EntreContos

Literatura que desafia.

O Sono de Akira (Virgínia Barros)

ilustração

I – Hora de Dormir

Já passava das nove da noite, mas Akira, de quatro anos, era quase irredutível quanto ao desejo de se manter acordado até a madrugada. Shima, sua resignada mãe, distraía-o pouco a pouco para minar as indestrutíveis energias do pequerrucho. Havia passado as duas últimas horas a banhá-lo, alimentá-lo, vesti-lo, escovar-lhe os dentes e ler histórias, enquanto o marido, diga-se de passagem, esticava-se sobre o macio sofá da sala, pilotando o controle remoto.

***

Este conto faz parte da coletânea “Devaneios Improváveis“, Segunda Antologia EntreContos, cujo download gratuito pode ser feito AQUI.

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26 comentários em “O Sono de Akira (Virgínia Barros)

  1. williansmarc
    17 de novembro de 2014

    Um bom conto. Bem escrito e ambientado, além de ser bem poético. O tom de lição de moral não me incomoda, acho até que esse tom se encaixa bem em um conto em que são mostrados sonhos de um garotinho.

    Infelizmente não assisti ao filme, mas pelo o que os colegas comentaram parece que a trama não é uma cópia idêntica do filme, o que é bom.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  2. Wender Lemes
    17 de novembro de 2014

    Um conto de contos… muito bom. A estética ficou legal também, assim como a fluência. Parabéns e boa sorte.

  3. rubemcabral
    17 de novembro de 2014

    Uma homenagem bonita ao filme “Sonhos”. A escrita é competente e as descrições oníricas foram delicadas e bem visuais. No entanto, algumas construções feito ” hipnotizava violentamente”, soaram estranhas. Penso também que o mote quase que apenas repete alguns sonhos do filme, agora visitados por outros personagens. Faltou, portanto, ao meu ver, algo novo…

  4. Andre Luiz
    16 de novembro de 2014

    Primeiramente, meus critérios complexos de votação e avaliação:
    A) Ambientação e personagens;
    B) Enredo: Introdução, desenvolvimento e conclusão;
    C)Proposta: Tema, gênero, adequação e referências;
    D)Inovação e criatividade
    E)Promoção de reflexão, apego com a história, mobilização popular, título do conto, conteúdo e beleza e plasticidade.
    Sendo assim, buscarei ressaltar algumas das características dentre as listadas acima em meus comentários.
    Vamos à avaliação.

    A)Akira é cativante, uma criança graciosa e bastante infantil, como deveria ser; pura e meiga. Sua mãe, Shima, no entanto, deixou um pouquinho a desejar no quesito aprofundamento. Senti que falta algo na parte física da mulher, mais emoções, sei lá. Enfim, senti isto.

    B)O enredo é bom e não achei que seria inconsistente estes mundos dos sonhos, como foi comentado. É uma miscelânea de visões e percepções que dá ao leitor uma viagem bonita pela cultura oriental.

    Considerações finais: Gostei bastante desta viajem de Akira e entendi as referências ao filme, que por sinal deve ser muito bom. Continue assim e faça-nos cada vez mais aventurar pelo mundo dos sonhos. Parabéns e sucesso no concurso!

  5. Sonia Regina
    16 de novembro de 2014

    Parabéns, uma bela homenagem ao diretor japonês. A linguagem poética, as imagens da natureza, os diálogos sucintos, tudo muito bonito.
    Fica ao encarogo do leitor a interpretação desse sono cheio de sonhos, a interferância da mãe, o fato de que o menino não se lembrará de nada ao acordar.
    Adorei.

  6. Gustavo de Andrade
    16 de novembro de 2014

    É um conto extremamente poético. As imagens são construídas perfeitamente, e eu quase consegui ouvir uma flauta transversal de bambu tocando através do texto. Mas, as tais imagens parecem construídas muito sem razão de serem… só pra manter a impressão de quem escreveu quanto às intempéries da modernidade — qual tem sim seu valor, mas que poderia muito bem ser trabalhada a fim de estabelecer uma narrativa mais cinética e significativa.

