EntreContos

Detox Literário.

A Insanidade D´Alma (Felipe França)

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Prólogo

As sensações físicas desagradáveis e os sentimentos de uma alma atormentada e doente alternavam entre lapsos visuais de alívio por saber que todo aquele inferno astral resolver-se-á com um simples passo. Apenas um pequeno impulso certamente apagará de minha memória qualquer evidência da fatídica cena de horror.

Nos breves momentos em que meu espírito voltava de sua obscura viagem, uma estrada tortuosa e iluminada por flashes da face daquele ser medonho, inclinei a cabeça para baixo e observei a multidão acenar. Uns pediam calma… outros aproveitavam o calor da situação e gritavam para pular. Os homens da emergência já foram avisados. Não tardará para que ambulâncias e viaturas estacionem aos pés do edifício. O branco de meu jaleco já não é tão branco mais. As mangas e as costas sujaram-se quando resolvi subir na marquise do vigésimo quinto andar daquele prédio comercial, o último.

Uma hora antes solicitei à minha secretária para que desmarcasse todas as consultas do dia. Inventei uma desculpa irrecusável. Disse precisar ir a um congresso de suma importância na cidade vizinha. A sala cinquenta e dois estava vaga, e não foi complicado conseguir a chave com o porteiro Messias em breve conversa pela manhã. Com a posse desta, esperei pacientemente no escritório enquanto mirava todos aqueles diplomas de renomadas universidades; alguns prêmios e certificados também completavam o conjunto na parede. Concentrei-me em um ao canto esquerdo, este escrito com belas letras ornamentadas: “Aos excelentes serviços prestados pelo Doutor Marcelo Bremen; nossos profundos agradecimentos. Câmara Municipal de Rio Pequeno”. Apertei os olhos e suspirei.

Duas fracas batidas na porta, o rosto de Patrícia apareceu e pôs a despedir-se com aquele mesmo sorriso gentil e educado com que tratava a todos. Fechou novamente, e foi nesta hora que dei à minha deixa. Agora estou aqui… Sinto o silvo do vento se moldar com o barulho de pessoas e automóveis, e eu pendurado acima de uma algazarra cada vez maior, como se fosse cria de coelhos.

Com a vista da plenitude do horizonte; mistura cinza da obra dos homens com amarelo-laranja, obra de Deus, desequilibrei para os lados. Aquela visão mais parecia uma eterna briga. Um mata a vida que o outro concede. O bem contra o mal; o mal contra o bem. Projeto esta angustiante sensação no meu âmago há um bom tempo.

Eu lembro perfeitamente quando isto começou. Começou quando resolvi mudar de vida; sair da cidade grande e buscar o sossego do interior. Mudou quando desembarquei em Rio Pequeno.

Rio Pequeno, 31 de outubro de 1970

Um pequeno palco foi montado defronte à igreja matriz de Nossa Senhora da Rosa Mística. Toda à sua estrutura foi adornada com bandeirinhas que lembravam nitidamente as usadas nas festas juninas, porém com as cores da pequena cidade, o azul e o branco. De frente para o palco estavam praticamente todos os três mil moradores daquele lugarejo esquecido pelo mundo. Um homem de baixa estatura tomou o lugar bem ao centro do tablado, levou as mãos diante da boca e pigarreou baixinho para em seguida soltar a voz e a oratória típica dos políticos.

– Povo de Rio Pequeno… Hoje é um dia de festa para à nossa pequena grande cidade! Nós, sofredores por muitos anos, podemos neste momento levantar nossas mãos e agradecer às preces. Deus ouviu o nosso chamado!  Apresento a todos vocês, o nosso médico, o renomado doutor Marcelo Bremen.

Postei-me ao lado do prefeito e acenei para a população eufórica. Consegui ver pessoas de todos os tipos e idades. Fiquei um tanto sem graça com aquela festa, mas entendi perfeitamente que Rio Pequeno não é a Capital. Esta gente carece das necessidades mais básicas, e a simples presença de um médico aliviará muitos de seus anseios.

– A partir de amanhã – Silenciou a voz para voltar com mais força – O nosso doutor estará atendendo no posto médico, que todos vocês sabem, fica na Rua Direita em frente à padaria do Jarbas. Agradeço a participação de todos os rio-pequenenses. Até breve, meu querido povo. – Finalizou sua fala com um evidente lobby de quem manda no poder.

– Senhor prefeito Mariano, não precisava tanta preparação para à minha vinda… apenas estou a desempenhar meu papel, o qual tenho por vocação. E outra… Sou pago para isto. – Disse com a voz calma e firme a cada degrau descido do palanque juntamente com sua família.

– Seu doutor… Saiba que você é o primeiro médico que aparece em Rio Pequeno em vinte anos. Nossa cidade carece de muitas coisas, e a saúde é a principal. Qualquer enfermidade, por mais simples que seja, temos que recorrer à cidade de Bom Jesus, esta a quarenta quilômetros. Tenho certeza que o grande médico da Capital auxiliará nosso povo. – Sorriu com dois leves tapas nos meus ombros para depois me entregar as chaves do pequeno posto médico e de uma moradia cedida pela prefeitura.

– Agradeço por tanta gentileza, mas creio que posso pagar pela casa. Vendi todo o excesso antes de mudar. Quero apenas a simplicidade e o sossego deste maravilhoso lugar. Assim que vi no jornal sobre a contração de um médico para Rio Pequeno, busquei informações sobre sua cidade e não pensei duas vezes. – Entreguei de volta a chave da casa. As duas mulheres que o acompanhavam me olharam com olhos generosos, olhos vistos apenas em lugares onde a maldade e outros substantivos pejorativos não apontaram seus dedos.

