EntreContos

Detox Literário.

Almas ao Vento (Tamara Padilha)

Era a noite da véspera de natal de 1841. Nas proximidades da estância Força do Minuano no estado do Rio Grande do Sul, localizado na região sul do Brasil nada se comemorava. Não existia nem festas, nem comidas extravagantes e menos ainda decorações especiais. A pequena casa encontrava-se escura e quieta, como se lá já não mais morasse qualquer pessoa. Na verdade era o que a mulher presente lá dentro pensava naquele momento.

Era quase dez horas da noite do dia 24 de dezembro de um ano que parecia ter sido eterno. A Guerra dos Farrapos ou Revolução Farroupilha continuava a todo vapor. Não que qualquer pessoa que estivesse ali lutando ou assistindo de muito longe saberia que aquela seria uma guerra importantíssima para história ou que ela viria a receber aquele nome. Ninguém se dá conta da importância de um fato até que ele seja esfriado, analisado e desmembrado até sua última parte. Enquanto se está no auge do fogo jamais se imagina as conseqüências de um ato. Para os homens que combatiam com armas e sangue nas mãos não existia datas especiais, assim como não existia para suas mulheres pobres que os esperavam em casa quase sem comida, roupa ou mesmo forças para viver.

No geral, os homens ricos como os generais, coronéis e outros homens de patentes maiores conseguiam uma pausa especial para visitar suas casas e poder abraçar suas mulheres. Mulheres que haviam se preparado para o natal com o máximo que tinham. Não era muito considerando o que possuíam antes de tudo aquilo começar, mas também não era pouco, diante do que havia naquela casa de dois cômodos de tábuas descascadas e gastas pela ação do tempo.

Ainda na semana anterior ela havia sido chamada por Cecília, a dona da casa principal da fazenda Força do Minuano para ajudar a limpar, tirar o pó, fazer compotas… E lá ela tinha visto seu pequeno Tiago. O via e pensava em qual seria o destino daquele pequeno menino que fora passado de seus braços no princípio da guerra para os braços da filha de dona Cecília… A moça já em seus trinta e cinco anos, sem filhos… Era uma infelicidade não ter uma criança para segurar naquela idade. Então ela dera seu filho à moça enérgica e feliz, pois não tinha de onde tirar o sustento de Tiago. Isso acontecera ainda no início da guerra quando todos imaginavam que tudo aquilo não passava de uma pequena luta para agitar o estado. Acreditavam que as conseqüências não existiriam e que logo os homens estariam em casa dando seguimento a suas vidas.

Já naquele ano de 1834 quando deram Tiago, ela e o marido eram pessoas sem muitas condições. É claro que não passavam fome, tirava grande parte de seu sustento do quintal da própria casa onde plantavam produtos como mandioca, verduras e até alguns pés de fruta. Era um espaço bastante restrito e tudo crescia um pouco amontoado, mas em cada época de colheita lá estavam suas árvores, nunca os deixando na mão.

A vida era assim desde que haviam casado, em 1832. Ela ainda era uma menina. Tinha quinze anos, ele era três anos mais velho, mas naquela época era assim. Nada de planejamento de vida, nada de esperar para ficar mais velha para então casar-se… Não, naquela época não havia nenhum tipo de planejamento para o futuro. O futuro era casar-se, ter filhos, cuidar da casa, lavar roupas… Era aquele o destino das mulheres. Sempre havia uma ou outra ousada que se recusava a segui-lo, mas isso era coisa ocorrida na literatura, ou de gente rica, mas para ela era só o que tinha e ponto final, sem discussão, sem argumento, sem até mesmo questionamentos internos. Era o que ela desejava ser: mãe, esposa, cuidar de um homem e de suas coisas, era para aquilo que tinha sido preparada e era com aquilo que sonhava enquanto crescia.

Logo depois do casamento fora levada pelo marido para aquela casa que segundo ele havia sido de seus pais em anos vindouros e que ele comprara novamente. Logo no início de 1833, com alguns meses de casada ficara grávida. Assim que o bebê nasceu, nos princípios de 1834, em uma época como aquela, quente e seca, ela e o marido perceberam que a criança possuía algum problema. No início imaginaram que fosse aquele calor insuportável que não colaborava para que o pequeno menino pudesse respirar direito, então ela passava horas com Ele ao lado de um pequeno córrego que vinha da fazenda e passava por trás de sua casa pois lá o ar era um pouco mais fresco, mais úmido. Ocasionalmente já era chamada até a fazenda de dona Cecília para algum serviço extra que as empregadas fixas não davam conta. Quando o marido não estava, ela colocava Tiago preso em seu peito com alguns panos improvisados e o levava junto para o que tivesse de fazer. Emília, a filha de dona Cecília sempre estava por lá. Enérgica, ativa, sempre querendo ajudá-las na cozinha com os serviços menos cansativos e sempre olhando o bebê de longe. Quando olhava para Tiago uma ponta de tristeza passava pelos olhos da mulher e ela sentia uma imensa angústia por Emília, pois sabia o quão importante era ter um filho nos braços.

Em uma das tardes em que foi até a casa ajudar com a limpeza, Tiago passou mal. Ela sentiu já no caminho que levava até a casa que ele estava tendo dificuldades mais uma vez na respiração, mas esperou que logo passasse. Chegando a casa colocou-o em um canto da cozinha enquanto conversava com dona Cecília para saber qual seria exatamente a sua tarefa naquele dia. De repente Emília entrou na cozinha e gritou. Assim que ela virou-se para ver o motivo daquilo tudo, deparou-se com o filho caído ao chão, já imóvel. Correu para perto do menino, pegando-o no colo e colocando a cabecinha da criança em seu ombro.

– Ele está sem respirar! – Emília começava a derramar lágrimas.

– Eu sei. – A mulher também estava desesperada, porém não demonstrava.

– Faça alguma coisa! – Emília pegou a criança dos braços da mãe.

Soprou dentro da boca do menino e ordenou que as empregadas trouxessem panos embebidos em algum remédio para acalmar aquela crise. Na verdade depois perceberam que a criança respirava sim, porém com muita dificuldade, ainda não o haviam perdido, mas a mulher deu-se conta naquele momento que se não tomasse alguma atitude seu filho poderia não sobreviver a mais um inverno.

Assim que Emília colocou o menino em uma das camas da casa de fazenda e voltou para perto da mãe aflita, perguntou a mulher:

– Você  o deixará morrer assim? Não irá tomar uma atitude?

A mãe de Tiago apenas sorriu, internamente pensando que era muito mais nova que a mulher de posses que estava a sua frente mas que ao mesmo tempo era muito mais experiente..

– Eu não tenho o que fazer. Não conheço médico, não tenho dinheiro… Vai acontecer o que estiver destinado.

