EntreContos

Detox Literário.

O Dinheiro do Avarento (André Luiz)

BellowsGluttony

Gresílio Covas era um homem rico, daqueles que adoravam sentir o dinheiro nas mãos. A beleza era seu cartão de visitas; o dinheiro, sua preciosidade. Sua avareza refletia-se em seu corpo, um tenebroso caminho de músculos definidos e pelos aparados que cultivara e cultuara por anos a fio. Assim, o espelho era seu maior amigo: Ficavam horas conversando em silêncio, uma contemplação imaginária que se repetia diariamente; reflexo da vaidade que o entorpecia como uma droga. Era o que fazia naquele momento, nu, ainda trancado no quarto, vendo a beleza daquela escultura digna de Michelângelo, fazendo o icônico David tremer nas bases.

Naquela noite, Gresílio comemorava o sucesso. Estrearia sua primeira produção cinematográfica no Festival de cinema de Gramado. Assim, convidou para aquela pequena comemoração de gala somente a alta sociedade, com quem buscava manter relações mais do que amistosas na intenção de garantir sua parcela gorda do requinte carioca. Todavia, o brilho da festa não se completava sem o anfitrião, que permanecia seduzido por seu próprio reflexo. José Mirtilo, o mordomo, foi quem o encontrou naquele estado.

—Ande logo, meu senhor. Te espera lá embaixo o brilho dos holofotes, mas a festa não tarda a acabar. Esta plebe carioca não suporta o glamour embalsamado em seu corpo e…

—Chega, José. — Apontou para o closet no fundo do quarto. — Agora pegue meu terno. Não posso ir nu para a comemoração. “Seria um assédio insuportável…

Realmente, não poderia ser diferente. Gresílio foi recebido com aclamação pelos presentes na festa, inclusive o próprio Julião Bezerra, candidato à presidência pelos tucanos. O sorriso de Covas ia de ponta a ponta daquele rosto cativante.

Covas, no entanto, murchou-se ao esticar a visão e focalizá-la no fundo do salão, onde estava montada a festa: A barriga de Pedro Bizâncio alcançava a entrada da recepção bem antes de seu dono. Pedro era o homem do petróleo, gerente da Petrobrás, e havia se safado do escândalo envolvendo a empresa. Contudo, Pedro e Covas nunca haviam se dado muito bem nos negócios, o que fez de ambos intragáveis um para o outro. Gresílio tratou de apressar sua descida e tentou se esquivar o máximo que pôde da barriga de Bizâncio.

Logo acabou topando com dois melões fartos e rígidos quando se virou para disfarçar a raiva. Uma voz sussurrou em seu ouvido e fez seu phalo apontar lá embaixo.

—Estava te procurando, bonecão…

Covas enrubesceu instantaneamente, mas não podia ceder naquele momento. Era sua amante, a modelo Martha Vasconcelos, quem o procurava.

—Minha bonequinha de luxo. — Apalpou os bicos enrijecidos dos peitos da mulher enquanto falava, fazendo-a delirar. Aquele instante de prazer tocou-os, e ambos entraram em um transe repentino, desligando-se do mundo.

JÁ??? — Uma voz raspada, coberta de nicotina, quebrou o momento.— Nem esperou o bordel abrir?

Era Pedro que interrompia as preliminares. Covas não iria ceder à pressão, mas Pedro não se dava por irado.

— Vamos logo ao assunto que interessa. Não estou brincando. — Os olhos de Covas procuravam por Martha, que havia sumido de sua visão subitamente. — Eu sei de tudo.

Talvez por causa da tamanha futilidade que enxergava em Pedro, Gresílio covas foi levado pela conversa que ele desenvolvia. Não conseguia entender o porquê da declaração, porém estava certo de que Bizâncio não se daria ao luxo de mentir quando a intenção era ver Covas com raiva. Dentro de poucos minutos, ambos estavam no quarto de Covas, à frente do espelho.

As expectativas de Covas se cumpriram rapidamente.

—Foi aquele seu advogado. Davi de Mendonça. Ele me disse tudo em troca de uma boa grana. Aqueles seus desvios de verba, aquela atuação criminosa na campanha do canalha do Julião Bezerra e… — Pedro sorriu por detrás daquele bigode preto. — …digamos que você está no meio destas mãos gordas. — Fechou suas mãos em concha. — Basta uma forcinha para que todo o seu lado podre escorra por entre meus dedos.

