EntreContos

Detox Literário.

Vida por Vidas (Edson Marcos)

Machado encaixou na fenda da túnica o último botão dourado, pequenas jóias reluzentes que sintonizavam com as medalhas que ostentava no peito.

Trazia na lapela da túnica duas machadinhas cruzadas na retaguarda de uma tocha ardente, símbolo de homens audaciosos que se lançam diariamente ao abraço da morte para resguardar a vida do próximo, em detrimento da sua própria.

João Machado da Silva era, com orgulho, bombeiro militar.

Sua farda estava alinhadíssima, impecável como sempre. Hoje seria homenageado diante de toda a Corporação, representando milhares de heróis e heroínas anônimos. Num suspiro, encarou seu reflexo no espelho, e limpou com as mãos trêmulas o suor da testa.

Machado estava inseguro. Os últimos meses tinham sido perturbadores; receara estar enlouquecendo, pensamento este compartilhado pelos colegas de farda, principalmente quando ele insistia ver um misterioso homem de cabelos brancos, que marcava presença nas ocorrências por ele atendidas. Mas o delírio parecia ser só seu.

Ele já o assombrava há meses, e Machado acostumou-se a procurá-la entre a multidão de curiosos que sempre se fazem presentes nas tragédias.

Ele nunca conseguia ver o rosto dele. Quando o encontrava, ele já se ia, distanciando-se até desaparecer. Aquilo o perturbava. Certa vez Machado o viu atravessar o corpo de um policial como se feito de vapor. Depois disso, começou a duvidar de suas faculdades mentais.

Um toque de corneta soou lá fora interrompendo seus devaneios, e o locutor chamou por ele.

Convidamos a tomar seu respectivo lugar diante da tropa, o Terceiro-Sargento Bombeiro Militar José Machado da Silva. — anunciou o locutor, depois de uma longa apresentação de autoridades e outras formalidades. Era dois de julho, o Dia Nacional do Bombeiro, data em que a Corporação festejava sua história e homenageava seus heróis.

Machado com certeza era, entre muitos, um dos maiores. Naquele dia receberia a medalha do patrono, Imperador Dom Pedro II, por relevantes serviços prestados à sociedade, e um em particular, lhe rendera uma promoção à graduação de terceiro-sargento: num dia chuvoso, atirou-se no córrego transbordante que cortava a cidade, e de lá, resgatou um garoto que por infelicidade caíra nas águas turbulentas. O garoto teria perecido, não fosse a coragem de Machado.

Machado ajeitou o quepe, suspirou, e saiu. Caminhou até a extremidade do pelotão, uma massa cor cáqui de homens perfilados, e posicionou-se na extremidade do corredor que se formava entre eles e a multidão.

— Deus do céu! — murmurou receoso. Sentindo o peso da responsabilidade que carregava, estufou o peito com galhardia e estendeu seu olhar altivo ao horizonte. Estava pronto!

Quando o corneteiro emitiu o toque e o bumbo da banda retumbou, Machado rompeu marcha, ao som do Hino do Soldado do Fogo. Todos os olhares fixaram-se nele, cada colega ali presente recordou-se dos feitos do “Machadão”, apelido carinhoso adquirido em pleno exercício da profissão, quando um dia, à golpes de machado, arrancou a porta de um automóvel, libertando um cidadão das ferragens retorcidas, salvando-o da explosão que se seguiria. Machado estava de folga e passava no local na hora do sinistro. O machado usado para o salvamento era o mesmo com o qual fazia “bicos” de podas de árvores, sempre à disposição no porta-malas do Fusca 76. De lá pra cá, passaram-se vinte anos de muita entrega e dedicação ao bem comum.

— Aê, Machadão! — alguém gritou no meio do povo. Foi o estopim necessário para que a multidão o aplaudisse entusiasticamente, arrancando lágrimas de seus dois orgulhosos filhos.

Quebrou o protocolo e sorriu durante a marcha. A cada “bum” do bumbo, o pé direito chocava-se firmemente contra o solo, marcial, cadenciado. Havia uma concentração natural nos movimentos, que foi quebrada pelo susto: viu o homem de cabelos brancos. Ele caminhava fantasmagoricamente entre os colegas imóveis, movendo-se levemente, quase oniricamente.

Pela primeira o encarou. Tinha olhos profundos, translúcidos. Não eram olhos deste mundo.

O homem sorriu zombeteiro, depois sumiu na retaguarda de um militar qualquer. Machado sentiu calafrios, e seu coração retumbar na mesma intensidade que o bumbo. Em meio ao clamor das palmas, do clangor da banda e do calor do hino, ouviu-se um estampido.

Machado estremeceu. Silenciaram-se o povo, a banda e os sorrisos. Ouviam-se apenas as passadas de Machado, uma, duas, na terceira, seu pé chocou-se sem forças contra o solo. Suspirou e tentou firmar sua cadência. Franziu o cenho e chamou suas pernas à luta, mas estavam lerdas e teimosas. Sentiu um frio no abdômen, e quando tocou a túnica, a mão calejada pelo ofício tingiu-se de vermelho. Trêmulo, viu uma mancha vermelho-escuro alastrando-se pelo uniforme. Deu mais um passo, seu corpo oscilou, e o bravo sucumbiu.

