EntreContos

Detox Literário.

Os Mortos Andam Sobre Cinzas (Pedro Viana)

Os homens andam fardados. Se são homens ou não, desconfio. Quando os vejo, marchando pelas ruas com a sincronia de pássaros, não vejo rostos. Somente máscaras de severidade que cobrem os sorrisos que um dia houveram em nossa terra. Eles marcham, erguem a mão, gritam e nós os imitamos. Katja diz que nos tornamos papagaios. Da espécie ruim, ela completa, daquela que só repete uma única coisa: “Heil Hitler!”

Um cristal de neve cai sobre meu nariz. Por um momento posso esquecer que estamos em uma guerra que dura tantos anos que eu resolvi parar de contar. Assim me esqueço de que estou ficando velho, uma vez eu disse a Katja, quando a garotinha me interrogou com mais um de seus porquês.

Chamo-me Bernhard Schmidt. Fui dispensado do exército porque perdi um braço e desde então moro nas ruas de Stuttgart, sem família, vivendo da pouca caridade que recebo e tendo como célebres companhias um cachorro chamado Podre e uma menina de dez anos cujos pais desapareceram. Ironicamente, ela nunca disse-me o porquê.

Olho para o céu e vejo que, enquanto a neve cai, o dia escurece. Afastamo-nos da rua principal e descemos por um caminho íngreme, onde as casas são pequenas e parecem confortáveis. Podre caminha a frente, de cabeça abaixado. Katja diz que ele fareja o perigo e nos protegerá se for preciso. Sorrio para ela e concordo veementemente, mas sei que Podre não é capaz de proteger ninguém. Somos um aleijado, uma criança e um vira-lata contra tudo o que aquele símbolo representa. O símbolo da cruz com pontas viradas. Não sei seu nome, mas sei que o temo. Todos nós o tememos, afinal.

Chegamos a um beco escuro e úmido, onde montantes de lixo se unem com a neve, criando uma espécie de fortaleza branca. Katja quem achou aquele lugar, cinco dias atrás. Ela o chama de Castelo desde então. Podre adianta-se e sobe o primeiro monte de neve, escorregando ao descê-lo. Usamos aquele lugar como refúgio. É um bom lugar para se esconder quando os homens fardados se aproximam e, como nos habituamos, dormir durante as noites frias de Stuttgart. Decerto preferiríamos um lugar seco, mas sempre que podemos, evitamos as pessoas desesperadas que se acumulam nas ruas à medida que a guerra avança.

– Pessoas desesperadas são pessoas perigosas – eu disse uma vez.

– Por quê? – Katja perguntou, sem hesitar.

– Se estão desesperadas é porque perderam tudo. Então, se quiserem nos machucar, o que irão perder se falhar? Eu já vi homens desesperados vencerem batalhas. Já vi uma mulher esmurrar um capitão porque este levara seu filho para combater na guerra. Já vi um homem quebrar o pescoço de outro por um nabo. O que morreu era velho, mas isso não muda nada. O que o matou foi o desespero do outro, que não comia há seis dias. Agora você entende?

Ela assentiu, silenciosamente. Algo em seus olhos quase me fez perguntar se ela já vira alguém em desespero. Creio que não o fiz por medo de sua resposta. Já vi coisas demais, me lembrei, basta para mim saber o que vi.

Podre latiu, eu ouvi. Ergo a cabeça e, a tempo, vejo um vulto se levantar da neve e correr em nossa direção. Empurro Katja para a parede e tenciono me juntar à ela para me proteger, mas o vulto cai sobre mim antes que eu possa expressar qualquer reação.

Se não fosse aleijado, eu poderia facilmente ter imobilizado meu agressor. No entanto, com apenas o braço direito, pouco posso fazer. Jogo meu peso para o lado esquerdo e o empurro com a mão direita, mas ele resiste. Naquele instante me lembro de que se eu não me defender, serei morto ali mesmo. Ofegante, tento empurrá-lo mais uma vez. Meus esforços seriam em vão se outro vulto não pulasse sobre mim e mordesse a perna do homem, rosando. Ouço um grito e aproveito para empurrá-lo. Quando ele cai sobre a neve, Katja tira seu capuz num movimento rápido. Judeu, eu descubro com medo. Ele olha para mim, para a menina e para o cachorro e então, ao ser tomado por uma súbita onda de terror, expressa no modo como olhou para nós, começa a gritar.

– Aushwitz! Aushwitz! Aushwitz!

O judeu levanta-se e começa a correr para longe do Castelo. Está desnorteado, eu noto, e quando atravessa o primeiro monte, tropeça e cai na neve. Katja hesita em ir em seu auxílio, mas a seguro com a perna. Podre permanece rosnando ao nosso lado.

– Por que não vamos ajudá-lo? – ela pergunta, pressionando minha perna.

– Não podemos. Ele é judeu, você sabe o que eles fazem com judeus e com quem ajuda judeus. De qualquer modo, ele já está morto. Nossa ajuda não o salvaria.

– E por que eles fazem isso com judeus?

Olho para ela, seus olhos inocentes e curiosos em busca de respostas, e por um momento tenho o ímpeto de chorar. Se fosse outra época, você não teria que me perguntar isso.

– Vamos dormir, Katja, vamos dormir.

=+=

            Acordo antes do sol nascer, com a neve flutuando sobre meus olhos. Katja ainda cochila, com o cachorro abraçado junto ao seu corpo. Permaneço deitado sob os jornais que me cobrem, ignorando o frio e rememorando os fatos da noite anterior. Podre provara que eu estava errado. Não só farejara o perigo antes de nós, como também nos protegera dele – como Katja dissera que faria. É um bom cão, afinal.

