EntreContos

Literatura que desafia.

Pecando que se aprende (Virgínia Barros)

Inveja 2

– Você precisa de um psicólogo!

Sérgio nunca pecou por excesso de sensibilidade. Sua paciência oscilava entre os extremos: os complicados desenhos de que tanto se orgulhava mereciam até uma espécie de carinho. Já os meus problemas… Nunca acreditou que realmente existissem; em sua inexpugnável mente, eu passava os dias nadando em um mar de rosas. Durante a noite, entretanto, quando a situação esquentava para ele, chegava a hora de me afogar no enxofre de suas reclamações.

– Transar assim é como transar com um cadáver!

Não era preguiça que me levava a rejeitá-lo. Às onze horas da noite eu sentia mais sono do que ele acreditava ser aceitável. Havia piorado desde que eu conseguira um estágio durante a tarde, na faculdade de Jornalismo, onde havíamos nos conhecido. Estudávamos à noite; já estávamos no terceiro ano. Essa concorrida vaga no rádio da universidade nos fizera passar noites sem dormir na maratona para consegui-la: provas escritas, testes práticos e uma dinâmica em grupo. Havia duas bolsas: nossa colega Amanda ganhou uma, e eu a outra.

Apiedei-me de Sérgio quase a ponto de recusar o lugar. Se ele tivesse ganhado e eu perdido, me alegraria como se a vitória fosse minha. Por outro lado, ocupar a vaga que ele almejara era quase um pesadelo. Ele nada disse, mas eu o conhecia o suficiente para ter certeza de que estava magoado e isso me dilacerava o coração. Não consegui me animar com o novo estágio, nem mesmo com a bolsa de estudos. Contudo, trabalhei da melhor forma possível para o bem da rádio e da universidade.

Sentindo que não recebia o reconhecimento que julgava merecer, Sérgio passou a repetir com frequência que abandonaria a faculdade, sob o pretexto de passar por dificuldades financeiras. Já fazia um ano que morávamos juntos, pois procedíamos de outras cidades. Dividíamos as despesas, com alguma ajuda de nossas famílias, mas ele passou a contribuir cada vez menos. Um dia me desesperei e fui pedir emprego para ele em um jornal onde eu já havia estagiado. Por sorte, precisavam de gente; mas precisei convencê-lo a ir, pois ele não achava que o lugar fosse digno dele.

Durante o dia, Sérgio parecia um cabritinho amuado e desanimado. À noite, quando voltávamos da faculdade, o lobo faminto que havia dentro dele despertava. Eu me sentia uma ovelha indefesa; se me opunha, ele começava a me atirar no rosto os piores disparates. Clamava por seu orgulho masculino; berrava que eu não o amava mais e ele iria embora, em busca de alguém que satisfizesse suas necessidades. Dormir debaixo de um viaduto seria melhor do que comigo. Eu pensava que ele dependia de mim, mas ele se sairia muito melhor sozinho e não precisava de mim para nada – para nada!

Também me enfurecia. Nunca fui santa: exclamava que estava cansada, tinha trabalhado e já preparava minha monografia, o que ele também deveria fazer, mas deixaria para a última hora, como sempre. Gritava que iria colocar uma tranca na geladeira, pois ele nunca ia ao supermercado, mas comia tudo o que eu comprava. Ainda queria uma dama das camélias de madrugada? Pensava que eu era sua escrava?

Uma noite me cansei e disparei que era verdade que não o amava mais. Cuidava dele por pura piedade, porque sabia que sem mim ele estaria perdido, morrendo de depressão no canto de alguma república onde ninguém se preocuparia em saber seu nome. Eu não precisava de um palhaço que agia como uma criança mimada, convencida de que era melhor do que os outros e louca para puxar o tapete de alguém na primeira oportunidade. Um fracassado como ele deveria ter vergonha e deixar os outros em paz.

