EntreContos

Detox Literário.

As Muitas Vozes de Felix (Caio Pereira)

Deitado em sua cama, ele contemplava. Seu quarto era pequeno; tinha um armário, uma estante de livros e uma mesa com um computador. Na prática era ainda menor. O sujeito não saía de sua cama havia algum tempo, então era como se fosse a única coisa que existia. Estava com as costas no colchão, olhando para cima. A luz estava apagada e as janelas fechadas, como tinham ficado desde…

Felix era órfão. A palavra ficava dançando em sua cabeça como se não soubesse para onde ir. Seu pai tinha morrido há muitos anos, mas sua mãe tinha-se ido recentemente. Estava tudo tão errado… ele não queria lembrar deles, mas as memórias ficavam voltando

Ficavam voltando

Ficavam voltando

E eram ondas e ele não se sentia forte como uma pedra, então a água doía. Havia tanto a dizer. Ele passou a língua no lábio superior, bem no canto direito onde ficava a cicatriz. Seu pai tinha lha dado. Havia outras, mas aquela era a mais difícil de ignorar, passar a ponta da língua ali era quase um tique, ele fazia sem perceber.

E sua mãe… ela tinha lhe feito… E ele nunca pode dizer nada. Se eles pudessem se ver, pelo menos mais uma vez…

Três batidas.

Ah não…

O som das chaves

se enfrentando.

Agora não…

Da fechadura

resistindo.

Que que ele quer?!

Da fechadura

cedendo.

Aahh…

A porta abriu.

– Bom dia… – a voz era grave e pesada. As duas palavras pareceram afundar devagar nos ouvidos de Felix. Ele sempre achou que o irmão tinha voz de locutor de rádio, só que sem a alegria plástica dos profissionais – Como cê tá se sentindo? – veio a pergunta.

Eu não tô…

Em vez de responder, Felix grunhiu e puxou o cobertor por cima da cabeça, antecipando o que vinha a seguir. O homem em pé caminhou até a janela e a abriu em dois movimentos sólidos, inundando o quarto de luz.

– Vamo… não se esconde não – ele disse, e puxou a coberta. O tecido fez um arco direto pro chão. O jovem deitado viu e achou que aquilo era pertinente. Sentia-se também assim. Só que pra ele o chão não chegava…

Não tentou mais resistir. Negou o impulso de cobrir o rosto com as mãos e ficou olhando para o irmão com seus olhos espremidos pelo excesso de cores – Meu Deus, Felix… olha você. Cê nem dormiu, dormiu?

E Felix sentia o cansaço em seu rosto, sabia que provavelmente tinha olheiras e vermelhidão.

– Eu… – tinha dormido? A noite toda pareceu passar tão insólita… Quando tinha anoitecido? Só conseguiu balbuciar – Não… é… eu…

– Não dormiu? – o irmão interveio, impaciente.

– Não sei… talvez um pouco…

– Não sabe? Que droga Felix, como cê não sabe nem se dormiu? – seu irmão sempre foi muito alto e corpulento, de voz grossa e cabelos muito pretos, mas era nessas horas que Felix se sentia mesmo pequeno perto dele.

E ele sabia que as pessoas sempre queriam

mais.

Mais atitude.

Mais respostas.

Mas…

Mas ele não tinha…

Mas ele não tinha nada…

E foi cheio desse vazio que os olhos dele tentaram responder à inquisição do irmão mais velho. Desculpe, senhor, eu não tenho nada… volte mais tarde, por favor.

E o homem suspirou, desistindo de insistir, mais uma vez.

– Sabe, Felix, uma hora você vai ter que entender que isso… isso que você tá fazendo não tá bom. Não é ok, não é certo – E ele olhou bem nos olhos vermelhos do irmão e disse – Sai. Dessa. Já chega. Você é melhor que isso.

E ele tinha ido embora quando o sujeito na cama deu conta de si.

Tanto de seus dias eram essa nebulosa… de despertar de repente e descobrir que horas tinham se passado e ele ainda não tinha descansado. E seus olhos doíam, sua cabeça doía e seu peito apertava e seu estômago apertava um pouco mais. Uma hora você vai ter que entender… talvez…

.Volte mais tarde

Mais tarde, senhor

Mais tarde, mas

Por favor, volte.

Ele não tinha se dado conta, mas seu rosto estava molhado. Seus olhos tinham inchado como se fossem alérgicos a si mesmos.

Talvez fosse isso… Felix era alérgico a Felix, e era por isso que sua cabeça estava tão ruim. Era uma loucura alérgica…

Ele se sentiu, de repente, como se fosse outra pessoa, vendo de fora o jovem miserável ainda sentado em sua cama.

