EntreContos

Detox Literário.

Quatro (Neusa Fontolan)

Ao acordar para mais um dia naquele mundo de fantasia Rebecca se negava a abrir os olhos, tinha medo de que tudo fora um sonho. Sem abrir os olhos passou a mão pela cama, sentiu a macies dos lençóis e sorriu.

Nunca tive uma cama, e muito menos lençóis, ainda mais com tamanha macies, deve de ser verdade, eu não estou sonhando.

Rebecca tomando coragem abriu os olhos, enlevada olhou ao seu redor, era mesmo verdade, estava em um quarto que agora era seu. Levantou abrindo a janela, alisou a cama, foi ao armário e passou a mão tocando todo ele, em seguida o abriu fazendo o mesmo do lado de dentro, sentou na poltrona por algum tempo, depois foi à vez do banheiro que ela ficou admirando até cansar e decidida entrou no chuveiro. Ela demorou em seu banho desfrutando deste prazer. Trocou-se e não sentia vontade de sair daquele quarto, sentou na cama e admirada olhava ao seu redor e só levantou porque a fome apertou, era melhor procurar as meninas para irem ao refeitório.

__ Lena, Alícia, vocês estão acordadas?

Não ouve resposta, decidida entrou nos quartos as procurando, não estavam, foi quando notou que o sol estava alto, ela dormiu demais e as meninas devem ter ido ao refeitório sem ela. Deu de ombros e saindo tomou o caminho do castelo.

Ao entrar no refeitório olhou em volta as procurando e nada, a grande mesa estava vazia, entretanto Kaled com os lâmias estavam em sua mesa e ao passar por eles ela ouviu Derek.

__ A manhã inteira sem atacar os alimentos, eu estava esperançoso, achei que tivesse entrado na floresta e sumido para sempre.

__ Ao que parece esse prazer não vamos ter, ela deve seguir o cheiro da comida para achar o caminho do refeitório. É melhor nos acostumarmos com a poluição do ambiente. – Kaled aderiu à cretinice do amigo.

__ É melhor se acostumarem mesmo, eu não pretendo entrar na floresta e muito menos irei embora. O cheiro da comida é muito bom e o sabor melhor ainda.

Rebecca sem olhar para eles e seguindo em frente falou alto para ouvirem.

__ Você pode morrer. – sugeriu Kaled em alto tom.

__ Sempre posso morrer, aqui ou em outro lugar qualquer. Onde eu vivia antes de vir para cá, era muito mais fácil de morrer do que ao seu lado Kaled.

Afastou-se e foi pegar sua bandeja de alimentos, sentou na grande mesa e de costas para a mesa de Kaled, não queria comer tendo ele a sua vista. Olhando para frente viu Edmundo passando, ele foi direto pegar uma bandeja para colocar alimentos.

O que aconteceu? Ele nem me cumprimentou! Será que não me viu? Só se tiver com a cabeça na lua para não me ver aqui.

Ficou intrigada com aquele comportamento. Parou de comer e cruzou os braços encarando Edmundo, queria ter certeza de que ele a via e descobrir como ele agiria.

Edmundo pegou os alimentos e estava voltando, seus olhos encontraram os de Rebecca e imediatamente virou a cara fazendo uma careta de puro nojo, virou as costas e foi sentar-se em uma mesa distante no fundo do salão.

Mas que merda é essa? Acho que a loucura impregna esse mundo. Todos são loucos!

__ Bom dia Rebecca.

Rebecca estava tão distraída com o comportamento de Edmundo que não viu Lena e Alícia sentando ao seu lado.

__ Bom dia meninas. Acordaram cedo?

__ Sim, e você estava dormindo tão bem que decidimos não incomoda-la, então saímos sem você. Não ficou zangada, ficou?

__ Claro que não! Fizeram bem em sair.

__ Se não está zangada, porque está com essa cara azeda?

__ Estou tentando entender o comportamento de Edmundo, passou por mim e nem me cumprimentou, e foi sentar longe, lá nos fundos.

Elas olharam na direção que Rebecca apontou e viram Edmundo comendo de cabeça baixa.

