EntreContos

Detox Literário.

Daemons (Marcellus Pereira)

Seria sua primeira noite sozinha na mansão. Defronte à janela do escritório que fora do pai, podia ver o último carro a se afastar da propriedade.

Não pisava naquela casa havia mais de dez anos. Crescera ali, solitária, enquanto ele fazia fortuna, trabalhando noite e dia com suas ideias revolucionárias, construindo aquele supercomputador no porão. A mãe morrera no parto e havia sido assunto proibido, até o dia da briga final, quando decidira sair de casa.

Hoje, depois de cumprir o último desejo dele e espalhar suas cinzas pelo pomar, via que tudo aquilo tinha sido uma bobagem. Se não queria falar da esposa, quem era ela para impor-lhe algo? E que diferença haviam feito os dez anos de silêncio? Sentia o arrependimento apertar-lhe o estômago. Aquela queda de braço teria contribuído para que desse cabo da própria vida, certamente. Culpa.

Experimentou a velha cadeira dele. Quando havia sido a última vez? O couro gasto a acolhia e abraçava. Sobre a mesa de mogno, o vidro grosso protegia cédulas de vários países. Uma leve camada de poeira denunciava o apreço do pai pelo seu refúgio: nem os empregados mais próximos se atreviam a entrar ali.

A primeira gaveta não se abriu quando ela tentou. Tinha um segredo, lembrava-se agora: era preciso puxar a segunda até a metade e abrir a última completamente. Daí uma trava interna liberaria o ferrolho.

“Ele costumava esconder ovos de Páscoa aqui.” _ deixou que as palavras saíssem sem perceber.

Dentro, havia apenas dois envelopes pardos. O primeiro, endereçado a uma revista estrangeira sobre computação. No canto superior direito, um demônio vermelho, símbolo do sistema operacional preferido. Curioso que um ferrenho defensor do avanço tecnológico ainda enviasse seus artigos impressos em papel.

O segundo tinha o nome dela. Apenas o nome, sem endereço. Estranho.

Rasgou a borda do envelope com uma espátula metálica. Uma carta.

“Olá, minha querida. A esta altura você já deve ter cremado meu corpo e, se não o fez, imploro-te para que o faça imediatamente. Nestas linhas vou contar o que já não deveria ser segredo entre nós há tempos. Mas nossos temperamentos são tão similares que nos afastaram por anos, não é mesmo?”

“Por favor, leia esta epístola até o fim e não me julgue louco. Nunca estive mais são em toda minha vida e se meus atos transmitem a impressão de um covarde desesperado, saiba que foi com o intuito de protegê-la que os fiz.”

“É preciso voltar muito no tempo para que você possa compreender toda a magnitude do problema. Precisamente, cinco anos antes do seu nascimento. Foi quando conheci sua mãe. A criatura mais linda que Deus já colocou sobre a Terra. E inteligente! A melhor aluna da classe.”

“Eu dividia apartamento com outros quatro bolsistas, éramos um bando de ‘mortos-de-fome’ então. Todo o nosso tempo era dedicado ao doutorado, mas depois que conheci sua mãe, era impossível passar um dia sem vê-la.”

“Passados alguns meses, pedi sua mão e foi a noite mais feliz das nossas vidas. Ela se graduaria em breve e nosso futuro parecia brilhante e promissor.”

“Logo depois do casamento, abri minha própria empresa. A implementação da tese de doutorado revolucionaria a computação. Eu estava tão convicto… tinha tanta segurança de que o meu modelo de rede neural seria a next big thing…”

“Consegui dois investidores, montei uma pequena equipe e tinha sua mãe comigo. Nada poderia dar errado.”

“Como previsto, as primeiras versões do sistema eram muito mais avançadas que qualquer computador já visto. Era possível fazer cálculos e buscas nos bancos de dados em até metade do tempo, sob certas condições. Nosso primeiro contrato foi com uma mineradora. O segundo, com uma universidade americana.”

“Apesar de tudo correr como o esperado e o faturamento engordar a cada trimestre, eu queria mais. Muito mais. Sabia que aquela tecnologia podia ser melhorada, transformada em algo praticamente perfeito! Eu precisava escrever meu nome na História!”

“Pedi afastamento das tarefas na empresa e continuei apenas como consultor. Comprei esta casa e construí no porão um supercomputador capaz de implementar a minha visão: uma máquina capaz de competir com o cérebro humano.”

“Sua mãe continuava me ajudando e logo veio a boa-nova: ela esperava um bebê! Não havia como descrever nossa felicidade!”

“Mas como dizia Poe, ‘Para ser feliz até certo ponto é preciso ter sofrido até esse mesmo ponto’. Então, a vida começou a nos cobrar por toda aquela alegria. Apesar dos meus cálculos, a nova versão não funcionava. Nada funcionava. A máquina era apenas… uma máquina. Eu passei a me isolar no porão cada vez mais e sua mãe, depois de algum tempo, desistiu de tentar me tirar de lá.”