E o seu quarto tinha escurecido, havia apenas a cama com um rapaz sentado, iluminados por alguma fonte indeterminada, e depois a escuridão infindável. E aquela versão de Felix que tinha saído de seu corpo flutuava acima de tudo, podendo contemplar a miséria, mas estando distante dela.

– Felix sempre foi o mais fraco, você sabe – a imagem de seu pai apareceu e lhe disse, apontando para aquele sujeito na cama. Tinha muitas rugas no rosto e uma malícia nos olhos. Usava um boné e roupas manchadas – Eu tentei. Tentei mesmo. Você lembra – ele disse, curvando-se para tocar a pessoa na cama.

– Não – e a voz que saiu de si o surpreendeu tanto quanto a seu pai, este recuou para longe da cama – Você não tentou nada – o segundo se ouviu dizendo, e de repente ele começou a falar – Você batia nele. Até sangrar. Eu lembro.

E atrás deles uma luz acendeu e mostrou um homem sobre uma criança que chorava. Os gestos do homem eram violentos demais e os braços do menino eram fracos demais. E ele apanhava.

E ele apanhava.

E ele parou de chorar.

E ele apanhava.

— Você queria que ele morresse, mas ele sempre vivia — o agressor se cansou e deixou o filho quieto no chão — Felix era mais forte do que você. — a criança esperou e depois se levantou — A melhor coisa que você fez por ele foi morrer.

Os olhos da imagem queimaram. A luz tinha apagado, a criança tinha sumido.

– Muleque, cê nunca aprendeu nada! – a voz de seu pai cresceu, e sua imagem parecia acompanhar. Seu rosto se distorceu de raiva até se tornar outra pessoa completamente – Eu tentava e tentava e você nunca aprendeu nada! Respeito, educação, nada! Muleque estúpido, inútil! – e ele cresceu em volta de Felix, como um monstro num pesadelo. E ainda assim…

– Já não me assusta mais, pai.

E o monstro quebrou, e seus pedaços, como nuvens, circularam, circularam

e sumiram.

Mas Felix ainda se via sentado na cama, de cabeça baixa…

– Muito bem… gostei de ver.

Ah, a voz de sua mãe… era uma arma em si só. E ele sentiu uma pontada só por ouvi-la. E lá estava ela, flutuando na escuridão perto da cama. Com um meio sorriso afetado. Ela era muito ruim em sorrir.

– Claro, eu teria dito ainda mais pra ele. Aquele homem era uma doença na nossa vida. E, sabe, eu sempre achei que o Felix não conseguia aguentar, mesmo – sua mãe fez um gesto como se fosse tocar o rosto cabisbaixo do filho, mas recolheu a mão com certa repulsa – nunca fazia nada, nunca tomava atitude, sabe? – e ela se dirigia à pessoa fora de Felix como se fossem confidentes – Eu sempre temi que ele fosse acabar assim quando eu morresse. Ele precisava tanto de mim… Estava certa. Infelizmente.

– Não, mãe. Você não estava.

Em volta deles várias luzes acenderam. Vários meninos, de várias idades, todos Felix, tinham que ouvir um mar de facas enquanto a mesma mulher, sua mãe, em todos os casos falava e falava e falava.

E ela o olhou com olhos vis.

– Você estava errada. Na verdade você tava tão completamente envolvida na sua própria fantasia que você nunca percebeu o quanto eu te odiava, mãe — as vozes foram se somando, as vozes armadas da mulher, e tomando conta do espaço, mas ele continuou mesmo assim — Eu não achava você ruim, eu te odiava! Era tudo o que eu conseguia pensar quando você se dirigia a mim, eu pensava no quanto eu não queria ouvir ou falar com você pro resto da minha vida.

O rosto da mulher se distorceu em surpresa e nojo, como se apoiado pela multidão em volta deles, cuja voz atingia pico.

– Mas mais que isso – ele continuou, de algum jeito se fazendo ouvir entre tanto barulho – eu pensava no quanto eu precisava que você entendesse isso, mãe. Eu precisava que você percebesse como cada palavra que saía de você significava ‘você não é bom o bastante’. Eu precisava que você entendesse que você era tóxica e sugava a vida de todo mundo em volta de você. Eu precisava que você chorasse e pedisse perdão por nunca ter me dado nada, mãe — e de repente todas as imagens em volta pararam e olharam para ele — Eu precisava, mãe, mas… eu não preciso mais.

