EntreContos

Literatura que desafia.

Acerto de Contas (Günther Miranda)

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Por volta das onze horas da noite daquele dia, 05 de dezembro de 2013, o investigador Remo estava sozinho na 9ª Delegacia de Polícia.

Chovia muito: um rio se formou em frente da porta principal da unidade policial carregando consigo sacos de lixo, restos de comida, pedaços de madeira e outros destroços. No ar um cheiro podre.

Seus colegas policiais estavam “ilhados” durante o jantar e Remo, um afrodescendente alto e forte, ficava atônito vendo as baratas voando do segundo andar daquele prédio de fachada amarela, construído no início do século XIX.

Remo sentou-se à sua mesa, um dos poucos locais que a cachoeira formada pelas inúmeras goteiras não o atingia, iniciou o computador e, nesse momento, uma rajada de vento abriu a porta principal da delegacia. Vento este que, apesar da violência, trouxe consigo um suave aroma de rosas.

Um minuto depois, a energia caiu juntamente com um raio, seguido de um trovão que ensurdeceu o ambiente.

Apenas uma fraca luz entrava naquela velha estrutura, provinda de postes públicos distantes.

Remo muniu-se de seu celular para tentar iluminar o local.

Pensou: “Computadores de última geração e não têm um lampião!”.

Então ouviu uma voz feminina, jovem, que vinha da área de espera dos populares:

-Calma, é somente um raio…

Remo constatou que o celular não mais tinha carga e pensou: “É só o que me falta: com essa chuva, alguém querendo fazer um RO!”.

O policial ainda sentado levantou a barra das calças e começou a caminhar pelo piso encharcado com seus chinelos de borracha.

Chegou até o balcão e logo viu que a rua e cercanias não estavam iluminadas. Apenas viu um vulto debaixo da escada, sentado ao lado do bebedouro.

-Calma, policial: não vim reportar nenhum crime.

-Então está aqui se abrigando da chuva?

-Não. Apenas espero alguém.

Remo pensou: “Quem iria marcar um encontro numa delegacia debaixo dessa chuva?!”.

O investigador voltou até sua mesa, lembrou-se que havia deixado sua pistola na gaveta e colocou-a no coldre. Voltou à porta que separa a área de atendimento com a área de espera da população e trancou-a.

Naquele momento que nem uma brisa corria pela delegacia, Remo sentiu um calafrio mórbido que correu por toda sua coluna, deixando-o com os cabelos em pé.

O policial lembrou que havia uma lanterna em seu armário; foi até ele, abriu-o com dificuldade, pois parecia que o cadeado estava congelado.

Enfim, depois daquela luta entre a habilidade do policial e o mecanismo emperrado, conseguiu abrir o armário; encontrou a lanterna e voltou até o balcão.

Sentou-se, mirou no local do vulto e, ao acioná-la, a lâmpada queimou.

“Era só o que me faltava: com uma mulher estranha na delegacia e sem luz…”.

Até pensou em aproveitar-se do frio e o escuro para se aproximar da mulher solitária, mas lembrou-se de sua esposa e do pecado da fornicação, forçando-se a esquecer tal intenção.

A mesma voz voltou a falar para o policial:

-Por que quer saber quem eu sou?

Meio sem jeito, o policial respondeu, cinicamente:

-A senhora paga impostos para que eu seja curioso.

-Meu amigo, eu nunca paguei imposto de renda. Eu já disse: apenas espero alguém.

-E poderia dizer quem?

-Uma pessoa que há muito tempo não me tratou bem.

-E posso saber de quem se trata?

A voz nada respondeu.

Remo, que era evangélico fervoroso, iniciou uma oração em voz baixa: “Em nome de Jesus: teu sangue tem poder! Venha em meu socorro. Sou teu filho e servo fiel. Remeta teus anjos, sob tuas ordens em meu socorro. Desvie todo o mal de mim. Conduza-me pelos caminhos tortuosos e…”.

O policial interrompeu suas súplicas quando teve sua atenção voltada ao ver um vulto passar rapidamente por ele entrando ao pátio da delegacia.

Aquela voz exclamou:

-Fique tranquilo policial: não é nada contigo!

