EntreContos

Detox Literário.

A Bailarina e o Soldado de Chumbo (Thais Pereira)

bailarina

.✫¸.•°*”˜˜”*°•.✫ 

De repente toda mágica se acabou
E na nossa casinha apertada
Tá faltando graça e tá sobrando espaço
Tô sobrando num sobrado sem ventilador

 .✫¸.•°*”˜˜”*°•.✫

No álbum atirado no chão, a promessa que depois findou. Debaixo das cobertas apesar do calor, o suor derrama o sentimento que outrora preencheu a casa, agora vazia. Sobrava espaço entre uma palavra e outra, dos versos que preenchem as paredes, divulgando e firmando, entre ambos, o amor um dia citado por Drummond, Jobim e Vinícius.

Nas escadas, a sapatilha atirada. Sem cor. O rosa desbotado das fúteis tentativas de tornar-se, um dia, o que sempre sonhou. Quase aconteceu. E a história ouvida na infância fazia crer que a vida havia definido para eles um conto de fadas.

.✫¸.•°*”˜˜”*°•.✫

Vai dizer que nossas preces não alcançaram o céu?
Coração, que ainda vem me perguntar o que aconteceu
Conta se seu rosto por acaso ainda tem o gosto meu

.✫¸.•°*”˜˜”*°•.✫

E durou. Um ano e dezessete dias de puro amor. Julgado inabalável através do sacramento da união, mas será que tão pouco tempo foi o suficiente para a oração chegar aos ouvidos de Deus? Certo dia, o beijo, antes macio, tornou-se áspero e o legado se desmanchou. A chance de contar, para os filhos e netos, de onde surgiu o afeto sumiu do futuro, antes tão próximo. Tornou-se inalcançável.

E nem que ela ficasse na ponta dos pés poderia conseguir. Nem mesmo se ele a segurasse e fizesse-a voar. Era mais fácil alcançar o céu e eles próprios entregarem o pedido a Deus. E eles queriam tentar, pois não conseguiriam sem isso suportar os próximos anos de união.

.✫¸.•°*”˜˜”*°•.✫

Com duas conchas nas mãos,
Vem vestida de ouro e poeira
Falando de um jeito maneira
Da lua, da estrela e de um certo mal

Que agora acompanha teu dia
E pra minha poesia é o ponto final
É o ponto em que recomeço,
Recanto e despeço da magia que balança o mundo

.✫¸.•°*”˜˜”*°•.✫

E as razões tornam-se confusas. Afinal, não saber justificar o que sente, mas sentir-se bem, definia o amor. Mas o preciso escudo, protegia o peito de qualquer persuasão. E o pensamento fechado não aceitou a promessa: de ser sol, lua, estrela e mar. Começar do ponto de partida a caminhada que havia começado há dias e que já estava no fim. Ou talvez fosse necessário comprovar que a promessa não havia sido feita em vão.

.✫¸.•°*”˜˜”*°•.✫

Nossa casinha pequena
Parece vazia sem o teu balé
Sem teu carinho guardado
Soldado de chumbo não fica de pé

.✫¸.•°*”˜˜”*°•.✫

O assoalho, embaçado, antes era ilustrado por seus passos de dança, em sintonia com a canção que estimulava a vitrola velha, chorando para sair da última música que tocou. O desanimo regressa e o corpo é incapaz de se levantar do sofá.  O ruído da música se refaz com harmonia, através da tentativa do pensamento de suportar, ainda recordando.

Mas conseguirá o mesmo efeito depois de tantas horas? O tic-tac do relógio soa como se quisesse competir, com o próprio tempo, quem chega primeiro ao fim. Vai entender. Quais seriam as promessas que os levaram ao extremo? Tentar prever o destino de um soldado infiel e de uma bailarina de quintal.

