EntreContos

Detox Literário.

A Menina 2D (Ronaldo Brito Roque)

Quando a menina do espelho começou a conversar comigo, meu tio já tinha sofrido a primeira crise, e eu saquei que não podia falar dela para ninguém. Eu não estava nem um pouco a fim de passar meses trancada numa clínica, viver entupida de comprimidos, e ser tratada feito criança por todo mundo. Eu estava entrando na adolescência, e tudo que eu queria era ser tratada como adulta. Falar sobre a menina do espelho, contar que ela me dava uns conselhos maneiros — embora às vezes meio radicais — seria praticamente pedir que me internassem. Eu acabaria que nem o pobre do tio Sélton, que não tinha mais emprego e falava para todo mundo que era artista. Por isso eu trancava a porta para conversar com ela, e não contei nem para a Juliana, minha melhor amiga, que a menina do espelho existia.

O que mais me impressionava nem era que ela morasse no espelho, mas que ela acertasse todas as suas previsões. Ela foi a primeira a falar que minha mãe ia acabar pedindo o divórcio, e que minha irmã ia voltar do exterior ainda mais pobre que era antes. Disse que meu pai ia ficar muito solitário depois da separação e acabaria até gostando mais de mim. Eu ficava súper contente em ter uma amiga tão sagaz e morria de vontade de apresentá-la às meninas. Mas aí eu lembrava do tio Sélton, e tratava de ficar calada. Eu adorava minha amiga secreta, e o silêncio era o sacrifício que eu tinha que fazer para a gente continuar se vendo.

Como fui envelhecendo, comecei a consultá-la sobre coisas mais sérias. Quando fiz dezessete, por exemplo, todas as minhas amigas já tinham silicone, e eu sentia que também já estava precisando. O que não tinha crescido até os dezessete, provavelmente não ia crescer depois. Meu pai, naquela época, andava um amor comigo, adorava me encontrar nas baladas e ser apresentado às minhas amigas. Claro que elas não queriam nada com ele, mas eu inventava que elas o achavam um coroa muito fofo, e ele ficava rindo que nem sambista de televisão. Para minha surpresa, ele não se opôs à cirurgia, apenas perguntou se dava para parcelar no cartão de crédito. Minha mãe é que ficou contrariada, e começou a jogar um papo pessimista para cima de mim. Disse que o silicone podia estourar, que ia prejudicar a produção de leite, que podia tirar a sensibilidade do mamilo. Hoje sei que era tudo mentira, mas na época eu ficava assustada e ia correndo pedir opinião à menina do espelho. Ela sempre foi muito lúcida. Me explicou que minha mãe estava era morrendo de inveja, porque meu pai pagava tudo para mim, e para ela não dava nem presente de aniversário. Falou que os meninos iam me dar muito mais atenção, e isso ia botar minha autoestima lá nas alturas. E foi exatamente isso que aconteceu. Coloquei apenas trezentos mililitros em cada seio, mas já foi o bastante para que mil garotos pedissem meu telefone e falassem de mim o tempo todo, como se eu fosse uma dessas mulheres do Big Brother. Quase todo dia eu agradecia à menina do espelho, e ela ficava me elogiando e me olhando com tanta atenção que cheguei a pensar que ela podia ser bi. Mas eu não tinha que me preocupar com isso. Afinal, ela morava no espelho, e de lá não dava nem para me passar a mão.

Mas bastou eu pensar nisso para começar a sentir pena. A coitada ficava enclausurada naquele espelho, não podia ir para a balada, não pegava ninguém, só podia conversar comigo. Sinceramente, eu morria de dó. Às vezes, no meio de uma balada ou de uma festinha, eu ia para o banheiro e contava tudo que estava acontecendo, só para ela se distrair um pouco. De início ela gostava, me ouvia com atenção, e fazia observações interessantes sobre as minhas aventuras. Mas depois ela começou a falar umas coisas estranhas. Ficava me depreciando, enxergava defeito em tudo. Quando eu falava que algum carinha estava me cantando, ela perguntava:

— Você ainda gosta desse papo furado? Não está cansada desses joguinhos?

Quando eu contava alguma briguinha com a minha mãe, ela apelava:

— Você ainda não percebeu que ela quer que você saia de casa? Você não está muito velha para morar com a mamãe?

