EntreContos

Detox Literário.

E ainda estou confuso (Anorkinda Neide)

borboleta

Deslizava pelo ar, sentindo as cores das flores, o perfume dos néctares, em dueto com o vento… Pousava, sorvendo, de leve, o líquido, breve movimento… Tornava a voar, talvez feliz? Não sei expressar… Apenas sinto que sou natureza a pulsar…

– Acorda, meu! Poxa! Vai nos atrasar, preguiçoso!

Abri os olhos, ainda sem ver… Infelizmente, lembrei onde estava, mas vagamente, eu acordava…

Ainda com a sensação deliciosa de ser uma cor voejante, uma borboleta sem pensamentos em fluxo constante…

Ah… inveja dela!

– Que horas são?

– Vou te dar cinco minutos pra gente sair! E é isso!

Tateei minhas roupas, cambaleei até o banheiro… Rafael saía de lá, cheirando à loção pós-barba, completamente pronto para sair.

– Tá todo grogue, de novo! Sonhando com borboletas, Fred?

– Fred, o escambau! É Frederico! E não sonho com borboleta, eu sou uma!

Nem meu pensamento coordenava bem a fala, quanto mais as mãos com a pasta de dentes e a escova… Que tarefa engenhosa era essa!

Mal consegui passar um gel nos cabelos e a porta da rua já estava aberta:

– Venha, Fred!

– Um café, um cafezinho só…

– A gente pega um no bar e vai tomando pelo caminho. Não sei como conseguiu dormir, eu passei cochilando a noite toda. Muito excitado com esta starup de hoje!

Descendo as escadas do prédio, eu só pensava num café pra organizar o mundo e sair de dentro do sonho…

– Não acordou ainda, Fred? – O porteiro se divertia sempre que me via cambaleando ao lado de Rafael, às pressas para algum evento excitantíssimo, para o Rafael.

– Fred é o escambau!

Após tomar um expresso bem forte, no bar que ficava ao lado do prédio, finalmente, senti-me acordar. Olhei para o céu e lá estavam eles, novamente… Formações bem definidas, embora parecessem nuvens e movimentavam-se de forma concêntrica, como sempre…

– Ei, você! Está vendo aquilo ali, no céu? – Perguntei a um homem que saía do bar sem pressa alguma.

– É, vejo… Devem ser estas tais naves espaciais, disco voador, OVNIs, essas coisas…

– Viu, viu? Cutuquei Rafael, não sou só eu que vejo essas porra quase todo dia!

Rafael nem se importa de olhar pra cima…

– Vamos logo, Frederico! Olha a hora!

Ele me puxa pelo braço para atravessar a rua, porque abriu uma brecha entre o movimento tresloucado da manhã e o outro lado da calçada. Andamos três quarteirões até a escola que sedia o evento de informática sensacional, para Rafael…

Depois de uma palestra sobre empreendedorismo e informática, passamos o resto do dia separados, Rafael e eu. Cada um em um grupo diferente, sempre criavam-se grupos neste tipo de evento, com pessoas totalmente desconhecidas umas das outras.

Trabalhei em um projeto relâmpago com meus novos colegas e no dia seguinte o apresentamos ao outros. Rafael, novamente dormiu muito pouco, na expectativa da apresentação no segundo dia da starup…

Resumo: Mais uma vez, o grupo de Rafael não conseguiu se destacar dentre os demais, causando-lhe profunda decepção, desânimo e sofrimento. E, mais uma vez, eu estava a postos para consolá-lo. Era a única intenção minha ao acompanhá-lo em todos os eventos.

O resto da semana tornou-se difícil para Rafael. Choramingando e se lamentando todo o tempo, com crises de choro em algumas horas específicas do dia. E eu, me dividindo entre servir de psicólogo, incentivador e dar conta de meu trabalho.

Eu estava satisfeito com o que fazia como diagramador e revisor free-lancer. Conseguia grana suficiente para duas ou três cadeiras por semestre da Faculdade de Letras e tinha tempo para Rafael, mas ele sempre me criticava:

– Vai demorar vinte anos para se formar!

– Deixe… devagar eu chego lá!

– A passos de lagarta…

– Isso! Um dia eu voo como borboleta que sou!

