EntreContos

Detox Literário.

Preso na Escuridão (Rodrigo Forte)

Lua e estrelas

Desde que me entendo por gente, sempre estive na escuridão e isso foi praticamente tudo o que conheci. Não cheguei a desenvolver a capacidade de comunicação devidamente e talvez por isso a minha mãe não tenha entendido quando eu tentava, noite após noite, alertá-la do perigo que corria.

Quando ela ainda estava com o meu pai, era possível sentir o amor deles me aquecendo e eu nunca ficava com medo, mesmo levando em conta que eles não escondiam de mim os seus momentos mais íntimos. Ele era muito carinhoso e conversava comigo a todo instante, sem se importar se teria resposta ou não.

Por algum motivo que não compreendi inteiramente, eles se separaram. Minha mãe passou os primeiros dias chorando, e sua tristeza afetou também a mim. Ficou um bom tempo sem comer, o que fez com que eu também sentisse a sua fraqueza. Posteriormente, entrou em uma espiral auto-destrutiva e parecia nem lembrar da minha existência. Fumava um cigarro a cada 20 minutos, além de sair com uns cinco caras diferentes por semana – às vezes mais de um em uma única noite. Desnecessário dizer que eu era um dos maiores prejudicados, e mesmo que esperneasse, ela não dava a mínima.

Fui obrigado a me acostumar com a ideia de dividi-la com outros homens. Tudo acontecia de maneira tão rápida, que era difícil de entender. Chegava em algum barzinho e segundos depois algum cara jogava um papinho qualquer que era suficiente para convencê-la. Claro que eu sempre ia junto, e parecia sentir mais prazer ainda ao me colocar naquela situação.

Diversas vezes presenciei conversas em que a minha avó a alertava sobre o quão ruim esse comportamento luxurioso era e o quanto isso poderia danificar o meu crescimento. Ela simplesmente não dava ouvidos.

Até que conheceu um rapaz que, de início, pareceu diferente. Quando conversaram pela primeira vez, pude reparar que ele era respeitoso. Ficaram – anormalmente, levando em conta o histórico – quase duas horas falando, quando ele mostrou ser igual aos outros e propôs que eles fossem para um lugar mais tranquilo. Eu já estava preparado para mais uma noite daquelas, porém tive um fio de esperança quando ela relutou, dizendo que já estava muito tarde. Confesso que achei aquela reação estranha, dada a fácil aceitação dela em outras ocasiões. De todo modo, nunca pude entender o que se passava em sua cabeça.

Depois da resistência inicial, aceitou o convite. Andaram por alguns minutos e pararam em um lugar que, pela ausência de barulho, parecia estar deserto. Eu soube o momento exato em que eles começaram a se beijar, pois senti um calor percorrendo as minhas veias.

Alguns minutos depois, algo começou a dar errado. Ela começar a gritar, seguindo um estrondo e um impacto quando foi arremessada ao chão. Comecei a ouvir pancadas abafadas e uma forte pressão foi colocada sobre mim. Sem poder fazer nada, fiquei imóvel na esperança de que ele não notasse a minha presença.

Minha mãe não se movimentava mais quando algo me cutucou. Logo depois,  vi um feixe de luz penetrando em sua barriga. Pela fraca iluminação que adentrou o local, percebi que um pedaço do meu pé esquerdo começou a flutuar dentro do líquido que escorria pelo corte recém aberto.

Quando aquela coisa brilhante penetrou novamente, eu tive certeza de que era por mim que procurava. Não conseguia entender o porquê de estar arrancando partes do meu corpo. Imaginei que seria algum ritual relacionado ao nascimento.

A cada novo corte, mais luz entrava e o líquido no qual eu flutuava começou a se misturar com o que saía de mim. Quando o buraco estava com um tamanho suficientemente grande, tive a minha primeira visão do mundo externo. Contemplei uma imensidão negra, exceto por alguns pontinhos brilhantes e uma bola branca enorme com alguns detalhes em cinza. Segundos depois, no entanto, restou somente a escuridão.

45 comentários em “Preso na Escuridão (Rodrigo Forte)

  1. Carlos Henrique Fernandes Gomes
    24 de fevereiro de 2015

    Esse foi um dos meus preferidos! Também comentei e não cliquei em publicar comentários! Desculpe minhas duas falhas! A narrativa acaba soando misteriosa e aos poucos fica claro que é um feto o narrador, a leveza do entendimento dos acontecimentos “sentidos” e interpretados pela inocência, mesmo assim fica claro a não aceitação da separação pela mãe e dá a entender que essa tendência ao vício e luxúria poderia ser a causa. A sensibilidade e perfeição da narrativa e ousadia da proposta me chamaram a atenção.

