EntreContos

Detox Literário.

As velhas opiniões (Rubem Cabral)

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 A rotina – motivo de enfado sem fim para a maioria dos indivíduos ditos normais – sempre fora um alento, um porto seguro de conforto e até de prazer, para o Especialista de Sinistros Sênior da Seguradora K., Gregório dos Santos.

Nos dias úteis, ele acordava muito disposto às seis em ponto, embalado por música clássica bem suave. Engolia a seco os dois comprimidinhos para hipotireoidismo a partir do frasco sobre o criado-mudo e, ainda em jejum, corria na esteira elétrica na varanda por religiosos trinta minutos. Tomava o café a seguir, sozinho, enquanto Kátia, sua esposa, ainda ressonaria no quarto até as oito. Depois, banho de cronometrados quatrocentos e vinte segundos em temperatura “Cachinhos Dourados”, xampu anticaspa com cafeína e cetoconazol, sabonete Dove Original (tinha um estoque razoável no armário sob a pia).

***

Este conto faz parte da coletânea “Devaneios Improváveis“, Segunda Antologia EntreContos, cujo download gratuito pode ser feito AQUI.

62 comentários em “As velhas opiniões (Rubem Cabral)

  1. Carolina Soares
    4 de outubro de 2014

    Gostei da forma metódica como é descrita as atividades da personagem, que nos prende a uma leitura fácil e prazerosa. Conto genial e bem original, acho que todos temos que concordar. Parabéns e boa sorte!

  2. Lucas Almeida
    4 de outubro de 2014

    Fiquei com medo de você contar uma história igual à “novela” de Kafka quando o protagonista acordou (alias, percebi que o nome do seu é a versão brasileira de “Gregor Sansa”) e se viu como besouro, mas se salvou mostrando que ele apenas via sua personalidade, e que o mundo é assim. Gostei muito da critica, do envolvimento que você criou usando o sentido da música. Só o final ficou confuso, e passando rapidamente pelos comentários percebi que não fui o único. Parabéns, e não sei se dou boa sorte, porque até agora foi o melhor que já li, e desejar mais sorte pode ser injusto com os outros, pois se dependesse de mim já vencerias. 😀

  3. Fil Felix
    4 de outubro de 2014

    #O QUE GOSTEI: sem dúvida, um dos melhores contos nesse desafio (seja escrito ou narrado), vejo várias referências interessantes que dão um toque à mais, mas também serve como seu calcanhar de Áquiles. A construção está muito boa, destaque para a cena no escritório da Olga, pra mim a melhor (quando percebe o reflexo do Louva-Deus). A ideia do reflexo me lembrou de Alice Através do Espelho (assim como a construção da imagem ao final, BEM Alice) e também à trilogia da Bússola de Ouro, onde cada pessoa possui um animal-ego (não lembro o nome dado), além do Arquiteto da Matrix. Boas influências, diga-se de passagem, o que é sempre bom (eu mesmo pego várias).

    #O QUE NÃO GOSTEI: do teor “kafkaniano”, a história é praticamente a Metamorfose, até no nome do protagonista. Até na intenção de ir trabalhar, mesmo estando um inseto. Acho incrível o conto do Kafka, mas também tenho pavor de um dia reler (pois é nojento kk) e talvez isso me afete diretamente no conto.

    #O QUE MUDARIA: daria uma enxugada nas referências diretas e tiraria aquele parágrafo entre parênteses que descreve o protagonista, totalmente off. Outro ponto que acho importante comentar, que daria toda uma nova interpretação ao conto é o de não entregar o peixe. Há muitas explicações, que tira o fator “pensar” do leitor. Como no final, explicando sobre a formiga ou até mesmo sobre a metamorfose ambulante.

    *A escolha da pintura do Magritte caiu bem e, coincidência ou não, é um dos meus pintores prediletos (estou fazendo meu TCC em cima dele). Em seus quadros sempre tratou essa questão dos contrastes, de nem tudo ser o que aparenta ser.

  4. Alana Santiago
    4 de outubro de 2014

    Muito bom! Gostei de ser surpreendida pelo inusitado do conto, de poder ver duas figuras (Kafka + Raul) de que gosto homenageadas em uma mesma história, de forma tão competente. Parabéns! Única coisa que me incomodou foram alguns diálogos, não por estarem ruins, longe disso, mas por eles destoarem do restante do texto, de alguma forma, que não sei explicar, desculpe, rs. Enfim, novamente meus parabéns!

  5. Gustavo Garcia De Andrade
    4 de outubro de 2014

    Caramba! Kafka meets Raul Seixas!

    Olha, senhor Besouro, MUITOS parabéns. Este texto consegue muitas coisas extremamente louváveis:
    1- Tornar interessante um início de história tão banal quanto a rotina de um personagem
    2- Trazer um subtexto riquíssimo com muitas mensagens sem forçar a barra e sem tirar a sutileza
    3- Formar personagens únicos – eu, só pelo diálogo e algumas descrições, pude facilmente imaginar personalidades divergentes da esposa, do Gregório, da gerente, do chefe… tudo. E as aparições de alguns foram bem curtas!

    Críticas são: personagem reacionário demais (não senti o mínimo de empatia por ele, só quis continuar a história por conta da música e do enredo aparente; tava me lixando se ele conseguisse ou não voar no final); as coisas, no geral, pareciam acontecer de forma muito fácil… como se tudo se encaixasse simplesmente por conta da história, não porque tinham uma combinação orgânica, entende?

    É isso!

