EntreContos

Detox Literário.

Josué (Anorkinda Neide)

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No minuto 1:35, Fernanda Montenegro ou sua personagem Dora, começa a narrar a carta que está escrevendo…

 

http://www.youtube.com/watch?v=wYpBt7GIV4U

 

 

 

‘Josué,

Faz muito tempo que eu não mando uma carta pra alguém. agora eu to mandando essa carta pra você. Você tem razão. seu pai ainda vai aparecer e, com certeza, ele é tudo aquilo que você diz que ele é.

Eu lembro do meu pai me levando na locomotiva que ele dirigia. ele deixou eu, uma menininha, dar o apito do trem a viagem inteira.

Quando você estiver cruzando as estradas no seu caminhão enorme, espero que você lembre que fui eu a primeira pessoa a te fazer botar a mão no volante.

Também vai ser melhor pra você ficar aí com seus irmãos. você merece muito, muito mais do que eu tenho pra te dar. No dia que você quiser lembrar de mim, dá uma olhada no retratinho que a gente tirou junto.

Eu digo isso porque tenho medo que um dia você também me esqueça. Tenho saudade do meu pai, tenho saudade de tudo.

Dora’

 

 

…………

 

 

 

“Cruzando uma paisagem verde e exuberante, vai o trem em sua velocidade determinada e sem pressa. Ouço o apito, me transporto para dentro daquele trem e caminho por entre os bancos, atravessando vagões.

Encontro, na locomotiva, a menininha e seu pai. Ela está acionando o apito do trem, com um sorriso muito lindo e feliz. Sorrio também e olho pela janela. O sol está

forte e esquenta meu rosto…”

 

Acorda. Ainda com um sorriso bobo, Josué vai até o banheiro e lava o rosto. O espelho lhe mostra o presente: um jovem feio, pobre e órfão, com um dia longo pela frente.

 

Seus irmãos já tomaram o café ralo com o pão duro de ontem, o rapaz pega sua porção e como em pé mesmo, pois a pressa faz o dia correr ou assim lhe parece. Para defronte a fotografia de Dora.

– Minha amiga, sonhei contigo, de novo. Agradeço, hoje e para sempre, a tua ajuda e a tua amizade. Prometo, mais uma vez, que não vou te esquecer nunca.

– Josué, vamu né? Tá na hora, o trabaio não espera a tua conversa com o retrato. Simbora, mano!

 

Caminhando lado a lado com o irmão, Josué, ainda pensando em Dora, pergunta:

– Será que ela tá viva, mano?

– Óia, ela já tinha uma certa idade, né? Já passou tanto tempo, pode ser que tenha morrido já, sim.

– Ela nunca mais me escreveu uma carta…

– Pois é.

Josué, aperreado, chutou uma lata amassada e seguiu com seu dia comprido até o fim.

Ele gostava das noites, porque eram mais frescas, tinha aula e havia os sonhos. Eram as horas de sorrir.

 

“Sou pequeno, bem pequeno… Estou sentado no chão, alisando com minhas mãozinhas, o sapato que estou usando. É novo, ele brilha bastante e é macio. De repente, a porta abre e mamãe dá um grito de alegria! Ela corre em direção ao homem estranho que entra e o abraça bem forte. O homem senta na cadeira ao lado da mesa, mostra uma sacola com dois presentes dentro dela. Um pra mim e outro para minha mãe. Mamãe diz que ele é meu pai. Então percebo tudo, ele deve ser o papai Noel, que dizem que traz presentes, mas eu nunca vi. É deve ser ele.

O sujeito vem pra perto de mim e me pega no colo. Olho bem atentamente para seu rosto, mas não vejo nada, há uma luz bem atrás da sua cabeça e ofusca justamente o rosto, que eu queria ver como era, pra não esquecer…”

 

Acorda agoniado. Josué se pergunta se algum dia verá seu pai…

Veste sua roupa de ir ao trabalho, não está muito limpa, mas é a que tem. Não é macia e não cheira muito bem. Sábado é dia de lavar roupas, hoje não.

