EntreContos

Literatura que desafia.

Por um instante (Gustavo Araujo)

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Naquela manhã, como de costume, Bernardo despertou sozinho. Porém, deitado sob uma grossa camada de cobertores, manteve os olhos fechados, enganando a si mesmo com um breve momento de normalidade. O silêncio preenchia a casa, mas, se prestasse atenção, podia ouvir a respiração compassada de Maria José, no quarto ao lado. Ela dormia profundamente.

Mais uma vez, desejou que a esposa, ao acordar, estivesse recuperada. Que pudesse se levantar sem a ajuda de ninguém, que conseguisse ir ao banheiro e lavar o rosto. Que se lembrasse das coisas, dos nomes dos filhos e dos netos. Da mãe e do pai. Que lembrasse dele, do dia em que se casaram, de suas canções e de seus poemas favoritos.

Isso jamais aconteceria. “A doença é progressiva”, sentenciara o médico. Era como se o próprio corpo, não só o cérebro, mas também os órgãos, fossem esquecendo suas funções. “Eu sinto muito”, foi tudo o que ouviu.

Atualmente, Zezinha parecia ter regredido ao estágio mental de uma criança de cinco anos. Comportava-se como tal, tanto na maneira de falar como nas atitudes. Talvez buscasse segurança ou, o que era mais provável, refugiar-se num tempo em que se sentia protegida. De fato era. Bernardo a acompanhara por quase sessenta anos e jamais a deixaria sofrer.

Colocou os cobertores de lado e sentiu o ar gelado lhe envolver o corpo. Auge do inverno, um frio de trincar os ossos. Podia até nevar, segundo diziam no rádio. Deixou o quarto arrastando os pés calçados com pantufas em direção à cozinha. Aproveitava instintivamente para lustrar o assoalho de madeira. Não porque Zezinha fosse reparar. Não, não a essa altura… Mas porque sentia falta da rotina de outrora.

Sobre o balcão uma coleção de porta retratos trazia instantâneos de suas vidas. O dia em que ficaram noivos estava eternizado em uma imagem em branco e preto. Ele então exibia um bigode fino, delineando os lábios em um sorriso sincero. Zezinha usava um vestido florido e um chapéu de abas largas. Fora um dia ensolarado e suas expressões traduziam a felicidade de quem tinha tudo pela frente.

Ao lado, fotos dos filhos, três ao todo. Tanto da época em que eram garotos, como outras, mais recentes, juntos das esposas. Haviam partido para a capital há anos. Davam notícias, é verdade, mas não o suficiente para amenizar a saudade. Há tempos Bernardo se convencera de que o agravamento da esposa se devia à ausência dos meninos, mas não podia fazer nada a esse respeito.

Mais adiante, imagens dos netos, três meninos e duas meninas, completavam o cenário. Ora em piscinas, ora em parques de diversões que ele não conhecia. Riam à beça, divertindo-se sem qualquer preocupação. A distância, porém, era uma barreira por demais difícil de transpor. Quando falava com eles por telefone podia sentir o acanhamento típico de quem conversa por obrigação.

Tudo passa rápido demais. Um dia a casa está cheia de vida. No outro, essa mesma vida se evapora, o silêncio e a solidão se abatem roubando a saúde e, no caso de Zezinha, até as memórias.

Olhou o relógio de parede com motivos florais. Presente de Thiago, o filho mais velho, depois de um passeio pelo Nordeste. Estava escrito “Lembrança do Recife” entre os ponteiros. Marcava sete e quinze.

Melhor preparar o café. Daqui a pouco chega a enfermeira.

***

Há meses Isabela vinha cuidando daquele casal de velhos, bancando a enfermeira solícita e sempre pronta a ajudar. O homem parecia ter cem anos, de tão acabado. A mulher, portadora de Alzheimer, era uma piada. Levou algum tempo até que conquistasse a confiança deles, mas hoje era nela em quem buscavam orientações sobre a medicação que deviam tomar.

Perfeito. Exatamente como ela planejara.

O ritual exigia o sacrifício de uma mulher. Só que não era assim, tão simples. O responsável pela execução tinha que ser o marido. Só nessas circunstâncias é que o sortilégio teria o efeito desejado. Há alguns dias ela decidira que o momento havia chegado e, naquela manhã, resolveu encerrar a agonia da espera.

