EntreContos

Detox Literário.

A Última Palavra (Eduardo Selga)

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Quase todos, sim, estão felizmente mortos. Eu, inclusive. Tenho plena certeza disso, porque assim foi combinado. Entretanto… um dia após o fim do mundo, o sol ainda se faz brilhar para uns poucos, muito ao contrário do que dizia a Promessa. E isso me deixa um sentimento amargo e indefinido na boca. Nem poderia ser diferente: não deveria sobrar ninguém de carne e osso para manter o sofrimento do homem e sentir a miséria deste mundo. Do muro onde estou é possível distinguir junto aos escombros, aqui e ali, meio aos cadáveres e entranhas expostas, pessoas inteiramente vivas. Serelepes, até. Traição! Os Mestres da Promessa me traíram?! É como se o esperado Dia do Resgate não valesse nada para essas criaturas. Demoníacas, é claro! Curiosamente, nem apresentam ferimentos visíveis; as roupas, com a mesma integridade de um mundo que continuasse.

A poucos metros de mim, como se o mundo ainda houvesse inteiro, um bando de homens e mulheres cheios de gravatas e terninhos femininos rodopiam cirandinhas na encruzilhada desta falecida avenida com um beco sem saída. Folguedos numa hora sagrada dessas é desrespeito! Felizes da vida, esses ímpios? Não pode ser! Na verdade, uns mentirosos: eu vejo nos rostos o mesmo artificialismo mundano de antes, o sorriso de máscara. Qualquer observação mais atenta percebe, por detrás de tanta maquiagem social e teatro, ríctus e tensões represadas ameaçando arrebentar o açude. Fico me perguntando: como podem preferir a velha vida à boa nova da morte?

Não seria mal limpar este fedor de sangue. Sal grosso por cima talvez resolvesse.

Encostadas ao muro, quase esbarrando em mim, uma pirralhada dos infernos: crianças com palavras adultecidas, em cujos olhos brilham a dureza e a mecanicidade das decisões práticas, rápidas e objetivas, palestram entre si, taciturnas, a todo o momento verificando, cochichantes, seus próprios entornos, receosas de que algum dos milhares de corpos esfacelados ouça-lhes os segredos. Têm o cheiro dos demônios. Se não se incomodam comigo é porque certamente não podem me enxergar. Faz sentido: agora eu sou alma liberta dos pecados e das iniquidades. Encostada ao muro, aguardo passar por aqui o cortejo de anjos que me elevará à Suprema Glória.

_ Agora que os homens tornaram a vida impossível, o mundo é nosso.

_ Desde que não nos esqueçamos dos Mestres da Promessa na hora da partilha.

_ Esquecer, nem pensar! Principalmente porque o sal da Terra é deles.

Vomitam tolices. Não há nada a ser herdado, ainda que tenham sobrevivido. Toda a Terra está infértil. E ainda por cima citam os Mestres em seus delírios típicos dos presos à ilusão da felicidade terrena!

Umas sombras em pé. Quatro. Zanzando, vultos em esquizofrenia. Comportam-se sincronizadas umas em relação às outras, nas esquinas: parecem estar pregando sermões inúteis, porque os ainda vivos não escutam. Ou fingem. Então… Estarei viva? Sim, pois também eu não consigo ouvir o que pretendem dizer com tantos gestos desesperados, tanta boca que se abre sem articular nenhum som. Apesar de serem sombras, sibilantes seres de penumbra, consigo enxergar-lhes as bocas, de onde escapam e flutuam, de quando em quando, palavras escritas que nascem e explodem rapidamente, bolhas de sabão, no interior de balões típicos das estórias em quadrinhos. Estes, porém, permanecem intactos, subindo na atmosfera densa, infeccionada, sangue coagulado. Palavras em idioma nenhum, repletas de consoantes, endurecidas. Soa-me forasteiro tudo isso, afinal os Mestres da Promessa garantiram que, uma vez por todas revogado o sofrimento da vida, não haveria necessidade dos Anunciadores da Glória, com quem as sombras tanto se parecem. Terei morrido à toa?