__ Sério? Será que ele te viu?

__ Ah… Viu e muito bem, ainda virou a cara com ar de desprezo.

__ Que estranho… Estivemos com Edmundo agora a pouco e ele nos tratou da mesma maneira que ontem, gentil e educado.

__ Então o negócio é comigo.

__ Porque razão?

__ Vai saber. Deixe para lá, quem sabe alguma coisa o incomodou e ele está de mau humor.

Rebecca continuou comendo e as meninas ficaram ao seu lado conversando sem tocar no nome de Edmundo, nisso chegou Aron, Adriano e Guilherme cumprimentando-as sentaram a mesa.

__ E então Rebecca, como está se sentindo vivendo aqui? – Guilherme perguntou ao se sentar.

__ Simplesmente maravilhada. É como se eu estivesse começando a viver somente agora.

__ Fico feliz em ouvir e não esqueça que se precisar de qualquer coisa é só nos pedir.

__ Não vou esquecer, no entanto acredito que não vou sentir falta de nada, aqui eu tenho tudo que nunca tive.

__ Por que Edmundo está sentado sozinho lá nos fundos? – Aron perguntou apontando – Porque ele não se sentou aqui na grande mesa?

__ Não sei, ele passou direto e nem me cumprimentou e depois foi se sentar lá. Deve estar aborrecido com alguma coisa.

__ Se está aborrecido seria mais um motivo para conversar com amigos, estou estranhando esse comportamento. – Guilherme comentou.

__ Também acho. Fazer o quê, cada louco com sua mania.

__ Ele está levantando, vamos aguardar ele passar por aqui. Vamos tirar isso a limpo.

Edmundo desocupava a mesa que comia e ao dirigir-se para a saída viu os paladinos, abriu um grande sorriso mostrando com isso que não estava aborrecido, aproximou-se os cumprimentando.

__ Boa tarde meus amigos, eu não os tinha visto.

Edmundo todo sorridente pegou as mãos de cada um, acenou com a cabeça para Lena e Alícia e ignorou completamente Rebecca.

__ E eu, você não cumprimenta? – Rebecca não aguentou e cobrou.

__ Boa tarde. – Ele disse seco sem olhar para ela e sem sorrir.

Todos se entreolharam sem entender.

__ Sente-se um pouco conosco para conversarmos. – Adriano pediu procurando agir naturalmente.

__ Com prazer, apesar da inconveniente eu adoro conversar com vocês.

Diante do assombro de todos, ele virou a cadeira de maneira que ficasse de frente a todos e de costas para Rebecca.

__ Edmundo, está acontecendo alguma coisa que não sabemos? Por que está chamando Rebecca de inconveniente? – Aron perguntou com toda gentileza que era própria dele.

__ Porque é isso que ela é.

Rebecca não aguentou, levantou e segurou Edmundo pelo braço, com um puxão brusco ele se soltou.

__ Edmundo o que aconteceu, porque está agindo assim comigo? – inteiramente desnorteada e incrédula Rebecca o encarava pedindo explicações.

__ Porque não suporto olhar para você, não suporto nem ouvir sua voz, você não passa de uma metidinha.

Rebecca caiu sentada.

__ O que significa isso Edmundo! – Aron até saltou da cadeira e apoiando as mãos na mesa o repreendia, sua gentileza foi para os ares – Porque está falando assim com Rebecca?

__ Porque é a verdade.

__ Ontem você estava todo agradecido por ela o ter livrado da dor, não sabia o que fazer para agradá-la e hoje age desta maneira, eu não estou entendendo!

__ Ontem eu não estava no meu juízo perfeito e ela não fez mais que sua obrigação – e se levantando continuou – vocês me deem licença, eu não aguento nem ouvir o nome dessa coisinha ridícula, quanto mais ficar perto desta insignificante curandeira. – Edmundo deu as costas saindo.

__ Credo! Até parece Kaled falando! – Alícia confusa olhava a todos.

__ Exatamente. – Guilherme afirmou.

__ O que quer dizer? – Adriano olhava desconfiado para Guilherme.

__ Vocês não repararam a mesa de Kaled? Ele e os lâmias estão se rachando de rir. – olharam e ele tinha razão – Foi Kaled que manipulou a mente de Edmundo.

__ Canalha! – Rebecca esmurrou a mesa com raiva.

__ Kaled não perde a oportunidade de aprontar. – Lena seguindo Rebecca também esmurrou a mesa.

__ Vamos procurar Edmundo e acabar com isso, Kaled apronta e nós desfazemos. Isso é eterno, não acaba nunca! – Guilherme mostrou-se cansado das safadezas de Kaled e se levantou, Adriano e Aron o seguiram.