    • Júlio
      4 de outubro de 2014

      Essa Luciana Genro tá fazendo estrago em muita cabecinha por aí…

  6. felipeholloway2
    3 de outubro de 2014

    Grande Mr. Beetle. O melhor dos que li até o momento. O metodismo cotidiano refletido na escrita, que inicialmente é seca, limitando-se a elencar ações. A retomada inventiva de um mote insólito clássico. A preocupação estética. Os jogos de linguagem (“sobreinseto” foi genial). O processo alegórico. Tudo concorre para um amálgama perfeito entre Kafka e Raul, exceto… Sim, os diálogos. Algo neles destoa do brilhantismo do todo, e, aqui, o ranço formulaico não consegue coadunar com a existência formulaica. Devido a esta pequena falha, o narrador arguto parece estar acima dos personagens não apenas na onisciência, mas na fluidez da comunicação, e o conto torna-se uma tortura para quem tem o equivalente literário do TOC: faltava tão pouco pra coisa ficar simétrica, que o lugarzinho em que a assimetria se manifestou quase dá urticária.
    Parabéns pelo ótimo trabalho.

  7. Fabio D'Oliveira
    3 de outubro de 2014

    Bem, gostei e não gostei. A narrativa é charmosa e elegante. Escreve muito bem, Mr. Beetle! A história é muito boa e envolvente. Está de parabéns! Porém, acredito que por ser uma pessoa simples, gosto de coisas simples. O texto é pomposo demais para mim. Cansativo, por assim dizer. Gosto de degustar a mensagem e apreciar o belo. E isso não é possível quando o texto dá voltas e mais voltas pra falar pouco. Enfim, parabéns pelo texto. Ficou excelente.

  8. pisciez
    2 de outubro de 2014

    Que magnífico! Sublime! Tenho tanta coisa para falar deste conto que não sei se vou conseguir falar algo, rs rs rs.

    Execução impecável. Narrativa explêndida e até poética no final. Que coisa de doido. Kafka revisitado e misturado com Raul Seixas. Lindo! Gostei de como você não declara abertamente a música que o inspirou, mas ao invés disto a adiciona no corpo do texto naturalmente.

    Esse é o melhor conto do desafio pra mim. Ponto final.

  9. Gustavo Araujo
    1 de outubro de 2014

    Bom, o que dizer deste conto? Magistralmente escrito, uma verdadeira aula de como contar uma história. Toda a trama, personagens, divagações, tudo, enfim, se encaixa perfeitamente. O início, em que é descrita a rotina enfadonha de Gregório, é especialmente bom. As manias, os horários, a chatice (por que não dizer?), tudo colaborando para o identificarmos entre nossos próprios amigos.

    A transformação, antes de parecer estranha, soa até normal, algo que o leitor deseja até para dar rumo e fôlego à narrativa. Essa estranheza inicial que vai dando lugar a uma espécie de resignação é o que mais chama a atenção. Talvez todos sejamos insetos, ou qualquer outro tipo de bicho, não é?

    E o fim? Caraca, muito bom. Criou um suspense bacana, transmutado no corpo de um besouro. Obra de mestre mesmo.

    Deve haver no mundo algum concurso em homenagem a Kafka. Este conto seria forte concorrente, tenho certeza.

    Parabéns.

  10. Edivana
    1 de outubro de 2014

    Belo texto, bem descritivo, uma história que achei que não daria em nada (no sentido de inovador), mas que me surpreendeu deveras. A história, assim como a personagem, é contada morosamente, e no fim de ambos, a emoção! Isso é muito bom. Além do que, traz Raul.

  11. Eduardo Barão
    30 de setembro de 2014

    Achei muito bom, muito bem escrito e ambientado. Esperava por um final tão primoroso como o começo, mas não me decepcionei com o conteúdo do besourinho desenhado (hehe). Confesso que o excesso de descrições a princípio me causou estranheza, mas logo me acostumei e agora percebo que cada detalhe da narrativa casa magistralmente com a proposta do autor.

    Parabéns e boa sorte.

  12. williansmarc
    27 de setembro de 2014

    Bom conto. Gostei principalmente do inicio e do fim, pois achei o recheio um pouco enfadonho, mas o meu cansaço atual deve ser levado em consideração.
    Concordo que deveria ter um pouco mais de Raul Seixas na musica, apesar de a metamorfose ambulante estar viva no contexto de todo o conto.
    Também achei desnecessária a frase “a coisa não tem pau!”, a mesma ideia poderia ser passada com outras palavras que aposto que o autor(a) conseguiria achar em algum lugar de sua mente genial.
    Por fim, desconsidere tudo o que eu disse pois não sou ninguém para critica-lo.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  13. Camila H.Bragança
    27 de setembro de 2014

    Prezado/a colega

    Vim por meio deste comentário discorrer acerca das impressões causadas pelo seu texto. A princípio, não gostei nada da percepção de que Gregório era um besouro porque não condiz com a novela criada por Kafka a qual não se faz perceber a sua transformação – Kafka não diz que seu personagem tem noção do que se transformou -, essa ausência de fidelidade me incomodou, mas abandonei este julgamento por admitir que a voz criativa deve ser livre. Fico impressionada com o conhecimento ao autor Tcheco pela maioria dos colegas, mas fico muito mais impressionada com a ousadia do autor deste texto em desenhar o besouro com palavras. Nas estórias de Kafka o âmbito por onde os personagens transitam tem certa hostilidade e não raro, ocorrem transformações. Seu texto induz a esse clima, e também algo de Bukowski e Huxley.

    Saudações!

  14. Douglas Moreira
    24 de setembro de 2014

    “Como? Como?” Eu me pergunto. Como conseguiu unir tão impecável narração, tão belo enredo e uma história intrínseca com nossa sociedade? Sério. Autor (a) só tenho a te dar meus sinceros parabéns, é de uma delicadeza inefável seu conto. Que esforço sobreinseto (kkkkk) você fez para produzir tal obra? Adorei seu estilo de escrita e sua narração. parabéns novamente. Mas…. se tem um defeito que devo apontar é…. O conto acabou.