Ela estava ficando muito amarga, por isso nem comentei quando conheci o Fernando. Ele era mais velho, tinha um Audi e trabalhava de executivo numa importadora. Eu não sabia o que era executivo, mas, quando vi o apartamento lindo que ele tinha no Leblon, nem quis perguntar. Era um quarto-e-sala súper espaçoso. No quarto tinha cama de casal e no banheiro tinha até bidê. No dia que a gente transou no sofá, eu fiquei pensando: “Essa sala é tão grande! Se eu morasse aqui, poderia trazer minhas amigas para ver um filme.” Quando a gente transou na cama de casal, eu estiquei bem os braços e fiquei passando as mãos no lençol. O Fernando deve ter achado que eu estava gozando, mas eu estava era medindo a largura da cama, e pensando que dava tranquilo para a gente dormir ali sem se esbarrar. Minha alegria culminou no dia que dei uma desculpa para ir à cozinha e abri a geladeira dele. Meu Deus, tinha tudo que eu mais adorava: palmito, tomate seco, mussarela de búfala! Desde aquele dia foi como se eu estivesse apaixonada, porque comecei a pensar só no Fernando, a sonhar com o Fernando e a tentar fazer absolutamente tudo para agradar o Fernando, incluindo fingir que eu adorava sexo oral. Nunca me perguntei se ele era o homem da minha vida. Ele era a porta para o apartamento da minha vida, e era isso que importava.

Mas não fui boba de contar essas coisas para a menina do espelho. Do jeito que ela andava amarga, com certeza ia me encher de críticas. Ia falar que eu não amava o Fernando e via nele só uma solução para sair da casa da minha mãe. Ia inventar que ele também não me amava, e estava apenas obcecado pelo prazer que eu lhe dava na cama. Para evitar esse tipo de discussão, eu apenas cumprimentava a menina do espelho, e quando ela me perguntava alguma coisa mais íntima, eu dava uma desculpa e virava as costas. Eu já era uma adulta, estava na hora de tomar minhas decisões sozinha.

Fiquei um tempão sem falar com ela e não contei como foi o meu casamento, nem como minha mãe ficou contente quando eu me mudei. Não confessei minha enorme decepção com minha mãe, que nem queria saber se eu estava feliz, só estava louca que eu achasse outro lugar para morar. Não falei das inúmeras piadas que minha irmã ficou repetindo, só porque o Fernando era quase vinte anos mais velho que eu. E também enfrentei calada o preconceito das minhas amigas, que diziam que, se elas quisessem coroa, era só estalar o dedo que vinham duzentos. Eu não me ofendia com esse papo. Elas até podiam pegar coroa, mas quantos queriam levá-las para morar com eles? Elas não passavam de meninas burras, fúteis, não sabiam fazer um ravióli ao molho de funghi ou um petit gâteau com sorvete. Tinham nascido para aqueles bobocas malhados que só serviam para motobóis. Mas não comentei nada disso com a menina do espelho, porque eu sabia que ela ia me chamar de arrogante, e talvez até insinuar que eu não era assim tão diferente das minhas amigas.

Fui perdendo o contato com elas, comecei a gostar de literatura. Passei a ler uns livros antigos e demorados que não tinham nada a ver com vampiros ou lobisomens. Fui descobrindo um monte de mulheres que tinham vivido os mesmos problemas que eu, e aquilo me dava um tremendo alívio. Ler era bem mais seguro que falar com o espelho, porque eu podia ver os problemas dos outros, sem que ninguém visse os meus. Aliás acho que esqueci completamente a menina do espelho, de tão fascinada que eu ficava com aqueles livros, todos sobre solteiras que estavam loucas para casar ou casadas insatisfeitas que estavam loucas para ter amantes.

Nessa época, o Fernando adorava a minha comida, e falava que eu não precisava trabalhar, que eu devia ficar só cozinhando e cuidando dele. Se eu aceitei essa idéia, foi só porque eu adorava ler e pensava em fazer uma faculdade de Psicologia ou Letras. Mas, às vezes, a leitura ficava meio chata e eu comecei a entrar na internete e puxar assunto com uns estrangeiros, só para me distrair. Achei que o Fernando nunca ia ter ciúme de estrangeiro, porque um cara que estivesse do outro lado do mar podia até me cantar, mas não conseguiria me encostar a mão. E, além disso, eu só conversava com eles para praticar meu inglês e pedir dicas de livros. Claro que não tinha nada de mais.