.✫¸.•°*”˜˜”*°•.✫

Nossa casinha vazia
Parece pequena sem o teu balé
Sem teu café requentado
Soldado de chumbo não fica de pé

.✫¸.•°*”˜˜”*°•.✫

 

Antes do ato sentiu-se enjoado, pois, na garrafa, o líquido preto descansava há dias. Mas precisou beber e sentir as mãos que o prepararam com tanto carinho. Buscar o cheiro de ali poderia ter se impregnado, mas não aconteceu. O café queimou sua língua, pois virou a xícara logo depois que ferveu. Assim como ela fazia, para que, quando chegasse, ainda estivesse quente.

Para se tranquilizar, pois segurar, outra vez, aquela arma com a perna manca ainda lhe incomodava. E ela não suportou. Precisava de calma para ensaiar e o fracasso ajudou a decisão a ser tomada.

.✫¸.•°*”˜˜”*°•.✫

Bailarina, soldado de chumbo
Bailarina, soldado de chumbo

.✫¸.•°*”˜˜”*°•.✫

 

Era outono quando se casaram. Felizes por representar à família e amigos a bailarina e o soldado dos contos de fadas. A imaculada inocência da infância materializando-se, declarando que existia perfeição. Até o dia que acabou. Talvez fosse mais inocência do que infância. O sonho do balé esfarinhou, assim como o pó da maquiagem que caiu no chão quando ela chorou.

A perna manca pesava, fazendo-o lembrar do dia que foi baleado. Ele também atirou e a justificativa que deram para afastá-lo é que não deveria ter feito. Foi então que acabou: o sonho, a magia, a poesia e o ideal de levar a história até o final. Pura construção. Mas talvez reste algo bom.

 

.✫¸.•°*”˜˜”*°•.✫
Beijo e dor…

.✫¸.•°*”˜˜”*°•.✫

 

A arma escorregou da mão e, enfim, tudo se rompeu. O corpo escorregou no chão, ao lado do que estava vestido de tule e crochê. Ele de farda, acabou olhando para o nada, na tentativa de vê-la outra vez.

E quem irá afirmar que a história não teve um final feliz? Pois a prece de ambos chegou aos ouvidos de Deus. E Ele os fez nascer outra vez, em forma de canção.

.✫¸.•°*”˜˜”*°•.✫
Bailarina, soldado de chumbo

.✫¸.•°*”˜˜”*°•.✫

39 comentários em “A Bailarina e o Soldado de Chumbo (Thais Pereira)

  1. Alana Santiago
    4 de outubro de 2014

    Delicado, poético, lindo! No começo as estrelinhas me incomodaram, confesso. Mas fiz uma segunda leitura sem ligar para elas e pronto! Resolvido! Parabéns por sua sensibilidade… 🙂

  2. Carolina Soares
    4 de outubro de 2014

    Olá,

    gostei do aspecto lírico, o texto flui bem, porém sem estrelinhas.

  3. Andre Luiz
    4 de outubro de 2014

    A obra é fantástica, compondo uma verdadeira dança com a música original. Coesa e mirabolante, a autora vai fundo nas emoções e reflexões de ambos os personagens, a bailarina delicada e carente, lembrando-se do amor que um dia nutriu pelo soldado; enquanto este vê seu mundo desabar pela ação de uma bala de um revólver qualquer. Se o amor fosse assim tão poético, talvez o mundo estivesse melhor. Porém, ler este conto faz pensar sobre a real virtude em ser humano, um ser que ama, mas nem sempre o amor basta para algumas pessoas. Parabéns pelo conto!

  4. tamarapadilha
    3 de outubro de 2014

    Nossa, que conto fantástico! Muito bem escrito, poético, curto e direto. História triste, até agora é a melhor música que se encaixou com o texto. Sem muito a comentar, somente digo que é maravilhoso!