De repente, chuva. Inclusive relâmpagos, não obstante o sol. O resultado não é nenhum arco-íris, pois o que chuvisca é sangue, a molhar os corpos, os adultos, as crianças. No entanto, a pele das sombras permanece seca: é atravessada pelas gotas, pelos pingos vermelhos da seiva humana. Todas elas, no entanto, põem as mãos em concha tentando inutilmente represar o líquido viscoso. Parecem pretender bebê-lo, o que me faz lembrar a antiguíssima lenda: haveria no mundo lugares onde viver era agradável, casas com um terreno excedente chamado quintal, pequenos animais urbanos vivendo junto às pessoas. Segundo a fábula, as crianças desse tempo mítico, quando chovia, ficavam à janela das casas colhendo e bebendo a chuva. Coisa nojenta! Sabores de telha, nuvem, das folhas secas acumuladas no forro… Asneira! Fosse verdade, seria o próprio Éden! Mas ao homem nunca foi dado ser feliz no mundo, está escrito! Ah, as fantasias faladas, concebidas para nos manter amordaçados às misérias terrenas, ao vale das sombras…

Minha avó é um pôster que vem em minha direção, gigantesca a partir da curva que esta avenida pavimentada de cadáveres faz lá no fim, criatura unidimensional, dobrando-se ligeiramente ao sabor do vento. É a mesma fotografia que sempre manteve no criado-mudo: ela inteira, soberba, em pé, véu, grinalda, semiperfil. As flores artificiais na cabeça, o que sempre me lembrou o enfeite em volta dos defuntos, usado em velórios. O sorriso de noiva. Apesar dos corpos espalhados inteiros ou pelas metades, anda leve, sépia, talvez até flutuando. Acho que ela me procura, não tarda ficaremos cara a cara. Trocar palavras com um retrato que passeia sobre o mar de mortos ensanguentados vai ser uma estranheza. Quer dizer, nem tanto assim: é bem verdade que eu às vezes a libertava da moldura e com ela falava sozinha no quarto, fingindo sua voz indignada com o próprio assassinato, imaginando suas respostas, pois nenhuma avó defunta consegue falar, por mais que queira.

Foi pelo excesso que morreu, matei. Mataria novamente. Falava demais, demais… Tive de matá-la aos poucos, veneno em microporções, não suportava suas blasfêmias e suas felicidades quando dizia “menina, tenha juízo… Destino não existe: fabricamos”. Absurdo! Intolerável! E a Palavra, onde fica?! Tanto que acabou encontrando seu próprio fado, a morte. Será sobre isso que vem conversar comigo, explicações, tantos anos depois? O mundo nem tinha acabado, mas ela precisava ir embora antes dele, entender-se com o Mestre Maior, afinal tanta descrença poderia corromper ainda mais a opinião dos ímpios e, consequentemente, desmoralizar o Dia do Resgate.

Quanto mais a fotografia se aproxima, mais fica evidente sua imensidão. Ninguém de ambos os grupos, nenhuma das quatro sombras a ignora. Fazem silêncio nas palavras e nos gestos. Mas não distingo se medo, reverência ou susto. Ao parar perto de mim… Naquele sorriso estático e jovem que sobreviveu oitenta e três anos haverá mesmo ânsia de vingar-se? Eu a encaro mentindo coragem. Meu coração na mão, meu coração na boca. Seu rosto quase tocando os relâmpagos. Nas feições aquela paz terrena que eu sempre odiei, pois abarrotada de uma bondade impossível para quem esteja vivo. Minha avó parece um arranha-céu.

_ Não se assuste, minha netinha… Para que esses olhos tão grandes? Quer me enxergar melhor? Estou surpresa, confesso. Logo você que gosta tanto da morte e de fins de mundo…

_ Vai embora! Você não existe há muito tempo!

_ De fato. Ao menos enquanto carne. Mas minha fotografia, sim. Portanto, eis-me aqui, porque você me chamou. Deveria ter sido mais inteligente e queimado minha imagem quando resolveu me assassinar.