O problema é que pintavam uns caras meio depravados, que pediam para eu fazer umas coisas indecentes. Uns queriam que eu ficasse só de calcinha, outros pediam que eu me masturbasse na frente da câmera. Claro que eu me recusava. Confesso que algumas propostas chegaram a me excitar, mas eu não estava nem um pouco a fim de entrar em crise com o Fernando e ter que voltar a morar com minha mãe. Quando eles vinham com aquele papo estranho, eu desconversava e tentava levar o assunto para livros. Foi assim que fiquei sabendo da Jane Austen, da Emily Brontë e de outras mulheres que pareciam bem mais infelizes que eu. Depois alguém me indicou umas autoras iranianas, e quando li os livros delas, aí sim, me senti satisfeitíssima com a vida! Meu Deus, como tinha mulher infeliz no mundo. E estava morando naquele apartamento arrumadinho, morava no Leblon, ia ao cinema todo sábado. Só sentia falta de sair para dançar, mas isso eu resolvia colocando uma música bem alta e arrumando a casa. Comecei a me sentir bem comigo mesma, e até pensei em voltar a falar com a menina do espelho, só para ter uma companhia.

Mas eu não devia ter pensado nisso, porque umas coisas muito estranhas começaram a acontecer. Já no dia seguinte recebi uns emeils de amigos da internete, agradecendo minha perfórmance, dizendo que eu tinha arrasado, que tinha sido incrível para eles e não sei mais o quê. Eu não fazia idéia do que eles estavam falando e achei que eles tinham pirado de ficar tanto tempo na frente do computador. Mas toda semana chegavam mais emeils, pedindo para eu fazer mais, alguns oferecendo até dinheiro, e fiquei feito louca perguntando o que estava acontecendo, de que diabo aquela gente estava falando. Quando um cara me contou, eu simplesmente não acreditei! Lógico que não era eu! Ou eles estavam me confundindo ou era uma puta alucinação coletiva! Mas logo me bateu uma intuição de que a menina do espelho tinha tudo a ver com aquela loucura. Fui correndo no banheiro tirar satisfação com ela.

— Pode aparecer e me explicar tudo que está acontecendo — mandei.

Nunca imaginei que ela fosse confessar com tanta naturalidade. Fiquei simplesmente chocada. Eu não sabia que ela era uma pervertida.

— Você não tem pena desses moleques? — ela perguntou. — São uns nerdes, nunca devem ter visto uma mulher pelada. Quê que custa mostrar um pouquinho?

— Você está louca?! Vai me dizer que usou minha imagem para ficar se exibindo na internete?!

— Lamento muito, amiguinha. Essa é a imagem que eu tenho. Não posso usar outra nem se eu quiser.

Mas ela falou aquilo de um jeito tão nojento que fiquei com vontade de matá-la. Uma espécie de satisfação maldosa, misturada com escárnio. Percebi que ela tinha até prazer em se passar por outra, em poder ser uma completa fraude, sem levar culpa nenhuma por isso. Me subiu uma raiva tão grande que, se ela não estivesse fechada dentro daquele espelho, eu tinha enfiado a mão na cara dela! Foi aí que eu lembrei que ela vivia no espelho. Como é que a safada tinha entrado na minha webcam? Perguntei na hora, e ouvi um papo muito suspeito.

— Eu não moro só no espelho — ela falou. — Posso me projetar em qualquer superfície plana que produza uma imagem dotada de sentido. Os monitores são superfícies planas e produzem imagens que… Bem, você entendeu.

Só que eu não tinha entendido, não. Superfície plana, imagem dotada de sentido?! Além de safada, a putinha agora era filósofa?

Fiquei muito transtornada e passei dias sem ligar o computador. Meu medo era que o Fernando descobrisse alguma coisa e achasse que a culpa era minha. Comecei a ter ódio da menina do espelho. Não era justo que aquela loucura pudesse acontecer. Ela podia aparecer em qualquer tela por aí, que todo mundo ia achar que era eu. Quando eu pensava nisso, ficava súper tensa, e comecei a buscar cada vez mais sexo com o Fernando, para ver se eu relaxava. Aliás, depois que a gente se casou, ele já não fazia muito, e aquilo às vezes me incomodava. Não que eu gostasse de sexo, porque eu não gostava, mas era uma das poucas coisas que me deixavam com a sensação de dever cumprido. Eu não trabalhava, não estudava, passava os dias lendo e acessando a internete. Quando fazíamos sexo, eu pensava: “Pelo menos isso eu sei fazer. Pelo menos consigo satisfazer meu marido.” Mas o problema é que ele já não estava me procurando, e aquilo me deixava muito nervosa. Um dia insinuei que, de vez em quando, ele bem que podia tomar um viagra, para variar. Eu não conhecia os homens como conheço hoje, não sabia que falar uma coisa dessas era simplesmente chamar a desgraça.