Olhando para as montanhas de lixo e neve que nos protegem, me pergunto onde o judeu estaria naquele momento. Morto, certamente. Esbarrara com algum soldado patrulheiro ou fora avistado por algum cidadão que idolatrava veemente a cruz de pontas viradas. Depois disso, bem, eu sei o que acontece depois disso. Os gritos do homem voltam à minha memória, mais vivos do que nunca. “Aushwitz!” Como ele escapara, eu me pergunto. Diziam que ninguém saía vivo de lá. Talvez o judeu fosse mais esperto que os demais, mas mesmo assim, se fosse eu quem conseguisse fugir de lá, rumaria para o mais longe possível dos olhos nazistas, para o leste ou para o sul – não iria para Stuttgart, no oeste, coração da Alemanha.

Subitamente, percebo que uma sirene começou a tocar de algum lugar próximo, tão terrível como uma trombeta anunciando o Dia do Juízo Final. Bombardeio, percebo de repente. Sinto o medo congelar meu corpo mais que o frio fora capaz ao longo desses anos. Levanto-me de uma vez, fazendo um esforço quase sobre-humano para apoiar meu corpo somente com um braço e vejo que Katja já está de pé, olhando pra mim com uma expressão visível de medo. Tente não parecer amedrontado, digo a mim mesmo, você deve ser forte para ela encontrar coragem.

– Venha comigo.

Agarro a mão dela com o braço direito e assovio para Podre, que se coloca à frente de nós como um batedor num território inimigo. Atravessamos os montes do Castelo e paramos no meio da rua, onde várias pessoas já saem de suas casas, assustadas. A sirene ainda toca, indiferente a qualquer emoção.

– Para onde vamos? – pergunta Katja, com a voz vacilante.

Eu me faço a mesma pergunta. O único lugar seguro para nós são os abrigos subterrâneos. No entanto, eu não sei onde é mais próximo, tampouco se aceitarão nossa entrada. Uma vez, anos atrás, muito longe de Stuttgart, antes mesmo de conhecer Katja, eu passara pela mesma situação. Se não fosse uma senhora cujo nome eu esquecera, teria ficado fora do abrigo enquanto as bombas caiam sobre a cidade. Mesmo com tal experiência, não sei o que fazer agora. O medo me lembra da cruz de pontas viradas e, ao dar-me conta de que tudo aquilo é culpa dela, sinto raiva.

– Vamos seguir essas pessoas. Elas nos levarão ao abrigo – eu digo, em tom firme. Katja agarra-se ao meu braço, o único e solitário braço, e não pergunta mais nada. Seguimos na direção para qual rumavam as pessoas deixando pegadas apressadas na neve.

O mais terrível é pensar no que está sobre nossas cabeças. A qualquer momento a sombra de uma bomba poderia projetar-se sobre a neve e nos deixar em pedaços. Corremos como loucos, o medo galopando atrás de nós. Até mesmo Podre parece perturbado. A função da sirene de emergência é avisar sobre a iminência de um ataque aéreo. No entanto, à medida que o abrigo revela-se cada vez mais distante, sua função torna-se nos apavorar – lembrando-nos a cada milésimo de segundo que, em breve, tudo explodirá a nossa volta.

Dobramos uma esquina, não muito longe do centro da cidade, e avistamos um grande bunker onde dezenas, ou melhor, centenas se amontoam. Alguns soldados supervisionam o local, todos com braçadeiras de cruzes com pontas viradas e armas em punho. Agarro Katja com meu braço e começo a atravessar a multidão. Podre vem atrás de mim. O lugar deve ser espaçoso, noto, porque uma enxurrada de pessoas entra no lugar e ele nunca se parece encher. Não obstante, passam-se apenas alguns minutos até que chegamos à entrada.

– O cachorro não – diz um soldado ombros largos e expressão severa.

– Por quê? – Katja pergunta, no tom de uma súplica.

– Não há espaço suficiente para as pessoas, quanto mais para um cachorro! – eu não acredito na afirmação do soldado. O bunker parece suficientemente grande para todos.

– Não vou entrar sem ele!

– Então fique de fora, saumensch.

Katja puxa Podre para si e começa a entrar, ignorando completamente o soldado. Ele, contudo, não a ignora. Arremete um pesado chute contra o animal sem expressar nenhuma alteração em seu rosto severo. Podre chora, abaixa as orelhas e se vira para fugir. Katja grita por ele e, após o soldado arremeter um tapa em seu rosto, começa a chorar silenciosamente. Fico sem ação. Eu não posso ir contra ele, não posso ir contra a cruz de pontas viradas, mas ao mesmo tempo, jamais verei Katja chorar e não farei nada.

– Entre, eu vou atrás dele – digo para ela, fazendo com que pare de chorar no mesmo instante. Sinto-me aliviado, apesar da quantidade de pessoas que continuam entrando apressadamente no bunker enquanto a sirene toca. – Vá e fique segura.

Sorrio, ela sorri de volta, e assim nos despedimos. Volto-me contra a multidão. As pessoas me olham espantadas. Eu posso adivinhar que estão se perguntando o que um homem, ainda por cima aleijado, faz fugindo do abrigo pouco antes de um bombardeio aéreo.