Enquanto tombava, as mãos buscaram apoio. O verde-amarelo oscilante da Bandeira Nacional foi a única coisa que Machado viu, e nela agarrou-se antes de tombar, arrancando-a do mastro nas mãos do Porta-Bandeira. Percebendo o que viria a seguir, Machado trouxe a bandeira junto ao peito, enquanto tudo a sua volta escurecia, inevitavelmente.

Machado abriu os olhos minutos depois. Conhecia o som das sirenes e as luzes do giroflex, mas desta vez, era a vítima. Dentro da viatura de resgate, a guarnição amontoava-se sobre seu corpo, monitorando seus sinais vitais, contendo a hemorragia, confortando-o.

— Vai escapar dessa, praça velha! Aguenta aí… — diziam eles. Machado não estava tão confiante. Tinha visto a cena centenas de vezes, e conhecia os protocolos. As luzes vermelha e branca que iluminavam a janela da viatura trouxeram a tona uma lembrança dolorosa.

Foi numa noite fria e chuvosa de junho, após um salvamento bem sucedido. Um cheiro delicioso de canja de galinha perfumava o rancho, e a guarnição estapeou-se para servir o primeiro prato. “Não vai sobrar pra ninguém!” reclamaram quando Machado chegou primeiro à panela.

Quando levava a primeira colherada à boca, ouviu soar o brado: era o som da tragédia, da dor, do chamado ao dever. Em segundos o comboio riscava as avenidas. Durante o deslocamento, Machado sentiu um estanho aperto no peito, mas ainda assim, contatou a central e colheu os dados, quase sempre vagos, e continuou. O trânsito estava um caos. De longe viu a confusão de pessoas, carros e policiais, fato corriqueiro na maioria dos cenários trágicos. Quando desceu da viatura e aproximou-se, a cortina de pessoas se abriu, revelando seu fusca 76 tombado, e ao lado, um corpo estendido.

Ana, sua Ana.

Com a pior recordação que sua memória guardava, Machado apagou.

Machado abriu os olhos devagar, sentando-se na cama. Reconheceu o ambiente. Estava quase todos os dias ali, entregando suas vítimas aos cuidados dos médicos.

— Hospital? — murmurou, massageando o peito. — Ah, sim, agora me lembro! — Machado suspirou aliviado quando percebeu que seu corpo estava intacto, sem ferimento nem dor, pelo contrário, sentia um vigor excepcional.

Impaciente, levantou-se da cama, ajeitou a camisola hospitalar que vestia e foi até a janela de vidro. No corredor do hospital, as pessoas caminhavam de um lado pro outro, indiferentes a ele, mesmo que gesticulasse, batesse no vidro ou chamasse por elas. Só assim notou um silêncio perturbador no quarto.

O tumulto no corredor o assustou. Quando ia abrir a porta do quarto para averiguar, esta foi aberta com truculência, e uma alvoroçada multidão de médicos e enfermeiros entrou.

— CUIDADO! — ele gritou, mas ninguém ouviu, e antes que pudesse sair do caminho deles, todos atravessavam seu corpo. Ele berrou e afastou-se, e quando o último deles passou, Machado viu que se aglomeravam ao redor de sua cama. Quando se aproximou da cama viu, aterrorizado, a si próprio, deitado, e seu corpo contraindo-se violentamente por causa da descarga elétrica do desfibrilador.

Os minutos seguintes foram desoladores. Machado viu os médicos lutando para trazê-lo à vida. Finalmente o monitor cardíaco emitiu um sinal. Machado desabou numa cadeira, aliviado.

Quando todos finalmente deixaram o quarto, Machado contemplou seu corpo. Afligiu-se diante do fato de estar olhando pra si mesmo, sendo mantido vivo por um monte aparelhos.

— É um pesadelo, só pode! — desesperado, subiu na cama, deitou-se sobre o próprio corpo e fechou os olhos. — Já, já vou acordar na sauna que é aquele alojamento sem ar-condicionado! — disse. Era um bom plano, o mais sensato a se fazer. Sentiu um calor confortável, como se envolto num cobertor quentinho.

— Não adianta! — ouviu alguém dizer. Levantou-se num sobressalto, e apavorou-se diante do que, ou melhor, de quem viu.

— Você?! — disse ele. Era o homem de cabelos brancos, que encostado na porta, ria da desgraça alheia.

— É sempre engraçado quando vocês tentam falar na primeira vez. — ele não moveu os lábios, mas Machado o ouviu. — Fantasmas não podem falar; precisaria ter ar passando pelas cordas vocais, e tímpanos para ouvir também. Apenas pense, e se quiser sentir-se mais confortável, mexa os lábios.

Machado refletiu, obedeceu e pensou;

— Quem é você?

— Ah, agora sim te ouço… Vou facilitar; réveillon de 2005, sedan vermelho, poste…

— Trauma crânio-encefálico, parada cardiorrespiratória… Machado completou. —Você é aquele homem?

— Era, Machado, eu era…

— Sinto muito. Fizemos o possível…

— É, eu sei que fez, mas não foi o suficiente, e agora estou aqui… Vamos, conversamos pelo caminho… — disse o homem, agarrando Machado pelo braço e arrastando-o porta afora.

— Ei, espere! Meu corpo…

— Eu o esqueceria se fosse você; não precisará mais dele… — disse com frieza.

— Mas ainda não morri.

Ainda não. Estava em coma há cinco meses, e agora que deixou seu corpo, piorou sua situação. Se desligarem os aparelhos, tchau, tchau… E é por isso que levarei você.