O fiel servidor sacou sua pistola e apontou em direção do vulto, gritando:

-Quem é você?! O que você quer?!

-Calma, Remo. Eu não quero nada de você.

Outra vez, um vulto passa rapidamente pelo policial, encaminhando-se à sala do delegado-adjunto.

A voz se pronunciou novamente:

-São apenas meus velhos amigos que procuram quem eu espero… Aliás, ele já deveria ter chegado aqui.

Remo foi tomado pelo medo: sacou e disparou sua pistola em direção da voz feminina.

Com o clarão da queima da pólvora até viu uma face jovial de uma moça, branca, cabelos loiros e encaracolados, com uma camisa branca de botões pretos, fechada até o meio do pescoço.

O cheiro do propelente balístico queimado imperou no local… O estampido ecoou pela delegacia escura e vazia…

A porta principal rangeu lentamente, sinalizando que se fechava.

O clarão da deflagração da munição chegou a cegar o policial por alguns instantes, mas a face que viu na escuridão ainda estava nítida em sua mente.

Então outra rajada de ar arrombou a porta da delegacia seguida da voz de Paulo Sérgio, que logo foi entrando na área de atendimento.

-Oh, “novinho”, tá chovendo horrores!

-Fala, Paulo. Tudo bem?

Paulo Sérgio era policial civil e atualmente aposentado; mas, apesar de ter “pendurado as chuteiras”, constantemente vinha na delegacia para tentar ajudar em algo, contar velhas histórias dos tempos da ditadura e, principalmente, passar o tempo.

Viúvo, pai de filhos que vivem distantes, não acompanhou as evoluções tecnológicas: nem telefone celular usa!

Remo:

-Fala, “cascudão”. Tava onde?

-Eu fui beber uma cerveja com uma mulher lá em Belford Roxo… Mas ela é muito chata!

-Longe de casa… (sorriu) E aí, comeu?

-Novinho, eu sou leão velho e desdentado: não mordo mais nada!

Naquele momento, Paulo já estava próximo de Remo.

Paulo exalava um cheiro de cerveja podre e carne queimada. Seu corpo pardo não refletia nenhuma luz, apenas aquele odor repugnante.

Remo mais uma vez sentiu um frio congelante, como se toda a alegria do mundo tivesse deixado de existir.

Mas perguntou ao veterano que constantemente estava em churrascos onde bebia demais.

-E como chegou aqui com essa chuva toda? Estacionou o “caidinho” onde?

-Cheguei bem… Parecia que meu carro estava voando! Ninguém na rua! E estacionei onde sempre deixo: na frente da delegacia!

Remo estranhou a resposta de Paulo. Remo sabia que as vias, principalmente nas redondezas alagavam de forma que até ônibus tinham dificuldade de trafegar. Perguntou:

-Com as poças de água que essa chuva já causou, ainda assim veio bem?

-É, vim bem.

Paulo continuou a caminhar indo ao pátio.

Remo questionou:

-E vai aonde?

-Vou ficar lá na sala da SIP (Seção de Identificação Policial). Eu gosto de ficar lá. Aquela área da delegacia me dá boas lembranças…

-Que lembranças?

Paulo parou próximo da porta que encerra a área de atendimento com o pátio e respondeu :

-De um tempo que Polícia era POLÍCIA! De um tempo que a população tinha medo da gente! A gente prendia, matava, arrebentava geral! Antigamente a gente batia primeiro e perguntava depois! O povo até atravessava a rua para nem passar perto de uma delegacia porque sabia que aqui o “pau roncava”! Hoje… Hoje nem respeito a gente tem!

-Que bom que toda essa truculência passou. Não acha?

-Esse negócio de “polícia cidadã” é papo de viadinho! Comigo é no pau! Pau-de-arara neles!

Paulo gargalhou macabramente e voltou a caminhar ao seu destino. E um cheiro forte de enxofre marcava o rastro de Paulo…

Remo ainda estava aterrorizado com as declarações do velho colega, mas sabia de outros relatos de outros veteranos como foram os anos de chumbo no mundo policial.