Quando escapo completamente do aglomerado de pessoas, começo a procurar pelo cachorro, mas não o vejo. Meu coração palpita dentro do peito. A neve, agora suja de terra, mostra as pegadas irregulares de centenas de pessoas – mas nenhuma pegada de cachorro. Grito seu nome, mesmo sabendo que meu grito seria abafado pela insuportável sirene. Em vão. Caminho por um ou dois metros, sem rumo, olhando para todas as direções, pensando em Katja chorando silenciosamente, até que o vejo.

Sinto meu coração falhar uma batida. Podre estava deitado no chão, levemente escondido por um monte de neve próximo. Um pensamento invade minha cabeça e eu tento evitá-lo, mas quando corro em direção ao animal e o vejo de perto, sou obrigado a aceitá-lo. Podre havia morrido.

– Pisoteado pela multidão, eu mesmo vi – diz uma voz atrás de mim. – Pobre cão. Parecia assustado, mas não atacou ninguém. Nem mesmo latiu enquanto passavam sobre ele. Era seu?

Afirmo lentamente com a cabeça e contenho uma onda de lágrimas ao pensar em Katja.

– Schultz. Oliver Schultz. – o dono da voz se apresenta, revelando-se um senhor de meia idade, com olhos profundamente tristes. Ergue a mão para um aperto, mas disfarçadamente a desce quando percebe que no lugar do meu braço há apenas um pequeno e deformado toco. – O senhor é?

– Bernhard Schmidt – respondo secamente.

– A sirene de emergência ainda está tocando. Não vai entrar no abrigo, senhor Schmidt?

Não respondo. Olho à minha frente, para o cadáver do cachorro a quem chamava de Podre e depois para trás, onde o soldado de expressão severa inspeciona as últimas pessoas e se prepara para fechar as portas do bunker.

– E o senhor não vai? – pergunto, em tom de desafio.

– Por quê que deveria? – Schultz ri. – Cansei disso tudo, Schmidt. Cansei dessa guerra, cansei desse maldito Terceiro Reich, cansei de gritar “Heil Hitler!” toda manhã.

– Então o senhor decidiu ficar de fora e morrer?

– Morrer… – ele deixa essa palavra vagando por um momento, enquanto a sirene ainda toca, agora distante. – Você não percebe que já estamos todos mortos? Fazemos parte de um país cego e sedento por sangue que mesmo caindo, ergue-se novamente, pronto para começar tudo de novo. Essa guerra pode acabar hoje, mas amanhã teremos outra. E depois outra. E outra. Guerras matam, e todos nós morreremos, se não nessa, na próxima. Eu sei que já estamos mortos. Só caminhamos e temos a sensação de que estamos vivos. Mas o que é a vida de um boi dentro do abatedouro?

Fico calado enquanto vejo as portas do bunker serem fechadas. Imagino aviões se aproximando e mirando em minha cabeça. Estou morto agora. Recusei a ideia de entrar no abrigo e dar a notícia da morte de Podre a Katja. No entanto, agora eu me pergunto o que será da menina ao descobrir que não só o cachorro, como também eu, estavam mortos? Onde e como ela viveria? Sinto um aperto no coração e me culpo pelo destino da garota. Mas ela também está morta, concluo ao olhar para os olhos tristes que me observam. Se não morrer de fome e frio agora, morrerá quando mais bombas caírem.

Schultz se senta na neve e, silenciosamente, com seus olhos profundamente tristes, esquadrinha a rua agora deserta, exceto por duas figuras solitárias que conversam sobre os mortos.

– Olhe para a rua e diga-me o que você vê – ele me surpreende com a pergunta.

– Neve, – hesito – neve e terra molhada.

– Não é neve, Schmidt. São cinzas. Os céus deixaram de nos mandar neve quando o homem deixou de ser humano para se tornar um animal sanguinário. Se esta é a Humanidade a que Deus protege, prefiro morrer e arder no fogo do inferno. Dizem que no inferno há sofrimento. Eu me pergunto se há sofrimento pior do que o que estamos vivendo aqui.

Schultz começa a chorar à minha frente, deixando-me sem ação.

– Eu tinha tudo e perdi tudo, Schmidt. Tinha uma linda família e a perdi. Tinha um excelente emprego e o perdi. Eu tinha a vida que sempre sonhara ter e, quando essa guerra começou, passei a viver meus piores pesadelos. – Agarra um monte de neve suja com a mão e o deixa cair lentamente, escorregando entre os dedos – Cinzas. É tudo o que restou. Estamos todos caminhando sobre cinzas.

=+=

As bombas jamais vieram. Lembro-me de ter esperado por aviões e bombas, explosões e destruição, sangue e um momento final onde eu veria toda minha vida em apenas alguns segundos. Nada veio. Quando a sirene finalmente se calou e apenas o silêncio restou, eu notei que não conseguia me sentir aliviado.

Oliver Schultz desapareceu. O procurei mais tarde, mas não o encontrei. Perguntei-me se deveria enterrar Podre, mas também não achei seu corpo. As portas do bunker se abriram e as pessoas começaram a sair. Tive a estranha sensação de que não conhecia aqueles rostos, mas a mantive guardada. No entanto, não pude deixar de esconder meu espanto quando todas as pessoas do bunker saíram e não vi nenhum sinal de Katja. Onde ela estava, afinal?