A partir daquele dia, tudo mudou no nosso casamento. O Fernando passou a ser ciumento, me ligava toda hora para perguntar onde eu estava. Quando a gente ia numa festa, ele ficava me olhando de longe, depois falava que eu tinha olhado para fulano ou ciclano. Claro que era tudo loucura da cabeça dele, e eu ficava puta de ter que me explicar mil vezes, falar que eu o amava, pedir perdão o tempo todo pelo papo do viagra. Fui ficando cansada, e me sentindo cada vez mais incompreendida. Agora eu não tinha nem a menina do espelho para me entender. Mas o pior era que eu nem podia me separar. O apartamento era dele. Se eu pedisse o divórcio, ia ter que voltar a morar com minha mãe. Tudo era aceitável, menos conviver com minha mãe, principalmente agora que ela tinha arranjado um namorado mais novo e estava matando a família de vergonha. O jeito era tentar um emprego, e eu sabia que nunca ia conseguir um bom salário, porque não tinha faculdade. Mas era a única alternativa. Talvez, juntando por uns dez anos, eu conseguisse comprar um apartamento e ter uma vida só minha. Eu queria esquecer o Fernando, com aquele ciúme doentio, e esquecer a minha mãe, com aquele egoísmo, sei lá, doentio também. Aí entrei na internete e comecei a me inscrever em saites de busca de emprego. De repente, quem apareceu no meu monitor? Ela mesmo, a garota do espelho. Lembrei daquele papo sobre superfície plana, e falei que talvez eu devesse chamá-la de menina 2D.

— É melhor mesmo — ela falou, empinando o nariz. — É mais contemporâneo.

Não sei de onde ela tirava essas palavras. Eu ainda estava puta com ela, mas não queria brigar. Naquela situação deprimente, talvez ela até pudesse ser de alguma ajuda. E acho que ela adivinhou esse pensamento, porque do nada resolveu me passar os endereços de alguns saites.

— Entra nesse aqui, ó: stripweb.com. E nesse outro: meancams.com.

Quando acessei os saites, me arrependi de ter dado papo para aquela vadia. Era só mais uma das suas ideias pervertidas.

— Você acha que eu sou que nem você, sua louca?! Acha que eu vou ficar fazendo strip pela internete, só para ganhar dinheiro?

— Não é só strip — ela falou. — Tem que se masturbar também.

Eu nem respondi. Desliguei o computador e fui para a cama chorar. Eu estava arrasada. Meu casamento era um fracasso, eu não tinha uma carreira, e minha única amiga, que me conhecia desde criança, estava sugerindo que eu me tornasse uma espécie de prostituta virtual. Chorei sem parar, depois fiz uma maquiagem meio trash, para o Fernando não descobrir que eu passei a tarde chorando. Mas justamente nessa hora ele me ligou para falar que tinha um lance complicado rolando lá no trabalho, e que ele ia chegar súper tarde. Aí voltei para o computador e olhei de novo aqueles saites. Meu marido bem que estava merecendo um chifrinho. Ele não me amava, não ligava nem um pouco para meu estado emocional. Quando vi que uma menina podia ganhar uns trezentos por dia, só fazendo aquelas bobagens, eu quase caí para trás. Meu Deus, trezentos reais por dia! Em quanto tempo daria para comprar um apartamento?! Mas eu não podia fazer aquelas coisas, não tinha nada a ver comigo. Mostrar os peitos e me masturbar na frente da câmera? Eu nem gostava de me masturbar! Foi então que me veio aquela ideia incrível. A idéia redentora, a idéia perfeita, que me mostrou como eu podia me aproveitar completamente da situação. Eu não era safada, não gostava daquelas indecências, mas ela gostava. Se eu entrasse no saite e ficasse só conversando com os meninos, aposto que a menina 2D ia se excitar, e fazer um monte de loucuras. Ela podia se entregar a essas loucuras, porque a culpa sempre cairia em cima de mim. Mas a culpa agora era uma transferência para a minha conta corrente. Vasculhei os saites e peguei todas as informações. No dia seguinte, abri a conta. Mas continuo com a minha política, e não faço nenhuma daquelas bobagens. Eu só entro no saite e fico conversando sobre Jane Austen e mulheres iranianas. Em algum momento a menina 2D assume o controle e faz o que gosta de fazer. Voltamos a ser amigas, e nunca estive tão feliz por conhecê-la. Acho que ela finalmente se tornou, para mim, uma imagem dotada de sentido.

