EntreContos

Detox Literário.

A viagem fantasma (Ryan Martins Silva)

Eu sempre fui um cara cético quanto a essas coisas. Não que eu não gostasse do tema, ou coisa do tipo, porém eu apenas sabia que era pura ficção, sabia que se tratava de personagens fantásticas criadas pela mente criativa de alguém. Eu nunca dei lá muita importância para essa coisa de fantasmas, essa é que é a verdade.

Sou brasileiro, nascido e criado na cidade do Rio de Janeiro, e até agora toda casa mal-assombrada que eu vi se chamava terreiro de macumba, e sempre tinha uma festa do barulho no terreiro, então eu nunca vi fantasma algum. Todo fantasma que eu vi foi nos filmes hollywoodianos, e cai entre nós, lençóis brancos no Brasil? Só se for para colocar na mesa no dia de Natal, e olha lá! Aqui a gente tem cor, tem variedades, então se eu visse um fantasma de lençol aqui no Brasil, ele teria o corpo de lençol amarelo com flores laranjas, e eu ia achar que era um cara indo para um carnaval fora de época, só isso. E ia achar que era um maluco no carnaval! Porque, quem diabos usaria um lençol em pleno calor carioca? Só um maluco!

De qualquer maneira, minha vida fantasmagórica se resume a isso, filmes, seriados, histórias em quadrinhos, tudo de estado-unidenses-americanos cagões que tem medo de tudo o que eles possam imaginar. Eles tem medo de bonecas! Quem tem medo de bonecas? Só aqueles caras. Aqui no Brasil a gente tem medo de tudo quanto é tipo de coisa estranha, e normalmente são animais. Mula-sem-cabeça, Boitatá, Cuca, Capelobo, Lobisomem… E o que a gente não considera animal é humano estranho, Curupira, Saci, e Iara. Ou seja, nossos mitos são baseados em coisas sensíveis, coisas que a gente “pega”, não na droga de um lençol flutuante (que além de tudo é imaterial). Você só pega esse lençol com uma máquina de pegar lençóis (excelente filme, diga-se de passagem), enfim, fantasmas foram sempre os seres mitológicos mais cretinos que eu tive notícia, até acontecer o que aconteceu. E essa história que vou contar aconteceu. Palavra de um cético.

Eu morava ali na Tijuca, perto do Maracanã. Apesar de o Rio de Janeiro ser um grande conglomerado de tijolos que se transformam em casas para que morem pessoas, tem umas áreas verdes aqui e ali, e onde eu morava era uma área dessas. Dava todo um ar de macabro à noite, e é por isso que onde eu morava fazia diferença para uma história macabra. Mas só isso mesmo, nada demais. Eu viajava bastante, mas sempre voltava para o mesmo lugar macabro. E para isso, tem de se deixar clara uma coisa. O Rio de Janeiro é uma dessas cidades que o bairro que você mora é uma cidade em si. Ou seja, o Rio de Janeiro é um conglomerado de cidades. Com isso quero dizer que morar na Tijuca, e pegar um ônibus até outro bairro, era como viajar para outra cidade, era sair da floresta para a savana, essa é a maravilha da cidade maravilhosa. Dessa maneira, eu, que sempre fui um andarilho, visitava tudo quanto é canto do Rio, conhecendo tudo quanto é lugar, e tudo quanto é gente, até que certa vez eu conheci a Carlota.

Carlota é um nome desses que você nunca espera conhecer alguém com. Muito menos com a sua idade. Se você pensa nesse nome, você logo pensa em alguém com seus setenta e poucos anos, cheia de joias e falando da maravilha que eram os bailes da década de 40, enquanto te prepara um cafezinho com biscoitos que ela acabou de assar. A Carlota era uma beleza só, mas não vou ficar falando quem é a Carlota como se eu estivesse descrevendo-a para um cego, eu vou é narrar o que foi que aconteceu. Então preste atenção, porque eis a história que eu tenho pra contar.

As noites no Rio de Janeiro são de uma beleza única. Você vê luzes por todos os lados, e ao mesmo tempo uma escuridão densa e instigante. Quando se anda pelas ruas, a pluralidade de sentimentos que lhe acomete é tão grande que você mal tem tempo de prestar a atenção em um sequer, a não ser quando algo exterior vem com mais força.

Quando em uma noite, eu me encontrava na lapa, sentado num bar ouvindo a rapaziada tocar um pagodinho daqueles, me deparei com essa linda garota, que passou por mim com aquele vestido floral comportado (comportado porque comportava o corpo dela maravilhosamente). Ela olhou para trás, como quem diz “vem, vem atrás de mim”. E eu fui.

– Hey! – Eu tinha uma das minhas mãos levantadas, o que fazia toda a diferença para a frase que ela viria a falar.

