EntreContos

Detox Literário.

Paranoide (Elton Severo)

Sou exceção à regra. Enquanto a maioria dos padres força a fé pelo medo, eu busco em meus fiéis a crença pelo amor. Faço com que acreditem na salvação pelo amor divino, e compreendo quando têm dúvidas ou questionamentos que nem nós sabemos explicar. Afinal, ninguém jamais conseguiu algo que provasse que estamos certos, e nos mantemos pela nossa insuperável aceitação de que a verdade está dentro de nós. Não sei se agir assim me torna mais ou menos adorado pela igreja, mas certamente me aproxima das pessoas. Seus pecados se tornam minha rotina, e juntos buscamos um destino comum: morrermos com glória e alcançarmos a paz eterna.

Numa tarde de sábado, enquanto escolhia os versículos da missa da manhã de domingo, recebi uma ligação do delegado. Morávamos em uma cidade com menos de cinquenta mil pessoas, e é como se todo mundo se conhecesse mesmo que de longe. Por isso não fiquei tão surpreso quando ele pediu minha ajuda e falou sobre Dona Joana.

Joana era uma mulher de quem eu já ouvira falar uma vez ou outra. Tinha perdido há dois meses o marido, mas nem chegou a enterrá-lo ou fazer uma missa de extrema unção, por isso nunca conversamos. Ela apenas cremou o homem, e aparentemente esqueceu. Passou a se trancar dentro da sua velha casa com quem quer que morasse ali. Não mais saía, não falava com os vizinhos.

O delegado me informou que a vizinhança ouvira gritos naquela manhã. Joana esbravejava desesperada contra alguma coisa, mas ninguém sabia o quê. Até porque ninguém queria se arriscar a entrar lá. Um policial foi mais cedo, e encontrou a mulher transtornada. Dizia estar vendo fantasmas.

Obviamente, eu sabia que era mentira. Do alto de minha sapiência, poderia dizer mil vezes que fantasmas não existem, que o espiritismo é uma balela, e que Deus tem mais com quê se preocupar a mandar para esse plano pessoas que já encontraram a paz eterna. Ainda assim, em apoio ao meu amigo delegado, aceitei a árdua tarefa de ir conversar com a mulher.

A casa era maior que eu lembrava. O jardim descuidado, o ambiente escuro e as paredes sujas sugeriam o abandono comentado. Toquei a campainha, pensando em quais palavras usaria para convencer a mulher. Quem abriu foi uma bela garotinha. O fato inesperado me irritou. Por que ninguém tinha dito que havia uma criança ali?

“Quem é o senhor?” ela perguntou.

Tinha um sorriso inocente, com sardas e cabelo de maria chiquinha.

“Eu vim ver sua mãe”

“Eu… Não sei se é uma boa” a garotinha hesitou. “Ela está muito nervosa”

“Eu sei. Vim ajuda-la a ficar bem”

“Jura?” animou-se. “Você pode ajudar?”

Abaixei diante dela e coloquei uma mão em seu ombro.

Sou padre Ramon. Qual seu nome?”

Depois que ela me disse se chamar Juliana, deixou que eu entrasse. A casa estava toda fechada, como que protegida. O ar abafado trazia um cheiro azedo, uma mistura de mofo e comida estragada. Juliana esticou a mão para me guiar por um corredor escuro. Antes que chegássemos a algum lugar, ouvimos um grito. Larguei a garota e corri para um quarto. Ao abrir a porta, me deparei com Joana, caída no chão, rosto apavorado, encarando um quadro. A pintura era de um homem com rosto austero, vestido como antigamente. Ela se virou e me notou, arregalando mais os olhos.

Quem é você?”

Sou o padre Ramon. Eu vim para ajudar”

Ela se levantou, animada:

Você vai exorcizar essa casa?”

Por que você acha que precisa ser exorcizada?” perguntei.