Talvez não devesse ter dito palavras tão duras; mas ele nunca fazia cerimônia para me apertar, ofender e machucar. Ao longo do tempo, os disparates de Sérgio haviam me escavado no peito um buraco que preenchi com cada vez mais ódio. Poderia ter conjurado bons pensamentos, em prol dos momentos felizes que vez ou outra passávamos juntos. Todavia, deixei que meu ego ferido agisse por mim.

Sérgio tentou partir em sua moto, mas ela não quis pegar. Sempre que a levava à oficina, ele mandava consertarem pela metade, para pagar só meio conserto; agora ela não soltava nem meia faísca. Furioso, ele deixou o prédio a pé, quase à meia noite. Não tentei detê-lo; nos últimos meses ele me enrijecera o coração, destruindo as capacidades de chorar e alimentar qualquer sentimento que não fosse ira pura e ardente.

Custei a dormir naquela noite. Minha cabeça rodava e ardia. Além de estar exausta, a pressão de aturar aquele imbecil estava quase me estourando as veias. Podia prever a explosão de ódio que espalharia pedaços de meu coração por toda a casa. Atirei à máquina de lavar todos os lençóis que cobriam a cama e espalhavam o cheiro do desgraçado que eu havia amado tanto.

Não voltou mais à faculdade, nem ao emprego. Soube através de conhecidos que estava dormindo no sofá de um amigo, que um dia veio pedir as roupas que ele havia deixado para trás. Naquele dia senti os últimos fragmentos de esperança se partirem dentro de mim, abrindo espaço para a solidão e a saudade. Empacotei os objetos e os entreguei o mais rápido possível. Quando o rapaz foi embora, descobri que minha capacidade de derramar lágrimas havia voltado.

Tentei me convencer de que seria melhor assim do que ficarmos eternamente nos magoando um ao outro. Não procurei saber como ele estava, nem se trabalhava ou estudava, até que surgiu uma pauta sobre um incêndio em uma fábrica de plásticos. Sérgio estava entre as vítimas; trabalhava lá como operário desde que desistira da faculdade. Larguei tudo para ir vê-lo no hospital. Estava desfigurado e todo enfaixado, mas intuí que sorria ao me ver.  Vislumbrei o grande jornalista que teria se tornado se tivesse sido mais humilde. Ou se eu não o tivesse abandonado: nunca exorcizei a culpa que me coube nessa tragédia. Ele não resistiu aos ferimentos.

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44 comentários em “Pecando que se aprende (Virgínia Barros)

  1. wilson barros
    23 de fevereiro de 2015

    Conto muito bom, estilizado, bom enredo, fluente. O desfecho, como quase todos deste desafio, é trágico, estou ficando até meio mórbido lendo os nossos contos. Mas o humor, o ritmo são perfeitos. O dilema, por ser simples, mas pouco explorado, é perfeito para um conto moderno: a mulher que não quer o marido porque está cansada, o marido não compreende, isto afasta os dois. Além de o marido ser meio incapaz de trabalhar, e desforrar na mulher, etc. Em suma, uma perfeita visão de um relacionamento fracassado, uma história do mundo moderno, um dos melhores contos. (P.S. Recomendo a Leitura de “Contos Romanos”, de Alberto Moravia.)

  2. Pedro Luna
    23 de fevereiro de 2015

    Olha, fácil de ler, mas soou como uma grande lição de moral. É um conto sem artimanhas, sem o algo a mais. O relato é interessante, real e pessoas como o Sérgio realmente existem aos montes. Eu gostei um pouco, mas não posso dizer que funcionou perfeitamente como um conto. Minha opinião.

  3. Lucas Almeida
    22 de fevereiro de 2015

    Achei seu texto interessante, não percebi erros ortográficos ou algo assim, mas não conseguiu me prender. Acredito que pelo título imaginei outra história, que seu texto transpirasse o tema mais fielmente. Boa sorte 🙂

  4. Leandro B.
    22 de fevereiro de 2015

    Oi, Lao.
    Começando pelo título, não entendi bem o que a personagem aprendeu rs

    Gostei da leitura e consegui me envolver, ao ponto de concordar com tudo que ela fazia. Achei o texto bem escrito e a narrativa bem segura.