  5. Thiago Mendonça
    3 de outubro de 2014

    então… me desculpe a sinceridade, mas não curti. achei um pouco confuso, precisei reler pra pegar a ideia. mas, também, não sou muito fã do gênero, então pode ser culpa minha mesmo.
    a gramática está ok, vocês escreve muito bem.
    inserir a música no meio de texto não me cativou, achei que deu uma quebra não muito legal na narrativa.
    uma coisa: você as vezes mistura os tempos verbais -> passado e presente juntos, isso me incomodou um pouco

  6. Edivana
    3 de outubro de 2014

    Não sei se gostei. Também não sei o quanto eu realmente inferi da história. Como o conto é feito em linhas poéticas, acredito que nós leitores devemos estar em consonância com elas, e talvez eu não tenha me alinhado bem, e vou te dizer que li duas vezes, com largo espaço entre as leituras, para eu ver se algo mudava com a minha disposição. Porém não posso negar que a escrita é primorosa.

  7. felipeholloway2
    3 de outubro de 2014

    Olhaí, um exemplar de genuína prosa poética me agradando em cheio. É raro, mas acontece. Aqui, o autor ainda tem o mérito de mesclar os elementos líricos da letra original a um pano de fundo realista, fazendo da mistura um todo orgânico e extremamente agradável de se ler. Apesar da musicalidade, os aspectos cadenciais da prosa jamais se perdem (como ocorreu, por exemplo, em alguns trechos do conto baseado na música do Gilberto Gil). A bailarina e o soldado caídos em desgraça em suas respectivas profissões, o duplo infortúnio refletido na dinâmica do relacionamento, a reconciliação na eternidade — os elementos da premissa, tanto os líricos quanto os realistas, são bem dosados, sem nunca carregar na glicose nem na aridez. Muito, muito bom.

  8. Fabio D'Oliveira
    3 de outubro de 2014

    Eita, poesia pura, não é? Gostei bastante! Visual, delicado e charmoso até na formatação. Está de parabéns.

  9. rsollberg
    1 de outubro de 2014

    Desculpe autor/a, sinceramente não tenho muito o que comentar. Só posso dizer que achei o conto belíssimo, suave e triste. Sua narrativa é impar.

    As frases muito bem construídas com bastante sutileza e poesia.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

    • rsollberg
      1 de outubro de 2014

      esqueci… A imagem é esplêndida. O recurso visual (da letra da música inserida nos parágrafos) deu ainda mais charme para o texto.

  10. fmoline
    30 de setembro de 2014

    Comecei a gostar do texto a partir do título. Toda essa pegada poética conseguiu desenvolver muito bem os sentimentos e os pensamentos em volta dos acontecimentos. Não conhecia a música, mas ela foi usada muito bem na construção do conto que, mesmo curtinho, disse muita coisa.

    Gostei bastante!
    Parabéns e boa sorte.

  11. Fil Felix
    30 de setembro de 2014

    #O que gostei: poesia é algo bastante distante pra mim. Nunca fui fan, apesar de admirar que tem a habilidade pra coisa. Tbm considero escrever poesia algo complexo, precisa conhecer bem a língua, saber rimar, deixar a construção dos versos bonita, tanto visualmente quanto no momento de ler, ao mesmo tempo em que há uma certa narração. Seu conto possui algumas dessas características e dou os parabéns, principalmente por ser novidade aqui no desafio (apesar de não ter lido todos, ainda). Adorei o final.

    #O que não gostei: entretanto, há alguns aparatos que deixaram a leitura travada. Os trechos da música e as estrelinhas poluíram o texto, tive a impressão de estar lendo num blog de fundo rosa e com o ponteiro do mouse animado. Também não entendi muito o que aconteceu no conto, os versos mudam constantemente e me perdi, ainda mais com duas linhas narrativas (do conto e da letra) ocorrendo ao mesmo tempo.

    #O que mudaria: tiraria, sem dúvida, as estrelinhas e a letra da música. Acho que o conto em formato de verso teria um impacto melhor.

  12. Camila H.Bragança
    29 de setembro de 2014

    Prezado/a colega

    Vosso texto não agradou a mim. Ainda assim, acho que está bem escrito. Terá faltado, talvez, trabalhar a consistência do fio condutor da história. O texto merencório deságua numa esperança subjetiva apelativa que em minha concepção, só agrada o receptor com alguma ligação umbilical com o mote.