– Você não pode fazer isso… Uma criança não pode morrer enquanto tantas não podem nascer! – Emília começou a chorar e a mulher apenas a fitou sem fazer qualquer gesto para consolá-la, não era dada a qualquer demonstração desse estilo. – Deixe-me ficar com ele.

Ela sabia que aquele apelo provavelmente havia vindo de Emília em um momento de desespero, mas seu coração aqueceu-se ao imaginar seu filho tendo muitas oportunidades como as que aquela mulher poderia oferecer. Ao mesmo tempo pensava em seus sonhos de menina de ser mãe, de constituir uma família e lembrava do parto, da sensação de colocar aquela criança no mundo. A sensação de ligação que tomara conta de si enquanto o pegava nos braços, entregue pela parteira que a ajudara… A dúvida era cruel, forte, massacrante. Respondeu apenas que era para Emília voltar a questioná-la no dia seguinte pois ela precisava pensar. Deixou o filho dormindo ali naquela noite, pois quando fora embora já caía uma leve chuva em meio a escuridão da noite e acharam melhor não submeter Tiago àquilo.

Assim que fechou a porta e se viu sozinha com o marido sentiu-se desesperada. A falta de seu pequeno Tiago era imensa, parecia que não via o filho a dias e não a horas, como era a realidade. Apresentou a idéia ao homem que ficou também pensativo, mas logo tratou de dizer a esposa que era para ela fazer o que preferisse. Sabiam que o filho não tinha muitas chances de sobrevivência ali naquela casa e sabiam também que ela era nova, saudável e que a possibilidade da vinda de muitos outros filhos era enorme.

Já na manhã seguinte, quando Emília bateu a porta da pequena casa, abatida e com um sorriso discreto no rosto, ela já tinha tomado sua decisão. Recebeu a outra com uma certa frieza maior que a habitual e sequer olhou para Tiago. Ali já começava o distanciamento do filho amado, não poderia mais vê-lo como seu. Agora ele era o bebê de dona Emília e poderia fazê-la feliz e ser talvez curado daquele mal do pulmão que o afligia desde que nascera.

Deu a notícia a Emília que pareceu radiante e ao mesmo tempo triste, por tirar o filho de uma mulher. Mas não o fizera de forma forçada e todos sabiam que aquele era o melhor caminho.

Aquele foi seu fim como mãe. Distanciou-se da fazenda e passou a recolher-se em sua casa, apenas trabalhando em outros lugares quando a chamavam. Dona Cecília também a evitava, pois não queria infligir sofrimento àquela mãe.

E logo veio a guerra. Guerra que tirou os homens de suas casas, que fez a miséria se abater de forma mais profunda sobre as pessoas. Guerra que deixou as plantações desprovidas de qualquer cor e alimentos, pois não tinha quem as cultivasse. Guerra que fez os verões serem mais quentes de desespero e angústia e os invernos mais frios de saudade e solidão. Foram cinco anos sem ver seu marido, seu querido Júlio…

E então quando ela não mais sabia se ele estava vivo ou morto, se estava enterrado em um canto qualquer ou vivendo em outro país, porque a guerra tem dessas coisas, viagens inesperadas, sumiços, deportações, e então bateram a porta e ela largou calmamente a colher que mexia o mingau que fazia para si mesma e foi atender a porta, meio arredia, sem imaginar quem a incomodava naquela hora. Quase não acreditou quando viu aquele rosto com uma enorme barba e cabelos sem cortar a muito tempo. Parecia um homem diferente. Cansado, sério… mas era o seu marido, dono dos melhores braços, dono do melhor abraço.

Em uma demonstração pouco característica jogou-se nos braços dele, tocando todo o seu rosto, tocando seu peito, seus cabelos, tentando descobrir se ele era real ou um delírio de seu coração triste.

Era realmente Júlio. Viera com a tropa para aqueles lados e enquanto seus companheiros continuavam marchando, marchando, ele precisara ir vê-la. Era apenas uma parada rápida. Não poderia se perder dos outros soldados pois seria considerado um desertor e sofreria graves conseqüências, mas precisava encontrá-la nem que fosse para um último adeus.

Amaram-se como dois apaixonados em desespero. Seguraram-se como se o mundo fosse acabar naquele instante. Beijaram-se como quem tem sede da boca do outro, sede a muito não saciada.

E agora ela estava ali. Nove meses depois daquele dia nublado de março, prestes a dar a luz a um bebê concebido em meio ao desespero e a despedida.

As coisas não haviam sido fácil naquele ano depois da visita de algumas horas de Júlio. Ela passara muito mal durante toda a gravidez, sentindo enjôos, vertigens e fome, muita fome. Não tinha forças para ir até os fundos da casa e replantar as árvores, como fizera nos últimos anos. Viveu o tempo todo de alimentos armazenados e recebidos por pessoas próximas. Ainda na semana anterior na casa de dona Cecília a velha senhora e Emília haviam lhe oferecido ajuda, mas ela não podia permitir que mais um filho fosse tirado de si. Tranquilizou-as dizendo que logo seguiria para a casa de uma tia e então trancou-se dentro de sua casa até a vinda do bebê que sabia estar próxima.

E naquela véspera de natal de 1841 acordou com mais energia do que tivera nos últimos meses. Em silêncio, na casa resolveu deixar tudo pronto para a chegada da criança. Esfregou, espanou, varreu. Apenas em uma de suas idas até a rua para pegar um utensílio qualquer foi vista por Tiago, que havia se afastado da fazenda e ficara de olhos arregalados para ela mas também sorrira em reconhecimento. Ela parecia mesmo monstruosa. Com uma enorme barriga e o resto do corpo cadavérico, não tinha idéia de como faria para recuperar sua saúde depois do nascimento do bebê.

Quando a noite começou a cair e sons distantes da festa natalina que chegava começaram a vir até ela, começou a sentir também os primeiros movimentos da festa que aconteceria dentro de si, dentro daquela casa.

Inicialmente foram dores fracas e espaçadas que tomaram conta da parte de baixo de sua barriga. Logo depois, quando o já entrara noite a dentro tudo começou a doer com mais intensidade e a dor espalhara-se para todos os cantos, ou ao menos era a impressão que ela tinha. Lembrava-se que no parto de Tiago sentira dores, mas essas haviam sido rápidas e passageiras.

Levantou-se da cadeira onde estava sentada, ao lado da pequena mesa de madeira feita a mão pelo marido e foi arrastando-se através da cozinha. Passou tateando por um fogão já bastante usado, presente de sua mãe que já o usara antes dela. Tocou a bacia de um material simples e resistente, utilizada para que lavasse os utensílios de cozinha e ocasionalmente as roupas. Tateou também um pequeno armário e tirou lá de dentro uma tesoura pontuda e enferrujada. A cozinha da casa era pequena. Do modo como estava a mulher possuía até dificuldades para locomover-se com agilidade. Em poucos passos chegava-se de um extremo a outro. E em poucos passos ela alcançou também o quarto onde dormia.

