EntreContos

Detox Literário.

O Último Dia (Marcos Chiara)

ultimo.diaAo acordar naquela manhã o calor estava infernal mesmo com meu ar

condicionado ligado no frio mínimo. Parecia que nada mais dava conta daquele calor.

No meu prédio havíamos terminado de pagar a instalação de um ar condicionado central que custou uns dez meses de cota extra. Aquilo aliviou muito em relação ao calor de 52 graus que tínhamos que enfrentar quase todas as manhãs. E nem era verão. Estávamos em pleno outono ainda. Na imprensa não obtínhamos as respostas para o que estava acontecendo com o clima. A explicação que era o tal de aquecimento global já não colava mais. Era algo pior. O que era não tínhamos ideia e nem os cientistas. Na verdade desconfiávamos que alguém tinha a resposta só que não divulgava. Teorias sobre alguma conspiração global para esconder a verdade da população era crescente a cada dia.

Procurei tomar um banho gelado, mas parecia que o encanamento havia sido esquentado através das paredes do prédio, então o que consegui foi uma água morninha. Preparei meu desejum e liguei a tela da cozinha para me atualizar com o noticiário. Pra variar falavam o intenso calor que faria durante o dia. A previsão era para 60 graus ao meio dia. Somente os serviços essenciais estariam funcionando. O prefeito e o governador recomendava que as pessoas ficassem em casa utilizando seus climatizadores. A economia da cidade e do país declinava. O abastecimento de comida estava prejudicado. Gêneros de primeira necessidade já faltavam nas prateleiras dos mercados havia pelo menos seis meses. Os fabricantes e o governo estavam estudando como substituir os caminhões por tubulações com esteiras rolantes e climatizadas. O que custaria alguns milhões do bolso de empresários e dos cofres públicos. Isso sem contar em toda cadeia de corrupção que fatalmente iria acontecer; já que tal fato já era culturalmente uma tradição.

Um êxodo das grandes cidades era inevitável. Muitos foram para as regiões serranas e para locais com muitos rios, cachoeiras e florestas achando que achariam locais mais fresquinhos e sombreados. Na verdade não havia um lugar assim. Parecia que estávamos amarrados sobre uma fogueira. Queimadas nas florestas e matas eram coisas que se tornaram muito frequentes. Quase não havia mais verde no estado. E isso estava se alastrando pelo país. A maioria dos agricultores investiu em estufas climatizadas, contudo isso diminuiu as áreas agricultáveis porque criar estufas com acres de comprimento eram inviáveis economicamente. O governo também estava estudando uma linha de crédito para isso.

Durante uns dois meses vivenciamos uma onda de saques por causa da escassez de alimentos. Eles eram mais comuns à noite quando a temperatura estava mais amena. Muitos foram mortos por seguranças particulares ou pelas tropas de choque que patrulhavam a cidade à noite. Há cerca de duas semanas uma Lei Marcial foi decretada. Ninguém circulava pela cidade entre as 10 às 16 horas. O comércio, ou o que sobrou dele, abria às cinco da manhã fechava as nove e depois reabria entre as cinco da tarde até às dez da noite. A situação estava cada vez pior.

Os veículos não estavam mais podendo rodar pelas ruas e estradas. Os pneus colavam no asfalto que derretiam por causa do forte calor. O governo estava substituindo, paulatinamente, o asfalto por cimento áspero que resistia mais as altas temperaturas que por vezes atingiam quase 100 graus. Uma empresa automotiva lançou uma roda a base de um polímero que aguentava até os 150 graus. Era com um jogo dessas rodas que um carro de minha empresa vinha me buscar na porta do túnel do meu prédio. Passei um bloqueador solar em spray nas partes do meu corpo onde a roupa não cobria e desci de elevador os quatro andares que me separavam do meu receptáculo de segurança e conforto até o meu calvário diário no meu emprego.

Meu trabalho consistia em monitorar a rede de distribuição de energia para cidade. Desde que os reservatórios fluviais e pluviais secaram e as hidrelétricas pararam de funcionar o governo tentou redirecionar energia das usinas termais que usavam queima de carvão ou óleo para seu funcionamento. Todavia isso agravou a poluição e a temperatura ambiente. Outras soluções de uso de energia limpa foram adotadas. Por exemplo… No meu prédio usamos painéis solares e algas para proverem a energia consumida pelos moradores. Não preciso nem dizer que isso levou mais alguns meses de cota extra. Para o restante dos moradores da cidade que não se utilizavam desse recurso ou não podiam a energia era distribuída por geradores abastecidos com biodiesel. A reserva desse biodisel, no entanto já estava começando a ficar no vermelho e o combustível estava sendo racionado. A taxa de mortalidade por causa do calor aumentou por conta disso. Pelo menos era divulgado algumas dezenas de morte por desidratação ou pelo calor em si por mês. Sabíamos que isso era uma grande mentira. E como sabíamos? Caminhões da força militar com esteiras e sob a bandeira da Cruz Vermelha, passavam pelo nosso bairro todos os dias recolhendo os corpos para serem cremados. Não eram algumas dezenas. Deviam ser centenas, talvez milhares a essa altura.

O carro da minha empresa era totalmente fechado. Não dava pra ver o exterior. Ele levava pelo menos oito funcionários que moravam no bairro. O motorista dirigia observando uma tela no para-brisa dianteiro do veículo que reproduzia o exterior captado por microcâmeras. Ao chegar aos túneis climatizados da empresa vestíamos nossos macacões de trabalho e íamos pala a sala de controle. Yago Volkctizevic era meu parceiro na minha central naquele dia. Desde que cheguei na empresa eu só trabalhei com três pessoas: Yago, Bryce e Valter. Infelizmente Bryce foi uma das vítimas do extremo calor na semana passada. O prédio onde morava teve um mini blecaute por causa de um defeito no climatizador do seu prédio. Naquele dia oito moradores morreram incluindo Bryce, sua mulher e sua filha de oito anos.

Mal comecei o monitoramento Yago me puxou pra perto dele e começou a falar baixinho:

– Eu sei o que está acontecendo… – disse ele.

– O que está acontecendo? Do que você está falando?

– Sobre a onda crescente de calor e todo o resto.

– Mas soube como?

– Tenho um amigo que … – de repente parou de falar e voltou para sua estação quando nosso supervisor passou pela nossa estação com um tablet na mão conferindo nossa presença e nossa atuação. Assim que ele se distanciou Yago voltou para perto de mim e continuou a falar de onde parara:

– Tenho um amigo que trabalha na Academia de Ciências do Clima. Foi ele que me contou.

– Mas contou o que?

– Sobre o calor… Sobre o nosso triste destino.

– Destino triste? Que destino, homem? Fale logo sem rodeios.