Como fazia três vezes por semana, ela prepararia a medicação, incluindo as injeções. Como sempre, o velho se encarregaria de ministrá-las. Em vez de analgésicos, porém, uma das seringas conteria cloreto de potássio, uma dose suficiente para explodir o coração da pobre mulher. A entidade ficaria satisfeita, isso era certo, e em pouco tempo Isabela teria sua recompensa.

***

Zezinha acordou com um sobressalto. Que horas são? Na certa eram mais de dez horas. Tinha que se arrumar logo, porque iria visitar sua prima Valéria. Mamãe já devia estar pronta, esperando por ela. Pulou da cama com dificuldade. Onde está meu vestido?

“Mamãe! O meu vestido de borboleta! Onde a senhora guardou?”

Não houve resposta. Zezinha ficou impaciente.

“Mamãe…”

Nada ainda. Talvez mamãe tivesse ido sem ela.Um sentimento de urgência lhe invadiu o peito. Estava sozinha em casa. De todos os medos que tinha na vida, ficar só era o pior.

“Mãe!”

Lágrimas afloravam enquanto ela envolvia a si mesma em um abraço protetor. Súbito, o som de passos martelando o chão chagou até ela. Logo uma pessoa apareceu. Era um homem velho. Ainda que fosse grande, tinha as costas arqueadas. Poucos fios de cabelos brancos remanesciam sobre as orelhas. Em compensação, as sobrancelhas eram grossas como taturanas.

“Sua mãe não está, meu anjo”, disse ele, a voz calma como uma brisa de fim de tarde.

“Quem é você? Aonde ela foi? Por que não…”

“Ela não demora. Pediu que eu cuidasse de você. Meu nome é Bernardo. Eu… Sou amigo do seu avô.”

Zezinha olhou intrigada para ele. Talvez já tivesse visto seu rosto, mas não tinha certeza. Mas era uma boa pessoa, dava para perceber. Podia confiar nele.

“Olha…”, disse o velho, “Sua mãe me disse que logo, logo vem te buscar. Vocês vão à casa de Valéria hoje, não?”

Zezinha fez que sim, enxugando as lágrimas com as costas das mãos.

“O senhor me ajuda a fazer xixi?”, perguntou olhando para baixo.

“Claro”, respondeu ele.

***

Seguindo a rotina, Bernardo fez a higiene de Zezinha. Escovou seus cabelos e depois a levou para tomar o desjejum. Em seguida, fez com que ela o acompanhasse até a varanda. Colocou-a sentada em uma poltrona confortável. A manhã estava linda, um sol maravilhoso apesar do frio.

Abriu “Reinações de Narizinho” e começou a ler.

De quando em quando, ficava em silêncio, contemplando a mulher. Seus olhos estavam fechados, como se dormisse, aproveitando o calor. Tinha as pernas cobertas por uma manta xadrez, combinando com a blusa de gola alta que lhe cobria o pescoço. O rosto era cheio de vincos profundos e a pele, flácida, salpicada por manchas. Então ela o encarou – os olhos castanhos, vivos e brilhantes eram tudo o que restava de sua época mais feliz – e perguntou:

“Por que o senhor parou de ler?”

“Ah, sim… Desculpe.”

Todas as manhãs seguia aquele ritual: ler Monteiro Lobato enquanto fingia esperar o momento em que ela iria visitar a amiga.

Ao passo em que a leitura fluía, Bernardo pensava, no fundo, o quão ingrato pode ser o destino, que nos contempla com o maior dos presentes, que nos leva ao auge tão rápido e que, assim, devagarzinho, vai nos tirando tudo, deixando-nos apenas com as sombras e os fantasmas de dias melhores. E, o que é pior, por vezes tragando-nos para um fim desesperador de solidão e abandono. Talvez Zezinha tivesse sorte, afinal. Não tinha consciência disso.

O som de palmas à distância interrompeu seus devaneios. A enfermeira havia chegado.

***

“É mamãe?”, perguntou Zezinha. “Ai, que bom, Valéria já deve estar cansada de esperar. Vamos brincar de casinha.”

“Não é sua mãe ainda, meu anjo”, disse o velho, passando a mão nos cabelos dela. Ele se esforçava para sorrir, mas sua expressão tinha um quê de decepção.

“Zezinha…”, prosseguiu ele, apontando para a mulher que se aproximava, “esta é Raquel, uma amiga minha e de sua mãe”.