19 comentários em “A Menina 2D (Ronaldo Brito Roque)

  1. felipeholloway2
    12 de julho de 2014

    Gostei MUITO deste texto. Dos contos mais longos, ao lado de Mal du Siècle, foi o que menos me fez querer saber quanto faltava para o final. É disto que estou falando, a narrativa vai criando suas próprias demandas de extensão à medida que se desenrola. Nada sobra, nada falta — o conto é preciso como um terno feito sob medida, a relação entre suas partes é contundente, a narrativa acelera e desacelera de forma natural. O autor cria uma personagem adolescente que é complexa e crível sem precisar se render aos reducionismos psicológicos etários de praxe — todo adolescente é fútil e raso, todo velho é amargo e ranzinza etc. A figura da menina 2D ganha autonomia ao se distanciar de sua imagem inicial, uma metáfora um tanto óbvia da consciência. A admissão sem remorsos do alpinismo social também foi uma muito bem-vinda quebra de paradigma. O autor sem dúvida entende do riscado. Meus parabéns!

  2. Bia Machado
    12 de julho de 2014

    Olha, eu gostei da leitura, apesar de achar que poderia ter ido por outro caminho, não sei se o que faltou tenha sido emoção, algo que tornasse a história mais impactante, no sentido de me tirar da zona de conforto de ser apenas a leitora desse relato. A personagem é carismática, mas tem altos e baixos, um comportamento meio dúbio. Ou será que, ao relatar, teriam sido duas as narradoras? =) De qualquer forma, parabéns! É um material muito bom, dê mais atenção à revisão também, ok? Boa sorte!

  3. tamarapadilha
    11 de julho de 2014

    Nossa, bem escrito mas não gostei. Me incomodou um pouco. E aquela menina do espelho? Fiquei me perguntando se a moça tinha dupla personalidade, era louca ou o que.
    Boa sorte.

  4. Cristiane
    10 de julho de 2014

    Achei o texto ótimo! A leitura flui numa rapidez alucinante… rsrs a tagarelice da personagem funcionou muito bem. Muitos jogos de sentido que, apesar de óbvios desde o inicio, o (a) autor(a) soube trabalhar bem. É divertido e gostoso de ler.

    Parabéns e boa sorte no desafio!

  5. Thata Pereira
    3 de julho de 2014

    Pelo visto o uso das expressões “internete” e “saite” foram propositais. Não vou mentir dizendo que não incomodaram, incomodaram muito! A leitura travava, apesar de estar gostando do conto.
    Interpretei de duas formas: a fantástica e a real. Apesar que acho que a intenção do autor era destacar a segunda opção, principalmente quando a menina do espelho volta. Também achei ela mais interessante. Quando a protagonista precisava preencher algo dentro dela, tinha a menina do espelho. Depois as duas se afastam, pois aquele espaço foi preenchido por outra pessoa. Quando o vazio retorna, elas voltam a conviver juntas. Achei isso muito interessante.
    Boa Sorte!!

  6. rubemcabral
    27 de junho de 2014

    Resolvi adotar algum critério de avaliação, visto que costumo ser meio caótico para comentar.

    Pontos fortes: humor, ferina crítica social, um pouco de psicodelia.

    Pontos fracos: algumas falhas de escrita passaram pela peneira da revisão.

    Sugestões de melhoria: um tico mais de revisão, mais desenvolvimento da Menina 2D.

    Conclusão: achei a história bastante inovadora, jovem, engraçada e cheia de simbolismos. A narradora é uma personagem muito interessante: infantil, materialista, egoísta, bastante comum nos dias de hoje.

    Bom conto!