Me aproximei do abrigo, com a intenção de perguntar ao soldado de ombros largos se vira a garotinha a quem dera um tabefe, mas me deparei com um jovem de cicatriz no rosto guardando o lugar. Pedi para entrar, alegando que eu perdera um objeto de valor, e ele permitiu minha passagem. Para minha completa desolação, o lugar estava vazio. Ajoelhei-me no chão duro e, com pesar, descobri que jamais veria Katja outra vez.

O que recordo, agora, é que desde aquele dia vaguei Stuttgart sem rumo algum. Tornei-me a solidão triste e silenciosa que caminha nas sombras, de cabeça abaixada. Raramente paro para conseguir o que comer. O vazio que meus antigos companheiros deixaram em mim é imenso, mas eu sei que não é apenas isso. Trata-se de um vazio mais profundo. Um vazio que se clareia todas as vezes em ergo o braço e grito “Heil Hitler!” como um papagaio.

Quando vejo Oliver Schultz me aguardando na frente de um portão de ferro, penso estar tendo ilusões. Porém, ao me aproximar percebo que nenhuma ilusão seria capaz de ter olhos tão tristes. Ele não me dirige uma palavra. Apenas abre o portão e me faz um sinal para entrar. Quando percebo onde estou, ele desaparece, deixando-me sozinho com as lápides. São muitas, eu noto.

Escondido na sombra de um altar de anjos, há um vulto deitado sobre a neve. Me aproximo, tomando cuidado para não acordá-lo, e descubro que trata-se do mesmo judeu que eu vira semanas, na noite anterior ao dia em que a sirene tocou. A expressão do homem, antes desesperada, transformara-se na de alguém que finalmente encontrara repouso. Decido não interromper a paz de seu sono e sigo caminhando. Vez ou outra olho para alguma lápide, só para ver um nome desconhecido e me perguntar, internamente, quem fora aquele ou aquela e de que forma morrera. Muitas pessoas ainda estão lá fora, concluo, mas se tem alguma certeza na vida, é de que um dia vão entrar.

Sinto um familiar toque molhado na minha mão direita. Olho para baixo e o vejo, abandando o rabo e latindo para mim. Sorrio para Podre. Ele late de volta e sai correndo pelo cemitério. Seus gestos indicam que ele quer que eu o siga. O faço sem nenhuma hesitação.

Quando ele para, a frente de uma lápide pequena, abaixa a cabeça e toca o focinho na terra. Me aproximo e não consigo ficar chocado com que vejo escrito sobre a pedra. Katja Dummer, 1930 – 1940.

Estamos em 1942, segundo minhas contas. Passaram-se dois anos desde a última vez que nos vimos? Eu não tenho certeza, mas também não duvido. O tempo passa-se depressa o bastante para esquecer-se dele, mas não o bastante para os homens se esquecerem da guerra.

Uma mão pequena agarra meu braço direito. Viro-me para ver Katja me observando com seus olhos curiosos. Sorrio. Ela sorri de volta, segura minha mão e me guia pelo cemitério. Podre nos segue. Aquela cena me recorda do tempo em que nós três mendigávamos nas ruas de Stuttgart. Momentos felizes em tempos de guerra são tão breves como um cristal de neve pousando no nariz, mas existem.

– Desde quando você está morta? – eu pergunto.

Katja para em frente a uma lápide esquecida, sem flores ou frases de recordação. A neve acumulava-se sobre ela, mas não me impede de ver a quem pertence. Tal como antes, eu não consigo me surpreender com o nome. Bernhard Schmidt, 1911 – 1939.

– Desde o início – ela me responde.

Nos damos as mãos e vamos embora, com Podre nos seguindo. Era um longo caminho dali até o Castelo, onde passaríamos a noite e acordaríamos pela manhã, prontos para mais um dia. Antes de partir, contudo, olho em volta, para a neve que cobre todo o cemitério, e finalmente me dou conta de que não é neve, afinal. São cinzas, eu digo a mim mesmo, pela primeira vez em minha vida satisfeito com o mundo a qual eu pertenço, e estamos todos caminhando sobre elas.

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50 comentários em “Os Mortos Andam Sobre Cinzas (Pedro Viana)

  1. Frank
    15 de janeiro de 2014

    Gostei do conto e da ambientação! Boa sorte!

  2. Weslley Reis
    15 de janeiro de 2014

    Eu fiquei meio perdido numa questão já levantada, como o guarda. Há uma série de interações com as pessoas supostamente vivas que eu não compreendi. Talvez seja uma falta de entendimento da minha parte, mas acabou por não me satisfazer por completo por isso.

    Mas o conto está muito bem escrito e estruturado e merece todos os louros.

  3. Carlos Relva
    15 de janeiro de 2014

    Bom conto! Gostei da ambientação que você conseguiu mostrar com sua escrita. Também gostei do enredo. Só fiquei em dúvida a partir do guarda no abrigo. Ele também era um fantasma? Se sim, acho que seria interessante esclarecer melhor isso, pois ele via a menina e o cachorro (mortos) e as pessoas que procuravam se proteger. Um grande abraço e boa sorte!

  4. Caio
    12 de janeiro de 2014

    Olá. Eu acho que a estrutura que você escolheu ao colocar um grupo de “amigos improváveis”, “grupo de desajustados”, um deles forte, outro inocente, um corajoso e leal, sabe, tudo isso é um tipo específico de construção bem usado porque é mesmo efetivo em conectar com o leitor. Não há problema nenhum nisso, aliás, mas minha consciência desse método me fez ler tudo com uma distância quase injusta. Eu não entrei na história porque eu vi as cordinhas controlando os bonecos, se é que você me entende. É uma questão de opinião e de prioridades, mas acho textos mais efetivos quando o formato deles não segue ‘receitas’. Não achei sua história uma repetição, pra deixar claro, só a estruturação dela que sim, mesmo que tenha sido inconsciente. Espero que faça algum sentido pra você, e que ajude mais que atrapalhe. Abraços

    • Anton
      14 de janeiro de 2014

      Agradeço sua leitura e comentários, Caio. Sim, seus apontamentos fizeram sentido para mim e também ajudaram. Prometo levá-los em conta nos próximos textos.