— Para onde?

— Logo verá, mas de antemão aviso: você está mais pra lá do que pra cá… — Machado calou-se. Sempre imaginou que morreria de velhice, ou na pior das hipóteses, dando a própria vida pra salvar outras. Enquanto caminhava pelo corredor, viu uma criança de cabelos brancos saltitante conduzindo outra pela mão, e pela porta de outro quarto, uma mulher de cabelos brancos amparava um idoso, enquanto os médicos cobriam com um lençol seu corpo sem vida.

— O que vocês são? — perguntou.

— Nos chamam de Vetores; ajudamos as almas a ajustarem-se à novidade. Nós as confortamos e as conduzimos em direção à luz, se é que me entende…

— Ajudam? Confortam? Então não está fazendo seu trabalho direito, moço: estou confuso e assustado pra caramba!

— Ah, e o senhor trabalha muito bem, seu Machado, bombeiro exemplar, salvando todas aquelas vidas… — disse, irônico e agressivo. — Por sua causa, minha pena tem se estendido cada dia mais.

— O que quer dizer?

— Olha amigo, este não é um trabalho voluntário; o faço por que ajudei a abreviar minha vida. Antes de morrer, tinha bebido muito, e deu no que deu. Ser um vetor é minha sentença. Tenho uma cota de almas a cumprir, e você não ajuda em nada salvando todas aquelas vidas.

— Então você é uma alma penada? O menino ali também? — perguntou, apontando para a criança que acenava.

— Almaapenada” por favor; é o termo jurídico correto, e não se engane com aquele menino; o macaco-velho deve ter assumido uma aparência infantil para não assustar a criança… — disse, retribuindo o “jóinha” que o vetor-infantil lhe deu.

— E quer dizer que você prefere cumprir sua cota ao invés de ver as pessoas serem salvas? — vociferou.

— Olha, amigão, as regras não são minhas. As pessoas morrem e nós as levamos, simples assim. Se alguém as salva, somos obrigados a esperar a próxima vez, e isso pode demorar anos. Não ficaria chateado também?

— Chateado estou agora; sempre pensei que quando morresse, seria acompanhado por seres mais evoluídos, anjos talvez…

— Anjos? Tá de sacanagem? Aqueles caras só descem aqui quando Deus quer mandar algum recado, e olhe lá…

— E a aquela caveira de manto preto com a foice enorme?

— Aquilo é sacanagem de alguns vetores, mas vou te dizer, é hilário! Precisa ver a cara do sujeito! — gargalhou. — Tem gente que merece ver aquilo. Geralmente são os que vão direto lá pra baixo.

— Isso só pode ser piada; não posso morrer agora. Meus filhos precisam…

— Deixe de besteira; eles irão chorar por uns dias, depois seguirão seus caminhos! Vamos. SEGURE AÍ PRA MIM! – ele gritou. Dentro do elevador, o vetorinfantil segurou a porta.

— Pegou ele, 119? — indagou o vetor-infantil ao de Machado.

— Ah, é você 25? Não o reconheci nesta roupa. — disse 119, apertando a tecla que tinha uma seta apontada para cima. — É peguei sim, mas ainda tem o julgamento…

— Julgamento?— perguntou Machado, confuso.

— Não contou a ele? — indagou 25.

— Nossa, não é que esqueci?… — respondeu 119 com cinismo. Machado não pôde perguntar mais nada. O elevador subiu num disparo, enquanto a cabine encheu-se de luz.

— Onde estamos? — ele perguntou quando o elevador se abriu. Machado perguntou-se o que o “T” no painel do elevador significaria.

— Ei, Machado, só pra você saber… — disse 25, antes de fechar a porta. — O cara que atirou em você, era membro daquela facção criminosa. Você foi alvo de uma daquelas séries de atentado contra os profissionais da Segurança Pública, e infelizmente, queriam um bombeiro na lista.

— Lista? Então ele matará mais pessoas?

— Não, não… Fique tranquilo; conduzi o atirador há alguns dias. Levei-o lá pra baixo…  — disse, apontando a tecla “I”. — Boa sorte! — 25 seguiu com o menino, após pressionar a tecla “C” no painel.

— Crianças sobem direto. — disse 119. — Elas não pecam!

Estavam num corredor de paredes brancas. Por ele seguiram até atingirem o final. Havia uma porta onde estava escrito “Tribunal”; era o significava o “T” no painel do elevador. 119 abriu a porta e eles entraram. Foram recepcionados por dois guardas de uniformes brancos.

— Aqui acaba meu trabalho, Machado, e espero que não guarde ressentimentos.

— Pelo o quê?

— Pelo o quê virá… — 119 apontou a mesa. Machado sentou-se, receoso. 119 sentou-se diante dele.

Um dos dois guardas anunciou:

— Chega ao recinto, o meritíssimo Senhor Juiz Abel! — 119 levantou-se. Machado o imitou.

— Sentem-se senhores; tenho pressa. A festa de boas-vindas do Mandela vai começar daqui a pouco, e eu quero recepcioná-lo pessoalmente.

— Este é o réu, meritíssimo, Jose Machado da Silva.

— Eu, réu? Espere; quero meu advogado!

— Ah, Machado… Você parece meu irmão Caim falando.