– Estamos nos nossos últimos dias! Hoje pode ser o último dia até!

– O último dia? Como assim? Qual o motivo disso?

– O planeta… Sabe? Ele está sendo engolido pelo Sol. O Sol está explodindo ou algo assim. O fato é que estamos sendo engolidos pela sua fotosfera como esse meu amigo disse. Ele disse que isso é como uma grande respiração do Sol. Pode ser algo cíclico que acontece a cada milhares de anos até que ele exploda de vez.

– Mas e o aquecimento global?

– Esquece isso. É tudo uma bobagem. Eles vieram com isso para pensarmos que tínhamos uma chance se combatêssemos a poluição, mas na verdade era para aceitarmos mais docilmente o racionamento de combustível e energia. Nos dar uma esperança onde não há nenhuma. Não podemos reverter isso.

– Meu Deus! E quem mais sabe disso?

– Poucas pessoas em postos chaves do governo. O alto escalão já tem um plano.

– Plano? Que plano? Como vão esfriar o Sol?

– Eles não vão esfriar o Sol seu idiota! Eles vão é fugir!

– Fugir? Para onde? Para os subterrâneos?

– Nãooooo! – então Yago aponta seu dedo para cima e eu acompanho seu gesto erguendo minha cabeça para o teto. Meus olhos se arregalam ante daquela revelação. Será que tudo aquilo era verdade ou era mais uma doidice do meu amigo? No mês passado ele havia me dito que o governo estava construindo uma cidade subterrânea para abrigar os políticos e suas famílias.

Ao longo de todo o meu turno de trabalho fiquei com aquela informação na cabeça e uma grande ansiedade ia crescendo dentro de mim. Olhava ao meu redor e via os meus colegas se esforçando para nada. Tudo aquilo era um meio apenas para nos manter ocupados até o momento final que era inevitável. Saber que estávamos no fim, mas não saber quando seria o momento crucial que toda a vida no planeta iria se extinguir estava me consumindo. Comecei a suar frio. Algo que foi notado pela bela jovem que nos servia no refeitório da empresa. Seu nome era Maria.

– O senhor está se sentindo bem? Está suando e o nosso climatizador está em pleno funcionamento.

– Oh…Eu estou bem Maria. – respondi limpando meu suor da testa com um guardanapo. – Deve ser alguma indisposição. – Olhei bem para o rosto preocupado dela e me deu uma pena danada dela. Em breve ela seria mais uma a ser carregada pelo caminhão funerário ou pior… Seu belo corpo ficaria abandonado e apodrecendo até virar pó. Comecei a imaginá-la nua e eu fazendo amor com ela no nosso último dia.

-Senhor? Senhor? Quer que eu chame alguém do departamento médico?

Sua voz despertou-me do meu pequeno transe.

– Oi? Não… Não precisa. Já está na hora de eu voltar ao trabalho. Obrigado.

Levantei-me e caminhei para fora do refeitório enquanto Maria recolhia a minha bandeja. Tinha que verificar a informação de Yago. Se tudo fosse verdade talvez houvesse uma chance ainda de sobreviver. Eu teria que ter um plano para chegar até a espaçonave que estavam construindo e tentar me infiltrar de alguma forma.

Assim que retornei a minha estação de monitoramento puxei Yago pelo braço e perguntei:

– Qual o nome do seu amigo na Academia? Como eu o encontro?

– Pra que? O que ele sabe eu já te disse.

– Quero saber mais. Como eu o acho?

– As comunicações com a Academia são monitoradas será difícil falar com ele lá. Mas eu sei onde ele mora. – Yago deu um sorriso amarelo. Parecia que ele estava com medo de mim. Eu devia estar mesmo com cara de maluco. Entretanto devido a nossa presente situação estar um pouco maluco era aceitável.

Assim que acabou meu turno e após conseguir a informação da residência de seu amigo convenci o motorista da minha empresa a ser o último a ser deixado em casa. Só que naquele dia minha casa não seria o destino final. Disse ao motorista onde queria ser deixado. Falei que era a casa de uma namorada. Ele sorriu e não perguntou nada. Era um homem discreto.

A casa do amigo de Yago ficava em uma colina que era uns dos poucos lugares onde havia vegetação ainda. Peguei meu sobretudo com capuz , pus meu óculos escuro e sai do carro na direção da sua porta. Dirigi-me a câmera de segurança e me anunciei:

– Sou do Controle Central Energético estou procurando o Sr. Vilanova. Posso falar com ele?

Não houve resposta. Procurei bater na porta e percebi que ela estava entreaberta.

– Alô? Alguém em casa?

Não obtive resposta de novo. Então sem cerimônia entrei. Encontrei uma casa deserta. Alguns objetos estavam espalhados. Parecia que alguém havia saído com pressa. Na sua sala havia uma tela de comunicação. Acessei os últimos dados das câmeras de segurança da casa. Selecionei as imagens do último dia. O que vi foi o Sr. Vilanova chegando em casa esbaforido falando com a família e todos discutiam entre si. Depois fizeram malas e levaram somente o necessário. Ele, a mulher e seus dois filhos foram levados por militares em um caminhão para destino ignorado. Parecia que o que Yago havia me contado era verdade. Tentei acessar informações sobre o paradeiro dele e não consegui. Sentei-me em seu sofá e fiquei desesperançoso. Se ele havia saído as pressas é porque o plano estava em andamento. E isso foi apenas há três horas atrás. O que me levava a pensar que realmente esse fosse nosso último dia. Meu último dia. O que poderia fazer? Será que conseguiria descobrir a localização da cidade subterrânea? Com quem poderia falar? Como obter essa informação? Peguei meu transmissor particular e liguei para Yago.

– Yago?

– Sim… O que houve?

– Estou na casa de Vilanova. Acessei os registros de imagens da casa. Ele e a família foram levados há 3 horas. Parece que foi algo decido às pressas.

– Então é tudo verdade! – Yago parecia assombrado com sua própria informação.

– Sim ao que parece! Você por acaso saberia para onde ele pode ter ido ou a localização da cidade subterrânea? Precisamos ter uma chance de nos salvar!

– Espero. Já volto a falar com você. – e dito isso ele desligou.

Fiquei em silêncio. Levantei-me e fiquei a andar pela sala que recebia rios solares daquela tarde. A iluminação natural vinda das pequenas janelas era bonita. Fui até sua cozinha. Abri as torneiras da pia e não havia água alguma. Minha boca estava ressecada. Queria beber pelo menos um golinho de água. Antes que pudesse procurar por água no refrigerador da casa Yago me ligou de volta.

– Alô?

– Veja bem… Acho que consegui algo… Talvez aja alguém na Academia de Ciências do Clima. Você tem como chegar lá?

– Vou ver o que faço.

– Te encontro lá em quinze minutos. – e dizendo isso ele desligou de novo.