– Não, eu não sou nazista. – Ela respondeu, e depois deu uma gargalhada daquelas.

– Que diabos!? Por que você está dizendo isso?!

– Esse seu braço levantado, parece um nazista saldando o garoto dos ovos de ouro.

– Se você diz… – Eu era terrível em História, então, se ela dizia, estava dito mesmo.

– Sim, eu digo! Mas me diga, seu nazistinha, que é que queres comigo?

– Quero saber por que me olhou daquele jeito?

– Haha! De qual jeito?

– Você sabe…

Eu estava acostumado àquele joguinho, então entrava nele. Ela só queria me deixar mais louco para dar uma volta com ela.

– Não, eu não sei.

De repente ela ficou de cara fechada, e eu quem tinha de aguentar. Mas vamos pular um pouco essa parte da história, vamos para a parte boa do negócio. Depois de toda a jogatina retórica, a Carlota finalmente resolveu ceder. E disse o seguinte:

– Então, gatão, se quiser, vem comigo!

E eu quis!

– Para onde vai me levar?

– Para o além!

Naquele momento eu não sabia do que se tratava. Doce ilusão da “vida”.

Começamos nossas andanças ali pela Lapa mesmo, fomos até os Arcos onde estava rolando outra festa. Parecia uma festa a fantasia, já que uma grande maioria ali usava roupas antigas. Eu podia até jurar que tinha visto minha avó ali, mas isso não era possível. Ela estava morta fazia uns 15 anos. Apesar de o Baile do Cafona ser exatamente o tipo de lugar onde eu a encontraria.

O lugar era todo, como se diz… rústico! Cheio de árvores emaranhadas de musgo, luzes amarelas dessas que a prefeitura não troca faz um século, paralelepípedo no chão, e toda aquela arquitetura típica dos anos 40. A música era das boas, tocava uma espécie de tango, e tinha também uma galera tocando algo que eu entendi ser um jazz. Parecia era uma mistura, isso sim, mas o mais importante era que estava um som gostoso, dava até vontade de dançar. Tanto que eu e a Carlota dançamos.

– De onde você é? – Perguntei enquanto a segurava nos braços indo para lá e para cá.

– Sou daqui, sempre fui, e sempre serei. – Ela respondeu enquanto dançávamos ao som estrondoso do trompete.

Ela tinha um requebrado fantástico, mas principalmente uma classe que eu só conseguia acompanhar por conta das aulas de dança que a minha avó, a que morreu, me fez fazer quando era mais novo. Imagina só, um garoto de 8 anos aprendendo a dançar com todas as coroas da cidade. Foi desse jeito mesmo, e pelo visto, valeu a pena.

– Esse céu estrelado é uma maravilha, você não acha? – Eu sempre falava do céu com a garotas. Elas nunca davam atenção, queriam saber era quanto eu tinha no bolso, e como eu não tinha nada…

– Sublime! – O jeito que ela respondeu me surpreendeu demais, e como surpreendeu. Quem diz “sublime” hoje em dia? Só os intelectuais, e olhe lá.

– Você gosta do céu? – Eu tinha de perguntar, ela podia estar brincando comigo, na verdade eu apostava que estava. A pergunta era idiota, eu sei, mas sei lá, ela era bonita demais e eu estava precisando puxar assunto.

– Sim, gosto bastante, apesar de aqui podermos ver pouco.

Ela estava certa. Um dos problemas do Rio de Janeiro é que ao mesmo tempo que ele é a cidade maravilhosa, toda iluminada, é também terrível para se olhar o céu de verdade. Eu quero dizer, você até consegue ver estrelas aqui e ali, e até acha que está vendo o céu de verdade, mas você só vê o céu tal como ele é quando você vai para a roça. Aí você sente o que é a verdadeira beleza daquilo tudo.

– Eu nunca saí do Rio, mas sei que só podemos ver uma pequena parte de tudo o que esse céu pode oferecer. – Ela disse com um tanto de tristeza nas palavras.

– Ah é, e por que não!?

Pelo visto ela não gostava daquela história. Ficou em silêncio, olhou para um lado, parou, e depois se voltou para mim com um sorriso desses que você dá dizendo “agora está tudo bem! Nada aconteceu!”. Puxou-me pelo braço, e me levou a outro lugar. Pegamos um táxi e fomos parar no Cristo. Eu não fazia ideia de onde aquilo tudo daria, mas pouco me importava. Parece que pela primeira vez na vida eu estava vivo. Então, pouco me importava.

– Você não acha engraçado que o Cristo só olhe para um lado, e não para trás? – Ela fez aquela pergunta do nada, quando já estávamos lá em cima olhando todo o Rio.

– Por que é engraçado? – Perguntei de bate pronto.

– Porque ele devia olhar para todos os lados. Inclusive para trás.