Hoje, nenhuma conversa fluía. Rafael tinha, novamente, depositado muita esperança em ser chamado para trabalhar em uma grande corporação de informática. Mas ele não conseguia se destacar e só os melhores ganhavam oportunidades. Este universo competitivo não era pra ele e eu não conseguia convencê-lo disto…

O que Rafael não sabia era dos e-mails que eu recebia e apagava sem responder, oferecendo a mim as oportunidades que ele tanto desejava. Meus anseios estavam longe deste tipo de oferta… Eu queria e tinha uma vida livre e leve, só faltava trazer Rafael para este voo.

Deixei Rafael entregue as suas lamúrias, por um tempo e me dediquei aos textos por algumas poucas horas. Passando pela sala, ao entardecer, Rafael disse que ia tomar um banho para relaxar. Esperei uns minutos e ouço o que já esperava:

– Frederico, você não vem?

Eu sempre ia…

À hora de dormir, Rafael teve mais uma crise de choro… Aconchegado a meu peito, ele foi serenando com minhas palavras e afagos de consolo. Percebi que sua respiração tornara-se profunda, pensei que ele já dormia e disse baixinho:

– Ah… Rafael! Queria tanto que você entendesse o que é melhor para você… que encontrasse o que realmente te faria feliz! Quem sabe você é um artista e não sabe… um ator ou um…

Rafael levantou a cabeça, olhou-me nos olhos e com seu sorriso mais desarmado, disse:

– Uma borboleta! Você sabe, benzinho… No fundo, eu quero o mesmo que você.

Personagens inspirados nas músicas:

O conto do sábio chinês – Raul Seixas

E

Quase sem querer – Legião Urbana

47 comentários em “E ainda estou confuso (Anorkinda Neide)

  1. Carolina Soares
    4 de outubro de 2014

    Gostei dos diálogos rápidos e achei o texto bem fácil de ler. Um tema que realmente deve ser abordado, você poderia ter tomado um pouco mais de tempo para desenvovê-lo. Boa sorte!

  2. Lucas Almeida
    4 de outubro de 2014

    Dois homens juntos, acho isso tão legal de ser abordado. Porém, podia ser melhor trabalhado, criar mais envolvimento, sentimento. Mas Parabéns e boa sorte 🙂

  3. Alana Santiago
    4 de outubro de 2014

    Gostei muito! Uma boa mistura de Legião com Raul. Por um momento quase pensei que o mote do conto seria a questão dele não saber o que era na realidade, mas pelo contrário, ele tinha bem certeza do que era, ou do que queria ser. É um conto leve e bom de se ler, e deve haver espaço para esse tipo de conto, é uma pena que muitos não deem valor à “narrativa onde pouca coisa acontece”. Será que não acontece mesmo? Parabéns!

  4. Andre Luiz
    3 de outubro de 2014

    A questão do homossexualismo PRECISA ser debatida. Quem sabe não saia da literatura uma revolução no pensamento do povo brasileiro? Utopias à parte, concentrei-me em avaliar a trama e o enredo, de forma de, ao finalizar a obra, eu estava sem fôlego, tamanha precisão dos fatos que é descrita pelo autor. Concordo que o tema poderia ter sido mais explorado, contudo, acredito que a opção de “Rico Rico” foi mais do que cabível; pois, pode não parecer, mas o cenário literário do Brasil ainda está muito cru para absorver textos e obras que tratem de homossexualismo e outros temas polêmicos de forma aberta. Precisa-se amadurecer esta situação, e acredito piamente que o texto é uma porta de entrada para a resolução desta ferida na mente dos brasileiros.

  5. tamarapadilha
    3 de outubro de 2014

    Excesso de reticências! Poderia ter dado uma diminuída nisso, eu adoro usá-las, mas você usou reticências em quase todos os diálogos. Não percebi no início que eles eram gays, só no finalzinho. Achei digamos que… razoável, não teve muita profundidade.