Na mesa do café, a conversa era sobre Mariana, uma vizinha que voltou à cidade depois de ter morado alguns anos com uma avó, no sertão.

– Ela tá crescida que só! Nem reconheci!

– Quem, mano?

– A Mariana, aí do lado. – E o irmão de Josué olhou para o garoto: – Acho que ela tem a tua idade.

– E por que ela voltou pra cá?

– A vó morreu.

 

À noitinha, de volta do trabalho, Josué foi até a venda comprar um osso buco para colocar na sopa da janta. O mano sabia fazer uma sopa bem boa, mesmo com poucos ingredientes.

O rapaz viu uma moça bem desconhecida saindo do estabelecimento. “Deve ser a tal vizinha!”

– Você é a Mariana?

– Sim, e ocê é quem?

– Josué, irmão do Isaías e do Moisés.

– Ah… sei. Mas nunca vi ocê por aqui.

– Você não era menininha quando foi embora?

– Era.

– Eu cheguei depois.

– Chegou de onde?

– Do Rio de Janeiro.

A mocinha arregalou os olhos.

– Mintira!

– Verdade.

 

Isaías veio até eles com cara de poucos amigos, perguntando:

– Cadê o osso, ô miséra?

Mas viu que o irmão estava de trololó com a vizinha, pegou o dinheiro da mão do garoto e entrou na venda. Quando saiu disse:

– Veja se vem jantá, daqui a poquim, não demora de ficá pronta a sopa.

Os jovens se olharam e sentaram no meio-fio da calçada, continuando a conversa de onde tinham parado:

– Me conta do Rio de Janeiro… Sempre eu quis sabê tudo de lá!

– Não lembro quase nada, não, Mariana. Eu era pequeno demais.

– Ah… ocê deve se lembrá do mar, lembra não? Como que é ele, hein?

Josué puxou da cabeça pra lembrar alguma coisa, ficou catando pedrinhas do chão enquanto pensava.

– Lembro de um barulho muito alto e que não parava nunca, acho que eram as ondas que faziam barulho. Nunca entrei no mar, minha mãe dizia que era perigoso e que só quando eu crescesse eu podia entrar no mar.

– Onde está sua mãe?

– Morreu. Por isso vim pra cá procurar meu pai, mas só encontrei meus irmãos.

– E ocê veio sozinho?

– Não, Dora me trouxe.

 

Nesse momento, Mariana lembrou que tinha que levar pro seu pai o pão que havia comprado na venda. Disse um ‘Tchau, inté amanhã’ pra Josué e correu pra casa, o pai já deveria estar bravo com ela.

 

 

…….

 

 

A paisagem movimenta-se, rápida. Avança ao comando de meu pé no acelerador. Não lhe presto muita atenção, mas tenho consciência de toda a riqueza natural que há ao largo da estrada. O frescor é sentido com muito prazer por mim e por Mariana, a meu lado, sorrindo de olhos fechados. É tão diverso da quentura a que ela estava acostumada. Levo uma carga ao Rio de Janeiro, Mariana finalmente, conhecerá o mar.

Minha visão concentra-se à frente e o pensamento volta-se para trás… Para o dia em que, pela primeira vez, coloquei as mãos em um volante de caminhão. Foi Dora, minha querida Dora que me ajudou… Olho para o retrovisor e a barba em meu rosto demonstra que virei homem. Com o rabo do olho, vejo Dora, sentada ao lado de Mariana, sorrindo pra mim.

As duas começam a cantar um sucesso sertanejo e a bater palmas de contentamento, estamos chegando ao Rio…

31 comentários em “Josué (Anorkinda Neide)

  1. Wender Lemes
    17 de novembro de 2014

    Obrigado por me lembrar deste clássico. A narrativa é clara, não há nenhum erro ortográfico escabroso, adequa-se ao tema. Não foi dos contos que mais me agradaram até então, mas não é um conto ruim, acredito que seja mais uma questão de gosto. Parabéns e boa sorte.