  5. Raione
    11 de janeiro de 2014

    É interessante como o conto desenvolve o título, se desdobra a partir do título, se concentra em formar essa imagem, um mundo em ruínas povoado por espectros. “Mas o que é a vida de um boi dentro do abatedouro?” – essa frase do Schultz parece resumir o tormento dos personagens. O maneta, a menina e o cachorro são um trio bastante simpático, que desperta logo o interesse do leitor (mas tive a impressão de que esse trio não é exatamente “particular”, com características singulares, não sei se me faço entender). Está bem escrito, bem narrado, imprime melancolia à história. Mas não sei explicar por que o conto não me convenceu, apesar dos pontos positivos que ressaltei. Talvez seja porque o tema, apesar de grandioso, já está um pouco desgastado, de maneira que é difícil algum trabalho se destacar. Ou talvez tenha a ver um pouco com o ponto tocado pelo José Geraldo: apesar de alguns momentos de eloquência (de novo aquela frase “Mas o que é a vida de um boi dentro do abatedouro?”, que ainda ressoa no meu pensamento), o discurso sobre a guerra (ou sobre o mal) que subjaz ao conto me pareceu, numa leitura inicial, um lugar-comum.

    • Anton
      14 de janeiro de 2014

      Obrigado por sua leitura e apontamentos, Raione.

  6. Pedro Luna Coelho Façanha
    5 de janeiro de 2014

    Infelizmente, eu achei o final previsível e até mesmo batido. No entanto, não teve tanto peso em relação ao resto do conto, que eu achei muito bacana. Fiquei fã do cachorro. Prbs.

    • Anton
      10 de janeiro de 2014

      Agradeço sua leitura e comentários, Pedro. Que bom que gostou do Podre. Como não tenho um cachorro, resta-me ter um nas minhas histórias.

  7. Pedro Viana
    4 de janeiro de 2014

    Ambientar um conto de fantasmas na Alemanha durante a 2ª Guerra Mundial é uma sacada muito boa. Tantas mortes devem ter deixado sequelas até no mundo dos espíritos. Quanto ao conto, é um bom texto, personagens bem construídos, a narrativa flui, mas achei que o final foi mais uma retificação da proposta da história do que um final em si. De qualquer modo, parabéns!

    • Anton
      10 de janeiro de 2014

      Obrigado por sua leitura e comentários, Pedro.

  8. Ana Google
    3 de janeiro de 2014

    Bem, gostei muito do conto, mas algo nele não me comoveu por completo. Creio que seja a quantidade de spoilers desde o início. Não me incomodo com spoilers, nem com finais nem tão misteriosos, mas quando a intenção do autor é justamente dissimular o final e logo de cara ele já nos oferece pistas, aí sim fico incomodada. Acredito que a condição deles poderia ter sido um pouco dissimulada, o que não ocorreu, já que de cara dá pra perceber algo no estilo de “Os Outros”.

    Contudo, apesar da falta de uma revisão atenta, em especial quanto às vírgulas, adorei a narrativa e os personagens me cativaram por completo. Meus sinceros parabéns por eles!

    Creio que uns pequenos ajustes deixará o texto perfeito…

    Boa sorte!

    • Anton
      10 de janeiro de 2014

      Obrigado pela sua leitura, comentários e dicas, Ana. Estarei mais atento às vírgulas da próxima vez. 🙂

  9. Ledi Spenassatto
    2 de janeiro de 2014

    Fantástico!
    Desnecessário maiores explicações sobre o braço perdido ou como a menina morreu. Um conto é isso mesmo, deve exercer o fascínio no leitor e deixá-lo divagar por inúmeros nortes.

    • Anton
      10 de janeiro de 2014

      Obrigado por sua leitura e comentários, Ledi.

  10. Paula Melo
    1 de janeiro de 2014

    Esse conto mexeu comigo de uma forma que raramente acontece. Ao ler me recordei de um livro que é um dos meus favoritos.Creio que não tenho muito a dizer,somente…
    Meus Parabéns!

    • Anton
      10 de janeiro de 2014

      Muito obrigado por sua leitura e comentários, Paula. Fico extremamente satisfeito ao saber que o texto mexeu com você.

  11. Gunther Schmidt de Miranda
    31 de dezembro de 2013

    Um conto denso, pesado, com espaço e tempo. Parabéns. Boa sorte? Não precisa: já é um dos melhores!

    • Anton
      31 de dezembro de 2013

      Sou muito grato com a sua leitura e comentário, Gunther.

