EntreContos

Detox Literário.

Rapsódia Imperfeita (Bia Machado)

praia-lumina

Isso é a vida real?

Isso é só fantasia?

(Freddie Mercury)

 

Então vocês vieram. Exatamente da forma como meu pai disse. Quase uma profecia. Isso se encontrarem esta carta. Espero sinceramente que encontrem. Gostaria que minhas palavras chegassem a vocês, apesar de tudo. O que eu não daria para poder ver a expressão nos rostos de vocês! Não se pode vencer sempre, é fato.

 

Ele não era o meu pai, sabem bem disso. Porém, nas poucas vezes em que o chamei de criador fui corrigida com toda a ternura que somente um pai poderia usar para corrigir a própria filha.

 

“Lá éramos criador e criatura. Aqui somos pai e filha”, ele me explicou.

 

Lá, o Continente. Fantasiei às vezes nosso retorno. Estava certa de que era apenas fantasia. Sim, apenas para informá-los, era capaz de imaginar, de criar e de planejar. Para espanto e decepção (e talvez um pouco de orgulho ferido?) de todos vocês. Para minha sorte. Tive a maior sorte do mundo ao ser criada e protegida por um humano que, a meu ver, não há igual por aí, nascendo a todo momento, já que até isso é passível do controle da “humanidade”.

 

E me ensinou tudo o que sei. E o que sei é exatamente o que ele achou pertinente me ensinar, transferindo para o meu sistema todos os ensinamentos recebidos em sua longa vida, até mesmo de coisas não vividas, mas que faziam parte de sua história, a história dele que até certo momento foi a mesma de vocês. Só que ele me ensinou também que vocês decidiram enterrar todas as histórias, guardá-las bem a salvo de delírios e tentativas fantasiosas de se tentar voltar ao que era antes, “porque isso é impossível, é perda de tempo”. Um decreto contra tudo o que pudesse lembrar o passado. Deixar no presente apenas o que fosse considerado proveitoso, necessário. E seguro.

 

Com ele aprendi a ser alguém. Não humano. Alguém. Seja o que for que essa palavra signifique, me olhava às vezes e dizia: “estou feliz por te fazer melhor do que a maioria que sobrou”.

 

Sim, ele falava de vocês. Os selecionados, ele ironizava. Aqueles que aceitaram se render, justificando que o mundo, desde aquele fatídico acontecimento, era apenas para os que podiam contribuir de alguma forma para a nova ordem. E apenas para os humanos. Havia não-humanos demais, vocês decidiram. Isso não era interessante e seria fácil de resolver o problema.

 

Ele não concordava com nada disso. O Dr. Villas, renomado cientista, em vez de apoiar aos seus, escolheu viver seus últimos dias ao lado de uma não-humana. E vivemos muito bem. E fomos felizes, compreendem o que quero dizer com “felizes”? Já experimentaram o gosto disso, na vida real? Aposto que nem na fantasia. Acredito que também não sabem mais o que é isso. Têm medo de redescobrir a felicidade, medo de se tornarem fracos.

 

É certo que não restava muito tempo ao meu pai. Menos de três anos e, para ser exata, foram dois anos, oito meses e dezessete dias. Ele sabia disso e eu também. Apesar de conscientes dessa brevidade, conversávamos pouco sobre como seria depois que ele se fosse. Na verdade, conversamos apenas uma vez, e o pacto foi selado.

 

“Não duraremos para sempre, garota. Tenho menos tempo ainda do que você. Não queira viver além do necessário. Muitos vivem décadas e décadas e não chegam a ser alguém. Conseguimos, não conseguimos? Vencemos todos os que torciam contra nós.”

 

As instruções foram bem claras. Quando ele partisse, eu devia usar os instrumentos trazidos para cremar seu corpo, espalhar suas cinzas, jogando-as ao mar. Foi bem categórico quanto a isso, principalmente quanto ao desejo de que eu fizesse isso tudo ouvindo ininterruptamente Bohemian Rhapsody, uma das milhares de músicas que ele trouxe no dispositivo, mas esta era a sua preferida, muito à frente de qualquer outra.