Não havia nenhuma iluminação no local, porém ela sabia instintivamente onde estava cada coisa… Olhara aquele ambiente tantas vezes que o enxergava de olhos fechados. Sentia-se quase sem forças, naquele local quente e sem qualquer ventilação. A escuridão o tornava sombrio e sufocante.

Parou na entrada, visualizando tudo ali e imaginando como seria visto aos olhos de seu bebê dali há alguns anos. O caixote com as roupas amontoadas no lado direito da porta, a bacia onde tomavam banho um pouco mais a frente, também no lado direito. A cadeira de palha acomodada solitária ao lado esquerdo e depois somente a cama onde o primeiro filho fora concebido, o seu pequeno Tiago que iria nascer… Ou não, na verdade era outro bebê que nasceria, ela havia matado Tiago… ela havia o dado para outra mulher…

Aproximou-se da cama e em partes sentou-se e em partes caiu. Já estava delirante e coberta com um líquido pegajoso. Já não sabia se aquilo era suor, resultante do forte calor que oprimia a casa ou se já era a bolsa que estourara. Gemia em voz alta mas sabia que estava por si própria, ninguém a socorreria, não havia ninguém perto. O marido sequer sabia de sua gravidez, depois do dia do reencontro ele desaparecera, a deixando sem saber qualquer notícia.

Precisava de panos, precisava que alguém lhe trouxesse água… a tesoura. Seu delírio aumentava cada vez mais, mas uma parte de sua mente recusava-se a ser desligada. Sabia que precisava manter-se viva, tirar aquele bebê de dentro de seu corpo vivo. Desceu da cama e foi agachada no assoalho de madeira, arrastando-se e deixando atrás de si um rastro do líquido que escorria entre suas pernas. Mesmo que existisse naquele momento alguma luminosidade ela não conseguiria abrir os olhos a fim de observar se era sangue ou outra substância.

Esticou as mãos cegamente, agora sequer sabendo onde encontrava-se dentro do quarto. Seu estado deteriorara-se rapidamente. Em questão de minutos. Se alguém observasse aquilo naquele momento veria apenas um massacre, uma cena horrenda. Finalmente seus dedos fecharam-se em torno de alguns panos amarrotados presentes em cima da cadeira de palha, dos quais ela estava convencida de precisar para embrulhar seu bebê dali alguns minutos.  Os minutos pareceram horas enquanto ela voltava até a cama. Tirou forças de um lugar onde não mais as encontrava e alçou-se para cima do móvel. Ao deitar-se, com a barriga para cima, sentiu um incômodo distante em suas costas. Se estivesse lúcida e esticasse a mão para ver o que era, perceberia que era furada impiedosamente pela tesoura enferrujada e que o sangue jorrava tanto de suas costas quanto do meio de suas pernas. De repente, mesmo sem forças e já anestesiada pela fraqueza, sentiu uma dor maior que qualquer coisa já sentida lhe rasgar as entranhas. Seu nome era rosa, em homenagem a linda flor, segundo sua mãe, mas naquele momento não possuía nada de belo e delicado como a flor da qual carregava o nome. Parecia a visão de uma criatura já sem vida. Gritou, não sabia se em voz alta ou em pensamento, só sabia que de alguma forma sua dor precisava ser externada. Fez força e raspou com as unhas a madeira da cama. Naquela hora tudo sangrava ali. Suas costas, seu ventre, seus dedos e seu coração. Sangrava sua vida, esvaindo-se quase em definitivo.

Não agüentou permanecer deitada. Por um pequeno momento de lucidez sentou-se, abrindo bem as pernas e abaixando a cabeça, até quase tocar a barriga. A tesoura desprendeu-se então de seu corpo, caindo com um ruído alto na cama.

Lá fora parecia refletir toda a tempestade que acontecia ali dentro. O vento balançava as frágeis paredes e a chuva açoitava o telhado, entrando por goteiras espalhadas no ambiente. Tudo estava em fúria. O tempo, a vida, o bebê que encontrava-se dentro dela. Tudo estava com pressa, e ela só queria dormir, dormir… Trancando os dentes e dando unhadas em sua própria pele para que aquilo lhe ajudasse a permanecer acordada até o fim do parto, empurrou e um pequeno corpinho caiu entre suas pernas. Nenhum choro resultou dali e ela percebeu apática que seu filho havia nascido morto… Mais um menino perdido, foi o único pensamento que veio a sua mente. Deixou-se cair novamente para trás e seus olhos arregalaram-se, mirando o teto puído.

Em um último instante sentiu um solavanco dentro de sua barriga, como se alguém estivesse bravo, com mais pressa, querendo sair. E então sentiu que algo escorregava por entre suas pernas… Mais um… outro bebê! Seu coração disparou. Jamais imaginara que teria gêmeos. E agora seria mais uma perda para si, para Júlio… Júlio… Seria ele que a encontraria, cercada de sangue e dos cadáveres mortos das suas crianças? Quantos anos ele demoraria? Cinco, dez? Seria questão de meses? Dias? Percebeu então que aquela criança não estava morta. Dela saía um choro forte, vigoroso, um sopro de vida. Uma criança sentindo-se zangada, irritada e desesperada. Precisava de sua mãe. Precisava de comida. Mas Rosa não poderia fazer nada disso… estava morrendo… Sentia isso. Sentindo todo seu corpo estremecer, conseguiu ter seu último pensamento quase coerente: “Meu filho… Tiago… Emília… Talvez essa criança nasceu viva para morrer logo em seguida. Ou talvez Tiago conte a mãe que me viu e Emília possa… Talvez… Talvez…”

Entre o talvez e a dúvida uma última rajada abateu-se sobre o abrigo, levando as almas juntamente com o vento e levando também o grito forte de uma pequenina menina a meia noite de natal…

…………………………………………………………………

Notas:

[1] Conto inspirado na música Uma voz ao vento de Leila Pinheiro

 

Uma Voz No Vento

Leila Pinheiro

Uma voz no vento

Chama azul do dia

Doce perfume, canção

Uma voz no tempo

Resiste na noite

E as lágrimas fogem de ti

Uma voz no vento

Uma voz me chama

Brisa de amor, doce coração

Uma voz no tempo

Carinho na alma

E as lágrimas fogem de ti

Se quem chegou, partiu

Se quem virá, já foi

Só pra quem fica os dias são todos iguais

Mil sonhos pra enterrar

Ventos e vendavais

Corpo e alma afetam

Se os anos pesam demais no coração

E as lágrimas fogem de ti

E lágrimas fogem de mim

E um rio se forma de nós.