  2. Pedro Luna
    23 de fevereiro de 2015

    A proposta foi criativa. No meio do conto eu saquei que era o bebê, mas ainda assim ficou legal. Talvez alguns se sintam surpreendidos. Boa sacada.

  3. wilson barros
    23 de fevereiro de 2015

    Creio que o conto é inspirado em uma antiga história, em que um feto narra sua evolução até o aborto. Em ambos os casos o enredo é muito triste, por se tratar da morte de um bebê. Um médico poderá não ficar chocado, mas eu fiquei. Evidentemente a intenção é essa, uma propaganda pró-vida, contra o aborto. Nesse sentido, o conto é bem sucedido. Entretanto, a história é tenebrosa demais até para mim. Não encontrei erros de português. O conto é muito bem escrito, bem tramado, com uma boa evolução. Apenas um pouco forte demais. Acho uma boa idéia essa intertextualidade, reviver antigos pedaços de histórias do fundo do baú, recontando-as de uma forma moderna. Parabéns pela idéia.

  4. Lucas Almeida
    23 de fevereiro de 2015

    O texto me incomodou, acreditou que seria melhor se você mostrasse a luxuria dessa mãe gravida pelos olhos de um narrador-omnisciente. Boa sorte.

  5. Thata Pereira
    23 de fevereiro de 2015

    Forte. Não gosto de ler essas coisas, grudam na minha cabeça rs’ Percebi desde o início que se tratava de uma criança ainda na barriga da mãe. Não fez com que perdesse toda a surpresa e emoção do conto. Gostei!

    Boa sorte!!

  6. Leandro B.
    22 de fevereiro de 2015

    Oi, Darkness. Achei um bom conto.
    Só tenho algumas pequenas questões um pouco chatas.

    “Não cheguei a desenvolver a capacidade de comunicação devidamente ”
    Eu discordo, e isso meio que força um erro incômodo e desnecessário ao leitor. Para um feto, a capacidade de comunicação estava devidamente desenvolvida. Ninguém esperaria que ele respondesse de volta rs

    Além disso, fico um pouco com o pé atrás na adequação ao tema. Não dizendo que não se relaciona de maneira nenhuma, mas, por exemplo, parece-me que a menção à luxúria está ali para que você reafirme algo que não tem certeza. Aliás, eu também não tenho. As atitudes da mãe eram luxuriosas? Ela realmente desejava todos os homens?

    Tendo dito isso, vamos para a história:

    Acho que o conto tem personalidade. Tanto na revelação final quanto na ousadia de matar um feto em um conto, bem como pela inocência da criança. Está bem escrito e a narrativa é muito boa. Me carregou com facilidade.

    Não se engane pelas reclamações, eu gostei bastante da coisa. Em uma versão oficial, só mexeria um pouco no que comentei, mas, claro, isso possivelmente não diz respeito a uma certeza. É apenas o que senti enquanto leitor.

    De todo modo, bom trabalho!

  7. Bia Machado
    22 de fevereiro de 2015

    Ideia original, mas pouco aproveitada. Achei muito linear a narrativa, não dando muita vida aos sentimentos do personagem. E isso aconteceu principalmente no final. Boa sorte.

  8. Swylmar Ferreira
    22 de fevereiro de 2015

    Conto forte e intrigante, tem boa estrutura, objetividade e dramaticidade. Mostra o ponto de vista de uma criança não nascida. Muito bem escrito também e sem abstrações. O final é inesperado e triste.
    Parabéns!

  9. Rodrigo Sena Magalhaes
    22 de fevereiro de 2015

    Forte! Bem escrito. Muito bom conto! Parabéns! Tá começando a pegar fogo esse desafio!

  10. Edivana
    22 de fevereiro de 2015

    Particularmente não gosto muito quando o feto fala, e apesar de, nesse caso, estar muito bem contado seu relato, faltou emoção à narrativa (em minha concepção), pois acabei ficando indiferente ao sofrimento do feto, e da mãe.