– É porque ele é progressista. Ordem e Progresso! Ele sempre olha para o futuro.

Ela tinha um ponto. E eu tinha ouvido aquilo de um cara no bar um dia desses.

Depois de certo tempo olhando o lugar, acabamos por decidir sair dali, e fomos parar lá na pedra do Arpoador. E lá estava o Cazuza. Sim, estava o Cazuza! Um cara extremamente parecido com o Cazuza, e com uma voz igual à dele. Aquilo foi um achado único na minha vida. Quem diria que eu encontraria um sósia do Cazuza em plena noite carioca, andando com uma garota que acabara de conhecer, e logo na pedra do Arpoador! Se eu acreditasse em alguma coisa, até diria que era o destino, e se eu fosse mais crente, até diria que eu estava encontrando o espírito do Cazuza, mas como vocês bem o sabem, eu sou um cético, então, nada disso, era um sósia, apenas isto. Ao menos era o que eu dizia a mim mesmo.

– Você conhece o Cazuza? – Carlota era uma dessas pessoas que ficava quieta por um tempo, e sempre surgia com alguma frase pertinente, seja ela afirmativa, negativa, exclamativa, ou uma pergunta feito aquela.

– Sim, conheço sim! – Eu respondi com grande entusiasmo. Hoje em dia a “moda Cazuza”, passou, o povo diz que gosta do Raul, do Renato, mas o Cazuza passou.

– Então vamos lá falar com ele! – Ela mais entusiasmada ainda gritou com um dos braços levantados. E eu logo pensei: “quem é o nazista agora?”

– Não, espera!

Já era tarde, ela havia chegado perto do cara, abraçando-o como se já o conhecesse e gritando:

– Cajuca meu querido! – ela o chamava carinhosamente assim – Conheci um amigo seu!

Eu arregalei os olhos, e corri para perto deles gritando:

– O quê!? Não! Eu não conheço esse cara, eu apenas gosto das músicas do Cazuza!

– Mas você disse que o conhecia… – Ela retrucou me olhando desconfiada.

– Não! Você entendeu errado!

Ela deu de ombros, e me apresentou ao cara. Disse que ele era o Cazuza mesmo. Eu pensava comigo “não é possível, ele morreu faz um tempo…”, mas de qualquer forma eu continuava ali, e entrava naquela viagem.

– Prazer, meu querido! – Ele me abraçou. É, o cara interpretava muito bem o Cazuza mesmo.

Depois de uma longa conversa, várias risadas, e uma cantoria de tirar o fôlego, nós, eu e a Carlota, pegamos “o nosso bonde”, e caímos fora dali. O “Cazuza” ficou ali cantando sozinho, e bebendo uma garrafa de uísque barato.

Esse último encontro me deixou, no mínimo, pensativo. O cara parecia demais com o Cazuza… Mas estava valendo, a Carlota não me deixava pensar muito, virava e mexia ela fazia algo diferente, ou vinha com aquelas perguntas dela. Tal com esta:

– Se eu estivesse morta, será que você saberia?

Que diabos de pergunta era aquela? É claro que eu não saberia! Mas é claro também que aquela pergunta me encucou mais ainda, lembre-se eu sou um cético, porém aquilo não me parecia algo explicável, ou era isso, ou a minha cabeça estava me pregando peças. Fiquei em silêncio, não conseguia responder aquela pergunta, e agora já nos encontrávamos em outro lugar, com outras percepções, uma outra viagem. Saímos do Arpuador e fomos para um terreiro de macumba lá no Aterro. O lugar era fantástico. Cheio de vida. Muita música, dança, e comida. Uma ótima duma festa.

Assim que chegamos fomos recebidos por um cara que dizia ser o Preto-Velho. Eu não sabia o que era um “Preto-Velho”, mas depois fiquei sabendo que era um tipo de entidade eminente da Umbanda. O homem era outro achado naquela noite, de uma sabedoria profunda, tal qual eu sequer consigo exprimi-la aqui. Eu já encontrei todo o tipo de gente na minha vida, todo o tipo de “sábio”, e nenhum intelectual que eu conheci chegou aos pés daquele homem. Ele falava com maestria, falava sobre a conectividade do universo, e mais coisas que como eu disse, eu não teria como exprimir aqui. A verdade é que ele falou, e falou, e depois de um tempo eu já estava dançando e bebendo naquela festa toda sem sequer saber como eu tinha começado, porém eu sabia como tinha parado. Parei quando a Carlota me puxou para um canto e disse o seguinte:

– Você é um rapaz muito bom. – Ela sussurrou nos meus ouvidos e senti a minha face queimar. É engraçado o como uma mulher pode te fazer dicar desse jeito. Engraçado mesmo.