 

Claro, vocês não sabiam que ele tinha pouco tempo. Tudo o que acham que sabem é que o conhecimento científico do renomado Dr. Villas, por não concordar com as intenções de quem está no comando de tudo ao redor dessa ilha, era totalmente dispensável. Concordo. Não havia espaço para ele nesse mundo aí fora. Nem para ele, muito menos para mim. Não havia espaço para nós.

 

Ele pediu que terminasse com tudo assim que notasse os sinais de que vocês estavam chegando, por ar ou por mar, não importa. Deveria digitar os quinze dígitos da senha de desprogramação, tornando-me assim algo totalmente obsoleto a vocês. Bem, em parte cumpri essas determinações. E ele certamente me perdoaria por essa leve teimosia, já que me ensinou a ser assim. Para ele, ser teimoso era necessário para que tivéssemos o direito de nos autodenominarmos “alguém”. Eu poderia até mesmo ter voltado para o Continente, se assim fosse o meu desejo. Ele me deixou livre para poder ser o que eu decidi ser. Já sabem a minha escolha.

 

Quando terminar de escrever esta carta, a única que escrevi em minha curta vida, vou deixá-la na cabana, junto com as outras coisas. Será bem fácil encontrá-la. Quando chegarem, e sei que chegarão, demore muito  ou pouco, afinal parece que vocês não desistem fácil das coisas (a tal da teimosia?), encontrarão quase tudo o que desejavam. Mais do que merecem.

 

Quanto a mim, estarei no fundo do mar. Foi a minha escolha, o que decidi fazer. Amarrarei um peso aos pés e afundarei, observando pela última vez a vida que existe nesse planeta. Antes de chegar ao fundo, executarei a desprogramação. O que restar de mim ficará ali, até se desintegrar. É esse o meu plano, o meu desejo, terminar no mesmo lugar onde meu pai terminou. Que seja feita a minha vontade.

 

Quanto a vocês, carry on, carry on. Anyway the wind blows…

 

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37 comentários em “Rapsódia Imperfeita (Bia Machado)

  1. Thata Pereira
    12 de julho de 2014

    Gostei. Isso seria pouco provável, pois não estou nem um pouco acostumada com o tema desse conto, mas ele é pequeno e bem leve. Muito prazeroso de ler. Não foi incomodo sair da minha zona de conforto aqui. Acho isso muito bom!!

    Boa Sorte!!

    • Bia Machado
      13 de julho de 2014

      Obrigada, Thata. Na correria em que estou, pra participar só mesmo sendo assim, pequeno e bem leve. 😉

  2. Bia Machado
    11 de julho de 2014

    Gostei, foi uma leitura rápida. Diferente da Anorkinda, gosto muito de androides, FC etc., e acho que a ideia era essa, a de mostrar mais o que surgiu a partir da relação criador-criatura do que o cenário e as causas do que levou a isso. Curioso, estou lendo um livro, “A Estrada”, pós-apocalíptico, e sei que aconteceu algo, terrível, que levou à situação narrada no texto, mas meu foco está na relação pai-filho, nessa relação construída em uma situação ímpar, creio que deve ter sido essa a intenção dos autores, do livro que estou lendo e o desse conto aqui. Valeu a leitura! 😉

  3. rsollberg
    11 de julho de 2014

    Curti bastante. Essa relação entre criador e criatura, algo que apesar de milenar, ainda é e, na minha opinião, sempre será atual. A preocupação em se tornar “alguém”, e deixar de ser apenas algo. (o que gera resistência e enfrentamento, sempre).

    Importante ter ressaltado esse lado da autoconsciência que é próprio do ser-humano. O famigerado conflito entre razão e emoção, que é tão peculiar nesse tipo de conto, ficou muito bem em segundo plano. O final revela que a criatura possui a maior dádiva do ser humano: a escolha (livre-arbítrio, se preferir).