    Se há uma mensagem no texto (ou no final dele) talvez eu não tenha gostado muito dela e isso esfriou um pouco as coisas para mim. Achei Sérgio um pouco caricato, o que talvez também tenha tirado um pouco a graça da coisa, mas reconheço que seria muito difícil desenvolvê-lo igualmente bem com essas poucas palavras,

    Em suma, achei um bom conto. Parabéns.

  5. Rodrigo Sena Magalhaes
    22 de fevereiro de 2015

    É o tipo de narrativa que gosto. Simples. Direta. Deu o recado sem firulas. Ser simples é ser universal. Show!

  6. Swylmar Ferreira
    22 de fevereiro de 2015

    O conto tem boa estrutura, objetiva e leve mostrando a parte da vida do personagem, bem fechado na dramaticidade. Linguagem sem abstrações. O final do conto é o aguardado,mas pensando bem, neste tipo de conto seria difícil um final inesperado.
    Boa sorte.

  7. Edivana
    22 de fevereiro de 2015

    É o recorte de uma rotina que se estende para a tragédia. Não vi realmente a culpa da garota, embora a mente é um ninho de sofrimento mesmo. Gostei do final, mais da forma como ele foi contado. O interessante do conto é que é muito crível.

  8. Bia Machado
    20 de fevereiro de 2015

    Estava gostando da história. Mas o último parágrafo me desanimou, muito acelerado. Pouco espaço para o desenvolvimento de uma situação que pedia por isso, pouco espaço para os personagens cativarem o leitor. Boa sorte.

  9. rsollberg
    20 de fevereiro de 2015

    Com uma escrita bem direta e uma estória ordinária o autor conseguiu prender minha atenção. É simples, mas é real. Tem sentimento e, aparentemente, verdade por trás de cada palavra.

    O pecado (ou, os pecados) não está bem evidenciado e surge apenas como pano de fundo de fundo de uma relação amorosa. Foi como se o conto se apropriasse de uma brecha no tema, a meu ver.

    O final é singelo e triste. Resume o que a soberba (ou a falta de humildade, ou o não recebimento do devido reconhecimento) pode fazer com uma pessoa.

    No meu ponto de vista, o maior mérito do conto é criar um relato crível, como se tudo isso tivesse realmente acontecido. (?)

    Parabéns e boa sorte!

  10. Leonardo Jardim
    20 de fevereiro de 2015

    Prezado autor, optei por dividir minha avaliação nos seguintes critérios:

    ≋ Trama: (3/5) boa, gostei. A forma como ela sofre por ele mesmo não tendo culpa, mas podendo ter feito diferente, nunca passei por isso, mas me coloquei no lugar da narradora.

    ✍ Técnica: (4/5) muito boa, passa todo o sentimento necessário para a trama fluir bem. Como disse, entrei na história.

    ➵ Tema: (1/2) os pecados estão lá, mas de forma superficial.

    ☀ Criatividade: (2/3) não é uma história muito criativa.

    ☯ Emoção/Impacto: (4/5) confesso que me arrepiei no final. Ou seja, a história atingiu o seu objetivo pra mim.

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    Classificação: ❿º (Teve nota 14 e empatou com outros sete, vencendo a maioria pelo primeiro critério de desempate: “emoção/impacto”, mas perdendo para “A História de Narciso” pelo segundo critério: “trama”).

  11. Gustavo de Andrade
    19 de fevereiro de 2015

    Bem, meu bem.
    A construção da narrativa foi legal. Uma personagem marcada por sofrimento versus um babaca arrogante. No entanto, faltou espaço para esta narrativa brilhar, me parece. Anotações:
    “Apiedei-me de Sérgio quase a ponto de recusar o lugar. Se ele tivesse ganhado e eu perdido, me alegraria como se a vitória fosse minha.” — achei legal a construção de uma certa passividade resignada pelo lado da esposa.
    “Vislumbrei o grande jornalista que teria se tornado se tivesse sido mais humilde.” — talvez o conto tenha sido curto demais para tentar incutir qualquer ensinamento de forma tão direta e incisiva, como uma espécie de “moral da história”.