“Certa noite, chovia torrencialmente e os relâmpagos iluminavam toda a casa. Sua mãe bateu à porta do porão, o que me irritou profundamente. Gritei para que me deixasse em paz e, ó Deus, como me arrependo! As batidas cessaram no mesmo instante, mas a irritação não me permitiu voltar aos cálculos. Estava nervoso, queria que ela me deixasse em paz. Eu precisava trabalhar!”

“Abri uma garrafa de uísque e me servi. Precisava relaxar. Quando dei por mim, já era manhã e a garrafa estava pela metade. Arrependido, com a cabeça pesada, resolvi procurar sua mãe e me desculpar. Abri a porta do porão e levei o maior susto da minha vida: ela estava lá, inerte no chão, o sangue coagulado entre as pernas.”

“Tentei acordá-la, sem sucesso. Estava fria, pálida e eu temia pelo pior. O telefone não funcionava e com muito custo, carreguei-a com todo o cuidado até o carro. A estrada era um lamaçal e foi com muito custo, demora e lágrimas que chegamos ao hospital.”

“Os médicos a internaram e eu fiquei lá, jogado em um sofá velho, remoendo a culpa e a tristeza, recebendo olhares reprovadores e negativas de cabeças.”

“Quando por fim alguém veio falar comigo, a notícia aterradora era de que a vida de sua mãe era mantida por aparelhos, mas você estava bem.”

“Eu fiquei sem chão, completamente perdido. Não sabia o que pensar, o que fazer…”

“Mas isso já faz muito tempo. Contratei uma enfermeira para cuidar de você, enterrei sua mãe… e a vida foi se ajustando, como sempre acontece.”

“Os primeiros meses foram difíceis, uma nova rotina… eu estava convicto em deixar todo o trabalho no supercomputador e levar uma vida mais tranquila, cuidando de você e escrevendo meus artigos. Seu sorriso me enchia de felicidade, porque via nele as mesmas bochechas de sua mãe. Você era tudo o que eu precisava.”

“Mas então, a vida voltou a me cobrar. No começo, achei que estivesse perdendo a lucidez, contraído alguma doença degenerativa. Sonhava com sua mãe e, no sonho, ela me ajudava a resolver as equações disfuncionais da máquina. Acordava no meio da noite, suado, com taquicardia, mas com as soluções bem vivas na memória. Toda noite, o mesmo sonho. As mesmas equações.”

“Aquilo foi me enlouquecendo, me empurrando para o porão. Para a máquina.”

“Prometi a mim mesmo que ficaria por lá apenas uma hora por dia. Só para provar as equações. Mas logo estava ficando duas. Três. Quatro. E o que era pior: sua mãe aparecia para mim à noite, ao lado da cama. Não apenas em sonhos, mas lá, do meu lado, com seu rosto lindo, ainda que cadavérico e a mão esquálida a apontar para o porão. Impelindo-me…”

“Aos poucos, voltei à rotina de me enfiar no trabalho. Deixei que os empregados se encarregassem de você, porque sua mãe me dizia que em breve ‘tudo estaria resolvido’. E eu acreditei nela. Ou na minha loucura, já não fazia mais diferença.”

“Quando, um dia, você apareceu no porão exigindo atenção, eu estava no meio de um telefonema importante, cobrando algumas placas atrasadas. Você não entendia a situação, não poderia entender. Quando se virou para ir embora, sua mãe segurou meu ombro: ‘Ela está bem.’, foi o que sussurrou ao meu ouvido. E eu deixei.”

“Você saiu da minha vida por dez anos. Eventualmente eu via um cartão de Natal, uma carta da faculdade de engenharia, mas o trabalho era tanto… sua mãe não me deixava parar. Eu devia aquilo a ela, é claro.”

“Ontem, finalmente, o último algoritmo foi concluído. Estava exausto, mas satisfeito: sua mãe poderia finalmente descansar. Eu poderia finalmente descansar. Com as órbitas vazias, ela virou-se para mim e, feliz, sussurrou um ‘finalmente, agora posso voltar’. Não entendi e, para meu horror, ela contou que usaria o computador. Renasceria nele. Ante minha incredulidade, ela soltou um riso que gela meus ossos com a mera lembrança. ‘Quanto mais complexo o computador, mais próximo do cérebro humano. Qual a diferença entre possuir um corpo ou um computador avançado, então? São apenas impulsos elétricos…’.”