  6. Eduardo Barão
    3 de outubro de 2014

    O universo literário é realmente engraçado, inusitado e – lamentavelmente – cruel. Todos nós temos preferências, preconceitos e monstrinhos enraizados que nos impedem de apreciar todo o potencial de uma obra. E a literatura não é uma ciência exata justamente por sermos tão suscetíveis às divergências: o que se destaca como defeito para mim pode configurar como defeito a outro. Não existe um 2 + 2, uma receita pronta para a elaboração de um bom conto.

    No entanto, vejo que muitos aqui criticam a ausência de reviravoltas quando a trama é simples, a falta de rebuscamento quando a escrita não possui muitos adornos… Como se toda estrutura descomplicada fosse necessariamente insossa. E eu não consigo compactuar com esse tipo de pensamento.

    Achei o conto uma graça. Meio ingênuo em algumas partes e com alguns errinhos de pontuação (sobretudo no uso da vírgula); mas a narrativa fluiu deliciosamente bem e o final não me decepcionou. É evidente que o(a) autor(a) se mostra mais confortável na área da poesia, mas é sempre válido aventurar-se na prosa de vez em quando. Parabéns.

    E só mais um adendo: achei de extremo mau gosto o comentário do colega que insinuou que uma relação homoafetiva não pode ser retratada no mesmo prisma de uma heterossexual.

    • Eduardo Barão
      3 de outubro de 2014

      pode configurar como qualidade*

      Eu e a redundância. Tsc.

  7. felipeholloway2
    3 de outubro de 2014

    Achei bem ruinzinho. Os personagens são quase planos, a trama não explora a contento o mote da disparidade entre as visões de mundo dos amantes, e mesmo a revelação final sobre haver algo de falso no pragmatismo de Rafael soa inócua. Me passou uma impressãozinha de displicência. Não consegui me envolver ou importar com nenhum dos protagonistas. Sem falar na aparente incapacidade do narrador para pensar em pronomes para se referir a Rafael, cujo nome é repetido quase a cada duas linhas.

    Se há um mérito neste conto, é o de, como disseram, não fazer da relação homoafetiva seu centro de força. Mas não foi suficiente, parece-me.

  8. Edivana
    3 de outubro de 2014

    Gostei muito da história, leve, simpática, sem grandes emoções mas isso nem achei necessário, é um conto flutuante, e igual de belo às borboletas.

  9. Fabio D'Oliveira
    3 de outubro de 2014

    O início é fenomenal. Queria o conto continuasse a partir dali, contando a história da borboleta de forma poética. Mas as coisas simplesmente não acontecem da forma que queremos! Haha! Enfim, gostei do texto, bem escrito e historia interessante. Parabéns!

  10. Thiago Mendonça
    1 de outubro de 2014

    Gostei da trama e da forma como você tratou um tema tão simples e banal, deixando o conto bastante leve e gostoso de se ler. O problema, a meu ver, é que você não deu profundidade suficiente à narrativa e aos personagens. Não vi nada aí que me fizesse criar empatia pelos personagens a ponto de torcer pra eles de verdade.

    Boa sorte e parabéns!

  11. pisciez
    1 de outubro de 2014

    O conto é bom. Ele tem tudo: uma introdução que cativa o leitor, personagens interessantes e bem descritos e um bom final. Só fiquei com a sensação de que tudo isso foi jogado de forma muito corrida. O texto precisa de mais desenvolvimento. Se com o pouco que foi escrito eu já consegui simpatizar bastante tanto com Rafael quanto com Fred (que ele não me ouça), imagina o que um pouco de desenvolvimento a mais não faria, além de tirar esta sensação “apressada” que ficou no texto.

    Também fiquei um pouco incomodado com a quantidade de reticências. Não as que você usa para separar as cenas, e sim as que fazem parte do texto mesmo. Mas isto pode ser apenas opinião pessoal.

    As rimas no início ficaram muito boas! Esperava vê-las pelo resto do texto, mas isso não aconteceu. Se acontecesse seria melhor, eu acho, apesar de mudar a forma do texto para uma prosa poética. Foram uma sacada bem bacana.

    Enfim, um bom texto que merece um pouco mais de atenção. Parabéns!