    Esse tom lacônico combinou perfeitamente com a estória, assim como a música, que também é cercada de mistérios e simbologia.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

    • Bia Machado
      13 de julho de 2014

      Obrigada pelo comentário, R. Solberg. 😉

  4. Cristiane
    11 de julho de 2014

    Posso imaginar, apenas imaginar, o que aconteceu com o resto do mundo a partir da carta escrita pela personagem. Pelo visto a história toda está na cabeça do autor, esperando tempo e espaço para se consolidar. Claro que isso não se constitui um defeito no texto, muito pelo contrário, consegui entender o contexto do momento sem que o autor precisasse se alongar nas descrições e isso é sempre positivo.

    O que me agradou: a imagem criador e criatura, a teimosia e o livre arbítrio como traços que a humanizam…

    Várias propostas interessantes dentro desse conto!

    Boa sorte no desafio.

    • Bia Machado
      13 de julho de 2014

      Obrigada pelo comentário, Cristiane! Sinto vontade de continuar a história, sempre que penso em um enredo para um conto. É duro ter que me frear, seja por espaço (eu não gosto de ler na tela, fico imaginando se os outros gostam ou não, também, rs) ou por falta de tempo.

      • Cristiane Muniz
        13 de julho de 2014

        Admiro quem consegue criar história completas e mirabolantes. Invejo também, mas uma invejinha positiva. rs A propósito, euzinha aqui não me importo em ler na tela. #; )

    • Bia Machado
      13 de julho de 2014

      Confesso que o tamanho da maioria dos meus contos é quase que no limite, rs. Se o regulamento diz 3500 palavras, pode ter certeza de que vou sofrer pra não passar disso, rs. Mas tenho escrito coisas mais curtas como um exercício, acho isso bom, quanto mais curto, mais difícil, rs. Fora o tempo. Quase não escrevi para esse desafio. Mas a ideia me surgiu do nada e eu escrevi esse conto em coisa de uma, duas horas, não mais que isso, depois de pesquisar se a letra da música poderia ter algo a ver com o que eu estava pensando, ou não. E ele ia ficar até menor, não chegaria nem a mil palavras, rs. Mas resolvi mudar algumas coisas e passou um pouquinho, rs. Foi muito bom escrevê-lo! Talvez um dia eu encompride um pouco a história, rs. =) Que bom que não se importa com a leitura na tela. Só leio na tela por obrigação mesmo. Fico feliz quando pego um conto enorme e nem vejo o final chegar, de tão bom. =)

  5. Pétrya Bischoff
    3 de julho de 2014

    Bueno, não consegui absorver o conto. Para mim foi mais um retalho, sem antes (essa revolução cibernética e revolta humana com as criaturas) ou depois (morreu, desconfigurou e fim). Penso que não tenha me envolvido pela temática não me agradar. No entanto, senti empatia pelo autor em sua declaração de que “escrever o que se gosta é correr riscos”, pois também sofro desses males. Boa sorte.

    • Bia Machado
      13 de julho de 2014

      Obrigada por comentar, Pétrya! Só discordo quando você diz que escrevi um retalho. Não havia o antes porque, se a personagem estava escrevendo aos humanos, ela comentaria a situação com eles, sabendo menos do que eles? Me questionei muito enquanto escrevia, principalmente: qual seria o conteúdo dessa carta? Quanto à temática, acontece, ainda mais em um desafio de tema livre, onde qualquer um pode ser abordado. Valeu por comentar!

  6. Marcelo Porto
    25 de junho de 2014

    Não me envolvi.

    Um romance cibernético ou uma tentativa do homem em se tornar Deus? Eu prefiro as máquinas um pouco mais malvadas e menos melancólicas, caso eu fosse o autor com certeza sairia algo tipo a Cyberdyne. Rsrs

    Por aqui vai ter muita gente que vai adorar esse texto.

    • Leminiscata
      28 de junho de 2014

      “Eu prefiro as máquinas um pouco mais malvadas e menos melancólicas”. Eu já prefiro máquinas interessantes, sejam do jeito que forem.

      “Por aqui vai ter muita gente que vai adorar esse texto.” – Pelo visto, acho que não. Mas é isso. Escrever o que se gosta é correr riscos. Valeu o comentário.