 

[2] Qualquer semelhança a ambientação/época em que se passa A casa das sete mulheres não é coincidência. Essa série me inspira muito e quis escrever algo passado nessa época, então me inspirei um pouco nas obras gaúchas como A casa das sete mulheres, Um Farol no pampa, bem como O tempo e o vento

41 comentários em “Almas ao Vento (Tamara Padilha)

  1. Angélica
    4 de outubro de 2014

    Gostei do conto por ter um tema que faz criticas voltadas as diferenças sociais, o estilo da escrita é simples o que facilita a leitura mas o texto é bem longo e isso o torna cansativo. Mas ainda assim o autor consegue mexer com o sentimento e faz o leitor pensar em diversas questões.Boa sorte!

  2. Eduardo Barão
    4 de outubro de 2014

    O tom didático (unido a alguns errinhos bobos) empalidece o texto, cuja dicção se adequaria melhor a um romance ou novela. Entretanto, faço questão de destacar um mérito importantíssimo: mesmo longo, não me senti cansado durante a leitura. Talvez isso se deva à boa ambientação e ao lindíssimo desenvolvimento da personagem principal (uma mulher conformada com a vida que leva, apaixonada pelo marido e completamente desgostosa diante do futuro nada vistoso que a espera).

    Parabéns. Continue escrevendo.

  3. Alana Santiago
    4 de outubro de 2014

    E mais uma coisa, parabéns pela escolha musical. Eu vi a minissérie A Casa das Sete Mulheres e essa música me emociona sempre que a escuto. 😉

  4. Alana Santiago
    4 de outubro de 2014

    Gostei por ser um conto de temática histórica, sinto falta disso nos contos e livros atuais. Me incomodou um pouco a falta de revisão, mas gostei da narrativa, o que acho que prejudicou foi colocar mais elementos do que era possível dentro do limite de tamanho. Fica a dica para você selecionar apenas um foco, um eixo, e revisar bem. Ou, então, continuar, fazendo do texto uma noveleta, rs. Mas sem deixar de lado essa boa revisada. Parabéns pela ideia!

  5. Carolina Soares
    4 de outubro de 2014

    Trama muito bem elaborada! Sem falar da ambientação realizada com maestria. Parabéns, um belo conto!

  6. williansmarc
    3 de outubro de 2014

    Bom conto. A trama é boa, cenário bem contextualizado e s descrições muito ricas, principalmente a cena do parto, que teve uma pequena revira-volta bem interessante. Como ressalva, há apenas a falta de revisão, que já foi muito explanada nos comentários anteriores.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  7. Edivana
    3 de outubro de 2014

    Bem, minhas costas estão doloridas dessa tesourada, sério mesmo, e as pontas dos meus dedos, umedecidas! Excelente conto, a narrativa e a trama me conquistaram! O banho de sangue é muito bom, porém confesso que o parágrafo final me deixou a desejar, mas também me deu margem à reflexão.

  8. Thiago Mendonça
    3 de outubro de 2014

    Muito bom! ótimas cenas finais, bem tensas!
    apenas me perdi um pouco no meio do conto com a quantidade de informação…
    suas descrições são apaixonantes, curti d+!

  9. felipeholloway2
    3 de outubro de 2014

    Eu não sou de catar figurinhas repetidas no acervo léxico dos textos, mas não teve como deixar de notar a quantidade absurdamente grande de “era” na primeira parte do conto. Só no parágrafo que se inicia com “A vida era assim…” e termina com “…enquanto crescia”, contei 11 ocorrências — é quase uma por linha!, algo que nem a temática passadista consegue desculpar.

    Antes de voltar à parte técnica, ressalto que o conto possui um bom arco dramático. Há uma progressão entremeada de analepses que flui de modo satisfatório, as personagens são bem construídas em suas motivações e o desfecho tem o impacto de uma trombada em rodovia interestadual. Só que os deslizes gramaticais e ortográficos são tantos e tão evidentes que fica até difícil manter a atenção totalmente voltada para a trama. Esses equívocos acabam passando uma impressão de displicência que prejudica, inclusive, a verossimilhança do relato.

    No entanto, ainda é um conto acima da média.

  10. Fabio D'Oliveira
    3 de outubro de 2014

    Bem, não sou muito fã de contos ambientados no passado. Se não gosto muito do nosso mundo, quem dirá do nosso passado. Presente, é só o que enxergo! Está realmente precisando de uma revisão. Sobre a história, mesmo não caindo nas minas graças, achei linda. E isso já valeu pela leitura!

  11. rsollberg
    2 de outubro de 2014

    Um conto muito bem ambientado, onde o autor consegue criar uma atmosfera quase tangível para o leitor.

    Confesso que achei um pouco longo, mas talvez esse tenha sido o preço para dar mais carga emotiva para o texto. Um final triste e arrebatador.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  12. fmoline
    30 de setembro de 2014

    O ambiente do texto ficou muito bem descrito e, uma vez com um cenário forte, foi possível desenvolver uma história bem interessante. O autor conseguiu reforçar alguns costumes antigos e os usou para explorar os personagens, o que eu achei muito bacana. A escrita em si não é a mais clara, o que não tem problema (apesar de alguns errinhos, mas são pequenos e poucos). Eu gosto bastante desses textos passando em diferentes época, principalmente quando é no Brasil, o que deixa a minha opinião meio questionável, mas , mesmo assim, ótimo texto.

    Parabéns e boa sorte.
    (Ps: gostei da música :D)

  13. Camila H.Bragança
    29 de setembro de 2014

    Prezada colega

    Vossa personagem solitária parece carregar o peso do mundo consigo. Um conto tem tudo a ver com tessitura, entrelaçamento. Vosso texto é bem construído, desencadeando progressivamente as ideias, a linguagem é compatível com o enredo e o final aprazível. Faz-se necessária as correções ortográficas apontadas e falhas quanto o conflito de informações –>> A doação do filho para Dona Cecília se deu devido aos problemas de saúde que a criança possuía e não devido a fome.

    Saudações!

  14. Felipe Moreira
    29 de setembro de 2014

    Gostei. Já tenho uma queda por textos ambientados no passado. Bem escrito, descrito, ambientado e influenciado(nesse caso mais pela narrativa). Achei ótima essa abordagem em meio a conflitos, mas que trata de uma causa pessoal, afinal, é uma causa pelo que ela passa. O mais íntimo que li até agora. O trecho do parto foi minha parte favorita, valendo a pena a leitura.

    Parabéns e boa sorte.

  15. Swylmar Ferreira
    28 de setembro de 2014

    Trama bem elaborada, história de época bem ambientada e completa, linguagem objetiva onde o autor(a) optou por narrar a obra, muitas descrições. Pensei de início que fosse parte de romance ou noveleta.
    Como leitor o texto me prendeu, apesar de longo. Apesar de não me surpreender com com a conclusão, foi interessante, afinal trata-se de texto de época. Sugiro uma revisão gramatical.
    Parabéns! Boa sorte.