  11. rsollberg
    21 de fevereiro de 2015

    Sem rodeios, não gostei muito.
    A ideia é até interessante, o ponto de vista de um feto que entende a coisa toda, conta cigarros e os minutos.

    No entanto, faltou surpresa. Penso que o autor poderia ter brincado muito mais com o personagem e deixado para revelar tudo no finalzinho. Podia ter mais drama, mais choque. Talvez menos linearidade. É o tipo de trama que pede uma narrativa mais subliminar, penso eu.

    Faltou também um tantinho de revisão, alguns trechos ficaram bem confusos, exemplo: ” Ela começar a gritar, seguindo um estrondo e um impacto quando foi arremessada ao chão.”

    De qualquer modo, parabéns e boa sorte no desafio.

  12. Gustavo de Andrade
    20 de fevereiro de 2015

    Um texto bem bacana. Demonstra uma sensibilidade de quem escreveu em retratar a pré-infância, com certos jogos de inocência e infantilidade bem legais, como o ciúme do infante quanto aos outros homens. Muito boa também a escolha da imagem, pra não deixar dúvidas quanto ao que era a imensidão negra, os pontinhos brilhantes e a enorme bola branca.
    No entanto, não senti muito o tema durante seu conto. Eu sou a favor de enxugar o texto para ver o tema do desafio nele, mas dessa vez não consegui. Me deu bastante a sensação de “fora do lugar”.
    Uma observação: “Claro que eu sempre ia junto, e parecia sentir mais prazer ainda” — do jeito que a frase foi estruturada, parece que o protagonista quem sentia mais prazer ainda nessas situações.

    Além disso, pareceu uma ideia vã demais para construir tamanha história. Não me transferiu a necessidade de ser escrita e apresentada, “só” uma sequência imagética interessante e bem-construída.
    Boa escrita 😉

  13. Leonardo Jardim
    20 de fevereiro de 2015

    Prezado autor, optei por dividir minha avaliação nos seguintes critérios:

    ≋ Trama: (3/5) deu pra perceber que o narrador era estanho, mas a surpresa funcionou ao descobrir q era um bebê. Único problema foi a cena final (não ficou muito compreensível como ocorreu o “aborto”).

    ✍ Técnica: (3/5) funcionou sem problemas, mas sem grandes atrativos.

    ➵ Tema: (1/2) achei a abordagem ao tema como um pano de fundo.

    ☀ Criatividade: (3/3) bem criativo o ponto de vista do feto.

    ☯ Emoção/Impacto: (3/5) não senti a morte do feto, faltou um pouco mais de emoção.

  14. Pétrya Bischoff
    19 de fevereiro de 2015

    Eita, belo texto! Menor que de costume, com a narrativa de uma ingenuidade infantil e uma escrita simples e de fácil entendimento. O guri não passou de uma consciência, consciente (à sua maneira) de tudo à sua volta. Gostei da trama e para onde ela converteu. Parabéns e boa sorte.

  15. Luan do Nascimento Corrêa
    18 de fevereiro de 2015

    Penso que o texto se beneficiaria de uma revisão cuidadosa. Fiquei com a sensação de que faltou algo, talvez fosse interessante dar uma motivação ao assassino ou apenas discorrer mais sobre o que ocorreu.

  16. Andre Luiz
    18 de fevereiro de 2015

    Olá, caro(a) Darkness!
    Gostei bastante da sugestão em seu conto, mesclando literatura fantástica com suspense, gerando um resultado extraordinário que chega a dar um “tilt” em nossa mente leitora. Fiquei, por algum tempo, sem entender o final, mas percebi que o início se linca ao final por meio do garoto imerso na escuridão. Senti que faltou mais diálogos, porém o resultado merece uma menção honrosa. Parabéns!

  17. Jowilton Amaral da Costa
    18 de fevereiro de 2015

    Olha só, no início do conto eu de cara imaginei que a criança que narra estivesse na barriga da mãe, contudo, no decorrer da narrativa essa impressão se dissipou e acabei esquecendo desta possibilidade e fui surpreendido no desfecho. O final foi triste, e acho que deveria ter sido explicado o porquê do assassinato do recém-nascido. Ele, o assassino, certamente era um psicopata. Mas, ficamos sem saber com certeza quais foram suas motivações.. Eu gostei. Boa sorte.