Mas seus pensamentos foram interrompidos quando lembrou que não ouviu barulho de carro…

Curioso, levantou-se e começou a caminhar para sair da delegacia e a primeira constatação que teve foi notar que a porta (a que dividia a área de atendimento e de espera) ainda estava trancada, como ele mesmo havia deixado.

Abriu-a, chegou até a entrada principal abrindo também aquela barreira. Olhou a área de estacionamento e, apesar da pouca luminosidade, não viu o fusca 79, azul marinho, que era de Paulo.

Perguntou-se: “Como ele chegou aqui?”.

Mas sorriu e respondeu sua própria pergunta: “Esse velho deve estar de caô pra mim…”.

Começou a voltar à área de atendimento quando ouviu um tilintar metálico.

Abaixou-se e apalpando o chão, encontrou o estojo da munição disparada.

Pegou-o e também tateando a parede onde a mulher se encontrava determinou o ponto de impacto do projétil.

Mensurou a altura do furo e deduziu que aquele projétil teria atingido o meio do peito de uma mulher de estatura mediana.

Remo bem sabia do estrago daquela munição em um corpo humano…

A luz voltou.

Continuou a verificar o local e não viu água, nem sangue, nem sujeira.

Mas seus pensamentos foram tomados de susto quando seu celular tocou.

Admirado, perguntou-se mentalmente: “Como está tocando?! Não tinha bateria?!”.

-Alô.

-Oi, Remo. Tudo bem?

Remo logo reconheceu a voz de seu colega policial, Antunes.

-Fala, Antunes. Tudo bem? Chovendo muito aí em Belford Roxo?

-Quando vai comigo “bater um tambor”? Sabe que Ogum é guerreiro e gosta do “poliça”!

Antunes não era apenas policial civil, também era pai-de-santo com um terreiro tradicional e, segundo ele, forte em uma comunidade de São Gonçalo. Desde que fizeram Academia de Polícia, Antunes sempre andou com diversas guias coloridas debaixo da camisa, sem contar a grossa corrente que suportava uma grande e pesada medalha de São Jorge.

-Eu sei, Antunes: tanto é que quando levou um tiro no peito foi Ogum que te salvou.

-Ogum é santo de lei.

-Não, a medalha que você usa é o seu segundo colete à prova de balas! Seu macumbeiro!

Remo viu um vulto correr pelo salão e logo sentiu outro arrepio.

Antunes:

-Macumbeiro não! Mais respeito ou te prendo por preconceito via telefone!

Apesar de tenso, Remo sorriu da brincadeira.

-Mas não me ligou para ir a uma solenidade em seu recinto religioso afro-brasileiro? Ou foi?

-(sorriu) Gostei do nome técnico que deu pro centro… Não…

O vulto saiu de uma sombra no teto e chegou rapidamente até uma luminária, que queimou.

Antunes continuou a falar:

-Me diz uma coisa: o inspetor Paulo Sérgio Tavares mora aí perto?

-Sim…

Um vulto brotou do chão próximo do pilar central daquele salão, subiu rapidamente por ele e parou próximo de outra luminária acesa no teto.

Ali parado, parecia fitar Remo.

Antunes:

-Tem alguma coisa estranha aí?

-Não… Mas houve alguma coisa? O velho bebeu umas a mais e bateu em alguma mulher?

O vulto deslocou-se até a luminária, que também queimou.

Remo pensou: “Eu devo estar em um pesadelo!”.

Antunes:

-Sim, ele bateu…

-Como? Em quem?

Outro vulto veio do pátio de viaturas, rastejando pelo teto rapidamente, até a última luminária.

Antunes:

-Ele bateu com o carro na Dutra e…

Um relâmpago cortou o céu sendo que seu trovão ensurdeceu tudo.

A ligação caiu.

O ambiente, frio, estava dominado pela tênue penumbra.

Uma risada jovial e macabra foi seguida de várias outras até que… Silenciaram-se.

O barulho da chuva imperou no ambiente escuro.

Remo pensou: “Isso deve ser uma brincadeira…”.

E o policial de arma em punho caminhou em direção da sala da SIP, atravessando o pátio que era castigado pela água provinda dos céus.

Teve sua atenção tomada ao ver dois faróis em frente da entrada de viatura; enfim seus colegas chegavam da janta trazendo sua refeição, naquele momento que não sabia o que mais lhe dominava: fome, frio ou medo.