  7. Gustavo Araujo
    16 de novembro de 2014

    Belíssimo conto, cheio de sinestesia. Falar de sonhos é sempre complicado, pois é preciso colocar caos na ordem sem parecer forçado. Aqui o autor nos ensinou como mergulhar num quadro impressionista com motivos nipônicos. Testemunhas de uma (ou quatro) viagens, resta-nos parar e admirar os jogos de palavras que brincam com os sentidos. Gostei demais. Claro, influencia o fato de eu ser admirador da cultura japonesa, além de confesso entusiasta. Isso certamente fez com que eu aproveitasse a jornada como uma ari-chan presa ao pequeno Akira. Achei muito bacana também a maneira sutil como algumas mensagens foram passadas. Gostei especialmente do trecho em que Shima se vê tentada a jogar tudo para o alto e voltar a viver como antigamente. Lembrei de uma visita que fiz há muito tempo ao parque de Hida-Takayama, onde são preservadas diversas casas da população local, representando diferentes épocas através dos séculos. Na ocasião, enxerguei a mim mesmo “vivendo” ali, uma sensação fantasmagórica e inebriante que este conto conseguiu reproduzir. No que tange à parte técnica, novamente parabenizo quem escreveu. O conto está muito bem redigido, contribuindo para que a experiência se desenrole sem atropelos. Parabéns.

  8. Fil Felix
    15 de novembro de 2014

    Antes de comentar o que achei, gostaria de desabafar em relação à alguns comentários que vejo em relação à linha narrativa, coerência, motivos e cia. que alguns precisam encontrar numa leitura para que ela seja válida. Acho bizarro, ainda mais em se tratando de sonhos, do inconsciente e fantástico o.O

    Voltando ao seu conto, achei maravilhoso. Não só por retratar os sonhos (pelo qual sou apaixonado) mas por colocar nele tantas características interessantes e deixá-lo com uma “cara” que bateu aquela invejinha branca kkkk

    O filme é excelente, inteiramente visual, e seu conto segue nesse mesmo clima mas ainda entrega algumas reflexões. Além da questão com o meio ambiente, percebi pontos como o amadurecimento, a ruptura com a mãe, a evolução dos costumes e etc.

    Impossível não relacionar à histórias como Alice (o chá, as pessoas que surgem) ou filmes do estúdio Ghibli. Inclusive a cena em que a vó apareceu e falou Shi-Sam, na minha cabeça o conto tomou forma de anime ^^. A cena com as árvores me lembrou xxxHOLIC (que se não conhece, recomendo que assista!), assim como a procissão e os monstros. E acho todas essas referências pontos positivos! O folclore japonês é realmente fascinante, dá muito pano pra mangá! Quando li sobre as raposas já fiquei “awn” ^^ ^^ Mas ao contrário dos que falaram que o conto é fofo demais, não o achei. Pelo contrário, há cenas que quebram isso, trazendo aquela “crueza” japonesa (no bom sentido) ao tratar da morte, como nas cenas de suicídio.

    Pra não me estender muito, adorei o conto, sendo meu preferido até agora (ainda não li todos). Captou o onírico muito bem, principalmente a sensação de que, mesmo num sonho e sabendo que estamos sonhando, agimos como se fosse uma realidade.