  18. williansmarc
    18 de fevereiro de 2015

    Olá, autor(a). Primeiro, segue abaixo os meus critérios:

    Trama: Qualidade da narrativa em si.
    Ortografia/Revisão: Erros de português, falhas de digitação, etc.
    Técnica: Habilidade de escrita do autor(a), ou seja, capacidade de fazer bons diálogos, descrições, cenários, etc.
    Impacto: Efeito surpresa ao fim do texto.
    Inovação: Capacidade de sair do clichê e fazer algo novo.

    A Nota Geral será atribuída através da média dessas cinco notas.

    Segue abaixo as notas para o conto exposto:
    Trama: 7
    Ortografia/Revisão: 10
    Técnica: 7
    Impacto: 7
    Inovação: 7

    Minha opinião: Bom conto. Acredito que seja possível interpretar de várias formas esse final narrado pelo feto/bebê. O texto tem um ritmo bem dinâmico, o que me agradou, além disso, a escolha desse ponto de vista foi bem criativo.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  19. alexandre Cthulhu
    17 de fevereiro de 2015

    Gostei do inicio do conto. A forma como narra os acontecimentos da separação na 1º pessoa, é perspicaz e convincente. Porem achei o final do conto confuso.confuso. Nao me leve a mal amigo, mas o que aconteceu ao narrador? Foi devorado por ET? Foi absorvido pela escuridão? Por vezes devemos ler o que escrevemos com os olhos do leitor.
    Creio que é capaz de fazer bem melhor
    Abraço
    Alexandre

  20. Maurem Kayna (@mauremk)
    16 de fevereiro de 2015

    A introdução dá a ideia de algo fantástico ou sobrenatural, mas o desenvolvimento e desfecho vão mudando isso e até bem perto do desfecho não percebi o que aconteceria, o que é bom sinal. A estrutura e a ideia me agradam, mas a linguagem me seduziu pouco. Questão de gosto, creio. Ah… pensando no desfecho, acho que o título poderia ser outro, talvez dando a ideia justamente da saída da escuridão. Mero palpite. ;o)

  21. Alexandre Leite
    16 de fevereiro de 2015

    A narrativa prende a atenção e nos conduz a um final competente.

  22. Ricardo Gnecco Falco
    16 de fevereiro de 2015

    Outro conto de terror. E muito bem escrito. Pareceu-me apenas que o autor desejava que eu não suspeitasse do que já suspeitava muito antes dele me permitir consensualmente isso. Mas curti a confirmação de minha “premonição” e, sobretudo, a escrita do autor. Bem gostosa.
    Como único ponto negativo da obra, cito a (recorrente neste Desafio – tá parecendo uma ladainha isso já… rs!) própria citação do pecado (Luxúria), que tirou um pouco do imenso brilho desta bela obra; transformando o Sol em Lua; o dia em noite…
    Mas uma noite de céu estrelado! 🙂
    Parabéns,
    Boa sorte,
    Paz e Bem!

  23. Rodrigues
    16 de fevereiro de 2015

    Puts, apelativo pra porra, não bastasse toda a desgraceira da história, a narração ainda tinha que sair da boca de um feto? Que está bem escrito, está, mas a história peca nesse sofrimento em demasia, que não é um recurso para um texto político ou uma ferramenta para imersão do leitor na falta de sorte da mulher, ficou meio gratuito.

  24. Virginia Ossovski
    15 de fevereiro de 2015

    Muito criativo! Demorou a cair a ficha que a criança ainda não tinha nem nascido, apesar de que depois percebi que tinha várias dicas, rsrs. Muito macabro esse final, meu Deus, dá pra sentir uma agonia e revolta com o que é feito com o bebê. Mas essa mãe, hein… Muito bom conto, parabéns!

  25. Sonia Rodrigues
    14 de fevereiro de 2015

    Uma maneira original de abordar o abortamento, sem ser piegas.
    Começo interessante. Pensei que se tratava de uma distopia, preparei-me para uma descrição de uma outra civilização, mas não, o outro mundo era o útero.
    Desenvolvimento linear, descrevendo a degradação da mãe até chegar à decisão fatídica.
    Final circular, voltando para a escuridão inicial.
    Boa sorte ao autor.