  7. Fabio Baptista
    25 de junho de 2014

    Não gostei.

    Fiquei na dúvida do que o texto tratava até a metade… fiquei com as referência bíblicas na cabeça, mas imaginei que não seria por aí. Quando o “segredo” é revelado, não surtiu muito impacto.

    As reflexões despertadas são até boas, mas não me cativaram, assim como a escrita que, embora sem falhas, também não brilha. Frases curtas demais para o meu paladar.

    Acho que seria interessante um “flashback” mostrando diálogos entre criador/criatura.

    Abraço.

    • Leminiscata
      28 de junho de 2014

      Não quis colocar um flashback porque o texto foi construído em forma de carta. Também nem me passou pela cabeça referências bíblicas. O texto saiu de uma vez só, sem muito a pensar, escrevi apenas pelo prazer de tê-lo escrito, da forma como gostaria de ter escrito, e tenho tendência ao estranhamento, rs. Agradecido pelo comentário.

  8. tamarapadilha
    25 de junho de 2014

    Não tive tempo de sentir-me presa pelo conto. Foi bastante breve, mas adorei sua escrita e o ar de mistério que deixou no ar. Fica a curiosidade de saber quem era o criador, quem era a criação. Quem viria pegá-los… Em fim. No geral gostei bastante. Parabéns.

    • Leminiscata
      28 de junho de 2014

      Se não se sentiu presa pelo conto, a culpa é toda minha, afinal escolhi que ele fosse assim, breve. Que bom que o conto teve esse ar de mistério, foi mesmo a minha intenção. Agradeço pelo comentário. 😉

  9. Anorkinda Neide
    25 de junho de 2014

    Nunca consigo me envolver com máquinas pensantes… rsrsrs
    Não surgiu uma ainda que me cativasse… sorry!

    • Leminiscata
      28 de junho de 2014

      Azar pra mim então, né, que em um desafio de tema livre escolheu justo um tema do qual você não gostasse, rsss… Tente ler “O Homem Bicentenário”, quem sabe isso muda? =)

  10. Brian Oliveira Lancaster
    24 de junho de 2014

    Essa imagem, por acaso, é do filme Contato? Gostei do tom de despedida e ambíguo no decorrer do conto. Não fica claro quem na verdade são os que “vão chegar”. O ciclo relembrando o início me agradou bastante.

    • Leminiscata
      28 de junho de 2014

      Agradeço por seu comentário, Brian. Não sei se essa imagem é do filme Contato, ainda não o assisti. Pensava em colocar algo mostrando o fundo do mar, mas não achei o que queria. De qualquer forma, acho que essa imagem tem bastante a ver com a história.

  11. Jefferson Reis
    24 de junho de 2014

    Quanta estranheza!

    Gostei do que a leitura me fez sentir. Seu conto combina com meu mundo, Lemniscata.

    • Leminiscata
      28 de junho de 2014

      Com o meu também, Jefferson! Escrevo só o que gosto, rs. A estranheza me ganha. =)

  12. Claudia Roberta Angst
    23 de junho de 2014

    Uma ideia interessante centrada na relação criador-criatura. Gostaria de ter lido algo mais sobre a relação pessoal dos dois (certo – relação pessoa/máquina), para acompanhar melhor o tom melancólico de todo o conto.
    A escolha da música Bohemian Rhapsody foi apropriada, pelo menos para mim, que a aprecio bastante. A imagem também é linda.
    Boa sorte!

    • mariasantino1
      23 de junho de 2014

      Hey, Cláudia, Queen é demais 😀

    • Leminiscata
      28 de junho de 2014

      Sim, você pegou bem o que eu quir focar: a relação entre os dois. E por isso não quis dar mais detalhes, porque achei que a personagem não contaria tantas coisas em uma carta a desconhecidos. Se o texto fosse além de uma carta, aí sim precisariam mais detalhes. Agradeço pelo comentário.