E ela permaneceu parada, em silêncio, com os mesmos olhos cruéis e expressão de repulsa, até que ela não estava mais lá. E estava tudo escuro de novo.

O sujeito fora de Felix agora estava flutuando mais baixo, sentia o calor de seu corpo logo abaixo de si.

— Estou orgulhoso — ele se ouviu dizer, mas sua boca não tinha se mexido…

Felix estava ali, em pé, em volta da cama. Não próximo, em volta da cama. Havia seis, dez, era difícil contar. Como uma ilusão parecia ter mais quando não se olhava diretamente.

— Você finalmente superou… Mas é meio tarde, não é? — um deles disse.

— Quer dizer, olhe pra você — outro falou.

— Você tá nessa cama há tanto tempo que já perdeu a conta — outro.

— E todo mundo sabe que você é… bem, um inválido — e outro.

— Um louco.

— Todo mundo tem vida difícil, mas só você não aguentou.

— Seu irmão tem dó de você…

— Ninguém sabe que você existe além de…

— Ele é tão melhor que…

—… e você nunca fez nada de intere…

—… algumas pessoas simplesmente não nasceram pra…

—… nada de útil, mesmo…

—… nenhuma garota jamais…

—… ou garoto, porque…

—… e não tem problema nenhum ser burro…

—… talento ou…

—…rrer sozinho…

— Tudo bem — o sujeito logo acima de Felix interveio, e todos pararam pra ouvir — vocês talvez tenham razão, mas eu to bem. O único caminho é pra cima, agora. E eu quero andar. Eu quero ver até onde eu chego…

E ele era Felix de novo. Deitado em sua cama, em seu quarto iluminado pela janela aberta. Tinha um armário, uma estante de livros e uma mesa com um computador, mas, na prática, tinha mesmo só uma porta. E Felix se levantou apesar do corpo reclamar e passou por ela.

Ele tinha uma casa inteira, soava tão estranho. Seu irmão não estava mais lá. Um corredor levava a uma sala desarrumada, com televisão, sofá, mesa, telefone e tudo o mais. Tinha uma cozinha com comida… Deus, como ele estava com fome. Pegou um pacote de torradas e foi comendo até encontrar o banheiro. Se ver no espelho foi difícil, mas ele sabia que logo estaria propriamente vivo de novo. Seus olhos voltariam ao normal e ele não seria tão pálido.

Deixou a comida na pia mesmo, e se enfiou no chuveiro, jogando suas roupas no chão. E a água desceu sobre ele num jato forte, mas não doeu. Ele ficou ali por quase uma hora, e quando saiu seus dedos estavam enrugados. Caminhou ainda nu de volta a seu quarto.Acendeu a luz, o sol já começava a deixá-lo, e vestiu-se com roupas limpas. O mesmo fez com sua cama, trocando-lhe os lençóis, e jogou-se de volta nela.

Mas era diferente. E ele apenas dormiu.

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27 comentários em “As Muitas Vozes de Felix (Caio Pereira)

  1. Leandro B.
    15 de janeiro de 2014

    Sabe, ler um conto assim mostra como se pode construir uma imagem extremamente forte sem o uso de violência crua. Um passado perturbador, uma narrativa continua.

    Bom conto.

  2. Pedro Luna Coelho Façanha
    15 de janeiro de 2014

    Um bom conto de drama..bem arquitetado e trabalhado. Eu acho que arquitetar deve ter dado mais trabalho que escrever..rs. Parabéns.

  3. Tom Lima
    14 de janeiro de 2014

    Gostei bastante.

    Belo ritmo.

    Parabéns.

  4. Edson Marcos
    14 de janeiro de 2014

    Bom conto. Demorou um pouquinho para eu engrenar na leitura, mas após a partida do irmão, fluiu bem. A narrativa facilita a visualização das cenas. Gostei da parte onde “os” Félix falam em uníssono, unindo as reticências uma às outras. Não gostei apenas dos “pseudos-fantasmas”, pois esperava entidades de “carne e osso” (???), fantasmas como devem ser. Ainda assim, gostei. O autor está de parabéns. Boa sorte!

  5. Raione
    11 de janeiro de 2014

    Muito interessante a estrutura de “palco” que o conto assume, com personagens fantasmagóricos que vão se revezando sob o foco do canhão de luz. As quebras nos parágrafos, para enfatizar esta ou aquela palavra, também funcionaram. O que não me agradou muito foi, como posso dizer, essa aparência de batalha interior, que a todo momento ameaça assumir um tom de autoajuda, um embate entre Felix e seus fantasmas que é retratado de forma unilateral (os fantasmas parecem ser pura opressão, o que às vezes dá um toque muito retórico para as reações de Felix), embate do qual ele parece sair vencedor (apesar da ambiguidade que encerra o conto, como se o círculo fosse restabelecido). Ainda sobre essa questão da retórica: embora aqui os fantasmas existam essencialmente na consciência de Felix, ao fim da leitura me peguei pensando no filme Sonata de Outono, no diálogo conturbado que mãe e filha travam pessoalmente, um embate em que nenhuma frase soa vazia. De qualquer forma, gostei sim do conto.