    Assim, talvez se houvesse mais preocupação na construção do relacionamento e na consequente derrocada (puro chute, não sei se funcionaria com o limite baixo de palavras), a narrativa fosse mais proveitosa.
    Boa escrita 😉

  12. Pétrya Bischoff
    19 de fevereiro de 2015

    Bueno, mesmo que eu não tenha realmente me envolvido pela trama, é difícil não sentir uma dó no final… Penso que a escrita seja boa e clara, e a narrativa conduza o leitor como deve. Os primeiros três ou quatro parágrafos possuem muito potencial, no entanto, sinto que desandou depois disso, como se houvesse pressa em terminar. Eu corrigiria isso, mantendo a mesma escrita do início. De qualquer maneira, boa sorte.

  13. Jowilton Amaral da Costa
    18 de fevereiro de 2015

    Trágico, hehehe. Bom conto, nada surpreendente, um desenho do cotidiano de um casal em relacionamento arruinado. achei bem escrito. Boa sorte.

  14. Luan do Nascimento Corrêa
    18 de fevereiro de 2015

    Gostei muito do conto, esmiuçou ao máximo a complexidade da relação e explorou os sentimentos de ambos, sem apontar para nenhum dos lados. Muito bem escrito e elaborado. Parabéns!

  15. Carlos Henrique Fernandes Gomes
    18 de fevereiro de 2015

    Nem parece um conto sobre pecados por causa da narrativa fluída, de fácil assimilação, pesada e leve ao mesmo tempo, com um final de parar tudo! Nessa simplicidade toda, ainda consegue ser um conto profundo e intenso. Só o título ficou meio de fora da história.

  16. Andre Luiz
    18 de fevereiro de 2015

    Olá, caro Lao Tzu!
    Apreciei a liricidade em seu texto, incluindo metáforas interessantes que trazem o drama da protagonista à tona e, ao mesmo tempo, submergem o leitor na história. Contudo, sinto que há poucos diálogos no texto em partes em que há necessidade deles. Mesmo assim, isto não estraga em nada a beleza do texto. Parabéns!

  17. alexandre Cthulhu
    17 de fevereiro de 2015

    Este conto mais parece um texto extraído de um diário, de tanto realismo que transparece. Li e absorvi todas as palavras escritas. Pois quem ja passou pela experiência de viver com alguém que não ama, ou por uma separação, revê-se neste texto que tanto gostei de ler. A preguiça é lixada, mas quem semeia, colhe.
    Parabéns espero lr mais coisas suas por aí

  18. Maurem Kayna (@mauremk)
    16 de fevereiro de 2015

    Durante boa parte do relato (que tem algumas palavras empoladas capazes de quebrar um pouco do ritmo de leitura) tive mais a sensação de estar lendo um testemunho desses grupos de ajuda para mulheres que amam demais ou coisa do gênero, e isso me deu a expectativa de um final surpreendente, que não se concretizou.

  19. williansmarc
    16 de fevereiro de 2015

    Olá, autor(a). Primeiro, segue abaixo os meus critérios:

    Trama: Qualidade da narrativa em si.
    Ortografia/Revisão: Erros de português, falhas de digitação, etc.
    Técnica: Habilidade de escrita do autor(a), ou seja, capacidade de fazer bons diálogos, descrições, cenários, etc.
    Impacto: Efeito surpresa ao fim do texto.
    Inovação: Capacidade de sair do clichê e fazer algo novo.

    A Nota Geral será atribuída através da média dessas cinco notas.

    Segue abaixo as notas para o conto exposto:
    Trama: 6
    Ortografia/Revisão: 10
    Técnica: 6
    Impacto: 6
    Inovação: 6

    Minha opinião: Não achei ruim, mas também não conseguiu me conquistar. O conto ficou com um tom muito morno, até mesmo durante as brigas do casal não há nada de mais, apenas um relato. Também acredito que os pecados poderiam ter sido um pouco mais aproveitados.