  9. Claudia Roberta Angst
    15 de novembro de 2014

    Acredite se quiser, mas eu assisti ao filme Sonhos de Akira Kurosawa e no cinema! Lembro de muito silêncio e tédio, mas da beleza também. Ainda bem que só escolheu quatro dos sonhos, pois não daria conta dos oito, mesmo usando as 4 mil palavras.
    O autor foi bem sucedido ao narrar o “filme” com uma linguagem impecável. No entanto, por maior que seja a beleza onírica do conto, a narrativa chegou a me cansar e senti uma vontade enorme de pular frases ou até mesmo parágrafos. Despertei do estado letárgico(antes que começasse a ver carneirinhos pulando a cerca). Culpa da minha impaciência.
    O trabalho apresentado tem qualidade, sem dúvida. E agora que só consigo imaginar o Akira como um anime fofinho? Gostei do título, bem bolado – ao invés de Sonhos, de Akira K, foi de Sono. O final também ficou muito bom, revelando a cumplicidade de mãe e filho nos sonhos. Quem sonhou o que?
    Boa sorte!

  10. JC Lemos
    14 de novembro de 2014

    Olá, tudo bem?

    Gosto de contos que envolvem a cultura oriental. Esse daqui, dentro de sua proposta e no quesito de qualidade narrativa, ficou muito bom. O que pegou foi que eu não consegui entender muito bem a questão dos sonhos e tudo mais. Talvez se eu tivesse assistido o filme inspirador, conseguiria entender melhor.

    Creio que se o conto fosse um pouco menos longo, ficaria melhor. Mas o autor sabe com quantas palavra tem de trabalhar, então minha opinião de nada vale. hahah

    Enfim, é um bom texto, delicado e que tem toda a magia das flores de cerejeiras que embelezam os cenários nipônicos, mas que se tornou cansativo devido a minha falta de entendimento.

    Shima ficou bem construída, e Akira me pareceu um pestinha hiperativo.

    P.S.: Quando vi esse contado postado, já havia postado o meu, e senti um ódio tremendo por não ter lembrado da animação “Akira” na hora de produzir meu texto, hahhaha

    Parabéns pelo trabalho!
    Boa sorte!

  11. Thiago Mendonça
    14 de novembro de 2014

    Sua técnica narrativa é muito boa e escolhe bem as palavras. As histórias são muito bonitas, porém, por não terem um fio condutor, algo que as una, a leitura acaba ficando um pouco maçante lá pelo meio, quando não há um conflito maior. Sua forma de escrever é linda, mas eu sugeriria que você fosse mais conciso(a) e cortasse alguns adjetivos e advérbios. Deixe o leitor completar o cenário com sua própria imaginação. Descreva mais ações do que cenários e diálogos.
    Ótimo trabalho, parabéns!

  12. Anorkinda Neide
    14 de novembro de 2014

    A leitura fluiu sem cansar..mas fiquei confusa com os acontecimentos dos contos, nao fizeram sentido pra mim, talvez os sonhos nao devessem fazer sentido, mas pra mim fazem…rsrsrs entao me frustrei aqui.
    Mas é um conto bem meigo e delicado, gostaria que fosse mais curto.
    Abração

  13. Jefferson Reis
    14 de novembro de 2014

    Um belo conto. Confesso que não gostei da introdução, mas o desenvolvimento prende a atenção e o desfecho é satisfatório.

    É muito difícil narrar com verossimilhança um sonho ou delírio, mas Shima o fez de maneira exemplar.

    A técnica de escrita é muito boa, porém, como já foi comentado, eu teria um pouco mais de cuidado com os irritantes diminutivos.

    Os personagens são cativantes. No começo, senti raiva de Akira (crianças!), mas acabei me afeiçoando a ele. Shima é um doce.

  14. piscies
    13 de novembro de 2014

    Metáforas demais. Me senti no País das Maravilhas oriental, rs. Esses filmes estilo “Viagem de Chihiro” são muito bonitos, mas sempre acho que exageram na quantidade de coisas sem sentido acontecendo ao mesmo tempo. Mas esta é uma opinião puramente pessoal.

    Imparcialmente, a escrita está maravilhosa. O conto é belo e a leitura flui muito bem. Parabéns pelo texto!

    Alguns trechos que me chamaram a atenção para possíveis correções:

    – O foco do personagem na narrativa muda de forma muito repentina. Em um parágrafo a narrativa foca na mãe e, no outro, no em Akira. Isto confunde as vezes.