    • Swylmar Ferreira
      28 de setembro de 2014

      Perdão, acho que não fui claro.
      A conclusão da obra não me surpreendeu, pois ao meu ver tinha cunho dramático este texto de época, além de necessitar de boa revisão gramatical.

  16. Lucas Almeida
    28 de setembro de 2014

    Bom, achei que o conto teve conflitos demais, e para mim um conto deve ter apenas um. Não foi ruim, de jeito nenhum, mas a historia podia ser relacionada só ao primeiro filho da protagonista, ou a dor do marido longe, ou os gêmeos, ou seja, tiraria pelo menos três contos deste. Mas é claro que esta é minha opinião pessoal, você tem talento. Parabéns.

  17. Andréa Berger
    27 de setembro de 2014

    Um bom conto, de fato. Contos históricos são dificílimos de escrever, pelo menos eu acho, afinal, tem que ter muita pesquisa, muito conhecimento da época para ser coerente. Seu conto tem uma boa narrativa, apesar dos diversos erros gramaticais já apontados pelos colegas abaixo. Mas acho que a história em si, o enredo, o desenvolvimento está no ponto, é isso aí mesmo, não precisa nem de mais, nem de menos. As pequenas falhas se resolvem com o tempo. Revisite ele daqui há alguns meses, dê uma revisada e ele vai estar “redondinho”, tenho certeza.
    Um abraço e boa sorte.

  18. José Geraldo Gouvêa
    26 de setembro de 2014

    Discordo de quem achou que esta história daria um romance (não “livro”, pelamordedeus, gente!). Não há assunto para tanto. Esticá-la seria encher linguiça. Na verdade eu já acho que há enchimento no tamanho em que está. Acredito que é uma história tocante e boa, mas que carece ainda de uma revisão para chegar no ponto. A ambientação histórica ainda é pouco convincente. Carece também de um pouco mais de pesquisa, para dar densidade. Mas no geral é um conto bom. E terá nota alta.

  19. Fabio Baptista
    26 de setembro de 2014

    ======= ANÁLISE TÉCNICA

    Possui alguns erros relevantes na parte gramatical, mas o que não gostei mesmo foi da narrativa um tanto crua, com excesso de palavras e de tom didático.
    Faltou emoção ao texto, não pela história em si, mas pela maneira como foi escrita.

    – Rio Grande do Sul, localizado na região sul
    >>> Redundância…

    – sul do Brasil nada se comemorava
    >>> sul do Brasil, nada se comemorava

    – ela tinha / O via
    >>> Cacofonia

    – moça enérgica
    >>> Enérgica passa mais a impressão (ao menos para mim) de “severo” que “cheio de energia”, como acho ter sido o propósito.

    – mas naquela época era assim / porque a guerra tem dessas coisas
    >>> Alguns desses “comentários” do narrador engessaram um pouco a leitura e deram um ar didático ao texto.

    – ele era três anos mais velho, mas naquela época era assim
    >>> ainda sobre esse trecho, o “mas” foi usado inadequadamente. Caberia numa frase que quisesse dizer algo do tipo “Hoje em dia pode parecer estranho um casamento de pessoas tão jovens, mas naquela época era assim”.

    – repetição de “naquela época”

    – Era o que ela desejava ser: mãe, esposa, cuidar de um homem e de suas coisas (…)
    >>> Ah, bons tempos!!!
    >>> (brincadeira, pessoal… :D)

    – em anos vindouros
    >>> vindouro é que ainda está por vir… não cabe ali no contexto

    – Logo no início de 1833, com alguns meses de casada ficara grávida
    >>> Essas datas agravam o tom didático já mencionado… e isso tira completamente a emoção do texto. Fica um clima de aula de “história do Brasil”. Ainda sobre esse trecho, o pretérito mais que perfeito fica legal uma vez ou outra, mas toda hora começa a cansar o leitor (abra “A Batalha do Apocalipse” em uma página qualquer e tente ler… ali está bem ilustrado o que quero dizer). A frase em destaque poderia ser substituída por algo assim: “Ficou grávida, logo no início do casamento”. Ou, talvez, uma coisa mais “rebuscada”: “Mal o lençol das núpcias teve tempo de secar ao varal e a semente do amor já germinava em seu ventre”.

    – horas com Ele
    >>> ele

    – Assim que Emília colocou o menino em uma das camas da casa de fazenda e voltou para perto da mãe aflita, perguntou a mulher
    >>> Esse negócio de “Emília / mãe / mulher” ficou confuso em muitos pontos. Aqui, por exemplo, pensei que tivesse faltado uma crase em “a mulher”. Mas depois percebi (ainda sem certeza se estou certo!) que a mulher em questão é a Emília, o que dispensa esse “a mulher” (poderia acabar a frase em “perguntou”, ficaria mais claro).

    – via o filho a dias e não a horas
    >>> há dias / horas

    – de dizer a esposa
    >>> de dizer à esposa

    – distanciamento do filho amado
    >>> Em nenhum momento essa mulher demonstrou amar o filho

    – plantações desprovidas de qualquer cor
    >>> Boa!!!

    – Guerra que fez os verões serem mais quentes de desespero e angústia e os invernos mais frios de saudade e solidão
    >>> Ótima!!!

    – e então bateram a porta
    >>> à porta

    – sem cortar a muito tempo
    >>> sem cortar há muito tempo

    – sede a muito não saciada
    >>> sede há muito não saciada

    – As coisas não haviam sido fácil naquele ano
    >>> Concordância

    – quando o já entrara noite
    >>> Esse “o” sobrou… e

    – noite a dentro
    >>> adentro

    – mais a frente
    >>> mais à frente

    – havia o dado para outra mulher
    >>> Esse “o dado” ficou estranho…

    – Lá fora parecia refletir toda a tempestade que acontecia ali dentro
    >>> Frase muito mal elaborada…

    – que veio a sua mente
    >>> que veio à sua mente

    – talvez Tiago conte a mãe
    >>> talvez Tiago conte à mãe

    ======= ANÁLISE DA TRAMA

    Olha… vou falar algo aqui que talvez soe como “casa de ferreiro, espeto de pau”, porque eu também gosto de narrar histórias longas.

    Mas essa trama de um período de tempo muito amplo cobra seu preço em um conto. Algumas pontas ficam soltas, implorando por um desenvolvimento que só poderia ter num romance.

    Por exemplo – todo o arco do primeiro filho, apesar de muito interessante, pouco teve de relevância para o desenrolar da história. Aliás… o foco maior do conto acaba ficando no parto dos gêmeos (que se arrastou demais na minha opinião).

    Emília, outra personagem muito boa, desaparece assim que adota Tiago.

    E por aí vai.

    A trama não é ruim, de modo algum. Mas infelizmente não cabe em um conto.

    Confesso que mesmo com todos esses apontamentos, cheguei a me emocionar no final.

