EntreContos

Detox Literário.

Coração Gelado (Pedro Luna)

– Bruxas não podem se apaixonar – disse, Elyza. – Já é a milésima vez que eu falo, Dinda, e não pretendo mais bancar a bruxa compreensível. Da próxima vez que você pegar o meu livro, lhe lanço o feitiço da pele enrugada.

A jovem Dinda estremeceu e assentiu apesar de estar inconformada com aquilo. Viu a irmã mais velha fechar o livro das poções e o devolver ao topo da estante.

– Mas, Elyza…

A bruxa mais velha perdeu a paciência de vez.

– Não, não e não. Não existe no livro nenhuma poção para fazer uma pessoa se apaixonar. Já o li inteiro uma centena de vezes. Se digo que não existe, é porque não existe. Desista, Dinda. Largue essa ideia de amor e se interesse mais por seus estudos. Tanto os escolares, quanto os de bruxaria.

A jovem praguejou.

– Ora, então para que me serve ser uma bruxa, se não posso fazer as poções que eu quero?

Elyza, sempre carrancuda, deu de ombros.

– Existem outras mil poções que você pode aprender – ela respondeu, e enxotou a menina de seu quarto, fazendo gestos com as mãos. Antes de sair, Dinda virou-se para a irmã mais velha e suspirou.

– Só mais uma pergunta?

Elyza bufou impaciente, mas fez que sim com a cabeça.

– Existe alguma poção para fazer esquecer uma pessoa?

Elyza arregalou os olhos, parecendo surpresa, e pareceu pensar por uns três segundos. Por fim, fechou novamente a cara e a empurrou para fora.

– Também não existe.

E tendo a porta fechada bem em seu nariz, Dinda não ficou satisfeita com aquela resposta.

– Ora, se não posso esquecer. Eu vou fazer ele se apaixonar por mim.

E saiu batendo o pé, o quão decidida uma garota de dezesseis anos poderia ser.

 

Dinda estava no primeiro ano do ensino médio de uma escola pública, e tinha conhecido e se apaixonado por um garoto chamado Paulo, um ano mais velho. Havia o notado durante o intervalo entre aulas, quando os garotos jogavam bola e as garotas olhavam. Paixão à primeira vista. Uma amiga em comum os aproximou, e logo Dinda e Paulo estavam aos beijinhos pelos corredores da escola. Tudo o que ela queria. Tudo corria bem.

Até que…

A mesma amiga lhe disse que havia ouvido boatos. Boatos de que Paulo estava pensando em ficar com outra garota e que cortaria relações com Dinda.

Aquilo estremeceu a garota, e ela achou que já era hora de apelar para os segredos de sua família. Pertencente a uma antiga linhagem de bruxas que ainda sobrevivia em segredo nos dias de hoje, Dinda jamais aceitaria ser passada para trás por uma comum. Tinha certeza que poderia se dar muito melhor utilizando o conhecimento mágico da sua classe.

E o trunfo, ela sabia, estava no livro de poções de sua irmã.

Um dia após a última tentativa de ler o livro, Dinda decidiu que tentaria novamente. Acordou cedo e fingiu que saía para a escola. Ficou escondida na esquina, atrás de um carro, e viu Elyza sair para trabalhar. Então, voltou a casa e entrou com sua cópia da chave. Disparou para o quarto da irmã e subiu em uma cadeira para alcançar o livro na estante. Folheando ele novamente, procurou atentamente por algo, até que encontrou:

POÇÃO DO AMOR: Ingredientes: Uma xícara de água, casca de maçã picada, 2 perninhas de sapo, extrato de comigo ninguém pode (para deixar intocável o sentimento), coração de um gato preto e raspas das unhas do casal. Ferver e deixar esfriando por trinta minutos.

Dinda ficou radiante. Sabia que Elyza estava mentindo. A irmã era muito fria, muito carrancuda. Talvez por causa da morte prematura da mãe, e das responsabilidades que ela viu caírem sobre si. Elyza não era do tipo que se deixava tocar por uma história de amor.

Mas o que importava era que havia encontrado. Só ficou um pouco preocupada com as raspas de unha. Todo o resto ela podia encontrar no laboratório da irmã, que ficava no porão.

Porém, folheando um pouco mais, ela achou uma solução.

Um poção chamada APRISIONAMENTO DO HOMEM CHOCOLATE.

