EntreContos

Literatura que desafia.

Memórias de uma Bruxa (Fabio Baptista)

memorias_de_uma_bruxa

Era inverno, mas não estava frio. O sapotizeiro, de galhos suntuosos e raízes que se esparramavam emaranhadas pelo centro da praça, farfalhava sua imponência e oferecia boa sombra a quem não se dispusesse a encarar o sol do meio dia. Lucilene e Edson apostaram corrida até a árvore. Chegaram, cada um clamando para si a vitória e sentaram-se, ofegantes, costas apoiadas ao tronco. Observaram as folhas que meneavam ao vento e vez ou outra caiam, suaves como canoas verdes singrando num mar de sonhos. Edson segurou a mão de Lucilene e aproximou-se, como quem não quer nada. Do outro lado da rua, seo Gumercindo quebrou a magia do momento, ao sair da birosca gritando com ímpeto de quem anuncia a chegada do Messias:

– SÓÓÓÓÓÓCRATEEES!!! SÓÓÓÓÓÓCRATEEES!!!

Eita que o Brasil já fez foi um gol! – Edson deduziu.

– Tu não quer ir lá ouvir o jogo mais seo Gumercindo não, Edsinho? – Lucilene perguntou, recolhendo a mão.

– Ôxe que vou te deixar aqui sozinha! Endoidou, foi? – respondeu, pulando para mais perto da amiga.

– Prefere ficar comigo, é? – Lucilene abriu um sorriso mais doce que os sapotis pendendo maduros sobre sua cabeça.

– Pois prefiro! E vou preferir ainda mais se tu me der um beijo…

– Beijo, em plena luz do dia? Que assanhamento, Edsinho! – Lucilene enrubesceu enquanto tentava, sem muito sucesso, mostrar-se indignada.

– Tá todo mundo é escutando o jogo, Lene. Dê um beijo aqui, dê… – insistiu, antes que o seo Gumercindo aparecesse de novo para gritar “Falcãooooo!!! Falcãooooo!!!” (sem saber que, no velho continente, os italianos gritariam “Roooooossi!!! Roooooossi!!!” por último).

– Tu tá é doido?! Ôxe, que descaramento! De jeito maneira…

– Deixe de nove horas, deixe! Faço qualquer coisa por esse beijo, Lucilene.

– Qualquer coisa?

– Qualquer coisa! – Edson respondeu, com a convicção que só os hormônios da puberdade podem conceder.

– Então tu me traz o chapéu da bruxa… daí lhe dou um beijo.

– Chapéu… da… bruxa? – o frio chegara súbito, levando a ousadia do garoto numa lufada glacial.

– Não era qualquer coisa? – Lucilene troçou.

– Pronto! Vou pegar esse chapéu é agora… – Edson sentiu a intrepidez retornando redobrada e começou a caminhar sem saber que, pouco mais tarde, a coragem voltaria a abandoná-lo.

***

Ao avistar o velho sapotizeiro Lucilene esperava, num amálgama de temor e desejo, reviver os sentimentos daquela distante tarde de Julho. Ansiava por um surto nostálgico que arrebatasse sua alma e a fizesse transpor as barreiras do tempo. Lembrou-se de cada detalhe, como um filme visto semana passada, mas não sentiu nada. Não pôde deixar de pensar, no ritmo da música, que aquela era a mesma praça, o mesmo banco, as mesmas flores e o mesmo jardim, talvez com um pouco mais de cimento, mas, com exceção à birosca do seo Gumercindo (que virou um mercadinho), as coisas ainda estavam no mesmo lugar. “Definitivamente, EU não sou mais a mesma”, concluiu.

Dirigiu devagar, mais pela pouca vontade de chegar ao destino que por respeito ao limite de velocidade ou amor aos amortecedores. Pensou em como estaria o Edson agora – provavelmente tornara-se mais um sertanejo barrigudo, aparentando ter vinte anos a mais que a idade real, como parecia ser o destino de todos por ali. Ou teria se cuidado e se conservado? Será que a reconheceria? Será que a perdoaria? Antes de engatar a segunda marcha e formular mais indagações, chegou ao final das 28 horas quase ininterruptas de viagem.

– Vem, amor… vamos conhecer a casa da vovó – disse à filha, que se espreguiçava no banco detrás.