  2. rubemcabral
    17 de novembro de 2014

    O lirismo de algumas passagens está bastante bom. Foi pena a Dora não ter aparecido na trama com mais participação. Não apreciei muito, contudo, um texto tão recortado, com tantos saltos temporais. Preferiria uma história mais sólida, mas ainda assim, o conto conseguiu me conectar à história, talvez porque me lembro bem do filme e porque tenho recordações afetivas pelo mesmo.

    A escrita precisaria de alguma revisão. Chamar osso usado para sopa de ossobuco ficou meio estranho…

    Bom conto!

  3. Andre Luiz
    16 de novembro de 2014

    Primeiramente, meus critérios complexos de votação e avaliação:
    A) Ambientação e personagens;
    B) Enredo: Introdução, desenvolvimento e conclusão;
    C)Proposta: Tema, gênero, adequação e referências;
    D)Inovação e criatividade
    E)Promoção de reflexão, apego com a história, mobilização popular, título do conto, conteúdo e beleza e plasticidade.
    Sendo assim, buscarei ressaltar algumas das características dentre as listadas acima em meus comentários.
    Vamos à avaliação.

    A)Dora e Josué são icônicos(mesmo que eu não tenha visto Central do Brasil) e eu gostei bastante da ambientação regionalista, bem como a linguagem simples e tranquila de ler. Congratulações por isto!

    B)O enredo, no entanto, é uma mescla de passagens que pode gerar estranheza, porém em mim não o fez. A carta de Dora no início e o vídeo muito bem recomendado foram essenciais para minha boa percepção do conto.

    Considerações finais: Ao ver o vídeo, não aguentei, tive de chorar. Mesmo que pouco do texto tenha de triste, mas não entendi o que se passou. Acho que foi a carta de Dora e a exímia narração de Fernanda Montenegro. Confesso que o conto é muito bom, porém sinto que faltou um “quê” ligando todas as passagens. Parabéns e sucesso no concurso!

  4. Gustavo de Andrade
    16 de novembro de 2014

    Não senti este conto. A sucessão de fatos nele apresentada não parece levar a muito lugar, e os personagens passam de forma muito corrida pra gente entender exatamente o que se passa com cada um deles… uma pena, porque quem escreveu parece ter um bom potencial para desenvolver subtramas, o que foi sabotado pela pequena extensão do texto :/

  5. Gustavo Araujo
    16 de novembro de 2014

    Há um lirismo bacana permeando o texto. Os personagens conhecidos ajudam a formar o cenário, criando uma boa expectativa. O problema é que ela não se desenvolve. O que se vê são recortes, fragmentos da vida de Josué sem que saibamos exatamente como ele chegou naquela ou nesta situação. Os fragmentos estão bem escritos, é verdade (ainda que precisem de uma revisão mais cuidadosa), mas não se ligam. Veja, por exemplo, o fato de ele ter conhecido Mariana (achei isso fantástico); em seguida, ele está no caminhão, barbudo e tal, e olha Maria a e Dora pelo retrovisor (fantástico também); mas como esse encontro se deu? Se fosse esse o mote explorado, o conto teria funcionado melhor.

    • Cinema Brasil
      17 de novembro de 2014

      Olá, Gustavo
      Eu quis seguir o formato de sonho-fato cotidiano, na narrativa. Entao, qd da última parte, a sequencia sugere q é um sonho, mas fica em aberto, à interpretação do leitor.
      Só explico que Dora não está no caminhão, ele vê o espírito dela ou a manifestação de sua imaginação… não há o reencontro com a amiga, que se ocorresse, eu deveria ter sim, narrado com toda a pompa e circunstância… 😉

  6. JC Lemos
    15 de novembro de 2014

    Olá, tudo bem?