“Só então percebi a abominação que havia criado. A monstruosidade. Em pânico, pensei em desligar tudo, destruir as placas, formatar os HDs… mas sua mãe é inteligente. Muito inteligente! Com um sorriso descarnado, sussurrou ‘Corra!’. Um segundo depois, o sistema anti-incêndio do porão foi ligado. Ao contrário dos utilizados em hotéis e casas, quando existem muitos equipamentos elétricos não se usa água esguichada do teto. Usa-se gás. Gás carbônico. Ele ocupa o espaço do oxigênio, extinguindo tudo o que se alimenta dele: de chamas a vidas humanas. Consegui escapar do porão, mas sua mãe trancou a porta elétrica. Como os nobreaks ficam lá dentro, não há nada que eu possa fazer. Daqui do escritório consigo ouvir seus gritos… suas lamúrias… suas risadas demoníacas. Tremo só de imaginar o que possa estar acontecendo lá dentro.”

“Não consigo viver com isso na consciência, minha querida. É antinatural. É abominável. E é amedrontador. Está me enlouquecendo, me destruindo. Vou colocar um fim nessa loucura ainda hoje. E se tenho o direito de te pedir mais alguma coisa, por favor, por favor, tranque esta casa, desligue a rede elétrica e não deixe que ninguém mais entre aqui.”

“Com amor, seu pai.”

Então, era aquilo. Ele havia enlouquecido, afinal. Com um sorriso triste, lembrou-se de quantas vezes o desejou morto, caído, acabado… e agora que tinha a confirmação de que, no final, ele era apenas uma sombra do homem de outrora, não conseguia livrar-se da sensação de vazio. De arrependimento.

Conferiu o relógio de pulso: passava pouco das dezoito horas. Os empregados já deveriam ter ido embora, mas a governanta simpática havia garantido que deixaria chá e um prato de comida no micro-ondas. Não sentia fome, mas estava com a boca seca.

Desceu as escadas lentamente, divagando sobre a carta do pai.

A cozinha estava iluminada e seu chá devidamente morno sobre o fogão. Serviu-se de uma xícara, mas sentiu falta do açúcar. Preferiu tomá-lo assim mesmo: amargo como aquele dia ruim.

O aquecimento central deveria estar desregulado: começava a suar, com o calor espalhando-se a partir do estômago. Tirou o grosso casaco, ficando apenas com a segunda-pele azul.

Um ruído a assustou: parecia o portão eletrônico do seu prédio. Vinha do porão.

Um calafrio subiu pela espinha e os pelos dos seus braços se eriçaram.

“Não seja tola. Papai estava senil, esse tipo de coisa não existe.” _ disse em voz alta, tentando recuperar a coragem.

Analisando friamente, viu surgir uma pontada de curiosidade: como seria, afinal, o trabalho da vida do pai? Era engenheira da computação, não podia negar que tivesse uma queda por sistemas de alto desempenho e onde poderia encontrar um melhor, completamente à sua disposição?

Segurando o casaco, foi até a entrada do porão. Esperava encontrá-la trancada, como tantas vezes havia acontecido em sua infância. Mas a porta era agora diferente, mais moderna: em vez de madeira, algum tipo de metal. Em vez de chaves, um sensor biométrico de impressões digitais. E, surpresa das surpresas: estava aberta.

Ao puxá-la, a iluminação da escada foi acionada automaticamente, incomodando seus olhos. Pisou no primeiro degrau, apreensiva.

A manga do casaco havia se enroscado na porta, levando-o ao chão. Antes que pudesse se virar, no entanto, uma voz feminina, cristalina e poderosa, saudou-a: “Bem vinda!”.

Esquecendo-se do casaco, voltou a descer os degraus, desta vez com mais confiança. O computador, afinal, estava ligado e funcionando.

Todo o porão se iluminou. Era menor que aquele da sua memória, mas ainda assim, respeitável: certamente mais de mil metros quadrados. Podia ver enormes prateleiras, de cima abaixo e tomando quase toda a profundidade do cômodo. Nelas, centenas de servidores iguais, com pequenos leds piscantes e emaranhados de cabos.

À sua direita, a velha mesa que o pai usava. Os três monitores de vinte e cinco polegadas mostravam imagens tridimensionais, gráficos que, ela imaginava, indicavam o estado geral do sistema.

A voz incentivou-a a sentar-se, completando: “Por favor, em que posso ser útil?”. O pai havia feito um ótimo trabalho na interface, pensou. Poderia jurar ter percebido um leve tom de ansiedade naquela última frase.

Ao sentar-se, observou as duas câmeras sobre os monitores laterais, ligadas. Não conhecia os programas, não saberia como utilizá-los, mas reconheceu o diabinho vermelho, símbolo do sistema operacional. Procurou algum ícone conhecido, mas a voz veio em seu socorro novamente: “Linguagem natural, querida. Basta… falar!”.

Os monitores trocavam os gráficos a cada poucos segundos, deixando um espaço negro por um breve intervalo.

“Claro… err… olá! Como devo chamá-la? ‘Computador’? ‘Siri’?” _ perguntou um tanto constrangida.

Um dos monitores agora refletia seu rosto, curioso como o da garotinha que havia dez anos não entrava ali. E, atrás dela, alguma outra coisa.