    Boa sorte. (Apesar de eu achar que você não precise)

  15. Andre Luiz
    24 de setembro de 2014

    Primeiramente, devo convencionar em meus comentários que não analisarei, por motivos pessoais, erros de gramática que, em minha concepção, podem e devem – em muitos dos casos – passar despercebidos pelo crítico quando o conto é de tal porte como “As velhas opiniões”. Enfim, a duras penas, estou lendo diversas publicações aqui no Entre Contos e tenho destacado uma tendência em assegurar a ligação direta com o tema “Música”, assim como foi solicitado. Sendo assim, na maioria dos casos, até trechos de músicas são evidenciados para salientar a temática das produções, que têm se mostrado acalentadoras para minha alma.

    Ao autor, devo meus sinceros parabéns pela apresentação do enredo sedutor e envolvente, por vezes detalhista ao extremo, realista, com apenas o intuito de equacionar ao máximo a postura e pensamento de cada um dos personagens. Entretanto, algumas coisas no decorrer na obra não se consagraram como deveriam ter feito, no caso, um certo preenchimento de adjetivos que não cabe no contexto. (Devo lembrar que um conto é algo curto e de fácil leitura, por vezes sem tanto rebuscamento.)
    Antes que me critiquem, quero destacar dois pontos que me emocionaram ao ler, sabendo que a literatura nacional moderna está caminhando para um futuro prazeroso e brilhante: O primeiro deles, o uso da metáfora durante a produção. Isto sim é uma escrita magnífica. O segundo, a inovação literária de poemas concretos engendrados no âmago da trama, algo que conquista cada vez mais meu espírito leitor por ver que ainda há textos bons circulando e sendo produzidos por brasileiros para brasileiros.
    Todavia, ainda me dói no coração ver que há mentes fechadas neste nosso cenário cultural.
    Mr. Beetle, todos os meus créditos vão para você.( Aliás, este codinome é sensacional, assim como seu texto.) Está de parabéns!

  16. Swylmar Ferreira
    23 de setembro de 2014

    Sr Beetle
    Muito bom seu conto, bem ao estilo Kafka, mais precisamente: a metamorfose.
    O conto está bem escrito e o enredo é excelente. O conjunto ficou excelente.
    Meus parabéns!

  17. tamarapadilha
    23 de setembro de 2014

    Olá. Gostei muito. Seu estilo de narrativa flui muito bem. Quando cheguei na metade do texto achei que já estava ficando cansativo, mas depois você conseguiu reequilibrar tudo de novo. Muito bacana a história de enxergarmos nos outros reflexos de suas personalidades. E a música escolhida também é ótima. Raul é sempre bem-vindo. Boa sorte. P.s Eu nunca li Cafka, então infelizmente não consegui fazer a ligação com ele.

  18. Felipe Moreira
    23 de setembro de 2014

    Levei um tempo para entrar na história, mas confiei porque o texto é muito seguro e isso provou meu ponto. A imposição da rotina pesada, milimetricamente insuportável causa o efeito preciso para a leitura nos momentos a seguir. Valeu a pena. A referência à Kafka é bem profissional, a música caiu bem no aspecto filosófico e o texto é divertido, excelente técnica e esteticamente.

    Parabéns pelo grande trabalho e boa sorte no desafio. \o

  19. Thiago Mendonça
    22 de setembro de 2014

    O que dizer além de que esse é um dos melhores contos que já li?

    Quando comecei e vi a clara alusão a Kafka, já imaginei que viria algo clichê a seguir, mas você me surpeendeu, dando uma repaginada fantástica à ideia de metamorfose e à obra-prima do Raul.

    Sua escrita é excelente, sua ideia é trabalhada de forma excelente, e a “carinha” de besouro no final do conto foi mais do que original.

    Melhor conto que li até agora no desafio!

  20. Wesley Buleriano
    22 de setembro de 2014

    Um excelente conto, sem dúvidas. Sem bastantes claras as referências à Kafka e ao Raul. Aliás, foram muito bem mescladas essas referências. Bastante articulado, coeso, atual. O texto flui de maneira equilibrada, as descrições são boas e os temas secundários são colocados de maneira precisa. A cereja do bolo, pra mim, foi o besouro. Parabéns pela criatividade e pelo ótimo conto.

  21. Angélica Vianna
    20 de setembro de 2014

    Gostei muito do seu conto, e por ter relação direta com a musica e com Kafka, achei muito interessante a maneira como foi abordado o tema da metamorfose. Boa sorte!

  22. Pétrya Bischoff
    20 de setembro de 2014

    Mas que deleite mental!
    A princípio, quando na narrativa da rotina diária do personagem, pensei que viria “Ouro de Tolo”, daí surge a tal metamorfose não no sentido figurado, mas real, Kafka! haha! Gostei da maneira que relacionasses personalidades a insetos, e, principalmente da libertação do cara ao voar. Foi visceral e poético, de maneira intrínseca.
    Parabéns e boa sorte.

  23. Thata Pereira
    19 de setembro de 2014

    Hilário!! Melhor conto até o momento. Vi que o conto era longo e comecei a ler imaginando onde levaria. Pensei que se tornaria cansativo, mas todas as minhas ideias preconceituosas caíram por terra! haha’ Original, divertido, criativo e inovador, se formos considerar a imagem criada no final. Adorei!

    Boa sorte!!