Cocei a cabeça pensando como faria para chegar lá. Andei mais um pouco pela casa e vi umas fotos penduradas na parede. Em uma delas havia uma foto da família ao lado de um carro. Se eles foram levados pelo caminhão dos militares então…

Achei a garagem da casa e um carro coberto por uma lona plástica. O carro não tinha janelas como era de praxe nos últimos modelos. O acesso devia ser eletrônico. Procurei uma chave ou algo para abri-lo. Para minha sorte Vilanova era muito organizado e a chave eletrônica estava pendurada em uma parede com etiqueta e tudo.

Entrei no carro abri a porta da garagem e parti para a academia digitando o destino que já estava programado no computador de bordo do carro. Agarrei-me novamente a uma pequena esperança de me salvar do destino horrível que estava por vir.

Ao chegar à Academia pude ver alguns carros no estacionamento. Será que ainda havia expediente? Alguns papéis estavam espalhados pelo chão. Começou uma ventania. O estado havia tido algumas tempestades de areia nos últimos tempos. Parecia que aquela tarde haveria mais uma. Yago já me esperava dentro do edifício.

– Yago! – o saudei a distância assim que o vi.

– Venha logo! Não podemos perder tempo. – ele me conduziu pela larga escada do hall principal. Chegamos a um grande salão onde havia a central de controle do clima do planeta. Havia um relógio em contagem regressiva. O planeta tinha menos de duas horas. Tudo estava abandonado. Não havia ninguém lá. Yago começou a acessar os registros deles.

– Eu tenho a senha do Vilanova. Talvez encontremos algo aqui. Ele me disse ontem quando nos encontramos para beber em um bar.

– Ele devia ter uma grande amizade por você. Revelar esse segredo…

– Ele é meu cunhado. Disse que caso o plano fosse posto em prática ele só possuía autorização para salvar a sua família. Minha irmã lhe pediu pra me avisar na esperança que eu pudesse arranjar um jeito de me salvar. Ele disse que o governo já estava se preparando há pelo menos cinco anos!

Estava atônito com mais essa revelação. Cinco anos! Mas que filhos da…

– Achei! Um arquivo codificado. O local de partida das naves e a localização da cidade subterrânea.

– E o que estamos esperando? Vamos!

– Espere. Tem um problema.

– O que foi agora?

– Pelos registros as naves já partiram… Foram há uma hora.

Eu quase cai para trás. Sentei-me em uma cadeira e fiquei com falta de ar.

– Mas talvez nem tudo esteja perdido…

– Por que? Estamos condenados… – disse com a mais profunda tristeza.

– A entrada da cidade subterrânea… Fica aqui no prédio!

Nos olhamos com a esperança renovada. Levantei-me num pulo só.

– Onde? Onde?

– Siga-me! – Yago foi na frente com uma prancheta eletrônica na mão com o mapa do prédio na tela.

Seguimos por alguns corredores e descemos alguns lances de escada. Até chegarmos num elevador. Porém a porta estava travada.

– Droga! – disse ele socando a porta.

– E agora?- eu estava desesperado.

Yago ficou pensativo e consultou de novo o seu mapa.

– De acordo com os dados haverá uma massiva ejeção da massa coronal do Sol que engolirá o planeta e incinerará tudo na superfície evaporando também toda água no planeta. Isso acontecerá em menos uma hora e meia. Temos que abrir essa porta com algo e descer pelo poço do elevador.

Olhei em volta e não vi nada que pudesse nos ajudar. Então me voltei para os controles da porta e tentei dar um curto para liberar a trava eletrônica. Um dos meus empregos do passado eu havia trabalhado na manutenção de portas e elevadores. Algo que parecia que iria salvar minha vida agora. Demorou uns dez minutos, mas consegui liberar a trava. Puxamos juntos as portas até termos acesso ao fosso.

– Agora só falta descobrir um meio de descer. Não sabemos quantos andares existem lá para baixo. – comentei.

– Existem alguns canos aqui fixados na parede. Precisamos fazer uma corda para ser nossa corda de segurança. Descemos por eles se escorregarmos ficamos apenas pendurados. – explicou Yago seu plano.

– Boa ideia!

Nos minutos que se seguiram procuramos por algum tecido com o qual pudéssemos fazer as cordas. Encontramos jalecos, toalhas e algumas roupas deixadas para trás. Emendamos uma nas outras e improvisamos nossas cordas de segurança. Achamos umas lanternas na sala da manutenção e começamos nossa empreitada. Cada um desceu por uma parede. A descida foi difícil. Nenhum de nós era um atleta. Eu estava fora de forma. E o calor estava insuportável. A descida parecia interminável. Acho que demoramos uma meia hora para descer até encontrarmos o teto do elevador que era bem largo. O elevador parecia ter sido construído para evacuar dezenas de pessoas e equipamentos.

– Chegamos! – comecei a rir sozinho e a abraçar Yago por nossa conquista parcial.

Após alguns segundos de comemoração nos propusemos a abrir o teto do elevador para chegarmos ao nosso refúgio.

Abrimos a tampa e descemos. Agora era abrir a porta do elevador para a nossa salvação. Eu havia achado uma barra de ferro que usamos como um pé de cabra. Forçamos a porta e abrimos. Um vento frio e reconfortante nos recebeu. Pelo menos os climatizadores estavam funcionando.

Assim que chegamos nos deparamos com uma dupla de soldados que apontaram suas armas para nós.

– Alto! Fiquem onde estão!

Estávamos cansados, suados e desarmados. Não tínhamos como oferecer nenhuma resistência. Larguei a barra de ferro no chão para deixar claro nossas intenções de paz.

– Como chegaram aqui? Quem são vocês? – perguntou um dos soldados.

– Nós… Eu… – tentei argumentar algo, mas minha boca estava muito ressecada pela sede e pelo medo da morte iminente.

O outro soldado falou:

– Isso não importa agora. Não temos muito tempo. Pegue-os e leve-os para dentro.- pela sua voz de comando parecia ser superior do outro que prontamente obedeceu as ordens dadas.

Fomos levados para um salão que ficava numa espécie de mezanino que dava pra ver através de um janelão uma rua inteira construída abaixo de nós com casas pré-moldadas e bem iluminadas artificialmente.

-Senhores… Sejam bem vindos a colônia 250. Meu nome é Merval. Sou o administrador desta colônia. Pelo visto vocês não foram pré-selecionados e isso deve ter acontecido por alguma quebra de segurança. Mas isso não importa agora. Precisaremos de toda a força de trabalho para continuar com nossa existência nesse planeta. – disse um senhor em umas vestes brancas.

– Mas por que vocês não avisaram a todos? Podiam ter salvo muita gente. – repliquei enquanto alguém me servia um copo com água. Quando olhei pra ver quem era vi que era Maria… A garota do refeitório.