Raquel tinha o rosto quadrado, cabelos curtos e olhos grandes. Vestia um casaco pesado, de cor preta, e segurava uma maleta de couro na mão esquerda.

“Oi, Raquel, meu nome é Maria José, mas todo mundo me chama de Zezinha”.

“Muito prazer, Zezinha. Você é muito bonita, sabia?”

“Ah, obrigada!”

Bernardo abaixou-se e disse, cochichando:

“Vou contar um segredo, Zezinha…”

Ela arregalou os olhos.

“Você não pode contar para ninguém, está bem?”

Zezinha fez que sim, balançando a cabeça rapidamente, ansiosa.

“A Isabela aqui, essa minha amiga, faz mágicas!”

“Mágicas?”

“Isso, isso mesmo. Ela sabe muitos truques.”

Zezinha contemplou a mulher parada à sua frente.

“Jura?”

“Juro. Ela veio até aqui fazer uma mágica especialmente para você.”

“Sério?”

“Muito sério. Só tem uma coisa: precisamos ir lá para dentro. Tudo bem?”

Zezinha fez que sim, os olhinhos brilhando de entusiasmo. Não era sempre que alguém aparecia para fazer uma mágica.

***

Isabela preparou a medicação. Sobre uma bandeja de alumínio colocou os compridos de praxe. Depois preparou a seringa com o composto fatal. Não tinha como dar errado.

“Qual vai ser a mágica?”, perguntou a velha, com aquela ridícula voz infantilizada.

***

“Qual a mágica?”, insistiu Zezinha.

Por mais que estivesse fazendo aquilo há meses, Bernardo não conseguia se acostumar.

Meu Deus, até quando?

Cada vez tinha que inventar uma desculpa diferente para convencer a esposa a tomar a medicação. Desta vez saíra-se com essa história de mágica. Sem pensar, respondeu, piscando um olho:

“Vamos transformar você em uma estrelinha.”

“Sério? Uma estrelinha?”, perguntou ela, o entusiasmo crescente.

“Isso mesmo”, confirmou Bernardo, prendendo os lábios.

“E eu vou ver tudo aqui embaixo?”

“Vai… Tudinho.”

“Mas e mamãe?”

Bernardo sentiu um nó na garganta. Reprimiu as lágrimas e disse.

“Sua mãe vai estar lá te esperando.”

“Nossa, formidável!”

Bernardo sorriu, um sorriso amargo. Zezinha tinha essa mania de achar formidável tudo o que fosse diferente. A vida inteira fora assim. Ela, então, olhou ao redor e perguntou:

“Mas e como a gente vai voltar para cá?”

“Ah… Eu vou lá buscar vocês.”

***

De longe, Isabela, ou melhor, a enfermeira Raquel acompanhava aquela lenga-lenga. Sua vontade era amaldiçoá-los. Tinha raiva daquele sentimento, daquela dedicação, da maneira como o velho falava. Mas o momento estava chegando e era isso o que importava. Tentou não aparentar nervosismo, mas quase podia ouvir os próprios batimentos cardíacos.

Apenas repetia a si própria “vamos, velho inútil.”

***

“Para que a mágica funcione”, disse o homem, “você precisa tomar essas pílulas secretas.”

“Que nem a Alice no País das Maravilhas?”

“Isso. Que nem a Alice.”

Nossa, igualzinho no livro!

Ele alcançou um copo com água e pediu a ela que engolisse os comprimidos. Zezinha obedeceu, não sem uma careta.

“É ruim…”

“Eu sei, mas é o que faz a mágica funcionar.”

“Eu vou encolher?”

***

Bernardo olhou para a enfermeira, de pé junto à porta do quarto. Buscava forças na cumplicidade que mantinha com ela. Era talvez a única pessoa no mundo que entendia sua situação. Zezinha piorava a cada dia. Se não fosse a presença de Raquel, ele provavelmente já teria tomado uma atitude drástica.

À sua frente, Zezinha tinha a expressão divertida de quem não sabe o que está acontecendo. Era hora da injeção. Ele apanhou a seringa e conferiu o nível do líquido transparente.

Foi quando sentiu um formigamento no peito, um mal estar. Não era a primeira vez, na verdade. Ao erguer a vista deparou com Zezinha o encarando, os olhos acinzentados fixos nos dele.

Por um instante, uma fração de segundo, ele imaginou que ela o reconhecera. Que sabia quem era ele, que tinham passado sessenta anos juntos, que tinham filhos e netos, que se amavam.