Com isso, teria as raspas de unha.

 

Dinda planejou tudo. Ligou para Paulo e o convidou para matar aula em sua casa no outro dia. O rapaz concordou com a facilidade que ela esperava. Quando Elyza voltou para casa, foi direto para seu quarto, investigar, mas não encontrou vestígios da passagem da irmã. Durante o silencioso jantar, ela perguntou para Dinda:

– Está tramando alguma coisa? Sinto algo no ar.

– Eu não. – A jovem negou. – A única coisa que tem no ar é o cheiro desse frango delicioso – disse, se concentrando em sua comida e fugindo do olhar inquisidor da irmã.

– Hum – murmurou, Elyza, ainda desconfiada.

 

No dia seguinte, o mesmo roteiro. A jovem bruxa foi até a esquina e esperou a irmã sair de casa. Voltou e preparou rapidamente no laboratório a poção do Aprisionamento do Homem Chocolate. Era uma poção bem simples de se fazer.

Um pouco depois, Paulo chegou. Dinda abriu a porta e o recebeu com um beijo caloroso. Ah, como gostava daquele garoto. Até mesmo deixou que ele pegasse um pouco em sua bunda. Mal não faria.

– Tá quente aqui, não é? – disse o jovem, entrando na casa e sentando no sofá da sala. Ele deu uma olhada ao redor e pareceu encantando com o estilo da casa, toda decorada com livros, quadros e pequenas estatuetas. – Caramba, Dinda, que casona.

– Obrigado, meu anjo – ela respondeu, já um pouco sem graça, como sempre ficava quando estava com ele. – Tá mesmo muito quente. Quer algo para beber?

– Quero sim. Eu posso abrir a janela?

Dinda negou com a cabeça.

– Estão enferrujadas. Se abrir, elas não fecham mais.

E foi para a cozinha, satisfeita com o andamento de seu plano. As janelas fechadas haviam fornecido o calor necessário para que Paulo ficasse com sede. Voltou com a poção dentro de uma xícara.

Paulo estava suando como um porco, mas sorria como um bobo. Dinda gargalhou por dentro. Ele mal podia saber que em algumas horas seria para sempre dela. Jamais voltaria a existir outras garotas. Jamais.

O jovem cheirou a bebida e provou com o dedo:

– Hum. Tem gosto de chocolate – ele disse, e em seguida bebeu tudo. – Obrigado, Dinda. Agora, venha cá.

E puxou a bruxa para o sofá, onde começaram a se amassar.  Mas não demorou muito e Paulo se afastou, alegando estar se sentindo um pouco tonto.

– Deita no sofá, Paulinho – disse a bruxa. – Eu vou procurar um remédio lá em cima.

Dinda fez uma horinha no banheiro e quando voltou encontrou o resultado de sua poção: Paulo estava sentado no sofá, imóvel como uma estátua, uma estátua de chocolate. Sua pele estava um pouco enegrecida. Seus olhos estavam escuros e fitavam o nada. Dinda comemorou e deu uma lambida na orelha do amado.

Era puro chocolate. O jovem havia se transformado em uma estátua de chocolate. Pelo menos por uma hora. O tempo era suficiente para Dinda. Ela pegou uma lixa e uma tesourinha e catou as raspas de unha das mãos de Paulinho. Depois correu para o laboratório, para preparar a poção do amor.

Fez tudo como o indicado pelo livro. Dinda não era uma bruxa tão habilidosa quanto a irmã, mas preparar poções era algo que ela sempre fizera bem. Afinal, seus primeiros ensinamentos foram dados pela melhor bruxa que ela conhecera algum dia: sua mãe.

– Vai dar certo – ela conversava consigo mesmo. – Paulo, você já é meu.

E após uma hora, a poção do amor estava pronta. Dinda cheirou o líquido e só com isso já se sentiu ainda mais apaixonada. Abriu um sorrisão e levou a bebida para o jovem. Ele já devia estar acordando, e certamente, morto de sede. Beberia tudo até a última gota.

Mas quando chegou na sala, tomou um susto e deixou a xícara cair no chão, derramando toda a poção.

A cabeça de Paulo havia sumido!

E o resto do corpo seguia o mesmo caminho. Tudo estava derretendo por baixo das roupas e formando uma poça gosmenta de chocolate que se espalhava pelo sofá e pelo chão. Dinda se desesperou e correu até ele, tentando pensar em alguma solução imediata.