– Não queríamos criar pânico e que a escolha fosse seletiva. Somente os profissionais mais competentes e as mentes mais brilhantes foram selecionados. Precisaríamos dele para assegurar nossa sobrevivência. Parte da população do planeta foi evacuada para um planeta próximo daqui onde terão maiores chances de sobrevivência.

– Maria? – disse reconhecendo seu rosto. Yago também estava perplexo com a coincidência da presença da garota naquele local. Ela também sabia de tudo e não disse nada.

– Vocês se conhecem? – perguntou o velho senhor a ela.

– Ele é do trabalho. É um bom rapaz. – respondeu ela sorrindo. – Desculpem por não ter falado nada sobre isso tudo. Meu pai me pediu sigilo absoluto.

– Então ele é seu pai? – disse ainda incrédulo com tamanha coincidência. Eu já havia pensado no destino horrível para ela e agora sorria com sua sorte. E a minha é claro.

– Em breve Utui, nosso Sol destruirá toda a vida em nosso planeta. Nergalii ficará morto na superfície. Acreditamos que a fotosfera ficará expandida por algumas centenas de anos. Nossa única chance de sobreviver é aqui embaixo. Esperamos que nossa colônia em nosso planeta irmão Tiamatiii possa dar frutos também e que possamos voltar a encontrar nossos irmãos um dia. Nesse momento esse planeta está em um período glacial, mas ,devido à atividade solar, em breve o gelo se derreterá e o planeta será agradável e receptivo para a colonização. Talvez eles precisem ficar em órbita alguns anos até isso se tornar possível. Mas agora venham ao nosso novo mundo e vamos apreciar através das câmeras da superfície as últimas imagens do último dia do nosso antigo mundo.

Todos nós fomos até uma plataforma que nos desceu até a altura da rua subterrânea. De lá centenas de pessoas estavam reunidas assistindo em um telão imagens das nossas antigas cidades. Eu, Ank Dapa, olhava para aquelas imagens e chorava. Abracei Yago e Maria. Apesar de uma grande tristeza contraditoriamente também estava muito feliz em poder continuar vivo no último dia do meu planeta.

66 comentários em “O Último Dia (Marcos Chiara)

  1. jggouvea
    6 de abril de 2014

    Apesar do furo científico apontado pelo gustavo, esse texto tem um ritmo ágil e interessante. Lembra, aliás, um conto escrito pelo Joks Lobo, nos tempos da NEB. O Sinki detestava aquele rapaz e todos os seus escritos, mas eu logo percebi que ele era um talento em estado bruto, que poderia ser lapidado. Infelizmente ele parece ter se afastado da literatura.

  2. Hugo Cântara
    4 de abril de 2014

    O início do conto foi cansativo, os diálogos tardaram em surgir, parecia que estava a ler um crónica ou uma notícia. Não houve envolvimento com as personagens.
    “Ele disse que isso é como uma grande respiração do Sol. Pode ser algo cíclico que acontece a cada milhares de anos até que ele exploda de vez.”
    Não é de todo um fenómeno cíclico.
    O planeta que acolheu a população também custa a engolir, visto que durante o conto nada fez prever esse desfecho.
    Resumindo, a ideia foi interessante, mas faltou alguma pesquisa para se tornar verosímil.
    Continua a escrever e boa sorte!
    Hugo Cântara

  3. Gustavo Araujo
    2 de abril de 2014

    Boa a ideia de um apocalipse solar. No entanto, não há substrato científico no conto apto a sustentar as consequências narradas a partir daí. O aumento da massa do sol, ou de sua radiação, provocaria a extinção da vida na Terra (ou em Nergalli) antes mesmo que as pessoas se dessem conta. As plantas deixariam de realizar a fotossíntese, por exemplo, levando ao colapso de toda a cadeia alimentar. Demais disso, os oceanos se evaporariam, assim como rios, lagos, ou qualquer depósito d’água. Seria praticamente impossível o estabelecimento de uma colônia subterrânea até porque a temperatura sob a crosta terrestre é infinitamente maior do que a da superfície. E nem adianta dizer que “condicionadores de ar” dariam conta do recado, já que não haveria energia para o funcionamento. Em suma, com o aumento da massa do sol, o planeta literalmente derreteria, seria engolido e sumiria da existência.

    Apesar de tudo isso – desse furo científico – o conto funcionou para mim por causa da agilidade. Tudo acontece de modo dinâmico, rápido e sem grandes percalços. A história termina parecendo um enredo de filme B, mas isso não quer dizer que seja ruim. Ao contrário – a partir do momento em que entramos em sintonia com a maneira “trash” do narrador passar suas impressões, a história adquire um ar nostálgico, lembrando, pelo menos para mim, as historinhas do Buck Rogers.

    Em suma, os furos do aspecto científico poderiam ser tapados com uma pesquisa mais profunda quanto ao que aconteceria se o sol crescesse de repente. No entanto, creio que se o conto se aferrasse aos princípios que norteiam a astronomia, o resultado seria extremamente chato.

    No mais, o conto, do jeito que está, cumpre bem a missão de entreter. É isso.

    • Socram Bradley
      2 de abril de 2014

      O que levou a ejeção de massa coronal para causar tal fenômeno é algo que os cientistas marcianos não tiveram tempo de descobrir ou guardaram tal segredo a sete chaves.As colônias subterrâneas foram projetadas para suportar tal temperatura da crosta marciana e dizem que existem até hoje… A quantidade de BTU´s de um ar condicionado marciano é muito diferente e superior ao terrestre. Não concordo que seja um furo total e sim uma ciência divertida e nisso concordamos… A proposta era apenas entreter. Obrigado pelos comentários.

  4. fernandoabreude88
    1 de abril de 2014

    Também não gostei. Achei mal escrito, além de ter um monte de informação que em nada acrescenta ao texto. Quanto à temática, seria necessário que o autor pesquisasse um pouco mais antes de começar o conto, dados não batem e isso prejudica um pouco a compreensão.

    • Socram Bradley
      1 de abril de 2014

      Bom o fato de não gostar. Ok. Achar mal escrito. Ok. Você pode ser um literata em norma culta e eu um tremendo ignorante na verborragia…Que seja… Quanto a dados que se referem a uma “pesquisa” gostaria que fosse mais explicito pois não sei ao que se refere. Normalmente quando escrevo sobre algo sei exatamente sobre o que estou escrevendo. Agora se você não compreendeu algo tão simples…lamento…

      • fernandoabreude88
        4 de abril de 2014

        Pô, foi mal, cara.