    Boa sorte no desafio.

  20. Alexandre Leite
    16 de fevereiro de 2015

    Narrativa fluida, que prende a leitura. Bom desenvolvimento das angústias da personagem.

  21. Sidney Muniz
    16 de fevereiro de 2015

    Gostei do conto e principalmente da forma diferente como abordou o tema, inserindo o cotidiano de maneira tão perspicaz.

    A ideia é muito boa, tão boa que enxerguei tantas pessoas preguiçosas, deixando que o tempo passasse… Ah., como somos tolos às vezes e nos entregamos a vagos espaços de pura distração, quando poderíamos buscar o conhecimento e sensações daquilo que realmente almejamos.

    Percebo que a humanidade está em total desiquilíbrio, um bando de zumbis correndo pelas ruas, disputando vagas de estacionamento, marcando hora para transar com esposos e esposas e se embebedando de um sentimento sombrio, essa falta de algo, essa depressão, que em muitas ocasiões se dá justamente pela falta de tesão a própria vida.

    Casais casando e se separando…

    Filhos chegando e sumindo no mundo…

    Pais cada vez mais incapazes de ser filhos,,,

    Filhos cada vez mais incapazes de ser pais…

    Desculpe se meu comentário parece fugir da linha, mas é isso que a vida tem se tornado. Seu texto para mim foi denso, complicado de se ler sem pensar em tudo que a vida é, parafraseando Nelson Rodrigues… ” A vida como ela é”, tão fria, morna, no sentido do “sem sentido de viver”.

    Agradeço pelo bom texto, e os pecados que aqui estão, nos fazem aprender sim.

    Trama: (1-10)=10
    Técnica (1-10)=10
    Narrativa (1-10)=10
    Personagens (1-10)=10
    Inovação e ou forma de abordar o tema (1-5)=5
    Título (1-5)=5

    Parabéns e boa sorte!

  22. Ricardo Gnecco Falco
    16 de fevereiro de 2015

    Trabalho muito bem feito. História muito bem contada. Tão verossímil que chega a causar dúvidas quanto ao teor ficcional da obra. Parabéns. Um “Eduardo e Mônica” sem música, sem cor, sem final feliz. Muito bem escrito, mesmo que com tinta cinza. Parabéns!
    Boa sorte,
    Paz e Bem!
    🙂

  23. Rodrigues
    16 de fevereiro de 2015

    Texto pesado, realista, sem muitos floreios, mas não por isso cansativo, gostei. Se há aí um jornalista, há muito da linguagem das redações no relato, direto e seco. Achei interessante a forma como o casal foi se distanciando, mesmo sem uma presença externa, o próprio âmago da relação se matando. O final também foi bem colocado, o corte abrupto, como um fim de reportagem, sem maiores dramas.

  24. Gustavo Araujo
    14 de fevereiro de 2015

    Um texto muito competente. Sem erros, sem digressões inúteis, aproveita muito bem o limite imposto pelas regras para desenvolver muito bem dois personagens verossímeis, sem sobressaltos ou mudanças bruscas na narração. Nisso, aliás, destaca-se da grande maioria dos textos por aqui. Vou além: este é um dos poucos contos que soube contar uma história de modo paulatino, sem apelar a arroubos, reviravoltas de última hora. Acompanhamos de modo natural a evolução dos personagens, o que nos permite a identificação com seus dramas. Sim, é uma história comum, que poderia acontecer com qualquer conhecido (e que provavelmente acontece), mas é justamente nesse contexto que podemos ver a habilidade do escritor maduro. Somente alguém com um bom nível de perícia consegue transformar algo trivial (aqui, a inveja do namorado diante do sucesso de sua companheira) em uma história interessante, que nos impele (nós, leitores) a seguir com avidez os parágrafos. Poderia eu dizer que faltou um pouco de brilho, mas seria injusto diante do resultado. O final, diga-se, é muito bom, eis que não recorre a surpresas enlatadas ou a lições de moral. Parabéns.