Subiu a escadinha, ladeada por margaridas e rosas bem cuidadas, recordando-se de quando descia correndo por ali, pulando mais degraus conforme as pernas espichavam. Não foi acometida por nenhum turbilhão de nostalgia, nem pela escada, tampouco pela visão da mãe, que a aguardava na soleira, ombro recostado no batente. Chegou perto, querendo sentir algo por menor que fosse, sem saber exatamente o que dizer. Dona Nivalda tomou a iniciativa:

– Calça comprida, filha? Tu esqueceu que mulher direita não anda assim, foi?

Sentiu raiva. Quis virar as costas e desaparecer, não sem antes dar uma pequena amostra do repertório de impropérios que aprendera na cidade, falar palavrões e obscenidades que redefiniriam o conceito de “mulher não direita”, mas respirou fundo e disse apenas:

– Oi, mãe. Também estou feliz em te ver. Essa aqui é a Sophia.

– Ôxente, que boniteza… Sófia! – disse a avó, deixando escapar um raro sorriso que lhe acentuava ainda mais as rugas. – Entra, filha… se tu demorasse mais um pouco ia achar seu pai era enterrado, já tá fedendo desde hoje cedo – continuou, depois de apertar a bochecha da neta.

Lucilene atravessou a cozinha e formou uma imagem mental quase palpável da mãe esquentando a barriga no fogão e esfriando na pia, enquanto o pai lia jornal ou ouvia rádio na sala. Lembrou-se do dia em que presenciou a cena pela enésima vez e decidiu em seu íntimo – “eu não quero isso pra mim”. Teve a certeza viva de que a “missão” estava cumprida, mas não sentiu nada além do cheiro das folhas de louro, que deixavam o feijão com aquele gosto que nunca mais provara depois que foi embora. Seguiu a mãe pelo rastro de orações e murmúrios que conduzia à sala, onde o defunto era velado. No corredor, deparou-se com uma tia, que se desidratava em lágrimas, gritava, com comoção Shakespeariana, que a vida não tinha mais sentido sem o irmão e pedia que Deus fosse misericordioso e também a levasse.

– Calma tia, calma… – Lucilene a abraçou.

– Leninha?! Meu Jesus, Maria, José, meu São Francisco, quanto tempo! Que criança linda! É sua? E como tu tá bonita! – o pranto cessou momentaneamente, enquanto media a sobrinha de cima a baixo. – E agora, minha filha, o que tu vai fazer da vida? Uma mulher desquitada e sem pai! Misericórdia, meu Deus, misericórdia! Arruma um marido pra essa menina, meu Santo Antônio! – a emoção voltara com força total.

Lucilene pensou em dizer – “olha tia, talvez a senhora não acredite, mas nós, mulheres, podemos viver muito bem sem homem. Claro que seria legal ter um companheiro para dividir os bons momentos, mas não estou com a menor pressa e definitivamente prefiro ficar sozinha a conviver com um babaca qualquer só pra falar que tenho marido, ou então manter um casamento de fachada e ficar de safadeza com o padeiro, como fez alguém da família durante anos e anos, né?”. Mas disse apenas:

– É, tia… tá complicado… – pediu licença e continuou andando, arrastando Sophia pelo braço, até que chegou à sala e viu o pai no caixão.

***

O jornal, com notícias lidas e relidas, jazia na mesinha e o rádio teimava em não sintonizar. Norberto lutou contra a chiadeira, tentando achar a estação com o mesmo esmero do bandido que abre um cofre, mas foi vencido pelo cansaço. A pequena Lucilene tentava pular corda no quintal, porém a saia comprida atrapalhava deveras e a deixava irritada.

– Lucilene, venha cá… – chamou Norberto, depois de alguns minutos inquietos no sofá.

– Diga, painho… – a menina veio esbaforida, já esperando por bronca.

– Venha cá, minha filha, se aprochegue

– Cadê mãinha, painho?

– Mãinha foi resolver não sei o quê na igreja, vai demorar. Tu gosta dessa saia, gosta?

– Não… gosto não, painho. Mas mã…

– Pois tire ela, filha, tire…

– Tirar?

– Isso, tire a saia e venha cá, sente aqui mais painho, aqui no colo, venha…

– …

***

Lucilene pensou que sentiria alívio, ódio, asco, que cuspiria no corpo ou desejaria aos berros que a alma dele estivesse queimando no inferno que tanto acreditava, ou ainda, numa rara previsão otimista, que fosse tomada pela paz redentora que preenche o espírito de quem libera perdão. Todavia, a indiferença, quase onipresente desde a fronteira da cidade, permaneceu. Era só um velho morto. Só. Pegou a filha e esquivou-se dos parentes, em direção à porta dos fundos. No caminhou cruzou com um homem alto, que não lhe era estranho.