– Tudo bem… doutor Marcelo, entretanto peço que as aceite de volta. Fique por lá até que arrume uma moradia ao seu gosto, ou se preferir, pode comprá-la. Deixe de lado as formalidades… isto é uma decisão a ser resolvida com o passar do tempo. O principal é a saúde da população. – As duas chaves escorregaram para dentro do meu bolso, e então o sorridente homem se voltou para perto das duas novamente. – Deixe-me apresentar a família… Minha esposa Marta e minha filha Jéssica.

Apertei gentilmente as mãos de ambas. Marta conservara em seu semblante as dificuldades da vida no interior, ao mesmo passo, a educação e perseverança desta gente de poucas palavras. A filha, com seus belos olhos castanho-claros, estava na flor da juventude. Deveria ter por volta de seus vinte e tantos anos. Finos e delicados traços moldavam seu rosto, este guarnecido por uma pele na cor jambo. Jéssica era, facilmente, a criatura feminina mais bela a qual debrucei os olhos.

– Bom… Devo conhecer, agora, a nova cidade que me recebeu de braços abertos. Peço licença a todos e agradeço de coração a hospitalidade. – Caminhei para meu carro, um de modelo simples e sem luxos. Dentro do veículo constatei o pequeno homem dirigindo-se ao meu encontro.

– O senhor doutor não esqueceu nada? – Ria arrumando a posição de seus pesados óculos que insistiam em cair. – O senhor sabe onde é a sua casa? Tudo bem que Rio Pequeno só possui vinte ruas, contudo creio que é melhor chegar ao destino rápido, não? – Colocou para dentro do vidro um papel com o endereço da casa e do posto médico.

– Ah! Comecei bem. – Aceitei o papel de bom agrado e coloquei-lo sobre o colo. – Senhor prefeito… Até mais. – Liguei o contato e retirei-me da praça central. Pelo retrovisor constatei os três reunidos, todavia não conseguia tirar os olhos de apenas uma imagem, a de Jéssica. Ela ocupou tanto o espelho do carro quanto o meu pensamento até a primeira esquina.

v

Rio Pequeno, 25 de dezembro de 1970

Faz quase dois meses que me encontro neste belíssimo lugar. Da janela de casa avistava os verdes contrafortes bem ao longe. Eles circundavam Rio Pequeno de modo parecer uma fortificação. Protegia seus moradores de todos os males do mundo exterior. No consultório, as pessoas eram muito gratas pela minha presença. Lembro-me de receber presentes por diversas vezes; frutas, peças de roupas e até promessa de cabeças de gado. Alguns eu aceitava… outros declinava. Insistia em dizer: “O mais importante era a saúde da cidade”.

Hoje, o prefeito Mariano convidou-me para um almoço em sua casa. O dia de Natal era muito especial para todos os habitantes. Ouviam-se ao longe as badaladas dos sinos. Pessoas saiam em procissão pelas pequenas ruas munidas com estandartes de imagens santas e logo à frente a de Jesus bebê.

– Olá! Tudo bem com você, doutor? – Era Jéssica. A jovem morena auxiliara na preparação das festividades. – Gosta do que vê?

– Ah! Sim! Vocês são religiosos… Acho bonito todo este ritual, e fico feliz que existam pessoas dispostas a preservar a tradição. Lá na Capital não se vê nada disto. Nem mesmo as tradicionais luzes existem mais… O Natal está morrendo aos poucos.

– Para nós não! Temos que celebrar a vida de quem nos deu a vida. – Com um inocente sorriso aproximou-se mais um pouco. – O que faz por aqui?

– Vou à sua casa. Seu pai me convidou para o almoço. Preciso fazer o social para quem me contratou, não? – Abaixava a cabeça discretamente enquanto observava seu vestido florido.

– Vocês, homens da cidade, são engraçados. Vamos! Eu já terminei tudo aqui. O sol já está bem ao centro, e o calor está de rachar mamona. – Acenou para algumas pessoas que ainda seguiam o cortejo e pôs a ficar ao meu lado caminhando a passos vagarosos.

Foi em meio ao interlúdio do canto dos pardais que presenciei uma igreja abandonada. Na verdade era uma pequena capela. Toda à sua parede externa estava chamuscada e a grande porta selada por toscas tábuas. A cada passo dado em direção ao imóvel, Jéssica afastava-se um pouco para o lado. Ela evitava olhar a todo custo para a cena, disfarçava. Proibi-me, naquele momento, de dizer uma só palavra, pois não sabia do que se tratava. Mais dez minutos depois… e chegávamos ao destino.

– Mãe… pai… Cheguei da procissão. Trouxe o doutor Marcelo junto. – Levantou o pequeno feixe do portão e adentramos pelos paralelepípedos que dividiam o pequeno jardim florido na entrada da moradia.

– Oh! Doutor! Fico muito feliz de você ter aceitado ao meu convite. – Mariano firmou os passos junto ao nosso encontro. – Hoje é dia de Natal… Nós do interior temos as melhores comidas para esta data.

– Creio que sim. Faz um bom tempo que não celebro esta festividade com amigos e familiares. Fiquei grato pelo convite das pessoas mais importantes da cidade. – Apertava-lhe a mão ao mesmo tempo em que era puxado para dentro da residência.