    ======= SUGESTÕES

    – Revisar
    – Tentar tirar o tom “livro escolar” da narrativa.
    – Pegar esses elementos e desenvolvê-los adequadamente, sem limitação de palavras.

    ======= AVALIAÇÃO

    Técnica: ***
    Trama: ***
    Impacto: ***

  20. David.Mayer
    26 de setembro de 2014

    A história, se fosse um livro e não um conto, seria belíssimo (tirando a parte das mortes no final). A história careceu na narrativa.

    O texto inicia belíssimo. Estava esperando um conto poderoso, histórico. Daí as sequencias de erros atrapalharam o brilho do conto, não a história em si. Erros de concordância verbal e nominal, pontuação, formação de frases (deixando-as mais claras), os pronomes relativos, a questão dos nomes dos filhos, que foi jogado para os leitores sem um aviso prévio. Tive que repetir a leitura em muitos trechos para poder assimilá-lo melhor.

    Não condeno um conto por ser longo, mas a questão da estética e do poder de prender o leitor em sua narrativa e história. É um conjunto entre narração e história. A história estava boa, mas a narração, não.

    Acredito que essa história tem potencial, inclusive o autor/a, pois mesclou bem fatos históricos com uma história triste. O começo, bem explicado, foi a melhor parte do texto para mim. Infelizmente, o conto foi declinando em interesse e potencial.

    Enfim, imagino a quantidade de histórias que o autor/a deva possuir ainda na mente, acredito que muito boas, mas tem que estudar mais a língua portuguesa, clareza nas ideias, pronome relativo, praticar, praticar, para poder alcançar um conto justinho.

    Passo por isso também, imaginar a história na mente, mas como traspô-la para o papel? Por isso, a pratica e aceitar as críticas de forma a melhorar o seu estilo e as técnicas é essencial.

    Espero que não me leve a mal, mas acredito muito no seu potencial criativo, agora tem que deixá-lo equivalente a narrativa, que atualmente se encontra mediana.

    Parabéns pela criatividade.

    • mariasantino1
      26 de setembro de 2014

      Hey! Vim defender o conto da colega, posso?
      Ah! Não há deslizes assim tão graves, daqueles que não são encontrados nos outros textos aqui postados. São falhas que todos comentemos, você, eu… Além do mais, ela ambientou bem, deu subsídios para se ver as cenas, amarrou o porquê da mulher querer ficar sozinha… Aff! David.Mayer, eu gostei muito do conto, por isso me meto aqui. Não fique bravo comigo, é que achei seu julgamento um pouco duro e eu sou maluca por contos com ares antigos, sei que não é fácil fazer algo assim (eu não seria tão competente)
      Boa sorte para ambos!

      • Davi Mayer
        28 de setembro de 2014

        Maria, o fato de ter apontando alguns erros e deslizes gramaticais não diminuíram tanto o meu ponto para o conto. Acontece que estamos em meio a um desafio literário e procuramos melhorar nosso ponto fraco e fortalecer ainda mais o que temos de melhor.

        Não sei você, mas quando exponho um conto aqui no certame, não procuro apenas por elogios, mas também criticas construtivas para melhorar o meu potencial e alguns erros que ainda cometo. O que, de modo substancial e gradativo, tenho conseguido.

        O que procuro proporcionar em meus comentários é SEMPRE comentar algo CONSTRUTIVO. Sinto muito se não pensa dessa forma!

      • mariasantino1
        28 de setembro de 2014

        Olá, Davi Mayer!

        Ah! Eu também sentiria muito se eu NÃO pensasse dessa forma. Não vejo nenhum desafio no sentido de COMPETIÇÃO. Para mim o desafio é somente criar um texto dentro do tema proposto. A interação é o que me faz vir até aqui e permanecer, porém, assim que acabam as postagens, acaba o certame para mim. Acredito que nenhum aspirante a escritor deve direcionar seus escritos para elogios, muito menos afligir-se com críticas fundamentadas. Peço que perdoe novamente se de alguma forma minhas palavras soaram repreensivas, mal educadas, agressiva ou mesmo incomodou a você. Como dito antes, o texto me atingiu e por isso o defendi, mas entendo que todos somos livres para falar o que queremos e, se da mesma forma que quero usufruir desse direito, devo respeitar o seu.
        Abraço!

  21. rubemcabral
    26 de setembro de 2014

    Olá.

    O conto requer uma boa revisão, em especial quanto à concordância, “a” vs “há”, pontuação. Caramba, dizer Rio Grande do Sul e depois informar que fica na região sul foi um bocado redundante, não? Outras redundâncias aparecem depois também,
    Bem, o drama pareceu-me inspirado na obra do Érico Veríssimo, mas achei tudo meio apressado em certas partes, tendo que espremer muita informação,
    Então, gostei de algumas passagens, achei a ideia promissora, mas o resultado do todo foi um tanto irregular.

  22. Thata Pereira
    25 de setembro de 2014

    Puts, muito bom! O conto é grande, não vou mentir dizendo que não me cansei nenhuma vez, mas toda a ambientação, descrição impecável me fez continuar. Não conheço a música e o que eu achei interessante foi que o conto se baseia na música, mas não conta uma história narrada pela música, ao contrário de muitos aqui. Um dos meus preferidos.

    Boa sorte!!

  23. Andre Luiz
    25 de setembro de 2014

    A ambientação é certamente impecável, traz-nos para o lado escuro da Guerra dos Farrapos, lembrando-me dos campos sulinos verdejantes e balançando ao vento, dos casebres rústicos ainda sem muito amparo e das esposas largadas em casa, sozinhas, com os maridos sabe-se lá mortos pelos conflitos. O que me pareceu mais emocionante(no meu caso, que sou muito interessando em Érico Veríssimo e a Guerra dos Farrapos) é a situação enfrentada pela personagem no momento do parto. Assim como já disse, as mulheres ficavam por vezes ao léu, sozinhas e desamparadas, da mesma forma que a personagem se encontrou: No escuro, tendo que se virar para fazer o parto, não aguentando de dor e nem podendo ao menos refletir sobre o marido que está tão longe…depois das fronteiras do Rio Grande do Sul. Parabéns pelo conto e continue assim.

  24. piscies
    25 de setembro de 2014

    O conto estava ficando bom quando acabou, rs. Tanto sofrimento pelo filho perdido, tanta preparação para ter o segundo, tantas linhas descrevendo o parto, tanta luta para botar o filho no mundo. Segurei a respiração quando li que o filho estava morto então respirei aliviado quando li que mais um filho vinha… eram gêmeos… ela nasceu… uma garota…e então o conto acabou. como assim? Quero saber o que aconteceu!

    A escrita está bastante falha; você pode melhorar bastante neste quesito. Muitas colocações pronominais erradas, concordâncias verbais também erradas, confusão no tempo da narrativa e alguns erros de semântica.

    A história era boa. Eu estava gostando!! Pena que acabou. Mas tinha que acabar né? Faltavam só 800 palavras… mas ao menos um final melhor eu esperava.