  12. Ricardo Gnecco Falco
    31 de dezembro de 2013

    Lembrei do primeiro “livro” que eu “fiz”, ainda no colégio, junto de um amigo. Era para a prova final de História. A professora dividiu a turma em duplas, e cada uma deveria apresentar um trabalho ao final do ano, sobre a temática das Guerras Mundiais. Fizemos um livro sobre a SS/Gestapo, que intitulamos “A Política do Ódio”.
    O “livro” era em espiral, e fartamente ilustrado, reunindo dezenas e dezenas de fotos (em P&B – Xérox de livros de bibliotecas, pois a internet ainda era discada e distante dos estudantes… rs!), que me marcaram (e a todos da turma) muito pela crueldade e pelo tamanho da capacidade da maldade humana. Pilhas de corpos esqueléticos e nus, esqueletos ainda vivos com um brilho soturno nos olhos fundos, coisas do tipo. Mas, também reunia farto material sobre os uniformes (a diferença entre os marrons, os negros…), símbolos e patentes das referidas polícias políticas nazistas. Contudo, o mais marcante eram as fotos de Hitler discursando; não as clássicas fotos dos grandes discursos com cenários teatrais de Goebbels, mas fotos do início da ascensão do “líder” do povo, falando em cafés e em locais “caseiros”, informais, para apenas algumas dezenas de pessoas (geralmente jovens)… Todos os ouvintes pareciam hipnotizados, sugados, atraídos por suas palavras. A sensação que dava era a de haver algo “sobrenatural” no cara; incrível perceber como ele tinha o aparente “dom” de atrair a atenção absoluta, mesmo!, dos (jovens) ouvintes.
    Enfim… Ler seu conto me fez “viajar” para estas imagens…
    Parabéns pela obra! E boa sorte!

    • Anton
      31 de dezembro de 2013

      Muito interessante esse seu projeto, Ricardo. Eu sou apaixonado por guerras em todos seus aspectos. Talvez, como pode notar nesse conto, prefiro ver as guerras pelos olhos das pessoas comuns. De uma maneira ou de outra, no fim, todos são afetados – e isso me inspira. Sobre as fotos que você falou, realmente é muito interessante ver Hitler discursando. Só por fotos podemos sentir a energia doentia que ele passa. Já viu as fotos de quando ele “treinava” os discursos com seu fotógrafo particular? http://www.huffingtonpost.com/2013/07/11/hitler-photos_n_3579507.html?utm_hp_ref=mostpopular

  13. Cácia Leal
    30 de dezembro de 2013

    Gostei do texto, muito criativo, mas tem alguns pontos que mereciam maior atenção. Por exemplo, a menina Katja só tem 10 anos, não saberia dizer como seus pais desapareceram. É muito jovem. Ou ainda, em determinado trecho, vc diz que o sujeito segurou Katja “com” a perna, como ele fez isso? Não entendi muito bem. Mereceria uma boa revisão de português, encontrei muitos erros. Vc escolhe muito bem as palavras e o texto está bem construído, porém, por motivos pessoais, não gosto do uso do termo “aleijado”, não apenas por ser politicamente incorreto. O fato é que, para o ambiente em que ocorre a história, até que o termo cai bem (mas não me agradou). Você escreve bem e tem muita criatividade. Parabéns.

    • Anton
      31 de dezembro de 2013

      Agradeço seus comentários e sua leitura, Cácia.

  14. charlesdias
    30 de dezembro de 2013

    A premissa do conto é interessante, mas foi mal aproveitada. De cara dá para saber que será algo no estilo de “Os Outros”. De qualquer forma a premissa é ótima e merece ser melhor trabalhada. Gostei da caracterização dos personagens e da profundidade que foi dada ao cenário, muito bom mesmo.

    A parte final do encontro com Oliver ficou muito confusa a ponto de tonar o texto até então fluido em algo meio tedioso de ler e entender.

    • Anton
      31 de dezembro de 2013

      Obrigado por sua leitura e comentários, charlesdias. Esse encontro a que você refere foi uma tremenda dor de cabeça durante a escrita. De todas as maneiras que eu tentei, sempre o resultado não ficava bom. Por fim, ao ver que faltavam 2 horas para o prazo final, desisti de deixei a versão “menos pior”.

  15. Inês Montenegro
    30 de dezembro de 2013

    Achei curioso que já são três contos que se baseiam ou referem a II Guerra Mundial (não estou a querer implicar nada com isto, realmente apenas achei uma curiosidade).
    O ambiente encontra-se muito bem conseguido, não tive qualquer dificuldade a imaginar o espaço que envolvia as personagens. O enredo é simples, basicamente expressa as ideologias e leva ao final, contudo, achei uma boa reviravolta que aquilo que à primeira vista é tomado como uma metáfora seja, na verdade, a própria realidade.
    Sobre a escrita, nada a apontar, permitiu uma leitura agradável.

    • Anton
      31 de dezembro de 2013

      Agradeço sua leitura e comentários, Inês. Infelizmente, como não li os contos do desafio antes de escrever o meu, não soube que outros já haviam usado a mesma referência. Prometo me manter atualizado da próxima vez.

  16. Leandro B.
    30 de dezembro de 2013

    Achei a narrativa do texto muito bem construída. Ainda assim, alguns detalhes me incomodaram. O mais importante já foi comentado pelos camaradas, diz respeito ao desconhecimento do nome da suástica. Talvez o autor tenha tido como objetivo mostrar que Schmidt nem sabia pelo o que lutou quando perdeu o braço, mas ficou inverossímil demais.

    Não vi muitos erros de revisão. Só lembro de ter reparado na falta de um artigo. Nada que realmente atrapalhe a leitura.

    Achei que o ponto mais dramático foi a morte do cão, o que é meio estranho quando estamos falando de uma época marcada por genocídios.