Depois disso nós dançamos mais, até que ela resolveu sair dali. Como eu já disse, ela era dessas pessoas “do nada”, ou seja, do nada falam algo ou saem de onde estão, ou até aparecem sabe-se lá de onde. E eu? Eu saí com ela, claro.

A noite estava se esvaindo, e parecia que minha viagem acabaria, mas pelo visto ainda havia uma última parada. E fomos parar na maior festa que eu jamais tinha visto.

O lugar era uma antiga fábrica de gás, a rua eu não sei dizer, mas só me lembro é de uma placa que dizia “Aqui jaz o templo da dança”. Eu já andei bastante pelo Rio, mas nunca havia tido notícias daquele lugar. De qualquer forma, eu entrei de cabeça, pois quando entrei vi todo o glamour da década de 40 exprimido naquele lugar. Pelo visto, a década de 40 foi uma maravilha em formato de década.

– Eu sempre venho aqui. – Carlota estava iluminada por uma luz incandescente, e dizia aquelas palavras quase que de maneira vã.

– E por quê? – Eu perguntava, por interesse mesmo.

– Porque aqui eu estou em casa.

Enigmática como sempre, porém bela como nunca. Parecia que aquele lugar trazia o melhor dela para fora. Era incrível.

– Eu tenho de te dizer uma coisa… – Dessa vez ela não perguntava.

– O quê?

– Eu só não sei se você vai querer ouvir.

– Se não sabe, por que disse que tinha de me dizer?

Ela ficou em silêncio, pois sabia que eu estava certo. Se existe algo que me irrita nas pessoas é esse tipo de coisa. Elucidarem uma coisa, mas não a dizerem de fato. Todavia, com ela era diferente, eu queria realmente saber, e não me irritava com ela.

– Pode dizer, eu aguento.

Eu já imaginava que ela diria que era casada, ou coisa que o valha, e que aquele rolé que ela estava dando comigo era apenas porque ela havia brigado com o marido. Eu, além de cético, era pessimista.

Enquanto isso as luzes do lugar, o salão enorme todo esculpido em mármore, pulsavam feito o coração de um leão na hora de pegar a sua presa. O chão de taco era pisoteado por uma multidão enfurecida de belos dançarinos com suas roupas quarentistas chiques, e a banda bradava como se o amanhã não fosse chegar jamais. Eu esperava a qualquer momento ser surpreendido por algum homem vestido de terno branco com um soco no meio da minha cara.

– Mas… – Ela havia se arrependido de falar, e sua voz trêmula exprimia isso perfeitamente.

– Fale, eu já disse que aguento. – Eu estava firme, mais corajoso do que jamais fui.

E foi então que como um golpe de lutador de boxe profissional que ela disse as fatídicas palavras:

– Você está morto.

Neste momento o tempo parou, tal como naqueles filmes estado-unidenses-americanos. De verdade parou mesmo. Eu, de repente, comecei a sentir uma falta de ar e a me lembrar do que havia acontecido. Naquela noite eu havia bebido bastante no bar em que eu me encontrava quando vi Carlota. O porém, é que eu não a havia encontrado, eu havia pego um carro de um amigo e saí desvairadamente a dirigir pelo Rio. No túnel do Joá eu perdi a direção, e por fim, sofri o acidente fatal que me tirou a vida. Lembrei daquilo como num flash, e assim que ele acabou o tempo voltou a rodar.

– É verdade. – Eu disse.

– Você está bem? – Ela, cautelosa me perguntou.

– Eu estou morto.

Silêncio.

– Eu também. – Ela depois de uma pausa replicou.

– Agora tudo faz sentido.

– Eu sei que faz…

Depois daquilo eu precisei de um tempo para vir até aqui e contar minha história. Mas é isso, eu, um cético, morto, conto a você, a minha maravilhosa história de fantasmas. Fantasmas não são lençóis flutuantes, fantasmas são como eu, e um dia você será como eles.

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46 comentários em “A viagem fantasma (Ryan Martins Silva)

  1. Frank
    15 de janeiro de 2014

    O estilo da escrita está muito bacana e foi bem divertida a crítica aos fantasmas do tipo lençol branco…rs.Boa Sorte.

  2. Paula Melo
    14 de janeiro de 2014

    Gostei do conto,leitura gostosa e leve.
    Boa Sorte!

    • Monta de Biaggio
      14 de janeiro de 2014

      Obrigado pelas palavras, Paula!

  3. Marcelo Porto
    13 de janeiro de 2014

    Grande conto! Me lembrou aquela musica do Gabriel o Pensador – “Festa da Música Tupiniquim”.

    Gostei demais, a leitura fluiu que é uma beleza e o final conseguiu me surpreender.

    Muito bom, já está na minha lista.

    • Monta de Biaggio
      14 de janeiro de 2014

      Ôpa, obrigado pelas palavras e pelo voto, Marcelo!