  12. Fil Felix
    1 de outubro de 2014

    #O QUE GOSTEI: estou meio dividido sobre seu conto. Gostei da temática homo, sem muitos rodeios. Gostei de como levou o relacionamento e tratou sobre o cotidiano, sobre os desejos VS realidade… O conto da borboleta e sonho, de quem é quem, é muito interessante e sou apaixonado (inclusive já escrevi um conto sobre), e criei certa expectativa nesse ponto.

    #O QUE NÃO GOSTEI: há rima no começo, o que me levou a pensar que ela seria constante, porém não foi, então essa primeira parte ficou meio jogada. A analogia da borboleta ficou boa, mas poderia ter sido melhor, principalmente em relação à liberdade e ao sonho. Pelo conto ser curto, não há muito desenvolvimento e, como já comentaram, não chega à lugar algum (por mais que tenha a mensagem no final), ficou tudo muito rápido.

    #O QUE MUDARIA: daria maior profundidade aos personagens e situações. Por mais que tenha seus pontos negativos, o casal é muito simpático e acho que você deveria dar mais uma chance à eles ^^.

  13. Wesley Buleriano
    29 de setembro de 2014

    Um texto simples, fluido, mas de muitas sutilezas. Gostei da abordagem, da forma como a relação homoafetiva foi tratada, ou seja, com os mesmos mimimis de uma relação hétero. hahahaha. Quero dizer, foi tratada como uma relação normal. O foco aqui não foi a questão da normatividade afetiva, o principal eram outras questões mais cotidianas, a dicotomia de “ter” e “ser”. Muito positivo por esse viés.

    Achei que pecou um pouco pelo excesso de reticências durante o conto. O que me pareceu é que eles não eram significativos, em muitos casos cumpriam mesmo o papel de ponto final. Me corrija se eu estiver errado. Em todo caso, boa sorte.

    • Rico rico
      29 de setembro de 2014

      Olá! Obrigada pela leitura.
      Repensei as reticências.. e tens razão em alguns casos. Mas, porém, contudo, será que as reticências não ajudaram a dar o tom fluido e leve ao conto?

      abraço

  14. Gustavo Araujo
    28 de setembro de 2014

    Um conto aparentemente simples, mas que nas entrelinhas guarda alguns questionamentos filosóficos. Achei bacana a abordagem da homossexualidade sem fazer dela o elemento principal da narrativa. Não há estereótipos, não há clichês, mas questionamentos de quem ainda procura se definir como pessoa, seja no aspecto pessoal, seja no profissional. Por outro lado, não curti muito os diálogos. Além disso, penso que um maior desenvolvimento de Fred e Rafael emprestaria mais sustança ao texto. No geral, portanto, um conto que não chega a apaixonar, mas que se revela competente naquilo que se propõe.

  15. Camila H.Bragança
    28 de setembro de 2014

    Prezado/a colega

    Atesto que as canções escolhidas são ótimas e o mote de vosso texto faz parte do cenário atual. Uma explanação mais ampla acerca da vida dos personagens caberia, mas conforme vossa resposta, a intenção foi delegar as personalidades dos cantores das melodias esse papel. Compreendido embora creia ser uma escolha nada usual. Méritos para o compasso de vossa escrita.

    SDÇ!

  16. Felipe Moreira
    25 de setembro de 2014

    Gostei da leitura. Fiquei pensando um tempo, confuso como no título do conto, mas fiquei feliz com o que li. O texto é de uma naturalidade deliciosa, sobretudo quanto a relação dos protagonistas. Eu imaginei que o texto não traria grandes eventos, mas sim grandes expectativas, como vimos na questão da “borboleta”, uma confluência dos sonhos de ambos, ainda que durasse vinte anos.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  17. Swylmar Ferreira
    24 de setembro de 2014

    Conto interessante.
    Li e reli, mas pareceu faltar alguma coisa, alguma liga.
    Creio ter entendido a trama. A linguagem usada pelo(a) autor(a) é objetiva e clara. Bem dialogado, balanceado com a narrativa e personagens.
    Boa sorte.

  18. rsollberg
    23 de setembro de 2014

    Um bom conto.

    Trata tudo com muita leveza e dá uma visão poética aos problemas do cotidiano.
    Não entendi pq o protagonista não gosta de ser chamado de Fred, acho muito melhor que Frederico, que não combina nada com uma borboleta. rs

    Penso que poderia ser mais denso, mas isso já e se meter demais no trabalho do autor.Gostei do jeito que se apresenta e, apesar do final não surpreender, legião urbana caiu muito bem no desfecho.