  5. Felipe Rodriguez
    31 de março de 2014

    Gostei da ideia. Achei meio forçada a revelação sobre o planeta não ser a Terra. No entanto, acho que tem um material interessante a ser trabalhado, a escrita flui em muitas partes, mas em outras achei meio confusa – pode ser por causa da quantidade de coisas a serem explicadas. Depois de uma revisão e organização das frases, dá um conto bem melhor. Parabéns e boa sorte!

    • Socram Bradley
      1 de abril de 2014

      Obrigado Felipe! Darei uma revisada sim.

  6. Wilson Coelho
    28 de março de 2014

    Um bom argumento para uma boa história de FC, mas achei que o final desandou e que a surpresa sobre o planeta não ser a Terra ficou forçada.

    • Socram Bradley
      1 de abril de 2014

      Obrigado WIlson…Também acho que o conto dá um embrião pra algo melhor….

  7. Vívian Ferreira
    27 de março de 2014

    Gostei do conto, com bom ritmo e a descrição inicial não me incomodou, pelo contrário, foi uma boa ambientação. Talvez só as soluções mirabolantes ou fáceis demais para o protagonistas tenham soado um pouco forçadas. Numa revisão faça-o sofrer um pouquinho mais para chegar ao destino e o final ficará mais emocionante. É só uma dica. Parabéns e boa sorte!

    • Socram Bradley
      1 de abril de 2014

      Obrigado Vivian. Na próxima farei algo mais emocionante…rsssss

  8. Helena Frenzel
    25 de março de 2014

    Olá, como não estou participando do desafio, dou-me o direito de interromper a leitura se não estiver gostando do texto e, infelizmente foi o que aconteceu com este aqui. A narrativa não conseguiu me prender do começo até a metade, então parei. De qualquer modo, todo esforço é válido e não leve meu comentário à ferro e fogo, os gostos são distintos neste mundo, não? Pode ser que outros gostem muito. Saudações!

    • Socram Bradley
      25 de março de 2014

      Errr… Frenzel… Eu tenho recebido boas e más críticas, mas como você nem se deu o trabalho de ler tudo me reservo o direito de nem comentar muito o que você escreveu. Salve!

  9. Eduardo B.
    23 de março de 2014

    A ideia é legal, mas o começo arrastado não me animou muito e o final deixou a desejar. Juntem-se a isso os personagens pouco desenvolvidos, a construção errônea de certas frases e algumas passagens pouco críveis.
    Continue escrevendo. Abraço. 😉

    • Socram Bradley
      25 de março de 2014

      Pelo menos a idéia se salvou…rssss 🙂 Obrigado!

  10. fmoline
    20 de março de 2014

    Os personagens retratados não apresentavam muita complexidade, mas, mesmo começando devagar, o texto fluiu com um ritmo bem legal. Bem, não gostei do final e tem umas coisas que comprometeram a verossimilhança interna, mesmo assim a escrita é boa.

    Bem, boa sorte!

    • Socram Bradley
      25 de março de 2014

      Obrigado . Que bom que gostou da escrita.

  11. Leandro B.
    14 de março de 2014

    Olá, Socram.

    Acho que o ponto forte do texto é também um dos seus pontos fracos: a surpresa do final.

    A ideia é completamente bem vinda, mas o uso de nomes terrestres enfraqueceu demais a revelação para mim, tornando-a, digamos, difícil de aceitar. Quanto ao texto em si, senti falta de uma conexão com Ank Dapa. Mas o que mais me tirou do sério foi Yago ter ido para o trabalho no que ele acreditava ser o último dia de sua vida no planeta.

    Enfim, parabéns pelo conto!

    • Socram Bradley
      18 de março de 2014

      Pois é…O Yago estava obcecado pela possibilidade do fim do mundo mas no fundo ele nao acreditava muito. Na verdade ele só queria que alguem acreditasse nele e só se sentiu confiante quando Ank se interessou mais. Eu me senti preso com 4 mil palavras gostaria de ter podido desenvolver mais a trama por isso que muitos o acharam corrido. Mas toda a experiência é válida. Obrigado por ter lido.

  12. Fabio Baptista
    12 de março de 2014

    Não está mal escrito, mas algumas coisas poderiam ser evitadas numa pequena revisão:

    – dezenas de morte
    – há três horas atrás
    – algo decido às pressas
    – bem vindos a colônia

    Pequenos deslizes que não comprometem a qualidade geral. O que me incomodou mesmo, tecnicamente falando, foi o excesso de repetições de algumas palavras:

    – calor / ar-condicionado (logo no começo)
    – prédio
    – estação
    – planeta
    – isso não importa agora

    Veja que essas palavras aparecem repetidas com muita proximidade. No caso de “planeta” mais de uma vez.

    Achei o desenvolvimento da história muito corrido. Apesar de se passar em outro mundo, a tecnologia de lá parecia bastante similar à da Terra, o que torna meio inverossímil a velocidade com que foram desenvolvidas as estradas e os novos tipos de pneu para suportar o calor (100 graus!?).

    A mão do autor também sempre fica visível na resolução dos problemas… são muitas as coincidências que levam o personagem principal até seu destino e isso faz com que em nenhum momento o leitor se preocupe com ele, porque desde o começo temos a certeza que tudo vai “dar certo”.

    A surpresa final também poderia ser melhor trabalhada.

    Não gostei, mas vejo potencial para melhora, até pelos comentários do autor, sempre assimilando muito bem as críticas.

    Abraço!

    • Socram Bradley
      25 de março de 2014

      Nada é inverosímel em uma ficção. A Terra que passou a similar à Marte no futuro. Os cientistas eram muito adiantados lá daí a criação de um pneu (roda) do tipo. Mas que bom que no geral achou que o texto tem potencial. Eu também acho. Mas sou suspeito pra falar (ou escrever)…rsssss. Obrigado pela crítica e pelo seu tempo.

  13. Marcelo Porto
    12 de março de 2014

    Achei o conto fraco, com excesso de clichês e um protagonista totalmente sem sal.

    O melhor do conto é final – não pelo clímax, que não existe – mas pela revelação de que a trama não se passa na Terra. E até isso fica comprometido pelos nomes comuns a terráqueos, fiquei com uma sensação de que fui enganado, quando de forma inoportuna surgiram nomes como: Ank Dapa, Timatii, Nergalii, etc.

    Sem contar com a solidariedade dos sobreviventes, algo totalmente incoerente com a atitude que tomaram com os outros infelizes que ficaram na superfície.

    O “deus ex machina” deitou e rolou na trama.

    Acho que a história merece uma revisitada, sem tentativas de se criar uma surpresa forçada no final, com um melhor desenvolvimento dos conflitos (talvez uma revolução comandada pelo protagonista) e principalmente um protagonista com maior densidade.

    Talvez tenha sido a pressa e o limite de palavras, mas a ideia merece um melhor desenvolvimento.