A voz de Marta soou da grande cozinha ao fundo da peça. Jéssica informou sobre minha presença e fechou a porta. Enquanto isto, Mariano levou-me até uma organizada sala de estar. Afundou na grande poltrona vermelha e acenou para que eu fizesse o mesmo na poltrona igualmente vermelha à frente.

– Doutor Marcelo… – Pegou uma caixa ao lado, em uma pequena mesa, e dela tirou um charuto o qual me ofereceu.

– Não. Obrigado.

– Tudo bem… – Acendeu. Sorveu todo aquele tabaco para em seguida levantar a cabeça e expelir a fumaça. – Posso te dizer uma coisa? Nunca em todos os meus três anos de governo em Rio Pequeno recebi tantos elogios da população.

– Ah! Que legal… Esta mesma gratidão eu sinto nas pessoas quando vão ao meu consultório. Acredito que elas não estão alegres, apenas, por saberem da existência de um médico para cuidar de suas doenças. Sabe… Calor humano… Na Capital, nos quarenta anos de minha vida, foram raros estes momentos.

Na entrada da sala, o rosto de Marta apareceu e acenou para mim. Respondi ao aceno com outro. Ela virou-se para Mariano e disse com uma voz alegre e doce.

– Mariano… leve o doutor para o salão. Jéssica já arrumou toda a mesa. Vamos logo, pois com demora, a comida esfria.

– A patroa disse… então é uma ordem! – Apagou a metade do charuto no cinzeiro para depois, juntamente comigo, seguir para o almoço.

Era uma mesa grande. Tinha tudo o quê era típico no Natal. Peguei um prato e tirei o suficiente para à minha fome. Não comia muito, mas provavelmente poderia repetir. Nós quatro conversamos sobre Rio Pequeno durante uma hora. Aproveitei a fluidez das palavras e contei um pouco da minha vida; de quando comecei a clinicar. Mesmo com aquele momento de descontração, voltava à minha mente a imagem da igreja e a reação de Jéssica. No final do almoço resolvi perguntar o porquê daquilo.

Bem… – O homem silenciou juntamente com a esposa e filha. Abaixou o olhar e parecia com receio de comentar sobre o assunto. – Doutor Marcelo… o que vou te contar pode até parecer besteira para você, contudo é algo que todos da cidade temem.

Continuei a não entender, todavia mantive as feições serenas e compenetradas na direção do prefeito.

– Antes… Devo inocentar todos os moradores deste crime hediondo. Falarei… A capela, a qual o senhor perguntou, vinte anos atrás era administrada pelo padre Donizette. Ele era querido e admirado por sua preocupação com os problemas do corpo e da alma da nossa gente. Muito antes de você pisar em Rio Pequeno, o padre Donizette era quem auxiliava os enfermos. Certo dia, nossa cidade recebeu jovens turistas em busca de diversão. Provavelmente, uma viagem de comemoração ou algo assim.

Marta, sem acrescentar nada à explicação do marido, levantou-se e começou a retirar a mesa juntamente com a filha. Alternava à minha atenção entre as palavras de Mariano e as feições de Jéssica. A garota parecia guardar um segredo, uma preocupação. Sentimento este que ela evitava revelar. O homem prosseguiu com seus relatos.

– Bem… Os jovens foram atraídos pelas cachoeiras que ficam ao fundo da cidade. Na época recepcionamos a todos da melhor maneira possível. Oferecemos até nossas moradias para que estes pudessem repousar. À noite, o padre Donizette tinha encerrado sua celebração na igreja matriz e retornava à capela para seu descanso.

A trama começava a se formar diante dos meus olhos. As paredes queimadas, a porta fechada… todos aqueles elementos transmitiam a dimensão do que estava por vir. Neste instante interrompi Mariano com um leve tapa na mesa.

– Não me diga que eles tiveram a coragem?! Mas o porquê disto?

– Não sei, doutor… Pode ser que eles queriam apenas dar um susto, mas acredito que foram muito além de um simples susto. Minutos depois de a capela arder em chamas, eles se evadiram de Rio Pequeno. Não houve tempo de coletar informações extras… apenas nomes vagos; nenhuma foto ou anotação. Nossa gente é simples. Confiamos nas palavras dos estranhos, e não duvidamos em momento algum.

Levantei-me indignado e olhei vagamente para as próprias mãos. Esta atitude só poderia vir desta gente – Pensei. Por que atrapalhar a vida de pessoas que apenas querem o bem – Ruminei entre os dentes.

– O mais estranho, doutor, é que depois que os bombeiros de Bom Jesus conseguiram apagar as chamas, nossos desesperados moradores tentaram de todas as maneiras com seus baldes e mangueiras apaziguar a fúria vermelha, ninguém teve a coragem de entrar na capela. Todos já sabiam o final. Uma semana após o acontecimento sua entrada foi fechada.

– Mas senhor prefeito… não entendo a apreensão das pessoas em passar pelo o local. Digo isto, pois constatei no rosto de Jéssica o medo de olhar para capela.

Jéssica e Marta já não se encontravam no salão. Os tiques de Marino em passar os dedos sobre a sobrancelha cresciam. Arrastou a cadeira com a força do peso e se dirigiu para a janela.

– Mas é aí que entra a parte estranha para você… Com o corpo do nosso padre sepultado na própria capela, muitos afirmam ouvir e ver a imagem penada nas proximidades do templo.

Olhei fixamente para as costas de Mariano. Tentava achar uma explicação, entretanto conclui que deveria ser mais uma destas crendices das pessoas do interior. Não sabia o quê dizer. Respeitava-os, mas isto me parecia uma ideia provinciana demais.