– Edsinho?! – reconheceu, constatando que o tempo e o sol haviam sido mais cruéis do que poderia supor, parecendo ter agido em conjunto com o intuito de acabar com a aparência do amigo de infância.

– Oi… Lucilene. Meus pêsames pelo teu pai.

– Obrigada, Edson. Mas… e você, como es…

– Olha, Lucilene, tu não me leva a mal não, mas é que tô meio aperreado. Passei foi só pra me despedir do seo Norberto mesmo, agora já vou indo. Com sua licença.

Edson fez uma leve reverência, virou as costas e foi embora. Dessa vez, Lucilene sequer teve tempo de retomar em seu âmago alguma sensação do passado. Não insistiu. Saiu para o quintal dos fundos e caminhou pelo pomar, apresentando as árvores à filha.

– Esse aqui é pé de laranja, olha o cheiro da folha, que gostoso.

– Lalanja!

– Isso, meu amor… laranja! Ali acho que é goiaba. E aquele outro lá na frente deve ser de… MEU… PUTA MERDA!

Lucilene evitava falar palavrões na frente da filha, mas não conseguiu segurar dessa vez.

Depois de tantos anos, novamente viu a bruxa.

***

Edson chegou à cerca que separava a propriedade do seo Norberto e da mulher que todos diziam ser feiticeira. Só Deus (ou talvez Pacha Mama) sabia como aquela anciã atarracada de língua e trajes tão estranhos parou ali. Uns falavam que encantou o proprietário, quando este teve a infeliz ideia de conhecer as montanhas no outro lado do continente e, depois de estabelecida na residência, transformou o pobre homem no gato preto que sempre rodeava seus pés. Outros contavam que chegou montada numa vassoura e construiu a casa em uma única noite de lua cheia, com ajuda do diabo em pessoa. Alguns ainda defendiam que brotou da terra, devorou os antigos moradores para cobrar uma dívida de sangue e depois decidiu ficar.

– Edsinho, deixe de bestagem! Se ela te pega, lhe coloca numa panela e te cozinha até a carne soltar é dos ossos! Arranca tuas tripas, dá pro coisa-ruim comer e o que sobrar ela joga pro gato. E você fica vivo o tempo todinho pra sofrer mais! S’imbora, deixe esse chapéu pra lá – Lucilene pediu, sinceramente preocupada.

-Tu vai me dar o beijo sem o chapéu?

– Edson… – o semblante encarregou-se da resposta.

– Então, pronto! Vou lá pegar!

E ele foi. Lucilene ficou agoniada, esperando no quintal de casa, tentando espiar na ponta dos pés para ver o que acontecia do outro lado. Não demorou muito, ouviu um grito que lhe paralisou a alma. Um grito da bruxa, conjurando maldições no idioma infernal em que era fluente. Imaginou Edson transformado em sapo, calango ou ratazana, para servir de distração ao gato diabólico. Todavia, pouco depois, o amigo voltou chorando feito um bebê, todo estropiado pelo arame farpado, porém, com a graça divina, ainda em forma humana. Nenhum chapéu, as mãos estavam vazias. Mas as calças, cheias. Quando Lucilene percebeu o medo que escorria marrom e pastoso pelas coxas do amigo, não conseguiu controlar a gargalhada.

– Eu… te odeio, Lucilene!

Foi a última coisa que ouviu de Edson antes de fugir para São Paulo.

***

O tempo também era cruel com as bruxas e agora a velha era pouco mais que uma silhueta encurvada arrastando-se apoiada num cajado. Aos seus pés, um gato preto ziguezagueava sorrateiro. “Caramba, será que é o mesmo? Quanto tempo um gato pode viver?” – Lucilene refletiu, sentindo em seu coração o mesmo pavor irracional que subia pelas canelas arrepiando todo o corpo até fazer nó na garganta, o mesmo incômodo gelado que sentia na infância ao ver aquela mulher.

– Olha, mãmã… miau! Posso bincá? – Sophia perguntou, apontando o felino que também a contemplava ao longe.

– Não, filha… não.

– Pu quê, mãmã?

Lucilene pensou – “porque eu quero que ao menos as memórias dessa velha bruxa continuem vivendo com dignidade dentro de mim…”.