A expressão de Bizâncio mudou da água para o vinho, e tornou-se diabólica.

—E sabe o que mais? Vou jogar a bosta toda no ventilador! Vou chamar a imprensa lá embaixo e mostrar pra eles um relatório de planejamento urbano superfaturado com o nome da MACRO EMPREENDIMENTOS! Sim, sua empresa, Covas! Sua querida empresa!

Gresílio foi tomado por um acesso de cólera repentino, e não hesitou em partir para cima de Pedro Bizâncio, que já havia encostado as mãos na maçaneta da porta quando sentiu o puxão de Covas em sua gola. Ambos se atracaram no chão como dois cães, mas a impotência aparente de Bizâncio se mostrou uma força disfarçada na hora da adrenalina. O embate entre os dois parecia sem solução, com suor passando de corpo-em-corpo, Pedro ficando vermelho de raiva e Covas possesso até o pescoço com as declarações do rival.

 

Como um relâmpago cortando a noite nublada, um estampido polvoroso percorreu o ar do ambiente onde os dois estavam e fez manchar o piso de carmim. Era a cor do sangue. Covas recuou imediatamente e pôs a mão sobre o ombro, que estava sangrando polvorosamente.

Ergueu-se a tempo de ver uma lâmina rasgar o ar e encontrar exatamente a fonte de todo o sangue dentro do corpo de Pedro Bizâncio: Seu coração. O piso ficou empapado de hemácias, em uma profusão de ódio e pavor.

MARTHA!? – Gresílio vê quem empunha a tesoura. – Como…

A mulher não queria saber de perguntas. Retirou o objeto do peito de Pedro e viu o sangue esguichar como uma fonte, manchando as paredes ao lado. Ela virou-se para o lado de Covas, provocante e sensual como nunca se mostrara.

-Seu segredo está guardado, baby. Quer provar uma mordidinha deste moranguinho?

Enquanto a vida esvaía-se do corpo de Bizâncio, Gresílio e Martha amavam-se na cama. Eram como criaturas selvagens que acabaram de abater uma presa, e agora comemoravam a conquista com muito sexo. Curtiam a luxúria, no entanto, Covas não conseguia largar a vaidade. Fitava-se no espelho, pensando: “como estou lindo, montado nela como um touro, um perfeito garanhão”.

O dinheiro do avarento tratou de encobrir a morte.

48 comentários em “O Dinheiro do Avarento (André Luiz)

  1. Andre Luiz
    24 de fevereiro de 2015

    Olá, caros amigos do site!
    Sinto que seus comentários podem ter caído como farpas em minha humilde mente de escritor entusiasta, alguns falando que foi o pior texto que já leram, outros que estava tudo tão raso que nem era capaz de mergulharem na história. Mesmo assim, sinto que foi bom ter participado do desafio. Eu entrei com este tema, esta história, este personagem e esta forma narrativa já sabendo que todos, sem exceção, eram puramente cliché. Mas por que não trazer clichés a tona, revelá-los com uma nova roupagem para depois imergi-los na sociedade moderna e criar uma problemática que envolva temas da atualidade? Foi esta minha proposta. Não obstante, ainda tenta-se repassar que a elite nem sempre é perfeita e cheia de glamour, que ela pode ser SUJA, PODRE e ainda muito mais NOJENTA do que aqueles “pobres” que ela tanto condena. Assim, sem mais delongas, ao ler um texto, deve-se ressaltar não apenas o que ele apresenta visualmente(um critério muito criticado, pelo visto, não só em meus contos, mas na totalidade do concurso), mas o fundo social em que ele foi impresso. Caso não tenha sido claro, reconhecer que em todo texto há uma problemática a ser tratada, e não apenas despreza-lo por teoricamente apresentar-se cliché. Enfim, acho que agora consegui me explicar. Que venha o próximo desafio!