  7. Brian Oliveira Lancaster
    24 de junho de 2014

    Alguns errinhos, mas que não atrapalham o desenrolar da história. O título me deixou curioso e, apesar de já resolver o mistério nas primeiras linhas, lendo até o final percebi que talvez estivesse vendo pela “ótica” errada. Muito bom. Talvez o salto início-meio pudesse ser um pouco mais desenvolvido.

  8. Tiago Quintana
    23 de junho de 2014

    Um conto interessante, mas senti falta de uma resolução mais impactante – ou talvez profunda. Sugiro também um cuidado maior com a ortografia – “saite” e “internete” não são aceitáveis, por exemplo (se não gostar de “site”, pode usar “sítio”, mas com “internet”, não há escapatória).

  9. Pétrya Bischoff
    23 de junho de 2014

    Bueno, eu entendi tudo, ponto. No entanto, a estória não me agradou; contou toda essa vida, a “amiga” de infância, as vontades da personagem, o amadurecimento da mesma, os caminhos que escolheu, o resultado final… a princípio está tudo aí, mas senti falta de algo, emoção, penso. Enfim, boa sorte.

  10. Anorkinda Neide
    16 de junho de 2014

    A história apresenta uma dissociação de personalidade…
    No começo, apenas ela não reconhece a menina 2D, como sendo ela mesma, uma espécie de alter-ego, lhe dando conselhos e depois lhe dando recomendações chatas, que qualquer adolescente rejeita…
    O fato de q a protagonista não sente emoções como o amor, demonstra sua personalidade doentia. Depois a dissociação funciona para sublimar as fantasias e enfim ganhar dinheiro com isso.
    Demonstra que o(A) autor(A) conhece o assunto, ou fez uma boa pesquisa.

    Mas tem algo cansativo na estrutura do conto, talvez os parágrafos muito longos ou o estilo de narração, nao sei… mas algo não permite a empatia com o leitor… uma dissociação? rsrsrs

    Sorte ae!
    Abraço

  11. Edivana
    15 de junho de 2014

    Um ótimo conto, sobre solidão, imaturidade, egoísmo. A personagem é escabrosa, mas tão real que é difícil não conectá-la com pessoas que conhecemos, ou pensamos conhecer. Sucesso.

  12. Thiago Tenório Albuquerque
    12 de junho de 2014

    Gostei do texto.
    O que mais me agradou até o momento, apesar do súper.
    Parabéns e boa sorte.

  13. Davi Mayer
    10 de junho de 2014

    Conto muito bom. Faz o leitor refletir e meditar sobre a sua “realidade” também, e a realidade a sua volta.

    Não sei por que, mas lembrei de Bruna Surfistinha… ehehehehehe

    Teve alguns errinhos de português, mas eu sei muito bem como é… ler e reler, e ainda deixa passar. 😉

    Parabéns, na minha opinião, o melhor até agora.

  14. Jefferson Reis
    9 de junho de 2014

    Um dos meus favoritos, por enquanto.
    Gostei até mesmo do acento em “súper’, sendo proposital ou não. Acho que súper combinou com a personalidade da protagonista, sabiamente construída de modo a parecer duas em uma só: a alienada e a culta, a fútil e a conservadora.
    O conto criou um universo que me assustou, pois percebi, amargurado, o quanto ele é real. Sentimentos, futilidades e verdades.

  15. Claudia Roberta Angst
    8 de junho de 2014

    A narrativa prende a atenção do leitor ao provocar sua curiosidade sobre o destino da protagonista. A menina do espelho deve ser o seu outro lado, a consciência de mulher, livre das convenções sociais.
    Considero que algumas passagens poderiam ser aceleradas ou supridas para que o texto ficasse mais sucinto e claro. Boa sorte!

  16. Fabio Baptista
    7 de junho de 2014

    Gostei!

    O estilo parece o de um texto que muito apreciei no desafio “Fim do Mundo”, e, apesar de ter gostado mais daquele do que desse, a leitura fluiu tão bem quanto.

    Gosto do tipo de humor empregado aqui, algo meio irônico por parte do autor, atribuindo frases escrachadas que saem sérias das bocas dos personagens. A maneira como os temas foram abordados também foram destaque. Tem uma citação, que me fugiu agora… algo do tipo “só na ficção que se pode dizer as maiores verdades”… bom, é mais ou menos isso que vemos aqui.