Mas disse apenas:

– Porque não, meu amor. Porque não…

Anúncios

33 comentários em “Memórias de uma Bruxa (Fabio Baptista)

  1. Fabio Baptista
    21 de agosto de 2014

    Gostaria de agradecer antecipadamente todos os comentários que foram postados aqui, de quem gostou e de quem não gostou (cruzando os dedos para que o primeiro grupo tenha sido esmagadora maioria e que o segundo grupo não tenha comentado todos os contos e sido eliminado impiedosamente do desafio BWUHAHUHUAHUA).

    Confesso que estou ansioso para ver o que as pessoas acharam do texto e um pouco mais ansioso para ver algumas opiniões em particular, nesse e também nos outros contos. Sempre divertido ver as críticas, construtivas ou não… acho que elas nos ajudam no processo de maturidade.

    Mas já aviso que se alguém tiver falado que depois de ler meu texto foi reler Rafael Dracoon e achou bom, o bagulho vai ficar doido! kkkkkkkkkk

    Olha… independente do resultado, gostei muito desse formato do desafio. Muito mesmo. É um tanto complicado controlar a curiosidade, mas tenho certeza que vale a pena.

    Estou pensando na questão das notas… tenho uma outra proposta que seria mais ou menos assim – cada um indica dois grupos, com quantos textos quiser em cada: 1 – Melhores / 2 – Menções Honrosas. Quem estiver nos melhores ganha 10, menção honrosa 6. Vou expor melhor a ideia depois, só quis adiantar aqui pra não parecer choradeira de perdedor depois que saírem os resultados kkkkk

    Foi muito bacana escrever esse texto. A princípio, fiquei p*** da vida porque a votação teve uma virada e mudou o tema na última hora (já estava na página 3 do pecado), mas acabou sendo uma oportunidade de escrever algo diferente, e gostei do resultado.

    Fazendo aqui uma previsão com minha bola de cristal de bruxo do subúrbio… acredito que ficarei entre 3º e 7º (ia falar entre 2º e 30º, mas preferi abusar um pouco nos dons Mãe Dinahticos). Espero que em 3º (minhas paredes agradeceriam), mas estou com a impressão que a sina do 4º lugar vai me perseguir de novo! kkkkkk

    Se ficar menos que 7º, acho melhor voltarmos as regras tudo de novo! Tava melhor do outro jeito! HUAHUAHUAHUA

    Grande abraço e até o próximo desafio!

    “SPARTANS! Enjoy your breakfast… for tonight we dine in Hell!”

  2. Isabella Andrade
    21 de agosto de 2014

    Gostei do conto. Alguns erros de pontuação, e algumas redundâncias, mas tirando os excessos o conto mantém a qualidade do desafio.

  3. Marquidones Filho
    8 de agosto de 2014

    Fiquei com a impressão de que ficou incompleto, apesar de muito bem escrito.

  4. Gustavo Araujo
    5 de agosto de 2014

    Muito bem escrito. Quase isento de erros — só notei uma falha de paralelismo verbal no primeiro parágrafo. Personagens bem construídos e cativantes. Fiquei com pena do Edson (para falar a verdade, até me identifiquei com ele, rs). A relação de Lucilene com a filha Sophia também ficou bacana. O ponto fraco do conto é a bruxa. Assim como em outros textos aqui no desafio, esse aspecto ficou forçado. A referência a “bruxa”, poderia ser substituída por “mendiga”, ou por qualquer outro tipo de entidade. O que quero dizer é que o elemento “bruxaria” não faz diferença no conto. A história é sobre relações humanas e nisso acerta em cheio. Eu, pessoalmente, gosto muito desse tipo de narrativa. Me lembra Khaled Hosseini, especialmente “O Silêncio das Montanhas”.
    Mas o tema, ah, o tema, também influencia na nota. Se este conto estivesse no “tema livre”, eu não hesitaria em dar-lhe nota máxima, mas aqui, me vejo obrigado a sopesar essa fuga. Também torci o nariz para o uso do “seo” — sei que não está errado, mas como vemos com pouca frequencia, soa um pouco estranho.
    Mas é isso. Ótimo conto. Com certeza estará nas cabeças. Parabéns.

  5. Walter Lopes
    4 de agosto de 2014

    Gostei muito das passagens de tempo. Achei o texto muito bem elaborado.

  6. Juliano Gadêlha
    4 de agosto de 2014

    Ótima escrita, diálogos muito bem trabalhados e fluidos, naturalidade nas falas. Acho que o limite de palavras não permitiu que o autor explorasse melhor a história, mas mesmo assim ficou boa. Parabéns!