Rebecca não se aguentava de tanta irritação, olhava com raiva a mesa de Kaled onde eles continuavam a rir e fazer micagens.

__ Não adianta se aborrecer Rebecca – Lena pediu – Não existem regras para Kaled, ele faz o que quer.

__ Faz o que quer porque todos deixam.

__ Não temos como revidar com Kaled.

__ Vou mostrar como.

Ainda com o rosto fervendo Rebecca se levantou. Alícia tentou segurá-la.

__ Não vai lá Rebecca, não adianta de nada e é perigoso demais.

__ Para ele pode ser que não adianta e para mim será confortante, eu vou desabafar, vale a pena correr o risco.

Sem dar atenção para as meninas que foram atrás e imploravam que voltasse ela se aproximou da mesa e por segurança parou a uma pequena distância encarando Kaled, este a mediu de cima abaixo e com deboche virou a cara.

__ Gosta de humilhar os outros Kaled?

__ Só você. – Ele respondeu sem olhar para ela e os lâmias gargalharam.

__ Sabe qual é o nome que dão para aquele que usa de truques e artimanhas para arrancar risadas dos que o rodeiam? PALHAÇO.

__ CUIDADO!

Ele tinha saltado da cadeira e a enfrentava de frente, manteve a distância por causa do seu hálito. Os lâmias pararam com as gargalhadas e agora olhavam apreensivos. O refeitório parou e não se ouvia mais nada só os dois.

__ Cuidado! De que devo ter medo? Devo ter medo porque você pode me matar? É disto que gosta Kaled? Gosta de ver a todos o obedecerem e temerem por você ser o semideus da morte?

Por alguns instantes ele continuou a encarando com raiva, e diante da perplexidade mesmo daqueles acostumados com suas repentinas mudanças o seu rosto suavizou antes de responder.

__ Não, eu não gosto, não tenho nenhum prazer em ver que todos me temem. – Kaled chegou a abaixar seu olhar quando murmurou essas palavras.

__ Então pare de alimentar esta conduta em todos! Se não gosta mude seu comportamento e ao invés de incentivar esse sentimento nos que o cercam procure mostrar que o medo deles é desnecessário, é sem razão de ser, porque pelo pouco que vi aqui neste mundo de uma coisa estou certa, você é o semideus que mais tem controle sobre si mesmo.

Ele levantou os olhos a encarando novamente, no entanto falou com toda calma.

__ Eu tento, muito mesmo, mas para meu lado deus é difícil.

Rebecca resignada soltou um longo suspiro.

__ Acredito em você Kaled, não desista e continue tentando.

Ela deu as costas voltando para seu lugar, por um tempo ele ficou a observando enquanto se afastava e sem olhar para seus amigos abandonou o refeitório.

__ Vocês acreditam no que acabamos de ver?

__ Sem comentários Brian – Derek pediu – é melhor não tentarmos entender o comportamento de Kaled, e comentar suas mudanças chega a ser perigoso.

Rebecca bem mais calma sentou e ficou pensativa.

__ Você é bem corajosa. – Lena comentou a tirando da concentração.

__ Isso não tem muito a ver com coragem, tem mais a ver com a ira que eu sentia no momento.

__ Mesmo assim foi de muita coragem enfrentar Kaled.

Rebecca deu de ombros e mudou o assunto.

__ Será que os paladinos conseguiram achar Edmundo?

__ Se não acharam vão continuar procurando até achar, não se preocupe. Vamos ficar aguardando por aqui mesmo.

Lena mal acabou de falar e Edmundo entrou correndo no refeitório, agarrou Rebecca em um forte abraço.

__ Desculpe-me?

__ Não precisa pedir desculpas. Você não teve culpa e sinceramente estou feliz por aquele comportamento ser obra de uma travessura de Kaled e não o seu de verdade. Que sujeito chato você se tornou!

__ Chato demais! – ele disse rindo e se sentando ao lado de Rebecca.

__ Está aborrecido com Kaled?

__ De que adiantaria se eu me aborrecesse? Kaled gosta de pregar essas peças na gente e eu dou graças por ele apenas brincar e não praticar seu lado deus em nós.

__ Ele sabe se controlar.

__ Dou graças a isso.

__ Diga-me Edmundo, e Andréa?

__ Sabe que com essa manipulação de Kaled eu nem me lembrei dela! Minha cabeça só tinha espaço para sentir raiva de uma curandeira medíocre. – ele riu ao falar.