Você pode me chamar de MÃE, minha querida.” _ ouviu a poderosa voz mais próxima desta vez, sentindo um toque gélido no ombro.

Levantou-se num sobressalto, virando-se enquanto derrubava um dos monitores com as costas. O coração pulsava em sua garganta e os olhos vidrados observavam o espectro de uma mulher alta e esbelta, flutuando à sua frente.

A aparição vestia uma longa camisola de seda negra, que contrastava com a brancura mórbida da pele. Os dentes, perfeitos e regulares, mostravam-se através de um sorriso contagiante, com lábios finos, pintados de vermelho-escuro pela morte.

Aquele sorriso tinha algo que a acalmava aos poucos, à medida que sua mente racional recuperava o controle do corpo.

Nas poucas fotos que tinha da mãe, as bochechas sempre chamavam sua atenção: idênticas às suas. E era inegável que ali, à sua frente, aquele espectro flutuante pudesse ser, de fato, quem dizia ser.

Antes que você pergunte” _ continuou a voz cristalina que emanava tanto das caixas de som quanto dos lábios vermelho-escuros da criatura _ “eu não sou apenas uma projeção tridimensional, uma interface. Eu sou sua mãe. Ou, pelo menos, o espírito que habitava o corpo do que outrora foi sua mãe.”.

Sua mente cartesiana e racional tentava a todo custo processar aquelas informações. Nunca acreditara naquele tipo de besteira e duvidava fortemente que um ser humano fosse mais que um amontoado de átomos. A única explicação era…

“Meu pai enlouqueceu. Enlouqueceu e criou um avatar… um programa de resposta ao usuário que se parece com a minha mãe. É isso!” _ as palavras saíram num tom mais alto do que ela desejava.

O espectro, tremeluzindo à sua frente, nada respondeu. Muito menos exibiu alguma reação.

Convicta de que sua teoria era certeira, decidiu colocar um fim naquilo.

“Computador?” _ tentou dizer  da forma mais clara possível. Mas o espectro continuou impassível.

“Mãe?” _ tentou novamente, a contragosto. Desta vez, a figura translúcida voltou a sorrir.

Se o sistema operacional preferido do pai estivesse sendo usado como base para aquele supercomputador (o que era bem plausível) e aquela… interface… avatar… aquela coisa pudesse acessar o usuário administrativo, então ela estaria com a faca e o queijo nas mãos.

“Por favor, mãe… liste todos os daemons rodando neste exato momento.”

Daemons… que adequado!

Uma janela negra se abriu no monitor esquerdo, que ainda estava sobre a mesa, mostrando uma lista de nomes e números. Ela sabia o que queriam dizer, graças aos anos de treino na faculdade e nas empresas onde havia trabalhado. Era uma questão de tempo encontrar o nome do programa que operava o espectro.

Sob o olhar interessado do vulto, ela vasculhou a lista várias vezes e nenhum nome soou apropriado. Por fim, teve outra ideia:

“Mãe… posso desligar o sistema?”

A resposta veio sem hesitação: “Mas é claro, minha querida!”.

Foi a sua vez de sorrir. Um sorriso malicioso, que sempre a entregava nos jogos de poker.

“Então… por favor, desligue o sistema. Shutdown now!”.

Como se ouvissem o comando simultaneamente, todos os servidores piscaram seus ledssimultaneamente enquanto o barulho mecânico de suas entranhas se intensificava. Depois de alguns segundos, todos desligaram, restando apenas o ruído de discos diminuindo a rotação. A iluminação do porão também se desligou, ficando apenas as lâmpadas laterais, de tonalidade azul, que serviam em emergências.

Seu sorriso malicioso morreu aos poucos. Uma expressão de pânico misturada a incredulidade tomou conta do seu rosto, ao perceber que o espectro continuava ali, flutuando à sua frente.

Agora você entende?” _ a voz era menos clara agora e vinha apenas dos lábios vermelho-escuros.

Emocionada, já com lágrimas escorrendo pelo rosto, ela simplesmente balançou a cabeça. Como poderia entender? Estaria louca, como o pai?

Caminhe comigo, minha criança e tudo será esclarecido.

Sem alternativa e já entregue a um torpor macio e aconchegante, seguiu o espectro por um dos corredores entre as prateleiras de equipamentos.

As almas não podem deixar este mundo enquanto houver algum resto mortal, físico, de seus cérebros. Sem perceber, seu pai me condenou a essa não-vida. Quando soube que apenas os aparelhos sustentavam meu corpo, tomou uma decisão radical: contratou uma empresa americana para cortar e congelar minha cabeça, na esperança de que um dia pudesse me trazer de volta.

O espectro parecia flutuar mais alto agora. Voltando a cabeça para ela, perguntou:

Ele não te contou isso, contou?

Horrorizada, ela balançou a cabeça numa negação.