Tem fantasmas em todo canto” ela rugiu, estupefata com minha pergunta. “Não está vendo nenhum deles?”

Na verdade, não. Você tem um casa muito escura, dona Joana. Depois de um tempo trancada aqui, é fácil confundir as sombras”

Não estou confusa. Não estou louca, se é isso que quer dizer! Eles estão vindo desde o acidente. É como se eu estivesse aos poucos abrindo uma porta. Está cada vez pior”

Abracei a mulher, que parecia prestes a chorar. Seu sofrimento era real, por mais que seus pensamentos não fossem.

Vou ajudar você. Mesmo que pra isso eu precise exorcizar tudo”

Obrigada, padre”

Pouco depois estávamos os três na cozinha. Joana me servia um café saboroso, e Juliana apenas observava nossa conversa. A mulher me explicava que alguns espíritos não lhe faziam mal, porém outros tentavam machucá-la, e ela não entendia por que.

É dito que alguns espíritos se alimentam do medo” procurei explicar, entrando na ilusão para ganhar confiança. “Isso os torna mais fortes e, assim, cada vez se aproximam mais, interagem mais. E a pessoa fica mais suscetível a ser possuída”

Você acha que querem me possuir?”

Seria possível se fosse verdade, mas apenas assenti. Levantamos e pedi que ela me mostrasse onde apareciam com mais frequência. Seguindo todo o clichê, ela sugeriu o porão. Caminhei para fora da cozinha, para ser guiado até lá. Juliana me acompanhou, mas Joana continuou lá dentro. Voltei para chama-la, e o rosto de Juliana era de medo. Entrei apressado na cozinha e me deparei com Joana, congelada, diante de todas as portas dos armários abertas e a torneira escorrendo água.

Estão aqui” ela murmurou.

Onde?”

Em volta da gente”

Passei os olhos em todo canto, e sem dúvidas não havia nada.

O que eles querem?” aprofundei. Ela demorou a dizer:

Eles me querem”

Olhei apreensivo para Juliana, encolhida num canto.

Tem certeza que é você que querem machucar?”

Joana não respondeu. Então corri para fechar todas as portinholas e a torneira. Não entendia como aquela mulher era capaz de assustar assim a pequena filha, mas fiquei calado. Puxei-a para o corredor, e ela ainda me olhava nervosamente. Logo entendi que não desceria comigo ao porão. Juliana queria descer, mas eu não deixei, e pedi que ficasse na sala cuidando da mãe.

Os degraus gemiam com meus passos firmes. O porão não era tão velho quanto eu esperava, nem tão arrumado quanto eu desejava. Algumas coisas se entulhavam criando formas humanoides na penumbra. Os olhos pararam diante de uma sombra em particular aos fundos, que parecia um homem de chapéu me observando. Mesmo sem acreditar em nada daquilo, minha respiração ficou pesada enquanto eu andava na direção para ver o que era.

Antes de chegar, contudo, um novo grito tomou conta da casa. Abandonei a curiosidade e retornei correndo à sala, e me assustei quando meu pé afundou em um dos degraus. Demorei a conseguir arrancar a madeira podre, ouvindo mais gritos de Joana.

Na sala, Juliana estava ao pé da escada, aterrorizada. Não falou nada, apenas apontou para o andar superior. Subi mais um lance de degraus pulando dois em dois, seguido pela menina, a ponto de ver sua mãe sendo jogada para fora de um dos quartos. Seu corpo não voou muito, apenas o suficiente para cair quase diante da entrada, sendo logo em seguida puxada de volta para dentro, aos gritos. A porta do quarto se fechou logo depois. Trancada. Ela continuou gritando, enquanto eu batia na madeira:

Abra essa porta,
Joana!”