  4. Caio
    12 de janeiro de 2014

    Olá. Eu fui muito, mas muito, com a cara do seu conto. Cliquei com o estilo e com a escrita de um jeito muito legal. Acho que até por isso eu me peguei um pouco frustrado com algumas passagens, porque fiquei com a sensação de que seria um texto 10 se não fossem uns pequenos problemas tão fáceis de resolver.

    Tem umas insistências que me faziam pensar “ok, já entendi, pode parar já”, como ele falando que era cético, as referências à idade maior da Carlota, e o fato de que pra quem lê fica bem óbvio que todos são fantasmas na festa, aí toda vez que o protagonista levanta uma questão a mais sobre isso é um “uhum, não me diga” na minha cabeça. No começo algumas repetições de palavras também poluem um pouco.

    Sobre o final, veio meio do nada o jeito como ele morreu. Seria legal se algo pelo texto desse algum indício. Por exemplo, e se toda vez que alguma coisa soasse meio estranha e o protagonista começasse a suspeitar, as luzes do ambiente de repente ficassem maiores ao ponto de doer os olhos dele e ele os fechasse, parasse de pensar e ficasse tudo normal de novo? Digo como alusão a uma possível luz de farol de um carro que veio de frente a ele, entende? Aí no final você reúne que a morte era a causa, e não fica tão alheio ao resto do texto, a causa da morte. Só um exemplo, claro. Ou ainda, não falar como ele morreu. Dizer algo como ele viu que era verdade, mas que não importava mais, não importava como, ele só estava morto.

    Agora, só dei pitaco negativo, mas eu gostei muito das personagens e o texto simplesmente me atingiu de um jeito certo. Espero que entenda minha intromissão, é tudo de boa fé. Tomara que ajude, abraços

    • Monta de Biaggio
      13 de janeiro de 2014

      Olá, Caio. Gostei bastante do seu comentário, na verdade até o estava esperando. Li outros comentários seus em outros contos, e estava esperando a crítica! Logo, fico contente em saber que gostou do conto, e mais ainda pelos apontamentos que me foram bastante pertinentes.

      Os comentários, seus e dos demais, foram muito valiosos para mim. Os apontamentos estão me dando uma noção melhor sobre minha própria escrita, e os elogios afirmando que o que tenho de melhorar parte ao menos de algo para melhorar. O que é muito bom.

      No seu comentário, o que mais gostei foi essa ideia dos “indícios”. Agora estou atento a isso e os próximos textos utilizarei melhor essas “ferramentas”.

      Meu objetivo com esse concurso foi alcançado. Testar meus escritos e receber indicações do o que está bom e o que não.

      Dessa maneira, agradeço a você, e por meio desse comentário, a todos pelos comentários.

      Grande abraço!

  5. Pedro Luna Coelho Façanha
    12 de janeiro de 2014

    A melhor coisa do conto foi o estilo de escrita camarada. Bem divertida. Fui só uma vez no RJ e mesmo assim esse conto me despertou lembranças e sensações. Considero o lugar, um lugar bem foda. Acho que a fantasmada ficou em segundo plano frente as outras qualidades do texto, mas isso não deixou atrapalhou como conto. Parabéns.

    • Monta de Biaggio
      13 de janeiro de 2014

      Agradeço as palavras, Pedro!

  6. Leandro B.
    12 de janeiro de 2014

    Até certo ponto achei a história previsível. Além disso, tive a sensação de haver duas introduções no início para que a história finalmente acontecesse. Precisamente, no final do terceiro parágrafo: “E essa história que vou contar aconteceu” e, então, novamente no quinto parágrafo: “Então preste atenção, porque eis a história que eu tenho pra contar.”

    Além disso, existem algumas repetições um pouco incômodas no começo (facilmente resolvíveis em uma próxima versão).

    Tendo dito isso, devo acrescentar que a narrativa acabou me pegando.

    “mas de qualquer forma eu continuava ali, e entrava naquela viagem.”

    Me identifiquei muito com a frase enquanto lia. Apesar das considerações que fiz sobre o início, ali estava eu, curtindo a viagem; coisa que fiz até o final. Como mencionaram, a história tem uma levada muito boa.

    Enfim, eu gostei. Bom conto. Boa sorte.

    • Monta de Biaggio
      13 de janeiro de 2014

      Agradeço as palavras, Leandro.

      Eu não tinha me atentado para isso que você destacou, e é o primeiro a destacar. De fato são dois inícios! Está “anotado”, atentarei mais nisso em um próximo conto.

      As repetições são outra característica a ser melhorada na minha escrita, e esta já estou atento.

      Agradeço aos elogios, e à crítica.