    Enfim, achei o texto bom, embora não tenha realmente me envolvido com a história. Não posso culpar o autor por isso, não sou muito fã de narrativas que remetam à Segunda Guerra, com uma ou outra exceção. A idéia de toda uma população fantasma sem conhecimento de seu estado, contudo, foi interessante.

    Bom conto, boa sorte!

    • Anton
      31 de dezembro de 2013

      Obrigado pela sua leitura e comentários, Leandro.

  17. Thata Pereira
    30 de dezembro de 2013

    ** PODE CONTER SPOILER **

    Alguns autores aqui querem me desestruturar. Completamente. Senti a influência do livro do Markus Zusak antes que a palavra Saumensch fosse entregue. É meu livro preferido. Eu tatuaria ele inteiro no corpo se isso fosse possível.

    Como disse aqui ontem, a Segunda Guerra mexe muito com o meu emocional. Isso fez com que eu não me apegasse aos errinhos, mas não me considero uma ignorante, como dito pelo José Geraldo. Sou o público desse conto e ele é lindo. Também me emocionei muito aqui.

    Esse finalzinho que ele pergunta desde quando ela está morta e ela responde “desde o início”, me arrepiou. O encontro dos três… vou parar, meus olhos estão lacrimejando de novo e eu estou no trabalho… rs’ Amei o conto!

    Boa sorte!!

    • Anton
      30 de dezembro de 2013

      O livro de Zusak é realmente muito bom, Thata, também é um de meus preferidos. Fico muito feliz que tenha gostado do conto. Obrigado.

  18. José Geraldo Gouvea (@jggouvea)
    29 de dezembro de 2013

    A história é bonita, mas algumas falhas aqui e ali impedem-na de ser plenamente convincente. Um bom exemplo é quando o personagem narrador diz não saber o nome do símbolo da cruz. Isto é algo que podemos acreditar que o autor não saiba, mas ninguém que foi adulto na Alemanha pós-1933 deixaria de saber que é a suástica. A meu ver, o autor fez esse rodeio para evitar intimidar o público ao qual se dirige, um público suficientemente ignorante de história para desconhecer o que significa suástica. Por isso, considero esse rodeio um defeito do leitor, não do autor. Infelizmente, a maioria de nossos leitores têm esse defeito.

    A questão é: devemos ter condescendência com as limitações do leitor, dando-lhe apenas aquilo que ele já sabe, exigindo dele apenas aquilo que ele já pode dar? Ou devemos forçá-lo a ir além?

    Acredito que não devemos atrofiar nossos leitores em sua zona de conforto, mas dar-lhes exercícios para que cresçam, mental e fisicamente.

    Agora, voltando a falar do conto… Existem várias formulações nele que evocam essa postura didática, comedida e absolutamente isenta de transgressões. Um bom exemplo é o personagem se apresentar explicitamente. Esta é uma “muleta” que ajuda o leitor a saber quem é o personagem sem precisar desafiar o texto para adivinhar este dado.

    Este é um texto absolutamente sem nenhuma transgressão, baseado em uma moralidade fácil, que não corre nenhum tipo de risco desnecessário. Os bons são bons, sua maldade ocasional é apenas a fraqueza. Os maus são maus, e de tão maus não são personificados.

    No fim o leitor sai dele convencido de que já sabia o que era certo e o que era bom. Não há dúvida suscitada, não há desconforto causado. O mal é apenas um fantasma morto e enterrado num passado idealizado. Nada mais conveniente que usar a Alemanha hitlerista, arquétipo do mal em si, para uma história que não questiona o mal todavia existente: o antissemitismo, o recrudescimento das ideias fascistas, o fanatismo religioso, a opressão dos povos. Muito mais seguro e incontroverso falar de um mal que já foi derrotado por milhões de toneladas de bombas.

    • Anton
      30 de dezembro de 2013

      Apesar de eu não concordar com você, José Geraldo, sou bastante grato a sua leitura e comentários. Você disse que acredita que não devemos atrofiar nossos leitores em sua zona de conforto, mas dar-lhes exercícios para que cresçam, mental e fisicamente. Não discordo, mas também não sou capaz de concordar. Teorizo que cada texto, independentemente de sua concepção, tem uma finalidade distinta. Uns emocionar, outros refletir e alguns somente entreter. E justamente por isso, se o leitor termina o conto convencido de que já sabia o que era certo e o que era bom, é porque talvez a função do texto não fosse levá-lo a questionar a onipotência da maldade e sim desviá-lo para outros fatores, como o bem derrotado e condenado a caminhar por uma terra onde a maldade ainda impera. Como disse antes, obrigado por sua crítica, embora eu não concorde plenamente com ela, prometo pensar sobre isso nos próximos textos.

  19. Gustavo Araujo
    29 de dezembro de 2013

    Este conto tem tudo o que eu aprecio em uma boa história. A começar pela atmosfera melancólica, passando pelo contexto histórico – sou vidrado em temas de II Guerra – e finalizando com a forte carga emotiva. Tudo muito bem engendrado, com personagens fortes e extremamente cativantes. Gostei muito da história em si, do liame entre os personagens e também do desvario que por vezes surge na narrativa.

    Louvo também o apurado trabalho de pesquisa do autor, que soube dar à história um pano de fundo crível e de acordo com os fatos reais. Também aponto como fator positivo a inspiração no livro do Suszak, um dos melhores do gênero.

