo, hein? Baita criatividade para dar forma ao texto. Nota 10.

    Média: 8

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado às 24 de março de 2015 por em Multi Temas e marcado .