    Acho que Renato Russo teria gostado desse conto, não somente pela história em si, mas pela força poética.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

    • Anorkinda Neide
      23 de setembro de 2014

      Oh.. nao diga isso em relação ao Russo, senão eu choro! 🙂
      Obrigada!

  19. williansmarc
    23 de setembro de 2014

    Bom conto, escrito de forma simples e rápida, tem alguns pequenos errinhos, mas não atrapalharam a leitura. O tema homossexualidade e a relação com as musicas foram tratadas de forma bem sutil, o que me agradou e deixou o conto com um tom bem verossímil.

    Sou outro que sempre que lê o nome Frederico se lembra do Kiko. haha

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  20. Thata Pereira
    23 de setembro de 2014

    Gostei. Gostei mesmo! haha’
    Acho a letra dessa música perfeita! Adorei os personagens, a narração. As frases como “E não sonho com borboleta, eu sou uma!”, não me soaram forçadas, pois os personagens foram bem trabalhados. Isso foi o que eu mais gostei no conto: é leve.

    Boa sorte!!

  21. Davi Mayer
    21 de setembro de 2014

    Frederico me lembrou de Kiko, não sei por que na hora pensei nele… kkkkkkkkkkkk

    O conto é legal, e senti mais em evidencia o Rafael… senti uma certa carga emocional no coitado que me fez simpatizar com ele. Nada, nada, corre atrás dos seus objetivos e não consegue.

    Algumas partes achei sem sentido no decorrer da leitura, dois homens no mesmo quarto, ele sonhar em ser uma borboleta, escovar os dentes quase ao mesmo tempo com Rafael, depois caiu a ficha, e meio que fui pego na inocência ^^ kkkkkkkkkkkkkkkkkk

    Gostei do conto, agora poderia colocar alguns adjetivos, para não ficar tão repetitivo os nomes dos personagens. Tipo, meu amigo de quarto, meu companheiro, alguma coisa do tipo, que remetesse ao outro personagem do conto.

    • Rico rico
      22 de setembro de 2014

      Obrigada pela leitura, Davi!
      Que legal, eu queria mesmo, essa sensação de cair a ficha no decorrer da narrativa.. consegui com vc! eeesss rrsrsrs

      Eu reparei, em minha revisão, nas repetições dos nomes, principalmente Rafael, mas preferi deixar assim, como o conto está narrado pelo Frederico, achei que cabia deixar assim, é o jeito dele de narrar.. hehehe Ele se refere a Rafael sempre pelo nome.. é isso :p

      Valeu!

  22. José Leonardo
    21 de setembro de 2014

    Olá, autor(a).

    Seu texto é de fácil leitura (tão acessível que até me surpreendi com a rapidez), não possui muita força literária mas é direto, é um excerto da vida desses dois rapazes. Concordo com a opinião do Fabio Baptista também aqui: fico feliz que o tema do homossexualismo tenha fluído ao natural, como deve ser; sem personagens se pavoneando com exagero, sem dramas-clichês e, principalmente, sem a panfletagem do ativismo gay (aqueles que acham ser a “elite” dos homossexuais e são extremamente intolerantes com quem tem opiniões divergentes a ponto de dar chiliques e desejar o extermínio). A base musical está, digamos, a contento (eu descartaria aquela do Legião Urbana — mera opinião).

    Entretanto (e me desculpe pela expressão), achei seu conto meio “estrada do nada ao lugar nenhum”. Aquele lirismo do início é desnecessário e “trincou” minha vontade de ler.
    O homem que saiu do bar talvez estivesse bêbado, ou fosse um gozador da vida… Pois só assim se justifica aquela resposta (“OVNIs”?).
    Mas nada a meu ver foi tão contraproducente quanto a “sugestão” que o título oferece ao leitor: “E ainda estou confuso”. Depois de lido, depois de absorvido o enredo, me perguntei: “Afinal, confuso em quê?”. Pois se a confusão é quanto à sexualidade, tudo está muito explícito ao leitor, e não só pelo fato de Frederico ter sanha por ser uma borboleta. Frederico sabe muito bem o que é, Rafael também; e o porteiro já sacou tudo.
    Não quero ser o “chato”, aqui, mas seria plausível mudar o título na minha opinião (a não ser que tenha me enganado no entendimento do enredo — algo que naturalmente pode ter acontecido).