– Prefeito, veja bem… Pelo motivo do trauma ter sido grande, vocês todos ficaram com a imagem do padre Donizette fixada no subconsciente, todavia afirmo que não há explicação plausível para a existência de fantasmas.

Mariano virou-se e ficou face a face comigo. O homem de óculos grossos parecia incomodado com a afirmação. Caminhou até a porta da sala e sorriu.

– Doutor Marcelo, amanhã acontecerá audiência na Câmara Municipal sobre o plano plurianual de saúde. Gostaria de considerar sua participação neste debate; já que você é a única pessoa capacitada a explanar sobre o tema. E mais… Vou antecipar-te sobre uma homenagem. Então… apareça com sua melhor roupa. – Brincou dando tapas em minhas costas, e eu entendi perfeitamente o recado.

– Sim, senhor prefeito! Conte comigo na Câmara amanhã. – Completei o seu sorriso e retirei-me da casa. Antes acenei para Marta e Jéssica que me olhavam da janela lateral.

No caminho fiz questão de passar novamente perto da capela. Parei e aproximei-me. Do que teriam medo? Tentei olhar por entre as tábuas. Uma alma penada? Não… Estas coisas não existem. Definitivamente não existem.

v

Rio Pequeno, 2 de fevereiro de 1971

Um novo ano em Rio Pequeno. No dia seguinte à minha visita ao prefeito, participei da cerimônia realizada pela Câmara Municipal. Em pouco tempo ganhei a confiança de todo o município. Notícias sobre a melhora da saúde espalharam-se pelas cidades no entorno. Estou muito esperançoso este ano.

No final de janeiro resolvi comprar a casa em que estava morando, por sinal a mesma que recebi das mãos do prefeito. A rotina morosa ludibriava-me ir, às vezes, à Capital por questões de formalidades. Os dias passavam a passos lentos. Contudo, a surpresa do encontro de Marta chorando em meu portão quebrou este paradigma. De pronto desci do automóvel e tentei saber o motivo do desespero da mulher.

– O que houve, dona Marta? Por que o choro?

– É ela doutor! Ela está morrendo… – Tentei acalmá-la e coloquei as mãos em seus ombros.

– É Jéssica, não? Tudo bem… Entre em meu carro! Não podemos perder tempo. – Abri a porta do passageiro e logo depois tomei a direção até sua casa.

Peguei à minha bolsa de trabalho no banco de trás e com passos rápidos, logo atrás de Marta, cheguei ao quarto de Jéssica.

– Vamos lá… – Tirei todos os instrumentos para avaliar as condições físicas da garota, esta delirando sobre a cama.

– Eu o vi! Eu o vi! Repetia com sussurros. – Marta cobria o rosto com as mãos, minutos depois, Mariano esbaforido e assustado adentrou o quarto e assustou-se com o estado da filha.

– Ela está delirando. Todos os sinais vitais estão estáveis. Não vejo constatei nenhum problema grave. Creio que seja algo relacionado com o emocional. Vou solicitar repouso total.

Jéssica olhava fixamente para o teto e soluçava entre os delírios.

– Ele me disse levar embora. Disse que sente saudades do tempo em que eu era garotinha. – Passei as mãos sobre as de Jéssica e sorri de forma mais gentil possível.

– Não. Você ficará bem! Apenas descanse. É apenas um mal súbito. – Olhei para os pais e pedi calma e compreensão. – Ficarei aqui, por questão de segurança, todavia afirmo que amanhã sua filha estará bem melhor.

Naquele dia todo resolvi permanecer em sua casa. No sofá, analisava algumas planilhas de pacientes sobre meu colo. Estava de sobreaviso. Conferia calmamente os detalhes daquele dia de trabalho quando um estrondo foi ouvido do quarto. A casa iluminou-se. Marta e Mariano acordaram, e sem pestanejar, correram em direção ao quarto. Tomei a frente girando a maçaneta da porta para finalmente apertar o interruptor. O rosto pálido de Jéssica era acariciado por mãos igualmente pálidas. A batina preta cobria parte de seu corpo. Observava todo aquele acontecimento sem saber como reagir. Marta e Mariano estavam prostrados atrás; ele na tentativa de consolar a mulher que chorava copiosamente. A face por trás do traje religioso virou-se para à minha direção; os profundos e melancólicos olhos me olharam para depois sorrir.

– Ela não está mais entre vocês… ela fez sua escolha.

Epílogo

Não esquecerei o belo rosto de Jéssica dependurando entre as mãos daquela entidade. Os olhos estáticos e um leve sorriso morriam na moldura de sua expressão.

Minha estada em Rio Pequeno foi curta. Infelizmente não saiu como queria. Mesmo depois de cinco anos de volta à rotina da Capital não sou capaz de esquecer. Muitos se recusam a acreditar que a história seja verdadeira; outros dizem nunca ter existido. Não estou aqui para contar causos, não vivo em um mundo de fantasias. Afirmo, com toda a convicção, tudo aqui escrito é a mais pura verdade. O meu fim? Antigamente, nas noites mais soturnas, o rosto de Jéssica aparecia-me em sonhos com a mesma inocência da primeira vez que deitei os olhos sobre sua beleza. Hoje posso dormir na plenitude daquele céu alaranjado. Não mais sentirei todos os tremores, angústias e medos do mundo real. Sob a obra do divino sonho eternamente.