    Assisti esse filme há muito tempo, tanto que hoje em dia já não lembro de mais nada. Sendo assim, falando pelo o que li, eu não consegui me conectar.
    A narrativa está boa, mas não me agradou muito a forma como ela alterna. Além disso, senti que foi muito pouco. Acho que esse pós-filme poderia se alongar um pouco mais.

    Enfim, para mim, o que não me agradou foi a falta de mais história. Acho que a narração que me incomodou não seria problema, caso o conto explicasse um pouco mais.

    Vejo que outros gostaram, então o autor conseguiu alcançar seu objetivo.
    Parabéns pelo trabalho!
    Boa sorte!

  7. Thiago Mendonça
    14 de novembro de 2014

    A narrativa não conseguiu me fisgar, não consegui me identificar com as personagens. O uso do regionalismo está ok, cria uma ambientação legal à trama.

    Sugiro algumas alterações no texto, tente usar menos o verbo “estar”, que dilui um pouco o texto, perdendo qualidade:

    “Ela está acionando o apito do trem” -> “Ela aciona o apito do trem”
    O sol está forte e esquenta meu rosto -> “O sol forte esquenta meu rosto”

    Boa sorte!

  8. piscies
    14 de novembro de 2014

    Gostei da leitura leve. É um conto gostoso de ler. Infelizmente, tive a sensação de que acabou cedo demais. Queria ter mais tempo com Josué e Mariana. Seus irmãos ainda são incógnitas para mim.

    A escrita está muito boa, propositadamente simplória para envolver o leitor no clima nordestino. Gostei muito!

  9. Rodrigues
    12 de novembro de 2014

    achei interessante o exercício de criatividade, mas o autor parece ter se esquecido que no filme a imagem é um artifício muito usado, a fotografia e, portanto, deveria ter maior atenção à criação de um cenario que envolvesse os personagens, dando ao leitor uma maior possibilidade de imersão. esta tudo muito jogado, precisa lapidar.

  10. Brian Oliveira Lancaster
    12 de novembro de 2014

    Meu sistema: essência. Tem muito da característica do filme, mas não consegui compreender plenamente o que o autor quis repassar. A segunda parte, quando conta o cotidiano de Josué é o melhor trecho. Creio que na ânsia de publicar, talvez, o autor esqueceu um pouco da coerência (aprendi isso com criticas também, além da revisão normal, tens que ler novamente e ver se tudo se encaixa no enredo). Tem muito potencial nas entrelinhas, faltou apenas um pouquinho mais de cuidado.

  11. Fil Felix
    11 de novembro de 2014

    Central do Brasil está entre meus filmes preferidos de todos os tempos! Acho simplesmente perfeito e até me inspirei nele para o nome do meu projeto (Central dos Sonhos). Ele dá pano pra criação de muitos contos, principalmente em relação às cartas. E você foi feliz ao utilizá-las e ao mesmo tempo contar o que teria acontecido depois do filme.

    Mas esse também é seu maior defeito, pois não há muita explicação das coisas, meio que partindo da ideia de que todos conhecem o filme. Como já assisti, imaginei todo o ambiente de sertão, das roupas dos garotos, da venda e tudo mais. Porém nada disso está no seu conto, acho que caberia espaço para um pouco de descrição aí, não focar apenas no diálogo regional.

    A formatação do texto também está um pouco estranha, com muitos espaços. Não sei se foi a intenção. Acredito que a divisão entre sonho/ realidade se deve ao primeiro ser narrado em primeira pessoa e o segundo em terceira (ou ao contrário kkk).

    Acho que seu conto tem muito potencial, mesmo. Minha sugestão é que foque mais no conteúdo, com descrições interessantes para que o conto fale por si mesmo.

  12. williansmarc
    11 de novembro de 2014

    Olá, autor(a)

    Achei o conto bem simples, a trama não me conquistou, mas gostei da forma com que foi usado o regionalismo e que foi construído o cenário de Central do Brasil.

    Alguns erros gramaticais mostram que faltou um pouquinho de revisão.