    • Socram Bradley
      25 de março de 2014

      Concordo em parte com você Marcelo e que bom que alguém gostou do final…. 🙂
      Não li Deus Ex MAchina então não sei se entendi bem a referência a qual você imputou na trama. A enganação era proposital…rssss Obrigado pela crítica.

      • Marcelo Porto
        1 de abril de 2014

        Olá Socram,

        Não me leve a mal. Também sofro quando alguém critica um filhote meu e dá vontade de pular no pescoço do desgraçado. Mas essa é a proposta do desafio, por isso todos nós estamos com pseudônimo. Já fui duro com um dos caras que mais admiro por aqui e já sofri horrores nos desafios anteriores.

        Absorva os elogios e principalmente as críticas e continue, o principal você já tem: a coragem de colocar a cara à tapa, o resto é prática e perseverança.

        À proposito: “Deus Ex Machina” é um termo para essa nossa mania de criar soluções mágicas para os problemas dos nossos personagens.

  14. Marcellus
    9 de março de 2014

    O conto tem muito potencial, a história é imaginativa, mas não funcionou comigo. Talvez pelos erros e repetições, talvez pelas soluções mágicas (a chave do carro, o pé de cabra, os soldados que permitem a entrada e por aí vai).

    De qualquer forma, desejo boa sorte ao autor!

    • Socram Bradley
      25 de março de 2014

      Aaaaaaaa… O que seria de alguns filmes de aventura sem as soluções mágicas? (Ainda mais que eu só tinha 4000 palavras a minha disposição…kkkk). Obrigado pelos votos de boa sorte Marcellus!

  15. Rodrigo Arcadia
    9 de março de 2014

    Comecei a me interessar pelo conto, a partir de onde começa a narrar onde ele trabalha. um climão bem de filme mesmo. mas faltou algo que me deixasse satisfeito, talvez seja a narração, apesar de alguns defeitos e a revelação do final não surtiu o efeito desejado.
    Abraço!

    • Socram Bradley
      25 de março de 2014

      O que fazer???? Eu tentei dar um bom final…. snif snif…. As vezes quando escrevemos vemos um filme diante dos nossos olhos. Se eu fosse reescrever adicionaria muitas coisas….Quem sabe alguem me pede pra fazer um roteiro???? rssssss Obrigado pela crítica Rodrigo.

  16. Abelardo Domene Pedroga
    9 de março de 2014

    Muito bom o conto, e a história é bem delimitada e vai sendo contada com um bom ritmo e muita competência. Daqueles que li e opinei é de longe o meu favorito. Parabéns ao autor ou a autora que trabalhou muito bem o tema. Agora dizer que há alguns clichês? Qual texto não tem? Parabéns.

    • Socram Bradley
      25 de março de 2014

      Obrigado Abel pelas gentis palavras. Os clichês foram de propósito!! rsssss

  17. bellatrizfernandes
    9 de março de 2014

    Logo na primeira linha: Frio mínimo? Não quis dizer frio máximo? Se fosse o mínimo, até tudo bem estar calor.
    Não foi o melhor dos começos. Mas eu gostei da sociedade que foi lentamente se adaptando à adversidade. Achei que bem crível em alguns aspectos.
    Algo que achei um pouco perturbador foram os nomes: Afinal, essa cidade ficava onde? Existia um Bryce ao mesmo tempo que existia uma Maria e um Vilanova. Fiquei confusa.
    E os nomes dos planetas, no fim? Vieram de onde? Porque não chamar mais de Terra? E de Sol?
    Enfim, não sei se senti afinidade pelo personagem principal.

    De qualquer forma, parabéns pelo conto e boa sorte!

    • Socram Bradley
      25 de março de 2014

      A idéia era passar que nomes que agora nos são comuns tiveram sua origem num lugar distante do universo e não tão somente em nações terrestres como conhecemos. Há uma explicação de rodapé sobre a origem dos nomes dos planetas dê uma olhadinha de novo. Obrigado pela crítica!

  18. Bia Machado
    8 de março de 2014

    Não sei por que, mas tive a impressão de que se o conto tivesse começado no parágrafo “Meu trabalho consistia em monitorar a rede…” teria sido melhor, ou então foi por não ter gostado do início, muito descritivo, com aqueles detalhes todos, embora eu não tenha nada contra descrições, mas essa pra mim não funcionou muito. A surpresa do final foi uma “surpresinha estranha”, digamos, pois alguns nomes são muito a cara da Terra, sei lá… Talvez se os nomes todos fossem diferentes, a gente chegasse ao final com aquela sensação: “Ah, então era isso???” Acho que falta só organizar melhor o texto para o efeito que se deseja, melhorando alguns aspectos da narrativa que ficaram um tanto arrastados a meu ver e cuidar um pouco mais a revisão. Um bom conto.

    • Socram Bradley
      8 de março de 2014

      Bia…Nem sempre o texto funciona pra todos. Achei a descrição pertinente para a introdução. Os nomes são parecidos com o da Terra de propósito para denotar que foram herdados deles (marcianos); bem como aspectos culturais que nos são comuns hoje em dia. Quanto a revisão…Mea culpa minha maxima culpa! Da próxima eu melhoro. Obrigado pelo seu tempo em ler o meu conto e comentá-lo.

  19. Leonardo Stockler
    8 de março de 2014

    Olha… Não posso dizer que gostei. Eu gostei do plot, do pontapé inicial: o planeta ficando absurdamente quente, e você explorando as consequências disso. Algo que pareceu ser bem original. A narrativa estava boa, num ritmo tranquilo. De repente virou tudo um filme americano, tipo aquele “2012”. Aliás, o conto tornou-se exatamente igual à esses filmes americanos de apocalipse. Isso fez com que cada elemento inserido, por melhor que fosse, se tornasse neutro. Tudo que você colocou aí poderia ser melhor explorado: Maria, os outros personagens… Eu não entendi também qual critério você escolheu para os nomes. Tem um Yago, um Vilanova, Ank Dapa, Bryce, Maria. E de repente ficamos sabendo que a história se passa em outro planeta. Também não pude deixar de atentar para deslizes, que, apesar de serem poucos, não passaram despercebidos. Mas nada que possa ser corrigido com uma revisão ou outra.

    • Socram Bradley
      8 de março de 2014

      Toda opinião é válida Leonardo. O importante é que possa ter te proporcionado alguns momentos de entretenimento. Os nomes usados foram uma miscelânea mesmo para demonstrar que os nomes que temos hoje em dia em várias culturas foram herdados de nossos antepassados marcianos bem como vários aspectos de sua cultura. Realmente concordo que faltou uma certa atenção na revisão do texto mas isso de deveu a ansiedade de postar logo o texto. Obrigado pela crítica.