__ Verdade? – Rebecca perguntou e ele balançou a cabeça confirmando.

__ Kaled sabe mesmo como manipular nossas mentes.

__ Esqueça Kaled, foi só uma infantilidade dele. Vamos falar do que interessa, falar de Andréa. Então hoje você ficou longe dela?

__ Fiquei e agora estou morrendo de saudades.

__ Domine a ansiedade, o acontecido foi bom, ela deve estar encafifada com a sua falta. Vamos aproveitar isso, não vai sair correndo para babar em cima dela agora e estragar tudo.

__ Quer dizer que Kaled sem saber ajudou em nossos planos. – Alícia comentou.

__ Parece que sim.

__ Não se vire Edmundo, Andréa está entrando no refeitório agora. – Lena chamava sua atenção.

Ele primeiro congelou e já ia se virar quando Alícia interviu.

__ Se você se mexer eu vou colocar um feitiço em você que vai fazer a manipulação de Kaled parecer brincadeira de criança, nem pense em se voltar.

__ Está bem. – ele congelou novamente.

__ Quando ela passar deixe que note que você a viu, – Rebecca o orientava – Olhe sem dar muita importância, assim que ela estiver pegando os alimentos vamos sair, vamos fazer hora no jardim e deixar ela encafifada por você não estar babando em cima.

__ Certo. – todo nervoso ele murmurou concordando.

Mesmo nervoso Edmundo conseguiu representar bem seu papel, Andréa encafifada chegou a olhar para trás e assim que ela chegou às bancadas de alimentos eles levantaram e saíram do refeitório agindo naturalmente.

No jardim ficaram conversando para distrair Edmundo, isto em um lugar que dava para ver a entrada do castelo e viram quando Andréa o deixou, então voltaram para o refeitório. Embora frustrando seu desejo em sair correndo atrás de Andréa, Edmundo se sentia feliz, tinha conseguido.

Algum tempo depois os paladinos se juntaram a eles.

__ Demoramos porque estávamos procurando Kaled. – Aron aclarou.

__ Acharam?

__ Não.

__ Merda! – Guilherme revoltado socou a mesa – Apesar de saber que de nada adianta eu queria dar uma bronca nele.

__ Não precisa – disse Lena – Rebecca já fez isso.

__ Foi mesmo? – Guilherme perguntava admirado – Nos conte o que aconteceu?

Ela contou sem esquecer-se de nenhum detalhe. Guilherme sorriu satisfeito e não fez nenhum comentário.

Não tiveram mais nenhum contratempo naquele dia e não viram Kaled. À noite quando Rebecca deitou para dormir seus pensamentos voaram, não conseguia tirar Kaled da cabeça.

“Eu tento, muito mesmo, mas para meu lado deus é difícil.”

Essa frase rodava na cabeça de Rebecca, não só a frase, foi à maneira como foi dita, passando veracidade. Naquele momento ela não podia duvidar de Kaled, ele foi sincero.

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5 comentários em “Quatro (Neusa Fontolan)

  1. simoni dário
    10 de maio de 2015

    Olá Neusa! Já estou torcendo para que em breve possa ler a história completa da qual o seu conto faz parte. Depois que li seu comentário para o Fabio Baptista, não tenho dúvida de que a lerei publicada. Parabéns pelo talento e pelo lindo comentário, foi um grande incentivo pra mim!
    Abraços.

    • Neusa Maria Fontolan
      11 de janeiro de 2016

      Veja só isso! Eu não tinha visto seu comentário, vim aqui agora a procura de um dos conselhos do Fabio e me deparei com ele. Nossa menina! Você me incentivou a voltar para o meu livro e tentar melhorá-lo. Obrigada minha linda.

  2. Neusa Maria Fontolan
    1 de março de 2015

    Querido Fabio Baptista, (estou te amando mesmo sem te conhecer) obrigada, obrigada mesmo por apontar todos os erros, feliz, muito feliz por poder corrigir e aprender. Eu tenho 62 anos e não tenho estudo, só a vontade de escrever, cursei o primeiro grau a mais de cinquenta anos atrás, depois disso com os apertos da vida nunca mais estudei, Comecei a escrever em 2010, mas os erros eram muitos, só para você ter uma ideia eu escrevia congelar com j, e muitos outros. Foi quando uma de minhas filhas me falou, “mãe, o governo da um curso básico de introdução ao computador, e aqui perto tem um, vai aprender, com o computador você poderá escrever melhor” foi o que fiz e melhorei, apenas melhorei. Sei que é muito atrevimento eu querer me misturar a vocês que são feras, mas de que outra maneira eu teria tantos erros apontados. Fabio, você tem razão, este é um recorte, é o quarto capítulo de uma história maior, são mais de 207.000 palavras (já pensou quantos erros não tem aí?) Fabio, fique a vontade para corrigir também este comentário. Beijos,e muitos agradecimentos.