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34 comentários em “A Insanidade D´Alma (Felipe França)

  1. Leandro B.
    15 de janeiro de 2014

    Como alguns, também não gostei muito dos diálogos. O desenvolvimento do texto, contudo, me agradou. Não sei exatamente o motivo, mas a impressão que tenho é que o uso de datas marcadas nas histórias acabam auxiliando na sua credibilidade.

    A ambientação também está fantástica.

    Bom conto.

  2. Cácia Leal
    15 de janeiro de 2014

    A trama foi bem elaborada, mas achei o excesso de diálogos cansativo. Creio que muitos deles deveriam estar escritos indiretamente, talvez fosse melhor. Achei a maneira como foi desenrolada a história um pouco confusa. Mas está bem escrito.

  3. Caio
    15 de janeiro de 2014

    Olá. A narração pode estar até boa, mas eu não gostei das falas, infelizmente, e tem bastante delas, então minha leitura foi meio que minada por isso. As achei contraídas, certinhas, inaturais. Não sei se eu que não tô acostumado com a época escrita, se as pessoas falavam assim naquele tempo, mas se você ler as falas em voz alta e tentar ‘atuá-las’ acho que vai ver como não soam tão orgânicas. Ou não, pode ser só eu.

    Também não comprei muito que o acontecimento teria um impacto tão forte no protagonista, ver um fantasma só e se matar pareceu meio demais. Mesmo se fosse pela menina, nunca achei que a relação dos dois chegou num nível que justificasse a reação dele. Minha impressão é que faltou calma na hora de definir o enredo e arquitetar o conto. O começo meio que promete algo grande e no fim é uma aparição nem tão dramática assim. Sei lá, foi a impressão que eu tive.

    Por outro lado eu elogio o jeito como você tomou seu tempo na escrita, ambientou, descreveu tudo e construiu as pessoas. Os detalhes que me incomodaram estão aí, mas longe de não ter gostado de nada, a leitura não foi difícil. Espero que ajude, abraços

  4. Carlos Relva
    15 de janeiro de 2014

    Bom conto! Mas acho que alguma coisa pode ser cortada. A primeira parte cativa a atenção, mas a parte final, apressada, nem tanto. Talvez fosse interessante trabalhar melhor a terceira parte, mostrando mais do tormento do personagem e, assim, “justificar” seu suicídio.

  5. Pedro Luna Coelho Façanha
    14 de janeiro de 2014

    Confesso que estou cansado e quando vi o tamanho do texto, quase desencarnei e virei o tema do desafio. Mas acabei gostando da história e cheguei até o final satisfeito. A apresentação do doutor me rendeu umas lembranças engraçadas..rs

  6. Paula Melo
    11 de janeiro de 2014

    Gostei do conto, apesar do ritmo ter se perdido no meio do texto. Me prendeu atè certo ponto. Mas a escrita esta muito boa.
    Boa sorte!

  7. Raione
    11 de janeiro de 2014

    A escrita mais ou menos rebuscada e com algumas construções estranhas serviu como um material isolante ao redor da história, que não me fisgou. Achei um pouco pontual a presença do fantasma na trama (se é que não deixei escapar algo que relacione mais profundamente os elementos). Não sei dizer se o prólogo e o epílogo eram ou não necessários, mas gostei da estrutura, o conto embutido num suicídio, costurado pela metáfora com a cor da cidade e a do céu.

  8. Mariana Borges Bizinotto
    2 de janeiro de 2014

    Concordo que precisa de mais uma revisão e achei a introdução demorou a me situar sobre o que trataria a história. Eu ficava me perguntando continuo ou não, quando vou começar a entender do que se trata, mas gostei da riqueza de detalhes, da ambientação e de quando ele viu o diploma na sala.

  9. Pedro Viana
    30 de dezembro de 2013

    Bem, o conto é inegavelmente bom. Muito bem narrado, ambientação crível e construção de personagens bastante convincente. No entanto, achei que o(a) autor(a) se esforçou demais em introduzir a história e, consequentemente, deixou o final o desejar. Acredito que não havia espaço suficiente, mas tendo em vista a extensão do começo, que passou pelo o prólogo e a descrição da situação inicial, não haveria de ter mesmo.

  10. Weslley Reis
    29 de dezembro de 2013

    Como um todo, foi um dos melhores conto que li em relação a trama, ambientalização e construção dos personagens. A coisa de ‘cidade do interior’ foi muito bem transmitida pelo autor.

    De pontos contras, tenho apenas os erros de revisão e o suicídio que, ao meu ver, foi uma inserção desnecessária.

  11. Ryan Mso
    28 de dezembro de 2013

    Alguns trechos do texto me agradaram, principalmente o prólogo, gosto bastante de “ar pesado”. Entretanto, não me instiguei tanto com a história, fiquei esperando mais quando acabei de ler. Alguns erros de revisão aqui e ali (como já citado pelos demais colegas nos comentários), incomodaram, mas não interferiram tanto na minha leitura.

    Em geral, parabenizo ao autor, parece ter potencial para novos textos (não sei se você considerará isso como elogio, mas se não, considere com sendo).

  12. Gunther Schmidt de Miranda
    24 de dezembro de 2013

    Após ler uma série de observações sobre os comentários por mim postados neste concurso e suas respectivas respostas (infelizmente) concluí que fui tomado de certa pobreza de espírito. Em certos momentos nem fui técnico, muito menos humilde. Peço perdão a este escritor pelo comentário até maldoso por mim desferido. Sendo assim, apenas me resta ser breve: gosto de textos mais detalhistas. Fora isso, inegavelmente, uma boa leitura. Seu esforço é louvável e deposito esperança em sua próxima obra.