Ela não me atendia. Continuou gritando, e ouvimos vidro explodindo. Os gritos se tornaram ainda maiores, misturados a gemidos de dor. Comecei a chutar a porta, mas só abriu quando forcei meu corpo na madeira. Joana estava no chão, ao lado do espelho destruído. Seu corpo ensanguentado, com vários ferimentos de corte na pele. Ela chorava, em pânico, implorando:

Vão embora… Me deixem!”

Juliana correu para a mãe, com lágrimas nos olhos, mas Joana evitou:

Vão embora! Vocês dois também! Saiam!”

Abracei o corpo dela, mesmo que ela lutasse contra mim, e a ergui em meus braços. Notei que segurava um pedaço afiado do espelho com tanta força, que machucava seus dedos. Tomei dela com dificuldade. Levei Joana para seu quarto e coloquei sobre a cama. Ela ainda chorava, em choque.

Por favor, me ajude” pedia.

Sentei ao lado dela. Pedi com um movimento de cabeça que Juliana saísse. Encarei os olhos sofridos da mulher.

Você precisa exorcizar essa casa. Expulsar todos eles. Até quem não me faz mal. Não aguento mais. Não aguento acordar todo dia olhando para os rostos de morte deles”

Joana… Fantasmas e espíritos não existem neste plano. Tudo isso é sua imaginação. Você é quem está se machucando”

Ela balançou o rosto nervosamente e repetiu não tantas vezes, que talvez nem ouvisse mais o que eu dizia.

Eu vi o vidro na sua mão. Não adianta negar. Você não precisa de um padre ou de exorcismo. Você precisa de um médico. Precisa tratar essa sua doença antes que faça mal a você ou sua filha”

Joana riu de forma divertida por quase um minuto. E não falou mais nada. Eu a observava, sentindo cada vez mais pena daquela mulher que sofria um mal real e potencialmente curável. Levantei e saí do quarto. Diante da porta, Juliana me observava com aflição.

Ela vai ficar bem, eu prometo”

Espero que sim. Não quero ver minha mãe assim”

Apanhei o telefone e conversei com o delegado. Expliquei que o mal daquela pobre criatura era psiquiátrico. Solicitei que enviasse uma ambulância para resgatá-la e leva-la para cuidados médicos. E então pensei na pequena Juliana. Com a mãe internada para se tratar, a garotinha precisaria de cuidados também. Os paramédicos chegaram para resgatar Joana, que saiu amarrada na camisa de força aos gritos, convocando toda a vizinhança para assistir da varanda de suas casas à humilhação alheia.

Eu não estou louca!” repetia, até sua voz sumir por causa da sirene.

Quando os vizinhos desistiram da cena, Juliana apertou minha mão.

Quem vai ficar comigo?”

Eu vou levar você pra uma pessoa que vai cuidar de você. Se for necessário, eles arranjam uma família que tome conta até que sua mãe esteja bem pra voltar pra casa e você ficar com ela”

Juliana abraçou minhas pernas, me fazendo sentir um aperto no coração. Mas não tinha escolha: levaria a garota até a delegacia e entregaria para o serviço social. Depois, voltaria ao hospital para conversar com o psiquiatra e explicar o que houve. Abri a porta do carro para que a menina entrasse, seus olhos ainda úmidos:

Quero ficar com minha mãe”

Agora não dá. Ela está doente” ponderei.

Não quero viver na casa de outra pessoa”

Não discuti. Não era meu trabalho cuidar de uma criança indefesa. Chegamos logo à delegacia, e meu amigo delegado estava ocupado. Assim, segui direto para a sala de serviço social, acompanhado da menina. Dei um último sorriso de confiança a ela, antes de abrir a porta. Entrei e sentei diante da mesa da assistente social, uma jovem simpática de rosto sereno.

Expliquei que estava com uma garota cuja mãe acabara de ser internada por transtorno psiquiátrico, e cujo pai estava morto. A assistente social explicou que entraria em contato com o Conselho Tutelar, para resolverem um lugar para a garota ficar por enquanto.

Onde está ela?”