Então, repentinamente, sentiu calor e uma luz o cercando.

Remo estava deitado, olhando um céu límpido, com pássaros voando.

Levantou-se e olhou para os lados: estava na delegacia.

Ouviu vozes e virou-se rapidamente: era um oficial do exército, com sua farda verde-oliva, pistola Colt 1911 em um coldre de couro preto na cintura, que abria caminho para que outros dois militares arrastassem pelos braços um corpo encapuzado.

Remo prestou atenção naquele corpo: a saia e sapatos de salto baixo, ambos pretos; pernas brancas, depiladas e bem torneadas; cabelos loiros e cacheados, mesmo parcialmente encobertos pelo capuz de lona caqui.

Mas o que mais causava espanto era a camisa branca, de botões pretos, com a gola até o meio do pescoço.

Remo pensou: “Eu já vi essa camisa.”.

O oficial gritou;

-Paulinho malvadeza! Trouxemos outra “vermelhinha” da UNE!

Um homem de cabelos castanhos, longos e encaracolados; pardo, de olhos azuis, saiu de uma sala (onde hoje é a SIP): era Paulo.

-Manda, meu bom oficial.

Todos entraram.

E Remo os seguiu, mas foi parado: não conseguia se mexer!

Então ouviu a mesma voz feminina:

-Oi, Remo. Você não vai gostar do que vai ver se entrar naquela sala.

Ele olhou para o lado e viu o rosto feminino mais lindo que já tinha visto, que continuou a falar:

-Estamos em 1968, essas instalações serviram de base do DOI/CODI… Eu era uma estudante de Filosofia e pretendia mudar o país pelas minhas palavras… Eu acreditava em Democracia…

-Quem é você?

-Beatriz… Nem mais lembro meu nome completo…

-E o que vai acontecer contigo?

-Eles irão bater muito em mim… Irão queimar meu corpo com pontas de cigarro… Vão me pendurar no “pau-de-arara”… Depois disso, irão mijar em mim, me estuprar, penetrar e perfurar meu corpo e, por fim, irão me matar… Até hoje não encontraram meu corpo…

Beatriz estalou os dedos e ambos voltaram para aquela noite chuvosa.

-Agora veja o que acontece com a alma dos impuros.

Ela apontou para a sala do SIP e os vultos que surgiam do chão transformaram-se em pequenos demônios.

Beatriz comentou:

-Esses são os recolhedores das almas do inferno.

Os servos sombrios corriam e saltavam em direção da sala e, logo em seguida, ouviam-se gritos: era Paulo.

Um clarão se fez na sala.

Beatriz:

-Acabaram de jogá-lo no fogo eterno.

A mulher olhou para o chão. Ali estava o corpo de Remo, imóvel, sendo encharcado pela água que caía.

-(assustado) Beatriz, eu morri!

-(sorriu) Ainda não… Foi apenas um raio que caiu aqui perto…

Os colegas de Remo já prestavam socorros ao corpo enquanto Beatriz falava:

-Lembre-se que você é um servidor público. Que seu patrão é o povo, não seu superior hierárquico. Que você deve lutar para proteger o povo e não contra ele. Seja um homem justo (sorriu). Encontre meu corpo para que eu possa descansar em paz.

Matéria de jornal do dia 16 de dezembro de 2013: “Mais um cemitério clandestino em Belford Roxo é encontrado por policiais civis”. A foto da matéria demonstrava Remo (sorrindo) ao lado de uma cova onde havia um esqueleto com fios de cabelos loiros, longos e encaracolados, trajando uma camisa branca, de botões pretos, com a gola até o meio do pescoço.

FIM

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25 comentários em “Acerto de Contas (Günther Miranda)

  1. Frank
    15 de janeiro de 2014

    Até o momento que o policial chegou tava tudo ótimo, isto é, muito bem escrito e trama interessante, mas depois que começou essa coisa de “ditadura militar”, “estudante de Filosofia que queria mudar o mundo”, “servidor público tem de ser bonzinho”, etc, desandou totalmente…ficou ruim mesmo.