    – Muito adjetivo com “inho”.

    – “executavam uma lenta dança que o hipnotizava violentamente.” – a frase soou estranha para mim. Uma dança lenta que hipnotiza.. brutalmente? Não seria melhor, talvez, profundamente?

    – “Shima fitou a bela paisagem que a cercava, na tentativa de guardá-la para sempre em algum canto obscuro da mente…” – cantos “obscuros” da mente geralmente me remetem a lugares ruins, onde deixamos memórias que não queremos recuperar. Não me parece o caso, nesta frase.

    É isso. Abraços e boa sorte!

  15. Rodrigues
    13 de novembro de 2014

    esse eu precisei de um tempo pra digerir. achei o melhor ate agora. há uma sensibilidade muito grande em toda a composicao e o texto, se não brilha muito na tecnica, ganha o leitor com essa sucessão de tudo que um conto cativante como esse tem: personagens vivos, bons diálogos, descrições que funcionam e uma historia que prende. agora, só resta ver o filme. parabéns ao autor.

  16. Brian Oliveira Lancaster
    12 de novembro de 2014

    Meu sistema: essência. Estes textos sentimentais sempre me prendem e como tenho a tendência de ser melancólico, com um conto bem escrito como esse, me leva a viajar longe. Um grande feito. Ainda mais com a pegada oriental. Outro para os favoritos. Uma ou outra construção gramatical pediu revisão, mas não estraga a experiência. Muito bem escrito, leve e suave. Demorei a entender a sucessiva troca de sonhos, mas depois da parte 2, entendi o que estava acontecendo (essa é uma boa desculpa, mas se fosse um texto real, as coisas teriam acontecido de forma muito rápida, sem conexão).

  17. Eduardo Selga
    10 de novembro de 2014

    Dos contos até agora lidos por mim, é este o segundo que apresenta um caráter fabular, sendo que este é mais sutil que “Os Espíritos da Floresta”, seja na linguagem, seja no conteúdo simbólico. É bem verdade que, diga-se de passagem, esse simbolismo adquire cores excessivamente didáticas, tornando o discurso textual refém. Não houvesse essa preocupação, ele ficaria mais livre e assim esse simbolismo poderia ganhar amplitudes maiores e tornar-se uma fábula interessantíssima exatamente por não dizer tudo, pois uma das características da boa literatura é exatamente essa: não dizer, apenas sugerir.

    Narrativas de sonho costumam apresentar uma incoerência que costuma ser perdoada por boa parte dos leitores, numa espécie de acordo mútuo entre eles e o narrador: são explícitas demais. As imagens produzidas em estado onírico não possuem um encadeamento lógico, como numa narrativa literária e até mesmo a oral, ainda que o sonhador consiga lembrar-se completamente do sonho (coisa muito rara). Chega a ser, em alguns casos, uma “desnarrativa”, no sentido de que não há nada de fato sendo contado, apenas flashes desconexos impulsionados pelo inconsciente. Por outro lado, um problema: manter verossimilhança com o processo onírico real implicaria num caos no conto. Daí porque o leitor “perdoa” tanta coerência narrativa.

    Ainda assim, é preciso não perder de vista que se trata de sonho, com suas incoerências, e para isso apenas a divisão dos capítulos me parece pouco. Como também pouco me parece a presença dessa incoerência nos eventos, não a tornando visível na linguagem. Assim sendo, se “Os animais, enfeitados com quimonos e grandes chapéus, executavam uma lenta dança […]” é uma situação onírica, a narrativa desse sonho não apresenta nenhuma lacuna. A inclusão desse espaço “desnarrativo”, a lacuna, seria um risco para o conjunto textual, mas não é impossível. Na verdade, há toda uma escola literária construída a partir disso, o Surrealismo.