  25. Thata Pereira
    13 de fevereiro de 2015

    Essa menina sou eu!!! Jornalista, vou colaborar esse semestre com a rádio da faculdade, com 3 colegas de classe que se chamam Amanda. Ainda tenho um amigo meio doido assim que eu tento fazer criar juízo (mas só amigo mesmo), só espero que não tenha o mesmo fim rs’ medo!!

    Gostei do conto, mas o final, sinceramente, não empolgou muito. Como alguns outros, fiquei esperando o pecado de uma forma mais explícita. A culpa não foi a garota, coitada rs Nem acho que ela deveria fazer esse julgamento do fim, que ele deveria ser mais humilde… o tempo parece que não passou muito até a pauta e, para uma jornalista nova no mercado, não consigo imaginá-la pensando assim.

    Boa sorte!!

  26. Gilson Raimundo
    13 de fevereiro de 2015

    Triste a convivência a dois. O texto mostra principalmente a luta da personagem em mater o controle sobre sua própria raiva.

  27. rubemcabral
    12 de fevereiro de 2015

    Bom conto: com relações e situações bem reais. Bastante dramático o final. Boa escrita também, com bem poucos erros.

  28. Anorkinda Neide
    12 de fevereiro de 2015

    Olha, autora.. eu acho que é uma autora.. rsrsrs
    O conto é bom, o pecado é o orgulho. tudo bem.
    Mas… a história ficou muito acelerada. Eu considero que as feridas que a protagonista apresenta, devido a seu relacionamento, são grandes demais, fortes demais para poucos anos de convivencia e de idade… pois vejo q sao jovens, ainda na faculdade.
    Todo este drama, demoraria muitos anos para desenvolver-se.. e talvez pelo limite de palavras, vc foi resolvendo tudo em pouco tempo, o que tirou fôlego da história. Eu não me apeguei ao personagem orgulhoso a ponto de sentir pela morte dele. Infelizmente isso é uma falha no texto, eu acho…
    Espero que outros venham a gostar mais do que eu.. boa sorte.

  29. Claudia Roberta Angst
    11 de fevereiro de 2015

    Lembrei-me da coleguinha Thata por causa da faculdade de Jornalismo. Não estou chutando a autoria, pois sou muito ruim nisso.
    Não encontrei erros, a não ser uma vírgula aqui ou ali faltando. A história é simples,daquelas que acontecem todos os dias. Provavelmente, a autoria é de uma mulher e jovem, mas nunca se sabe….
    Não achei que o pecado (qual deles,mesmo?) tenha sido abordado como protagonista da trama. Um pouco de inveja aqui, ira ali, uma preguiça de viver mais daquele lado. Acho que a narrativa caberia mais a um romance. Só acho.
    Boa sorte!

  30. Rodrigo Forte
    11 de fevereiro de 2015

    Mais uma vez, fui surpreendido. Achei que caíria no lugar comum de culpar o sexo por tudo e seguir somente por esse caminho, mas foi bem eficiente em mostrar como um relacionamento se desgasta.

  31. Brian Oliveira Lancaster
    11 de fevereiro de 2015

    Meu sistema: EGUA.
    Essência: notei a abordagem de dois ou três tipos. Nota 9,00.
    Gosto: um enredo trágico, mas que cativa. Um ou outro fato foi meio corrido, mas a conexão surgiu facilmente. O final, fugindo do lugar comum, caiu muito bem. Aborda bem o tema, de um ângulo mais depressivo. A figura escolhida é bem engraçada e passa uma sensação conhecida. Nota 9,00.
    Unidade: as palavras e construções foram bem colocadas, mas apressar acontecimentos quebrou um pouco o ritmo. Nota 7,00.
    Adequação: de forma subjetiva, mas bem colocada. Nota 9,00.
    Média: 8,5.