— Caim? Então o senhor é…

— É, sou aquele Abel. Caso não se lembre, fui o primeiro homem a morrer e o primeiro a chegar por aqui. Logo, ninguém entende de morte melhor do que eu. Mas tratemos logo da questão; 119?

— Senhor, acuso esse homem de interferir na ordem natural das coisas, a saber, o direito de nascer e a obrigação de morrer.

— Acusa? Traidor! Não deveria me orientar!

— Já pedi: sem ressentimentos. Continuando, pelo motivo exposto, senhor, peço que defira a conclusão do processo de morte e encaminhe o Sr. Machado ao pós-vida. — disse, sem arrependimento algum.

— Isso é injusto! Quero um advogado!

— Não nomeou um? Explicou as regras a ele, 119?

— Não houve tempo senhor…

— Sei… Veja bem, Machado; li todo o processo. — Disse, mostrando a pilha de papel amontoada sobre a mesa. — A Morte é uma entidade antiga, tanto quanto sua irmã, a Criação. Elas possuem um acordo; uma traz, e a outra leva, e esta ordem deve ser mantida. O preço da vida é a morte, e vice e versa. Se alguém não paga o preço, a Morte ficará no prejuízo. O fato de você estar interferindo no processo de leva e traz, está gerando uma fila imensa no setor de Natalidade.

— E por isso vão me matar?

— Matar é um termo pesado. – disse 119. — Abreviar se encaixaria melhor. Considerando os riscos de sua profissão, a morte precoce é um fato, e perfeitamente justificável.

— Que besteira! Não vão decidir meu destino dessa forma. Exijo um advogado!

— Não há mais tempo… — uma caneta dourada surgiu na mão do juiz, e sobre a mesa, um papel, onde estava escrito em letras garrafais a palavra “culpado”. Machado desesperou-se.

— Não se aflija… — disse 119. — Você tem lugar garantido no céu. — ironizou.

— Não! — gritou Machado, socando a mesa. — Eu nem mesmo pude me defender! — O guarda retirava o teaser da cintura, quando foi interrompido.

— Permissão, meritíssimo! — a voz suave fez o coração de Machado bater mais forte.

— Ana! — comemorou Machado. O choque o fez desconfiar, mas quando ela olhou dentro de seus olhos, ele não teve dúvidas: era a sua Ana. Machado ia abraçá-la quando ela friamente o deteve.

— Sou sua advogada. 25 me informou a tempo.

119 bufou de ódio.

— Eu mato aquele filho duma

— CONTENHA-SE 119! — interferiu Abel. — Não permitimos palavrões aqui. Se quiser praguejar, vá lá pra baixo. Prossiga doutora…

— Meritíssimo, acompanhei esse homem por anos, e afirmo que ele já pagou o preço cobrado pela entidade Morte.

— O que quer dizer, doutora.

— Pode um homem de bem ver tantas mortes sem nada sentir? Pois afirmo que Machado morria um pouco a cada dia, vendo vidas sendo ceifadas diante de seus olhos, todos os dias, durante vinte anos. Não há nada pior para um ser vivo do que morrer ainda em vida. Muitas vezes o vi chorando pelos cantos, cada vez que uma vida escapava de suas mãos!

— E quando você partiu, metade da minha vida se foi, Ana! — disse Machado. Já tinha os olhos úmidos.

— Além, disso, ele entregou-se aos braços da morte toda vez que arriscou sua vida para salvar o próximo. Se colocar no papel, senhor, verá que ele pagou muito mais do que deve. Por estas razões, meritíssimo, solicito-lhe a absolvição do réu, por ter cumprido a sentença ainda em vida, e ainda, por pagar adiantado o preço da morte, que seja ressarcido com uma vida longa e feliz, e que esse benefício se estenda a todos os seus colegas.

— Nunca ouvi tanta besteira! — disse 119, exaltado.

— Cale-se, 119 – disse Abel, fechando os olhos e massageando a têmpora. — Silêncio, por favor; Ele quer falar comigo…

Ele? — 119 arquejou, trêmulo.

— Sim, Senhor… Sei… Era tudo o que eu precisava saber, Senhor. Vemos-nos na festa do Mandela. Amém. — Abel suspirou. Gesticulou para os guardas. Machado e Ana enrijeceram-se nas poltronas quando eles sacaram as algemas.

— Sinto muito mesmo, Machado… — sorriu 119. — Regras são regras!

— Guardas, levem o 119! — ordenou Abel.

— O QUÊ?! — berrou 119.

— Você sabe o porquê. — disse Abel. 119 esperneou enquanto os guardas o arrastavam pelos braços. — 25 denunciou-lhe. Sabemos que visitou o homem em seus sonhos e o induziu a escolher Machado.

— 25? Traidor! Espere senhor, posso explicar… — suplicou, sendo retirado da sala, enquanto o juiz gesticulava um adeus. — Não, eu exijo um advogado! 25 SEU FILHODUMA…

—CRACADAUM! — ecoou um trovão. Um relâmpago iluminou o corredor. A voz de 119 desapareceu, enquanto um fedor de cabelo queimado espalhou-se pelo local.

— Eu avisei sobre os palavrões.

— E quanto a mim, senhor?

— O Chefão intercedeu a seu favor; disse que os argumentos de sua advogada são mais do que plausíveis. Disse também que a Criação não se importa em deixá-lo ir, e a Morte, que tanto faz, mais dias, menos dias…

— Então, fui absolvido?