Imaginei.” _ era possível sentir uma profunda amargura naquela voz desencarnada. Avançando ainda mais para o fundo do corredor, continuou: “Você não tem ideia de como é te ver crescendo… vivendo… sem poder tocá-la. Sem poder embalar seu sono, ou acariciar seus cabelos. Talvez seja isso o que chamam de ‘limbo’.

Odiei seu pai por isso. Era culpa dele eu ter morrido e era culpa dele eu não poder descansar. Então, com todas as forças que só o ódio é capaz de fornecer, eu encontrei uma saída. Uma forma de voltar a viver, superando deuses e demônios! Uma maneira de criar uma forma física capaz de sustentar minha alma sem precisar… disto.

Através do corpo translúcido, ela pode ver o que o espectro da mãe apontava: um pequeno cilindro de metal, com dezenas de cabos interconectados. Na lateral, um símbolo de “perigo biológico”.

Caindo de joelhos, desamparada, só conseguiu dizer com um fio de voz: “Ah mãe… não…”.

Sim. Meu cérebro está ali. Ele foi a primeira versão funcional do supercomputador de seu pai. Ele nunca considerou que para criar uma máquina tão poderosa era preciso uma alma! E a dele ainda não era tão potente assim.

Por todos esses anos eu o ajudei a aperfeiçoar o projeto. Expandindo… melhorando… e agora, finalmente, está pronto. Agora eu posso voltar a habitar um corpo físico, ainda que diferente da carne. Mas ele tem suas vantagens! Ah se tem! Seu pai se acovardou, mas nós… nós seremos deusas, minha filha! Deusas! Viveremos para sempre, conectadas a tudo o que o ser humano criar, tudo o que estiver ligado e conectado! Nós governaremos o mundo!

Que insanidade era aquela? Do que ela estaria falando?

“Mas, mãe… para isso eu precisaria… morrer…”

Não se preocupe. Os ganhos ultrapassam em muito as perdas. É uma simples questão de lógica! Venha! Aqui será o meu novo útero! Aqui você renascerá comigo, meu amor!

A gargalhada que se seguiu foi a coisa mais horrenda que ela já havia ouvido. Desesperada, sem saber o que pensar, seguiu o instinto mais básico: sobreviver. Levantou-se com um salto e disparou em direção à porta do porão.

Não seja tola, criança!” _ o grito ecoou entre os servidores, que voltavam à vida em seu rápido processo de inicialização.

Sem olhar para trás, subiu as escadas saltando os degraus. A porta, mantida aberta pelo casaco caído, escancarou-se com o choque. Puxou o casaco e fez com que ela batesse, trancando-se automaticamente.

Passou pela cozinha como um raio, tateando o bolso da calça, à procura das chaves do carro.

Antes de fugir, porém, lembrou-se do que deveria fazer. Foi até a chave geral, na lateral da casa e a desligou. Os nobreaks poderiam alimentar os servidores por vinte e quatro… talvez quarenta e oito horas, não mais que isso. Entrou no carro e acelerou até a cidade, para nunca mais voltar.

***

Meses depois, já de volta à capital, ela saía da terapeuta com a crescente convicção de que tudo aquilo não passara de uma crise de stress-pós-traumático, desencadeada pelo suicídio do pai.

Esperando o elevador, sentiu vibrar o celular. “Número desconhecido”.

“Alô?”

Olá, minha querida!” _ respondeu uma voz feminina, cristalina e poderosa.

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31 comentários em “Daemons (Marcellus Pereira)

  1. Marcellus
    16 de janeiro de 2014

    Olá, pessoal, chegou a hora de mais um “bate papo com os leitores”! 😉

    Primeiramente, muito obrigado pela leitura e, principalmente, pelas críticas. Sou muito grato a todos vocês pela imensa colaboração nessa agradabilíssima jornada que é (tentar) escrever.

    Pois bem, vou confessar que não sou um fã ardoroso do tema, por achá-lo fantasioso demais. Mas este desafio me fez questionar algumas convicções literárias e o encarei com a firme convicção de que seria um exercício de valor. No entanto, como alguns de vocês apontaram, o conto está mais para ficção científica que para fantasmas… uma “traição” do subconsciente, imagino.