Por um instante.

Então, ela sorriu. No rosto enrugado, desenhava-se uma expressão indecifrável.

“Brilha, brilha, estrelinha…”, sussurrou ela.

Bernardo olhou para Raquel. A enfermeira fez um sinal com a cabeça, um incentivo.

Reprimindo uma lágrima, Bernardo apanhou a seringa e por fim aplicou a injeção na esposa.

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31 comentários em “Por um instante (Gustavo Araujo)

  1. Iolandinha Pinheiro
    30 de agosto de 2016

    Um conto que brinca com o leitor. A gente começa a ler pensando em uma coisa, mas vê que a medida que as coisas vão se sucedendo, as feições da história vão se modificando e delineando a personalidade de Bernardo em suas ações, ainda que não marcadamente. Um conto em que é preciso adivinhar, seguir as pistas, ler nas entrelinhas. Concordo que a bruxa que deveria ser o ponto central do conto ficou bastante eclipsada pelo marido da Maria José, mas como estou lendo fora do desafio, não consigo ver este fator como defeito. Adorei o texto e me lembrei um pouco de um que eu mesma escrevi. Ultimamente tenho lido muita coisa boa, e só tenho a agradecer pela oportunidade. Se soubesse teria entrado há mais tempo no Entrecontos. Abraços.

  2. Gustavo Araujo
    23 de agosto de 2014

    Queria agradecer os comentários de todos por aqui. Tanto as análises mais profundas, como também as impressões mais simples.

    Ao escrever, sempre busco despertar sentimentos. Não sou um autor acadêmico. Tive algumas ideias para este desafio, mas o contexto dos velhinhos ao fim da vida me pareceu interessante demais para desperdiçar. O problema é que não havia muito espaço para uma bruxa. Não no sentido clássico do personagem. Mas mesmo assim levei adiante e, como disse o José Geraldo, acabei inserindo uma às marteladas, rs

    De todo modo, fico contente porque, na visão da maioria, a proposta foi bem aceita. Aqueles que discordaram, porém, o fizeram dentro da coerência esperada — uma noção que, para falar a verdade, eu também alimentei, de que talvez a bruxa deva ser deletada quando da revisão desse texto. A conferir.

    Novamente obrigado a todos.

  3. Pedro Luna
    21 de agosto de 2014

    Um conto bonito, apesar de exagerar um pouco na caracterização infantil da personagem. Só não consigo adequar ele ao tema do desafio.

  4. Fil Felix
    21 de agosto de 2014

    Nossa, história muito boa! Adorei como você dividiu a narração, mostrando o ponto de vista de cada personagem (acabando por me dar várias ideias kk), me lembrou “As Horas”. O casal de velhimhos também sao super reias e fizeran toda a diferença. Ótimo!

  5. Carmem Soares
    20 de agosto de 2014

    A história é comovente e bem escrita, mas, infelizmente, o tema não foi bem abordado. O texto sobreviveria muito bem e até melhor sem ele.

  6. Marcellus
    18 de agosto de 2014

    Ótimo conto. O autor fez um bom trabalho durante as mudanças de pontos de vista. Certamente, o meu predileto.

    Parabéns e boa sorte!

    • Marcellus
      18 de agosto de 2014

      O conto é tão bom que minha objetividade foi para o espaço. Friamente falando, a figura da bruxa ficou em segundo plano, o que talvez descaracterize o desafio.

      Ainda assim, o conto é ótimo.

  7. rsollberg
    18 de agosto de 2014

    O texto está muito bem escrito. É possivel criar uma conexão com o casal principal e sentir a angustia do velho Bernardo.
    No entanto, senti que o conto acabou de forma abrupta, o que não é um grande problema desde que exista uma reviravolta, ou algo surpreendente. Sei lá, fiquei esperando algo que não veio. Reli para ver se não havia deixado passar alguma coisa e, definitivamente, não encontrei nada.
    Espero que os colegas tenham apreciado mais do que eu.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  8. Edivana
    16 de agosto de 2014

    Hey! Que conto. Alternou com algumas passagens muito boas e algumas, as primeiras da enfermeira, meio manjadas, mas sinceramente, a angústia do conto é fabulosa. Esse final é brilhante! Parabéns.