— Você não cometeu crime algum, Machado. Está livre para ir, e tome cuidado; da próxima vez, talvez não tenha tantos créditos com o Chefão.

— Com todo respeito, espero não voltar tão cedo…

— Como sua advogada deixou claro, seu trabalho é dar sua vida por vidas! Com isso, percebi o motivo de você e seus colegas terem costas quentes. Isso se chama sacrifício, Machado. Agora vá. Preciso me aprontar; irão servir canapés de maná na recepção do Mandela.

—Então adeus, meritíssimo, e diga obrigado a Ele… — Machado deixou o tribunal com um sorriso no rosto, feliz por ter conquistado o direito de viver, e mais ainda, por estar perto de Ana mais uma vez. Sentiu uma sonolência estranha quando atingiu a porta do elevador.

— Vá… — disse Ana. — Os aparelhos não o manterão vivo por muito tempo. Precisa voltar logo. — Machado abraçou-a.

— Não sei se quero voltar agora que nos encontramos novamente. — tinha as pálpebras pesadas, a fala cansada.

— Nos veremos em breve, acredite. — prometeu ela, colocando-o no elevador. Deu-lhe um último abraço, um contato que se estendeu até a ponta dos dedos. As portas já iam se fechando quando suas mãos se distanciaram. — Adeus, querido; dê um beijo nas crianças…

— Ana! — e quando o elevador foi tomado por um brilho intenso, as portas finalmente se fecharam.

Haviam-se passado dois meses desde que Machado despertara. Recuperado, voltou ao serviço.

Teve uma recepção calorosa, com o tradicional banho de boas-vindas, com os jatos das mangueiras das viaturas sob pressão máxima. Machado não contou sua experiência de quase-morte aos colegas por motivos óbvios; talvez um dia contaria. Entre abraços e afagos, soou o brado de incêndio. Como sempre, largou tudo e partiu para a viatura.

— Como se sente, sargento? — perguntou o soldado no banco de trás.

— Descansado, considerando ter dormido por cinco meses. — riu.

— Pensávamos que não voltaria ao serviço depois do tiro. Fico pensando o que leva um homem a retornar ao batente após quase ter batido as botas…

— Filho, você acreditaria se eu lhe dissesse que o que nós fazemos aqui na Terra vale muito lá no céu?

— Se o senhor disser, eu acredito.

— Pois é; gastei todos os créditos que eu tinha com Deus pra pagar esta minha segunda chance aqui na Terra. Voltei ao batente porque minha carteira está vazia; vai que eu precise pra uma terceira chance!

E eles riram, enquanto deslocavam-se mais uma vez, ao abraço da morte.

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43 comentários em “Vida por Vidas (Edson Marcos)

  1. rozelis aparecida prado
    24 de fevereiro de 2014

    lindo e emocionante,gostei muito,continue a nos encantar com seus contos,que venha o próximo,vou adorar ler,parabéns

  2. Francisca Lima Ribeiro
    18 de fevereiro de 2014

    Oi Alcântara. Excelente E o melhor de tudo parece que eu estava te vendo na hora da medalha Bombeiro ´é tudo igual mesmo aqui no Pará não é diferente parabéns!

    • Edson Marcos Nazário
      20 de fevereiro de 2014

      Olha só, o conto ainda rendendo comentários… Obrigado pela leitura, Francisca. Abraços!

  3. Frank
    15 de janeiro de 2014

    Ótimo conto apesar de enorme.

  4. Weslley Reis
    15 de janeiro de 2014

    O conto me envolveu TANTO que se há erros, eu não consegui perceber. Então aqui vai o comentário de um leitor apaixonado. Top 3 pra você

  5. Caio
    14 de janeiro de 2014

    Olá. É um ótimo conto, sua escrita é muito boa. Acho que a primeira parte está melhor que a segunda, a separação sendo ele virar fantasma. Apesar da segunda ter uma história mais interessante, a primeira está narrada tão bem que eu não reclamaria se não fosse pro lado que foi e continuasse com os pés no chão. Não que a parte fantástica esteja ruim, mas está menos aprofundada eu acho, menos explorada. Em contraste com o começo, você passou pelo mundo além meio sem tanto cuidado, sendo o reencontro com Ana um pouco breve e sem o drama ou a tensão que achei que teria. Imagino que seja o medo de se estender demais e ficar um conto gigante, mas agora que acabou o desafio acho que seria legal aplicar o grande desenvolvimento da primeira parte à segunda. De qualquer jeito o resultado ainda é brilhante. Abraços

    • Alcântara
      14 de janeiro de 2014

      Olá, caio!
      Obrigado pelos elogios e comentários.
      Você tem razão quanto a eu ter passado pelo mundo do além com um tanto de pressa, mas não foi medo não, foi o limite de palavras imposto pelo desafio; 3.500 palavras exatas incluindo o título. Roí até o osso, rsrs!
      Mas vou melhorá-lo, com certeza.
      Obrigado pelas dicas e sucesso pra você. Abraço!

  6. Marcelo Porto
    14 de janeiro de 2014

    Deu vontade de ser bombeiro.

    Gostei muito da história, mesmo cheia de elementos religiosos a narrativa me conquistou. A ideia do equilíbrio entre a morte e a criação como pano de fundo para o tribunal foi uma boa sacada.