    Difícil falar sobre técnica… as palavras “aportuguesadas” realmente causam estranhamento, mas só me incomodei mesmo com o “súper” e com um “ela tinha” perdido aí no meio. No mais, nada grandioso (no sentido de belas construções de frases, figuras de linguagem, etc.), mas perfeito do ponto de vista pedido pelo texto.

    Muito provavelmente estará na minha lista.

    Abraço!

  17. mariasantino1
    7 de junho de 2014

    Os “súper” foram propositais?
    .
    Que horror o lance do silicone, hein?
    .
    É muito louco pensar nisso aqui: Afinal, ela morava no espelho, e de lá não dava nem para me passar a mão. 😛
    .
    Eu gostei ao mesmo tempo que não gostei. Haha! Gostei por que é louco, é insólito, (aliás o Fernando Sabino escreveu “O Menino no Espelho” que é BEM diferente deste texto. Rs). Acho que a mistura, o choque de realidades foi o que me causou estranheza. Há horas em que a personagem é extremamente culta (quando fala de Emily Brontë, e leituras, por exemplo) ao mesmo tempo que é bem esdrúxula( ao falar de físico e sexo, por exemplo).
    .
    Mas eu entendi o lance da menina no espelho e essa psiquê me cativou muito. Só mesmo os choques mencionados é que não desceram bem, e na boa, imaginar uma pessoa como a personagem, me deixam de cabelo em pé (ISSO NÃO É NADA BOM).
    .
    Abraços. Boa Sorte.

    Ps- Talvez quando passar esse torpor dessa primeira leitura eu consiga deglutir o restante, pois não sei, mas seu texto me deixou meio fora dos eixos. Rs. INTÉ!

  18. Eduardo Selga
    7 de junho de 2014

    Outro conto bastante rico em simbolismo, como deve ser um bom texto ficcional. Caso contrário se torna, como eu digo de vez em quando aqui, apenas uma estorinha.

    Embora se utilize de um mote bem antigo, o espelho como alter ego, o(a) autor(a) não cai na repetição banal da fórmula, enriquecendo o enredo com outro mote muito usado neste Desafio até agora: a sexualidade. E também esse item é abordado de um modo um tanto incomum, mas que tem despontando em textos de jovens autores da literatura brasileira: o “tesão hi tech”.

    O enredo trata de um fenômeno essencialmente contemporâneo: a solidão acompanhada na qual vivemos. Entre a narradora e Fernando não existe amor, antes a posse e a indiferença; apenas enquanto lhe é emocionalmente útil a narradora se aproxima de seu alter ego. Essa redoma, que não deixa de ser uma denúncia (ou,ao menos uma demonstração) das máscaras sociais, mostra-se textualmente pelo menos duas vezes, quando a personagem narradora cita a questão do toque do outro em seu corpo. Numa das vezes ela diz: “[…] porque um cara que estivesse do outro lado do mar podia até me cantar, mas não conseguiria me encostar a mão”. Além disso, as relações sexuais não são entregas, e a tela do computador antes distancia que aproxima as pessoas. A sexualidade é vista pela protagonista como moeda de troca ( “Ele era a porta para o apartamento da minha vida, e era isso que importava”).

    Chama a atenção a imaturidade emocional da protagonista, o que é um comportamento muito contemporâneo, mesmo em adultos. É o Peter Pan pós- moderno, a ilusão da eterna juventude. Ela, mesmo com alguma evolução, mantém o comportamento egoísta da adolescência. Tanto que em nenhum momento reconhece a imagem do espelho como reflexo dela mesma, acha que é “uma outra”. A oração a seguir me parece sintetizar bem essa “bobice” de que falo: “Elas não passavam de meninas burras, fúteis, não sabiam fazer um ravióli ao molho de funghi ou um petit gâteau com sorvete”.

    A opção estética do(a) autor(a) é, evidentemente, a narrativa mais tradicional, descritiva, demonstrativa, entrando pouco na linguagem expressamente simbólica e poética. Dentro desse paradigma, o conto está muito bom. Mas, me parece, o enredo pede menos “falação” e mais insinuações, mormente na relação da protagonista com seu alter ego.

    Gostei da coragem em aportuguesar algumas expressões inglesas muito entranhadas em nosso cotidiano. Digo “coragem” porque isso pode causar algum pasmo nos mais afeitos a estrangeirismos.

    “Super” não tem acento.

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Publicado às 7 de junho de 2014 por em Tema Livre e marcado .
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