  24. Rogério Moraes Sikora
    17 de setembro de 2014

    Toca Raul! Todo mundo gosta e com seu conto não foi diferente. Ficou muito bom. A narrativa é simples, porém, muito criativa e inteligente. Em algumas passagens do texto aparece muito Kafka e pouco Raul (me parece que alguém também disse isso nos comentários). A trama é bem articula, bem costurada. Certamente vai levar muito boa avaliação. Boa sorte!

  25. José Geraldo Gouvêa
    16 de setembro de 2014

    Lembrei agora de “O Processo”, nossa como esqueci!

  26. José Geraldo Gouvêa
    16 de setembro de 2014

    Lindo texto, melhor do desafio até agora. Conseguiu citar umas cinco ou seis obras de Kafka (Metamorfose e O Castelo são apenas as duas que eu identfiquei, mas tenho certeza que se eu tivesse lido Kafka mais recentemente eu teria visto mais), além de alinhavar Raul Seixas e Lewis Carroll. O formato do último parágrafo foi uma cereja no bolo.

  27. rsollberg
    16 de setembro de 2014

    Absolutamente impressionante, soberbo.
    Na verdade, fiquei assoberbado para encontrar as palavras para comentar esse texto.

    Você passou pelo “processo” alcançou a “metamorfose”, guiada por Raul e ainda conseguiu citar uma tal de Alice! Genial.

    Comecei imaginando Gregório como Will Farrel, tal qual seu personagem em “Mais estranho que a ficção” que guarda muitas semelhanças com o comportamento metódico (e cheio de números) no inicio do texto. Quando veio a descrição, achei melhor enxergá-lo como o nosso comediante tupiniquim, Gregório Duvivier. Vai que?

    O texto é delicioso, a técnica empregada foi perfeita, tal qual um exoesqueleto negro em um inseto pintalgado.

    Esse trecho é fantástico:

    “Sua vida correria assim, iate singrando curso bem conhecido num mar que colocaria as antigas caravelas em grandes problemas, projétil; indo de encontro ao alvo, inexoravelmente, sem desvios. No entanto, quis o destino, ou algum deus num plano diferente, ou quiçá alguma criatura saída de um filme B de ficção científica, de outra dimensão e de humor por certo doentio, que as coisas não mais continuassem assim: tão “baunilhas”.”

    A ironia e as imagens são impecáveis. em certos momento me lembrou o personagem Behemoth do Bulgakov!

    O final é insólito e sublime. E para completar, ainda enxerguei um besouro no desfecho (e olha que não sou conhecedor da entomologia)

    Parabéns, Mr. Beetle!

  28. José Leonardo
    14 de setembro de 2014

    Olá, autor(a).

    Sem sombra de dúvida, um dos melhores contos do desafio até o momento. Vou tentar transmitir as constatações e impressões que tive ao ler seu texto, mas já imagino que deixarei coisas e coisas pelo caminho pois são muitas (e não pretendo me estender muito).

    Sua escrita é bem acima da média; a técnica também é. A trama me prendeu por vários motivos e li, também, como uma homenagem ao escritor tcheco. Creio que aqui não há só referências a personagens e pessoas reais: há uma fotografia da própria vida metódica de Kafka, que também trabalhou numa Seguradora (nessa época, acho que o pai opressor até agradava-se disso). Os três principais trabalhos dele são lembrados aqui. Gostei de Klamm — a autoridade inalcançável de “O Castelo” (uma delas, pois são tantas) — e a forma como você a retratou, o espanto de Gregório ao saber do chamado. O desenvolvimento foi muito bom, também; o autor sempre cuidadoso em “não deixar a peteca cair” e manter o alto nível. O detalhe concretista do final (o inseto), uma ótima sacada.

    Contudo, achei o texto descritivo demais. Claro, o sujeito era extremamente metódico e o autor quis demonstrar isso, a vida minuciosamente controlada e tranquila que subitamente desmorona (bom contraste), mas não me atraem passagens demasiado criteriosas sobre ações/objetos sem muito valor. Alguns trechos em itálico, entre travessões, bem poderiam ser suprimidos na minha opinião (“a coisa não tem pau”, por exemplo, destoou bastante e vejo desnecessário naquele contexto).
    Excetuando o colóquio entre Gregório e Klamm, os diálogos me pareceram aquém do nível elevado da narrativa. Se posso, gostaria que o autor trabalhasse melhor neste ponto em trabalhos posteriores.
    Gostaria, também, de ter detectado mais a letra da música, portanto, neste sentido (e tão somente neste sentido), seria melhor ter sentido mais Raul e menos Kafka.
    O final foi muito bom — pelo ótimo e crescente enredo, entretanto, esperava algo espetacular.

    Enfim, já me estendi. Muito do que eu pretendia comentar já consta nas avaliações dos demais colegas. Se eu tivesse 30% do talento daqueles que comentei, já estaria feliz; no seu caso, autor, bastaria 15% para eu pular de alegria. Sua obra é fora de série, é patamar superior, embora eu tenha levantado meus “poréns” nesse espaço democrático que é o EntreContos. Espero que entenda e venha a absorver aquilo que julgar necessário (obviamente, se houver algo do tipo em meu comentário).

    Boa sorte.

    • José Leonardo
      14 de setembro de 2014

      Um equívoco meu:
      Onde está escrito “seria melhor ter sentido mais Raul e menos Kafka”, leia-se “seria melhor ter CONSTATADO mais Raul e menos Kafka.

    • Mr. Beetle
      16 de setembro de 2014

      Muito obrigado pela leitura minuciosa, José Leonardo!

      Fiquei muito contente ao notar que você reconheceu pequenos detalhes até escondidos no texto. Bem, eu ainda tenho muito a aprender sobre escrever e sou um tanto inconstante e impulsivo, o que quase sempre resulta em textos com altos e baixos. Costumo ser alguém com grande imaginação, mas que sofro ao traduzir o que imaginei em um texto mais ou menos coerente.