_ Eu lá chamei ninguém! És o Cão!

_ Nem de longe. Você está mais próxima disso, com essa tentativa ridícula de falar na segunda pessoa. Sabia que o demônio é a segunda pessoa de nossa voz? Vou pendurar no varal formado pelos fios e postes de energia que sobraram os corpos desta avenida. Preciso de ajudante. Vem comigo.

_ Mas…

_ Agora! É uma ordem! Exceto, claro, que ache divino eu reduzi-la a escombros.

_ Como se fosse possível… Estou morta, graças a…

_ Não, senhora. Mais uma vez enganada. Você continua vivinha da silva, carne e osso em algum lugar deste mundo que não aqui. Afinal, muito ao contrário do que gostaria, o mundo não acabou por inteiro, e neste momento você providencia (sabe-se lá onde!) a ruína das muitas cidades ainda vivas. Aqui, conversando comigo, também você é uma imagem. Com uma diferença importante em relação a mim: é uma caricatura pichada neste muro. Seus inimigos imaginários providenciaram o desenho vinte minutos antes da tragédia. Vingança, sabe como é. Suas insistentes orações implorando tudo se acabasse, de modo que a tal Palavra não fosse desmentida, foram descobertas. Conseguiram capturar algumas de suas arengas enquanto voavam à procura do destinatário; outras foram abatidas a estilingue e espingarda. Ocultaram-se em arbustos, atrás das montanhas, tentaram se entocar em cavernas e buracos improvisados. A maioria escapou.

_ É insanidade! Louca herege!

_ Agora vem comigo, sua histérica! Sai do muro e vamos ao trabalho. Façamos assim: você tempera os corpos com sal, eu os penduro. É preciso salgá-los. Afinal, quando os convidados de honra para a sua festa chegarem, absolutamente famélicos, quando eles chegarem com sua fome dos séculos dos séculos, o banquete deverá estar pronto. Afinal, não creio você pretenda decepcioná-los, os verdadeiros donos da festa.

_ Volte para o lugar de onde nem deveria ter saído!

_ Impossível, estimada netinha… Você estilhaçou o porta-retratos onde eu vivia, esqueceu? Cuidado com essa memória… Será muito desagradável se a anfitriã errar a dosagem de sal nas carnes.

_ Ora, como poderia eu, morta que estou, ter convidado alguém?…

_ Amor da minha vida, entenda: a vida segue um ciclo, como qualquer orquídea ou pé de algodão. Ultrapassar etapas ou antecipá-las é plantar o embrião da sombra, e com ele a morte. Nas fábulas e lendas que eu lhe contava, isso era dito como metáfora, alegoria, mas seus olhos de sombra nunca enxergaram. A sua loucura, insistência em ver o mundo acabando, o circo pegar fogo, para a chegada de uma hipotética salvação… A lógica do incêndio no pasto para que nasçam novas plantas. Tanto insistiu que as forças da destruição foram fecundadas. Muito antes do tempo. E agora, despertas, vêm queimar nosso jardim humano. Sempre cheio de falhas, mas nunca deixa de haver algumas belas flores. Agora, aja carne para satisfazer seus amiguinhos. Parabéns.

A prova de que esta velha continua a mesma mentirosa de sempre, apesar de morta, é que examino as partes do meu corpo e não me vejo desenhada, como ela tanto insiste. É bem verdade não consigo sair deste muro onde estou encostada, mas deve ser alguma reação psicológica à presença desta fotografia infernal, absolutamente enorme. Não pode ser medo, o Grande Mestre me fortalece; logo, tudo posso. É cautela, apenas.