E só então percebi que a menina não havia entrado. Fugiu quando estava na porta. Saí desesperado da sala e corri toda a delegacia, olhando em volta, mas a menina já devia estar longe. Só conseguia pensar que ela ficaria vagando nas ruas, procurando um jeito de encontrar a mãe. O delegado apareceu e notou minha aflição.

A filha da mulher que fui visitar… Ela estava aqui comigo, e sumiu”

O delegado riu com prazer.

Você é insuperável, Rubem… Obrigado pela ajuda. Sabe que só você seria capaz de me dar uma opinião concreta, né? Mas como percebeu?”

Eu vi a mulher se mutilando pra fingir que eram os fantasmas. Ela fazia cena pra tudo. Gritava, se jogava, batia nas paredes, abria as torneiras…”

Por isso você é a pessoa certa para me ajudar, sempre” agradeceu o delegado.

O que eu faço sobre a garota?” questionei, ansioso.

Que garota?” o delegado perguntou, sem entender.

A filha da Joana”

Rubem, você está falando sério? Acho que está confundindo alguma coisa. Não leu nada sobre a família antes de ir lá? A menina morreu junto do pai naquele acidente. Acho que por isso a mãe enlouqueceu. Perdeu os dois”

Engoli em seco. Olhei em volta, na esperança de ver a menina e dizer que ele estava errado. Mas ela já tinha sumido, talvez até estivesse procurando a mãe na ala psiquiátrica do hospital. E eu, como uma boa exceção à regra, e uma exceção maior a mim mesmo, ajoelhei e pedi perdão a Deus, por mais que não soubesse se merecia ser perdoado.

***

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32 comentários em “Paranoide (Elton Severo)

  1. Leandro B.
    15 de janeiro de 2014

    Ja ganhou pontos no início, quando fugiu do esteriótipo dado aos padres atualmente. O ritmo da narrativa está muito bom, assim como a escrita. Por algum motivo, ter previsto o final não me incomodou tanto aqui, talvez pelo já mencionado ritmo.

    Bom conto.

  2. fernandoabreude88
    15 de janeiro de 2014

    Olha, o conto é bem escrito, prende a atenção do começo ao fim. Na minha opinião, o padre é caracterizado no começo como um religioso avançado e sem preconceitos, mas, linhas depois, ele é retratado como uma pessoa cheia de certezas: “Do alto de minha sapiência”. Outra coisa que me incomodou foram os conflitos explícitos entre os credos do religioso e os fatos que ocorriam à frente de seus olhos, achei desnecessário, mas gostei do conto.

  3. Frank
    14 de janeiro de 2014

    Conforme alguém já comentou, o conto tem muitos clichês (cidade com 50 mil pessoas pequena? Vizinhos que não entram na casa). Fora isso, o primeiro parágrafo realmente não me convenceu; era mais a linha de um pastor evangélico que a de um padre católico. No mais, infelizmente, o conto segue uma linha “tradicional”.

  4. Pedro Luna Coelho Façanha
    14 de janeiro de 2014

    O conto tem uns clichês que me lembraram alguns filmes, mas achei bem legal. Desconfiei e não desconfiei da garota, e no final, acabei sim tendo uma surpresa bacana. Apesar de sempre se matar uma revelação dessas uns bons parágrafos antes. Vlwwwwww..

  5. Raione
    11 de janeiro de 2014

    Pouca coisa nesse conto me convenceu. Desde o primeiro parágrafo o padre não parece exatamente um padre. Na forma como está narrado, o conflito não ganha dimensões: a situação dolorosa da mãe e da garotinha não é percebida como realmente dolorosa pelo leitor (este leitor, no caso), e o ceticismo do padre esteriliza o elemento assustador da narrativa. A reviravolta final é boa, parece que aí foram apostadas as fichas da história, mas, em parte por sabermos de antemão o tema, já se desconfia da garotinha.