  2. wilson barros
    23 de fevereiro de 2015

    O conto passou-me a impressão do que se costuma chamar “literatura de massa”, ou seja, um conto para divertir, simplesmente. Por isso a história possui os elementos que as pessoas gostam, tipo: intrigas, amantes, sexo, traição, chantagem, suborno, corrupção, ameaças, beleza, riqueza, luxo… Ou seja, o retrato que as pessoas idealizam da alta sociedade nas novelas. O crime dá o toque final. Bom, esse estilo é mais adequado a romances, mas esse conto não é mau – é apenas diferente da maioria dos outros do desafio, que quase sempre enveredaram por um caminho, por assim dizer, mais literário. Ainda assim, esse conto realiza o que se propõe, e não contém erros de espécie alguma. Provavelmente seria um dos preferidos, como diria Bukowski, “do trabalhador que quer ler algo quando chega do trabalho”. Gostei, Mr. Davi.

  3. Pedro Luna
    23 de fevereiro de 2015

    Não gostei. A história soou mal construída, com informações demais. E o fim, retratando o personagem e sua amante como psicopatas. Esse lance de abater a presa. Não ficou legal. De positivo, a vaidade estava presente com eficiência.

  4. Lucas Almeida
    22 de fevereiro de 2015

    Parabéns pelo texto, gostei da da sua escrita cuidadosa, foi fiel ao pecado, como eu gosto de ver, apesar de que acho que o título poderia ser diferente. Boa sorte 🙂

  5. Leandro B.
    22 de fevereiro de 2015

    Oi, Davi.

    Camarada, até achei o conto bem escrito, mas o meio/final me pareceu resolvido muito, MUITO apressadamente. Se estava gostando da coisa até o conflito de Pedro e Covas, a intromissão da Martha e o que se seguiu a partir daí tiraram bastante o meu envolvimento com o conto.

    Chuto que tenha sido o limite de palavras, mas da forma que está a coisa simplesmente não funcionou comigo. Aliás, acho que esse é um conto que precisas de um limite muito maior para se resolver de maneira coerente.

    É isso, camarada. Achei o começo bom, mas o final estragou um pouco a experiência.

  6. Swylmar Ferreira
    22 de fevereiro de 2015

    O conto está bem escrito, linguagem pouco rebuscada. A trama perdeu o timing e se perdeu, o que foi uma pena pois a introdução foi muito boa.
    Boa sorte.

  7. Edivana
    22 de fevereiro de 2015

    Quem não sabe que dinheiro só não compra coisas insubstanciais, como caráter? (e ainda depende!) A vaidade, eis um defeito que não abandona o homem, aparece antes de justiça, antes de coração. Gostei desse conto, da luxúria e do crime, principalmente pelo final, sem esperança.

  8. Bia Machado
    20 de fevereiro de 2015

    Não curti muito. Acho que o autor tem habilidade com a escrita, mas o enredo não me despertou interesse, não funcionou pra mim.

  9. rsollberg
    20 de fevereiro de 2015

    Infelizmente não gostei muito.
    Sei que tem que ficar bem espremido, mas o mote é muito grande e, a meu ver, tudo ficou muito superficial. Muitos personagens, com nome e sobrenome, para pouco desenvolvimento.

    Apesar do bom vocabulário usado na narrativa, a coisa toda me soou como uma cena de novela. Tudo muito gratuito e impulsivo. Penso que essa é uma das ideias que demandam mais espaço. Para funcionar é preciso conhecer mais os personagens, seus vícios e pecados.

    Acho que dizer que o chão ficou empapado de hemácias, destoou do estilo do conto.
    No entanto, a frase final ficou muito bem empregada e deu um desfecho legal para o texto.

    De todo o jeito, parabéns e boa sorte.

  10. Leonardo Jardim
    20 de fevereiro de 2015

    Prezado autor, optei por dividir minha avaliação nos seguintes critérios:

    ≋ Trama: (3/5) é interessante, mas um pouco simples. Parece uma novela mexicana bem escrita.

    ✍ Técnica: (3/5) é boa, funciona bem, com narração fluida e bons diálogos. Sem problemas.

    ➵ Tema: (2/2) dentro (✓).

    ☀ Criatividade: (1/3) não muita, como já disse, parece uma trama de novela.

    ☯ Emoção/Impacto: (2/5) não me envolvi na trama, nem gostei muito do final.

