EntreContos

Detox Literário.

O Planeta X (Jowilton Amaral)

planeta

Planeta Nibiru, Base do Comando de Extrativismo Espacial Brasileiro, Ano 2045.

O tenente Guedes, engenheiro químico da expedição de exploração de ouro espacial, testa o ar antes de retirar seu capacete. A concentração de oxigênio do planeta sofre constantes variações, principalmente após as chuvas radioativas que caem de quinze em quinze dias britanicamente. A tela de cristal líquido mostrou 21,1 %V de oxigênio no ar. “Um ótimo nível”; pensou Guedes.

— Atenção base, nível de concentração de oxigênio excelente.

— Ok tenente, cuidado! E volte logo para perder nas cartas. Diz, galhofeiro, o sargento Getúlio.

Guedes retira o capacete e se dirige a passos miúdos para o interior da temida floresta. Ele empunha seu rifle de caça. Ele precisa colher algumas amostras de vegetação nativa. As amostras recolhidas serviriam para mais uma tentativa de transformar o pó de ouro em uma substância solúvel em água potável. São ordens diretas do chefe. No entanto, todo cuidado era pouco naquela região. A mata é densa e sombria, árvores colossais e milenares, de altura incalculável preenchem todo o lugar. O tenente dá apenas três passos dentro do sinistro bosque, escuta um farfalhar de folhas e estanca sua caminhada, então tudo escurece. Por alguns segundos ele é tomado por uma angustia claustrofóbica, como se estivesse sendo espremido entre paredes. A aflição durou pouco, o que veio depois foi horror e dor; muita dor.

— Socoooorro… — Grita em desespero quando, num lampejo, percebe o que está acontecendo. Mas é tarde demais. Poderosos e gigantes dentes caninos trespassam seu corpo tão facilmente quanto uma faca cortando um tablete de manteiga amolecida. Ele ainda vivi quando foi jogado para trás das mandíbulas em que ele estava, pela língua acinzentada e gosmenta de seu algoz, para ser triturado pelos poderosos molares do imenso carnívoro. O tenente Guedes acabara de ser abocanhado, mastigado e deglutido por um Tripodus Catuscrocodilaeloxodontas Carnívoros. Uma quimera de sete metros de altura, que pesa mais de 10 toneladas, trípede, com duas patas dianteiras e uma traseira. O corpo lembra um gato peludo de cor azulada, a cabeça se assemelha a de um crocodilo, comprida e cheia de afiados e grandes dentes. Da ponta do seu focinho desce uma longa tromba de elefante. Um bicho horroroso e feroz. E, apesar de todo seu tamanho, é silencioso como os felinos e um caçador de muita habilidade.

O bip de vitalidade, introduzido intradermicamente no braço do pobre tenente, dispara o alarme na base. O aparelho é conectado ao computador, que anuncia através de luzes quando todos os sinais vitais do indivíduo que o utilizava se extinguiam. O sargento Getúlio não acredita no que acaba de ver. No seu painel de controle, uma luz vermelha pisca indicando que seu velho amigo está morto. No monitor de visualização externa, uma imagem em infravermelho mostra um pequeno ponto brilhante no estômago do mega animal.

— Malditos! Berrou Getúlio. — Atenção todas as unidades de contenção, os Anunnakis soltaram a quimera. Tenente Guedes, infelizmente, foi trucidado pela besta. Capturem-na e destruam esses gigantes de merda! Vociferou sargento Getúlio.

Imediatamente o grande portão automático se abre e vinte tanques camuflados, acompanhados de um pelotão militar com cento e cinquenta homens fortemente armados seguem para a floresta. A tropa de chão é comandada pelo alienígena Ben, líder dos Greys ou Cinzas. Os Cinzas vivem entre os terráqueos há muitos anos. Eles eram os responsáveis pelas abduções de seres humanos para pesquisa. Depois dos primeiros contatos com os Anunnakis, seres humanoides de grande porte físico, com quase cinco metros de altura, – também conhecidos como Nefilins -, os Cinzas, que eram antigos aliados dos enormes cientistas espaciais, procuraram os líderes mundiais e propuseram uma aliança com os humanos; que foi prontamente aceita.

Atrás do último tanque, em um jipe militar, vem o doutor Denis Vinci, PHD em História das Civilizações, com ênfase na Suméria, e um estudioso dos livros de Zecharia Sitchin, além de bilionário. Denis Vinci é o financiador do projeto de garimpagem do ouro Niburiano e chefe da base bélica da mineradora. Mesmo sendo civil, era tratado como um general.

— Não matem a quimera e nem o líder dos Anunnakis, quero-os vivos. Diz Vinci pelo megafone, enquanto os soldados embrenham-se na mata.

Aquela seria a décima batalha entre humanos e os Anunnakis nos cinco anos de ocupação terráquea no planeta. E provavelmente seria a última. O exército alienígena sofrera perdas terríveis nos últimos anos. Thandor, o monstro azul, é a derradeira carta da manga de Enki, o senhor da Terra, imperador supremo daquelas criaturas especiais, detentoras de uma tecnologia divinal. A guerra, enfim, parecia quase encerrada.