  13. Ana Google
    23 de dezembro de 2013

    Um conto bem escrito! Contudo, tem alguns erros. Quanto à acentuação, desnecessário eu repetir os erros já citados pelos colegas. Tem duas passagens que particularmente me incomodaram. Em um momento, assim está escrito: “Os tiques de Marino”. Tive que voltar e ver se tinha algum Marino na história, mas o nome correto é Mariano. Outro erro, nessa passagem: “Não vejo constatei nenhum problema”. Nessa frase, a impressão que dá é que o autor ficou confuso sobre qual verbo escolher (vejo ou constatei), e sem querer acabou deixando os dois.

    Abraços e parabéns!

  14. Claudia Roberta Angst - C.R.Angst
    19 de dezembro de 2013

    O prólogo e o epílogo assustam um pouco pois emprestam uma carga muito formal ao conto. Como já foi dito, algumas crases não deveriam existir. Uma revisão mais atenta resolveria esses detalhes. O enredo do conto mostrou-se interessante. Gosto desse clima de cidade do interior com as suas particularidades e seus tipos humanos. Boa sorte!

  15. Jefferson Lemos
    19 de dezembro de 2013

    Fiquei preso pela história no começo, mas o final me desanimou. Achei desnecessário a inserção de prólogo e epílogo. O final ficou meio perdido e destoou do restante do conto.
    No geral foi um bom conto,o autor está de parabéns.
    Boa sorte!

  16. bellatrizfernandes
    18 de dezembro de 2013

    Juro que tento ao máximo não ser preguiçosa, mas quando vi que você tinha se dado ao trabalho de escrever um prólogo de conto… Não aguentei! Protelei a leitura o quanto pude…
    Apesar disso, não foi uma leitura pesada. Foi melhor do que eu esperava. E apesar do que o doutor diz, tinha aquele clima de causo, de história do interior, longe da sociedade sufocante das cidades grandes.
    O problema: Achei as falas dos personagens muito formais. O doutor Marcelo era um homem estudado e, aparentemente, um pouco mais velho. Mas os habitantes de cidades pequenas – e acredite, eu sei – não falam tão correto quanto estes. Acho que você se focou demais no seu estilo poético – e gostoso, não estou reclamando – que você esqueceu que o objetivo da escrita é ser crível e que aquela linguagem não ornava com o tipo de pessoas simples que você descreveu para nós.
    De resto, acho que foi um conto excelente, um dos melhores!
    Parabéns e boa sorte!

  17. Bia Machado
    17 de dezembro de 2013

    Embora a história tenha me prendido, fiquei incomodada com algumas coisas. Achei que não precisava de prólogo, epílogo, não gosto dessas coisas em um conto, prefiro ver em romances. Minha opinião é a de que as três partes poderiam ser uma só, sem qualquer problema. Bom fazer uma revisão, algumas crases realmente não deveriam estar ali. Nem é questão de ser uso facultativo.Gostei da narrativa e da ambientação. No geral, parabéns!

  18. Gustavo Araujo
    17 de dezembro de 2013

    Gostei muito da ambientação de Rio Pequeno. Pude sentir a felicidade do médico por ter conseguido realizar o sonho de uma boa qualidade de vida. Pude perceber, também, sua preocupação e sua angústia quando as coisas começam a dar errado. Achei bacana, ainda, a alusão à capela e a menção misteriosa ao padre. Enfim, no geral, a história me prendeu e eu li, tranquilamente, seu desenrolar até o fim.

    Agora os senões. O prólogo me pareceu um tanto dispensável. A descrição de um suicídio prestes a acontecer não ficou bem amarrada com o fim do conto. Talvez um acontecimento mais traumático – por exemplo, o fato de o médico ter se apaixonado perdidamente por Jéssica – pudesse justificar esse ato impensado, desde que, ainda, o mesmo ocorresse logo depois da morte da garota, e não após cinco anos.

    O texto precisa de revisão. O uso da crase de forma errada foi excessivo. Vamos lembrar que a crase é a aglutinação do artigo feminino “a” (ou “as”) com a preposição “a”. Se o verbo não demanda preposição, não há crase. Outros erros constantes foram de paralelismo verbal. É possível observar em um mesmo período, verbos no presente do indicativo e também no pretérito imperfeito.

    No geral, contudo, o saldo é positivo. Parabéns ao autor pela criatividade.

  19. Marcelo Porto
    17 de dezembro de 2013

    Looongo demais. Essa coisa de colocar prologo e epilogo deixou a história ainda mais longa.

    É muita enrolação até chegar ao fantasma que simplesmente aparece e pronto. Não vi um fio condutor, apenas a busca de um médico pela vida tranquila numa pequena cidade do interior, que já seria uma boa, caso isso fosse explorado.

    O prologo insinua uma tentativa de suicídio e a história não justifica isso em nenhum momento, apesar da atração pela garota, o protagonista não demonstra um amor tão grande que justifique tirar a própria vida. A aparição do fantasma também é bem discreta, não houve desdobramentos e nem o motivo pelo qual ele foi buscar a pobre menina. Será que o padre era pedofilo? Isso fica meio insinuado na narrativa.

    Enfim, acho que o autor deveria tirar essa estrutura de romance, já que isso é um conto e temperar mais a narrativa com os elementos sobrenaturais.

    Na minha opinião não ficou bom.