  2. Paula Melo
    13 de janeiro de 2014

    O começo do conto estava em uma linha narrativa bem ativa,mas no decorrer foi perdendo essa linha e chegou no final me deixando um pouco frustrada.
    Mas a ideia e muito boa,gostei bastante e me cativou.

    Boa Sorte!!

  3. Leandro B.
    12 de janeiro de 2014

    Caio apontou o que mais me incomodou no texto: em alguns momentos Remo é extremamente incoerente. Há algo sinistro acontecendo na delegacia e ele simplesmente deixa tudo para lá quando um elemento novo surge.

    Não tenho nada contra histórias com morais… mas se deve tomar cuidado para não forçar muito a barra… digo, evidenciar tanto a moral a ponto de torná-la um pouco incômoda. De resto, parabenizo o autor por resgatar uma história sobre a ditadura, tema sempre muito polêmico para nós.

  4. Pedro Luna Coelho Façanha
    12 de janeiro de 2014

    Achei bacana. Só não gostei das tentativas de fazer mistério quando as coisas já estavam meio claras. Acho que pode ser melhor trabalhado. Abraços.

  5. Marcelo Porto
    12 de janeiro de 2014

    Uma excelente ideia, mas a construção não ficou boa.

    A narrativa não consgue passar a tensão necessária, a naturalidade dos diálogos em meio a uma situação como essa soaram falsos. Os personagens também não foram bem construídos, o colega pai de santo, por exemplo, poderia ser descartado sem nenhum prejuízo à história.

    Gostei muito da trama, merece uma retrabalhada

  6. Raione
    11 de janeiro de 2014

    A ideia que serve de base pro conto é muito boa, trabalhar uma história de fantasmas em cima dos crimes da ditadura, aproveitando o fato de que edificações onde ocorreram atos hediondos ainda têm um uso público, mas a execução não está à altura da ideia. Em alguns momentos a narração me pareceu ser ao mesmo tempo natural e ilógica, o que me fez pensar se tratar de um sonho. O conto se assemelha a um roteiro, inclusive no uso dos parênteses. Acho que o Gustavo definiu bem o ritmo do conto: esquemático.

  7. Pedro Viana
    4 de janeiro de 2014

    Acho que o ponto negativo do conto é a construção dos personagens que, infelizmente, não me convenceu. A história é boa, apesar de sua moral explícita no final. Infelizmente, a narração também não contribuiu. Parabéns, de qualquer modo.

  8. Tom Lima
    2 de janeiro de 2014

    Uma boa ideia que merece um tratamento melhor.

    Quando a mulher aparece pela primeira vez imaginei que fosse uma Maria Padilha. Quando o pai de santo policial apareceu tive certeza.

    Mas eu estava errado, infelizmente.

    Boa sorte para o autor.

  9. Ricardo Gnecco Falco
    31 de dezembro de 2013

    Não me identifiquei com a história, nem com o ritmo da narrativa. De qualquer forma, desejo boa sorte ao autor.

  10. Bia Machado
    30 de dezembro de 2013

    Eu gosto de parágrafos curtos quando deixam o texto mais dinâmico. Pra mim, não foi isso o que aconteceu. Conforme fui lendo, a coisa foi ficando mais devagar, e o ânimo do início do conto foi se perdendo pra mim… De mais positivo eu destaco a boa caracterização, tanto do ambiente como dos personagens. Boa sorte!

  11. Gustavo Araujo
    29 de dezembro de 2013

    De positivo a história tem a imersão nos devaneios de Remo. Realmente, não dá para dizer se é sonho, se ele está morto desde o início ou se é simplesmente louco. Como pontos a serem aperfeiçoados sugiro atenção ao tom um tanto moralista do enredo e também o ritmo por vezes esquemático demais. De todo modo, uma boa ideia que merece ser trabalhada.

  12. Ryan Mso
    28 de dezembro de 2013

    Achei bom o texto, com potencial, mas concordando com um colega (não lembro qual comentário foi), a questão dos parágrafos tem de ser revista, e alguns outros erros, porém, como eu disse, tem potencial.

    Parabéns ao autor.