    Boa sorte!

  13. Eduardo Selga
    8 de novembro de 2014

    O conto trabalha em esferas distintas: o sonho, o tempo passado e o tempo presente, mas acredito que a narrativa do sonho (situada no passado) não ficou bem executada, ou pelo menos a transição dele para a realidade. Não parece se tratar de um sonho, e sim algo “real” que terá alguma explicação mais adiante.. Acredito que esse efeito tenha se dado em função na narrativa em primeira pessoa, detalhada (sonhos são vagos), onde temos esse trecho: “Ouço o apito, me transporto para dentro daquele trem e caminho por entre os bancos, atravessando vagões”. Ora, se o sonhador diz que “ouço o apito”, então ele está consciente do sonho? É possível, sonhos lúcidos existem, mas não é comum. Assim, se a intenção foi essa, sonho lúcido, faltou deixar claro.

    A personagem Dora do conto evidentemente não pode ser a mesma do filme, embora a ideia tenha sido essa. Como se tratam de plataformas de recepção diferentes (audiovisual e texto), a Dora da Fernanda Montenegro tem uma dimensão, e a do conto tem outra. Não estou falando de competência narrativa, nada disso: escrever uma personagem não é vivenciá-la, e pode ter certeza de que no roteiro de Central do Brasil a Dora tinha terceira vertente. Digo isso porque NO CONTO a importância de Dora para Josué não está representada o bastante que justifique uma “aparição emocional” dela na boleia do caminhão. O leitor sabe dessa importância pela Dora DO FILME, que, como eu disse, é outra personagem. Essa Dora DO FILME tem uma de suas falas transcrita no início do texto com um link, e é por meio desse instrumento que o autor pretende fazer o leitor entender o peso dela para Josué. Mas, repito, essa importância não se mostra NO CONTO.

    • Cinema Brasil
      10 de novembro de 2014

      hummm.. Dora é a mesma, sim. A carta dela, faz parte do conto, ou ela não estaria transcrita aqui.. portanto a importância de Dora na vida do rapaz está demonstrada com a carta.
      Nos sonhos dele aparecem as imagens do que Dora escreveu na carta, a experiencia dela na locomotiva com o pai, a chegada do pai de Josué (pq ela fala, na carta, que um dia ele verá seu pai) e cruzar as estradas no seu caminhão enorme, tb está descrito na carta, como seu desejo para o futuro de Josué.
      Quanto ao apito do trem, minha experiência onírica pessoal, me traz sons, muitas vezes ouço nitidamente uma música por exemplo, não entendi vc achar estranho o apito do trem.
      Obrigada pela leitura

      • Eduardo Selga
        10 de novembro de 2014

        Cinema Brasil,

        Você já sonhou em primeira pessoa? É como o vídeo ou o cinema, em que existe uma câmera captando imagens. Essa câmera é o narrador distante, é uma terceira pessoa. Por isso as narrativas de sonho usarem, majoritariamente essa pessoa gramatical. Daí minha estranheza com o seu conto. Não estranhei o som do apito em si, mas com o fato de o personagem narrá-lo, como se o sonho estivesse em primeira pessoa. Como disse no comentário inicial, isso não é nada impossível, mas é raro. De um modo geral, ou sonhamos em terceira (por isso nos vemos) ou há uma mescla da primeira com a terceira. Por ser pouco comum fica parecendo não ser um sonho e sim algo real.

        Se eu transportar a carta de Pero Vaz de Caminha para um conto meu, a carta fará parte do conto? Fará, mas como uma informação de referência para a trama e algum personagem. Algo como uma epígrafe ou um prefácio. Mas a “visualização” de um personagem que nesse conto eu batize Pero Vaz de Caminha e que eu diga que tenha escrito a carta ficará condicionada a um elemento da realidade objetiva. Os leitores poderão acreditar que sejam a mesma pessoa, o que é um absurdo, principalmente porque o segundo não é uma pessoa. O de 1500 era de carne e osso e o meu é ficcional.