  20. Thata Pereira
    16 de dezembro de 2013

    No meio do conto, comecei a esperar por uma cidade fantasma e isso me entusiasmou muito. A cidade não veio, mas também não era obrigação do autor me apresentá-la. Nunca havia lido um conto com Prólogo e Epílogo, vou confessar que não gostei… 😦

    A presença do fantasma foi muito simples, no meu ponto de vista.
    O conto me lembrou muito uma série que sigo que se chama “Hart of Dixie”.

    Boa Sorte!

  21. Ricardo Gnecco Falco
    16 de dezembro de 2013

    Eu tenho uma visão, talvez, um pouco “limitada” sobre o Conto. Não sobre ESTE conto, mas digo sobre o Conto, com maiúscula, mesmo.
    Penso que estruturar um conto com Prólogo, subdivisão de Partes e Epílogo descaracteriza um bocado o Gênero/Subgênero em questão.
    Não sei se é uma tentativa de aproximá-lo, mesmo que visualmente/graficamente, do Romance, mas para mim, particularmente, causa um grande desconforto. Pois, estou em um Desafio Literário de contos, lendo sabidamente um conto, mas sendo levado a crer (mesmo que subjetivamente) que estou lendo algo “maior”…
    Nada contra a história ou o autor (muito menos!), mas este grau majestoso (talvez inconscientemente) dado como veste à obra acabou por me afastar de um dos maiores prazeres que tenho ao ler um conto: a pompa de cortejar uma história curta, e completa.
    De qualquer forma, parabenizo o autor pela criação e desejo-lhe boa sorte no Desafio!
    Abrax,
    Paz e Bem!
    . 🙂 .

  22. Sandra
    16 de dezembro de 2013

    Trama simples, sem surpresas. Bom exercício. Numa revisão de conteúdo, sugeriria dar uma ênfase maior (um porquê mais afincado nesse solo) na ligação entre a tentativa de suicídio no começo e o que se desenrolou, ao final, com a morte de Jéssica. Iniciar com a tentativa de suicídio foi uma ótima ideia, deu uma guinada na motivação para prosseguir a leitura. Só achei o motivo (a visão do fantasma), um tantim fraca para se acabar com uma vida inteira. A não ser que existissem outros elementos a mais que o justificassem e que pudessem ao menos exalar um aroma durante o desenrolar da tecitura. Mesmo que de leve.

  23. J. Keller
    15 de dezembro de 2013

    Alguns detalhes esperando uma nova revisão, mas nada tão grave assim. Gostei da narrativa, da história em si. Apesar de longo, o conto prende a atenção e desperta a curiosidade. Boa sorte!

  24. Marcellus
    15 de dezembro de 2013

    É uma boa história e não preciso refazer as críticas dos colegas. A única coisa que realmente me incomodou muito, foi o uso indevido da crase.

    Mas, como disse, é uma boa história e com algum retrabalho o autor terá um ótimo conto! Boa sorte!

    • Noboyuki
      15 de dezembro de 2013

      E aí, Marcelo? Tudo bem? Primeiramente, obrigado por ter lido o conto. Valeu mesmo. Agora posso fazer à minha defesa? Praticamente todas as crases estão corretas. Claro que pode ter escapado alguma, mas nada em excesso.

      1 – Crase diante de pronomes possessivos femininos (minha, tua, sua, nossa, vossa) é opcional, ou seja, você pode ou não usar. Eu gosto. Existem escritores e leitores que acham esteticamente são desnecessárias.

      http://g1.globo.com/platb/portugues/2007/04/

      2 – Na trecho do conto: “… acenou para que eu fizesse o mesmo na poltrona igualmente vermelha à frente”, ocorre crase, já que se trata de locução (adverbial ou prepositiva) feminina (“Ele está sempre à frente”; “Esse músico sempre está à frente do seu tempo”).

      http://www.educacional.com.br/espacopasquale/dicas.asp?c=C_4&

      3 – No trecho do conto: “… Um pequeno palco foi montado defronte à igreja matriz de Nossa Senhora da Rosa Mística.” Ocorre a crase diante de palavra do gênero feminino. Para saber se terá crase basta trocar a palavra feminina por uma masculina, caso apareça ao no lugar do a, usa-se a crase.
      (Ex: Um pequeno palco foi montado defronte ao posto de gasolina). O mesmo vale para o outro trecho: “… Marta, sem acrescentar nada à explicação do marido.) Ficaria: (Marta, sem acrescentar nada ao argumento do marido).

      http://www.focadoemvoce.com/gramatica/crase.php

      Espero ter esclarecido. Abraços.

    • Noboyuki
      15 de dezembro de 2013

      A última, eu prometo…

      4 – No trecho: “A rotina morosa ludibriava-me ir, às vezes, à Capital por questões de formalidades. Os dias passavam a passos lentos”. Funciona a velha regra conhecida por todos; No caso de ir a algum lugar e voltar de algum lugar, usa-se crase quando: “Vou à Bolívia. Volto da Bolívia”. Não se usa crase quando: “Vou a São Paulo. Volto de São Paulo”. Ou seja, se você vai a e volta da, crase há. Resumindo: Vou à Capital. Volto DA Capital.

      http://educacao.uol.com.br/disciplinas/portugues/crase-regras-de-uso-e-emprego.htm

      Procure se informar um pouco mais.
      Abraços.

      • Marcellus
        15 de dezembro de 2013

        As pessoas andam meio nervosas neste desafio… 😎

        Meu caro Noboyuki, quando pedimos a opinião de alguém (e é exatamente o que fazemos aqui, ao divulgar nossos textos nos desafios) temos que levar em conta a ignorância do opinador. Se você me pedir conselhos sobre Física de Partículas, vai ouvir as maiores atrocidades… o que não significa que as direi com o intuito de prejudicá-lo. Ao contrário, geralmente as pessoas dão o melhor de si. Se o melhor delas não é o suficiente para você, são outros quinhentos.