‘’ As janelas. Eu esqueci de abrir as janelas. Foi o calor.’’

E quando tentou tocar o braço distorcido do amado, sua mão entrou pelo chocolate e aquilo foi demais para ela. Desmaiou imediatamente.

 

Dinda acordou e se deparou com Elyza a sacudindo violentamente.

– Dinda! – disse a irmã. – O que diabos você fez? O que aconteceu aqui?

A jovem estava confusa, mas quando olhou para o lado e viu a grossa calda de cor escura que enlameava o chão, lembrou de tudo e começou a chorar.

Elyza mostrou o celular de Paulo.

– De quem é esse celular? Desde que eu cheguei, já ligaram várias vezes para ele. E essas roupas em cima do sofá?

Dinda não conseguia falar, chorava e tapava os olhos.

– RESPONDA! – gritou, Elyza, e a irmã mais nova enrijeceu com o susto.

Dinda abriu a boca e fez um esforço enorme para dizer algo, mas só conseguiu sussurrar:

– Paulo.

Elyza arqueou a sobrancelha ao ouvir aquele nome e então pareceu entender tudo.

– Ah, não, Dinda. O que você foi fazer…

****

Com a ajuda de uma tia bruxa de grau maior, Elyza cuidou de tudo, tratando de apagar o que podia ligar Dinda ao desaparecimento de Paulo. Quanto a garota, não saía mais do quarto, e se recusava a comer. Estava envolvida pela dor e pela culpa. Vivia dias negros, de depressão, mas Elyza sabia que podia ajudar. Apesar de achar que Dinda não merecia aquilo, talvez fosse uma solução aceitável. Um trauma daqueles, justo aos dezesseis, não seria fácil de superar.

Só havia um jeito.

****

Elyza entrou no quarto de Dinda e lhe estendeu a poção.

– Beba – ela ordenou.

Dinda afastou o copo com a mão e virou o rosto para o outro lado.

– Beba, Dinda. Isso vai lhe ajudar – insistiu a mais velha.

– Isso vai trazer o Paulo de volta?

– Não. Mas vai trazer você de volta.

– Como assim? – a garota havia se interessado.

– Beba e vai entender.

Dinda estava desconfiada, hesitante, mas por fim bebeu a poção. Quando acabou, ficou esperando algo acontecer e então pareceu sentir uma pontada no peito. Pôs a mão no coração e fez uma careta.

– Elyza? – ela gemeu. – Meu coração…

– Está frio, não é? – respondeu a impassível bruxa mais velha. – É assim mesmo. Você bebeu a poção do Coração Gelado.

– O quê? – a garota estava assustada. – Que poção é essa?

– Ela vai te deixar mais forte, Dinda. O coração quente só nos traz problemas. Eu lhe disse que não devia insistir na paixão. Nós, bruxas, sempre que nos apaixonamos, ferimos alguém. Por isso, é melhor ter um coração gelado, que não se importa com nada. Isso poupa muita dor e sofrimento. O seu coração irá congelar, Dinda. E, logo, logo, o Paulo será só uma indiferente lembrança.

A jovem estava boquiaberta, pálida e nervosa. Continuava sentindo o peito com a mão.

– Então, eu nunca mais vou me apaixonar?

Elyza concordou.

– Sem sentimentos bobos – disse, e se levantou para sair. Quando estava prestes a deixar o quarto. Dinda lhe perguntou:

– Elyza, você também tomou essa poção, não é?

– Sim.

– E lembra o nome do homem que te fez tomar?

Elyza demorou para responder, mas falou de uma forma fria, sem emoção:

– Não lembro.

E saiu, deixando Dinda sozinha, pensando naquelas palavras. A jovem deitou-se na cama e agarrou o travesseiro. Sentia o coração gelar, e a dor e a culpa sumirem pouco a pouco. Adormeceu sem perceber.

No dia seguinte, acordou e lembrou de Paulo, mas aquilo só a fez ter vontade de tomar uma xícara de chocolate quente.

Estava frio por dentro. Frio demais.

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32 comentários em “Coração Gelado (Pedro Luna)

  1. Camilla
    16 de dezembro de 2015

    Melhor texto!

  2. Carmem Soares
    21 de agosto de 2014

    Achei muito longa e cheia de detalhes! Mas não é uma história ruim.