    É isso. Parabéns e boa sorte!

  25. José Leonardo
    25 de setembro de 2014

    Olá, autor(a).

    A inspiração musical criou uma bela obra. Gostei da verve nesse desenvolvimento; é perfeitamente possível que o texto, após o desafio, sirva de base para uma novela ou romance — base ou conteúdo, por exemplo. Quem sabe, parte de uma epopeia sobre a história gaúcha? Não vejo motivos para não elaborá-la; epopeias enaltecem o passado heroico do seu estado, e enaltecer o passado para firmar-se o presente e imaginar-se o futuro é muito do que falta ao Brasil, um país que querem fazer parecer ter atravessado quinhentos e tantos anos sem herói algum. Para tanto, será necessário mergulhar de vez sua trama na Revolução Farroupilha e explorar os dois lados (os muitos lados, na verdade).
    As digressões me confundiram um pouco, mas na releitura percebi que ficaram bem amarradas à trama e não há falhas temporais nelas.
    Cresci numa cidade do interior catarinense que certamente é mais “gaudéria” que muitas cidades gaúchas (uma cidade que os de Florianópolis desdenham pela grande presença de CTGs e cultura do outro estado), e por isso identifiquei o cenário e a aura dos pampas a pairar nisso tudo.
    Seu texto é bom, bom mesmo. É triplamente trágico, no mínimo, e reflete abandono e esperança (não nessa ordem).

    Entretanto, deixo alguns apontamentos:
    – Início foi demasiado didático. “Véspera de natal” já deduz o “24 de dezembro” do parágrafo seguinte.
    – Repetições e associações semelhantes: homens ricos/outros homens, “mulheres. Mulheres”, não era muito/não era pouco, pequeno Tiago/pequeno menino.
    – “Então ela dera seu filho à moça enérgica e feliz, pois não tinha de onde tirar o sustento de Tiago. Isso acontecera ainda no início da guerra”: creio que o tempo mais-que-perfeito do indicativo não cabe aqui, pois o filho foi dado uma semana antes, conforme consta no parágrafo, e não imediatamente antes. Portanto, uma sugestão: pretérito perfeito (“ela deu”/”isso aconteceu”).
    – Há conflito de informação no quarto e no quinto parágrafos (a guerra mal havia começado — ano de 1934 — e o próprio texto supõe ali que imaginava-se ser passageira): a mãe deu o filho para Cecília principalmente porque “não tinha de onde tirar o sustento de Tiago”, mas no parágrafo quinto consta sobre os pais: “É claro que não passavam fome, tirava grande parte de seu sustento do quintal da própria casa onde plantavam produtos como mandioca, verduras e até alguns pés de fruta”. Por menores que fossem as provisões, havia de onde tirar o sustento para permanecer com o filho. Alguns parágrafos depois está detalhado (esmiuçado, mesmo) o momento/a motivação da entrega do bebê (crise, problema de saúde, poucos recursos), portanto, sugiro uma pequena reformulação no quarto parágrafo.
    – “Ele” em maiúscula, no meio de uma frase, referindo-se ao menino: nesse caso, o pronome é em minúscula.
    – “quando o já entrara noite a dentro”, além do artigo estar sobrando, a expressão é redundante, assim como “Levantou-se da cadeira onde estava sentada” (neste caso, não vejo problema em suprimir “onde estava sentada” dentro do contexto).
    – “Ou não, na verdade era outro bebê que nasceria, ela havia matado Tiago… ela havia o dado para outra mulher…”: contextualizada, a frase até transparece o remorso da mãe por ter dado o filho, mas realisticamente ela o deu para que ele vivesse em condições melhores.
    São meras impressões/sugestões. É difícil alguém acertar na primeira tentativa ou na segunda… Veja esse espaço como lugar de aprimoramento. Eu estou aprendendo muito por aqui e já renunciando a várias coisas no tocante à escrita.

    Boa sorte.

  26. Gustavo Araujo
    25 de setembro de 2014

    Gostei muito. A ambientação está perfeita. Quem leu “O Tempo e o Vento” perceberá de cara a influência. O “nada para fazer”, a conformação com um destino já escrito… Isso está em “Ana Terra”, que passa o dia na lavoura e a noite enchendo lingüiça (literalmente). A Guerra dos Farrapos e a tensão pela segurança da pessoa amada, em “Um Certo Capitão Rodrigo”, quando Bibiana está a todo tempo torcendo pelo regresso do marido. E, por fim, o clima de que, a qualquer momento, tudo pode virar pó, reflete bem o contexto de “O Sobrado”, capítulo que, aliás, também influencia a relação entre os senhores e os empregados.

    O bacana foi que a autora houve por ousar. Num ambiente conhecido, contou-nos uma história pungente, que poderia, sim, ter acontecido. Não, o Rio Grande, em 1841, não era essa terra de bonança. Era a guerra, como diria o Capitão Rodrigo, e por isso faltavam alimentos e sobretudo esperança. Para mim parece bastante verossímil o fato de uma mulher preferir se isolar para dar à luz a pedir auxílio a quem já tinha lhe roubado um filho. A cena do parto, diga-se, foi muito bem executada. É repleta de angústia e de esperança, um misto de sentimentos como deve ser (isso eu só posso supor).

    Ou seja, o conto é excelente sob o aspecto do enredo, da trama. Se eu fosse o Fábio Baptista, daria ao conto quatro estrelinhas nesse quesito.

    Nem tudo é perfeito, diga-se. Há muitos erros de concordância. Há outros de ortografia. É necessário que se revise o texto para que tudo fique mais redondinho. Outra coisa que me incomodou, principalmente no início, foram as explicações desnecessárias, tipo: “Rio Grande do Sul, no sul do Brasil”, ou “Guerra dos Farrapos, também conhecida como Revolução Farroupilha”. Isso é totalmente dispensável, até porque quebra o ritmo da narrativa. Sugiro à autora eliminar esse didatismo. O conto é para uma audiência sedenta por uma boa história, e não para alunos de segundo grau, né?

    De todo modo, como eu disse antes, o resultado é extremamente positivo. Há emoção de sobra. É esse o caminho, pelo menos para mim.

  27. Claudia Roberta Angst
    23 de setembro de 2014

    Já sabe que vou reclamar de dois pontos: narrativa muito longa e criancinha não poupada. A caracterização foi bem sucedida, embora eu ache que a cena do parto manteria tensão, mesmo se a enxugasse um pouco. O choro da “pequenina menina a meia noite de natal” foi cruel, mas certeiro. Boa sorte!