  7. Raione
    11 de janeiro de 2014

    Uma história bem contada. Achei bacana o passeio pelo Rio, embora em alguns momentos me viesse a impressão (eu que nunca estive no Rio) de ver um tom meio turístico em certas passagens, como se escritas para um turista. A rememoração do narrador do momento da sua morte, logo depois da revelação de Carlota, não sei, parece apressado, muito fácil. Gostei do parágrafo final, e das intervenções do narrador ao longo da história, reafirmando seu ceticismo. A relação amorosa entre os dois é que não me convenceu muito.

    • Monta de Biaggio
      13 de janeiro de 2014

      Obrigado pelas palavras, Raione.

      De fato a morte e a relação foram complicações, preciso melhorar isso, mas estou atento!

      Mais uma vez agradeço às palavras!

  8. Weslley Reis
    8 de janeiro de 2014

    A levada do conto é ótima. Como já citado, é uma experiência bem pessoal, de bate papo mesmo.

    Achei o final meio abrupto, mas acho que é algo pessoal.

    Parabéns.

    • Monta de Biaggio
      9 de janeiro de 2014

      Agradeço as palavras, Weslley!

  9. bellatrizfernandes
    7 de janeiro de 2014

    Gostei bastante da maneira como, mesmo não conhecendo a cidade, eu pude me sentir dentro dela, diferente de alguns contos que li por aqui.
    Em termos de técnica, houve algumas partes falhas em que você repetia o mesmo termo algumas vezes (Como por exemplo: Cético ou Vira e Mexe). Enfim, não sei se é um hábito ou falta de revisão, mas achei importante notar.
    Eu devo dizer que eu me surpreendi com o final – parcialmente – e fiquei feliz com ele. Não foi nenhum daqueles finais terríveis e depressivos que vemos quando se trata de seres não-vivos.
    Gostei bastante!

    • Monta de Biaggio
      9 de janeiro de 2014

      Obrigado pelas palavras, Bellatriz.

      Quanto ao termo “cético” eu quis frisa-lo mesmo, por conta do tema. Céticos e fantasmas são tão diferentes quanto possível! Hehe Porém, o “vira e mexe” é força do hábito mesmo, e foi bom você atentar para isso, prestarei mais atenção nos próximos textos.

      Agradeço mais uma vez as palavras, e ficarei atento ao que você percebeu!

  10. Cácia Leal
    7 de janeiro de 2014

    Gostei da narrativa. Uma história que é contada como um bate-papo, bastante informal. O narrador vai conversando com o público. Um bom estilo.

    • Monta de Biaggio
      7 de janeiro de 2014

      Obrigado pelas palavras, Cácia!

  11. Pedro Viana
    6 de janeiro de 2014

    Sabe o que é mais fantástico nesse conto? Estar de frente para o computador e ter a sensação de que seu narrador está sentado do outro lado da mesa, alternando a narrativa dos parágrafos com um copo de água (ou cerveja, dependendo do gosto da pessoa). O conto, até a primeira metade, fluiu muito bem, mas achei que depois se perdeu no enredo, e isso prejudicou a narrativa. A ideia é excelente, mas pode ser melhor trabalhada.

    • Monta de Biaggio
      7 de janeiro de 2014

      Obrigado pelas palavras, Pedro.

      Meu intuito ao escrever é justamente esse que você comentou, e se você o comentou, é porque alcancei, ao menos em um primeiro momento, logo fico muito feliz em saber disso. Dá um estilo maior para continuar a escrita.

      De fato o grande problema do conto foi a continuação do ritmo, mas estou bastante ciente disso e trabalhando em cima desse erro para que ele não acontece mais.

      Mais uma vez agradeço as palavras! =D

  12. Ana Google
    4 de janeiro de 2014

    A ideia do conto é maravilhosa, mas poderia ser melhor trabalhada. Ser revisado a ponto de equilibrar a primeira parte com a segunda, o que do meu ponto de vista faltou. De qualquer maneira, é um ótimo conto e parabéns pela criatividade!

    • Ana Google
      4 de janeiro de 2014

      Atenção para os erros: “cai entre nós” – correto: “cá entre nós”; “Parecia era uma mistura” – correto: “Parecia ser uma mistura”.

      • Monta de Biaggio
        4 de janeiro de 2014

        Obrigado pelas palavras, Ana. Essa quebra em duas partes é o problema principal do conto, os próximos virão melhores!

        Quanto à estes erros, o cai era cá mesmo, passou pela minha “revisão”. Foi apenas uma segunda leitura. Quanto ao era/ser. Eu queria dizer “era” mesmo. Provavelmente ficaria melhor com alguma vírgula em algum lugar, não sei onde, mas esse “era” faz parte de um “Puxa vida, parecia era uma mistura das boas mesmo!”, note que até o “puxa” que era para ser “poxa”, eu coloquei errado. É proposital mesmo…

        Obrigado pelas palavras mais uma vez!