  6. Paula Melo
    8 de janeiro de 2014

    Gostei bastante do conto,fiquei fascinada por cada linha,apesar de ficar um pouco obvia algumas partes.
    Mas valeu a leitura.
    Boa Sorte!

  7. Mariana Borges Bizinotto
    2 de janeiro de 2014

    Gostei do tema. A parte dos vizinhos não invadirem a casa enquanto a mulher grita não me convenceu, ainda mais em uma cidade tão pequena. Geralmente os vizinhos até entram sem bater, saber que o portão fica aberto esse tipo de coisa. Numa emergência, os vizinhos com os quais convivi na minha morada de 10 anos em cidade pequena entrariam para socorrer se alguém gritasse.

  8. Sandra
    31 de dezembro de 2013

    SPOILERS
    Apesar do final previsível, a história é bem contada e nos puxa facilmente do início ao fim. Concordo com o Caio, se o autor quiser se aprofundar um pouco mais nos conflitos de Joana ou nas situações que se revelem com um pouco mais de perigo ao religioso, que explore seus medos, suas crenças… Acontecimentos que possam desviar a atenção do leitor para a figura da menina fantasma.

  9. Weslley Reis
    29 de dezembro de 2013

    Mesmo descobrindo o fantasma logo de cara, o conto é envolvente. Talvez careça de um certo suspense, mas o único ponto realmente ruim, ao meu ver, é alguns erros gramáticos e de continuidade.

  10. Ryan Mso
    28 de dezembro de 2013

    Primeiro as considerações negativas:
    O conto não me agradou tanto por me parecer “clichético” demais. Porém, isso provavelmente é culpa do tema, é um tema “quase que esgotado”, infelizmente, então torna difícil uma novidade no ramo… Como dito por outros, nos comentários, alguns erros de revisão ficaram nítidos, principalmente o nome do padre. O texto não me causou “o” suspense como também frisado por outros nos comentários.

    Seguindo, as considerações positivas:
    Apesar dos pesares, achei um bom texto, fluído, e ao que se propôs (a um tema “clichético”, e por tema eu digo o fato da casa mal assombrada…) um bom texto.

    Parabéns ao autor pelo texto.

  11. Pedro Viana
    27 de dezembro de 2013

    Apesar de ser apenas o sétimo conto que leio neste desafio, foi um dos melhores. Bem escrito, personagens bem construídos (uma coisa que aprecio muito) e uma trama instigante, apesar de ser um pouco clichê (e eu já havia descoberto o final). Sem mais observações pendentes, só me resta parabeniza-lo(a) pela história.

  12. Chinaski
    27 de dezembro de 2013

    Apesar de ter entendido desde o começo que a menina era um fantasma, isso não tirou o suspense e a expectativa por descobrir o que viria a seguir.

    Parabéns pelo conto.

  13. Gunther Schmidt de Miranda
    24 de dezembro de 2013

    Após ler uma série de observações sobre os comentários por mim postados neste concurso e suas respectivas respostas (infelizmente) concluí que fui tomado de certa pobreza de espírito. Em certos momentos nem fui técnico, muito menos humilde. Peço perdão a este escritor pelo comentário até maldoso por mim desferido. Sendo assim, apenas me resta ser breve: apenas não gostei dos diálogos. Mas seu esforço é louvável e deposito esperança em seu próximo texto.

  14. Jefferson Lemos
    19 de dezembro de 2013

    Gostei!
    A atmosfera de filme de terror permaneceu durante todo o conto. Achei muito bom mesmo, com mais algumas linhas vai ficar melhor ainda!
    Parabéns e boa sorte!