  26. Gustavo Araujo
    14 de fevereiro de 2015

    O conto é um recorte. Achei bacana a intenção de contar a história sob o ponto de vista de um bebê, mas, sinceramente, a ideia não funcionou comigo justamente por ser só um excerto. A escrita, isenta de erros, às vezes lembra um relatório. Não há muita emoção, quero dizer. Com exceção do trecho em que a barriga da mãe é aberta. Pelo menos o autor poderia ter deixado o leitor na dúvida se o fato descrito se tratava de violência gratuita ou se, ao contrário, se se referia ao nascimento do rebento. Creio que se houvesse um maior desenvolvimento da relação mãe-filho, ou da própria mãe, o resultado teria sido melhor. Desse jeito, ficou muito esquemático, plano e raso.

  27. Sidney Muniz
    13 de fevereiro de 2015

    Um conto bom, não é muito cativante, mas interessante;

    A narrativa é boa, mas o conto não me atraiu tanto. A gramática também é equivalente a narrativa, contudo me faltou algo a mais na trama, algo que me atraísse um pouco mais mesmo.

    Talvez seja mais por questão de gosto pessoal mesmo.

    um dos maiores prejudicados – Sugiro “mais prejudicados” penso que fica melhor

    Trama (1-10)=7,5
    Narrativa (1-10)=8,5
    Personagens (1-10)=8,5
    Técnica (1-10)=8,5
    Inovação e ou forma de abordagem do tema (1-5)=5
    Título (1-5)=5 = até que gostei do título, não é excepcional mas me agradou.

    Parabéns e boa sorte!

  28. Gilson Raimundo
    12 de fevereiro de 2015

    A história triste de quem não conheceu a luz, o lamento de um não nascido. Muito bom conto.

  29. Anorkinda Neide
    12 de fevereiro de 2015

    Eu tenho um texto narrado da perspectiva do bebê tb. 🙂
    Mas aqui, achei este bebê com pensamentos e percepções um tanto adultas, não é não? ficou estranho pra mim.
    É um conto de assassinato, provocado pela luxúria e maldade (do assassino), sei lá, nao me conectei aos acontecimentos a ponto de me importar com os personagens.
    Boa sorte ae!
    abraço

  30. mariasantino1
    12 de fevereiro de 2015

    Oi!

    Que rápido! Entendi que o BB foi abortado. Essa abordagem é interessante e já li algo parecido sempre mostrando a fala da criança alegre, contrastando com o ato. Eu gostei da sua ideia, e da fluidez. Não é uma leitura trucada e, salvo algumas repetições de pronomes pessoais, li com bastante facilidade.
    Acredito que a narrativa não casa com a condição do narrador, deveria ser mais instigante, com mais termos dúbios. O narrador poderia descrever uma redoma de vidro, o qual está aprisionado e contar como foi parar naquele lugar (um feto preso em um frasco com formol – ou algo similar). De qualquer forma, para causar impacto e instigar o leitor, a abordagem teria que ser diferente, mais subjetiva. Por exemplo —>>> “Desde que me entendo por gente” … Eu usaria — Desde que me senti vivo. OU — Desde que senti a vida pulsar dentro de mim. Outro exemplo —>>> e mesmo que esperneasse, ela não dava a mínima (ele está dentro da barriga da mamãe). Suponho que ficaria melhor — “e mesmo que mostrasse a ela toda minha ira, desferindo golpes violentos com meus pezinhos, ela não dava a mínima.”

    Espero ter ajudado de alguma forma, pois a intenção foi essa. Boa sorte no desafio.
    P.s.: Desculpa se esse comentário aparece duas vezes. A minha internet está dando pane, por aqui 😦

  31. mariasantino1
    12 de fevereiro de 2015

    Oi!

    Que rápido! Entendi que o BB foi abortado. Essa abordagem é interessante e já li algo parecido sempre mostrando a fala da criança alegre, contrastando com o ato. Eu gostei da sua ideia, e da fluidez. Não é uma leitura trucada e, salvo algumas repetições de pronomes pessoais, li com bastante facilidade.
    Acredito que a narrativa não casa com a condição do narrador, deveria ser mais instigante, com mais termos dúbios. O narrador poderia descrever uma redoma de vidro, o qual está aprisionado e contar como foi parar naquele lugar (um feto preso em um frasco com formol – ou algo similar). De qualquer forma, para causar impacto e instigar o leitor, a abordagem teria que ser diferente, mais subjetiva. Por exemplo —>>> “Desde que me entendo por gente” … Eu usaria — Desde que me senti vivo. OU — Desde que senti a vida pulsar dentro de mim. Outro exemplo —>>> e mesmo que esperneasse, ela não dava a mínima (ele está dentro da barriga da mamãe). Suponho que ficaria melhor — “e mesmo que mostrasse a ela toda minha ira, desferindo golpes violentos com meus pezinhos, ela não dava a mínima.”