  6. Ryan Mso
    9 de janeiro de 2014

    Excelente conto, parabéns ao autor! O início não me pegou, mas depois arrebatou-me de maneira fantástica!

  7. Ryan Mso
    9 de janeiro de 2014

    Excelente conto, parabéns ao autor!

  8. Paula Melo
    8 de janeiro de 2014

    Ótimo conto,boa escrita e muito bem desenvolvido.
    Boa Sorte!!

  9. Pedro Viana
    30 de dezembro de 2013

    Uma progressão da consciência, onde a maioria dos fatos acontecem na cabeça do personagem e seus pensamentos se misturam com a narrativa é muito difícil de ser feita e esta foi feita com perfeição. Gostei da narrativa e da construção do personagem. Mais ainda do elemento “fantasma” desse conto: fantasmas do passado que assombram seu presente. Parabéns!

  10. Frank
    25 de dezembro de 2013

    Um personagem muito bem construído e a atmosfera interior perfeita! Nesse aspecto o conto é um trabalho primoroso. Como estou propenso a considerar o tema do desafio, não fiquei satisfeito com o conto. Quer dizer, a ideia dos fantasmas interiores não me bastou…

  11. Gunther Schmidt de Miranda
    24 de dezembro de 2013

    Após ler uma série de observações sobre os comentários por mim postados neste concurso e suas respectivas respostas (infelizmente) concluí que fui tomado de certa pobreza de espírito. Em certos momentos nem fui técnico, muito menos humilde. Peço perdão a este escritor pelo comentário até maldoso por mim desferido. Sendo assim, apenas me resta ser breve: apenas não gostei de alguns detalhes. Mas seu esforço é louvável e deposito esperança em sua próxima obra que espero ter o prazer de ler em breve.

  12. Weslley Reis
    23 de dezembro de 2013

    Incrível!

    A originalidade foi ímpar e a imersa na loucura do próprio personagem foi feita com exatidão.

    Parabéns.

  13. Jefferson Lemos
    18 de dezembro de 2013

    Gostei DEMAIS!
    Achei muito legal esses fantasmas interiores e esse conflito interno da personagem!
    Acho que no momento, é o melhor que li!
    Parabéns e boa sorte!

  14. Bia Machado
    17 de dezembro de 2013

    Foi uma boa leitura, gosto de contos que exigem uma grande atenção devido à carga emocional. Achei interessante a estrutura, e acredito que tenha contribuído para ajudar a dar uma leveza maior ao conto, para a coisa fluir mais. Gostei muito!

  15. Ana Google
    17 de dezembro de 2013

    Reconheço que o autor sabe o que faz e inovou na temática e na maneira de abordar. Ficou um texto bastante insano… Mas sinceramente? Não faz o meu tipo, e por mais que eu me esforce não consigo gostar dele. Ficou confuso, chato, não me prendeu como leitora. Só que isso é questão pessoal e não tira o mérito do autor. De qualquer forma, parabéns!

  16. Marcelo Porto
    16 de dezembro de 2013

    Que viagem!

    O autor domina muito bem a escrita, mesmo sendo um texto complexo a narrativa flui e não deixa o leitor se perder, e nem perde o leitor, o agarra pelas orelhas e só solta quando Felix volta a dormir.

    Considero um dos melhores que li até o momento.

  17. bellatrizfernandes
    16 de dezembro de 2013

    Muito bom!
    Adorei tudo! O título, o narrador, a forma que você abordou os fantasmas – com assombrações do passado – tudo ab-so-lu-ta-men-te genial!
    Parabéns!
    Acho que já encontrei um conto para o meu voto!

  18. selma rios
    16 de dezembro de 2013

    E agora? Será que eu entendo de alguma coisa? Todo mundo adorou o conto! Eu não. Achei confuso, dispersivo, chato mesmo. Está mal escrito, espaço demais, fica estranho…
    Enfim, acho que devo ir a outro blog…rs.

  19. Thata Pereira
    16 de dezembro de 2013

    Gostei muito da leitura… ela meio que voa, não por ser corrida, mas por ser leve, poética. Gostei dos parágrafos curtos e principalmente dos últimos diálogos. Boa sorte!