    Digo isso sobre a narrativa de sonho não como um desmerecimento do texto produzido por Shima Kurosawa, e sim porque ele (ela?) domina a técnica do conto e poderia tentar, nesse mar de mais do mesmo, tentar voos realmente ousados. É possível perceber esse domínio, dentre outros motivos, pela ideia de sugerir que, embora os sonhos tenham uma continuidade narrativa, não são sonhados pela mesma pessoa. O fato de mãe e filho estarem juntos na cama é para reforçar essa ligação.

    Veja isso. Num dos sonhos o personagem diz o seguinte: “Pensei que todo o mal que estava fazendo só atingiria a humanidade quando eu já estivesse morto há muito tempo, mas me enganei… Sou culpado por isso ter acontecido conosco. Agora… Eu… me desculpem[…]”. Pareceu-me estranho, pois ao mesmo tempo em que é egoísta (“Pensei que todo o mal que estava fazendo só atingiria a humanidade eu já estivesse morto”) ele é humilde (“Sou culpado por isso ter acontecido conosco. […]me desculpem”). Ora, egoísmo e humildade são absolutamente antagônicos. Quem possui uma característica não terá a outra. Entretanto, isso é um sonho, e no sonho esse tipo de incoerência é válida. E é sobre esse tipo de incoerência (que na verdade deixa de ser, por se tratar de sonho) que tracei comentários durante toda essa postagem.

  18. Shima
    8 de novembro de 2014

    Então, acho que ninguém viu o filme, vou tentar resumir: é uma sequência de oito curtas. Não há nenhuma relação ou continuidade entre eles (no filme), são apenas sonhos que o diretor teve em vários momentos da vida e decidiu filmar. O que fiz foi escolher quatro curtas (ou sonhos) e colocar como se alguém estivesse sonhando – no caso, Akira e a mãe. A relação entre eles é meio que o foco, no começo dá para ver que eles são um tanto “grudados” demais, algumas pessoas captaram muito bem o papel da jornada onírica. Os sonhos não foram escolhidos aleatoriamente, mas não quero falar muito sobre isso, pois a interpretação depende de cada um.

    Foi falado que alguns diálogos pareciam panfleto, foram exatamente os que eu peguei do filme (risos). É um filme muito bonito, quis descrever bem as imagens para ficar à altura (assistindo também fica cansativo se a pessoa não tem paciência de apreciar, as cenas de dança são meio longas). Não acredito que a mensagem seja lição de moral, apenas um convite à reflexão.

    Ah, Maria, existe um anime chamado Akira, mas não tem nada a ver (risos) é de outro diretor.

  19. Maria Santino
    8 de novembro de 2014

    Boa tarde Autor -cham!

    Sinto que conheço sua escrita (posso está enganada, mas penso que não).
    Há uma mensagem de conservação do meio ambiente, visão acerca de nossa ganância, imagens bonitas e enternecedoras e você usa bastante diminutivos, parece querer cativar mesmo o leitor (o que não me agrada muito). Nunca vi esse filme e não me lembro agora se conheço o anime AKIRA (ou se sonhei que vi algo parecido. rs), gostei de passagens do seu conto, sobretudo da dança dos espíritos e a visão das raposas. Essa mesclagem de sonho e realidade com mensagem também é encantadora.
    Enfim, gostaria de ter gostado mais, autor-cham, mas desejo boa sorte neste desafio e deixo um abraço!

  20. Leonardo Jardim
    8 de novembro de 2014

    Muito bonito. Li o conto com meu bebê dormindo no meu colo, impossível não se emocionar. Tenho também uma menina de 2 anos que me lembra o Akira, principalmente na hora de dormir… hehe (e não sou como o pai dele).

    Você separou os sonhos dando até nomes pra eles, mas como houve uma ideia de continuidade, fiquei esperando uma trama mais fechada e não apenas micro contos. As raposas sumiam, assim como os espíritos da floresta, por exemplo. O fato do ambiente mudar de repente não é ruim, pois sabíamos que estavam em um sonho, só faltou mesmo as histórias se conectarem um pouco mais.