    Problemas encontrados:
    ● Petrobrás (o nome da estatal não tem acento)
    ● Gresílio covas (Covas)

  11. Gustavo de Andrade
    19 de fevereiro de 2015

    Parece uma cena, um conflito de novela, onde não há tangível autenticidade nas interações e relações, como se os personagens se sentissem obrigados a transmitir uma emoção MUITO forte para deixar bem claras suas intenções a quem lê.
    Os personagens, aqui, atuaram mais como avatares da história que como agentes, trabalhando mais para reforçar certos arquétipos do que de fato desenvolver uma narrativa única. É um texto escrito sem glórias nem defeitos, onde as coisas se deram de uma forma tão teatral e artificial que foi difícil a)Imaginar as reais motivações de todos e b)Pensar em algo do universo retratado (este talvez seja uma qualidade, por se tratar de um conto). De qualquer forma, fechada que seja a narrativa, a falta de uma elaboração mais concreta é muito sentida. Fica a sensação de um resumo de folhetim.

  12. Pétrya Bischoff
    19 de fevereiro de 2015

    Então, achei a estória meio fraca, um tanto forçada, mas há o mérito de ter envolvido política e situações reais. A escrita é simples e notei poucos erros de digitação. Definitivamente, não gostei da fala do mordomo, como um servo medieval. Mas a questão do fim, em que “o dinheiro do avarento tratou de encobrir a morte”, foi bem colocada. De qualquer maneira, boa sorte.

  13. Jowilton Amaral da Costa
    18 de fevereiro de 2015

    Digo, “Gresílio”, putz!

  14. Jowilton Amaral da Costa
    18 de fevereiro de 2015

    digo, “empapava” o tapete.

  15. Jowilton Amaral da Costa
    18 de fevereiro de 2015

    É um conto simples que não me convenceu muito. Achei a trama ruim e a vaidade de Grisélio (que nome, hein?) um tanto forçada, na verdade o conto todo não fluiu naturalmente, é preciso trabalhar mais a parte narrativa. “O chão ficou empado de hemácias. …”. Na minha opinião, isso não ficou bom. Veio-me a mente um monte de células e não a imagem do líquido rubro que empava o tapete. Boa sorte.

  16. Luan do Nascimento Corrêa
    18 de fevereiro de 2015

    Creio que a história narrada se aproxime mais da soberba (orgulho e vaidade) que da avareza, embora também haja traços de ganância no enredo. O conto foi bem escrito e a história é envolvente.

  17. Carlos Henrique Fernandes Gomes
    18 de fevereiro de 2015

    Sempre a última frase! Não precisava dela. Os personagens são bem construídos e verossímeis, as situações também e a última cena de sexo é maravilhosa, suja, desprezível e mesmo assim, maravilhosa! Bem ambientado nos escândalos da atualidade, prato cheio para pecadores de verdade. Corre lá e tira a última frase; aproveita que ninguém tá vendo. E por falar nisso, você é o advogado que abriu o bico? O Davi de Mendonça? Espertinho; achou que ninguém ia perceber!

  18. alexandre Cthulhu
    17 de fevereiro de 2015

    Confesso que me ficou a saber a pouco. A ideia é muito boa, mas nao foi explorada na totalidade.
    Tem violência- mas a descrição dos confrontos está confusa
    tem sexo- mas com erotismo ( não se esforçou para excitar, digamos o leitor)
    Tenho a certeza que consegue fazer muito melhor, pois voçê escreve muito bem 🙂

  19. Maurem Kayna (@mauremk)
    16 de fevereiro de 2015

    Acho que a tentativa de incluir muitos pecados atrapalhou o desenvolvimento de uma narrativa convincente. Um sujeito tão embevecido com a própria imagem não casa com o de um chantagista de ocasião… aliás, para quem queria repelir o pançudo, porque o chamaria ao seu quarto? Que tipo de perturbação faria com que alguém que acabou de quase ser morto fosse trepar encantado com a própria imagem no espelho? Não convence.

  20. Alexandre Leite
    16 de fevereiro de 2015

    Foi boa a iniciativa de inserir o escândalo da Petrobrás para dar veracidade ao texto, em alguns momentos a narrativa se dispersa, mas o conto possui qualidades e intensidade.

  21. Sidney Muniz
    16 de fevereiro de 2015

    O conto é bom, mas as falas finais não me agradaram.