  32. Eduardo Selga
    10 de fevereiro de 2015

    Para que se escreve um conto? Para exorcizar os demônios, para dar vazão a uma tal de musa que de súbito, vinda dos píncaros da Grécia Antiga, magicamente, inspira? Para matar o tempo? Para ganhar concurso literário quando a grana está curta? Exibicionismo? E eu, não tenho nada melhor a fazer, exceto essas perguntas tolas que não entram logo na questão?

    É que dentre os motivos elencados e muitos outros possíveis, acalmar a fome de expressão estética deve ser o motor que nos faz escrever literariamente. Isso significa um modo de se colocar no mundo, uma ferramenta para compreendê-lo. Por isso os que não têm essa fome estética não “perdem o seu tempo” com coisas que eles supõem “inúteis”, como as modalidades artísticas. Escrever literatura é incompreensível a esses, pois demanda trabalhar com a subjetividade e uma de suas faces visíveis: a linguagem.

    Ou seja, contar uma estória apenas por contá-la é muito pouco. Ao desenvolver o enredo, ao criar os personagens, ao escolher os vocábulos, ao estabelecer ligações simbólicas no interior da trama, é preciso ter o que dizer, ir além da estória em si mesma.

    Assim sendo, o enredo deste conto é até interessante, na medida em que em ambos os personagens há uma dimensão humana que, pelo que percebi, não se tentou trabalhar, optando-se por permanecer mais na camada enunciativa do texto do que em suas entrelinhas (onde realmente o texto se constrói); na sugestão; nas ambiguidades de um sentimento tão complexo, porque humano, como o amor.

    Por certo o limite de mil palavras colaborou para isso, mas ainda assim a contação, aquela narrativa que diz absolutamente tudo, deveria ser evitada e, ao invés de tanta elucidação, criar sombras propositais. Luz em demasia atrapalha a desenvoltura do texto literário e acaba por mostrar o desnecessário, apenas o exterior aparente. É preciso haver perguntas a serem respondidas pelo leitor (mas não muitas), suposições cabeludas ou nem tanto. Dialogar com o leitor, mas não lhe entregando tudo de bandeja: antes, atormentá-lo com questões psicológicas (o personagem masculino seria uma ótima possibilidade para isso), simbolismos não óbvios e outras complicações da alma humana. Aliás, escrever um conto é tentar, sempre inutilmente, descobrir a lógica da alma humana.

    Mas, caro(a) autor(a), não estou a dizer que o texto seja desprezível. em absoluto. Ele tem qualidades latentes, que não se realizaram por necessitarem melhor exploração. O conto foi escrito como quem visualiza as cenas, parece um roteiro de cinema realista. Ocorre que o conto, principalmente o curto, pede a escuridão das coisas não ditas, quase ditas, pede, enfim, um grande exercício de linguagem.

  33. mariasantino1
    10 de fevereiro de 2015

    Uau! Que vida!!!
    Primeiro: que imagem, hein? O garotinho nem tá com inveja do sorvete… KKKK (Que maldade!)
    Gostei do que você fez aqui. Acho que é porque me identifiquei um pouco com a trama e por isso me cativou. É assim mesmo… relacionamentos são complexos, porque nós somos complexos (Isso da papo que não acabar mais. Hehehe!). O rapaz orgulhoso ficou muito bom e eu até queria que a trama fosse mais focada nele, mas me contento com o que você ofereceu. Parabéns pelo zelo e, apesar da narrativa ser simples (o que é uma pena, pois gosto de purpurinas e paetês) , achei que ela seguiu reta do começo ao fim.
    Boa sorte neste desafio. Abraço!

  34. Alan Machado de Almeida
    10 de fevereiro de 2015

    Achei a história simples demais, meio arrastada. Talvez o problema seja um pouco meu já que não gosto de dramas amorosos

  35. JC Lemos
    9 de fevereiro de 2015

    Sobre a técnica.
    No ponto. Passeei pela narração até chegar ao fim, sem perceber.