      Quanto ao “a coisa não tem pau”, eu quis apenas registrar algum tipo de “complexo de castração”, aquele medo inerente de todos os meninos/homens, de perderem o pênis. Insetos não têm órgãos sexuais muito evidentes e imaginei que Gregório se sentiria um tanto castrado ao ver seu reflexo (ele estava nu no banheiro) e não ver “nada”. Não intencionei nada mais…

      De novo, muito agradecido pelas observações. Levarei muito feedback daqui do EntreContos para aprimorar o conto presente.

      • José Leonardo
        17 de setembro de 2014

        Olá. Todos nós temos muito a aprender na arte da escrita, mas percebo que você já trilhou um bom caminho nessa seara. Realmente, a alusão a um “complexo de castração” torna o trecho cabível naquele contexto. Abraços.
        (P.s.: já imagino quem possa ser o autor. Festividade americana, livro de Virginia Woolf — um enigma? Se achar inconveniente essas palavras, por favor delete.)

  29. Andréa Berger
    13 de setembro de 2014

    A música do Raul foi muito bem utilizada. O bom das músicas dele é que sempre dá pra inferir coisas novas, e gostei do jeito que utilizou da música para nos apresentar algo diferente. As referências à Kafka são incríveis também, apesar de eu ter lido apenas A Metamorfose, ou seja, só peguei as que se ligam com essa história. E só pra constar, ligar A Metamorfose com Metamorfose Ambulante foi fantástico. A linguagem está muito bem trabalhada, e adorei a forma do besouro no final do conto. Diferente e bem pensado.
    Um abraço e boa sorte.

    • Mr. Beetle
      16 de setembro de 2014

      Muito obrigado, Andréa! Vale a pena dar uma olhada em O Processo e em O Castelo. Infelizmente não li nada mais do autor.

      De novo, agradecido pela leitura!

  30. Brian Oliveira Lancaster
    12 de setembro de 2014

    Não dizem que “de metódico e louco todo mundo tem um pouco?”. Sempre acho interessante estes tons mais intimistas. Escrita praticamente perfeita (apenas achei algumas palavras coloquiais um pouco deslocadas do tom). A troca brusca de comportamento foi um belo pseudo-plot-twist, além das lembranças metafísicas, metalinguísticas e metafóricas de Kafka. Esse texto tem muito da essência da música, mas pouca letra. Será difícil classificar nesse desafio. Não sei foi intencional (creio que sim), mas o que a maioria enxergará como erro no final, entenderei como o formato de um inseto em letras. Acho que já sei quem escreveu.

    • Mr. Beetle
      16 de setembro de 2014

      Muito obrigado pela leitura, Brian. Bem, sim, a intenção principal foi utilizar mais da mensagem da música do que recortes literais.

      Vou rever depois sobre esta questão da linguagem, pois notei que muitos sentiram tal “deslocamento”, como algumas contas descombinantes num colar.

      O inseto desenhado com o texto foi completamente intencional. Se meus dotes artísticos e as limitações de blog permitissem, eu teria feito antenas e pernas, mas foi o que eu consegui, :D.

      De novo, agradecido!

  31. Anorkinda Neide
    12 de setembro de 2014

    Ok. na verdade não há nada para comentar. é levantar-se da cadeira e aplaudir!
    mas o desafio exige…

    Maravilhoso e profissional. Parabéns!
    Irrepreensível!
    Amei inclusive a primeira parte, perfeita em todos os pontos, detalhismo exemplar de um bom virginiano! vc é virginiano? se não, o protagonista é, certamente :p

    que as coisas não mais continuassem assim: tão “baunilhas”.

    dei uma risada nesta parte e um frisson abateu-me.. expectativa ligada! Sabia q viria coisa boa.. mas…
    quase parei de ler… detesto muito o livro Metamorfose e sempre q alguém vira inseto abandono a leitura… rsrsrs
    mas como era parte do desafio, obriguei-me a continuar… Graças a Deus!

    Perfeito! Imagino Raulzito rolando de rir dessa loucura artrópode toda!
    Abração e obrigada por esta obra-prima.
    ps: o final poético era tudo o que uma poetisa gostaria de ver! 🙂

    • mariasantino1
      12 de setembro de 2014

      Deus, Anorkinda. Acho que é a segunda vez que me meto nos seus comentários (você me perdoa?), só queria dizer que quase subo no banco e me jogo da janela. Metamorfose não é um livro onde o personagem se transforma em um inseto, é só uma metáfora usada para falar sobre as relações humanas, valores, o caos do mundo… O personagem principal só trabalha e quando há a mudança, há também a metamorfose – sobretudo nos sentimentos dos familiares – A irmã que antes o amava passa a observá-lo com asco, o pai que antes vivia paradão coçando “os côco” rapidinho vai trabalhar e ainda aluga o quarto. Enfim, a profundidade da obra é algo que minhas ralas palavras não tem como expressar. Leia “cartas ao pai” e “O Processo” (mas antes tome doses cavalares de otimismo e alegria). Kafka não possui nenhum enquadramento, e até recebe uma denominação no sentido de estranheza,se diz: “Tão Kafkiano” para denominar algo insólito (como ele). Abraço!

      • Anorkinda Neide
        12 de setembro de 2014

        rsrsrs
        eu sei de todo um estudo e aprofundamento Kafkiano que os leitores dele, fazem e se deleitam.. admiro, mas eu não fui capaz de ‘entrar’ no seu universo.
        Muitas vezes há momentos da vida em q vc não se conecta a uma leitura e noutros, sim… provavelmente eu li Metamorfose numa fase errada!
        realmente não li os outros livros dele, se puder, o farei!

        Abraço!