Thandor salta de trás das árvores, esmagando muitos homens. Posiciona-se na pata traseira, como se fosse sentar, apoiando todo o peso de seu corpanzil, elevando as patas dianteiras do chão. De sua bocarra sai um estridente e assustador grunhido. Alguns soldados, assombrados com aquela visão, recuam. Outros paralisam e olhavam boquiabertos para a besta, como que hipnotizados. O monstro percebe o momento de hesitação e se aproveita para estraçalhar mais uma dezena de combatentes.

— Não fujam. Gritava Vinci. – Usem as armas de energia direta, não quero que o matem. Sob a orientação de Vinci, os soldados começam a disparar, pelo lançador de granadas acoplado em seus rifles XM29, uma chuva de enormes balas de borracha, que com o impacto no alvo liberam cargas elétricas não letais.

Enquanto a quimera é detida, naves Anunnakianas cruzam o céu disparando raios lasers contra os tanques humanos. As maquinas militares retrucavam o ataque com um laser bem estruturado e químico de fluoreto de deutério, lançados por espelhos, em pulsos velozes, precisos e que atingem altíssimas temperaturas, dilacerando a força aérea inimiga.

Num ponto mais íntimo da floresta, Anunnakis montados em seus Centauros, e empunhando cetros metálicos em forma de DNA humano, combatiam com honra e fúria os soldados liderados por Ben. Cabeças de soldados explodem a todo instante, quando são acertadas pelos raios disparados pelo cetro Anunnaki. Ben e alguns dos seus patrícios Cinzas, flutuam transformados em espectros e atravessam os corpos dos guerreiros Anunnakis e de suas montarias, deixando-os imóveis por alguns segundos. Os soldados terráqueos aproveitavam esse momento para metralhar, com seus projéteis de 20 mm, os corpos indefesos.

Em pouco mais de uma hora a batalha se dá por terminada com vitória do exército humano, o enjaulamento de Thandor e a captura de Enki. A conquista de Niburu, o Planeta X, é consolidada.

Vinci e Ben se aproximaram do gigante humanoide.

— Quanta honra poder estar perto do magnífico Enki, o Senhor da Terra, e responsável direto pela criação dos homo sapiens. Vinci diz e curva-se cheio de mesura ao gigante sábio. Enki nada responde. Olha com ira para os grandes olhos amendoados de Ben, que já está transfigurado à sua forma natural, e diz:

— Traidor.

— Agora não é hora para ressentimentos, vocês terão muito tempo para lavarem a roupa suja. Ironiza Vinci, e continua. – Mestre Enki, nós não faremos nada ao senhor e a seus camaradas sobreviventes, queremos viver em plena harmonia com sua raça e prometo não deteriorar seu belo planeta. Contudo, o senhor deverá colaborar. Preciso que me ensine a transformar o ouro monoatômico em um pó solúvel. Eu quero saber o segredo da imortalidade. O senhor me dirá como conseguir o elixir da vida eterna! — Exclama com olhos injetados de loucura e soberba. Enki o encara com desprezo por um longo minuto e responde:

— Você não é digno do conhecimento do Ormus celestial, humano imundo. E Você nunca arrancará isso de mim. Diz, cuspindo aos pés de Vinci.

— Isso é o que vamos ver. Levem o mestre para dentro. Acomode-o na câmara de tortura. Vamos ver quanto tempo ele aguenta sem abrir a boca.

Os homens levam o prisioneiro com eles. Denis Vinci fica só, contemplando a imensidão da floresta Niburiana. Ter encontrado o Planeta X fora o primeiro grande passo, ter aprisionado Enki seria decisivo para seus planos.

— Estou cada vez mais próximo. O poder supremo logo estará em minhas mãos. — Delirou.

3 comentários em “O Planeta X (Jowilton Amaral)

  1. Lucas Rezende
    20 de janeiro de 2015

    Um bom conto.
    Um ótimo começo pra uma história muito maior.
    Continue trabalhando nela.
    Parabéns!

  2. Fabio
    18 de janeiro de 2015

    Parabéns pelo conto Jowilton!
    Gostei da história se passar em outro planeta. Concordo com o Fabio na questão de saber mais de como os humanos chegaram em Nibiru, e pelo jeito o seu conto parece ser uma história maior e terminada, pois ela é muito rica em detalhes e personagens, gostaria muito de saber mais dessa grande história que você criou!
    Abraço.

  3. Fabio Baptista
    15 de janeiro de 2015

    Fala, Sir Jowilton! Beleza?

    Achei um bom prólogo para uma aventura maior. Na verdade, talvez fosse legal saber melhor como os humanos chegaram a Nibiru o que poderia render uma história bem grande.

    Essa história desse planeta, dos annunakis, etc. é algo que me fascina.

    Achei a escrita um pouco adjetivada além da conta (questão de gosto pessoal mesmo) e o tempo verbal variou vez ou outra.

    No mais, um conto divertido. Dei risda ao (tentar) ler o nome científico da quimera 😀

    Abraços!

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Informação

Publicado às 14 de janeiro de 2015 por em Contos Off-Desafio e marcado .