  13. Gustavo Araujo
    2 de janeiro de 2014

    O que mais gostei neste conto foi a maneira como se deu a narração. Esse tipo de discurso despojado, direto, sem firulas, deu bastante credibilidade ao protagonista. As descrições de alguns pontos do Rio também ficaram muito bacanas. Não por acaso alguém disse que o conto teria sido escrito por um carioca da gema.

    O que não gostei muito foi o enredo esquemático. Não há uma razão para torcermos pelo protagonista – quer dizer, no início há, quando ficamos imaginando se ele irá conquistar a Carlota ou não. Mas, depois, com as idas e vindas nos bailes de diversos tempos, o encanto desvanece e a história toma jeito de relato. Com o perdão da honestidade, ficou chato. E a decepção foi maior porque o início foi bastante promissor.

    De qualquer forma, deu para perceber que o autor sabe escrever – ainda que erros de revisão possam ser apontados. Espero ver outros contos de sua autoria nos próximos desafios.

    • Monta de Biaggio
      2 de janeiro de 2014

      Obrigado pelas palavras, Gustavo.

      Concordo com você, de fato ficou chato. O que aconteceu foi o que disse para os outros, eu escrevi em “2 tempos”, sendo o primeiro um fluxo melhor, e logo um conto melhor, porém, no segundo tempo, eu estava preocupado em enviar o conto, e infelizmente deu no que deu.

      Nos próximos desafios, agora que já conheço o site, vem coisa melhor aí!

      Mais uma vez agradeço as palavras! =]

  14. Claudia Roberta Angst - C.R.Angst
    1 de janeiro de 2014

    Alguns detalhes a revisar, mas nada de mais. Algumas palavras repetidas próximas, talvez nem tão próximas, mas que poderiam ser substituídas por sinônimos ou equivalentes.
    Achei a ideia interessante, mas não consegui me prender muito à narrativa. Adivinhei o final um pouco depois da metade do conto, mas não tirou o gosto de chegar até o final. Boa sorte!

    • Monta de Biaggio
      2 de janeiro de 2014

      Obrigado pelas palavras, Cláudia.

      A experiência de participar desse desafio foi muito boa, pois me mostrou algo que eu suspeitava, sobre alguns erros aqui e ali. Desta forma, meus próximos textos serão melhores!

      Mais uma vez agradeço as palavras. =]

  15. Tom Lima
    31 de dezembro de 2013

    Um erro aqui outo ali, um detalhe acolá. Nada que prejudique.

    Em um comentário você disse que escreveu em dois tempos. O conto acabou ficando em com tempos. Como um erro na marcação do ritmo. Corrigiria isso numa próxima versão.

    Fora isso, parabéns.

    Vai pra minha lista.

    • Monta de Biaggio
      2 de janeiro de 2014

      Obrigado pelas palavras, Tom.

      Estou atento a esse erro de marcação de ritmo, no meu próximo conto provavelmente não haverá isso. Boa observação.

      Mais uma vez agradeço as palavras.

  16. Ricardo Gnecco Falco
    31 de dezembro de 2013

    Interessante a questão da aceitação da morte. É um fato, mas todos nós tendemos mesmo a vê-la apenas como uma possibilidade…
    Bom conto.
    Boa sorte!

    • Monta de Biaggio
      31 de dezembro de 2013

      Obrigado pelas palavras, Ricardo!

  17. Bia Machado
    30 de dezembro de 2013

    Até quase a metade do conto eu gostei da narrativa, bastante mesmo, achei bem criativo. Depois, não sei… Perdeu um pouco o encanto, achei bom mas poderia ter sido melhor. Não simpatizei com as duas personagens também, a não ser no início, parte em que eu estava gostando muito da prosa dele. É isso! Parabéns!

    • Monta de Biaggio
      31 de dezembro de 2013

      Oi, Bia. Obrigado pelas palavras. Aconteceu que eu escrevi em dois tempos, e no primeiro eu estava inspirado, no segundo, escrevi por conta do prazo. Daí teve essa diferença que você percebeu!

  18. Inês Montenegro
    29 de dezembro de 2013

    As interacções entre as personagens não me pareceram naturais, e durante grande parte do conto o enredo pareceu não ter objectivo – este aparece quando o leitor compreende que o narrador está morto e que o objectivo será, então, a realização e aceitação.
    Nota-se, pela narração, o modo informal e o humor do protagonista, o que é a maior caracterização que temos dele e um ponto positivo. Não gostei, contudo, quando ele narra o modo como morreu. Não se denota qualquer sentimento e, por consequência, o leitor também encara o acontecimento com neutralidade.

    • Monta de Biaggio
      29 de dezembro de 2013

      Inês, agradeço pelas palavras.

      O diálogo foi parte complicada da produção, seu destacamento é um bom ponto. Ainda hei de melhorar isso.