  7. fernandoabreude88
    4 de agosto de 2014

    Acho que uma boa história sempre consegue elevar o nível do conto e conduzir o leitor ao final sem maiores problemas. O centro de tudo aqui é essa mulher, personagem magnético que me fez torcer por ele. Bom conto, gostei.

  8. Fil Felix
    4 de agosto de 2014

    Gostei da história, do regionalismo (deixando a bruxa mais caricata). Apesar de um pouco longa, é interessante por narrar um espaço grande de tempo.

  9. Lucas Almeida Dos Santos
    3 de agosto de 2014

    É interessante a forma critica que a personagem pensa a respeito dos costumes ultrapassados dos mais velhos de sua família mas pra não causar briga não expõe sua opinião. Gostei mais disso do que um conto sobre bruxas rs.
    Parabéns.

  10. Swylmar.Ferreira
    3 de agosto de 2014

    Boa tarde
    O conto é até interessante, mas ao meu ver passa ao largo do tema proposto.
    Não achei legal (meu pensamento) – utilizar palavras erradas com o dialogo da criança.

  11. Martha Angelo
    3 de agosto de 2014

    Um bom conto. A “mulher esquisita” do bairro, a “bruxa” que vive na memória da infância, gostei da ideia e prendeu minha atenção até o fim, embora os inúmeros flash backs e divagações tenham diluído um pouco o clímax da leitura.

  12. Marcellus
    2 de agosto de 2014

    Gostei do conto. Achei apenas que exagerou um pouco no regionalismo, mas, de qualquer forma, é um bom conto.

    Boa sorte!

  13. Carmem Soares
    31 de julho de 2014

    De forma geral a leitura me agradou, embora o final tenha decepcionado um pouco.
    A narração é atraente, os sotaques dos personagens ficaram perfeitos, deliciosos de ler, os diálogos soaram bem reais.
    O que me incomodou:

    – O tema bruxa não foi bem trabalhado no texto, aparece de forma muito superficial.
    – No primeiro parágrafo a frase que inicia em “O sapotizeiro…” e termina em “ meio dia” ficou grande demais.
    – O uso de itálico em algumas palavras prejudicou a leitura. Deveria ter sido evitado ou, em último caso, ter sido utilizado em toda a fala.
    – A palavra “seo” no lugar de senhor deveria aparecer com letra maiúscula e o (o) não me soou como sotaque. Ex: “seo Norberto”

    Abraços!

  14. Weslley Reis
    31 de julho de 2014

    Com certeza um belo conto. A construção da protagonista e do cenário foram ótimas, e os diálogos regionalizados funcionaram muito bem para isso. Outra coisa importante é a discussão levantada sobre a libertação da mulher.

    Minha única crítica é em relação a bruxa em específico. Não captei a real importância dela na história. Funcionaria quase do mesmo modo sem esse elemento, ao meu ver. Mas isso pode ser pessoal.

    Parabéns pelo conto.

  15. Eduardo Matias dos Santos
    30 de julho de 2014

    Legal a presença do regionalismo e o retrato da realidade macabra que é um abuso. Muito interessante!

  16. Caos
    28 de julho de 2014

    Não é um conto ruim, pelo contrário, o autor(a) sabe contar uma boa estória, optou por um estilo que gosto que, é narrativa como um bom causo, mas não sei, não teve o impacto que eu esperava, principalmente o desfecho.

    Houve bons ingredientes, como doses de humor, suspense e uma montagem interessante dos acontecimentos… Mas a divisão deles não me agradou. Quando terminava um parágrafo, eu não sentia tanta curiosidade em querer descobrir mais.

    Alguns pequenos equívocos gramaticais, mas relendo o meu conto após a postagem, também percebi que tinha..risos… e um meio idiota mesmo… Então, num todo eu acho que o conto foi bom.

    Desejo sorte a você no desafio, e reconheço sim, o bom trato da língua e versatilidade na narrativa. As duas principais qualidades aqui a meu ver.

    Abração!

  17. Thata Pereira
    28 de julho de 2014

    Gostei de duas passagens do conto: quando o desafio foi proposto e depois quando Edson volta da casa da bruxa.

    A impressão que tive foi que dois temas misturaram-se e nenhum dos dois foi explorado: a violência sofrida pela menina quando criança, com a raiva sentida após a morte do pai e a bruxa. Não consegui casar as duas coisas ao ler. Isso fez com que o tema desse mês fosse muito pouco explorado, também.