      • mariasantino1
        12 de setembro de 2014

        Anorkinda Neide, perdoe-me, fui invasiva demais e mal educada. Ainda bem que você tem paciência (admiro isso, de verdade). Só quis dizer que há algo a mais entre as asinhas e perninhas de Gregor Samsa. Perdão novamente. Receba meu respeito e abraço.

    • Mr. Beetle
      16 de setembro de 2014

      Muito agradecido pelos elogios exagerados, :D.

      Então, fiquei muito feliz que tenha conseguido até agradar alguém que não gostou muito de A Metamorfose.

      Às vezes um livro pede um momento certo de leitura, pode ter sido esse o caso com o livro. Já me ocorreu de ler, por exemplo, O Nome da Rosa, e achar chatíssimo, e não avançar e deixar de lado. Meses depois, após ter vencido o inicio do livro – que é um tanto difícil mesmo – devorei o restante rapidamente e adorei.

      Pessoalmente, eu enxergo A Metamorfose como uma alegoria sobre a “utilidade”. Imagine se, ao invés de transformar-se em inseto, Gregor houvesse sofrido um AVC, daqueles bem sequelantes. No momento em que ele deixa de ser o provedor e vira estorvo, o que poderia acontecer?

      Naturalmente, o que acontece com ele é muito pior, pois podemos inclusive usar a desculpa da sua própria desumanização para justificar todos os atos mais torpes. Infelizmente existem pessoas como a família de Gregor, e o livro desnuda essa parte sombria da alma humana.

      De novo, obrigado! Espero realmente que Raulzito e K. tenham ficado felizes.

  32. Davi Mayer
    12 de setembro de 2014

    O que gostei:
    O texto é uma poesia. Confesso que o início ficou muito técnico e cheios de detalhes, que sabia que seriam respondidos no decorrer da leitura. Como um bom nerd, lembrei-me de um dos inimigos do Batman, o Rei Relógio. Se procurar vai entender o que quis dizer.

    O texto é bem amarradinho, e leva o leitor para um mundo completamente diferente, e louco até, e as surpresas, e fatos emocionam no decorrer da leitura.

    O que não gostei:
    Não achei uma boa conexão com o tema proposto. Sei lá, acho que ficou faltando mais da música, enfim. Opinião minha. No mais alguns errinhos de revisão, que não atrapalham em nada a boa leitura. O problema da revisão é que o escritor lê tanto o texto que fica condicionando a ele e não encontra mais erro algum.

    O que pode ser melhorado?
    Nada. As ferramentas literárias foram muito bem desenvolvidas por você, o que deixou o texto leve de ser lido, apesar de longo.

    Parabéns.

    • Mr. Beetle
      15 de setembro de 2014

      Muito grato pela leitura, Davi. Então, quis incluir mais a mensagem embutida em “Metamorfose Ambulante” do que necessariamente trechos da música ou interpretações mais literais. Na letra do Raul temos alguém que optou – com todas as dores de sua opção – ser alguém inconstante, capaz de amar e odiar no minuto seguinte, do que viver a situação confortável de ter sempre aquela opinião formada sobre tudo. No conto eu descrevi a vida de alguém que estava completamente imerso em sua zona de conforto, que foi forçado por sua nova condição a sair de tal zona e que por fim se liberta. A canção foi mais uma inspiração, o conto não teve a intenção de ser uma transcrição ou tradução, por exemplo.

      Novamente, obrigado!

  33. fmoline
    11 de setembro de 2014

    Olá,

    Achei muito bacana tanto o jeito como você escreve como a história em si. Uma narrativa bem original e, quem diria, Raul e sua metamorfose ambulante! Genial, genial. Gostei muito dos delírios de ver todos como insetos, uma ideia bem forte e completamente criativa, apesar de um pouco assustadora, admito.

    Parbéns e Boa sorte!

  34. Fabio Baptista
    10 de setembro de 2014

    ====== ANÁLISE TÉCNICA

    Mais um texto onde a técnica do autor me impressionou.

    Se fosse Dragon Ball Z, diria que “senti um Ki muito poderoso” por aqui kkkkkk

    – Não era pró ou contra, muito antes pelo contrário
    >>> Tiraria esse “antes”

    – continuassem assim: tão “baunilhas”
    >>> Eu entendi (ou acho que entendi)… vem de vanilla sex, certo? Apesar de inteligente, não tem tanta força em português.

    – movimento automático e ofídio
    >>> ofídico

    – dava acesso àquela fenda que a coisa tinha interpretando o papel de boca
    >>> Essa frase ficou estranha

    – florescentes
    >>> fluorescentes

    – assoberbado
    >>> Ao bater o olho pensei em “soberba” (que ficaria deslocado no contexto). Fui ao dicionário e descobri que essa palavra pode significar “atarefado”. 🙂

    – propriamente
    >>> “Apropriadamente” ficaria melhor

    ====== ANÁLISE DA TRAMA

    Olha… tudo estava se encaminhando para um 10 com louvor (5 estrelas em todos os meus itens de avaliação).
    Confesso que conforme percebia o final do texto se aproximando, fui pensando comigo enquanto lia empolgado – “não estrague tudo, não estrague tudo…”.

    Seria exagero dizer que o final “estragou tudo”, é claro.

    Foi um bom final. Porém, um “bom” final para um texto “excelente”. E essa sequência excelente >>> bom… gerou uma certa decepção.

    Achei a atitude do patrão muito precipitada, dando impressão que o autor teve que “correr” com o final.