    No fim ela ficou imune ao amor. Coitada!

  3. Edivana
    21 de agosto de 2014

    Para que emoções? Melhor mesmo um copo de chocolate quente! rs Não gostei da personagem principal, que garota inútil, mas acho que essa pode ter sido a intenção, se foi, parabéns.

  4. Fil Felix
    20 de agosto de 2014

    No início pensei que seria uma história bem bobinha sobre bruxas ao estilo “Sabrina”, mas até que conseguiu me surpreender positivamente. O conto lembra uma fábula, com moral e tudo. Só ficaria melhor caso nao parecesse tão adolescente.

  5. rsollberg
    20 de agosto de 2014

    Um conto infanto-juvenil que atende as expectativas. Tem humor, reviravoltas e uma trama bem desenvolvida. Tá certo que não é um final muito feliz, mas caiu legal nessa atmosfera. O texto tem uma parcela de ironia e é muito fácil de ser ler. O título foi bem escolhido e o final, Deus é Pai, não tem uma lição de moral clichê!

    Não é o tipo de leitura que estou acostumado, porém, mesmo assim, consegui me divertir.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  6. Rodrigues
    20 de agosto de 2014

    Gostei desse conto. Entre os aspectos que prezo em um texto, encontrei todos aqui: naturalidade da narrativa, personagens interessantes e carismáticos e uma história que prende a atenção. Gostei dos diálogos, em especial os finais e o fechamento foi muito bem colocado. Gostaria de ver uma animação disso ou uma HQ. Parabéns.

  7. Wender Lemes
    19 de agosto de 2014

    Conto cativante, apesar de o título me lembrar o vilão dos Ursinhos Carinhosos rs. Brincadeiras à parte, gostei da técnica e do desenvolvimento (ainda que o derretimento do chocolate fosse meio previsível, o fato ressalta a inocência da menina). Parabéns e boa sorte no desafio!

  8. Juliano Gadêlha
    19 de agosto de 2014

    Ótima história! Trama bastante original, muito bem contada e uma leitura agradabilíssima. Eu bem sei como é difícil encerrar um texto, mas para mim o final é o ponto alto deste: “No dia seguinte, acordou e lembrou de Paulo, mas aquilo só a fez ter vontade de tomar uma xícara de chocolate quente. Estava frio por dentro. Frio demais.”

    Excelente, parabéns ao autor.

  9. Martha Angelo
    17 de agosto de 2014

    :Eu ri com este texto. Muito divertido. Gostei.

  10. tamarapadilha
    17 de agosto de 2014

    Ah. Criativo! Não me prendeu tanto mas é muito interessante a poção do coração gelado. Se criassem isso com certeza venderia muito, ahah. Esperava digamos que mais emoção, mas mesmo assim bacana. Boa sorte.

  11. Marcellus
    14 de agosto de 2014

    É uma história bacana, imaginativa, que merece um pouco mais de trabalho. A gramática precisa de alguns cuidados.

    O estilo do autor é muito direto, um tanto “cru”, o que envolve pouco o leitor. Mas está no caminho. Boa sorte!

  12. Willians Marc
    13 de agosto de 2014

    Gostei do conto, escrito de forma bem simples e com enredo até um pouco inocente. Acredito que por causa dessa simplicidade, a estória ficou bem focada no conflito central de Dinda e Paulo, os outros personagens também foram usados na medida certa.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  13. Thata Pereira
    13 de agosto de 2014

    Gostei do conto!! Uma abordagem inocente do tema. Quando a menina lambe a orelha de Paulo e sente o gosto de chocolate, pensei que iria comer ele vivo rs’ Depois de ler alguns contos mais pesados, acabamos esperando por isso. No final, a tranquilidade me agradou.

    Boa Sorte!!

  14. Weslley Reis
    12 de agosto de 2014

    Gostei do contexto, da estrutura e da personagem principal. O clímax foi bom e o desenrolar também, mas pelo plot da história, não me cativou. O que com certeza não tira em nada os seus méritos.

  15. JC Lemos
    9 de agosto de 2014

    Eu ri! Haha
    Gostei do desfecho, e a narração estilo “contos de fadas” contribuiu para uma maior interação com a história. Confesso que no começo fiquei receoso com essa coisa de “amor adolescente”, mas depois mudei de ideia.
    Um bom conto!