    Boa sorte.

    • Rico rico
      21 de setembro de 2014

      Olá!
      vc não captou o porquê do titulo, pq não captou a Legiao Urbana ae no conto.. rsrs no problems! Eu é que não me fiz entender dentro do conto.
      Mas a leitora Andréa Berger percebeu.. veja o q ela diz: ‘ a diferença dos dois, um querendo ser livre e ter o suficiente para aproveitar a vida (algo até meio hippie, super Raul) e o outro naquele dilema entre ser bem-sucedido e ser livre (o que já é super Legião mesmo) e mesmo com as diferenças o que eles queriam mesmo era a companhia um do outro.’
      eu escrevi ao final do conto: personagens inspirados nas músicas…

      Então é isso, a personalidade de Rafael é que é confusa e é por isso que o titulo se refere a ele: E ainda estou confuso… mas no fundo eu quero o mesmo que vc.
      ou seja, ele deseja a paz que a liberdade de espírito de Frederico, lhe dá.

      a confusão não se refere ao relacionamento homoafetivo 😉

      Obrigada pela leitura!

      ahh.. o lance dos OVNIs.. (nao se usa mais essa expressão? tem q ser UFO? nao sei.. desatualizei.. rrsrs) mas esse fato, ocorreu comigo, exatamente assim. Tinha vontade de colocar isso num conto, um dia…

      • Rico rico
        21 de setembro de 2014

        correção:
        ou seja, ele deseja a paz que a liberdade de espírito de Frederico, possui.

      • José Leonardo
        21 de setembro de 2014

        Olá. Compreendi esse lance diferencial de “Raul-Legião” no seu conto, mas não como um dilema na vida de Frederico. De qualquer maneira, se outros captaram da forma que você propõe, tanto melhor. Além disso, repito: posso ter me enganado nesse ponto. Abraços.

  23. Angélica Vianna
    20 de setembro de 2014

    Parabéns pelo conto, ficou bem escrito e curto, o que proporcionou uma certa facilidade na leitura, o conto seguiu a ordem dos fatos e tratou da relação homoafetiva uma questão social que alguns colegas já citaram. Gostei da musica escolhida que combinou perfeitamente com o personagem. Boa sorte!

  24. Pétrya Bischoff
    20 de setembro de 2014

    Ah, O Sábio Chinês!, mais um Raul em plena metamorfose…
    Penso que teu conto está perfeitamente entrelaçado com as músicas que escolheste. Há um pouco de poesia cá e lá, e não senti falta de mais dela no texto. Apesar do dia corrido dos personagens, tudo é descrito com leveza e amor. Gostei bastante.
    Parabéns e boa sorte.

  25. fmoline
    18 de setembro de 2014

    Olá!

    Um texto de fácil leitura, o que o deixou leve, e, ao mesmo tempo, sua originalidade o deixou bem agadável. O autor soube empregar bem as frases, fazendo efeitos interessantes nas horas certas como o “eu sou uma borboleta”, e, com isso, dando valor à um dia cotidiano. Ficou bem bacana e fez jus as músicas dos mestres Renato e Raul.

    Parabéns pelo ótimo texto! Boa sorte!!!

  26. Rogério Moraes Sikora
    18 de setembro de 2014

    Gostei da abordagem natural do relacionamento homossexual, como algo corriqueiro e cotidiano, embora considere que poderia ter aprofundado esse aspecto da história. Aliás, falando em cotidiano e história, a narrativa não me pareceu muito com um conto; parece mais uma citação de passagens cotidianas dos personagens. Achei meio confusa a história. Sei lá! Mas, é um bom texto. Boa sorte!