    Mas, como disse, um belo texto. Parabéns e boa sorte!

  21. Fabio Baptista
    8 de novembro de 2014

    ======= TÉCNICA

    A narrativa é delicada e consegue conduzir o leitor com suavidade por esses cenários.
    Mas, meu… é tudo tão carregado de adjetivos “fofos” que o leitor fica mais ou menos com aquela sensação “acho que vou vomitar um arco-íris”, sabe?

    – olhinhos amendoados e profundos muito abertos
    >>> Colocaria uma vírgula

    – sorriso de mofa
    >>> mofa = pausa para o dicionário

    – como se não bastasse sentir seu cheiro e >>> apertar o pescoço dela com os dedinhos <<>> Isso ficou meio macabro! kkkkkkkkk

    – pois pôde a assistir ao belo espetáculo
    >>> sobrou um “a”

    – Você não sabe? Ocorreu um terrível acidente na usina nuclear (…)
    – As pessoas se esquecem de que somos somente parte da natureza, e por isso a destroem (…)
    >>> Esses diálogos ficaram muito panfletários

    ======= TRAMA

    É delicada e cheia de nuances que dão margem a diversas interpretações (as que foram feitas pela colega Simoni Dário, por exemplo, fazem bastante sentido e eu não tinha conseguido visualizar durante a leitura).

    Mas em alguns pontos ficou muito o clima de “lição de moral” que eu particularmente não aprecio.

    Também senti falta de uma “linha condutora” mais visível. Os eventos são bem narrados e despertam curiosidade por si só, mas em um conto é preciso mais que isso… na verdade, é preciso menos que isso… é preciso foco, algo mais direto. Com o passar das (muitas) linhas a empolgação inicial pelos (ótimos) cenários vai perdendo força e não sobra muito enredo para continuar mantendo a atenção d leitor.

    ======= SUGESTÕES

    – Deixar o conto mais conciso.

    – Dar um tipo de “missão” para a mãe/filho no mundo dos sonhos

    ======= AVALIAÇÃO

    Técnica: ****
    Trama: **
    Impacto: **

    • Fabio Baptista
      8 de novembro de 2014

      Desculpe, esqueci uma sugestão:

      – Cortar boa parte dos adjetivos

      Abraço!

  22. simoni dário
    7 de novembro de 2014

    O conto é tocante e difícil de comentar. Li com o coração de mãe e as minhas interpretações foram todas envolvendo a maternidade: o padecer no paraíso, o medo de deixar o filho ir para o mundo sem a proteção da mãe, as angústias que envolvem o “corte do cordão”, e por aí vai. E percebi as reflexões do filho em relação ao seu próprio crescimento e os medos diante da vida e do mundo que percebia em torno de si.
    Não sei se é isso, mas foi o que captei (foi muito mais, mas não tem espaço pra tanto comentário)
    Não assisti o filme (quero assistir), mas o texto é lindo e agradável de ler. Gostei!
    Parabéns e boa sorte!

  23. daniel vianna
    7 de novembro de 2014

    Muito bom. Penso que o sonho, no início, versou sobre o ritual de iniciação de Akira, não? A passagem para a adolescência? Quase me confundi no final do sonho, quando eles acordam deitados no campo. Pensei que estivessem mortos. Depois vi que isso também fazia parte do sonho. Ou melhor, acordei (kkk). Texto fluente, não vi o filme, mas com certeza lembra a cultura japonesa muito bem. Sucessso.

  24. Wallisson Antoni Batista
    7 de novembro de 2014

    O melhor que eu já li, sem sombras de dúvidas. Ortografia excelente, enredo perfeito e o melhor de tudo, cultura oriental meu amigo. Para mim esse conto é o que tem mais possibilidade de tirar a minha vitória rsrs
    Parabéns e sorte para nós.

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Publicado às 6 de novembro de 2014 por em Filmes e Cinema e marcado .