    A forma leve com que se demonstrou o além-vida também merece destaque.

    Está na minha lista. Parabéns.

    • Alcântara
      14 de janeiro de 2014

      Olá, Marcelo!
      Obrigado pela leitura e comentário.
      Estar na sua lista é uma honra e tanto, e um grande incentivo pra mim.
      Que bom que gostou. Um abraço e muito sucesso pra você!

  7. Raione
    11 de janeiro de 2014

    Muito bem escrito, narração exemplar, com umas sacadas excelentes. A descrição do momento em que o Machado é alvejado está tecnicamente perfeita, reflete toda a desenvoltura da escrita. O texto está cheio de detalhes que parecem reluzir (o broche com a insígnia dos bombeiros, o fusca 76). Os vetores, Abel (muito carismático), o tribunal do além: tudo muito interessante, criativo e divertido. Por tudo isso, eu acharia o conto irrepreensível se a narrativa não adquirisse, mais ou menos por osmose ao retratar a cerimônia da corporação dos bombeiros, as características de uma condecoração. Durante toda a história Machado “veste a farda”, só existe o herói, que é esplêndido mas também monótono. Mesmo quando Machado se torna um fantasma, e a história relaxa e fica bem divertida, o tom não muda, inclusive se intensifica, porque Machado deixa de ser um herói para a “sociedade” e se torna herói numa escala que inclui a humanidade e até a criação como um todo. Quando a Ana entra em cena como advogada de almas, e começa a falar da relação de Machado com as tragédias cotidianas, há sinais de que o lado humano complexo e cheio de contradições vai ser aprofundado, mas logo a narrativa retorna pra uma espécie de homenagem exaltada aos bombeiros. É claro que essas minhas últimas observações trazem uma marca muito forte do meu gosto pessoal, e é com essa ressalva que eu arrisco dizer que a grande proximidade que o texto guarda em relação ao discurso oficial acaba por prejudicar o conto, diminuindo, limitando o valor de um narrativa em diversos aspectos tão bem executada.

    • Alcântara
      14 de janeiro de 2014

      Olá, Raione!
      Quando vejo uma análise como a sua, percebo o quanto é importante a opinião do leitor.
      Obrigado pela leitura, elogios e comentário. Abraço!

  8. Pedro Luna Coelho Façanha
    9 de janeiro de 2014

    Eu gostei muito. Só achei que o julgamento destoou um pouco do início do texto, que é bem misterioso e deixa o leitor querendo saber o que vai acontecer e qual a finalidade da trama. No entanto, bom conto. O autor escreve muito bem.

  9. Paula Melo
    5 de janeiro de 2014

    Conto envolvente,que prende o leitor do começo ao fim, parabéns pela riqueza de detalhes.
    Já esta na minha lista. 🙂
    Não tenho muito a dizer apenas …
    Meus Parabéns!
    Boa Sorte!

    • Alcântara
      7 de janeiro de 2014

      Oi, Paula…
      Obrigado pela leitura e pelo comentário. Fico feliz que meu conto tenha entrado na sua lista e muito mais que tenha lhe agradado. Um abraço e um 2014 de muito sucesso!

  10. Pedro Viana
    4 de janeiro de 2014

    Começou modesto, apresentando um personagem muito bem construído, e depois resolveu ousar. Não vou gastar palavras para elogiar: já é um de meus preferidos. Parabéns!

    • Alcântara
      7 de janeiro de 2014

      Pedro, seu comentário já é um elogio e tanto. Obrigado pela leitura e muito sucesso pra você. Um grande abraço!

  11. Ana Google
    3 de janeiro de 2014

    Não gostei muito da mudança na narrativa. Ela começa séria e vai ganhando um tom mais cômico. Particularmente, não me agradou a imagem do julgamento. Será que é por que sou séria demais? De qualquer forma, é um ótimo conto, mas que carece de uma revisão mais atenta… Exemplo de erro: “Machado acostumou-se a procurá-la”. O correto seria: “Machado acostumou-se a procurá-lo”.

    Boa sorte no desafio!

    • Alcântara
      7 de janeiro de 2014

      Oi Ana!
      Achei mesmo que a mudança de narrativa iria agradar uns e desagradar outros. Por meio dela, eu quis mostrar o contraste existente entre a sisudez+circunspecção atrelada à imagem do militar e a irreverência (um tanto velada) existente no meio; só quem é/foi militar conhece esse lado, o lado divertido da vida na caserna.
      Sobre o julgamento eu não sei… Bem que você poderia especificar o que não lhe agradou para eu poder tentar modificar, se necessário.
      E veja você: revisei várias vezes e erros ainda escaparam. Esses caras, os erros, devem ser mutantes, camaleônicos, sei lá… Mesclam-se ao branco da página e depois eclodem para perturbar. Vou corrigir.
      O retorno e sugestão dos leitores é que é a maravilha deste site, e não tem preço.
      Obrigado por ler e comentar.
      Um abraço e muito sucesso pra você!