  9. Weslley Reis
    15 de agosto de 2014

    Fiquei VERDADEIRAMENTE emocionado com esse conto, o que não é comum nas minhas leituras. Lindo. De um sutileza e detalhamento de uma condição tão triste que eu não tenho nem onde crítica-lo. A trama me inebriou de tal modo que qualquer falha que exista, deixei passar. Mas o que seria isso senão um louvável mérito? Parabéns.

  10. Wender Lemes
    12 de agosto de 2014

    “Formidável”, parafraseando sua personagem. É baseado mais na doença da Zezinha e na relação do marido com ela que na bruxaria em si, mas achei isso um ponto positivo, porque diferencia seu conto dos que li até agora. Como para sua personagem, o diferente também me parece formidável.

  11. Juliano Gadêlha
    12 de agosto de 2014

    Texto muito interessante. Gostei da constante mudança de foco narrativo, deu bastante dinamicidade ao conto, que proporciona uma leitura agradável. Carece de uma singela revisão para corrigir alguns pequenos erros, mas nada que comprometa o todo da obra. Bom trabalho.

  12. Martha Angelo
    11 de agosto de 2014

    Eu me comovi com esse texto, achei muito emocionante, terno, em muitos aspectos, apesar da trama de assassinato, mas acho que o tema bruxas não ficou tão claro…

  13. Lucas Almeida Dos Santos
    8 de agosto de 2014

    Me lembrou casos de enfermeiras doentes que abusam de velhinhos como estes do seu texto. Muito triste. Parabéns pelo texto.

  14. Marquidones Filho
    8 de agosto de 2014

    Que triste…

  15. Willians Marc
    7 de agosto de 2014

    Ótimo conto. Apesar de chegar quase ao limite de palavras do desafio, tem uma leitura fluída e rápida. Também gostei muito da separação por pontos de vista, adoro esse recurso. A unica coisa que eu acho que deveria ser melhorada é a Bruxa Raquel, achei ela um personagem muito caricato e que esta fazendo o feitiço apenas para agradar uma entidade qualquer, acho que ficaria melhor se fosse explicado o por quê de ela estar fazendo esse feitiço. Mas, no geral, o conto me agradou muito.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  16. JC Lemos
    7 de agosto de 2014

    O conto estava até se desenrolando bem, mas para mim esse final foi de matar. Quebrou completamente…

    Alterei entre satisfação e indiferença enquanto lia, pois creio que alguns trechos tiveram mais impacto do que outros. Em alguns momentos achei que o tempo mudou na frase, ou só mesmo me pareceram estranhas, não sei explicar.

    Enfim, achei um texto mediano até chegar no final, que acabou por me fazer pender para o lado negativo. Espero que outros possam apreciar mais do que eu.

    De qualquer forma, parabéns eu boa sorte!

  17. Eduardo Matias dos Santos
    5 de agosto de 2014

    Nossa que coisa triste, velho! Quase suei pelos olhos… Um texto bem escrito e bastante emocionante.

  18. fernandoabreude88
    4 de agosto de 2014

    O conto melhor escrito, achei. Cara, esses personagens querem sair da história, tanto Bernardo quanto a mulher, e o vilão como uma sombra prestes a delinear o destino de ambos foi uma escolha acertada. Gosto de enfermeiras no papel de vilão, só achei que ela podia ter uma carga descritiva maior, pois o personagem é bom. Gostei demais do conto, da história e da relação terna entre os dois.Valeu!

  19. Walter Lopes
    4 de agosto de 2014

    Queria que tivesse continuação.

  20. Thata Pereira
    4 de agosto de 2014

    Que triste :/ Bom, o tema do desafio foi abafado, mas fica evidente que destacá-lo não era a intenção. Nem mesmo o motivo do marido precisar matar a esposa para que o ritual fosse feito foi explicado. Confesso que isso me deixou um pouco frustrada.

    Como o conto é narrado em terceira pessoa, não vi a necessidade de separar os momentos, pois o narrador mudou o tom ao tratar de cada personagem. Provavelmente intencional,para entendermos a personalidade de cada um, mas eu optaria por fazer de uma forma diferente.

    Mas a história me conquistou. Gostei muito.

    Boa sorte!!

  21. Pétrya Bischoff
    2 de agosto de 2014

    Cara, me emocionou. A narrativa é de uma delicadeza enquanto fala do casal… Penso que sempre que há velhinhos aconteça isso, quase lágrimas. O enredo é bem convincente e fiquei pensando nessas pessoas que maltratam os idosos. Que merda :/ Está de parabéns, boa sorte.