    SDÇ!

  13. Felipe Moreira
    28 de setembro de 2014

    Poético, delicado, vivo. Gostei do texto, algumas frases bem colocadas. A narrativa segura, agradável. Acima da média, sem dúvida.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  14. Swylmar Ferreira
    28 de setembro de 2014

    Enredo bom, muito bem narrado e bem escrito, bem estruturado, enfim excelente a forma. Opinando como leitor a colocação em prosa de parte do texto (se é que entendi correto) atrapalhou um pouco, tirou a fluidez.
    Creio que consegui entender no final o que o autor quis passar.
    Parabéns pelo texto e boa sorte.

  15. Lucas Almeida
    28 de setembro de 2014

    Interessante o tom poético do conto, esta dor do fim do amor, do fim de tudo e o final que, mesmo eu já imaginando o que aconteceria, a forma como foi contado me comoveu. Só acredito que não tinha necessidade de intercalar a musica ao texto, isso deixou a trama num fluxo de interrupções que faziam com que a poesia do conto se interrompesse a cada vez que vinha a letra. Mas parabéns, e boa sorte! 🙂

  16. Andréa Berger
    27 de setembro de 2014

    Lindo o conto. Esse lirismo do seu conto só complementou a história, que é uma lindeza (tanto quanto a música). Mas, esteticamente falando, não ficou bom intercalar a narrativa com a música, eu não gosto, dá uma travada na leitura e nesse caso, não é uma complementação ou alguma informação importante da história (essa é uma opinião COMPLETAMENTE de cunho pessoal, se você gosta e acha que faz sentido, ignore essa parte). Enfim, continue a escrever, sua narrativa é uma delícia.
    Um abraço e boa sorte.

  17. rubemcabral
    27 de setembro de 2014

    Um bom conto: drama delicado, com algumas frases bem inspiradas. Há alguns erros pequenos por acertar, mas o todo foi agradável de ler.

  18. José Geraldo Gouvêa
    26 de setembro de 2014

    Eu acho que usar prosa poética é sempre um risco: você precisa ser muito bom para não parecer pretensioso. Esse texto, mesmo já sendo bom, ainda guarda um certo ranço que lhe bloqueia o caminho da perfeição.

    Outro problema do texto é o excesso de digressão centrado num personagem só. Essa, aliás, é uma característica frequente da prosa atual — e os leitores de hoje ainda dizem que os clássicos são chatos por serem “introspectivos”. Nesse texto o monólogo não chega a destruir o impacto, mas seria mais eficaz se fosse entremeado com alguma ação. Afinal de contas, temos um texto excessivamente parado, com uma ação que se passa quase inteira dentro da cabeça do protagonista/vilão.

    Minha nota vai ser boa porque o texto é bom, mas não estará entre os primeiros porque outros darão notas baixas, e terão suas razões.

  19. David.Mayer
    26 de setembro de 2014

    O conto tem seus momentos bons, mas não consegui fisgar a ideia por inteiro. Acredito que o que mais atrapalhou foram os trechos de canção entre os parágrafos, e explico o porquê. Quando terminava de ler o trecho da música, e voltava para o conto, sentia que havia uma continuidade da música, e ao invés de ler, eu cantava na mente, e isso atrapalhava bastante.
    Aprecio do autor/a a intenção e a criatividade de colocar trechos de poesia/música entre contos, mas acredito que isso tenha atrapalhado mais o meu entendimento da história, a quebra de ritmo, etc. ao meu ver, teria sido melhor aproveitada a música em um único fôlego, mas é valido em um processo criativo e como teste!
    Confesso que depois do terceiro parágrafo de música, comecei a pulá-las, para acompanhar melhor a leitura.

    Enfim, opinião minha.

  20. piscies
    26 de setembro de 2014

    Belo, mui belo. Descrições belíssimas, mesmo que tristes. Uma fluência impressionante. Alguns erros de português (crase, pronome no lugar errado), mas nada muito grave, coisas que revisões futuras acertarão

    É um conto poético maravilhoso. Gostei muito. Parabéns!