  20. Vitor Hugo B. Ribeiro
    7 de março de 2014

    Eu achei este conto muito bom. Não achei previsível, pois pensei que o protagonista morreria, e também embora tenha alguns clichês, não achei nada previsível, com certo suspense. Estou acostumado a ler muitos contos de autores que me procuram, e este me prendeu a atenção. Gostei muito!

    • Socram Bradley
      8 de março de 2014

      Obrigado Vitor pelo prestígio! Um abraço!

  21. Eduardo Selga
    6 de março de 2014

    Se considerarmos que a proposta do conto está francamente voltada para a ação e que isso é bem realizado, com poucos erros gramaticais, é um conto competente. Mas falta brilho e acredito que isso se deveu a uma certa previsibilidade das soluções narrativas, como planeta insustentavelmente quente, fuga selecionada para outro planeta, colônia subterrânea.

    É verdade que o tema torna quase inevitável o uso de clichês, no entanto é preciso fazer deles um uso não previsível. Mas sem pirotecnia verbal.

    • Socram Bradley
      8 de março de 2014

      Obrigado pela crítica Eduardo. A idéa é que os clichês que conhecemos hoje não o eram no passado. E que muito da nossa cultura de hoje em dia proveio de nossos ancestrais marcianos. Não sei se fui hábil em passar essa idéia, mas essa foi a intenção. Mas que bom que gostou da ação.

  22. Paula Mello
    6 de março de 2014

    Gostei do conto,a ideia foi muito interessante.
    Mas achei que algumas pontas ficaram soltas pelo ritmo que foi se desenvolvendo o texto.
    O inicio esta perfeito mas nos parágrafos seguintes o ritmo começou a se intensificar e quando vi já tinha terminado.
    Esperava muito mais do final,um pouco mais de emoção e quem sabe um pouco mais de sofrimento.
    Sou leiga em assuntos de escrita,mas sempre tenho em mente que o ritmo posto em um texto e uma das chaves para o bom desenvolvimento de uma ideia.

    Boa Sorte!

    • Socram Bradley
      8 de março de 2014

      Eu sei que ficou um gostinho de quero mais Paula. Mas 4000 palavras era pouco pra mim tive que me policiar muito…rssss Eu quis salvar os dois personagens principais e olha que me segurei em descrever mais tragédias…rssss. Que bom que gostou. Obrigado!

  23. Anorkinda Neide
    6 de março de 2014

    Pois é.. é como um filme 🙂
    No começo, aquele calorão todo estava me provocando suores! recentemente passei por provações aqui no sul.. hehehe
    Aliviei quando a ação começou, ficou um pouco mal alinhavado os segredos de Estado.. primeiramente as cidades subterrâneas não iriam adiantar d e nada, por isso, tinha gente selecionada pra sair do planeta e depois a cidade subterrânea funcionou como refúgio…
    Acho que não precisava ser outro planeta, mas isso não me incomodou e nem me trouxe uma boa surpresa, mas gostei dos nomes dos planetas, me lembrou as Ilhas do Taiti.

    Boa sorte ae e parabens pelo texto!

    • Socram Bradley
      8 de março de 2014

      Neide… A idéia de passar um calor insuportável foi cumprida pelo visto… Todo plano A tem um plano B e as cidades subterrâneas foram o B. Os nomes dos planetas vieram da civilização suméria que foi a primeira civilização em nosso planeta que surgiu após o dilúvio de Noé. Sumer foi a cidade q mais evoluiu após o dilúvio e dizem os historiadores que foi fundada pelo filho de Noé, Shem. Suméria seria a tradução de terra de Shem. Fico feliz que tenha gostado. Obrigado!

  24. Felipe Moreira
    6 de março de 2014

    Quando notei que se tratava de outro planeta, algumas coisas implicaram ter sentido pra mim. Fora os erros de concordância, falta de vírgulas, uma coisa em especial me incomodou: Instante em que o narrador está no refeitório e imagina Maria sofrendo com a radiação, morrendo e logo em seguida imagina-se transando com ela. Porém, acho que depois de ter percebido que é outro mundo, acho que posso aceitar um conceito diferente de moralidade para a personagem.

    No geral, achei agradável ler o seu conto e esse ritmo de filme fez passar rapidinho. Parabéns.

    PS: Cuidado pra não revelar seu nome nos comentários aqui. Use o pseudônimo.

    • Socram Bradley
      8 de março de 2014

      Pois é o personagem principal tinha uma mente muito estranha….rsss Sobre não revelar o nome o Rubem já puxou minha orelha…rsssss Obrigado pela força!

  25. Claudia Roberta Angst
    6 de março de 2014

    Gostei do ritmo inicial e a linguagem pareceu-me bastante confortável de seguir. Como todos, imaginei tudo por aqui mesmo, neste planetinha azul, pois as descrições pareceram muito semelhantes ao que temos ao nosso redor: estado, corrupção, lei marcial, cota de condomínio. Enfim, acredito que a ideia da surpresa final – outro planeta – tenha surgido quase no final da redação do conto. Foi uma ótima ideia, mas acho que ficou faltando um pouco de coerência anterior. Talvez se tivesse suprimido alguns detalhes cotidianos tão familiares a nós leitores terráqueos, o efeito fosse melhor.
    Repetições poderiam ser evitadas com o uso de sinônimos adequados ao texto:(…)achando que achariam locais mais fresquinhos e sombreados.
    (…)olhei pra ver quem era vi que era Maria…
    No geral, foi uma leitura bem agradável. Boa sorte!

    • Socram Bradley
      6 de março de 2014

      Que bom que gostou Claudia. Realmente esse conto precisaria maturar mais na gaveta, mas fiquei ansioso em enviar logo e posso ter cometido esses deslizes. Contudo a ideia de ser outro planeta e de criar situações semelhantes aos dias atuais estavam na minha cabeça desde o inicio. Mas que bom que o texto te proporcionou alguns momentos agradáveis. Obrigado!

  26. Pétrya Bischoff
    6 de março de 2014

    Gostei bastante do conto. Não há firulas (apesar de eu gostar delas), mas isso serviu bem na estória. Foi como ler um filme. Na verdade, todo o conto fez muito sentido para mim, tudo se encaixou e finalizou bem sendo outro planeta que não a Terra. Parabéns e boa sorte 😉

    • Socram Bradley
      6 de março de 2014

      Obrigado pela gentileza do comentário Pétrya!

  27. Thata Pereira
    6 de março de 2014

    Eu gostei muito do conto. Achei que faltou um pouquinho mais de emoção nos dois últimos parágrafos, mas deixo passar. Alguns errinhos me incomodaram, houve essa repetição da palavra prédio que me desagradou bastante: “O prédio onde morava teve um mini blecaute por causa de um defeito no climatizador do seu prédio.”.