    Os únicos trechos que não me desceram tão bem foram a alegada ignorância de Schmidt quanto à denominação da suástica – não me parece crível que um alemão desconhecesse o nome do símbolo, já que os nazistas chegaram ao poder em 1933 – e também o fato de Katja se surpreender com o fato de o judeu estar sendo perseguido – já que as campanhas antissemitas de Hitler bombardeavam a população desde a chegada dos nazistas ao Reichstag.

    De todo modo, um contaço, que certamente estará entre os meus favoritos. Parabéns ao autor. Like imediato!

    • Anton
      30 de dezembro de 2013

      Obrigado pela leitura, pelos comentários e pelos apontamentos, Gustavo.

  20. Claudia Roberta Angst - C.R.Angst
    29 de dezembro de 2013

    Gostei bastante da narrativa. A leitura não ficou cansativa apesar do tema pesado e a criancinha não poupada…rs. O final não chega a ser surpreendente, mas agrega valor ao camarote…opps… ao conto. Não sei (ou me nego a) escrever assim com base histórica – trauma de TCCs. Quanto ao braço perdido, acho que não chegou a ser um erro de continuidade – só não foi mais comentado. Só a menção ao braço direito, o que ficou.
    Parabéns ao autor. Boa sorte!

    • Anton
      29 de dezembro de 2013

      Agradeço sua leitura e comentários, Claudia. Sempre gostei de contos com base histórica, apesar de causarem uma grande dor de cabeça na hora da pesquisa e uma maior ainda se algo sai errado. Obrigado novamente.

  21. Edson Marcos
    29 de dezembro de 2013

    Gostei muito da narrativa. Apesar de o final ser previsível, o autor soube conduzir a trama. Gostei do incômodo que senti ao imaginar os fantasmas presos ao eterno ciclo de reviver as últimas experiências antes da morte. Caberia uma libertação a tão atormentadas almas, um final feliz. Boa sorte.

    • Anton
      29 de dezembro de 2013

      Obrigado por sua leitura e comentários, Edson. Sua sugestão pode funcionar muito bem. Se a guerra acaba para os vivos, por que ela não pode acabar para os mortos?

  22. Jefferson Lemos
    29 de dezembro de 2013

    Uma coisa que costuma acontecer comigo acabou de acontecer agora. Por mais que o texto não seja perfeito,se ele causa algum sentimento a mais em mim, ele se torna o melhor. E devo dizer, para mim esse foi o melhor.
    Parabéns e boa sorte, meu pódio número um é seu.

    • Anton
      29 de dezembro de 2013

      Sinto-me imensamente feliz em saber que o conto causou algum sentimento a mais em você, Jefferson. Foi o primeiro que escrevi voltado completamente para o lado emocional e, se descubro que funcionou, não posso encontrar palavras para descrever minha satisfação. Muito obrigado.

  23. Bia Machado
    28 de dezembro de 2013

    Eu gostei, lembrei um pouquinho de “A Menina que roubava livros”, mas só por uma referência mesmo. Gosto de textos que enfoquem a segunda guerra, e quanto às dúvidas históricas apontadas pelo Marcellus, seria bom verificar, mas quanto ao enredo e à narrativa, gostei muito! Parabéns!

    • Anton
      29 de dezembro de 2013

      Você acertou em lembrar de “A menina que roubava livros”, Bia, porque realmente foi um de minhas inspirações. Entreguei a resposta em “– Então fique de fora, saumensch.” e esperava realmente que alguém descobrisse. Obrigado por sua leitura e comentários.

      • Bia Machado
        29 de dezembro de 2013

        Foi exatamente nesse ponto que me veio a lembrança! =)

  24. Ryan Mso
    28 de dezembro de 2013

    Gostei do conto, tal como digo pelos colegas, tem de se fazer uma revisão aqui e ali, mas de resto, muito bom. Parabenizo ao autor.

    • Anton
      29 de dezembro de 2013

      Obrigado, Ryan, por sua leitura e comentários.

  25. Marcellus
    28 de dezembro de 2013

    >>> SPOILERS <<<

    É um bom conto, denso, pesado. Gostei do geral, mas algumas revisões menores são necessárias.

    Só uma dúvida: bombardeios a alvos civis alemães só foram autorizados em 1942 (Stuttgart entre eles). Além disso, a lápide mostra que Bernard morreu em 39. Então, na cena do bunker, só o cachorro estava vivo ou o guarda era também um fantasma?

    • Anton
      29 de dezembro de 2013

      Agradeço sua leitura e comentários, Marcellus. Respondendo suas dúvidas: levei em consideração o primeiro bombardeio realizado sobre a cidade de Stuttgart, em 25 de agosto de 1940, e presumi que este fez algumas vítimas, dentre elas a criança, mesmo que nos anos seguintes, principalmente em 1942 (ano que se passa a cena do bunker) e 1944, o número de vítimas foi maior. E, sim, só o cachorro estava vivo.

  26. Tom Lima
    28 de dezembro de 2013

    Tem um erro de continuidade (o braço perdido), que fiquei na duvida se foi proposital ou não.
    Fora isso é um bom conto.

    • Anton
      29 de dezembro de 2013

      Tom, infelizmente cometi um erro ao apagar a última fala da garota, que narraria como cada um dos personagens da história morreu – explicaria, por exemplo, o porque do braço perdido. A apaguei porque achei muito explicativa, poderia prejudicar a narrativa e quebrar o clima do final, mas agora vejo que cometi um erro, pois permiti a existência de pontas soltas. Não quero me justificar ou me redimir, apenas explicar. Agradeço sua leitura e comentário.

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Publicado às 28 de dezembro de 2013 por em Fantasmas e marcado .