  21. Thata Pereira
    25 de setembro de 2014

    Acho que é um conto difícil de avaliar, pois vai depender do gosto pessoal. Nem todas as pessoas gostam dessa prosa carregada de poesia. Eu gosto. Não vou fazer nenhum julgamento sobre o motivo do(a) autor(a) ter intercalado a letra da música no conto, pois posso estar errada, mas eu também já conhecia a música e achei a ideia do Gustavo — de usá-la em um prólogo interessante. Gostei muito dos dois primeiros parágrafos, foram o ponto forte para mim.

    Boa sorte!!

  22. Gustavo Araujo
    25 de setembro de 2014

    Doloroso como toda (boa) história de amor. Gostei muito da estruturação e da prosa repleta de filosofia, dessa vontade de entender o incompreensível. A música em que se baseia é muto bonita, sim, mas creio que intercalá-la com o texto acabou prejudicando um pouco. Talvez se você a colocasse como uma nota, no fim, ou como uma espécie de prólogo, o resultado ficasse melhor. O final, contudo, é tão bonito que compensou essas quebras. Parabéns.

  23. José Leonardo
    24 de setembro de 2014

    Olá, autor(a).

    Não precisei nem de cinco parágrafos para perceber que o autor tem grande domínio no terreno das construções frásicas e consegue untá-las com poesia. Prosa poética é um estilo muito difícil de se trabalhar, na minha opinião — minha incapacidade lírica e baixo grau de sensibilidade reforçam isso, embora goste de ler textos assim. Confesso, sem rubor algum, que o meio-fim foi “saboroso” (meu fatalismo agradece).

    No entanto, subscrevo as opiniões sobre as estrofes “penduradas” no corpo do texto. Imagino que deve ter consumido certo esforço naqueles detalhes mas… Por favor, reconsidere a necessidade de eliminá-las. O ritmo da leitura só ganha com isso — gera fluidez suficiente (aventuro-me numa hipótese: talvez o autor estivesse temeroso pensando que os leitores não fossem consultar a música e, pensando que a letra é essencial para o entendimento do conto — o que, a meu ver, não procede —, inseriu as estrofes. É somente uma suposição — portanto, posso estar errado).
    Reveja também no tocante a tempos verbais e suprima os poucos erros ortográficos. Seu conto ficará ainda mais reluzente com isso.
    Em minha opinião, o trecho “Começar do ponto de partida a caminhada que havia começado há dias e que já estava no fim” gera um nó que nenhuma subjetividade ou lirismo consegue desenlaçar (por mais competente que seja); achei destoante naquele contexto.

    Por fim, falta-me um tanto de sensibilidade para desfrutar a máxima potencialidade da sua prosa — o que não tem a ver com seu texto, mas comigo.
    É um bom conto.

    Boa sorte.

  24. Willians Marc
    24 de setembro de 2014

    Olá autora, o conto em questão tem uma boa técnica, mas a trama não me conquistou. Uma coisa que estou percebendo nesse desafio, é que sempre alguém morre no final dos contos(principalmente aqueles que contam com romance) e isso esta causando uma certa “normalização” da morte. Acontece algo do tipo: “ah, morreu mais um aqui, vamos para o próximo conto…”
    Enfim, chega de devaneios. A musica dentro do conto atrapalhou um pouco mesmo, quebra o ritmo e, como já conhecia a musica, desde a primeira leitura já fui pulando a letra, mas é inegável a sua habilidade com as palavras.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  25. Fabio Baptista
    24 de setembro de 2014

    ======= ANÁLISE TÉCNICA

    Uma pegada poética que não me agrada. nada contra a poesia, desde que ela não comprometa a compreensão da história, como foi o caso aqui.

    Esse recurso das estrelinhas, bem como a canção misturada no meio do texto não ficou legal (só a minha opinião, é claro).