    Senti que soaram surreais, mas é que sou meio exigente quanto a isso.

    A frase final, foi boa, e condiz com o título.

    A gramática foi bem aplicada e a luta corporal também teve uma descrição interessante.

    Trama: (1-10)=8,5
    Técnica (1-10)=8
    Narrativa (1-10)=9
    Personagens (1-10)=9
    Inovação e ou forma de abordar o tema (1-5)=5
    Título (1-5)=5 Bom título!

    Parabéns e boa sorte!

  22. williansmarc
    16 de fevereiro de 2015

    Olá, autor(a). Primeiro, segue abaixo os meus critérios:

    Trama: Qualidade da narrativa em si.
    Ortografia/Revisão: Erros de português, falhas de digitação, etc.
    Técnica: Habilidade de escrita do autor(a), ou seja, capacidade de fazer bons diálogos, descrições, cenários, etc.
    Impacto: Efeito surpresa ao fim do texto.
    Inovação: Capacidade de sair do clichê e fazer algo novo.

    A Nota Geral será atribuída através da média dessas cinco notas.

    Segue abaixo as notas para o conto exposto:
    Trama: 7
    Ortografia/Revisão: 10
    Técnica: 7
    Impacto: 6
    Inovação: 7

    Minha opinião: Gostei da trama, o autor(a) conseguiu contar de forma satisfatória a história dos personagens em um curto limite de palavras. Gostei também da relação invertida dos pecados, afinal o milionário é salvo por causa de sua beleza física (vaidade) e a sua amante é movida por seu desejo (luxuria) e para se safar do crime, usa seu dinheiro (avareza).

    Boa sorte no desafio.

  23. Ricardo Gnecco Falco
    16 de fevereiro de 2015

    Nunca antes na história deste Certame li uma história tão chata…
    Enfim… Lido.
    😉

  24. Virginia Ossovski
    15 de fevereiro de 2015

    Achei divertida a combinação de pecados em Gresílio, mas ele não tinha levado um tiro no ombro? Não entendi bem essa luta no final, mas até aí a história ficou bem contada e mesmo atual. Sucesso no desafio !

  25. Gustavo Araujo
    13 de fevereiro de 2015

    Infelizmente não gostei muito. Assim como em outros contos, a ideia de misturar vários pecados capitais num texto tão curto não ficou legal. O problema é que com o limite de 1000 palavras não permite grandes digressões considerando-se um pecado só. Quando se acrescentam outros, então, a narrativa fica ainda mais rasa, forçada e artificial. E, o que é mais frustrante é perceber nas entrelinhas que o autor sabe se expressar e poderia ter escrito algo mais interessante. Este aqui, lamento muito dizer, não ficou legal.

  26. Thata Pereira
    13 de fevereiro de 2015

    Gostei muito da imagem escolhida. Também gostei do conto, apesar de achar que Covas se safou muito fácil, mas acontece… Só fiquei confusa quanto uma coisa: eles não estavam no festival de cinema de Gamando? Logo depois vão para um quarto…

    Boa sorte!!

  27. Gilson Raimundo
    13 de fevereiro de 2015

    Uma bela sátira aos dias de hoje, a diferença é que ainda não temos notícias de mortes. Será que o dinheiro do avarento está cobrindo mais algum escândalo? ????

  28. Rodrigues
    12 de fevereiro de 2015

    Não tem como dizer que o conto está mal escrito, esse estilo já meio que entrega o autor, hehe. Eu não consegui gostar destes personagens, não por suas ações inescrupulosas, mas por representarem simplesmente o mal de uma forma meio achatada, sem muitas nuances. Porém, destaca-se a personagem feminina, simbolizando a velha máxima de que o mais importante é dinheiro, sexo e poder, mas de resto não gostei muito, além de ter ficado perdido com tantos nomes e sobrenomes.