A chuva assume ares de tempestade, um derramamento de sangue, desta vez acompanhada de muitos trovões, revelação da Ira Abençoada. Com toda a certeza haverá dilúvio e com ele a Promessa será cumprida. Palavra por palavra. Os dois grupos de pessoas tentam fugir ao seu destino cobrindo as cabeças, mas é inútil, pois está escrito que todos serão chamados à presença. Os movimentos corporais próprios da corrida (a passada larga, a respiração ofegante…) nada resolvem, pois homens, mulheres e crianças não saem do lugar, imitando o que acontecia nos antigos desenhos animados. É o espetáculo da Justiça Maior. As sombras se aproximam de minha avó, a demoníaca fotografia que fala para me tentar, me confundir. Sentam-se ao lado dela, que dá risadas enquanto todos me aplaudem. Talvez estejam me agradecendo pela possibilidade de encontrarem a bem-aventurança.

A enxurrada em poucos minutos arrasta os cadáveres. O nível do sangue na avenida se eleva rapidamente, encobre as sombras e parte das pernas da velha. Está quase no meu nariz. Confesso estar um pouco apreensiva. Não por medo de me afogar, já estou morta e a eternidade me aguarda. Entretanto… será mesmo que os anjos não se esqueceram de mim? Ah, é lógico que não, bobagem minha! Tenho certeza de que não fui traída pela Palavra, ao contrário do cheguei a supor. Quer dizer… Eu acho. Amém.

_ Amém?

_ Não invada meus pensamentos! E para de rir de minha cara, sua velha miserável!

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33 comentários em “A Última Palavra (Eduardo Selga)

  1. Weslley Reis
    5 de abril de 2014

    Um texto muito interessante, porém, por gosto não me cativou.

  2. jggouvea
    5 de abril de 2014

    Este texto me pareceu frustrante. Pareceu-me cortado no fim. Veja bem, não é que tenha tido um final apressado, me parece que não teve um final. Tem muita sugestão e pouca concretude. Muita dica e pouca informação que nos permita decodificar a história. ‘Deus explica e o diabo dá uns toques”, como dizia o Raul. Há muitas coisas originais na história, principalmente os personagens, motivo principal de minha admiração por este texto. Mas o final me deixou no vácuo.

  3. Ricardo Labuto Gondim
    3 de abril de 2014

    Texto forte. Escrita rigorosa. Gostei demais.

  4. Alexandre Santangelo
    2 de abril de 2014

    Que texto maravilhosamente bem escrito. O autor, que possui total domínio da narrativa, conseguiu impregnar sua visão do mundo sem parecer forçado. Excelente mesmo!

  5. fernandoabreude88
    1 de abril de 2014

    Eu diria que “faz o meu tipo”, haha. Sou chegado nesse tipo de conto, uma viagem mirabolante sem maiores preocupações. Realmente, como já foi citado, a parte do cartaz voador é a melhor, vale o texto. É bem provável que eu vote nesse conto, adoro um bom surrealismo e uma dose de despreocupação com a escrita. Bom conto, só deixaria me levar mais pelas viagens, achei meio preso, mas enfim, gosto da temática, então…

  6. Wilson Coelho
    31 de março de 2014

    Muito bem escrito e extremamente surreal: achei muito bom e diferente do que poderia se esperar para o tema.

  7. Felipe França
    27 de março de 2014

    Um conto bem escrito e com altas doses de loucura, mas como disse Monteiro Lobato: ““Loucura? Sonho? Tudo é loucura ou sonho no começo. Nada do que o homem fez no mundo teve início de outra maneira, mas tantos sonhos se realizaram que não temos o direito de duvidar de nenhum”. E eu não duvido que isto possa acontecer. As personagens são bem construídas e os cenários bem detalhados. Parabéns e boa sorte!

  8. Vívian Ferreira
    26 de março de 2014

    Embora bem escrito, não me agradou. Sei que é questão de gostar ou não de algo mais surreal, mas mesmo assim esperava que pudesse me prender de alguma forma, gerar alguma empatia, mas não aconteceu. Na minha cabeça ficaram muitas suposições. Boa sorte!

  9. Eduardo B.
    24 de março de 2014

    Inegavelmente bem escrito, mas não me envolveu. Esse tom demasiadamente surreal não me apetece tanto e eu me perdi em diversas passagens (a ponto de precisar reler alguns parágrafos para dar continuidade à leitura).