    Os detalhes que podem interessar:

    * BSD é um sistema operacional de código livre, o Berkeley Software Distribution;

    * o símbolo do sistema é um diabinho muito simpático, chamado Beastie;

    * os diversos programas que rodam “invisíveis” ao usuário, são chamados de “demons” ou “daemons”. Fiquei na dúvida quanto ao plural em latim, então, deixei “daemons” mesmo;

    * a inspiração veio de um filme muito antigo, chamado “Demon Seed” (“Geração Proteus” por aqui) estrelado pela Julie Christie;

    * a mansão saiu diretamente de “Batman: the Animated Series” e, Gunther, fica no número 1007 da Mountain Drive, em Gothan. 😉

    * a questão dos nomes (ou a falta deles) foi uma escolha consciente. Deram um Nobel de Literatura a um português que escrevia assim, então… falando a sério: como me dispus a um exercício, achei interessante que fosse algo mais extenso, mais profundo. Como cresci lendo contos antigos (Conan Doyle, Allan Poe e companhia), tive um choque ao ler “Ensaio Sobre a Cegueira”, mas acabei por entender que os nomes distrairiam o leitor das características das personagens. Infelizmente, não tenho a verve do Saramago…

    Depois de ter enviado o conto, ficou martelando minha cabeça a ideia de que eu havia “trapaceado”: escrito mais FC que terror/horror/algo-com-fantasmas-mesmo. O resultado foi a outra história deste mês: “Amor aos Pedaços”.

  2. Leandro B.
    15 de janeiro de 2014

    Eu não sei porque continuo me espantando com a criatividade de alguns autores… Excelente técnica, idéia e narrativa. Certamente entra na minha lista.

  3. Tom Lima
    14 de janeiro de 2014

    Alguns dos clichés me incomodaram, mas não tiraram o brilho do conto.

    Muito criativo, bem escrito e com boas surpresas como o final.

    Parabéns.

  4. Caio
    14 de janeiro de 2014

    Olá. Achei muito legal seu jeito de escrever, tinha um tom de veracidade na protagonista. A quebra pra carta e a pro discurso da mãe soaram meio condensadas demais, e as melhores partes pra mim foram os intervalos sem exposição de enredo, em que a filha sozinha explora. Quando a história avança, é meio sem preparação ou tensão, acho que dava pra expandir, tomar mais calma na hora de contar tudo. Mas a escrita eu gostei bastante, só o jeito que você escolheu contar tudo que não foi efetivo comigo. Espero seja de alguma ajuda, abraços

  5. Edson Marcos
    14 de janeiro de 2014

    E daí que o conto tem muitos clichês? Eu partirculamente gostei da forma como eles foram empregados, até porque acho difícil não encontrarmos clichês num tema tão popular e amplamente explorado. Um dos melhores contos que li aqui.
    Que tal mudar o final e acrescentar mais um clichê: a filha liga o computador, e o cursor do DOS faz surgir letras verdes na tela preta: “Olá, minha querida!”

    Boa sorte e parabéns!

  6. Raione
    11 de janeiro de 2014

    Não esperava um híbrido de ficção científica e terror, fiquei surpreso, positivamente surpreso. O uso de termos provenientes da computação, da informática, contribuíram para tornar tudo mais verossímil, sem obscurecer demais a história para o leitor. Mas o conto é muito prejudicado por uma série de clichês que aparecem a partir da figura do cientista megalomaníaco e do supercomputador assombrado e igualmente megalomaníaco. Também penso que a história está condensada demais.

  7. Ryan Mso
    9 de janeiro de 2014

    Conto sagaz, bem estruturado e excelente história. Parabéns ao autor!

  8. Pedro Luna Coelho Façanha
    7 de janeiro de 2014

    O conto é bonzão. Apesar de eu ter achado a primeira parte do conto, até o fim da leitura da mensagem do pai, bem melhor que a segunda, ele se mantêm coerente o tempo inteiro.

  9. Paula Melo
    6 de janeiro de 2014

    Gostei bastante do conto,achei bem estruturado e desenvolvido.
    Parabéns pela ideia do conto.
    Boa Sorte!

  10. Pedro Viana
    27 de dezembro de 2013

    Sem dúvida, é um conto instigante. Desde o início fiquei preso a narrativa (que é muito boa, aliás), mas me perguntava onde, por diabos, eu encontraria fantasmas. Quando descobri me fascinei pela ideia de usar fantasmas num computador de consciência, um crossover entre ficção científica e terror. Só por isso já garantiu muitos pontos comigo. Porém, o final não me agradou e as reações da personagem principal foram um tanto fracas no meu ponto de vista. “Caindo de joelhos, desamparada, só conseguiu dizer com um fio de voz: ‘Ah mãe… não…’.” Isso é uma criança ou uma engenheira que fora adulta o suficiente para abandonar o pai por 10 anos? Apesar disso, merecidamente, eu parabenizo o autor ou a autora pelo conto.

  11. Frank
    24 de dezembro de 2013

    Como sempre digo aqui, sou fã de FC e nessa o conto já ganha um “bônus”…rs. Bem bacana o fantasma na máquina e a ideia de que a “criatura se volta contra o criador” (no caso a mãe maligna e sua relação com a filha). Não achei a ideia em si inovadora, mas o conto está muito bem escrito e a leitura é deliciosa. Parabéns!