  13. Caio
    28 de dezembro de 2013

    Olá. Apesar de mostrar que tem habilidade, fiquei questionando o seu bom senso. Ele acabou de atirar em alguém, entra um amigo e ele muda de assunto e para de pensar completamente no que acontecia antes? O mesmo acontece depois cada vez que outro amigo dele aparecia, o assunto anterior é completamente ignorado… E aí um sujeito liga pra ele, sabendo que um amigo comum dos dois acabou de morrer, e em vez de falar sobre isso ele entra em amenidades e brincadeiras, achei bastante destoante.

    Mas longe deu ter achado ruim, o tema e a mensagem do conto são bem legais. Acho que falta organização na sua escrita. O personagem, por exemplo, só aparece como religioso em duas instâncias. Acho que você devia ter construído isso de um jeito que no texto todo a gente notasse que ele segue a moral dele, porque eu fiquei pensando “da onde veio isso?” quando ele de repente fala do ‘pecado da fornicação’. Depois ele diz “E aí, comeu?” como se fosse problema nenhum homem casado trair a esposa. Pode ser coisa minha, mas achei mal construída essa personalidade.

    E, numa boa, a descrição do esqueleto no último parágrafo… você narra como se fosse um final feliz… não é! Ela morreu, torturada… ele não devia estar sorrindo ao lado da cova, o esqueleto não devia ter cabelos ”loiros, longos e encaracolados”, devia ser um esqueleto, podre, carcomido, enfim, morto. Achei, de novo, falta de bom senso. Pareceu uma tentativa de dar um fim hollywoodiano prum texto que passa muito longe disso.

    Acho que você podia melhorar só de ler mais e com mais atenção. Vai perceber como os autores ligam os eventos e não ignoram o passado de uma hora pra outra, e como eles passam as mensagens com mais sutileza do que você fez, também.

    Mas não achei ruim mesmo, só vi esses buracos na construção do conto, e acho que é pertinente apontá-los. Espero que ajude mais que atrapalhe, abraços

  14. Inês Montenegro
    27 de dezembro de 2013

    Achei estranho o quase esquecimento dele da mulher aquando a entrada de Paulo, e o facto de só neste momento ele compreender o verdadeiro carácter do ex-colega é demasiado conveniente. O final também me pareceu um pouco corrido, e o discurso dela, por mais que concorde, tem um tom de moral que quando atirado com tanta evidência contra o leitor, me deixa sempre com um pé atrás.
    A ideia é boa, e o geral da prossecução encontra-se bem conseguida. Ao início estranhei os verbos das acções entre parentesis, mas acabei por gostar. Funciona dentro da narrativa do conto.

  15. Marcellus
    25 de dezembro de 2013

    >>> SPOILERS <<<

    O texto tem potencial, mas precisa de alguma revisão ("vinha na delegacia", por exemplo). Algumas partes não se encaixaram: o medo repentino da "moça no escuro"; o policial que entre na delegacia logo após os disparos e ambos agem como se nada tivesse acontecido.

    Mas o conto tem potencial. Boa sorte!

  16. bellatrizfernandes
    25 de dezembro de 2013

    O começo do conto estava bom, mas o fim pareceu corrido, talvez até um pouco desnecessário.
    Eu com certeza leria um livro sobre isso: Adoro questões da ditadura. E fantasmas.
    Acho que o único problema do estilo do autor são as vezes que a narrativa tangencia o texto dramático. (Mostrando apenas quem fala ou colocando entre parênteses uma emoção como uma rubrica). Cuidado! São dois gêneros literários diferentes!

  17. Weslley Reis
    24 de dezembro de 2013

    A ideia foi ótima. Antes de chegar ao final estava meio perdido, sem entender muito bem do que a história se tratava.

    Recorreu a um tema político, o que me agrada bastante. O meu único problema foi o excesso de parágrafos e o diálogo no telefone, o qual, eu acabei me perdendo um pouco.

    Mas num geral, parabéns ao autor.