  12. Gustavo Araujo
    3 de janeiro de 2014

    No início achei que o conto seguiria uma vertente mais séria. O que me fez acreditar nisso foi a descrição extremamente rica do cerimonial militar: os uniformes, a banda, a tropa. O clima pesado que segue dura apenas até o momento em que o Sgt Machado encontra o 119. Daí para frente o contexto muda complemente, com o conto se revestindo de uma atmosfera divertida, irônica e muito bem humorada. Normalmente eu torceria o nariz para esse tipo de mudança, mas o autor foi perito na transmutação. O conto ficou ótimo, especialmente por causa das tiradas excelentes – a do Mandela foi ótima. A única coisa que não gostei muito foi o tom por vezes moralista e “endeusificante” (essa palavra existe?) que permeia a narrativa – essa coisa dos bombeiros darem a vida em sacrifício pelo bem alheio. Achei desnecessário utilizar justamente isso como explicação para a segunda chance do protagonista. Um motivo um tanto piegas, se me permite dizer. Nesse aspecto, talvez uma razão mais concreta pudesse suprir melhor esse quesito. De todo modo, um ótimo conto. Gostei bastante 🙂

    • Alcântara
      7 de janeiro de 2014

      Olá, Gustavo!
      Pôxa, eu não queria que o conto parecesse “endeusificante”, apenas “heróisificante”, rsrs!
      Fico muito feliz que tenha gostado; é um grande incentivo pra mim.
      Obrigado por ler e comentar. Um abraço e muito sucesso para você em 2014!

  13. Cácia Leal
    2 de janeiro de 2014

    Nossa!!!! Quanta riqueza de detalhes sobre rotinas e a própria formatura! Esse hino do Soldado do Fogo existe? Bom, se vc não é bombeiro nem militar, parabéns pela excelente pesquisa! Está muito rico em detalhes, colocando o leitor dentro da cena, sem tornar cansativo demais. Gostei dessa parte, e muito. Eu estava quase colocando seu conto entre os meus 5 preferidos, até agora, pelo menos, porém, acho que os diálogos estragaram a história, principalmente a parte do julgamento.
    Acho que se vc tivesse apenas pincelado a parte que ele vivencia sua experiência de quase morte e tivesse trocado o julgamento por alguma outra coisa, vc teria acertado mais. os diálogos cansaram muito, poderiam ser enxugados, e o julgamento deu um ar cômico, que não combinaram com seu começo, que parecia um conto mais sério.
    De qualquer forma, está muito bem escrito e ainda estou analisando os demais! Parabéns!

    • Alcântara
      8 de janeiro de 2014

      Puxa, Cacá, o duro é achar essa “outra coisa” para colocar no lugar do julgamento, até porque uns gostaram, outros não; é um dilema difícil.
      Eu sabia que a mudança do sério para o cômico seria um ponto discordante. Minha intenção era amenizar a sisudez emanada pelo militarismo presente na primeira parte do conto.
      Tenho problemas com diálogos. Às vezes, não percebo o quanto estão longos e chatos, deixando a narrativa em segundo plano. Prometo melhorar neste ponto, até porque escrevemos para os leitores e não pra nós mesmos, e afinal, a opinião deles é que importa. Obrigado por ler e comentar. Um abraço e sucesso pra você!

      O hino existe sim, basta buscar no youtube. Abaixo a parte que mais gostei no belo Hino do Soldado do Fogo;

      “Aurifulvo clarão gigantesco
      Labaredas flamejam no ar
      Num incêndio horroroso e dantesco,
      A cidade parece queimar
      Mas não temem da morte os Bombeiros
      Quando ecoa d´alarme o sinal
      Ordenando voarem ligeiros
      A vencer o vulcão infernal.”

  14. Leandro B.
    2 de janeiro de 2014

    Um conto muito bacana. Existe um tom juvenil muito legal no universo arquitetado. A narrativa está boa. Alerto para um ou outro erro de revisão, para que o autor conserte no original, mas nada que atrapalhe ou desmereça o texto.

    Gostei muito do trecho em que Machado foi baleado. Não pela cena dele agarrando a bandeira em si, que achei um pouco… ufanista, mas pelo jogo de cores que acabou se formando: amarelo, verde, vermelho…

    Já havia esquecido da Ana até a sua intromissão. Acho que isso é muito bom em um conto: você apresentou uma personagem em um espaço curto e conseguiu me surpreender com ela.
    Não consigo pensar em nada para fazer valer uma crítica construtiva. Gostei bastante do texto, deixo só meus parabéns.

    Ótimo conto.

    • Alcântara
      8 de janeiro de 2014

      Olá, Leandro!
      Fico muitíssimo feliz por você ter identificado esse tom juvenil em meu conto; é exatamente para esse público que pretendo escrever.
      Queria ter floreado um pouco mais o jogo de cores, com o vermelho do bombeiro mesclando-se ao verde-amarelo do Brasil, causando outras impressões, mas o limite de palavras não permitiu, e acho que foi até melhor, pois iria ficar piegas; mais do que já está, rsrs!
      Que bom que gostou.
      Obrigado por ler e comentar.
      Um abraço e muito sucesso pra você!

  15. Felipe França
    31 de dezembro de 2013

    Este conto é muito bem trabalhado. Gostei muito do autor ter ambientado em um cenário nacional. Consegui sentir com riqueza de detalhes todas as emoções do Machado. Muito bem escrito, envolvente e original. Apenas duas coisas me incomodaram um pouco na trama; o excesso do nome do protagonista, podia ter usado alguns sinônimos, e a flexão do verbo haver quando diz respeito a tempo decorrido. No mais, o escritor está de parabéns! Boa sorte.