    Espero ter ajudado de alguma forma, pois a intenção foi essa. Boa sorte no desafio.

  32. Eduardo Selga
    11 de fevereiro de 2015

    O aspecto positivo deste conto também é uma fraqueza: o narrador. Quem narra, pelo que entendi, é uma criança falecida por aborto provocado por alguém que não a mãe, e essa narrativa se inicia desde quando seu universo se resumia ao ventre materno até o instante em que esse universo se amplia a uma rápida visão da lua, antes da morte.

    Isso é interessante, a princípio. O problema é que no início o personagem-narrador afirma que “Não cheguei a desenvolver a capacidade de comunicação devidamente e talvez por isso a minha mãe não tenha entendido quando eu tentava, noite após noite, alertá-la do perigo que corria”. Por capacidade de comunicação subentende-se o uso da linguagem verbal e não verbal. E se morreu ainda na condição de feto ou pouco mais que isso, realmente não haveria como acontecer esse desenvolvimento. Mas, assim sendo, como o personagem conseguiria narrar, e, principalmente, fazê-lo de modo tão desenvolto? Com que repertório?

    Talvez se possa argumentar que ele, o feto (vou considerá-lo nessa condição), tenha adquirido semelhante capacidade após o aborto, uma vez que, em tese, haveria uma linguagem supra-humana ou espiritual própria dos ainda não encarnados, segundo determinadas crenças religiosas. Vá lá que seja, afinal não há elementos suficientes para refutar essa crença, e apenas o racionalismo não serve para isso. Porém, ainda assim, resta um problema: “Não cheguei a desenvolver a capacidade de comunicação devidamente […]” seria, nesse caso, uma afirmação incorreta ou incompleta: adquiriu, sim (tanto que ele narra), porém isso ocorreu quando já era tarde demais.

    Também me chamou a atenção que, ao narrar sua “vida” de feto, o personagem faça julgamentos de valor acerca da conduta de sua mãe, como em “Chegava em algum barzinho e segundos depois algum cara jogava um papinho qualquer que era suficiente para convencê-la”, trecho no qual pode-se inferir que a criança não aprovava a vida sexual da mãe. É possível perceber também que já tinha conceitos a respeito da conduta masculina em “[…] quase duas horas falando, quando ele mostrou ser igual aos outros e propôs que eles fossem para um lugar mais tranquilo”.

  33. Gustavo Aquino dos Reis
    11 de fevereiro de 2015

    Bem escrito e tragicamente real.

    Parabéns.

  34. Brian Oliveira Lancaster
    11 de fevereiro de 2015

    Meu sistema: EGUA.
    Essência: não consegui captar muito bem, mas talvez tenha a ver com luxúria. Nota 6,00.
    Gosto: esse ponto até achei bem interessante e tive que ler duas vezes o final para entender o que realmente havia acontecido. O texto reserva algumas surpresas curiosas e a leitura oscila de “fantasma à feto”, o que demonstra criatividade. Nota 8,00.
    Unidade: não vi grandes problemas, exceto um verbo flexionado de forma incorreta no sétimo parágrafo. Nota 8,00.
    Adequação: a história é muito boa, mas como o personagem principal “não faz parte” do tipo escolhido, me perdi um pouco nesse sentido. Nota 6,00.
    Média: 7,00.

  35. JC Lemos
    10 de fevereiro de 2015

    Sobre a técnica.
    Boa, consegui ler sem problema algum.

    Sobre o enredo.
    Para mim faltou algo. Talvez alguma ação, acontecimentos diferentes ou um pouco mais de sentimentos. Gostaria de ter visto algo melhor.

    De qualquer forma, parabéns!
    Boa sorte!

  36. Tiago Volpato
    9 de fevereiro de 2015

    Interessante o conto. Tem uma boa virada no Final por qual eu não esperava. Tá bem escrito e não percebi nenhum erro. Bem legal!

  37. rubemcabral
    9 de fevereiro de 2015

    Vejamos, a ideia – chocante – do bebê em gestação ter compreensão – sem ver o mundo externo – é ousada, embora peça uma generosa dose de suspensão de descrença.