  27. Rubem Cabral
    17 de setembro de 2014

    Olá. Eu gostei do primeiro parágrafo e pensei que o conto continuaria com a pegada poética. Contudo, o restante do enredo e seu desenvolvimento, em minha opinião, deixaram a desejar.
    Se, por um lado, a história do homem que sonha ser borboleta e acorda sem saber se ele é uma borboleta sonhando que é homem ou vice-versa é muito inspiradora e bonita, por outro, as suas personagens (Frederico & Rafael) e seus pequenos dramas foram muito anêmicos, muito pouco aprofundados. O conto é quase tão-somente um recorte da rotina de ambos, que nem sequer teve lá algo de especial, salvo o sonho recorrente.

    Como a prosa foi boa e a pegada poética idem, acho que o/a autor(a) poderia investir mais nisso, em boas e inspiradas descrições.

  28. Fabio Baptista
    15 de setembro de 2014

    ======== ANÁLISE TÉCNICA

    A princípio achei a escrita muito simples (no sentido de “sem grandes atrativos”), mas no decorrer do texto percebi que essa simplicidade casou perfeitamente com a história e tornou a leitura bastante leve e agradável.

    – o apresentamos ao outros
    >>> concordância

    – Deixei Rafael entregue as suas lamúrias, por um tempo e me dediquei
    >>> tiraria essa vírgula

    ======== ANÁLISE DA TRAMA

    A leitura é gostosa, sem dúvida.

    Contudo, não enxerguei exatamente um conto aqui, mas sim um recorte (alguns recortes, na verdade) na vida dos dois rapazes.

    Achei legal a abordagem do relacionamento homossexual, homoafetivo ou seja qual for o termo politicamente correto da vez. E mais legal ainda que não foi panfletário, forçando a barra com ativismos (que pra ser bem sincero já encheram o saco na minha opinião), mas sim apresentando sem cerimônias o casal de um modo natural, da mesma forma que apresentaria um casal hétero.

    Fiquei de certa forma surpreso com os colegas que acharam a situação dos rapazes indefinida entre o namoro e amizade. Pra mim tudo já ficou bem claro desde o primeiro “quero ser uma borboleta” kkkkkkk

    ======== SUGESTÕES

    Tentar de alguma forma ao menos esboçar uma estrutura “começo/meio/fim”, para que os eventos não ficassem tão soltos.

    ======== AVALIAÇÃO

    Técnica: ****
    Trama: ***
    Impacto: ***

  29. Brian Oliveira Lancaster
    15 de setembro de 2014

    Uma homenagem dupla. Fiquei levemente confuso. Gostei do jogo de palavras e rimas iniciais, depois consegui visualizar o cotidiano. O final teve seu impacto, mas esperava algo mais lúdico ou fantasioso – manias. Eu ia perguntar o que era starup (estrela acima?), mas vi o primeiro comentário, tudo explicado. Pontos fortes: Escrita leve e fluente.

  30. Gabriela Correa
    15 de setembro de 2014

    Um tom doce, poético, gostoso de ler. O tratamento sutil da relação homoafetiva é de uma delicadeza encantadora. Os dilemas cotidianos também foram bem retratados: gosto dessa temática do simples, do dia-a-dia virando poesia em prosa. Não vi nada extremamente original ou fora do comum no seu conto, pra ser sincera: mas, de alguma forma me trouxe uma boa sensação ao ler. E faltam autores que consigam transmitir isso. Terminei de ler com um sorriso no rosto.
    Meus parabéns e boa sorte! 🙂

  31. JC Lemos
    15 de setembro de 2014

    Olá, tudo bem?

    Um bom conto esse seu. Bem escrito, leve como uma brisa, sutil ao seu modo. Ultimamente tenho visto por aqui muitos contos usando personagens homossexuais, e acho isso legal.Serve para nos trazer a realidade que vivemos hoje em dia, mais em aberto. Sobre a relação conto-música, não sei se ficou bom. Estou no serviço e aqui o firewall impede os vídeos, mas dizendo pelo que li, teve boa qualidade.

    Não foi um dos meu melhores, mas tampouco é ruim. 🙂

    Parabéns e boa sorte!