    ====== SUGESTÕES

    Trabalhar melhor o final. Provavelmente isso exigirá mais do que o limite de palavras do desafio, imagino…

    ====== AVALIAÇÃO

    Técnica: *****
    Trama: ****
    Impacto: ****

    • Mr. Beetle
      11 de setembro de 2014

      Olá, Fabio. Muito grato pela leitura e análise tão criteriosa! Em verdade eu estava meio ansioso – e até receoso – por sua leitura. 😀

      Então, concordo com boa parte do que você apontou. Permita-me só – como diria o Millôr – sell my fish just a little bit.

      “Não era pró ou contra, muito antes pelo contrário” -> isso é somente um recorte, um exemplo de frase “feita”, que tem corrido recentemente por aí (críticos à campanha da Marina, por exemplo), então não mexi, foi um copiar-colar mental.

      “baunilhas” -> Não me inspirei em vanilla sex (expressão que eu nem conhecia), mas em “plain vanilla” (ou às vezes só “vanilla”), que em inglês tem o significado de comum, padrão, e por extensão, sem graça, ordinário, não ousado. Como eu não esperava que todos fizessem tal ligação, eu introduzi o conceito no parágrafo do sorvete, ao comentar que Gregório era tão monótono e previsível que sequer se arriscava a experimentar o diferente, que ele era um “homem-baunilha”. Imaginei, portanto, que o leitor “pescaria” a referência a tal passagem e conectaria A com B (sem que conhecesse necessariamente a expressão em inglês).

      “ofídico” ou “ofídio” estariam corretos. O primeiro é só adjetivo, o segundo é substantivo e adjetivo.

      “dava acesso à fenda…” -> aqui houve apenas a intenção de soar engraçado, com uma frase embolada, apenas para descrever a boca. Eu tenho uma imaginação meio visual e a ideia de algo inanimado interpretar um papel é meio divertida (para mim).

      “fluorescentes” -> é o correto mesmo, pois tem “flúor” no radical, talvez pq tais lâmpadas usem ou tenham usado o gás. “florescente” significa “que está em flor”, o que não se encaixaria no contexto, mea culpa.

      “assoberbado” -> não é lá muito usado, mas já escutei muitas vezes, em geral de gente mais velha.

      Se não me engano, “propriamente” e “apropriadamente” são sinônimos, porém penso, como você, que o segundo soa melhor.

      Quanto ao final, sim, ficou apressado. Eu deveria ter editado mais, talvez apagar o parágrafo dos mocassins, por exemplo. Corri em função do limite de caracteres, e talvez por ter escrito o último bloco já formatando com jeitão de inseto, ideia que me surgiu depois.

      Eu quis, de qualquer forma, dar um tom meio bufão, meio maluco ao Klamm, para que ele não parecesse o Morpheus ou o chatíssimo Arquiteto de Matrix, por exemplo, rs.

      O final não tem intenção de apenas amarrar as pontas sobre “afinal, o que está acontecendo?”, mas também mostrar que a metamorfose não era tão somente física, que era de alma também. Gregório era “um bicho sem viço, fraco, etc.”, sob pressão ele se revela, se redime, tem asas lindas (escondidas sob o casco), tem pintas de leopardo (um animal mais bonito, mais agressivo). Ele ousa, voa e experimenta o diferente. Foi o que tentei passar…

      Fica uma pergunta: se Klamm plantou uma armadilha para Gregório, espalhando “mel” para que o rapaz escorregasse, então ele já sabia, já tinha certeza, pois como um humano produziria tal secreção? Ou o “mel” foi visto no reflexo, e o fluido “real” seria alguma outra coisa? Supletivo, supletivo… (feito diria Joseph Climber),rs.

      Novamente obrigado. Desculpe a resposta gigante.
      Abraços.

      • Claudia Roberta Angst
        11 de setembro de 2014

        Só agora me dei conta do quanto senti falta dos comentários! Adoro ler essas pérolas, mesmo estando deveras assoberbada (ei, ninguém viu a novela Pedra sobre Pedra? Eva Wilma repetia isso o tempo todo > novela também acrescenta palavrinhas ao seu vocabulário).
        E viva o reinado dos gramanazi ou parnasianos old fashion! ❤

      • Fabio Baptista
        11 de setembro de 2014

        Mr. Beetle!

        Pô, cara… ficar receoso com minha leitura? Quem ler isso aí até pode pensar que sou um crítico chato! kkkkk

        Sobre a baunilha, só para que eu não fique parecendo um tolo distraído… sim, notei a analogia do sorvete! 😀
        Minha observação foi mais no sentido que o leitor brasileiro provavelmente ligaria os pontos A e B com mais intensidade se fosse algo mais cotidiano, tipo “sem sal”. Mas aí também ficaria muito descarado o julgamento de valor… “baunilha” ficou mais sutil e passa bem a ideia, realmente.

        Sobre o “Vanilla Sex”, só para que eu não pareça um pedante que quer mostrar que conhece expressões descoladas em inglês (estou preocupado com minha imagem hoje! :D), explico… conheço essa expressão meio que por acaso. É o nome de uma música do NOFX (que fica melhor interpretada pelo Rancid). Ao ver a letra dessa música, acabei descobrindo o significado da expressão. Como foi citada a posição “Missionário” no conto, pensei que fosse uma referência. Acabei descobrindo na sua resposta que o “baunilha” serve pra qualquer coisa “comum”.

        Agora, sem ter como escapar da imagem de tolo distraído, confesso que não notei o detalhe do mel no final! Vou reler com mais calma no fim do desafio.

        Aproveitando, se me permite mais um “pitaco” nesse seu texto primoroso: achei que o “porra” ficou meio deslocado ali na frase da esposa. Nada contra palavrões, mas ali ficou meio gratuito. (Esqueci de anotar durante a leitura e só me lembrei disso agora, desculpe).

        Grande abraço!