    • Alcântara
      8 de janeiro de 2014

      E aí, Felipe? Bom?
      Relendo o conto sob seu ponto de vista, percebi que exagerei mesmo no “Machado”, e o pior que isso é o tipo de coisa que me incomoda no texto dos outros.
      “Haver” e “porquês” são meus calcanhares de Aquiles (mentira, tem um monte de outros!), e por mais que eu leia e leia mais, eles ainda me fazem claudicar. Vou me concentrar neles e tentar superá-los.
      Muito feliz que tenha gostado, agradeço por ler e comentar. Abraço e muito sucesso pra você, Felipe!

  16. Charles Dias
    31 de dezembro de 2013

    Gostei muito desse conto. Bem escrito, divertido, boa trama, bons diálogos. Ótimo trabalho, muito bom mesmo. Vai para o topo da minha lista.

    • Alcântara
      8 de janeiro de 2014

      Caramba, Charles; topo da lista?
      Obrigado!
      Valeu pelo bom começo de ano, e mais ainda por ter gostado do conto.
      Um abraço e muito sucesso em 2014!

  17. Gunther Schmidt de Miranda
    31 de dezembro de 2013

    Muito bem escrito. Parabéns.

    • Alcântara
      14 de janeiro de 2014

      Valeu, Gunther!
      Obrigado por ler o conto.
      Um abraço e boa sorte!

  18. Ricardo Gnecco Falco
    31 de dezembro de 2013

    Uma boa paródia. Gostei da naturalidade dos diálogos e do tom dado ao texto. Alguma coisinha escapou da revisão, mas o conto ficou bem gostoso.
    Parabéns!

    • Alcântara
      14 de janeiro de 2014

      Valeu, Ricardo, obrigado pelo elogio, leitura e comentário
      Abraço e sucesso pra você!

  19. Claudia Roberta Angst - C.R.Angst
    30 de dezembro de 2013

    Leitura facilitada pela agilidade dos diálogos que tanto adoro. Conto muito bem escrito, embora com alguns errinhos que escaparam da revisão. Gostei muito da imagem da queda do bombeiro com a bandeira agarrada ao peito e da menção à festa de Mandela. Os toques de humor também caíram muito bem na narrativa, trazendo leveza ao conto. Apreciei bastante. Boa sorte!

    • Alcântara
      15 de janeiro de 2014

      Oi, Claudia!
      Obrigado pelo comentário e pela leitura. Fiquei receoso pensando se a segunda parte iria agradar; que bom que gostou.
      Felicidades pra você. Abraço!

  20. Thata Pereira
    30 de dezembro de 2013

    ** PODE CONTER SPOILER **

    Poxa, gostei muito. No começo nem tanto, demorei para me envolver com a história, mas quando o 119 apareceu no hospital comecei a me entusiasmar. Adorei as falas, adorei o tribunal, adorei o fato de ele ter encontrado Ana e ela tê-lo defendido. Adorei o fato de ter voltado.

    Sou meio frustrada com o assunto, após ter lido “A Cabana” (mentira, esse deixei pela metade) e um livro que se chama “90 Minutos no Céu”. Poxa, esse conto dá de 1.000 a 0 nesses dois livros juntos!

    Boa Sorte!!

    • Alcântara
      15 de janeiro de 2014

      Oi, Thata…
      Adorei que tenha adorado. Adorei seu comentário. Muito, muito obrigado! Abraço e felicidades pra você!

  21. Bia Machado
    29 de dezembro de 2013

    Gostei muito! Parabéns! Fiquei envolvida pela história, querendo saber o que iria acontecer e fui me surpreendendo pelos acontecimentos! Tem algumas coisinhas pra arrumar, mas uma pequena revisão basta. Curti muito!

    • Alcântara
      15 de janeiro de 2014

      Que bom que curtiu, Bia.
      Seguir suas dicas de um outro desafio ajudaram a melhorar minha escrita.
      Você entende do assunto, e por isso fico muito feliz com seu comentário.
      Obrigado pela leitura. Abraço e felicidades pra você.

  22. Inês Montenegro
    29 de dezembro de 2013

    Excelente. As personagens, o ambiente, a escrita, os pequenos detalhes, o julgamento, a contextualização temporal através do Mandela, o enredo… A minha opinião sobre este conto é inteiramente positiva.

  23. Jefferson Lemos
    29 de dezembro de 2013

    Conto bom demais!
    Esse vai pro meu top 15. haha
    Parabéns ao autor pela ótima obra!
    Boa sorte!

  24. Tom Lima
    29 de dezembro de 2013

    Muito bom!
    Flui bem, surpreende, diverte, emociona.
    Também gostei da cena da bandeira, o patriotismo encaixa bem no personagem.

    Parabéns!

  25. Ryan Mso
    28 de dezembro de 2013

    Outro conto que vai para a minha lista! Haha
    Parabenizo ao autor, gostei bastante!

  26. Marcellus
    28 de dezembro de 2013

    Conto delicioso! Flui muito bem e é uma paródia excelente! A cena da queda de Machado agarrado à Bandeira foi fantástica! Sei que tem gente que acha cafona, piegas… mas é um tipo de patriotismo que sinto falta nos nossos textos.

    Além de tudo, o conto é uma merecida ao Corpo de Bombeiros.

    Parabéns ao autor pelo ótimo texto!

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Informação

Publicado às 28 de dezembro de 2013 por em Fantasmas e marcado .