    Parabéns e boa sorte!

  16. David.Mayer
    6 de agosto de 2014

    O que gostei:
    Uau! Do inicio ao fim me prendeu a leitura. Escrita fácil de entreterimento, simples e boa de ler. A história outro ponto forte, com algumas cenas de reviravolta. Muito bom. Senti pena da pobre bruxinha… No primeiro e segundo impacto. King certa vez disse que se você fizer os leitores se importarem com o personagem, você o fisga. E você conseguiu. Parabéns.

    O que não gostei:
    Alguns erros gramaticais.

    Melhorar:
    Revisão, para encontrar os errinhos bobos de gramatica, mas nada que desabone a história como um todo.

  17. Claudia Roberta Angst
    6 de agosto de 2014

    Não pude deixar de rir ao imaginar o tal homem chocolate deitado no sofá. Gostoso, mas… Aí fiquei na dúvida se o tom do conto era de humor ou melodrama.
    Não encontrei erros graves de gramática. Só estranhei a irmã dizer que não tentaria ser uma bruxa “compreensível”. Não seria “compreensiva”?
    O conto lembrou uma sessão da tarde, típica de adolescente. Isso não é ruim, só não me atraiu como leitora.
    Continue a escrever e boa sorte!

  18. fernandoabreude88
    5 de agosto de 2014

    Pueril, bem escrito, daria um bom livro para adolescentes. Gostei das personagens Dinda e Elyza e da trama toda. Só uma coisa achei estranha, o texto tem uma coisa meio adolescente, quase infantil, e a parte em que o rapaz pega na bunda dela ficou meio estranha. Fora isso, bom conto.

  19. Ricardo Gnecco Falco
    5 de agosto de 2014

    Gostei da história! Conto bem escrito e enredo leve, mesmo que apenas “superficialmente” doce… Boa sacada e personagens (e personalidades) bem verossímeis. Em poucas linhas já somos forçados a uma identificação com a protagonista e o(a) autor(a) soube conduzir muito bem os diálogos e a tensão crescente durante a leitura. Bom enredo, boas personagens, bom início e bom final. 😉
    Parabéns!
    Deixo apenas uma pergunta para os(as) especialistas de plantão: Esta construção está correta –> “Havia o notado durante o intervalo entre aulas…” ? Eu colocaria o “o” na frente do “havia”, mas encontrei diversos textos desta forma, então fiquei na dúvida; embora a forma apresentada pelo(a) autor(a) tenha me causado uma estranheza durante a leitura, a ponto de deixar aqui esta questão. Dede já agradeço! 🙂
    Voltando…
    Boa sorte,
    Paz e Bem!

  20. Fabio Baptista
    4 de agosto de 2014

    ======= ANÁLISE TÉCNICA

    Bom… me senti lendo uma história da turma da Mônica.
    Não é o estilo que aprecio hoje em dia, mas tenho que reconhecer que a proposta foi executada de modo competente.

    – voltou a casa
    >>> crase

    – Folheando ele novamente, procurou atentamente
    >>> Esse “ele” podia ser cortado. E ocorreu uma rima involuntária aqui.

    ======= ANÁLISE DA TRAMA

    Não posso dizer que foi previsível, porque pensei que a tia bruxa mais poderosa ia salvar o Paulo.
    O final fica no limiar entre lição de moral e reflexão.

    A princípio não vi muito sentido na bruxa achar que o Paulo não estava apaixonado (depois daquela pegação toda no sofá), mas daí me lembrei que ela tinha (nos comentários vale cacofonia! :D) só 16 anos.

    Acho que faltou uma pitada de humor, casaria bem com o começo da história.

    A ideia da estátua de chocolate para raspar as unhas também me pareceu meio forçada…

    ======= SUGESTÕES

    Inventar outra coisa para matar o rapaz.

    Tentar colocar alguns elementos de humor.

    ======= AVALIAÇÃO

    Técnica: ****
    Trama: ***
    Impacto: **

  21. Eduardo Selga
    4 de agosto de 2014

    Este é o vigésimo quarto conto que analiso no presente desafio.

    Há pelo menos uma inconsistência na trama, desenvolvida sem maiores recursos de linguagem. A ponto de lembrar, mormente na porção inicial, os filmes juvenis da Sessão da Tarde.