    Sendo generoso, portanto, confesso que fiquei surpreendido sobre este importante detalhe do enredo. Contudo, o bebê sabe de inúmeros detalhes, mas não conhece a Lua ou as estrelas? Acho que deveria existir alguma linha lógica a seguir, como, por exemplo, se ele tivesse acesso aos pensamentos ou memórias da mãe. Então ele reconheceria a Lua e as estrelas, por testemunhá-las pela primeira vez por seus olhos e tal.

    Quanto à escrita, ela é simples e direta, e não apresenta erros de destaque que eu tenha observado.

  38. Thales Soares
    9 de fevereiro de 2015

    A primeira coisa que pensei quando topei com este conto foi “puxa… mais um conto com foto de lua”. Depois impliqueiimpliquei um pouco com o pseudônimo, pois me pareceu meio clichê e sem graça. Entã, finalmente, comecei a ler a história. Com boas expectativas, confesso, pois os últimos contos que li me agradaram, e eu gosto de fotos de lua. Porém, o conto não me causou o efeito desejado. Tudo bem, não foi ruim. Foi bem diferente dos outros contos, mas senti que faltou alguma coisa. Não sei lhe explicar, mas senti que esse universo estava meio fraco, meio vazio, acredito que daria para enriquece-lo mais.

    Eu já tinha matado a charada do bebê na metade do texto, pois lembrei-me daquele filme com o John Travolta: Olhe Quem Esta Falando.

  39. Mariana Gomes
    8 de fevereiro de 2015

    Gostei, eu fiquei curiosa sobre o problema de fala que o garoto tinha, ou porque exatamente os pais separaram-se. Enfim, essas partes em aberto certamente são para reflexão, o que é muito legal :). Você tem talento, mas preste atenção na ortografia. Parabéns e boa sorte!

  40. Pedro Coelho
    8 de fevereiro de 2015

    Texto bem criativo, nunca tinha lido nada parecido. poderia ter usado melhor os pecados. Mas foi bem escrito e bem desenvolvido.

  41. Luis F. T.
    8 de fevereiro de 2015

    Conto intenso com uma história forte. Muito bem redigido, sem erros. Única ressalva pessoal é que fiiquei com dó do nascituro, pois prefiro finais felizes, rs. Parabéns pelo texto!

  42. Cácia Leal
    7 de fevereiro de 2015

    O conto está muito bem escrito. Interessante e envolvente. No início até achei que realmente era um menino, mas aos poucos fui percebendo que se tratava de um feto. Gostei da história também. No entanto, faltou um pouco mais de sentido com relação ao desfecho, embora eu compreenda que o objetivo era contar sob o olhar do feto. Criativo.

  43. Alan Machado de Almeida
    7 de fevereiro de 2015

    O decorrer do conto achei meio arrastado, talvez não seja falha sua, mas é que não curto muito drama. Já os últimos parágrafos foram bem interessantes

  44. Fabio Baptista
    7 de fevereiro de 2015

    Olá,

    Achei a escrita muito boa. Não enche muito os olhos, é verdade, mas contou a história com muita clareza, sem nenhum erro.

    Clareza até demais, pensei à princípio. Pois logo no começo já dá pra sacar que se trata de uma gestação. Li boa parte do conto como se fossem aquelas campanhas anti-aborto que circulam pelas redes sociais, onde um bebê “conta” a história de como teria sido legal ter vindo ao mundo e tal.

    Enfim… não estava gostando.

    O final, porém, apesar de acontecer exatamente o que já era esperado desde o segundo parágrafo, conseguiu ser chocante.

    Veredito: boa escrita, trama batida, final impactante. Saldo positivo.

  45. Claudia Roberta Angst
    6 de fevereiro de 2015

    Não encontrei lapsos de gramática ou ortografia, apenas um deslize que escapou à revisão: Ela começar a gritar – acho que era COMEÇARA ou COMEÇOU. Enfim, uma bobagem.
    O conto está bem escrito e só quase no final me dei conta de que o narrador era um feto. Meio aquelas propagandas anti aborto. Fiquei confusa por um momento imaginando a mãe procurando um médico para abortar, mas acho que ela foi mesmo espancada e assassinada. Com a vida que levava, não teria muita chance mesmo de ter um final feliz.
    Não adorei, mas também não achei nada ruim. Boa sorte!

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Publicado às 6 de fevereiro de 2015 por em Pecados e marcado .