        Dora é uma construção narrativa do cinema e como tal só é cabível lá. Tudo o que vier a posteriori serão versões, ou seja, outras personagens. Isso não quer dizer que sejam inferiores, quer dizer diferentes. Assim, os quadrinhos criarão uma Dora, a literatura outra, o teatro outra, etc.

      • Cinema Brasil
        10 de novembro de 2014

        engraçado isso do sonho.. vou pensar e pesquisar a respeito, pois é um tema de minha apreciação…
        eu tenho alguns cadernos onde anotava sonhos, em algumas fases de minha vida e sempre os narrei em primeira pessoa.
        mas, como disse, vou verificar isso q vc falou.. agora encafifei :p

  14. Virginia Ossovsky
    8 de novembro de 2014

    História bonita! A carta que abre o conto logo me emocionou (apesar de não ter visto o filme). Eu senti falta de mais ação, principalmente na transição entre as duas últimas partes. Mas ficou muito bem escrito! Parabéns e boa sorte!

  15. Fabio Baptista
    8 de novembro de 2014

    ======== TÉCNICA

    Gostei, foi um texto gostoso de ler. Mas nada muito além disso.

    – o rapaz pega sua porção e como em pé mesmo
    >>> come

    – Veja se vem jantá, daqui a poquim, não demora de ficá pronta a sopa.
    >>> O “sotaque” me confundiu um pouco e pareceu misturado (vindo de diversas regiões) em alguns momentos.

    – Mariana finalmente, conhecerá o mar
    >>> Deixaria sem vírgulas ou: “Mariana, finalmente, conhecerá o mar”

    ======== TRAMA

    Dá até vergonha dizer isso, mas vou ter que falar… eu não assisti Central do Brasil 😦

    Porém o texto foi competente o suficiente para, em poucas linhas, me apresentar o cenário e dar uma ideia geral do que ocorreu, além é claro, de contar sua própria história.

    Me cativou pela simplicidade e pelo final onde fica a dúvida sonho/realidade. Acho que era sonho, infelizmente.

    ======== SUGESTÕES

    Sobre o texto enho pouca coisa a dizer… estranhei um pouco o regionalismo das falas, mas como não assisti ao filme, não sei como eles falavam lá.

    Alguns colegas pediram mais desenvolvimento, eu acho que está bom assim, gosto de concisão.

    ======== AVALIAÇÃO

    Técnica: ***
    Trama: ****
    Impacto: ***

    • Cinema Brasil
      8 de novembro de 2014

      Oi!
      Realmente essa vírgula ficou descabida, sem a parceira dela. E o verbo escapou, pq mudei a pessoa e o verbo, eu comi :p

      Pois é o sotaque, sabe que não pensei muito nele? Deveria, sim, vou revisar isso. É que eu não revi o filme agora, pra escrever o conto (vergonha minha..)

      Obrigada pela leitura.
      ps: Mas tu é pessimista mesmo, hein… (pela interpretação do final…rsrsrs)

    • Cinema Brasil
      8 de novembro de 2014

      Me dei conta agora…

      Pra quem não viu o filme, eu entreguei o final com esta continuação.. opssss
      foi mal!
      😮

  16. Jefferson Reis
    8 de novembro de 2014

    Central do Brasil é um dos grandes do cinema nacional. Filme lindo.

    Seu conto é competente em inserir o leitor no ambiente do filme, acho que o video com a música ajudou bastante. No entanto, você poderia ter se aprofundado mais em tudo: nos personagens, nos detalhes (inclusive ter detalhado mais a vida de Josué), na trama; por mais cotidiana que seja.

    As mudanças no tempo verbal não me incomodaram, mas percebi alguns desvios gramaticais.

    De qualquer forma, foi uma leitura agradável.