        PS: Agora com licença, vou me retirar porque estou um tanto assoberbado tentando escrever algo que não faça feio na frente dos contos desses caras que não sabem brincar e ficam postando pequenas obras-primas aqui no desafio!

  35. Lucimar Simon
    9 de setembro de 2014

    Ótimo texto. Muito bem amarrado, bem elaborado, um tema bem posto e subscrito com muita coerência. Os elementos marcadores do genro está evidente, bem apresentados. E claro, Assim como no conto “Homem do Cão” a música do Raul ficou perfeita e lembrar de Kafka é sempre bom. Parabéns e boa sorte.

    • Mr. Beetle
      10 de setembro de 2014

      Muito agradecido, Lucimar. Que bom que você gostou. Somos então dois fãs do Raul e do Kafka também.

  36. Lucas Rezende
    9 de setembro de 2014

    O texto me prendeu no começo. A rotina do Gregório, seus dias extremamente metódicos.
    A música ficou perfeita no conto, a escrita está impecável. Além de o final ter ficado fantástico, você ainda desenhou um besouro!
    Parabéns.
    Boa sorte 😉

    • Mr. Beetle
      10 de setembro de 2014

      Muito agradecido, Lucas. Que bom que você gostou. Feito disse num comentário abaixo, deu um certo trabalho montar o besouro de texto (ainda que ele tenha ficado com cara de formiga, :D).

  37. Claudia Roberta Angst
    9 de setembro de 2014

    Hello, Kafka! A música de Raul Seixas casou perfeitamente com a narrativa. Além das várias referências à Metamorfose, encontrei O Castelo lá no nome do prédio. Um conto logo, mas muito bem elaborado. Sujeitinho metódico esse Gregório. Tinha mesmo que se casar com uma lacraia.
    No final, o autor nos brindou com uma prosa concreta, formando o desenho do besouro com as palavras. Os poetas concretistas também se juntariam a Kafka para aplaudir o feito.
    Parabéns e boa sorte!

    • Mr. Beetle
      10 de setembro de 2014

      Hello, Claudia. Que bom que você gostou! “Tinha mesmo que casar com uma lacraia” -> 😀

      Então, há algumas citações que remetem ao “O Castelo”: Olga, Barrabás e Klamm são personagens deste livro. De “O Processo”, usei a última frase: “Como um cão!” (e quis reverter o triste fim de K. com um “Como um anjo!”). “K.” é o protagonista de “O Castelo” e “O Processo” (embora não fique claro se são as mesmas pessoas ou apenas homônimos).

      Enfim, muito contente que o besouro de texto tenha agradado: deu um certo trabalho para fazer, pois a formatação do blog (70 caracteres por linha) é diferente da do Word.

  38. Gabriela Correa
    9 de setembro de 2014

    Excelente escolha de música, realmente dava margem a digressões… E seu sofisticado trabalho de linguagem só realçou essas possibilidades oferecidas pelo Raul. O besouro no final e o nome Gregório, inevitavelmente, me remeteram ao Gregor de Kafka. Sobretudo no tema da metamorfose. Imagino que tenha sido intencional, então te parabenizo pela referência. O processo de transição, encerrando o conto, terminou por me ganhar de vez. Bem elaborado, coerente, bem escrito.
    Só tenho a te parabenizar pelo excelente trabalho!
    Boa sorte! 🙂

    • Mr. Beetle
      10 de setembro de 2014

      Muito agradecido, Gabriela. O personagem Gregor Samsa aparece em algumas traduções de “A Metamorfose” como Gregório também.
      Novamente, obrigado!

  39. JC Lemos
    9 de setembro de 2014

    Quem diria que esse tema tão “complexo” nos agraciaria com textos tão bem escritos, logo de começo? Ainda mais com um besouro desenhado! haha

    Sei desenhar e tento escrever, mas nunca tentei desenhar com a minha escrita.

    Não tenho muito a dizer sobre o que li, pois a mim, isso pareceu um trabalho profissional, de quem sabe e pode escolher com a maior convicção possível, pra onde ir. Seu texto me ganhou já nos primeiros parágrafos, e o final fechou a conta.

    Parabéns pela ótima mescla, resultou num trabalho de ótima qualidade!

    Boa sorte!

    P.s.: Kafka, como disse a Santino, sorriria com esta obra. 😀

    • Mr. Beetle
      10 de setembro de 2014

      Muito agradecido, JC Lemos! Rapaz, o texto está longe de ser um trabalho “profissional”… Que bom que o desenho de texto agradou! Espero que o K. não revire no túmulo e realmente sorria!

  40. mariasantino1
    9 de setembro de 2014

    Que coisa não? Tu ainda desenhaste um besourinho no final, com olhinhos e e boquinha. 😯

    Ah! Eu diria que Kafka sorri com seu escrito, eu, por outro lado, vi minha pobre cabecinha explodindo como um balão cheio de água (Igual a um filme antigo Scanners) diante de tamanha “intrincação” de trama rsrs. Entendi e gostei do efeito de descrever nos mínimos detalhes do início, e também gostei do ar desenxabido, sem tesão pela vida… (quase cortei meus pulsos, pois achei que a narrativa seria neste ritmo, e na boa, ser escravo do sistema dói). Daí veio a reviravolta e ficou boa mesmo essa mescla com a obra. Ainda teve a reflexão no final.

    Putz! Me calo aqui, o certame está ficando quente viu? Parabéns, mais um ótimo conto. Abraço!

    • mariasantino1
      9 de setembro de 2014

      Ah! O Raul e a pintura foram perfeitas.

      • Mr. Beetle
        10 de setembro de 2014

        Muitíssimo obrigado, Maria. Muito contente que você tenha gostado!

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Informação

Publicado às 8 de setembro de 2014 por em Música e marcado .