    Uma outra coisa que me incomodou foi a fala da criança. Entendo a impressão que o(a) autor(a) quis passar, mas para mim soou forçado.

    Boa sorte!!

  18. Rodrigues
    28 de julho de 2014

    Conto muito bom. Apesar dos lapsos temporais às vezes me complicarem, consegui seguir na leitura tranquilo, as mudanças no tempo deixando a história cada vez mais interessante. Entre as passagens que mais gostei, estão o retorno da mulher, onde o estranhamento com a família me deixou perplexo, me peguei várias vezes pensando – nas devidas circunstâncias – “já passei por isso”, e essa raiva que ela sente, a diferença entre pensamento e ação, foi muito bem trabalhada. O conto não chega a ser de terror, mas tem uma tensão que me fez sentir medo ao terminar de ler essa frase: “Depois de tantos anos, novamente viu a bruxa”. Não achei o final muito impactante, mas não caiu mal, meio morno, sei lá, mas não estragou o conto.

    Só pra constar, eu limaria tudo isso aqui:

    suaves como canoas verdes singrando num mar de sonhos (excesso)

    com a convicção que só os hormônios da puberdade podem conceder. (um excitado resolveria)

    a mesma praça, o mesmo banco, as mesmas flores e o mesmo jardim (apesar de ser uma referência de época, achei que não caiu legal)

  19. Ricardo Gnecco Falco
    28 de julho de 2014

    Adorei! 😉 Conto deliciosamente belo! Sei que ainda é cedo, mas pretendo elencar esta obra-prima aqui lá no alto do pódio. Conto bom é conto bom, não tem jeito… Que delícia de história! Que delícia de personagem! Que delícia de foco narrativo!
    Muito bom, mesmo. Parabéns! Vim lendo de trás pra frente os trabalhos postados no Desafio e isso só aumentou o valor deste conto! Visualizei cada cena, senti cada palavra, e viajei não apenas para a pracinha da foto, mas para uma cidade e época verdadeiramente vivida e que já faz parte de meu passado deliciosamente irreal, como somente uma boa história pode fazer com nossos pensamentos, transformando-os em pseudo-lembranças. Que delícia… De-lí-cia! Nem a maldade (doença?) traumatizante do pai-defunto conseguiu apagar o brilho desta história deliciosa. Deliciosa…
    Parabéns!
    Ah, e obrigado pelas sensações proporcionadas! A melhor tinta é a produzida pelo coração e, aqui, o nanquim é vermelho! 🙂
    Parabéns (de novo!),
    Boa sorte,
    Paz e Bem!

  20. Wender Lemes
    27 de julho de 2014

    Olá. Parabéns pelo conto! É do tipo que eu gosto de ler: muito bem escrito. O enredo é aparentemente simples, mas é carregado com pequenos cutucões no estômago: não chegam a ser socos, mas desestabilizam igualmente. Gostei dos regionalismos e da descontinuidade temporal também. Enfim, boa sorte no desafio.

  21. Edivana
    26 de julho de 2014

    Gostei. O romance adolescente é legal. A valentia do garoto e a consequente cagada nas calças é engraçada, o choque do abuso infantil é bom! A volta ao lar é sempre um tema batido, mas não ficou ruim, até porque há um bom motivo pra ela ter saído de casa. O que não gostei foi a quebra de tempo entre os capítulo, explico-me. Eu sou ruim de guardar nomes, e quando apareceu o pai da Lucilene mandando ela tirar a saia e sentar no colo dele, achei que fosse o ex-namorado dela que tinha uma filha de nome Lucilene e que ele abusava da garota, só fui entender que aquele capítulo estava no passado da personagem no começo do outro.
    Mas é uma boa história, e é bom a bruxa terminar com sua dignidade. Parabéns.

  22. rubemcabral
    25 de julho de 2014

    Gostei bastante! Embora tenha sentido que o conto tenha ficado “apertado” nas 2000 palavras, achei bem escrito, com algumas passagens bonitas e poéticas. Gostei das falas regionalistas e da ambientação também.

    Talvez pela “ideia grande”, muitas pontas ficaram pouco exploradas: o incesto, a própria figura da bruxa, e até o romance de adolescência.

  23. Pétrya Bischoff
    24 de julho de 2014

    Bueno, gostei muito da narrativa e descrição do primeiro parágrafo e do início da segunda parte. No entanto, a estória não me convenceu. Li uma segunda vez e fiquei sem entender aquele final. E também não entendi pq falar dos abusos do pai; talvez para justificar a saída de Lucilene da cidade, mas não senti necessidade disso. Poderia haver um entrosamento maior desse abuso com a bruxaria, slá.
    Enfim, boa sorte.