    De qualquer forma, parabéns. Continue escrevendo. Abraço. 😉

  10. Hugo Cântara
    21 de março de 2014

    Achei a escrita interessante, mas confesso que a minha atenção dispersou a meio do conto. O conflito com a avó ate poderia ser interessante, mas esperava mais diálogo, enredo e desenvolvimento. Parabéns pelo conto e boa sorte!

    Hugo Cântara

  11. Maurem Kayna
    17 de março de 2014

    Gostei do argumento. Bastante. Gosto também que não haja excessivas explicações, posso escolher se trata-se de um sonho, mero delírio ou dimensões distintas se cruzando num momento crítico do mundo. Só achei os diálogos um pouco forçados em alguns momentos – faltando-lhes naturalidade (se é que seria possível naturalidade num pesadelo ou maldição). Boa linguagem, faltaria apenas deixar de lado um pouco da vaidade pelo vocaculário e dispensar alguns ornamentos.

  12. bellatrizfernandes
    16 de março de 2014

    Não gostei muito do estilo. Não que estivesse confuso, mas achei pesado, denso.
    Sinceramente, depois de tudo o que eu li, eu esperava um final: Uma explicação. Entrei e saí do conto sem descobrir quase nada: Não sei como toda aquela gente morreu, se ela está realmente viva, o que ela fez além de matar à avó, quem é realmente essa divindade à quem ela serve, como foi o banquete….
    Sobre o que eu curti: A imagem ornou para caramba! O quadro que você pintou de imagem contra imagem foi incrível! (a descrição da foto da avó foi arrepiante!) E o clima manteve-se, do começo ao fim, tenso como o conto exigia.
    Parabéns e boa sorte!

  13. Brian Oliveira Lancaster
    14 de março de 2014

    Tive o mesmo sentimento que o Rubem e apesar de não curtir muito o gênero, devo admitir que está muito bem escrito e atinge em cheio o cerne psicológico do leitor, como poucos daqui o fizeram, até agora.

  14. Fabio Baptista
    13 de março de 2014

    Inegavelmente bem escrito. Fiquei com uma sensação “ruim” (no bom sentido), como num bom filme de terror, durante toda a leitura.

    Mas infelizmente essa pegada surreal não me agrada muito.

    Abraço.

  15. Alan Machado de Almeida
    13 de março de 2014

    A falha não é sua, é minha. Não sou muito chegado em poesia por isso não apreciei o texto. Mas se serve de consolo, tecnicamente, se é que tenho cacife para avaliar por esse lado, eu não encontrei nenhum erro.

    • Anorkinda Neide
      13 de março de 2014

      Desculpe Alan (e Simplício.. rsrsrs)
      mas sou a representante da poesia nestas praias!
      Este texto nada tem de poesia, o lance dele é todo surreal o que é diferente de poético.
      Uma pegada um pouco mais poética é o conto Alfa e Ômega aqui neste desafio de fim de mundo.. ops, espero com isso nao influenciar a leitura dele!
      hehehe

      Sorry, eu tinha q falar foi mais forte que eu!

  16. mportonet
    13 de março de 2014

    Um conto com uma qualidade narrativa inegável, tecnicamente perfeito e com uma trama surreal, mas que infelizmente não me agradou.

    Parabenizo o(a) autor(a) e desejo sorte.

  17. Gustavo Araujo
    11 de março de 2014

    Escrita madura, calejada, muito bem desenvolvida (só enxerguei um “aja” quando o correto seria “haja”). De todo modo, um texto que não admite meio termo: ou se gosta muito ou se passa batido. Gosta muito quem consegue se conectar à viagem, aos simbolismos criados e às metáforas sugeridas. Passa batido para quem o enxerga como surreal demais.

    É um conto para a cabeça e não para o coração. É algo que pretende fazer o leitor pensar e não necessariamente se emocionar. Não que sejam características excludentes, mas aqui resta clara a preferência pela primeira em total detrimento da segunda.