    -Debaixo das cobertas apesar do calor
    -de onde surgiu o afeto sumiu do futuro
    >>> Colocaria uma vírgula aí nessas frases

    – desanimo
    >>> desânimo

    – Mas talvez reste algo bom.
    >>> Pensei que o próximo trecho seguiria no presente, mas isso não ocorreu. Então colocaria “restasse” aqui.

    ======= ANÁLISE DA TRAMA

    Então… li uma vez o texto completo, mas não entendi muita coisa.
    Li os comentários pra ver se havia algum “spoiler” pra me ajudar na compreensão e só achei a dica de ler sem as estrelinhas.

    Assim o fiz e continuei sem entender muita coisa (a impressão que tenho é que não havia muito a se entender).

    Estou me sentindo um completo imbecil, porque os outros leram e aparentemente viram mais coisas do que eu vi, mas enfim… infelizmente as minhas avaliações acabam sendo influenciadas pelas limitações do meu intelecto.

    ======= SUGESTÕES

    – Tirar essas estrelinhas e deixar só uma citação da música no começo.

    – Atentar ao tempo verbal da narrativa

    – Tentar em algum momento abdicar um pouco da poesia para elucidar um pouco mais a trama

    ======= AVALIAÇÃO

    Técnica: ***
    Trama: **
    Impacto: **

  26. Claudia Roberta Angst
    23 de setembro de 2014

    Li com estrelinhas e sem estrelinhas. A narrativa em si é curta e a leitura flui fácil, mais fácil sem os enfeites. Gostei da prosa poética e do final melancólico. Triste fim de uma dupla de repertório de ballet. Boa sorte!

  27. Gabriela Correa
    22 de setembro de 2014

    Que escrita delicada, sensível, poética! Que final lindo! Seu conto fez jus à poesia musical do Teatro Mágico. Uma delícia de leitura. Talvez não seja um dos contos de técnica mais pomposa e rebuscada, mas apesar disso (ou JUSTAMENTE por isso) foi um dos que mais me encantou. Suave, singelo, revela uma escrita madura e sensível: suas palavras iam quase desenhando a cena na minha mente. Parabéns pelo excelente trabalho!

  28. Anorkinda Neide
    22 de setembro de 2014

    Ai.. tchê! Estou a noite toda olhando pra este conto.. rsrsrs
    Sem saber o que dizer… não diz uma releitura, fiz várias.
    A princípio não havia entendido quase nada, apenas o final, bem legal, por sinal!
    Então, tive a ideia de ler, pulando os versos da musica! uau!
    realmente, eles nao deveriam estar ali.
    a gente já sabe que o conto foi inspirado na canção, então vamos procura-la, ela nao precisa estar inserida no conto. Atrapalhou pq pausava a narrativa e qd voltava a ela, já havia perdido a essência do parágrafo anterior…

    Ao ler por inteiro, sem os versos… achei o conto muito bonito.
    A revelação de quem falava veio aos poucos, dos acontecimentos tb.. muito bom mesmo. Os parágrafos 8 e 9 eu achei confusos, acho que caberia ali, reorganizar as orações para fazerem mais sentido.

    É isso, vc tem talento, o conto é bom, só precisa aparar um pouco… o ultimo verso, poderia continuar ali.. termina de uma forma lírica muito bonita, por ser trágica.. hehe

    Abração

  29. mhs1971
    21 de setembro de 2014

    Desculpe, estrelinhas não vão ajudar o conto melhorar. E misturar soneto com conto é algo que irrita quem espera uma fluidez da história.

  30. Angélica Vianna
    20 de setembro de 2014

    Achei o tom lirico do conto muito encantador, mas não gostei da narração repetir demais algumas ideias já ditas anteriormente, e também achei a música muito repetitiva dentro do conto. Boa sorte!