  24. Pedro Luna
    24 de julho de 2014

    Conto bem escrito. No entanto, a trama não me agradou. As idas e vindas no tempo só serviram, na minha opinião, para tentar tornar o conto mais complexo, criando opostos entre a infância e a amargura da vida adulta. Interessante, mas para mim não funcionou por falta de atrativos para deixar a história mais bacana. Gostei mais da parte das crianças, e teria curtido o conto se ele tivesse ficado por aí. Quanto a escrita, digo de novo que achei muito boa.

  25. rsollberg
    24 de julho de 2014

    Um conto muito interessante. Muitas tramas, que não se aprofundam tanto quanto eu gostaria. A bruxa é, obviamente, apenas um detalhe´. A estória tem um apelo emotivo, uma força nostálgica, mas não funcionou bem comigo, apesar de estar muito bem escrita.
    Espero os outros leitores não concordem comigo e curtam bem mais.

    De qualquer modo, parabéns e boa sorte no desafio.

  26. Leandro B.
    23 de julho de 2014

    O regionalismo do início me incomodou um pouco, tendo em vista que o narrador se utiliza de uma linguagem completamente diferente. Senti, ali, uma ruptura muito forte entre narrador e história.

    Essa impressão foi atenuada no restante do texto. Uma vez voltando da cidade, após um salto temporal, personagem e narrador parecem se encontrar, ditando um tom que achei mais confortável pelo resto da leitura.

    A história é simples e parece que escolhe um caminho alternativo ao impacto, buscando um caráter mais reflexivo. Acho importante que contos possuam mensagens, mas talvez a abordagem feminista tenha ficado um pouco gratuita neste trecho:

    “olha tia, talvez a senhora não acredite, mas nós, mulheres, podemos viver muito bem sem homem. Claro que seria legal ter um companheiro para dividir os bons momentos, mas não estou com a menor pressa e definitivamente prefiro ficar sozinha a conviver com um babaca qualquer só pra falar que tenho marido, ou então manter um casamento de fachada e ficar de safadeza com o padeiro, como fez alguém da família durante anos e anos, né?”

    Talvez fosse possível expor essa ideia de forma mais sútil. De novo, sou completamente a favor de levantar problemáticas, só achei que essa passagem ficou um pouco… agressiva demais, talvez.

    Quando li o título imaginei que veríamos a perspectiva de uma bruxa sobre o seu passado, mas não era isso. Essa confusão é intencional? Se não for, talvez valha a pena modificá-lo.

    Achei a narrativa bem competente. Fico com um pé atrás em relação ao abuso que o pai cometeu. Talvez ele pudesse ter sido mais explorado.

    Lembrando que só estou fazendo apontamentos dentro da minha perspectiva limitada de leitor. De modo algum quero sugerir que o texto ficaria melhor com as minhas sugestões.

    De todo modo, achei o conto bacana. O saldo no final foi bem positivo, parabéns.

  27. José Geraldo Gouvêa
    23 de julho de 2014

    Um conto sem sobrenatural. Acho que desta vez o meu conto ficou contra a corrente de novo… heheheh…. A história é boa, embora um tanto mal desenvolvida em alguns lugares. Mas isso pode ser impressão minha, ou efeito da contagem de palavras ser limitada a 2 mil. De qualquer forma é um texto bonito.

  28. mariasantino1
    23 de julho de 2014

    Opa! Bim, bim, bim! (onomatopeias do demo, seu sei :/ ) Eis que surge o primeiro conto do certame!
    .
    Fala aí? Esse trechinho é bacana: “gritava, com comoção Shakespeariana”
    .
    Bem, vou te contar, achei que a bruxa ficou plainando na vassoura em tua trama, amigo (a). São duas estórias aqui que não se unem bem, a Luciene tem seus fantasmas do passado e há a bruxa que só foi usada devido ao tema escolhido, mas não conseguiu se conectar com o mesmo. Se me permite, acho que o conto poderia ficar mais interessante se a própria Luciene fosse vista como bruxa pela família, mal vista pelo que aconteceu entre ela e o pai (Seo Norberto), então ela se lembraria de quando contou tudo o que houve (no passado) e de como eles se voltaria contra ela, a chamando de “bruxa” ou algo assim. Ela teria saído de casa tendo que retornar agora com a morte do pai para rever os “Fantasmas”.
    .
    Bem, é isso vice? Um chêro!