      A questão da narração da morte se coloca dessa maneira mesmo. Procurei colocar como algo curto, simples e um pouco frio. Neutralidade é uma ótima palavra para esse ponto. A morte é mal encarada pela nossa sociedade, e procurei, não falando tanto sobre o fenômeno em si, mas sim do fenômeno que se segue deste – o pós-morte – como sendo um momento de reflexão. O leitor poderia vir a pensar “espera, mas é só isso? Acabou assim?”. O leitor não vai gostar desse fim, justamente porque parece banal. E a questão que quero levantar é, “a morte é assim tão banal”?

      Mais uma vez, agradeço pelas palavras.

  19. Jefferson Lemos
    29 de dezembro de 2013

    Gostoso de ler e é bem legal, da pra ver que esse é carioca da gema! 😀
    Parabéns e boa sorte!

    • Monta de Biaggio
      29 de dezembro de 2013

      Obrigado pelas palavras, e pelo desejo de boa sorte, Jefferson!
      Ah, mas eu não sou carioca da gema! Haha
      Sou do interior do Rio. =D

  20. Thata Pereira
    28 de dezembro de 2013

    ** SPOILER **

    Não me pergunte como, mas do meio para o final eu já havia compreendido toda a história. Isso deve ser coisa do meu fascínio por Spoiler. rs’

    Então, eu diria até que é uma história bonita, com um cenário bonito. Personagens bonitos (Cazuza *-* ), mas a narrativa não me prendeu. Fez ou outra me deparei com palavras ou frases que quebravam o encanto do momento. Separei um exemplo para tentar explicar:

    “– Sublime! – O jeito que ela respondeu me surpreendeu demais, e como surpreendeu.”

    Não sei, deve ser só chatice minha, mas esse “demais” quebrou o sublime da frase. Quem sabe se deixasse só o “surpreendeu”, pois depois você já diz “e como surpreendeu”.

    Quando descobri que o cara estava morto, esperei dele uma narração mais fantasiosa…

    Outra: o/a autor/a conhece o Rio? Gostei muito da ambientação, mas como não conheço esses lugares, curtiria bastante uma descrição (e isso ajudaria na própria narração). Mas isso pode ter sido desconsiderado por conta do limite do desafio.

    Boa Sorte!!

    • Monta de Biaggio
      28 de dezembro de 2013

      Agradeço as palavras Thata! Eu escrevi de maneira que o leitor compreendesse cedo, só a personagem principal quem “não sabia”, ele vai descobrindo, mas nega o acontecido.

      Quando ao exemplo do “sublime” eu concordo contigo, esse demais realmente ficou excessivo aí! Tive pouco tempo para escrever, visto que descobri o concurso faz poucos dias, daí a revisão ficou superficial. Na verdade estou aproveitando essa parte para responder ao Marcellus e ao Gunther também. Eu estou pensando em mexer no texto depois, se quiserem, compartilhamos nossos escritos, eu leio alguns de vocês (fora os já lidos aqui, mesmo eu não sabendo quem é quem! ^^) e vocês podem ler esse “editado”.

      Finalmente, eu conheço muito pouco o Rio, sou do interior do estado, mas a capital mesmo, pouco conheço. Daí juntando ao fato do limite do desafio, não me ative tanto à uma descrição detalhada.

      Mais uma vez obrigado pelas palavras, aos três, Thata, Gunther e Marcellus. Esse é meu primeiro conto finalizado, e primeiro enviado para uma competição. Então tudo está sendo uma grande surpresa, tanto a leitura de outros contos, quanto aos comentários.

      • Marcellus
        28 de dezembro de 2013

        Seria um prazer poder ler a segunda versão! Obrigado! 🙂

      • Thata Pereira
        29 de dezembro de 2013

        Adoraria ^^

        Aproveito para pedir desculpas pelo “Fez” no lugar de “Vez”, viajei aí! rs’

  21. Gunther Schmidt de Miranda
    28 de dezembro de 2013

    Realmente Marcellus: dias atuais, na cidade do Rio de Janeiro! Além disso, um texto fluído e gostoso de ler; sim, faltou a surpresa… Mas, um dos melhores que li. Parabéns.

    • Monta de Biaggio
      28 de dezembro de 2013

      Agradeço a você também pelas palavras, Gunther!

  22. Marcellus
    28 de dezembro de 2013

    Primeiro pensamento: agora o Gunther se regozija! 😉

    Gostei do conto, do clima fluido e das paisagens. Não me causou grande surpresa e precisa de alguma revisão, mas é gostoso de ler. Parabéns ao autor.

    • Monta de Biaggio
      28 de dezembro de 2013

      Agradeço as palavras, Marcellus!

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Informação

Publicado às 28 de dezembro de 2013 por em Fantasmas e marcado .