  18. Ana Google
    24 de dezembro de 2013

    Gostei bastante da história, parabéns! De inicío, fiquei com a impressão de ser um texto do desafio “noir” aproveitado, mas logo vi que o conto tem potencial…

    Atenção na passagem: “alguém querendo fazer um RO”, o correto seria B.O. (Boletim de Ocorrência), dentro do contexto. Outro erro notável é o uso excessivo de parágrafos. Isso “quebra” o raciocínio do leitor, já que o ideal é separar os parágrafos por ideias. Nessa passagem: “Remo sorriu da brincadeira”, o ideal seria rir. Rimos de algo, mas sorrimos PARA algo.

    Parabéns mais uma vez e boa sorte!

    • Gunther Schmidt de Miranda
      27 de dezembro de 2013

      No Estado do Rio de Janeiro, a Polícia Civil confecciona “Registro de Ocorrência” e não “Boletim de Ocorrência” como nos demais estados da União.

      • Ana Google
        2 de janeiro de 2014

        Está errado, em Minas é apenas BO, e é o termo usado também em leis federais. Mas se no Estado do Rio é RO pra mim é novidade. Pra mim, RO é simplesmente um registro pela internet. Dá uma olhada aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/Boletim_de_ocorr%C3%AAncia
        Mas se no RJ utiliza essa terminologia, pra mim é coisa nova e valeu pela informação!
        Abrax!

  19. Thata Pereira
    24 de dezembro de 2013

    ** SPOILER **

    Gostei muito do conto! Principalmente do quanto é dinâmico. Li logo, entendendo perfeitamente a história e sem precisar voltar a leitura.

    Só não gostei de duas partes. Depois que Remo atira em direção da moça e Paulo aparece, ele simplesmente se esquece da mulher. Isso soou pouco provável para mim. É claro, ele volta a recordar, mas eu, no lugar dele, ficaria um pouco “desesperada”, ele estava calmo demais.

    A segunda parte é quando Paulo é mandado para o “fogo eterno” e Remo se encontra no chão. Demorei entender que o clarão era de um raio caído ali perto. Esse pedacinho poderia ser melhor desenvolvido.

    No restante, gostei muito!
    Boa Sorte!

  20. Claudia Roberta Angst - C.R.Angst
    23 de dezembro de 2013

    Tem espaço e tempo bem definidos, aliás apresenta data completa no começo e outra no final. Gunther vai ficar muito satisfeito, caso não seja o próprio autor.
    Fui muito (bem) envolvida com a narrativa com boas caracterizações, linguagem certinha, elementos que prendem a atenção – a moça misteriosa na delegacia chegou na hora certa da trama. Depois achei que o ritmo foi perdendo a força ou eu fui ficando com preguiça de ler.
    Gosto das frases e dos parágrafos curtos. Parece que limpam a leitura e fica mais fácil até mesmo para captar as ideias do autor.
    Em resumo, conto bem escrito, ideia bem desenvolvida, mas eu optaria por um caminho mais breve. Boa sorte.

  21. Gunther Schmidt de Miranda
    23 de dezembro de 2013

    Enfim um texto com local (Brasil, na Cidade Maravilhosa) e tempo (inclusive presente)! Um texto com mais de um fantasma, cada qual preso nesse mundo por um motivo diferente! Personagens brasileiros (sem Lucy ou John)! Muitos calafrios (sem nenhum dos fantas com problemas de foniaaaa…). Sem uma gota de sangue. Poderia se alongar um pouco mais… Mas devido há capacidade máxima exigida do concurso, acredito que o escritor ficou com medo de exprapolar o infinito. Gostei muito!

    • Gunther Schmidt de Miranda
      24 de dezembro de 2013

      Relendo a observação acima não me resta outra ação que pedir desculpas por tamanha grosseria por mim feita. Quando elogio um texto, acabo por negativar outros tantos… Não posso ser tão contundente contra tantos e, assim sendo, somente me resta pedir perdão a tantos escritores pelos comentários maldosos por mim postados. Quanto a este, reforço as palavras acima.

  22. Jefferson Lemos
    23 de dezembro de 2013

    Gostei muito até o momento em que ele estava sendo assombrado na delegacia, mas depois dessa parte, acho que enfraqueceu um pouco a trama.
    Se continuasse naquele ton, poderia ter sido muito melhor!
    De qualquer forma, meus parabéns e boa sorte!

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Publicado às 23 de dezembro de 2013 por em Fantasmas e marcado .