    Se a personagem Elyza não queria que a irmã encontrasse no livro a “fórmula do amor”, não me parece razoável fazê-la deixar o livro tão acessível à irmã, que bastou entrar no quarto. Certamente ela seria mais cuidadosa. Esse procedimento incoerente ganha relevo quando consideramos o temperamento da “bruxa mais velha”, bem estressado em função de sua obrigação de cuidar da irmã mais nova.

    Há uma ideia interessante no conto, a tese de que é preciso “gelar o coração” e que é preciso viver “sem sentimentos bobos”, mas seu desenvolvimento demandaria melhor trabalho. Principalmente porque a personagem Elyza, quando sustenta isso, diz que “Nós, bruxas, sempre que nos apaixonamos, ferimos alguém”. Uma bruxa preocupada com o bem estar alheio? Seria uma “bruxa boa”, portanto, mas esse dado não está demonstrado. Bem, ela se preocupa com a irmã, mas nesse caso há um laço afetivo forte.

    Problemas gramaticais:

    “- Ora, se não posso esquecer. Eu vou fazer ele se apaixonar por mim.” Entre ESQUECER e EU deveria haver uma vírgula, não um ponto.

    A grafia correta da planta é COMIGO-NINGUÉM-PODE.

    É preciso crase em “Quanto a garota […]”.

    Em 04/08/2014.

  22. Walter Lopes
    4 de agosto de 2014

    Adorei o enredo. Muito original.

  23. rubemcabral
    4 de agosto de 2014

    Boa história, simples, porém com personagens simpáticas e um enredo criativo. Gostei.

  24. Pétrya Bischoff
    4 de agosto de 2014

    Percebi alguns problemas de gramática, nada que cause muito incômodo a mim. No entanto, a narrativa e, principalmente, a maneira que o autor conduz o conto não me agradam. A ideia é simples, mas poderia ter um “encanto” a mais que seduzisse o leitor. Boa sorte.

  25. Gustavo Araujo
    3 de agosto de 2014

    Um conto rápido, simples e sem firulas. A narrativa se encaixaria na mesma prateleira da saga Crepúsculo e afins. Bruxas apaixonadas, indo à escola. Bacana. Sem querer, me vi preso à história, querendo saber como iria terminar — e isso, esse magnetismo, é, para mim, algo que distingue um conto bom de um conto ruim. Achei legal a ambientação, a criatividade e, por que não dizer, a originalidade. Essa ideia de “homem de chocolate” foi totalmente inesperada. Também gostei de algumas passagens bastante espirituosas, típicas de literatura adolescente. Enfim, um conto cujo estilo não está entre os meus preferidos, mas que não passou batido. Em suma, uma boa leitura.

  26. Eduardo Matias dos Santos
    3 de agosto de 2014

    Legal seu desfecho, parabéns. Muito interessante, também, a inserção da figura no ambiente comum contemporâneo. Não é uma inovação, mesmo assim é algo bem interessante.

  27. Lucas Almeida Dos Santos
    3 de agosto de 2014

    É uma pena não poder ter acesso a uma poção como esta rs
    Muito legal a história, parabéns.

  28. José Geraldo Gouvêa
    3 de agosto de 2014

    Texto bem escrito e na medida para agradar a um público adolescente. Falta uma lapidada aqui e ali, mas os elementos certos já estão todos colocados. Só falta uma linguagem descritiva mais apurada, um pouco mais de firmeza no ritmo narrativo. Com esse tipo de texto a autora tem potencial para ir longe.

  29. Marquidones Filho
    3 de agosto de 2014

    O tipo de história que, apesar de curta, contém todos os elementos bem arrumados. Parabéns!

  30. mariasantino1
    3 de agosto de 2014

    Eu já tava indo pegar o bichano aqui, mas…
    Conto Jovial, gostoso de ler e bacana imaginar a tragédia. Gostei de algumas passagens (o clímax é bom). Gostei da agilidade dos diálogos.
    Me incomodou o uso do masculino (Moças = obrigada. Não, obrigado). Senti também a repetição do nome da personagem principal pode ser enxugada.
    Parabéns pela criatividade. Um abraço.

  31. Anorkinda Neide
    2 de agosto de 2014

    Muito legal. Parabéns pela criatividade.!

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Informação

Publicado às 2 de agosto de 2014 por em Bruxas e marcado .