  15. Caio
    17 de dezembro de 2013

    Olá. O difícil é que eu tive o insight logo que a menina apareceu, aí perdeu muito da graça. Não sei dizer o que foi, às vezes esse tipo de coisa só acontece, meio do nada, mas eu soube bem imediatamente. Apesar de bem escrito, e está mesmo, sinto que faltou força. Ou o enredo ou a exposição das pessoas precisa ser mais aprofundado, mais bem pensado, pra ter um impacto maior. Minha opinião é que você devia ou aumentar o conflito e o perigo da história (o padre entra na casa e não consegue sair, e acha que a mulher está louca e tentando matá-lo, quando na verdade são os fantasmas mesmo, por exemplo) ou você capricha mais nas relações entre as personagens (o padre passa mais tempo tentando solucionar o mistério, lentamente conhece a história da menina, ou a menina conta a história da mãe, ou o próprio padre fala sobre seu passado ou algo assim, que faça a gente se apegar a alguém e ficar preocupado com o futuro deles). Ou os dois…

    É fácil a gente se prender em achar que é só um conto, não precisa ser tão exigente, não precisa ser tão planejado, mas acho que a ideia, se a gente quer mesmo ser escritor, é um dia escrever algo como os grandes contos que a gente lê na escola – e analisa com pesar porque naquela idade ninguém se importa. Meu incentivo é esse, tente pensar numa obra completa, mesmo que só num conto. Algo com camadas, com enredo memorável e/ou personagens reais/listas que a gente lê e continua pensando no que leu depois, e passa pra algum amigo também ler pra poderem discutir, e coisas assim.

    Ah, eu sempre tenho a sensação de estar ‘super-analisando’ tudo. É um bom conto… mas a gente pode tentar ser ótimo, impressionante, ‘profiça’, quem sabe?

    Bom, se fizer algum sentido pra você, melhor, e tomara que ajude mais que atrapalhe. Abraços

    • Sandra
      31 de dezembro de 2013

      Os comentários do Caio são tão ricos que, ao ler qualquer texto a gente já fica aguardando esse par de olhos dar seu parecer. Ontem conversamos, eu e uma amiga, sobre isso: a gente aguarda com curiosidade essa leitura e sugestões sempre tão oportunas.
      Parabéns, Caio.

  16. Ana Google
    17 de dezembro de 2013

    De início, adorei o título, Paranóide!!!

    Sou fã de Black Sabbath, então, já viu…

    Continuei lendo e não me decepcionei nem um pouco! Os personagens são bem construídos, a narrativa é consistente, a ortografia está boa, embora existam alguns errinhos, mas nada que mereça ganhar muito destaque! Só pelo erro de Ramon virar Rubem, essa sim ficou feia e merece ser destacada.

    Embora desde o primeiro momento o autor deixou claro a que a menina veio, este spoiler não me incomodou, já que é um texto bem clichezão, feito pra cair no clichezão!

    Gostei, mas não é dos meus favoritos. Mas o autor está de parabéns!!!

  17. Marcelo Porto
    16 de dezembro de 2013

    Em alguns momentos a história causa medo, não sei se era a intenção, mas fica claro que a menininha é um fantasma desde a sua primeira aparição, e isso, no meu ponto de vista, gerou ainda mais suspense, pois eu ficava o tempo todo esperando qual seria o desdobramento disso.

    No final ela apenas sumiu, e isso de alguma forma quebrou a minha expectativa.

    Também não ficou muito claro o porque a pobre Joana era assombrada; ela matou a família? Ela era uma adultera? Uma mãe má? Enfim, achei um bom conto para um final meio esquemático.

  18. bellatrizfernandes
    16 de dezembro de 2013

    —— SPOILERS ———
    Conto muito bom!
    A ideia foi bem formulada e bem desenvolvida. Acho que só a revisão que foi um pecado (primeiro um nome, depois o outro, mas os outros já comentaram isso, então nem se preocupe. Todo mundo erra).
    Acho que a única coisa que ficou inexplicável era porque alguns dos espíritos queriam machucar a Joana. Era o marido com raiva? Eram companheiros dele? E porque só a Juliana apareceu para ele e os outros não?
    Parabéns!