        Vejamos o trecho “Toda à sua estrutura foi adornada com bandeirinhas…”. Não pude encontrar justificativa no seu link do UOL.

        Outra: “…momento levantar nossas mãos e agradecer às preces.”.

        Mais um: “…não precisava tanta preparação para à minha vinda…”.

        Outra ainda: “Toda à sua parede externa estava chamuscada…”.

        E, claro, a pérola (que não está no conto, mas é ilustrativa): “Agora posso fazer à minha defesa?”

        Acho que você já entendeu meu ponto, não preciso de outros exemplos. Observe que eu não disse que TODAS as vezes que usou crase, estava errado.

        Sinto muito se você sentiu-se ofendido, não foi minha intenção. Minhas críticas têm o único propósito de fazê-lo melhorar, dentro das minhas acanhadas possibilidades.

        Fique na paz.

    • Noboyuki
      15 de dezembro de 2013

      Marcellus, desculpe-me… Não queria ser rude com sua pessoa. Errar todos erram. Ninguém é 100% perfeito. Apanhei muito com este lance de crase. Sendo assim me sinto obrigado a esclarecer.

      CRASE FACULTATIVA

      Antes de pronome possessivo adjetivo feminino singular (minha, tua, sua, nossa, vossa). O uso do artigo é facultativo.
      Sua tia veio aqui. = A sua tia veio aqui. ð Refiro-me a/à sua tia.
      O mérito pertence a/à minha filha e não à sua.
      Observação: vindo o possessivo no plural, só há crase em às (= preposição a + artigo as).
      Refiro-me a suas idéias. Refiro-me às suas idéias. Conheço as suas idéias.
      Fez alusão a minhas falhas. Fez alusão às minhas falhas.

      “Toda à sua estrutura foi adornada com bandeirinhas…”

      Mais um: “…não precisava tanta preparação para à minha vinda…”.

      Outra ainda: “Toda à sua parede externa estava chamuscada…”.

      “Agora posso fazer à minha defesa?”

      Para saber se terá crase basta trocar a palavra feminina por uma masculina, caso apareça ao no lugar do a, usa-se a crase.

      “…momento levantar nossas mãos e agradecer às preces.”.

      Ex:
      “…momento levantar nossas mãos e agradecer aos santos.”.

      Aqui é uma troca de experiências. Relaxa, pois gosto muito de aprender com os erros. Agora… não me tente ensinar nada sobre Física, pois não sei somar 2+2.
      Abraços, irmão! XD

      • J. Keller
        15 de dezembro de 2013

        Eu faço assim: dá pra trocar por AO e colocar uma palavra no masculino? Então, leva crase.
        Lembrando que a CRASE é a soma da preposição A com o artigo feminino A.
        “Toda a sua parede externa estava chamuscada”. – No caso, não há preposição, só o artigo A, logo não há crase. Porque se mudarmos para um exemplo no masculino, não recebe AO: Todo o seu muro externo estava pichado.
        “…para à minha vinda” – essa crase ficou redundante porque já existe a preposição PARA. Se fosse – preparação para o meu parto – não ganharia AO. Ninguém falaria: preparação para ao meu parto. Falaria?
        Crase às vezes é o caos, mas de tanto ler, escrever, reler, reescrever, vai ficando mais fácil.
        Legal mesmo é todos aqui com a intenção de ajudar um ao outro. Valeu.

  25. Gunther Schmidt de Miranda
    15 de dezembro de 2013

    Noboyuki… Por que o médico estava tão atormentado? A resposta desta pergunta deixa vago o texto…

    • Lili
      15 de dezembro de 2013

      Gunther, acho que, se vc não tem nenhum conhecimento literário, não deveria ficar fazendo comentários que não fazem o menor sentido. Nada do que vc questiona tem real importância. O leitor precisa interpretar e colocar a sua interpretação na leitura. Ele não pode ter todas as respostas de mão beijada. Seria muito fácil.

    • Noboyuki
      15 de dezembro de 2013

      E aí, Gunther? Beleza? O motivo do “trauma” do médico se deve ao fato da visão final do texto. Visão esta que o próprio julgava como uma “crendice”.
      Abraços e obrigado pela leitura.

  26. Inês Montenegro
    15 de dezembro de 2013

    O conto necessita de uma revisão final para limpar algumas gralhas (palavras acentuadas erroneamente, duplos artigos, uso de dois verbos principais na mesma frase…), mas no geral encontra-se bem escrito, com uma boa utilização de vocábulos, sem se tornar nem moroso, nem demasiado simplista.
    Quanto à história, pareceu-me que te alongaste no setting de Rio Pequeno, com todas as comparações entre o interior e a cidade grande, no entanto, o facto de teres começado com o médico prestes a suicidar-se fez maravilhas pela estrutura – manteve o leitor curioso para saber como é que algo tão banal iria terminar naquela tentativa, se não mais, de suicídio.

  27. Frank
    15 de dezembro de 2013

    Gostei muito da maneira como foi escrito, mais disso do que da trama propriamente dita. Tem um ou dois errinhos (provavelmente na hora de mudar uma frase do texto ficaram elementos no texto). Parabéns (e desculpe a falta de acentos).

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Informação

Publicado às 14 de dezembro de 2013 por em Fantasmas e marcado .