  29. rubemcabral
    12 de fevereiro de 2015

    Lamento, não gostei. Embora caricaturais, os personagens poderiam ter funcionado bem se o tom do conto fosse mais para o humorístico. Ao menos para mim, portanto, o conto não funcionou… 😦

  30. Anorkinda Neide
    12 de fevereiro de 2015

    Não sei se é exatamente avarento o pecado apontado pelo autor..mas ambicioso seria melhor..a vaidade e a luxuria estao bem colocadas, assim como a preguiça, a ira e a gula, explicitada pela barriga do Bizâncio, acho eu…kkk
    Considerei desnecessario o dialogo com o mordomo q veio buscar Covas pra festa.
    Digamos que achei o conto eficiente mas não conquista, personagens caricatos demais, sem uma conotação emocional que os aproximasse do leitor. Há apenas uma exposição dos fatos.
    Mas vamu q vamu.. boa sorte!

  31. Claudia Roberta Angst
    11 de fevereiro de 2015

    Pecados entrelaçados em um conto bem escrito. No entanto, a leitura arrastou-se um pouco e me perdi em alguns momentos. Vaidade, avareza, luxúria… temperados com ira? Gresílio deve ter tido verdadeiros ataques de ira na escola a cada chamada. Que nome! E Covas…
    Touro é touro, garanhão é cavalo, ou não? As dúvidas que assolam minha mente.
    Boa sorte!

  32. Rodrigo Forte
    11 de fevereiro de 2015

    Apesar de bem escrito, achei algumas coisas no conto meio superficiais. Embora saibamos o poder que o dinheiro exerce no mundo, achei que tudo se resolveu de maneira muito fácil para o Covas.

  33. mariasantino1
    10 de fevereiro de 2015

    Olá! Tudo bem?

    Boa proposta, traz boa reflexão acerca do poder do dinheiro que tudo pode, que encobre tudo. Eu gostei bastante da sua trama e parabenizo-o pelo trato com a língua pátria. A narrativa tem algumas passagens bacanas que me agradas aqui e ali, só achei que o meio do conto, as passagens do Covas e o do Bizâncio, frio e explicadinho num tom jornalístico. Não se tem as sensações afloradas no combate de ambos. e senti que houve alguns exageros e trocas. —>>> “Sua avareza refletia-se em seu corpo, um tenebroso caminho de músculos definidos e pelos aparados que cultivara e cultuara por anos a fio.” Não sei, mas eu trocaria vaidade ao invés de avareza. Avareza é ganancia e também mesquinhez. Outro ponto foi —>>> “O piso ficou empapado de hemácias, em uma profusão de ódio e pavor.” Hemácias? Não sei… Não se vê as hemácias a olho nu, e do jeito que você usou no texto, pareciam que os glóbulos pulavam no chão (Minha impressão). Eu usaria sangue numa boa, ou só “O piso ficou empapado”, acho que dá conta do recado. O começo e o fim do conto me agradou bastante, mas, como dito, senti que o meio do conto deu uma destoada.
    Boa sorte no desafio.
    Abraço!

  34. Gustavo Aquino dos Reis
    9 de fevereiro de 2015

    Bom conto. Estava esperando que o Covas ficasse na pior. Doce ilusão.

  35. JC Lemos
    9 de fevereiro de 2015

    Sobre a técnica.
    Boa, bem narrado e muito fluído. Um fator importante no desafio desse mês é a boa narração. São poucas as que deixaram a desejar.

    Sobre o enredo.
    Por questão de gosto, acabei não me apegando. Estou lendo alguns contos assim esses dias, é triste, mas melhor a sinceridade.
    Porém, está muito bem desenvolvido. O Graciliano ficou bem elaborado e com personalidade.

    Parabéns e boa sorte!

  36. Eduardo Selga
    9 de fevereiro de 2015

    O ponto mais relevante, acredito, tenha sido a montagem da ambientação em que se passa a trama. A atmosfera elitista, com a demonstração do fausto e dos valores que regem as relações interpessoais, está bem feita. Apesar disso, os espaços ficcionais me parecem um tanto confusos. Falo mais especificamente do ponto em que o protagonista e a mulher se encontram e no qual Pedro interrompeu “as preliminares”. Seria uma escada? Ou um espaço entre o quatro e a escada? A pergunta me parece fazer sentido tendo em vista a lascívia existente entre o protagonista e a mulher, que se deu nesse espaço. Parece-me uma cena “forte” para ocorrer numa escada. Mesmo quando sabemos que os códigos morais da elite são bastante relativos, que são muito mais um discurso para moldar o comportamento dos não pertencentes à elite do que o seu próprio, ainda assim, parece-me pouco factível os dois personagens “entrarem em um transe repentino, desligando-se do mundo” se o espaço for uma escada, na qual, diga-se, o toque nos seios, um gesto rápido, cabe perfeitamente.