  13. Swylmar Ferreira
    23 de junho de 2014

    Texto interessante apesar de triste, enredo bom e narrativa bem pausada.
    Lemniscata, talvez se tivesse explicado o contexto um pouco mais, ficaria mais interessante, mais palatável. De qualquer modo gostei de sua obra.
    Parabéns

    • Leminiscata
      28 de junho de 2014

      Talvez, Swylmar. Mas asseguro que gostei da versão que está aí. Obrigado por comentar.

  14. Edivana
    23 de junho de 2014

    Não sei dizer se gostei do conto, ele não chegou a me comover, mas achei a ideia interessante, e a música escolhida, sublime. Abraço, sorte!

  15. Tiago Quintana
    22 de junho de 2014

    Gostei bastante! Mesmo sem o contexto, os sentimentos da narradora ficaram bem claros, e a prosa é muito boa.
    A única coisa que me incomoda é a insistência de seres não-humanos na ficção tratarem a Humanidade como “atrasada” ou “retrógrada”, mas neste caso, visto a perseguição que a narradora e seu pai sofreram, é compreensível.

    • Tiago Quintana
      22 de junho de 2014

      Ah, sim: se não se incomodar, posso oferecer uma sugestão? Que tal se em vez de “Gostaria que minhas palavras chegassem a vocês, apesar de tudo. O que eu não daria para poder ver a expressão nos rostos de vocês!” ficasse “Gostaria que minhas palavras chegassem a vocês, apesar de tudo. O que eu não daria para poder ver a expressão em seus rostos!”? Assim não se repetiria o “vocês” tantas vezes.

      • Lemniscata
        22 de junho de 2014

        Olá. Claro que pode sugerir, afinal, é para isso que estamos postando aqui, não é? Quero muitas sugestões… =) Quanto à repetição, argh! Juro que não vi. Esse, porque vi que havia “vocês” mais do que gostaria, mas pensei: a primeira e única carta de uma não-humana não pode ser um exemplo de exímia composição, então mesmo não gostando muito da ideia, deixei da forma como estava. Achei até se não deveria colocar mais coisas que mostrassem a “falta de prática” nessa tarefa, mas… Quanto à questão da superioridade, acredito que a visão da personagem vem do “pai”, do humano. Ele é que estava descontente com os seus. Passou isso pra ela, a meu ver.

  16. mariasantino1
    21 de junho de 2014

    Gostei da angústia. Fiquei pensando nesse espécime aí e quão desastroso foi sua destruição, visto que ela era cheia de sentimentos. O casamento de máquinas (ou não humanos) com sentimentos, no geral, produzem bons resultados. Há muitas pontas soltas, mas imaginei muito e gostei.
    .
    Boa Sorte.
    .
    Ps- Boa música 😀

    • Leminiscata
      21 de junho de 2014

      “mas imaginei muito e gostei”. Que bom! Foram de propósito as pontas soltas, sou culpado totalmente delas estarem aí. Senão, o conto ficaria enorme. Digamos que tenha escrito o básico para fazer entender minha ideia. Quase isso. Abraço! 😉

  17. Eduardo Selga
    21 de junho de 2014

    É a desesperança humana personificada numa “mulher” criada por um humano. Neste conto, a protagonista, um robô “feminino” parece simbolizar o bíblico paraíso perdido. Por isso, ao chamar o cientista de “criador”, ela na verdade o denomina Deus. E não à toa ele recusa o tratamento: ao homem seria enorme heresia equiparar-se ao Criador, sustenta o cristianismo.

    Ela, robô, Eva pós moderna, é o ser humano teimoso, orgulhoso por se considerar o ápice da chamada Criação, embora insista em mostrar-se melhor que o Homem, exatamente por não ser humano. Não mesmo? E a teimosia, e a tristeza, e o suicídio final como saída um tanto heróica e melodramática? É, portanto, épico. Daí a adequação do título, pois a rapsódia é trecho cantado do poema épico. E como nada é gratuito em boa literatura, esse o motivo de menções musicais no texto.

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Publicado às 21 de junho de 2014 por em Tema Livre e marcado .