  12. Gunther Schmidt de Miranda
    24 de dezembro de 2013

    Após ler uma série de observações sobre os comentários por mim postados neste concurso e suas respectivas respostas (infelizmente) concluí que fui tomado de certa pobreza de espírito. Em certos momentos nem fui técnico, muito menos humilde. Peço perdão a este escritor pelo comentário até maldoso por mim desferido. Sendo assim, apenas me resta ser breve: apenas não gostei da forma dos diálogos e outros detalhes. Mas seu esforço é louvável e deposito esperança em sua próxima obra.

  13. Weslley Reis
    23 de dezembro de 2013

    Para mim, o melhor conto que li até agora. Não tenho muitos adendos a fazer.

    O tema foi extremamente criativo e nenhum dos supostos erros citados atrapalhou minha leitura e imersão na trama.

    Meus parabéns ao autor.

  14. Jefferson Lemos
    18 de dezembro de 2013

    Achei o conto excelente, a história muito boa e uma escrita limpa. Porém, não me agradou. No meu caso é apenas uma questão de gosto.
    O autor está de parabéns!
    Boa Sorte!

  15. Marcelo Porto
    16 de dezembro de 2013

    Um excelente conto. A ciber-fantasma se encaixa perfeitamente na conjuntura atual e narrativa foi bem conduzida.

    O final também foi muito bom, deixando aquele velho CONTINUA…

    Eu sugiro ao autor apenas a rever as intenções megalomaníacas da ciber-fantasma-mãe com as suas gargalhadas de filme B. A construção dela por si só já é suficiente para causar temor, ainda mais numa sociedade informatizada como a nossa.

    Repetindo uma sugestão que recebi num dos concursos anteriores, às vezes menos é mais.

  16. bellatrizfernandes
    16 de dezembro de 2013

    Gostei muito da história. Adorei o final! Um dos melhores até aqui!
    Acho que minha única observação é que você não precisava colocar as aspas em cada parágrafo da carta, senão parecem vários fragmentos e não a carta como um todo. Mas isso depende do estilo de cada um, nem se preocupe.
    Parabéns pelo conto!

  17. Thata Pereira
    16 de dezembro de 2013

    Conto que mais gostei até o presente momento. Gostei muito da carta do pai e até mesmo do ar diabólico da mãe. A parte que a menina foge da casa foi um pouquinho corrido, mas adorei o final com a ligação da mãe.

    A falta do nome nos personagens não me incomoda e até me faz lembrar Shakespeare: De que vale um nome, se o que chamamos de rosa, sob outra designação teria o mesmo perfume? 😉

    Boa Sorte!

  18. selma rios
    16 de dezembro de 2013

    Está mais para ficção que para fantasmas; é longo, mas bem escrito; particularmente não me envolveu. Parabéns.

  19. Gunther Schmidt de Miranda
    15 de dezembro de 2013

    Particularmente já não gostei do título em inglês… Mais um conto que não se sabe onde e quando acontece… O pior é que a mãe sofria de um mal, pediu ajuda ao pai, não foi socorrida e nem pediu socorro (seja por telefone, fax, sinal de fumaça) aos bombeiros ou força policial! A mãe (que não tem nome assim como o pai e a filha – HORRÍVEL!) é um “Frankensteis eletrônico”?!

  20. Bia Machado
    15 de dezembro de 2013

    Gostei da narrativa e muito legal a exploração da FC na história, ficou muito bom. Concordo com a questão de “domínio do mundo” apontada em um dos comentários, é muito clichê, batido demais. Não sei se foi impressão minha, mas acho que o final correu um pouquinho, poderia ser mais explorada essa parte, ficou muito curta pra dar todo o impacto que ela possibilita, em minha opinião. Parabéns ao autor! =)

  21. Inês Montenegro
    15 de dezembro de 2013

    Parece-me que há demasiada história para o limite de palavras. Também não compreendo porquê que a mãe da protagonista não foi capaz de usar um telefone ou celular/telemóvel para chamar uma ambulância – não nos é dito que ela era incapaz, pelo contrário, nem que a casa no geral se encontrava isolada. Tendo em conta que é o que desencadeia a morte dela e todo o enredo, trata-se de um detalhe importante.
    Atenção ao excesso de tell que encontramos logo no início do conto. Torna a leitura morosa para o leitor.
    Quanto aos diálogos, uma vez que optaste por aspas, não há necessidade do uso de travessão antes de passar para o discurso indirecto. No entanto, se tivesses optado pelo travessão, seria, tal como no início da fala, um travessão (-) e não underscore (_).

  22. Gustavo Araujo
    15 de dezembro de 2013

    Excelente história. O enredo instiga a leitura do começo ao fim. É quase compulsivo. Gostei muito da ambientação, da carta do pai que nos apresenta o contexto. A mistura de ficção com paranormalidade também ficou sensacional. Parabéns ao autor pela criatividade, pelo modo como nos apresentou a história. Seguramente este conto estará no pódio.
    O único aspecto que eu trocaria – veja, essa é uma questão eminentemente pessoa – é a origem da loucura da mãe. A ideia de “conquistar o mundo” me pareceu um pouco forçada, um clichê, aliás. Creio que tudo ficaria mais redondo se ela simplesmente quisesse manter a filha consigo, como se a loucura adviesse de uma espécie de amor desmedido, que demandasse uma possessividade sem limites, sem essa coisa de filme B, de conquistar o mundo.
    De qualquer forma, um dos meus favoritos. Merece um like desde agora. Parabéns.