  19. Thata Pereira
    16 de dezembro de 2013

    Fica claro que Juliana é a fantasma do conto. Achei legal as coisas paranormais que aconteceram na casa, durante a visita do padre, mas acredito que poderiam ter sido melhor exploradas, assim como as investigações dele que logo eram cortadas por algum grito. Sendo assim, o foco do tema fica apenas em Juliana que precisaria ser melhor desenvolvida.

    O padre possuí dois nomes do conto, como já disseram, mas eu também já cometi esse erro. O problema aí não é a falta de revisão, mas o costume que criamos com o texto durante a revisão. Por isso é interessante submeter o conto à analise de outra pessoa, antes de postá-lo.

    Gostei da presença do padre, do detetive — mesmo sendo fraca. É uma ideia muito interessante, precisando apenas de um melhor desenvolvimento.

    Boa sorte!

  20. Gunther Schmidt de Miranda
    15 de dezembro de 2013

    Mais uma estória de terror em uma cidade pequena, com uma casa escura e vítima de (possíveis desvios) psiquiátricos… Receita batida! Particularmente não gostei dos diálogos; não dá para saber se o padre é católico, protestante ou evangélico; nem se é jovem ou de idade avançada… Sem contar que o texto “telegrafa” que o fantasma é a menina…

    • Claudia Roberta Angst - C.R.Angst
      15 de dezembro de 2013

      Quanto ao padre, acho que o conto apresenta boas pistas:
      ” (…) enquanto escolhia os versículos da missa da manhã de domingo”
      “Sou padre Ramon.”
      Se fosse evangélico, seria pastor.

    • Jefferson Lemos
      18 de dezembro de 2013

      Cara, sinceramente, de onde você tira suas críticas? Eu fico imaginando como alguém consegue pensar algo assim, tão sem noção.
      Padre evangélico?

    • Felipe Holloway
      27 de dezembro de 2013

      padre evangélico, HUAHUAHUAHUAHUAHUAHUAHUA!

      Eu disse, eu disse! Esse cara…

  21. Inês Montenegro
    15 de dezembro de 2013

    Uma das maiores falhas do texto é revisão. Existem falhas de pontuação, acentos, gralhas, o padre tem um nome no início e outro no fim, e alguns rituais que, quando referidos por um crente, deveriam encontrar-se em maiúscula. A outra grande falha é que desde a sua primeira aparição, é óbvio para o leitor que Juliana é um fantasma, impedindo que o final tenha o impacto que poderia ter.
    Gostei da perspectiva em que pegaste, um padre lidando com ideia que não concebe. A Igreja Católica tem padres exorcistas, e apesar de cerca de 90% serem, de facto, casos psiquiátricos, stress, indução, etc, existe uma pequena percentagem cuja origem não se consegue identificar, algo que tem pano para mangas para se criar uma história.

  22. Bia Machado
    15 de dezembro de 2013

    >>>>>>>>> PODE CONTER SPOILERS!!!! >>>>>>>>>

    Gostei, o suspense foi crescente, mesmo que eu tivesse desconfiado de quem era a garotinha logo que ela apareceu, mas eu queria saber como tudo aquilo ia ser concluído e a narrativa me prendeu.

    Algumas coisas a arrumar, como palavras repetidas muito próximas, falta de uma palavrinha ou outra, acentuação… Basta mais um tempinho de revisão.

    Não pude evitar de perguntar a mim mesma: “Mas por que essa mulher ficou na casa depois de tudo o que aconteceu e do que estava acontecendo, mesmo depois de passados apenas dois meses? E por que o delegado contou a ele que apenas o marido morreu, por que não falou da menina?” Quando no final a verdade foi revelada, fiquei um pouco chateada, porque me pareceu que a ocultação da filha de Joana, no início, era apenas a necessidade de esconder isso de mim, leitora. E eu não gosto muito desse recurso, confesso. Mas é um excelente material!