  22. Fabio Baptista
    1 de agosto de 2014

    ======== ANÁLISE TÉCNICA

    Me identifiquei bastante com o estilo, em certos pontos (das reflexões sobre a vida) parecia até que estava lendo um texto meu!
    As trocas de ponto de vista ficaram bem bacanas.

    Só senti falta de algumas figuras de linguagem melhor elaboradas.

    Alguns apontamentos:

    – quem tinha
    >>> cacofonia

    – mas hoje era nela em quem buscavam orientações
    >>> Tem algo estranho nessa frase…

    – chagou até ela
    >>> chegou

    ======== ANÁLISE DA TRAMA

    Bom, fiquei bastante dividido nesse ponto.

    Gostei bastante do lado humano da história, das reflexões sobre a vida e tal.

    Porém a parte da bruxaria foi um tanto forçada na minha opinião. Essa enfermeira não me convenceu em nenhum momento no papel de bruxa.

    O final ameaçou uma reviravolta (o velho enfartar) que não se cumpriu e gerou um certo anticlímax com gosto de decepção.

    ======== SUGESTÕES

    Falar mais sobre a bruxa.

    Matar o velho no final, antes da injeção, só pra ver a cara da enfermeira 😀

    ======== AVALIAÇÃO

    Técnica: ****
    Trama: ***
    Impacto: ***

  23. Rodrigues
    1 de agosto de 2014

    Li esse conto e o conto “Lua Dora” há algumas horas, e é incrível como o julgamento que fiz dos dois foi parecido. Tive que esperar a coisa toda ser digerida antes de canetar por aqui. Ambos apresentam um personagem que simboliza o mal, mas a sua utilização parece muito esquemática, como se tivesse sido inserido na história com um papel muito objetivo, seco. No caso do “Lua Dora”, o marido violento e, aqui, a enfermeira. No caso desse conto, a coisa parece ainda mais destacada, pois a história está entrecortada. Aqui, como lá, a escrita é primorosa e envolvente, os personagem tem um carisma absurdo que me ganharam, principalmente Bernardo. A história é boa, flui legal, mas deixa essa sensação de que não foi explorada por completo, seja pelo número de caracteres, seja pelo rumo que o conto tomou. Fico meio assim de criticar uma obra tão bem escrita, mas é preciso ser sincero com o autor.

  24. David.Mayer
    1 de agosto de 2014

    O que gostei:
    Um bom conto. Exibindo a história dos personagens e o amor que sentiam um pelo outro, envolveu drama a narração, tornando-a muito bem explorada.

    O que não gostei:
    Muitas mudanças de um personagem para outro, travando um pouco a leitura no decorrer.

    Melhorar:
    Em minha opnião, apenas a questão do foco narrativo, não mudar tanto, se ater a dois mais ou menos, e não mudar tão repentinamente durante a leitura. No mais, um texto agradável.

  25. Claudia Roberta Angst
    31 de julho de 2014

    Bela narrativa, encantador casal de protagonistas. A grande bruxa seria a doença a desencantar a rotina do amor. A enfermeira só seria um elemento a mais, agindo no fundo do enredo.
    Para mim, pareceu que o autor encaixou o tema do desafio meio a contragosto no conto. Não sei se funcionou tão bem, pois a bruxaria ficou desbotada no quadro descrito. No entanto, gostei muito da história, do domínio das palavras e delicadeza dos personagens.

  26. José Geraldo Gouvêa
    31 de julho de 2014

    Belo e tocante conto, no qual, mais uma vez, o elemento “bruxa” parece deslocado e prejudica a qualidade geral. Sem dizer que a enfermeira era uma bruxa o conto não poderia estar nesse desafio, isso é verdade, mas essa menção é um fator de desequilíbrio no texto que, mesmo assim é merecedor de um voto.

    Acho que pesquei uma contradição: a enfermeira se chama Isabel ou Raquel? Ou tem um nome e se apresenta aos velhinhos com o outro?

  27. mariasantino1
    31 de julho de 2014

    ABRACADABRA!
    .
    Gostei, é diferente do que vimos até agora e se não prestarmos atenção, acabamos mesmo acreditando que Zezinha não é a Maria José e sim uma menininha. Você soube cativar a minha afeição pela menina, digo, a senhora a ponto d’eu torcer pra ela ficar bem. Achei um bom final, dá margem para se pensar bastante. Eu gostaria de saber um pouco mais sobre a enfermeira bruxa, acho que cabia aí um pouquinho mais de descrição sobre seus propósitos (a entidade ficaria satisfeita e ela receberia a sua recompensa. Achei muito sintético). No mais, tem um “chagou” ao invés de “chegou”. Boa sorte.