    Um texto funciona para mim quando consegue me emocionar, quando me faz torcer por alguém, quando me força a ler sem parar só para saber como irá terminar. Infelizmente não foi esse o caso aqui.

    Embora – repito – a escrita seja impecável, não encontrei afinidade com a protagonista. A avó é uma personagem interessante, é verdade (aliás, a maneira como ela surge é o que há de melhor na narrativa), mas não o suficiente para gerar empatia.

    Enfim, é um conto que certamente irá cativar muitas pessoas. Chego a pensar que irá brigar pelas primeiras colocações neste desafio. Mas, no fim, pelo menos para mim, faltou alma, sentimento.

    Em todo caso, boa sorte!

  18. Thata Pereira
    11 de março de 2014

    Adorei o conto!! Gostei muito do diálogo da avó e da neta, me diverti bastante. só não sei se o final me agradou ou não. Explico: também senti falta de uma continuação, mas quando li os dois últimos diálogos eu ri tanto, mas tanto, que acho que acabou agradando sim rsrs’

    Boa Sorte!!

  19. Marcellus
    10 de março de 2014

    Como já disse outras vezes, minha mente é muito cartesiana, quadrada. Talvez por isso não tenha apreciado o texto como o autor certamente desejou e por isso peço desculpas.

    Mas é inegável que é um conto muito bem escrito, com muitos méritos e, se julgado como tal, certamente um dos melhores.

    Parabéns e boa sorte!

  20. Rodrigo Arcadia
    10 de março de 2014

    Precisava ler algumas vezes para compreender a ideia do conto, não que não pesquei, pesquei sim, mais não totalmente. pra se entrar no clima do conto, precisamos estar conectados na mesma sintonia que o texto. tirando esse fato, o surrealismo é bem preenchido, mas o ruim é entrar na viagem. Muito boa a personagem da avó.
    Abraço!

  21. Felipe Rodriguez
    9 de março de 2014

    Um conto viajante como gosto, mas não consegui me envolver. Tirando a parte em que o pôster gigante aparece – a melhor – achei o final e a introdução muito presos às “entidades” criadas pelo autor, como no caso dos Mestres da Promessa. Isso meio que me puxou da fantasia plena a algum tipo de conexão com a razão. Gosto da ideia do retalho de memórias, mas pra mim as lembranças não parecem tão vivas, os acontecimentos apresentam certa distância, como se não tivessem feito parte da vida do autor, como se fossem lembranças que não percorreram o caminho da ação até a imaginação, tornando-se opacas.

  22. Bia Machado
    8 de março de 2014

    Não gostei não. AMEI! Sério, me diverti com essa leitura em muitas partes, imaginando tudo isso que foi apresentado na narrativa, e gostei muito da forma como o autor fez uso das palavras para tecer o conto. Poderia ter feito de outra forma, mas da forma como fez, acho que foi a melhor alternativa, porque incomoda pelas imagens criadas, deu força ao que desejou contar. Parabéns!

  23. Paula Mello
    8 de março de 2014

    O conto esta muito bem escrito, o autor( a) conseguiu descrever perfeitamente as cenas e os personagens, permitindo assim uma pequena viagem.
    Confesso que o estilo do conto não segue minha linha de gostos, mas o que conta e a ideia e como ela foi desenvolvida.
    Parabéns e Boa sorte!

  24. Pedro Luna
    8 de março de 2014

    Caramba. Talvez não fique em meus preferidos por questão de gosto. Mas eu realmente fiquei impressionado, principalmente pelo início do texto. Bizarro e tenso. Não sei como você vai encarar o que vou dizer, mas tinha tudo para ser um texto chatão, só que ficou bom. Parabéns.

  25. Felipe Moreira
    8 de março de 2014

    Parece que não fui o único a me sentir tenso com a personagem da avó. Gosto muito de realismo fantástico e seu conto foi muito gostoso de ler. Também fiquei com gostinho de quero mais, só que os últimos parágrafos me deram um roteiro bem visual do que aconteceria a seguir.