  23. Cácia Leal
    15 de dezembro de 2013

    Excelente conto! Fiquei arrepiada enquanto lia! Adorei a história! Um enredo simples, muito batido quando o assunto é fantasmas, ma a maneira como foi escrito surpreendeu. O conto consegue envolver o leitor e o prende até o fim. Acho que esse também deve ficar entre os primeiros colocados.

  24. Ricardo Gnecco Falco
    14 de dezembro de 2013

    Um conto bem escrito (embora ainda precise de uma nova revisão) e bem tenso. Não sei se a escolha pela primeira pessoa da narração foi a responsável por este grau de proximidade com o leitor, mas ainda acho que a história ficaria mais confortável na terceira.
    Um bom desfecho encerra a narrativa e nos vemos refletindo junto ao padre.
    Boa sorte!
    🙂

  25. Gustavo Araujo
    14 de dezembro de 2013

    Ótimo conto. Bem escrito, envolvente e instigante. Gostei bastante da construção do padre – um personagem ambíguo, como convém a qualquer boa história. O final, ainda que previsível, casa bem com o enredo, amarrando bem as pontas. Enfim, um texto prazeroso, gostoso de ler.

    No entanto, acho que alguns pontos podem ser melhorados. Por exemplo, o capricho conferido ao padre não foi dispensado à menina e à mãe. Juliana poderia ter sido melhor desenvolvida, poderia cativar mais. Personagens infantis precisam disso, pois são um catalizador sem igual em qualquer história, principalmente se o assunto for fantasmas.

    Quanto à gramática, percebi alguns erros de pontuação e de acentuação. Poucos, é verdade. Outra coisa foram as informações de cunho religioso. Até onde me lembro, a extrema unção é um sacramento – uma espécie de bênção dada ao moribundo, para que se arrependa de seus pecados – ou seja, não é uma missa celebrada depois que a pessoa morreu.

    De todo modo, quero reforçar que gostei da história. Com os devidos reparos, poderá se converter em um texto excelente.

  26. Elton Menezes
    14 de dezembro de 2013

    Sobre o título… Gostei muito, apesar de me lembrar a música Paranoide Androide, de Radiohead.
    Sobre a técnica… Escreveu direitinho, não vi os erros apontados pelo Marcellus, mas tentarei reler com calma depois que terminar todos. A narrativa é em primeira pessoa, e isso gera identificação com o leitor.
    Sobre a história… Com a intenção de fazer o leitor a todo instante se perguntar o que é verdade ou não, a trama dá idas e vindas e mantém no ar o suspense “será?”. E isso é levado em crescendo até o final da trama. O personagem meio polêmico do padre é o mais interessante.
    Sobre o final… Gostei muito do impacto da surpresa. Embora ache que o perdão do padre poderia ter vindo de uma tragédia maior, talvez a mãe pudesse ter cometido suicídio nesse final, e aí o padre ficaria pior ainda ao descobrir a verdade. Mas gostei do jeito que está!

  27. Claudia Roberta Angst - C.R.Angst
    14 de dezembro de 2013

    Conto bem interessante. O leitor é conduzido pela narrativa, preso pela curiosidade. Só nos últimos parágrafos, desconfiei do final. Bem bolado, inesperado. Gostei da escrita, da história, do desfecho. Valeu. Boa sorte.

  28. Marcellus
    14 de dezembro de 2013

    >>>SPOILERS<<>> SÉRIO, LEIA O CONTO ANTES DOS COMENTÁRIOS <<<

    Mais um conto que gostei. Apesar da falta de alguns acentos e pontuações, a história foi muito bem contada e só desconfiei da final… no final. Ponto para o autor.

    E não, não vou entregar o final. LEIA O CONTO!

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Publicado às 14 de dezembro de 2013 por em Fantasmas e marcado .