    Sobre o enredo.
    O melhor.

  36. Gustavo Aquino dos Reis
    9 de fevereiro de 2015

    Plot com um fim de romance trágico. Conto bem escrito e bem revisado.

  37. Tiago Volpato
    9 de fevereiro de 2015

    História triste. Algumas pessoas são tão egoístas que não enxergam um palmo a sua frente. Um bom texto.

  38. Mariana Gomes
    8 de fevereiro de 2015

    O ritmo foi o melhor desse conto.
    Os sentimentos da personagem foram muito bem colocados e aproveitados, não pareceu forçado ou cansativo. O fim foi bom, não surpreendeu pois acredito em carma. Parabéns e boa sorte!

  39. Sonia Rodrigues
    8 de fevereiro de 2015

    Português bom.
    Trama – fraca. Uma mulher masoquista envolvida com um abusador.
    Desenvolvimento da trama até que razoável, descrevendo o comportamento típico dessas Amélias que acham que os homens dependem delas, até chegar ao final em que ela absorve a culpa do outro como se fosse dela. Nada de novo no conto, e ao final, ela continua a mesma masoquista, não foi, afinal, procurar o psicólogo!
    O começo está ótimo. A frase chama a atenção do leitor, que fica curioso.

  40. Thales Soares
    8 de fevereiro de 2015

    A foto do conto é muito fofa, mas me fez criar falsas expectativas. Na verdade, não consegui entender exatamente a relação dela com a trama.

    O texto está muito bem escrito. Nota-se que o autor(a) é muito experiente e habilidoso. A história não me conquistou. Achei que faltou ousar um pouco mais. Senti que o escritor quis permanecer em sua zona de conforto e evitou se arriscar. Para mim isso é uma pena, pois apesar de bem escrito, o conto ficou muito normal e não conseguiu se destacar na concorrência.

  41. Cácia Leal
    7 de fevereiro de 2015

    O conto está bem escrito, em linguagem simples e clara, mas a trama não me cativou e não consegui me envolver com a história ou simpatizar com seus personagens. Achei que o pecado capital não ficou claro o suficiente, era a inveja ou o orgulho? Talvez se ficasse mais claro que a inveja o tivesse consumido… quem sabe ficasse melhor.

  42. Luis F. T.
    7 de fevereiro de 2015

    Ótimo texto, mas não consigo entender como a personagem ainda sentia culpa no final, rs. De qualquer forma, está de parabéns! Texto bem redigido e sem erros, uma história que prende sua atenção e flui bem até sua conclusão.

  43. Fabio Baptista
    6 de fevereiro de 2015

    Olá,

    Gostei bastante do modo como o texto foi escrito, a técnica.
    Notei apenas uma combinação de palavras que não foi das mais felizes, logo no começo: “inexpugnável mente”.

    O enredo não me agradou quase nada. Desculpe, mas só posso dizer que achei a trama bem “água-com-açúcar”. Os personagens meio que não mostraram a que vieram e a tentativa de encaixá-los nos pecados acabou caricaturizando demais.

    O final é tão abrupto que não dá tempo de sentir absolutamente nada.

    Veredito: Não gostei.

  44. Pedro Coelho
    6 de fevereiro de 2015

    O texto ficou muito arrastado, o intimismo excessivo tornou cansativo de ler. A maioria dos pecados pareceram ter sido colocados e comprimidos só para não fugir do tema. Mas o assunto mais evidente é uma estoria de amor entre dois (ex)namorados e suas intrigas cotidianas. o final também ficou muito sentimental.O que a personagem que mais peca aprendeu nisso tudo?.Na narradora percebe-se um arrependimento, mas o que ela aprendeu também?.Não entendi a relação com o titulo.Não ficou um texto ruim, mas podia ser melhor trabalhado. Deu pra perceber que o autor trabalha bem com intimismo, talvez usando um pouco menos o texto se tornaria melhor.

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Publicado às 6 de fevereiro de 2015 por em Pecados e marcado .