  20. Gunther Schmidt de Miranda
    15 de dezembro de 2013

    Mais um texto em que o espaço e tempo são completamente desprezados. O título já “telegrafa” o texto, perdendo assim o sabor da surpresa. Não dá para definir se Felix tem amigos imaginários ou se sofre de distúrbios mentais. Quanto aos fantasmas; bem, onde estão?!

  21. Inês Montenegro
    15 de dezembro de 2013

    Excelente ideia a de usar “fantasmas pessoais”, foi uma abordagem original ao tema, e algo que toca a qualquer um, facilitando a empatia do leitor. Também se nota bem o arco da personagem nestas poucas palavras.
    Quanto à estrutura da narrativa, pareceu-me que estavas a fazer experiências. Em algumas partes ficou muito bom, uma boa jogada, por assim dizer, mas noutras ficou exagerado e sem grande sentido. Atenção ao uso de minúsculas após um ponto final, e a pontuação em falha (não me refiro à das ditas experiências, mas da narração mais “comum”).

  22. Cácia Leal
    15 de dezembro de 2013

    Excelente conto! Adorei! Muito bem escrito. Acredito que figure entre os primeiríssimos lugares. A parte da loucura, da psiqué, um pouco de onírico!… Fantástico.

  23. Ricardo Gnecco Falco
    15 de dezembro de 2013

    Um conto de personalidade(s).
    Gostei!
    🙂
    Parabéns ao autor!

  24. Gustavo Araujo
    14 de dezembro de 2013

    Rapaz, excelente conto. Há uma mistura fantástica de elementos aí. A atmosfera onírica que permeia todas as linhas, a loucura, a confusão entre sonhos e realidade. Ficou muito bom, realmente. Esses encontros com os fantasmas da vida, consigo mesmo, as idas e vindas, tudo isso permitiu que eu, leitor, considerasse possível a viagem. O único senão na narrativa, a meu ver, foi o uso excessivo de “e” a cada início de período. Talvez tenha sido intencional, para dar à narrativa um clima mais fabuloso, mas de todo modo me incomodou um pouco. No geral, contudo, o conto me cativou. Parabéns pelo trabalho.

  25. Claudia Roberta Angst - C.R.Angst
    14 de dezembro de 2013

    Gostei de encontrar um formato novo, com essas frases soltas revelando o pensamento e sensações do personagem. Todos nós temos fantasmas em nossas lembranças, uns mais sutis, outros mais punks. Senti o clima fantasmagórico na narrativa. Deixar o leitor livre para tirar suas próprias conclusões quanto às várias vozes de Felix, nesse surto esquizofrênico, foi uma boa opção. Reli, fiquei tonta, mas gostei. Boa sorte.

  26. Elton Menezes
    14 de dezembro de 2013

    Sobre o título… Bem legal. Explicativo, sem se revelador.
    Sobre a técnica… Muito boa. Consegue fazer uma mistura bem elaborada de uma narrativa onisciente apurada, com um lirismo estrutural perfeito. Adoro as alterações de formatações, com parágrafos soltos, intercalados. Fica uma coisa poética a la Drummond.
    Sobre a história… Achei o personagem muito bem construído. Acho que essa frase define a construção dele: “quando tinha anoitecido?”. Encaro que os fantasmas aqui estão num sentido figurado. Não sei realmente se isso CABE ao tema solicitado, mas acredito que deixarão passar. O fato é que as lembranças e a mente perturbada foram construidas de um modo muito legal.
    Sobre o final… Senti uma revigorada no rapaz, tudo a ver com a situação. Mas eu, Elton, particularmente falando, teria deixado algo dúbio no ar. Ao invés de chuveiro, eu colocaria o rapaz entrando numa banheira e passando algum tempo ali dentro… De forma que, quando saísse, ficasse dúbio na mente do leitor se o rapaz se matou, ou se realmente ele estava revigorado. Esse é o tipo de final aberto que vale ser feito. Mas eu adorei como está. O resultado é um conto limpo e belo, que talvez fuja um pouco ao tema, mas que é maravilhoso de ler.

  27. Marcellus
    14 de dezembro de 2013

    Que conto… bom! Não dei nada por ele no primeiro parágrafo mas depois… ele me atropelou!

    A ideia de colocar as imagens como se projetadas num tipo de efeito especial “analógico”, de filmes antigos, foi muito bem sacada!

    Meus entusiásticos parabéns ao autor!

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Informação

Publicado às 14 de dezembro de 2013 por em Fantasmas e marcado .