    Tecnicamente, notei poucos erros. normal diante de um prazo curto. Esse conto vai brigar pelo título, sem dúvida.

    Boa sorte.

  26. Anorkinda Neide
    8 de março de 2014

    Ai, gente.. eu vou na contra-mao, gostei não…
    Não funcionou pra mim, como se diz…
    As frases me pareciam cada vez mais desinteressantes. Em dado momento, falou na ‘pele das sombras’ , Não consegui ‘ver’ isso.
    E vários outros pontos me causaram este tipo de estranheza, surreal? Acho que tá puxado demais pra ser surreal.
    Nao gostei particularmente dos baloes de desenho animado saindo das bocas das sombras e nao gostei da v[o retrato gigantesco…
    Entendi a ideia, a loucura fanático-religiosa da protagonista, mas a forma como isto foi apresentado, não me apetece…rsrs

    Mas tá com tudo ae, boa sorte!

  27. Pétrya Bischoff
    8 de março de 2014

    Parabéns!, esse sim, é o melhor conto até agora. Uma viagem que -como anteriormente nesses desafios- eu poderia ter escrito. É exatamente o tipo de texto que me passa sensações e emoções e imagens mentais maravilhosas. Apesar de não ter entendido realmente como aconteceu, não senti falta disso. O parágrafo que mais gostei foi o que começa com “Umas sombras em pé.”
    Enfim, meus mais sinceros cumprimentos e boa sorte 🙂

  28. Thales Soares
    7 de março de 2014

    O conto está muito bem escrito. Dá para sentir os personagens e imaginar muito bem as cenas descritas.

    Me pareceu que, em dois ou três momentos, faltou colocar um “que” no meio da frase. Por exemplo, nessa parte:
    “ao contrário do (que) cheguei a supor”

    E quanto ao final… bom… já acabou?
    Senti que a história parou no meio. Eu sei que foi proposital, pois o conto nem atingiu o limite de 4 mil palavras. Mas de qualquer forma, fiquei com uma sensação de vazio ao terminar de ler.

  29. Claudia Roberta Angst
    7 de março de 2014

    Conto estranho, mas no bom sentido. Imaginar a avò-retrato gigantesca em sua presença e poder me fez sentir calafrios. Escrita muito boa, narrativa bem conduzida, mas e as criancinhas? Foram poupadas? Rsrs
    Gostei. Boa sorte!

  30. rubemcabral
    7 de março de 2014

    Minha nossa, que texto surreal… Apreciei o tom religioso e as personagens tão estranhas. Aliás, a tal estranheza do conto deu-me um pouco nos nervos durante a leitura, mas isso de forma positiva, pois achei tudo meio assustador, creepy mesmo.

    Muito boa a escrita – só vi um “aja” onde deveria ser “haja”. O vocabulário foi muito rico e ainda assim equilibrado, não tornando o conto desnecessariamente difícil ao leitor.

    O final eu tbm achei meio abrupto, esperava talvez algumas explicações. Porém isso é coisa minha.

    No todo, contudo, gostei bastante!

  31. Jefferson Lemos
    6 de março de 2014

    Então, é um texto bem interessante. A ideia principal me pareceu meio confusa, mas consegui apreciar o pouco que entendi.

    Creio que tenha faltado um pouco mais de explicações para termos a noção exata desse fim do mundo. Entendi que era algo religioso, e que a menina era a responsável. Então, seria ela o anti-cristo? Não tenho certeza, mas é o que me parece. O final, pelo menos a mim, deixou a desejar. Esperava algo mais. A mesma história, com um final mais prolongado, seria muito melhor

    Achei a narrativa muito boa. Soube conduzir o leitor por todas as linhas, sem perder a qualidade durante o percurso. Como já citei, uma boa ideia, e contada de uma forma diferente.

    Parabéns e boa sorte!

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Publicado às 6 de março de 2014 por em Fim do Mundo e marcado .