  32. Andréa Berger
    14 de setembro de 2014

    Achei tão doce o seu conto. Gosto de sutilezas. A relação homoafetiva dos dois me pareceu clara desde as primeiras linhas; a diferença dos dois, um querendo ser livre e ter o suficiente para aproveitar a vida (algo até meio hippie, super Raul) e o outro naquele dilema entre ser bem-sucedido e ser livre (o que já é super Legião mesmo) e mesmo com as diferenças o que eles queriam mesmo era a companhia um do outro. Delicado, leve e gostosinho de se ler.
    Um abraço e boa sorte.

  33. Leandro Cefali
    14 de setembro de 2014

    “Viagens” e mais “viagens”, o conto ficou pra mim tb uma viagem, bem distante do meu gosto pessoal, mas bem escrito.

  34. Anorkinda Neide
    14 de setembro de 2014

    Olha, gostei do tom intimista e do amor expresso aí, na personalidade de Frederico, na sua dedicação a Rafael.
    Adoro esta canção do Legião e se entendi, o Rafael representa a letra da música com suas questões, de quem não se descobriu ainda…
    Muito bom, gostoso de ler 🙂

    ahh… o conto do sábio chinês é uma viagem mesmo!
    Abraço

  35. Lucimar Simon
    14 de setembro de 2014

    Um texto bem escrito, sem muitos erros gramaticais, ficou clara sim a relação homoafetiva dos personagem, se isso não for relação homoafetiva então não sei mais o que pode ser. rs. O texto trata de questões importantes, não tem todos os elementos essenciais de um conto, escapa por outros problemas, mas trás a temática, dos estudos, do trabalho, das frustrações profissionais e claro a bipolaridade que cerca as personagens. Parabéns, boa sorte.

  36. Claudia Roberta Angst
    13 de setembro de 2014

    Então, vamos analisar… A linguagem empregada está legal. Sem entraves.
    Para mim, borboleta tem e sempre terá uma conotação feminina. Claro, que todo homem tem o seu lado yin, mais esvoaçante, mas sei lá… me passou outra ideia se sem o símbolo da alquimia, metamorfose, liberdade. Ao mesmo tempo, o sujeito não quer ser chamado de Fred, só Frederico (com o Rico do Pseudônimo ) Por que? Suspeito. Mas acho que essa coisa só insinuada é bacana, embora, no final fique bem clara a situação.
    Só não me apeguei muito ao caminhar da narrativa. Gosto muito da música do Legião Urbana, mas não me identifiquei com a história toda. Problema meu, né?
    Boa sorte!

  37. mariasantino1
    13 de setembro de 2014

    Olá, Bem?

    Li esse conto duas vezes porque sou extremamente limitada no que diz respeito a algumas “modernices” das relações sociais. Não entendo muitas atitudes e algumas até me assustam, mas… vamos ao que interessa. Julgo estranho (no mínimo) um homem querer ser uma borboleta – por que não um pássaro que para crescer deve romper o ovo e tals… – Por isso as sinalizações me levam a crer que ambos tinham algo, porém, prefiro acreditar que eram amigos, embora essa borboleta… Além disso, achei tudo muito raso, não acontece muita coisa e não tem boas descrições dos personagens. Há algumas rimas que fugiram a minha compreensão (não tem nada a ver com significado, quero dizer que não vi o motivo delas estarem aí).

    Desejo muito que os colegas curtam e que vejam o que aquilo que meus gostos pessoais não me deixaram ver.

  38. José Geraldo Gouvêa
    13 de setembro de 2014

    Mais um texto que parece redemoinhar em torno de alguma história, sem chegar a contá-la. “O Conto do Sábio Chinês” poderia dar uma história mais interessante. Não entendi a citação aos discos voadores (tá meio solta) e a relação entre os protagonistas me apareceu um tanto ambígua (se eles são gays, pelo menos poderia deixar isso um pouco mais definido). Enfim, um conto de que não gostei muito.

    • Rico rico
      13 de setembro de 2014

      Obrigada pela leitura.
      Quis deixar a natureza da relação deles em definição sutil, mesmo, propositalmente.
      A presença dos discos-voadores, foi uma pequena homenagem ao Raulzito…

  39. Rico rico
    12 de setembro de 2014

    ao corrigir a palavra, estraguei ela mais ainda STARTUP.. aparece duas vezes no texto.

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Publicado às 12 de setembro de 2014 por em Música e marcado .
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