  28. Anorkinda Neide
    23 de setembro de 2014

    Olha, serei do contra…
    Eu não gostei não… eu acho que vc está começando a vida de escritor(a), vc vai ouvir muitos… nao gostei nao… pela frente.. rsrsrs
    Mas é que achei, além de muito grande e cansativa a narrativa, achei tb muitos fatos incoerentes, eu diria… não me convenceram, sabe…
    A ambientação está boa, mas os fatos não… em lugarejos assim afastados, a moça jamais ficaria assim tão sozinha, como no primeiro parto ela tinha uma parteira e no segundo não? a fome, a miséria, são mais acontecimentos do sertao brasileiro, no sul há fartura da terra… ao menos os frutos ela teria, fazendo alguns serviços nas casas de familia, ela ganharia alimentos, ainda mais no estado grávido em q se encontrava, alguma familia inclusive a acolheria.. sei que estavam em guerra, um motivo maior para que as familias se ajudassem umas as outras.
    Toda aquela cena forte do parto no escuro, apenas chocou mas não precisava disso, para que um conto narrando as dificuldades de uma mãe sozinha com o marido na guerra, ficasse forte e bonito.
    Mas vc tem jeito com as palavras, falta apenas amadurecer as histórias, leia bastante, pesquise bastante… e escreva bastante, é isso aí.

    Abração

    ahhh lembrei, vc usou a palavra ‘vindouros’ fora do contexto, já q esta palavra remete ao futuro e vc queria falar do passado.

    • Letícia Veríssimo
      23 de setembro de 2014

      Olá, Anorkinda Neide. Com certeza, é sempre bom receber críticas, para que possamos aprimorar cada vez mais o que escrevemos. No entanto, preciso fazer apenas algumas ressalvas aqui sobre o que você achou um tanto incoerente… Em primeiro lugar é preciso focar no fato de que estavam em meio a guerra, já durando a seis anos, o que vai tirando as forças mesmo dos lugares ricos. Ela não estava totalmente sozinha, as casas ficavam afastadas umas das outras, onde ela vivia, e as pessoas estavam lá, festejando a chegada do natal em suas casas, mas a escolha de estar sozinha e de não receber ajuda foi da própria personagem, por medo de que lhe tirassem o bebê para que alguém com mais condição o criasse. Isso pode ser comprovado no trecho em que ela diz que foi a casa de dona Emília e a senhora ofereceu ajuda e ela disse que ficaria na casa de uma tia. Talvez quando recusou essa ajuda ela não tinha noção do quanto seria difícil um parto…
      Outra coisa é o fato de você dizer que o sul tem fartura… sou do sul, e a situação não é bem assim. Claro que somos mais ricos do que o nordeste, por exemplo, mas isso não quer dizer que as pessoas pobres não passem fome as vezes, e esse poderia muito bem ser um dos casos, principalmente que eles estavam em guerras, e com pesquisas sobre farrapos em obras que falem dessa guerra e até mesmo pela lógica é perceptível que uma grande maioria dos homens foram para a guerra. Nem sempre tinha quem replantasse as coisas e tudo o mais. Em fim, isso não é para contestar seu comentário, é apenas para esclarecimentos. E é claro que quando você lê um conto ou livro ou qualquer coisa, se espera que você use um pouquinho a imaginação para encaixar os fatos. Um grande abraço.

  29. Gabriela Correa
    22 de setembro de 2014

    Um conto bonito e original: a ambientação histórica revela cultura, ousadia e talento.Esse tom intimista misturado à narrativa bélica resultou em algo realmente tocante… Acho que histórias de guerra me emocionam de maneira impar, algo que aqui você fez com sucesso. A propósito, lindo final. Parabéns e boa sorte!

  30. Lucimar Simon
    20 de setembro de 2014

    Um bom conto. Só uma ressalva. Muito longo, cansei na leitura também, mas isso não prejudicou a estrutura e a sequencia da narrativa. Um conto baseado em fatos e obras históricas é mesmo algo sensacional e este em particular ficou muito bom. As ações se desenvolveram de uma maneira fluida, bem interessante. Percebi uma diversidade temática. Uma abordagem múltipla. Todas as passagens impactaram e concordo com alguns comentário sobre a estrutura dos parágrafos que estão muito grandes. Parabéns, boa sorte.

    • Letícia Veríssimo
      20 de setembro de 2014

      Olá. É, você tem razão no quesito grande, mas para o tipo de cena que fiz, qualquer coisa menos longa ficaria atropelado. Quanto aos parágrafos e as frases compridas que os colegas comentaram, vou tentar dar uma revisada nele aqui nos meus arquivos, para melhorar em uma próxima…

  31. JC Lemos
    20 de setembro de 2014

    Olá, tudo bem?

    A história do conto é legal, principalmente o final. Gostei da reviravolta que teve, pois achei que no fim aconteceria algo normal, tipo ela ter o filho e o marido voltar pra casa. Me surpreendeu e isso é bom.
    Entretanto, as longas frases e a falta de vírgulas atrapalharam um pouco. Creio que se isso for acertado o conto ficará muito bom

    Parabéns e boa sorte!

  32. Pétrya Bischoff
    20 de setembro de 2014

    Sentimos, como o autor alertou, as referências desses contos gaudérios, o que não foi de todo mal.
    A construção da narrativa foi boa e prendeu minha atenção, por pouco não se torna longo demais.
    As descrições remetem boas imagens mentais e criam uma boa ambientação.
    E eu adooooro criancinhas mortas hahahah’
    Ótimo conto para essa Semana Farroupilha, boa sorte.

  33. mariasantino1
    20 de setembro de 2014

    Bom dia!

    Li pouco do Veríssimo pai (Só Incidente em Antares, Clarissa e alguns contos).
    Gostei de imaginar o lugar, gostei da ambientação, da cena final do parto e da personagem central. Me incomodou o excesso do mais-que-perfeito composto (prefiro o simples, acho que dava para mesclar aqui). Fiquei imaginando os personagens que você criou em um espaço maior como uma noveleta, pois achei a trama boa para um curto espaço como um conto.
    Pobre bebê…
    Parabéns e boa sorte!

  34. Rogério Moraes Sikora
    20 de setembro de 2014

    Muito bom. Um conto histórico aos moldes de “a casa das sete mulheres” (como o autor confessa ter servido de inspiração). Um texto forte, denso, carregado de sensações intimistas, que conseguem transmitir a forte carga emocional vivida pelos personagens. Não é à toa que o pseudônimo do autor é “Veríssimo”. Parabéns!

  35. Brian Oliveira Lancaster
    19 de setembro de 2014

    Tenso! Um conto histórico, difícil de ser encontrado por aí. O estilo tristeza bélica causa uma sensação muito estranha, mas atingiu o ponto. As passagens intimistas causam um impacto bastante expressivo. Apenas quebraria alguns parágrafos maiores em dois, para melhor entendimento. O final em aberto tem seu charme, mas senti que faltou algo depois de tanta catarse negativa. Uma poesia reversa (isso é um elogio).

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Publicado às 19 de setembro de 2014 por em Música e marcado .