  29. JC Lemos
    23 de julho de 2014

    Achei o conto morno. Tem um boa escrita e que flui sem nenhum problema, criando belas imagens no decorrer da estória. O enredo não me encheu muito os olhos, mas creio que seja apenas uma questão de gosto. Senti falta de um pouco mais de bruxas.

    Desejo-lhe sorte no desafio!
    Parabéns!

  30. Willians Marc
    23 de julho de 2014

    Olá, gostei do conto quase todo, com exceção do final que ao meu ver ficou aberto demais. O vocabulário e os diálogos estão excelentes. O uso da palavra “seo” me incomodou um pouco, consultei em vários sites e acredito que o correto seria usar “seu” com a letra u mesmo. Algo que me agradou muito, foi o uso de jogadores de futebol para mostrar em qual período do tempo a estória se passava.

    Parabéns pelo conto e boa sorte!

  31. Eduardo Selga
    23 de julho de 2014

    O conto apresenta um defeito grave, qual seja, a presença de núcleos dramáticos gratuitos, ou seja, completamente dispensáveis no enredo. A argamassa que liga os diversos núcleos é frágil, mormente a ação situada no meio do texto, a chegada da personagem para o velório do pai. não é um caminho necessário à trama, principalmente porque nele ocorre a abertura de uma outra estrada, também não explorada: a sugestão de incesto.

    Esse tipo de ocorrência, essas pontas soltas, é um risco em que todo contista incorre ao decidir trabalhar com mais de um núcleo, tendo todos eles mais ou menos o mesmo peso. O gênero narrativo denominado “conto” não costuma aceitar bem essa multiplicidade, cabível numa novela ou num romance.

    Muito boa a utilização do falar regional, sem cair no estereótipo fácil e transmitindo bem o modo conservador e místico de pensar da população interiorana. Mais interessante que o simples uso de palavras ligadas a esse universo (como “oxente”), foi a sintaxe adequada. Em “Passei foi só pra me despedir do seo Norberto mesmo, […]”, o posicionamento de ” foi”, na frase, não encontra abrigo na norma padrão, mas está perfeitamente adequado ao personagem.

    É um conto pouco inspirado do ponto de vista da construção de imagens literárias. Talvez muito rebuscamento não caísse bem, é verdade, em função de refletir o universo interiorano, mas o prosaico me parece excessivo. Veja, não o prosaísmo, mas o prosaico. Ou seja, alguma poesia é preciso num texto literário em prosa. Uma bela exceção, que infelizmente não encontra muitos ecos noutras parte do conto está na metáfora “[…] Lucilene percebeu O MEDO QUE ESCORRIA MARROM E PASTOSO pelas coxas do amigo […]”.

  32. David.Mayer
    23 de julho de 2014

    O que gostei:
    A escrita apurada, a história, o desenvolvimento da narrativa.

    O que não gostei:
    O tema do desafio foi posto em segundo plano. A palavra Bruxa poderia ter sido substituída por outra e não prejudicaria a leitura e entendimento.

    O que poderia ser melhorado:
    Nada. A escrita é de alguém muito competente e que escolhe bem as palavras. Parabéns ao autor/a.

  33. Claudia Roberta Angst
    23 de julho de 2014

    E lá vamos nós abrindo os trabalhos. Primeiro conto postado, será meu o primeiro comentário? Enfim, vamos ao que interessa: a bruxa. Não percebi nenhum deslize gramatical, salvo onde necessário para manter o linguajar típico de cada personagem verossímil. Aliás, invejo essa capacidade de adequar o palavreado a cada situação.
    O texto possui uma elegância inerente, ao mesmo tempo que agrada o leitor com um humor suave, pequenos toques de ironia e poesia misturados. Acho que já li algo desse(a) autor(a), mas pode ser só impressão.
    A trama em si me agradou, a simplicidade de um enredo baseado em lembranças de adolescência, a visão ingênua dos fatos deixados lá no passado.
    A bruxa não é o elemento principal, pois poderia ser apenas uma velhinha de hábitos excêntricos. No entanto, há bruxaria em toda a narrativa, já que o tempo lançou feitiço nas memórias da menina.
    É, acho que começamos bem. Parabéns e boa sorte!
    Que venham as bruxas!

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado às 22 de julho de 2014 por em Bruxas e marcado .