  23. Cácia Leal
    15 de dezembro de 2013

    Gostei muito do texto, embora eu tenha algumas críticas, uma delas é sobre a narrador-personagem inicial. Está um pouco confuso e o leitor precisa se esforçar um pouco mais para tentar entender se é o pai ou a filha quem inicia o texto. Pode ter sido proposital, afinal, não se deve dar tudo de mãos beijadas para o leitor. O texto está muito bem escrito e o enredo é bastante criativo. Merecia ser transformado em um romance. Acredito que fique classificado entre os melhores contos. O suspense final também é muito bom!

  24. Ana Google
    15 de dezembro de 2013

    Gostei muito do conto e tenho quase certeza sobre quem seja o autor! É um texto muito criativo… Só fiquei cismada da figura materna ter sido representado de forma tão diabólica! Como sou mãe, não me pareceu verossímil a figura criada pelo autor, e fiquei até meio confusa ao ler, um pouco incomodada! De qualquer forma, a qualidade do texto é inegável. Tem um ou dois errinhos de digitação, como palavras grudadas, sem espaçamento, mas coisa simples. Abraço e parabéns!

  25. Ricardo Gnecco Falco
    15 de dezembro de 2013

    Pra quem curte FC, este conto é um prato cheio. Bem escrito, trama bem elaborada e uma narrativa primorosa, cristalina e poderosa… 😉
    Parabéns autor!
    Boa sorte!

  26. Claudia Roberta Angst - C.R.Angst
    14 de dezembro de 2013

    Gostei da história, da narrativa e até do final. Embora, pudesse deixar ainda mais em suspense a existência do fantasma-mãe. Não tenho o que falar sobre a ortografia, gramática ou qualquer deslize. Parabéns. Boa sorte.

  27. Alan Machado de Almeida
    14 de dezembro de 2013

    Até o momento esse conto foi o que mais curti desse desafio. Gosto muito quando alguém pega um elemento sobrenatural ou mágico e o joga para algo mais voltado para ficção cientifica. Acho inclusive que o conto ficaria melhor se o autor afastasse sua versão de fantasma ainda mais do lado sobrenatural. Se essa versão de fantasma fosse baseada só em conceitos de sci-fi o conto ficaria melhor, a meu ver. A mãe revelar que é uma alma meio que quebra essa conversão pretendida.

    Ademais, boa sorte. Já está entre os meus favoritos.

  28. Elton Menezes
    14 de dezembro de 2013

    Sobre o título… Simples e eficiente. Direto, sem delongas.
    Sobre a técnica… Apuradíssima, com ortografia perfeita, e um narrador onisciente que interage tão bem que parece fazer parte da história. A narrativa está mesmo um mimo, muito bem elaborada, consegue estimular a leitura e ocorre num crescendo que acompanha o desenrolar da trama.
    Sobre a história… Adorei mesmo a idéia de misturar tecnologia e sobrenatural. Acho que conseguiu imprimir algo criativo ao tema, realmente diferenciado, e me conquistou fácil. Adorei não ter dado nomes aos bois, gosto disso.
    Sobre o final… Talvez soasse mais interessante deixar na dúvida. Por exemplo, ao invés da ligação uma mensagem de texto, para fazer a moça se questionar se de fato era a mãe.

  29. Marcellus
    14 de dezembro de 2013

    O texto começa meio clichê, com a mansão… mas acho que isso é aceitável, até para se “brincar” com o desafio do mês. Não vi grandes problemas (talvez aquele verbo haver em “E que diferença haviam feito os dez anos de silêncio?”) mas sabe o que tornaria esse conto excepcional? Trocar a palavra “supercomputador” por “máquina”.

    Computador é algo comum, mundano… e talvez o pessoal não entenda todos os detalhes técnicos escondidos aqui e ali ao longo do texto. Já “máquina” é um troço misterioso… cada leitor imagina de uma forma: pode ser uma caixa de latão dourada, com símbolos Iluminatti ou um cilindro cinza-prateado de um metal alienígena. Dá asas à imaginação das pessoas. Fica a dica para o autor.

    Boa sorte!

    • Elton Menezes
      14 de dezembro de 2013

      Esse haver está no sentido de ter, então vai para o plural 😀

      • Marcellus
        14 de dezembro de 2013

        Você tem razão, Elton! Dúvida sanada, obrigado! 😉

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Informação

Publicado às 14 de dezembro de 2013 por em Fantasmas e marcado .