  28. rubemcabral
    31 de julho de 2014

    Triste, simples, bonito, gostei! Estava esperando alguma reviravolta no final…
    A narração foi simples e correta, sem muitas invenções.

    Bom conto!

  29. Ricardo Gnecco Falco
    31 de julho de 2014

    É… Um conto perfeito. Quando eu já estava pensando em chamar a atenção do autor por uma infantil troca de nome de personagem… Pimba! Era proposital. Os dois estavam de conluio. Mancomunados… E este é o famoso “pulo do gato” dado pelo autor. Muito bom! 🙂 Brincou como quis com o leitor e, assim, provou (diria que até desnecessariamente, pois a qualidade do texto já denotava o domínio da pena!) ser o exímio escritor que de fato já é. Como costumo dizer… Profissa!
    Ressalto a sabedoria demonstrada pelo autor-narrador que, na personificação do Bernardo, chega a parecer mesmo um escritor da terceira idade, dado o fato das reflexões sobre a vida, e sua singeleza, apresentadas. Creio nem precisar falar muito sobre a beleza singular dos diferentes focos narrativos apresentados pelo autor durante o texto, nas visões particulares do casal e do binômio enfermeira-mágica. Esta alternância de visões funcionou muito bem para este conto, criando um embate entre o Bem e o Mal, Amor X Ódio e, até mesmo, Sabedoria X Ignorância.
    Vale, contudo, ressaltar a tênue adequação da história ao tema proposto, que acredito poder levar alguém a classificar a presente obra como estando fora do mesmo; o que — a meu ver — não seria justo. A pseudo enfermeira é mesmo uma bruxa, em todos os sentidos, além de ser apresentada para a esposa como uma “profissional da mágica” (boa sacada!) e, no foco narrativo da própria personagem bruxa, a mesma fala em ritual, sacrifício, maldição e até mesmo sortilégio. Então, mesmo que de forma não explícita, ou esperada (e aqui reside mais uma qualidade do texto!), o trabalho cumpriu, com maestria, todos os pré-requisitos do certame! 😉
    Uma ótima — e inteligente — leitura! 😉
    Parabéns e boa sorte!
    Paz e Bem!

  30. Eduardo Selga
    31 de julho de 2014

    Este é o décimo quarto conto que analiso neste desafio.

    Texto muito bem construído, do ponto de vista da escolha vocabular e da sintaxe, o(a) contista sustenta sua grande beleza na demonstração da humanidade de seus personagens, coisa que demanda uma complicada equação envolvendo simplicidade e requinte. Certamente por isso, o poético que se mostra no texto é comedido no que tange à escolha das palavras, que são bem prosaicas. Mas o poético não é acanhado se considerarmos a cena em si. O personagem lendo Monteiro Lobato para a protagonista, por exemplo, é muito bonito, e o é também por outro motivo, qual seja, o conto toca num ponto sensível da Literatura: o vínculo entre ficção e realidade, e o quanto os indivíduos poder ficar arrebatados por ela, levando-os a um mundo inexistente, do ponto de vista pragmático, do mesmo modo que alzheimer pode conduzir o doente à infantilização. E essa infância lembrada sempre é uma corda muito sensível quanto bem manipulada pelo ficcionista.

    Contudo, não me parece que tenha ficado clara a motivação da bruxa em se empenhar em matar a personagem. Sabemos que “O ritual exigia o sacrifício de uma mulher” e que “O responsável pela execução tinha que ser o marido”. E só. E como ela usaria o corpo da idosa? Por que a necessidade de o marido ser o executor? Concordo que nem todas as informações devem ser dadas ao leitor, mas algumas são necessárias para que o comportamento dos personagens fique claro.

    Dentre as tantas questões postas nesse texto tão curto e tão eloquente está uma velha pergunta: até que ponto vale a pena manter a vida de uma pessoa irremediavelmente doente? Ou será, no caso da protagonista, felicidade real o que ela sente ao saber que uma estória infantil lhe será narrada?

    Em 31/07/2014

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Publicado às 30 de julho de 2014 por em Bruxas e marcado .