  31. Lucimar Simon
    20 de setembro de 2014

    Adorei o texto. Bem escrito, coeso e com uma singularidade incrível. Vi em alguns comentários sobre alternâncias de tempos verbais, sinceramente não sei onde isso atrapalha tanto os textos. Isso tem até me incomodado um pouco. Não sou prof de tempos verbais, mas “estou e estava” não estão tão distantes para serem hoje um item que atrapalhe tanto uma escrita ou um texto. Vou consultar meu professor na próxima aula. Ótimo conto um dos melhores que li por aqui. Parabéns, boa sorte.

  32. Pétrya Bischoff
    20 de setembro de 2014

    Delicado e tão triste… Me emocionou.
    Penso que narraste na medida certa para que o leitor vislumbrasse o que tu desejavas passar. Na verdade, há tanto que acaba-se assim… Quase um pesar.
    Parabéns e boa sorte.

  33. Rogério Moraes Sikora
    20 de setembro de 2014

    Muito bom, mesmo. Gostei. Não percebi erros. Narrativa fluída, gostosa, terna e poética. As estrelinhas não me atrapalharam e a citação de trechos da música embalam a narrativa. Parabéns!

  34. Brian Oliveira Lancaster
    19 de setembro de 2014

    Outro texto poético até nas entrelinhas. Estranho que já criticaram o uso da letra no meio do texto por aqui, mas a construção lúdica, mesmo que cheio de estrelinhas e “fru-frus” ficaram um show à parte. O final e a inserção da melancolia do personagem ficaram ótimos (um pouco confuso às vezes, mas curti).

  35. JC Lemos
    19 de setembro de 2014

    Olá, tudo bem?

    Caramba, que jeito com as palavras, hein!?
    É tão fluído e poético que eu li quase cantando.
    Gostei do que pude imaginar, e de como o(a) autor(a) me fez a chegar nisso. Limpo, claro e melódico.

    Uma texto com a suavidade das notas de um piano.

    Parabéns pelo belíssimo trabalho!
    Boa sorte!

  36. Eduardo Barão
    19 de setembro de 2014

    Espero que a autora possa me perdoar, mas o conto não me fisgou. Inegável a qualidade da escrita; esse dom latente de criar imagens na mente do leitor e de fundir trechos da música à prosa poética. Contudo, preciso elencar algumas ressalvas:

    1 – Essas estrelas atrapalharam MUITO a minha leitura e penso que só o uso da imagem bastaria para dar um charme estético ao conto.
    2 – Apesar de quase isento de erros, encontrei uma alternância de tempos verbais que me incomodou um pouco.
    3 – Há uma pesada carga dramática que comove pela linguagem empregada, e não pelo desdobramento dos elementos inseridos. Traduzindo: a falta de diálogos e de personagens desenvolvidos gerou – ao menos para mim – uma sensação de pieguice gratuita que não supriu as expectativas criadas logo quando iniciei a leitura. Isso parte mais para uma questão de gosto pessoal/conexão.

    O conto se formou em minha cabeça como uma árvore de Natal. Muitas luzes piscando ao mesmo tempo, mas nenhuma foi capaz de me guiar a um rumo satisfatório.

    Por fim, reitero o que disse no começo e parabenizo a autora pela escrita boa escrita. Boa sorte!

    • Eduardo Barão
      19 de setembro de 2014

      Correção: pela boa escrita*

  37. mariasantino1
    19 de setembro de 2014

    Oi!

    Achei que não conseguiria comentar, pois meus olhos até agora há pouco estavam embaçados. De todo meu coração, a música faz chorar e teu conto idem (eu sei que estou sendo piegas, mas é real. Não me importo com o riso que este comentário provocar.).

    Me lembrei do SONETO DE SEPARAÇÃO: “De repente do riso fez-se o pranto. Silencioso e branco como a bruma. E das bocas unidas fez-se a espuma. E das mãos espalmadas fez-se o espanto.”

    Achei que eu era mais forte, e pensei até que o certame estava decidido, mas não. Não mesmo, nenhuma coisa nem outra.

    Parabéns pelo conto e por mexer com lembranças em mim.

    Abraço!

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Informação

Publicado às 18 de setembro de 2014 por em Música e marcado .