    Outro dado é a construção da personagem feminina. Ela na verdade, é um tipo, ou seja, é um modelo que sempre é encontrado em certas narrativas ficcionais. Chama-se “fêmea fatal”, e no caso dela, ao pé da letra. É a mulher extremamente sensual e que trás consigo algum tipo de destruição. Os tipos são padrões fixos, mudando-se, nas narrativas nas quais aparecem, apenas os detalhes.

    Não obstante o fato de que ao construir um personagem algum grau de estereotipia muitas vezes se faz necessário em função de aproximá-lo do universo “tátil” do leitor, apoiar-se exclusivamente no estereótipo, construindo o já construído (o tipo) é pouco em literatura.

    A personagem feminina, além disso, tem uma atitude absolutamente espetaculosa ao, após assassinar o antagonista, dizer “-Seu segredo está guardado, baby. Quer provar uma mordidinha deste moranguinho?”. Há uma estetização e uma glamorização do ato homicida, recurso típico da estética hollywoodiana (e ela diz “baby”), o que retira dele o conotação abjeta. Simbolicamente, matar é bom porque é bonito. O sexo realizado imediatamente após, como um troféu, reforça o esvaziamento do ato.

    Quando falei em “estetização do ato homicida”, cabe uma pergunta: e qual é o problema disso, se a literatura é estética, essencialmente? Ocorre que a literatura não está apartada do mundo: ao contrário, ela é parte integrante dele. Ela recolhe do realidade empírica a matéria-prima, elabora-a esteticamente (o que chamamos de ficção) e devolve o resultado à essa mesma realidade, via leitor. Portanto, a literatura influencia a percepção da realidade. Assim, quando se glamoriza e se estetiza a violência, o autor não apenas está copiando um modelo de ficção e personagem bastante aplaudidos (e os motivos desse aplauso dariam outro jornal de igual tamanho): está, entrelinhas, reforçando a percepção de que a violência contra o outro não é tão feia assim: é até bonita, dependendo dos motivos e do “estilo” de execução da violência.

    Senti nalgumas vezes o uso inadequado dos vocábulos, gerando perda ou esvaziamento de sentido. Em “Talvez por causa da tamanha futilidade que enxergava em Pedro […]”, a palavra FUTILIDADE me parece equivocada, se considerarmos que designa aquilo é é fútil (insignificante). Bom, fútil talvez seja o personagem Pedro, mas não o olhar do protagonista para ele. Pelo contexto, DESPREZO ou algum sinônimo ficaria melhor.

    Em “[…] pôs a mão sobre o ombro, que estava sangrando polvorosamente”, o advérbio POLVOROSAMENTE não faz sentido. A palavra da qual o advérbio se origina é POLVOROSA, que significa grande agitação e bagunça, normalmente atribuído a populações humanas e bandos animais. Assim, SANGRAR POLVOROSAMENTE perde o sentido, uma vez que sangue não provoca tumulto ou balbúrdia. Talvez a ideia tenha sido algo como ABUNDANTEMENTE ou COPIOSAMENTE.

  37. Tiago Volpato
    9 de fevereiro de 2015

    Você escreve bem, mas acho que esse tema já ficou um pouco saturado. Sei que não é culpa sua, mas é o problema de termos 30 contos por aqui e uns 20 ter assassinato 😛

  38. Sonia Rodrigues
    8 de fevereiro de 2015

    Português bom.
    Trama comum, desenvolvimento previsível, sem originalidade.
    O começo está bom, atraente.
    A descrição dos fatos é tediosa e está cheia de lugares comuns: escultura digna de Michelângelo, o brilho dos holofotes, bonequinha de luxo, mudou da água para o vinho etc… Chamar a mulher de “melões” é vulgar, lugar comum, e referir-se ao pênis como “phalo” ? Nada menos original.
    Já o final, decepciona.
    Nada mudou, o personagem não mudou, é a mesma história de o dinheiro compra tudo que se repete.
    Enfm, um conto muito fraco.