    • Fabio Baptista
      1 de março de 2015

      Neusa,

      Sinto-me extremamente honrado por poder colaborar de alguma forma.
      Fiquei feliz e até emocionado com o seu depoimento, que é uma verdadeira lição de vida. Meus mais sinceros parabéns.

      207 mil palavras é mais que já escrevi na vida, somando todos os meus contos! Com erros ou não, é um grande feito!

      Tente participar do próximo desafio, é uma ótima oportunidade para receber críticas e sugestões e também passar suas impressões sobre os nossos textos, que certamente contribuirão para nosso desenvolvimento. Todos aqui buscam o aperfeiçoamento através da ajuda mútua. Alguns já sabem um pouco mais, outros um pouco menos… mas todos continuamos aprendizes na arte da escrita.

      Um grande abraço!

  3. Fabio Baptista
    1 de março de 2015

    Olá, Neusa

    Vou começar pela parte chata, apontando alguns deslizes de gramática e construção de frases, ok?

    – macies
    >>> maciez

    – depois foi à vez do banheiro
    >>> sem crase

    – Diálogos iniciados com _
    >>> Não é o símbolo indicado. Use sinal de menos -, ou ainda melhor, travessão —. (Segure a tecla Alt e digite o número 0151 no teclado numérico).

    – Não ouve resposta
    >>> ouve é de ouvir. Curiosamente a continuação da frase é ambígua e não se pode afirmar com certeza que HOUVE erro. Mas ficaria melhor dessa forma:
    Não houve resposta, então, decidida, entrou nos quartos as procurando.
    OU
    Não ouviu resposta, então, decidida, entrou nos quartos as procurando.

    – “ela dormiu demais e as meninas devem ter ido ao refeitório sem ela”
    >>> Você precisa tomar cuidado com a variação da foma verbal. Isso ocorreu em vários pontos. A história deve ser contada no passado ou no presente. Às vezes ela pode, claro, começar no passado e chegar ao presente. Mas ela não pode ficar misturando os tempos na mesma frase. Nessa em destaque, por exemplo, seria melhor usar o seguinte: “ela dormiu demais e as meninas já deveriam ter ido ao refeitório sem ela.”, jogando tudo para o passado.

    – Você pode morrer. – sugeriu Kaled em alto tom
    >>> Depois de um ponto final, comece em maiúscula, mesmo com o travessão separando a frase.

    – O que aconteceu? Ele nem me cumprimentou! Será que não me viu? Só se tiver com a cabeça na lua para não me ver aqui.
    >>> Seria melhor usar essas sentenças de pensamento entre aspas do que com o recurso do negrito.

    – Bom dia Rebecca
    >>> Bom dia, Rebecca.

    – mediu de cima abaixo
    >>> mediu de cima a baixo

    —————-

    Agora sobre a trama:

    Senti uma forte influência de Percy Jackson e Harry Potter aí, estou certo?
    Então, nada contra escrever algo tendo esses ou quaisquer outros livros como inspiração. No fundo, todas as histórias seguem um determinado padrão e o que muda de uma para outra é a maneira com que são escritas, a veracidade dos personagens, etc.

    As personalidades de Rebecca, Edmundo, Kaled, etc. careciam de um espaço (beeeeem) maior para se desenvolver. Sim, consegui ter uma noção geral de quem era quem aí nessa história, mas foi pouco. Muitos nomes apareceram só por aparecer. Em um romance, você pode abusar da quantidade de personagens e de situações, mas num conto, não. Um conto precisa ter a menor quantidade de elementos que for possível. Tudo que não for indispensável deve ser cortado.

    Aqui pareceu mais o recorte aleatório de uma história maior do que um conto propriamente dito.

    Abraço.

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Informação

Publicado às 28 de fevereiro de 2015 por em Contos Off-Desafio e marcado .