  17. Claudia Roberta Angst
    7 de novembro de 2014

    Uma delícia de leitura, rápida narrativa mas com as paradas nas estações certas das emoções. Bons recortes das recordações e sonhos do homem/menino que não se esquece da amiga Dora. Ótimo ritmo, diálogos precisos. Gostei muito. Boa sorte.

  18. Leonardo Jardim
    7 de novembro de 2014

    O conto é legal, o filme é muito bom e você conseguiu ambientar bem o clima do sertão.

    Como outros comentários aqui, achei que o conto deu um pulo, começou num ritmo agradável e depois saltou para um outro momento. Com mais um ato antes do último, desenvolvendo talvez a relação dele com a menina, acho que essa sensação seria reduzida. Outra coisa que não gostei muito foi os sonhos narrados em primeira pessoa e o restante em terceira, acho que funcionaria melhor se fosse uniforme.

    No final também fiquei na dúvida se era sonho ou não. Parabéns e boa sorte!

    • Leonardo Jardim
      8 de novembro de 2014

      Desculpem pelos erros de português nesse e em outros comentários. Estou lendo e comentando do celular, quem tem um teclado metido a esperto e é ruim de revisar.

      Sobre o final, por ser em primeira pessoa acho que era sonho, mas torço para estar errado 🙂

  19. simoni dário
    7 de novembro de 2014

    A leitura fluiu redondinha, mas quando cheguei no final, voltei o texto porque achei que tinha pulado uma parte. Senti falta de “meio”. Podia ter sido melhor explorado, na minha opinião.
    De qualquer forma é um bom conto, uma leitura agradável.
    Boa sorte!

  20. Maria Santino
    7 de novembro de 2014

    Olá, Autor(a)!

    Eu simplesmente adoro conto da vida cotidiana, aqueles que falam das perdas e danos das pessoas comuns e relatam a beleza campestre. O ar bucólico me encanta 😀
    Bem, eu gostei do climão que você conseguiu captar. Há uma mistura onírica agradável e gostei do que senti, mas a mistura no tempo verbal me incomodou um bocado, assim como o uso de pontos parágrafos no lugar da vírgula.
    Queria que você me desse mais dos personagens (esse recurso de usar as referencias que temos quando se utiliza personagens já construídos é interessante, me agradou, ao mesmo tempo que não porque se sente falta do “algo mais”)
    Achei o conto curtinho, curtinho, mas não é ruim nenhum pouco (em minha opinião). A parte da carta no filme Central do Brasil é de fato tocante. Queria mais.
    Boa sorte!

  21. Sonia Regina
    7 de novembro de 2014

    Bem escrito, sem erros gramaticais. Linguagem gostosa de ler.
    A idéia de continuar a história do filme é interessante, mas parou por aí.
    É um texto descritivo, sem as peripécias que enriquecem o enredo. O menino cegou, ficou com a família, cresceu, e daí? O que aconteceu com ele de impactante, de importante para a história, o que fez para encontrar Dora? O que aprendeu com sua experiência?
    O conto não me pareceu acrescentar nada mais à história que já sabemos.

  22. Wallisson Antoni Batista
    7 de novembro de 2014

    Insatisfatório ao meu ver, o enredo é fraco e a ortografia também. Não senti tesão ao ler, na verdade nem consegui ler até o final sem me entediar. Enfim, boa sorte.

  23. daniel vianna
    7 de novembro de 2014

    Muito bom imaginar o ‘depois da história’. Simplesmente adorei o final. Ficou a dúvida, no entanto, se foi real ou mais um sonho. Torci para que fosse o real. Muito legal. Parabéns. Sucesso.

    • Cinema Brasil
      7 de novembro de 2014

      Olá, Daniel.
      Vc ficou com a dúvida e a esperança que eu queria q vc, leitor ficasse.. bem assim.. rsrsrs, mas tem um detalhe que entrega se ‘sonho ou realidade’ (só que não vou contar agora!)
      Valeu

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Publicado às 7 de novembro de 2014 por em Filmes e Cinema e marcado .