  39. Thales Soares
    8 de fevereiro de 2015

    Sabe, achei engraçado o titulo deste conto. Toda vez que meus olhos passavam por ele meu sub consciente lia “O Dinheiro do Lazarento”. Eu até estava com expectativa de ver alguma piada sobre isso no conto.

    O texto está muito bem escrito. Personagens bem desenvolvidos. Só não gostei da abordagem escolhida. Não aprecio historias desse tipo, com politicagem e poder social. Questão de gosto. Mas isso não tira o mérito do autor. Aposto que outros vão gostar.

  40. Cácia Leal
    7 de fevereiro de 2015

    Muito interessante o conto, bastante criativo, utilizando nomes verdadeiros, da atualidade, mesclando com fantasia. A trama também é bastante criativa, mas acho que faltou algo a mais, talvez trabalhar um pouco mais o texto. Acho que os pecados capitais poderiam ficar apenas subentendidos, sendo abordados, sem que fossem falados explicitamente. Por exemplo, quando ele se admira no espelho, da maneira como foi descrita, está claro que é vaidade, não preciso o autor dizer para o leitor. Enfim, a história é muito boa, muito criativa, mas acho que faltou um toque especial.

  41. Mariana Gomes
    7 de fevereiro de 2015

    Uma historia bem construída, mesmo com as limitações no número de linhas, o personagem é clichê, mas é difícil achar um personagem inovador quando se trata de avareza não? Mas isso não me incomodou na leitura. Você tem talento! Parabéns e boa sorte!

  42. Alan Machado de Almeida
    7 de fevereiro de 2015

    Esse conto tem muito adjetivo. Já tive uma aula de escritor (pelo youtube) e uma das regras era economizar nos adjetivos ou então removê-los. Não precisa dizer a todo momento que o personagem é fútil, as ações do personagem por si só já revelariam sua futilidade.

  43. Luis F. T.
    7 de fevereiro de 2015

    Curti bastante. Bom texto, bem escrito e que te prende do começo ao fim. O personagem principal, mesmo um canalha, tem seu charme, rs.

  44. Fabio Baptista
    6 de fevereiro de 2015

    Olá,

    Primeiro devo dizer que o conto é muito inverossímil, afinal, tucanos não aprontam esse tipo de coisa. Os que vivem na floresta pelo menos não… kkkkkkkk

    Bom, gostei da escrita nas partes do narrador, que segue uma linha mais formal.

    Os diálogos, porém, ficaram muito teatrais. Todos os personagens falam absolutamente da mesma forma. Aliás, o número de personagens e as respectivas referências aos nomes e sobrenomes é o calcanhar de Aquiles do conto. Acabou ficando confusa essa quantidade em um espaço tão curto.A referência ao nome do advogado, por exemplo, poderia muito bem ser omitida.

    O resultado final infelizmente não agradou.

    Veredito: Não gostei.

  45. Brian Oliveira Lancaster
    6 de fevereiro de 2015

    Meu sistema: EGUA.

    Essência: bem brasileira e atual. Nota 9,00.

    Gosto: divertido e com tom de comédia nacional. A leitura fluiu muito bem. Notei certo regionalismo sulista que me leva a desconfiar da autoria. Nota 9,00.

    Unidade: acho que vi apenas um sobrenome em minúsculo, mas nada demais. Nota 9,00.

    Adequação: quase um retrato da situação atual. Nota 9,00.

    Média: 9,00.

  46. Pedro Coelho
    6 de fevereiro de 2015

    Muito comum,em nenhum aspecto conseguiu fugir do clichê. Seja na vaidade,na luxuria,na ira faltou criatividade. Os personagens extremamente caricatos e suas respectivas falas também não fugiram do clichê. Citações do real como Petrobras,Festival de Cinema de Gramado,etc… também poderiam ter sido evitados. Não ficaram legal no texto. O desenvolvimento, o clímax e o desfecho também deixaram a desejar. No fim se assemelhou qualquer cena banal de novela das oito.Apesar de tudo deu pra perceber que o autor sabe escrever sem se perder em seu raciocínio. Mas o texto ficou raso e sem muitos atrativos.

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Informação

Publicado às 6 de fevereiro de 2015 por em Pecados e marcado .
%d blogueiros gostam disto: