EntreContos

Detox Literário.

A Loucura (Diego Luccas Barbosa)

Joe levantou-se da cama com as mãos tremulas e o suor escorrendo pela testa. Há alguns dias que não conseguia dormir. Dirigindo-se até o pequeno criado mudo ao lado de sua cama, apanhou um frasco com comprimidos azuis e ingeriu dois, tomando um copo de água. Logo depois, o rapaz deitou-se na cama e ficou encarando o teto, assistindo as sombras dançantes se moverem sem parar devido a luz dos faróis dos carros que batiam contra a janela. Seu corpo paralisou por alguns segundos quando algo começou a andar sorrateiramente no sótão da casa, “Malditos ratos!”.

No dia seguinte, no escritório, ele olhava a tela do monitor com os olhos pesados e ardentes. Todos os sons das pessoas ao redor conversando e dos dedos digitando, pareciam estar à milhas de distancia. Como sinais de uma noite mal dormida, sua roupa estava amarrotada e seu cabelo todo desgrenhando.
-Joe! – o rapaz sobressaltou-se saindo abruptamente de seu estado letárgico, e bateu os joelhos embaixo da mesa fazendo a xícara de chá tremer.
-Puta que pariu Jeane! Por que você sempre faz isso quando vem falar comigo!? – Em frente a sua mesa estava uma garota de cabelos azuis, com um forte batom vermelho nos lábios, vestindo um conjunto preto e, nas mãos apoiadas no monitor, muitos anéis nos longos dedos de unhas com esmalte preto. De fato, era uma garota bem esquisita.
-Não dormiu a noite de novo, querido? – Disse ela com um sorriso dissimulado.
-Não!
-E por quê?
-Você já sabe o motivo!
Jeane levantou a cabeça e começou a olhar ao redor vagamente, enquanto assoviava.
-Não! Não é isso! – Joe irritou-se repentinamente. – Se você acredita nessas coisas, o problema é seu! Já eu sei que meu problema é insônia!
-Há quanto tempo você vem tomando esses remédios sem obter nenhum resultado. – O olhar da garota tornou-se duro. – Por mais que você diga que é apenas insônia, acredito que não esteja tão certo disso. – Joe levantou os olhos e encarou Jeane com uma expressão confusa e atenta, pois ela tinha razão no que dizia. Percebendo a mudança no semblante do rapaz, Jeane conclui seu discurso, com um ar triunfante. – Você sabe, eu posso te ajudar! – Crendo que não tinha nada a perder aceitando o tipo de ajuda que Jeane lhe oferecia, o rapaz apenas assentiu com a cabeça.
No decorrer do dia, Joe sentiu o cansaço físico e mental aumentar. Era como se seu corpo estivesse no automático e, ele visse a si mesmo digitando, atendendo telefones e seguindo toda a rotina do escritório. Essa sensação extracorpórea durou até o fim do expediente. Quando se levantou da cadeira, viu que Jeane já o esperava como haviam combinado, para determinar como ela lhe ajudaria com seu problema.

Quando a noite desceu sobre a cidade, ela já estava na porta de Joe, e trazia em suas mãos uma pequena câmera. Antes de o rapaz questionar o objeto, ela se adiantou e explicou que normalmente entidades espirituais dão as caras nesses aparelhos mundanos.
-Certo. – diz ele com um riso debochado. – Vamos ver esses “fantasmas” então.
-Seu ceticismo me assusta. – A garota seguiu logo atrás de Joe, ao longo do corredor, até a porta de seu quarto, enquanto explicava que as entidades concentram-se em um cômodo especifico da casa, porém não as impedem de circular por outros locais. Ao chegar no cômodo, o rapaz abriu a porta e, com certeza não viu o mesmo que a garota, pois, se assim fosse, provavelmente sentiria uma forte náusea lhe acertando como um soco no estomago, ao mesmo tempo que sua cabeça começaria a girar; tal como ocorreu com Jeane. O rapaz colocou as mãos em seu ombro e perguntou o que estava havendo. Nesse momento, Jeane desabou no chão e caiu de joelhos, com lagrimas escorrendo dos olhos e soluçando sem parar. Ela virou-se para Joe com os olhos suplicantes, olhos que não eram dela.
-Me ajuda!- A voz que saiu de seus lábios era de uma criança amedrontada. Aquilo fez um frio percorrer a espinha de Joe, que se agachou ao seu lado.
-Droga Jeane! O que esta havendo!? – Medo é o que ele sentia no momento, e isso o deixava frustrado. Logo depois que questionou o comportamento da garota, uma pausa silenciosa instalou-se entre os dois para, em seguida, um grito terrível e desesperado, sair da boca de Jeane. O rapaz caiu sentado no chão e viu quando ela tombou para o lado, inconsciente, e a câmera voou de sua mão como se tivesse sido atirada propositalmente.

Jeane acordou de repente, com os olhos arregalados e respirando profundamente. Seus cabelos estavam colados na testa molhada de suor.
-O que houve? – Joe perguntou objetivamente.
-Me responde… – Tentando controlar a respiração ela continua. – O que você viu quando abriu a porta?
-Meu quarto. – Ao ouvir a resposta, ela apenas assentiu.
-Joe, tem mais de uma entidade ali. O que eu vi e senti ali, era desespero, medo, dor, pavor, e uma presença extremamente maligna.
-E o que isso significa? – Os pensamentos do rapaz estavam divididos, uma parte recusava-se a acreditar naquilo, outra temia profundamente que fosse verdade.
-Significa… – Ela sentou-se no sofá. – Que ou algo de muito ruim aconteceu aqui, pois normalmente, quando alguém morre, ainda ligado de algum modo com o mundo dos vivos, a alma dessa pessoa permanece no mesmo local, por muito tempo. – Joe escutava atentamente. – Ou então, alguém fez um tipo de trabalho, mas as chances da segunda possibilidade ser real são remotas.
-Não que eu acredito nas coisas que você diz, mas o que você sugere? Que eu me mude?
-Antes de tudo, temos de ter certeza do que esta havendo. Apenas para desencargo de consciência, me diz qual o nome da imobiliária que você alugou esta casa.

Naquela noite, Joe não conseguiu dormir novamente, em partes pela insônia, e em partes pelo que acreditava ser um rato, que andava sobre o sótão da casa. O barulho repugnante havia aumentado consideravelmente. Quando o som parecia algo martelando sua cabeça, ele se enfureceu, correu até o corredor, e puxou do teto a porta que dava acesso ao sótão. Munido de uma lanterna, subiu a escada e colocou apenas metade do corpo para dentro da entrada. Pela luz amarelada do objeto, tudo parecia sinistro, porém, não havia nada ali, apenas algumas teias de aranha, um cheiro de mofo, porém nada de ratos. E o barulho só retornou quando Joe deitou-se novamente.

-Como foi sua noite? – Jeane perguntou bebia seu café.
Enquanto a fumaça do liquido quente pairava entre eles, Joe nem se deu o trabalho de responder; simplesmente levou as duas mãos até as têmporas e pressionou-as com força, fechando os olhos. Àquela hora da manhã, a cidade ainda estava acordando em uma bela manhã de verão, com os raios de sol atravessando a janela de vidro frontal do estabelecimento.
-Ratos! Malditos ratos! – Enquanto Joe resmungava, a garota olhava-o atentamente.
-Ratos?
-Sim, no sótão! Todos os dias eles ficam andando e não me deixam dormir! – disse o rapaz tomando um longo gole de seu suco de laranja.
-Você tem certeza que são ratos? – Ao ouvir a pergunta, Joe a olhou com curiosidade e negou com a cabeça dizendo:
-Não os vi, mas ouvi. Eu subi até o sótão para procura-los, mas não tinha nada lá.
-Olha – Jeane depositou o recipiente cheio de café sobre a mesa calmamente, como se preparasse um discurso em sua mente. – Quando entidades estão em uma casa… – percebendo o olhar de deboche de Joe ela falou com rigidez. – É serio! Esse tipo de evento tem três estágios; o primeiro é a infestação, quando o ser sobrenatural começa a manifestar-se através de luzes oscilantes, objetos caindo e sons estranhos, no segundo estágio ocorrem aparições…
-E o terceiro? – Até mesmo Joe surpreendeu-se com a curiosidade com que perguntou isto.
-Bom, o terceiro seria a possessão, porém isso acontece apenas em casos de negligencia de quem mora no local, e também depende das intenções da entidade.
-Não que eu acredito no que você esta dizendo, mas então os barulhos de ratos no sótão não seriam ratos, é isso? – A garota afirmou com a cabeça.
-Alias, eu preciso mostrar algo. – Ela colocou sua bolsa sobre as pernas e começou a procurar algo. Quando finalmente achou, retirou o objeto da bolsa e o estendeu para Joe, era a câmera. – Da uma olhada no que foi gravado naquela noite no seu quarto.
O rapaz pegou o aparelho e começou a assistir ao vídeo. A imagem estava tremula e filmava seu quarto, ao fundo as vozes de Joe e Jeane podiam ser ouvidas. Alguns segundos depois, a câmera desceu bruscamente, mas não foi ao chão e um barulho de choro começou, era Jeane. Quando olhava para o fundo do quarto, uma espécie de escuridão sombria surgiu e uma forma impossível de identificar precipitou-se contra a porta: Nesse momento a visão do aparelho começou a rodopiar e o vídeo acabou ali. Joe sabia que isso foi quando a câmera voou repentinamente da mão de Jeane. Assim que o vídeo terminou, ele sentiu um tremor percorrer todo seu corpo, imaginando que uma coisa obscura daquelas habitava seu quarto.
-Que porcaria é essa? – disse ele indignado, soltando a câmera na mesa como se estivesse quente.
-É o que você viu. De fato, tem alguma coisa acontecendo ali.

Mesmo com todos os eventos ocorridos, Joe não conseguia aceitar que se tratava de algo sobrenatural, pois nem em Deus ele acreditava. “Com certeza no sótão são ratos.”, pensava ele toda vez que se lembrava dos sons estranhos que ouvia já há alguns dias. Divagando sobre o assunto com seus pensamentos confusos, ao chegar à frente de sua casa, ele a olhou e sentiu um medo estranho, uma tensão que parecia sufocante. Essas sensações aumentaram quando entrou, e a primeira coisa que percebeu foi o barulho; estava mais alto que antes, pois nos dias anteriores apenas dava para ouvi-lo do quarto, agora parecia tomar a casa toda. Tentando ignora-lo, Joe tomou um banho e foi se deitar. Durante a madrugada, ele assistia a um programa de entrevistas quando o som vindo do teto começou aumentar rapidamente, parecendo uma bomba prestes a explodir. Sua pulsação havia acelerado no mesmo ritmo, pois a tensão estava lhe oprimindo violentamente, quando, de repente a imagem da televisão desapareceu dando lugar a chuviscos cinzentos, como se o canal estivesse fora do ar e o som transformou-se apenas em um chiado forte. Quando se deu conta do que havia acontecido, olhou para o aparelho a tempo de ver sua tela rachar ao meio, de cima a baixo. Joe levantou-se bruscamente da cama, quando sentiu seu sangue congelar nas veias; pelas suas costas, o rapaz sentiu uma presença terrível, seguida de uma gargalhada maléfica que fez suas pernas ficarem tremulas. A porta do seu quarto, que estava fechada até aquele momento, foi escancarada com tanta força por algo invisível, que quando a maçaneta bateu na parede, varias cascas de tintas saltaram em direção ao chão. E o barulho não havia cessado.

Na manhã seguinte, com os olhos pesados e sentindo-se extremamente cansado, o rapaz viu Jeane se aproximando através de sua visão periférica, que focalizava o monitor. Joe estava exausto até mesmo para virar o pescoço. De repente, uma mão com dedos longos e esmalte vermelho surgiu entre seu rosto e a tela luminosa segurando alguns papéis com textos. – Encontrei informações bem interessantes sobre a imobiliária que alugou a casa. – Ela puxa uma cadeira e sentou-se ao seu lado. Sem esperar que Joe pergunta-se a respeito do que se tratava aquilo, a garota começou a falar. – São reclamações de pessoas que alugaram ou compraram casas com essa empresa; todas reclamam de barulhos estranhos, aparições e objetos que caem sem motivo. Elas mostram-se revoltadas por serem obrigadas a vender o imóvel ou reincidir o contrato do aluguel pelo fato da casa ser mal-assombrada. Infelizmente não se pode ir até as autoridades e dizer que quer uma indenização por ter fantasmas em sua casa, porém, descobri que essa empresa tem milhares de processos que foram parar na gaveta por conta dos motivos serem piada para muitos.
-Então suponho que devo sair de lá…
-Espera, ainda tem mais. – Ela diminuiu o tom da sua voz e falou de modo aparentemente preocupado. – Acreditei que o mais correto seria tentar contato com essas pessoas, e foi o que fiz, mas não foi possível. Todas elas, pelo menos as que eu vi reclamando na internet, haviam morrido. – Joe olhou para ela espantado. – E o mais curioso é o modo como isso ocorreu; todas cometeram suicídio. Pesquisando mais a fundo, encontrei informações de duas ou três vitimas, dizendo que antes de se matarem, haviam surtado.
-Fez a lição de casa! – disse Joe de modo extrovertido, não naturalmente, mas para disfarçar o nervosismo. – Irei perguntar novamente, você acha que eu devo sair de lá?
-Para quem não acreditava no sobrenatural você esta parecendo muito preocupado, houve alguma coisa? – Jeane perguntou olhando-o com curiosidade.
Joe relatou o que havia ocorrido na noite anterior, esforçando-se ao máximo para não demonstrar como estava apavorado com toda aquela situação. Quando terminou de contar tudo, nos seus olhos Jeane percebeu o medo que tinha se apoderado dele.
-Olha, pela experiência que eu tenho nesses assuntos, e de acordo com as informações que consegui sobre os antigos clientes, você não deve de maneira nenhuma sair de lá agora. – Enquanto Jeane falava Joe lia, horrorizado, os papéis. – Em um caso desses, as opções são poucas, e arriscadas, ainda mais por parecer algo que teve interferência humana. – Ela tocou o ombro de Joe e advertiu. – Agora presta bem atenção no que vamos fazer, lembrando que isso é extremamente perigoso, porém acredito que não tenha outro jeito…

Na hora marcada a garota estava na porta de Joe. A noite estava bem agradável com um calor reconfortante. Apesar de estar esperando-a, o rapaz se assustou quando ouviu Jeane apertar a campainha, pois tudo lhe alarmava; o barulho do vento, do relógio, o som dos seus próprios passos e até mesmo sua sombra. Os “ratos” ainda continuavam lá, aumentando e diminuindo o volume sem seguir um padrão. Ao abrir a porta, viu Jeane, vestindo uma jaqueta grossa, apesar de estarem no verão. Ela trazia em uma das mãos um pequeno saco plástico, cheio de algo que aparentava ser sal. Seu batom era preto, que entrava em contraste com seu rosto branco, dando um ar fantasmagórico ao semblante, e a luz do poste reluzia no azul forte do seu cabelo.
-Por que a jaqueta? – disse Joe afastando-se para que ela pudesse entrar.
-Tenho quase certeza que seu quarto estará parecendo uma câmara fria. – Jeane entrou e sentou-se no sofá. O rapaz não questionou mais a vestimenta dela, e perguntou sobre o pó branco que ela trouxe, pois a garota não havia mencionado isso quando eles estavam planejando o que fazer.
-É sal. Uma das maneiras de entrar em contato com o mundo espiritual, quer dizer, a mais fácil. – disse Jeane enquanto encarava o teto, prestando atenção no barulho que chamou sua atenção. – De maneira nenhuma isso são ratos. E realmente as coisas estão tensas por aqui; até mesmo quem não tem um sentido aguçado para o paranormal poderia sentir essa pressão. – Joe assentiu, confirmando que ele também estava sentindo algo pesado no ar.
-Antes de iniciarmos o ritual, preciso ressaltar algumas coisas importantes. – Enquanto falava, ela tirou um canivete do bolso interior de sua jaqueta. Joe seguiu o objeto metálico com os olhos. – Se algum pensamento obscuro ou sem sentido passar pela sua mente, afaste-o o mais rápido possível, pois não sabemos as intenções “dele”, nem como age. – Joe novamente concordou, sem questionar.
-O máximo que aguento, servindo como receptáculo, é de apenas alguns segundos. Por isso, se eu não voltar dentro desse tempo, saia dali imediatamente.
-O que isso quer dizer?
-Que se o período que a coisa estiver em mim, durar mais tempo que isso, quer dizer que já não estou mais no controle da situação, ou do meu próprio corpo. – O rapaz sentiu sua garganta secar ao ouvir essas palavras. – E um dos pontos mais importantes; não demonstre medo, apesar de que seja provável que “ele” enxergue o que você pensa.
Caminhando até o quarto, seguida por Joe, Jeane encarou a porta e a percebeu de um modo sombrio, como se aquele simples objeto de madeira transmitisse um mau agouro. Ao tocar a maçaneta, a garota sentiu um buraco abrindo em seu peito e, uma melancolia lhe atingiu como uma onda forte, porém, ela já estava acostumada com esses sentimentos quando tinha contato com espíritos malignos.
-Droga! – Exclamou Joe, cruzando os braços e começando a tremer, quando um ar gélido atingiu seu corpo.
A garota entrou no quarto, levou um dos dedos da mão que segurava o sal até o interruptor e acendeu a luz. Logo em seguida, ela dirigiu-se até o centro do cômodo e agachou-se. Joe observava em pé, ao lado da cama, quando a garota levou a lamina do canivete até a palma da própria mão e pressionou-a até uma linha de sangue brotar, banhando toda a extensão do objeto metálico.
-Sabe qual é o problema do mundo? – começou a falar, enquanto desenhava no chão, com o canivete, varias linhas cruzando-se entre si. – A ganancia, a sede por dinheiro e poder. – Sem tirar os olhos do que estava fazendo, ela concluiu o símbolo fazendo um circulo em volta dos traços, que rapidamente Joe percebeu ser um pentagrama.
-Quando se acha que não há mais nada a fazer, nenhum outro modo egoísta de lucrar, esses malditos seres humanos apelam para o sobrenatural! – A garota continuou seu monologo enquanto contornava todas as linhas riscadas no chão com o sal. Ao terminar, ela levantou-se e vociferou como se estivesse pensando alto. – Desgraçados! – Logo depois tirou os sapatos e meias, pisando descalça com os dois pés no centro do símbolo. Joe viu que a garota tinha uma tatuagem do Olho de Hórus no peito do pé direito.
-Agora… – disse Jeane fechando os olhos, atirando o canivete para baixo da cama, e relaxando os braços ao lado do corpo. – Faça o que combinamos. – Sua mão cortada ainda deixava pingar pequenas gotas de sangue no chão.
Joe postou-se em frente Jeane e esperou, com seu coração aumentando os batimentos rapidamente. Segundos depois, sentiu a gravidade aumentar repentinamente e as luzes oscilaram; seus joelhos flexionaram-se e o rapaz quase foi chão. Quando olhou novamente para o rosto de Jeane, em meio aos cabelos azuis, viu os olhos de outra pessoa; negros e profundos, cheios de ódio. Instantaneamente, pegar o canivete embaixo da cama e cortar a própria garganta lhe pareceu uma ideia boa, porém, nesse momento o rapaz lembrou-se do alerta sobre pensamentos obscuros e sem sentido. “Droga! o nome, o nome…”
-Quem é você? – Sua voz estava tremula.
-Aslam. – Dos lábios delicados de Jeane, uma voz grossa e reverberante saiu, seguido de um sorriso maldoso.
-E o que quer aqui? – Tentando controlar o timbre de sua voz, Joe conseguiu pronunciar a frase com mais firmeza do que a anterior.
-Morte! – Disse “ele” de modo que sua voz assemelhou-se com um rosnado de um animal raivoso. “Já se passou mais que alguns segundos”. Sentindo seu corpo pesado como chumbo ele tentou afastar-se de costas, indo em direção a saída do quarto, quando ouviu a porta batendo violentamente atrás dele, trancando-o lá dentro. Uma ponta de esperança lhe ocorreu quando lembrou que aquele símbolo no chão, servia para que a entidade não pudesse sair do lugar, tal como Jeane havia dito. Porém, esse pensamento logo se desfez quando viu o pé de Jeane arrastando-se para fora do circulo. Antes mesmo de pensar em qualquer saída, viu a palma da mão de Jeane levantada em sua direção e, ao olhar para o rosto maligno da entidade, sentiu um força invisível e brutal lhe atirando quarto a fora, fazendo com que a porta partisse ao meio e seu corpo fosse diretamente de encontro com a parede do corredor. Imediatamente, apenas com o pensamento de fugir dali, Joe levantou-se, acreditando ter saído ileso do golpe, e correu até a porta da entrada da casa. Chegando lá, abriu-a bruscamente e se lançou para fora, mergulhando em uma escuridão profunda que no mesmo segundo transformou-se no interior de sua casa. Nesse momento, a lembrança das palavras de Jeane petrificou seu corpo de pavor, “quando alguém morre ainda ligado de algum modo com o mundo dos vivos, a alma dessa pessoa permanece no mesmo local, por muito tempo.”.

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29 comentários em “A Loucura (Diego Luccas Barbosa)

  1. Frank
    15 de janeiro de 2014

    Achei muito longo e pouco inovador, infelizmente.

  2. Leandro B.
    14 de janeiro de 2014

    Não gostei muito. Não tenho nada contra o uso de elementos tradicionais em histórias de terror, mas usá-los praticamente do mesmo jeito…

    Além disso, há um tom um pouco… sei lá, estadunidense que eu removeria. Veja bem, não é errado escrever um conto que se passa nos E.U.A., mas da forma como está parece que os personagens são ianques, que a casa é ianque e que, principalmente, o texto foi escrito para ianques, entende? Os elementos que você utilizou são típicos dos filmes norte-americanos do mesmo tema. Está lá o cético, a médium, a câmera, o vulto…

    O estranho é que eu achei a escrita boa, mesmo com esses apontamentos. Sei lá, eu gostaria de ver o(a) autor(a) saindo um pouco do seu lugar comum, arriscando uma história mais diferente. É notório que tem capacidade para isso.
    Enfim.
    Boa sorte.

  3. Cácia Leal
    14 de janeiro de 2014

    O conto não me agradou muito. Há muitos clichês, assemelhando-se muito a “Supernatural” (a série). Mas boa sorte ao autor.

  4. Paula Melo
    13 de janeiro de 2014

    Tem potencial se analisado alguns pontos e modificados.
    Confesso que foi uma historia que não me afeiçoou muito,mas espero que os colegas gostem.

    Bos Sorte!

  5. Pedro Luna Coelho Façanha
    13 de janeiro de 2014

    Texto cheio dos elementos clássicos do terror..mas que aqui soaram como clichês. Infelizmente.

  6. Marcelo Porto
    11 de janeiro de 2014

    Looongo demais!

    Que diabos esse Joe tem na mente? E a exorcista de plantão?

    Gostei do clima, o autor conseguiu me fazer lê até o final. Mas os personagens e a trama estão muito rasos, o vai e vem torna a leitura cansativa, os “ratos do porão” deveriam se resumir ao primeiro parágrafo, mas foi até o final, até depois que o cara já sabia que a casa estava assombrada.

    O fantasmão é o padrão “maligno sem causa, com gargalhadas arrepiantes”.

    No final das contas, gostei de ler. Mas uma enxugada e um aprofundamento nas motivações dos personagens fariam muito bem a essa história.

  7. Pedro Viana
    3 de janeiro de 2014

    O conto causa uma sensação muito desconfortante por ter mais clichês do que eu gostaria. Os parágrafos são cansativos e, como foi dito pelos colegas, seria aconselhável deixar o conto de lado para uma futura revisão. Gosto de cenários clichês, então adorei a descrição da casa com o sótão e seus “malditos ratos”.

  8. Gustavo Araujo
    2 de janeiro de 2014

    O conto é uma coletânea dos clichês mais surrados do cinema. Não que isso seja ruim. Poderia funcionar se tudo fosse amarrado direitinho. Isso, porém, jamais aconteceu. Não está de todo ruim, veja bem, mas creio que faltou um aprofundamento melhor nos personagens e mais ousadia na história, para fugir desse lugar comum. Para piorar, o texto sofre com erros terríveis. Em suma, um texto fraco.

  9. Tom Lima
    2 de janeiro de 2014

    O título chamou minha atenção, mas o texto decepcionou.

    Acho que criei muitas expectativas com o título.

    Achei que a estória se desenvolve devagar, quase se arrastando.

    Não desanime J Peppers, escrever é trabalho duro e persistência.

    Boa sorte.

  10. Bia Machado
    30 de dezembro de 2013

    Um texto que precisa de mais atenção, ser mais trabalhado. A história não me animou muito, não é muito o meu estilo de história, nem em textos, nem nas telas. Acho que textos assim precisam de uma cumplicidade grande de quem está lendo, para conseguir acreditar nisso tudo, comigo não funciona. Mas parabéns pela ideia, espero que continue trabalhando o texto a partir das dicas que foram dadas!

  11. Ricardo Gnecco Falco
    30 de dezembro de 2013

    Uma boa ideia, mas que ainda precisava — como toda criação literária — ainda de um tempinho “dentro da garrafa” antes de ser publicada/postada.
    Parabenizo o autor pelo trabalho, aproveitando para deixar a sugestão de uma “maturação” das ideias escritas por um tempo um pouco maior. Assim como o vinho dentro da garrafa, os escritos (dentro da gaveta ou arquivo digital) também precisam descansar por um período, antes de deixarem finalmente o “depósito” e ganharem o mundo.
    Boa sorte!
    E Feliz 2014! 🙂

  12. Vinícius Luccas
    30 de dezembro de 2013

    Nesse texto, eu vi muito de Portegeister e até um pouco de Supernatural(Série estadunidense). Se eu juntar todas as partes da obra em uma só, achei boa. Mas algumas pessoas acima separaram em partes, concordo com o que a maioria deles tambem citaram, o final deixou a desejar. Porém te desejo muita BOA SORTE, “menino lindo”.

  13. Ryan Mso
    28 de dezembro de 2013

    Gostei do texto, mas o título foi o que mais me chamou a atenção. Por isso, deixo uma frase que acho bastante pertinente. Inclusive já a utilizei em trabalhos meus…

    “Estar louco é uma concepção extremamente relativa. Em nossa sociedade quando, por exemplo, um negro se porta de determinada maneira, é comum dizer-se: “Ora ele não passa de um negro”, mas se um branco agir da mesma forma, é bem possível dizerem que ele é louco, pois um branco não pode agir daquela forma. Estar louco é um conceito social. Usamos restrições e convenções sociais a fim de reconhecermos desequilíbrios mentais. Pode-se dizer que um homem é diferente, comporta-se de maneira fora do comum, tem ideias engraçadas, e se por acaso ele vivesse numa cidadezinha da França ou da Suíça, diriam: “É um fulano original, um dos habitantes mais originais desse lugar”. Mas se trouxermos o tal homem para a Rua Harley, ele será considerado doido varrido. Se determinado indivíduo é pintor, todo mundo tende a considerá-lo um homem cheio de originalidades, mas coloque-se o mesmo homem como caixa de um banco e as coisas começarão a acontecer… Dirão que o homem é um louco consumado. Essas opiniões não passam, entretanto, de considerações sociais. Vejamos o exemplo dos hospícios: não é o aumento de insanidade que faz nossos asilos ficarem apinhados; é o fato de não podermos mais suportar as pessoas anormais, isto sim. Então parece haver muito mais loucos do que antes. Lembro-me, em minha juventude, de pessoas que mais tarde eu reconheceria como esquizofrênicas, as quais nos referíamos da seguinte maneira: “Tio fulano é um homem extremamente original”. Na minha cidade natal existem vários imbecis, mas ninguém era capaz de dizer: “Ele é tão bonzinho…” Da mesma forma chamam-se alguns tipos de idiotas de “cretinos”, derivado da expressão: “il est bom chrétien” (ele é um bom cristão). Seria impossível dizer qualquer coisa sobre eles, mas pelo menos eram bons cristãos.”

    JUNG, Carl Gustav. Fundamentos de Psicologia Analítica. 10. ed. Petrópolis: Vozes, 2001. p. 30-31.

  14. Caio
    27 de dezembro de 2013

    Olá. Eu li na maior paz, entretido mesmo. De vez em quando uma frase ou outra me tirava do conto, mas não foi uma leitura difícil. Gostei de ver uma personagem ‘alternativa’, mas ficou meio sem explicação ela existir naquele cenário. Eu entendi que a companhia matava os inquilinos pra poder sempre revender os mesmos imóveis de novo e de novo, mas realmente soa meio estranho porque se de uma imobiliária só tanta gente se matasse viraria notícia com certeza.

    Da escrita, tem umas passagens estranhas de tempo, não ‘fecha’ direito uma sessão e já está no dia seguinte. Eu achei que seria interessante saber mais do fantasma, mas também já tinha acabado quando chegou aí. Pouco mais de desenvolvimento faria bem ao texto. Ou um desenvolvimento mais inteligente, cortando o que não serve ao enredo e adicionando elos melhores entre as partes. A passagem em que ele vai ao sótão e não encontra nada, por exemplo, é meio desnecessária, não acontece nada muito importante e só dele falar pra Jeane no dia seguinte “ontem eu subi e não achei nada” a gente já visualiza basicamente tudo sem ficar tão longo. Coisas assim.

    De resto, a construção das frases e a gramática é coisa que vem conforme se escreve mais e se lê também, ou durante uma revisão. Espero que ajude, abraços

  15. Ana Google
    27 de dezembro de 2013

    A história é ótima, muito bem conduzida e bem bacana, mas ainda precisa ser melhor trabalhada.

    Atenção para os errinhos:

    Em todos os diálogos, não se usou o travessão para iniciar a frase, somente para fechá-la. O travessão é um traço maior que o hífen, e não pode ser usado o hífen para fazê-lo, tal como durante todo o texto. Vejamos um exemplo: “-Meu quarto. – Ao ouvir a resposta, ela apenas assentiu”. Correto: “– Meu quarto. – Ao ouvir a resposta, ela apenas assentiu”. Na passagem: “Jeane perguntou bebia seu café”, o correto seria “Jeane perguntou enquanto bebia seu café”. Faltam acentos, como por exemplos “negligencia”, “Alias”, “tremula”, sendo que o correto seria “negligência”, “Aliás”, “trêmula”, apenas para citar alguns.

    Parabéns e boa sorte!

  16. Inês Montenegro
    27 de dezembro de 2013

    Concordo com o Marcellus sobre o cono funcionar como um primeiro rascunho, contudo, precisa de algum trabalho para chegar a um produto final. Há situações ilógicas no contos que ficam sem resposta: porquê que todas as casas da agência são assombradas, qual o lucro que se obtem com isso? Porquê o súbito interesse/conhecimento da jovem, quando eles não parecem ser muito chegados antes de o conto começar, logo, ela poucas probabilidades teria de se aperceber do que se passava com Joe? E quais as motivações do fantasma? É “mau” porque sim?
    Atenção também ao posicionamento das vírgulas, e ao uso vocabular: móveis alugam-se, mas imóveis, como é o caso, arrendam-se.

  17. Marcellus
    24 de dezembro de 2013

    A história não é ruim e funciona bem como primeira versão. Uma revisão cuidadosa é muito necessária (“escuridão sombria”, “Joe levantou-se da cama… “, “… ao lado de sua cama..”, “…o rapaz deitou-se na cama…”).

    Boa sorte!

  18. bellatrizfernandes
    24 de dezembro de 2013

    Achei fraco. Voltamos ao começo: O clichê de filme de terror. O fantasma que ataca pessoas sem motivo algum. Além do mais, todas as casas da imobiliária eram assombradas? Qual o sentido disso?
    Tá, a menina foi na casa dele e teve todo um transe, um desmaio psíquico, disse que tinham entidades na casa dele e ele não pensou nisso nem um pouco? Nem mesmo quando não encontrou ratos quando foi procurar?
    “Medo é o que ele sentia no momento, e isso o deixava frustrado.”
    “Tentando controlar a respiração ela continua.” / “Ao ouvir a resposta, ela apenas assentiu.”
    “Ela puxa uma cadeira e sentou-se ao seu lado”
    Percebi uma dificuldade sua em escolher um tempo verbal. Existe o presente: “Continua; É; Puxa” e existe o passado: “Sentia; Deixava; Assentiu; Sentou-se”. Tome cuidado!
    Além disso, os parágrafos estavam muito extensos, muito difíceis de ler. Principalmente aqui, no Entrecontos, onde a gente tem mais 40 contos para ler, a dinâmica é fundamental.
    Espero que essas dicas te ajudem em futuros contos!
    Até!

  19. Claudia Roberta Angst - C.R.Angst
    24 de dezembro de 2013

    Eu reclamo um pouco quando vejo um texto longo. Sou apressada, quero logo chegar ao final e resolver o mistério ou me aconchegar nas possibilidades de uma conclusão. No entanto, a narrativa tornou-se mais ágil pelos acontecimentos descritos. O final não chegou a ser decepcionante para mim, mas confesso que tive de reler para compreender direito o que havia acontecido. Boa sorte!

  20. Ana Google
    24 de dezembro de 2013

    D*L*B*, jura que vai usar o mesmo pseudônimo do desafio passado? Matei de cara! = (

    • Thata Pereira
      24 de dezembro de 2013

      Nossa, Ana! Só você para lembrar disso mesmo… eu nem associei.

      • Ana Google
        24 de dezembro de 2013

        Rsrsrsrs, eu tenho memória boa… Bati o olho e lembrei do autor e do pseudônimo! Isso quebrou um pouco o clima, pois o mistério é tão bacana!!! Beijos, Thata!

      • Claudia Roberta Angst - C.R.Angst
        24 de dezembro de 2013

        Eu também lembrei …rs

    • Jefferson Lemos
      24 de dezembro de 2013

      Não só ele, como o Alfred32 do desafio de Viagem no Tempo. Haha

  21. Thata Pereira
    24 de dezembro de 2013

    Gostei da inspiração, cheguei até a lembrar da primeira temporada da série American Horror Story. Havia imaginado um fim muito louco para a história, na qual a menina de cabelos azuis seria a fantasma — qual o nome dela mesmo? Tá aí um probleminha, não me afeiçoei com os nomes. Principalmente, porque os dois começam com “J”. Não sei se é um problema só meu, mas quando são nomes estrangeiros com a mesma letra eu fico perdida.

    Duas coisas colaboraram para que o conto ficasse cansativo: parágrafos muito grandes e excesso de advérbios. É um conto para ser lapidado. Aconselho um melhor desenvolvimento nos diálogos, diminuir os parágrafos e enxugar os advérbios (ficar lendo todo minuto palavras com o sufixo “mente”, cansa).

    Gostei do final, só fiquei me perguntando o que acontecerá com a menina dos cabelos azuis… eu já quis ter cabelos azuis e gostei dela! rs’

    Boa Sorte!

  22. Weslley Reis
    23 de dezembro de 2013

    O autor usou uma série de clichês que até certo ponto funcionaram bem.

    Mas o final abrupto derrubou a estória. Tive que ler umas duas vezes pra entender o que realmente havia acontecido.

  23. Gunther Schmidt de Miranda
    23 de dezembro de 2013

    Texto cansativo… Diálogos confusos… Mais um texto sem espaço ou tempo… Sem contar um final decepcionante. Boa sorte: irá precisar!

    • Gunther Schmidt de Miranda
      24 de dezembro de 2013

      Ponderando a observação acima não me resta outra ação que pedir desculpas por tamanha grosseria por mim realizada. O meu gosto não pode ferir a autoestima de um competidor que esforçou-me, depositando seu melhor, nesta obra. Não resta nada além que reconhecer meu erro e pedir perdão a quem produziu tal criação. Boa sorte.

  24. Jefferson Lemos
    23 de dezembro de 2013

    Apesar de as coisas acontecerem rápido,o conto estava indo muito bem… até chegar no final. D:
    O final foi decepcionante para mim.
    Espero que outros possam gostar.
    Parabéns e boa sorte!

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Informação

Publicado às 23 de dezembro de 2013 por em Fantasmas e marcado .