    Mas gostei muito da história. No começo e não achei a descrição do que estava acontecendo com o mundo cansativa.

    Boa sorte!

    • Socram Bradley
      6 de março de 2014

      Obrigado Thata. Os errinhos me incomodaram também, mas só fui rever com mais calma depois que já havia mandado….Da próxima vez eu acerto!…rsssss

  28. rubemcabral
    6 de março de 2014

    A ideia é muito boa e tem bastante potencial. Assim como alguns colegas leitores, tive a impressão que inserir a informação de que se tratava de outro planeta foi algo que surgiu mais tarde, pois em tudo até então o planeta assemelhava-se à Terra. Qto à escrita tem uns poucos piolhos pra catar, feito o “aja” (que deveria ser “haja”).

    • Socram Bradley
      6 de março de 2014

      Deve ter sido a ansiedade de enviar logo o conto. Dá próxima eu cato melhor os “piolhos”…rssss Obrigado pelo seu tempo em ler minha história.

  29. Weslley Reis
    6 de março de 2014

    O conto tem uma linguagem bem cinematográfica, o que torna a leitura dinâmica e cativante.

    Por outro lado, também achei os eventos meio corridos e algumas informações se confundiram pra mim.

    O fato de se passar em outro planeta e com outra raça pareceu ter sido inserido na finalização do texto e não construído no decorrer. Se a ideia foi surpreender o leitor, dá pra trabalhar melhor isso.

    De todo o modo, a narrativa tem ritmo e a história é boa.

    • Socram Bradley
      6 de março de 2014

      Obrigado pelas palavras. O personagem tinha que “correr” contra o tempo…rsss (quatro mil palavras pra mim eram pouco tive que me controlar….) O fato é…Te surpreendi com o final? 🙂

  30. Alan Machado de Almeida
    6 de março de 2014

    O início é bem descritivo, isso não é uma falha, tem muito autor profissional que escreve assim. Descreve primeiro o cenário depois desenvolve a história. Eu, porém, prefiro quando a explicação é colocada durante o enredo e não antes. Ao invés de gastar vários parágrafos descritivos comece logo a história e quando o personagem se deparar com algo novo daquele ambiente você o explica. Eu acho que esse tipo de narração prende mais a atenção.

    • Socram Bradley
      6 de março de 2014

      Quando escrevo em primeira pessoa tendo a ser descritivo mesmo. Espero que tenha te proporcionado uma leitura agradável. Obrigado pelo seu comentário Alan!

  31. Thales
    6 de março de 2014

    Gostei do estilo da narrativa, consegue prende o leitor até o final. No início parece que a história vai se arrastando, enquanto você explica as terríveis consequencias de um mundo super aquecido. Mas depois disso ela flui bem. Só não gostei do final, já vou explicar por quê.

    SPOILER:
    O personagem principal (qual é mesmo o nome dele?) e o Yago não possuem nenhuma família ou amigos importantes? Porque tipo, todas as pessoas do planeta morreram e eles meio que nem ligaram. Durante toda a luta pela sobrevivência eles pensaram unicamente em si mesmos… que caras mais solitários…

    Mas o que eu realmente detestei foi o final.
    Houve uma seleção rigorosa para escolher quais humanos estavam aptos a viver na colônia… ai de repente aparecem dois desconhecidos, que podem muito bem ser verdadeiros lunáticos estupradores (o que não é raro de se encontrar no fim do mundo), e todos aceitam eles de boa? Poxa… o governo tá meio bunda-mole nessa história. Ainda mais considerando que eles estão sob lei marcial! Os soldados, logo que viram dois estranhos no meio de uma missão altamente confidencial, deviam meter bala nos caras. Não consegui engolir a forma como eles agiram de má fé (invadiram propriedade do governo, roubaram informações confidenciais) e ainda sim foram aceitos de braços abertos.

    • Socram Bradley
      6 de março de 2014

      Bom frente ao fim inevitável de um mundo e de um modo de viver o administrador resolveu relevar a invasão deles. A Maria atestou o bom carater dos rapazes. E não foi má fé que eles se utilizaram e sim da ajuda de um amigo frente ao fim do mundo. Obrigado mesmo pelas suas considerações! Um abraço Thales!

  32. adriane dias bueno
    5 de março de 2014

    Acredito que o conto tem potencial se for trabalhado melhor a questão dos personagens não serem tão parecidos com humanos, bem como a tecnologia ser tão parecida. Quanto a ação, creio que ficou bom, um pouco parecido com Ray Bradbury que tem um tipo de narração bem corrida, mas ele consegue juntar melhor emoção e ação, bem como efeitos surpreendentes na linguagem. Mas todos os contos que eu tenho lido aqui tem seus pontos fortes e fracos, o que é normal num desafio literário que tem um espaço curto para o autor criar algo bem trabalhado. No geral gostei e espero que tenhas sucesso.

    • Socram Bradley
      6 de março de 2014

      Primeiro é uma honra minha narrativa ser comparada com o Mestre Bradbury. Fiquei lisonjeado. E segundo…O fato dos personagens serem tão parecidos com os humanos foi de propósito seguindo a teoria que os terráqueos seriam uma descendência dos marcianos e que o que enfrentamos hoje eles já haviam enfrentado algo parecido há milhares de anos. Obrigado pela sua atenção e elogios.

  33. Jefferson Lemos
    5 de março de 2014

    Não sei… acho que ficou meio corrido. Foi tão do nada que o cara resolveu se salvar, que acabou não colando pra mim.
    Faltou ação, faltou emoção. Achei muito superficial.

    O lance de estar em outro planeta foi bem legal, só não gostei da escolha dos nomes, Entendo que foi para acharamos que era a terra, e no final vermos que não era. Mas não imagino nomes como “Maria”, em pessoas de outro planeta.

    Aliás, aquela cena dele imaginando-se fazendo sexo com ela, fugiu um pouco da realidade da personagem.

    Eu gostei da ideia, e da surpresa final, mas no geral creio que o texto tem muito mais potencial do que o apresentado.

    Enfim, é só minha opinião, espero que outros possam apreciar mais do que eu.
    De qualquer forma, parabéns e boa sorte!

    • Socram Bradley
      6 de março de 2014

      Sua opinião é tão válida quanto a dos demais colegas autores Jefferson. O personagem central já estava desconfiado que algo estava sendo escondido pelo governo e ele só se deu conta do real perigo quando foi conferir as informações do seu colega de trabalho. Ai ele ficou realmente desesperado. O fato de eu ter usado nomes familiares a nós era para causar estranheza mesmo pois esses nomes os terráqueos podem ter herdado. Mas enfim é só um jeito de ver as coisas..rsss Obrigado pelas congratulações! Um grande abraço!

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Publicado às 5 de março de 2014 por em Fim do Mundo e marcado .
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