EntreContos

Detox Literário.

Fantasma! (João Henrique Bruni)

Quando me olhei no espelho, o que vi lá? Um FANTASMA! Que susto!!! Corri em disparada, com o coração batendo a mil por hora. Tropecei na mesinha que sustentava fotos de família. Voaram todas ao chão, causando o maior estardalhaço. Minha irmã, assustada com o barulho e sem saber o que se passava, do interior de seu quarto começou a gritar. Horripilantes gritos de pavor, histericamente insuportáveis. Eu já estava de pé novamente, e veloz, atravessando a cozinha, quase trombei com a empregada; me encarando com os seus olhos esbugalhados, na maior cara de aflição, balbuciou: “o que está acontecendo?” Antes mesmo que terminasse de falar, chegava ali a minha irmã aos berros. Impulsivamente continuei a fugir, indo pela sala rumo à porta de saída, seguido da empregada e da minha irmã. Floquinho começou a latir freneticamente, e se juntou a nós. Eu tentava abrir a porta, sem sucesso. Os gritos se confundiam com o latido, o tintilar das chaves, e os murmúrios de Matilde. “Acho que os fantasmas nos trancaram” – falei. Minha irmã passou a gritar ainda mais alto. Matilde perguntou esbaforida: “Fantasmas? Aonde?” E eu respondi: “No espelho.”

Floquinho parou de latir. Aninha parou de gritar. Eu parei de tentar abrir a porta. Matilde suspendeu a respiração.

Ninguém disse nada. Sob o tique-taque do relógio de parede, Matilde foi caminhando lentamente em direção ao espelho… e ao mirá-lo gemeu horrorizada: “FANTASMA!!!” – e caiu desmaiada.

Aninha voltou a gritar. Floquinho começou a latir de novo. Eu, nervosíssimo, comecei a dizer: “calma, calma”, mas para meu pavor… a voz não era minha! Percebendo minha voz assustadora, Aninha saiu correndo na direção de Matilde: “Acorda, Matilde, acorda!” Ajoelhada ao seu lado, mirou o espelho. Imaginem o grito de terror mais estridente e horripilante de todos os tempos. Possuída, Aninha deu um salto de cabeça no espelho, estilhaçando-o e derrubando-o para cima de si mesma, e de Matilde. Agora, ambas desacordadas, em meio a cacos de vidro e sangue.

A porta não abria. Eu estava sem meu celular, e o telefone fixo ficava diante de outro espelho. Floquinho não parava de latir. Respirei fundo… eu tinha que chamar alguém. Decidi não olhar para o espelho. Aproximei-me com medo, tirei o aparelho do gancho, e iniciei a ligação. A última coisa que senti foi um aperto no pescoço, e a última coisa que ouvi… foi o latido de Floquinho. O fantasma tinha saído do espelho.

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28 comentários em “Fantasma! (João Henrique Bruni)

  1. Cácia Leal
    15 de janeiro de 2014

    Acho que o conto merecia uma releitura, deixar descansando um pouco na gaveta, para maturar um pouco mais a ideia.

  2. Leandro B.
    15 de janeiro de 2014

    Estava achando divertido, em uma linha nonsense. Tive a impressão de que todos eram fantasmas (uma sátira Às reviravoltas do tema) e, depois, não entendi mais nada.

    De todo modo, valeu a leitura.

  3. Frank
    14 de janeiro de 2014

    O fato de ser tão curto é positivo…

  4. Tom Lima
    12 de janeiro de 2014

    Caos!

    Gostei bastante do seu conto, tirando o último paragrafo. Não gostei da forma dada.

    Tem potencial.

    Você deu um ritmo frenético para a história, mas deixou muitas pontas solta, que outros já apontaram aqui. Acho que depois de um trato nessas pontas vai ficar um conto bem divertido, mesmo com o final trágico. Principalmente pelo final trágico.

    Parabéns.

  5. Paula Melo
    11 de janeiro de 2014

    Bom achei o conto sem um foco, rapido sem sentido.
    Boa sorte!

  6. Raione
    11 de janeiro de 2014

    Que texto maluco e divertido. Não sei bem como avaliar, mas a ideia me pareceu bem bacana, com as duas reviravoltas que o conto dá (as pessoas na casa como fantasmas, o fantasma liberto do espelho – ?), e o ritmo, com Floquinho (!) que sempre recomeça a latir, mais ou menos o ritmo de um realejo. Mas concordo que dá pra tornar o conto um pouco mais detido e aparar arestas.

  7. Mariana Borges Bizinotto
    2 de janeiro de 2014

    Conto bem divertido, muito curto. Eu gostei tanto que queria mais. A leitura flui muito bem.

  8. Weslley Reis
    29 de dezembro de 2013

    Achei uma narração muito sensacionalista, sem motivos para a aparição. Enfim, falta um enredo. Me parece um recorte de um texto maior.

  9. Ryan Mso
    28 de dezembro de 2013

    Eu, particularmente, gosto bastante de contos deste tipo, então parabenizo bastante o autor. Dos 3 que li até agora, o que mais me agradou. Concordo com a Ana, achei que o irmão era o fantasma, e acho que ficaria legal, porém, gostei do fantasma tal como foi (me lembrou It, sei lá porque).

    Bom, é isso, mais uma vez, parabéns ao autor!

  10. Pedro Viana
    27 de dezembro de 2013

    Eu deveria dizer que apreciei o tamanho porque é deveras cansativo ler 50 contos no desafio, mas se o fizesse, estaria mentindo. Gosto de história. Gosto de tamanho. Infelizmente, com o perdão do(a) autor(a) tenho que dizer que não gostei desse. Para mim, foi como um carro muito rápido perdendo o freio na ladeira.

  11. Gunther Schmidt de Miranda
    24 de dezembro de 2013

    Após ler uma série de observações sobre os comentários por mim postados neste concurso e suas respectivas respostas (infelizmente) concluí que fui tomado de certa pobreza de espírito. Em certos momentos nem fui técnico, muito menos humilde. Peço perdão a este escritor pelo comentário até maldoso por mim desferido. Sendo assim, apenas ratifico: não encontrei o fantasma. Mas seu esforço é louvável e deposito esperança em sua próxima obra.

  12. Sandra
    22 de dezembro de 2013

    Acho que li numa só tragada, ops!, inspirada. Corri juntamente com a narrativa e até me deparar com o fantasma saindo do espelho, mas não me causou impacto.
    Bom, agora é anotar a sugestão da galera e trabalhar a história sem tanta pressa (que possa ter sido proposital, de forma a nos arrastar até o fim), mas algo não funcionou. Talvez, essa intenção de armar uma correria tenha desamarrado um tantinho a história do gênero e a transformado num relato recheado de exclamações.

  13. Ana Google
    20 de dezembro de 2013

    Primeiro, fiquei feliz com o tamanho. Mas depois me decepcionei.

    Achei que o “irmão” tinha se tornado um fantasma, o que daria mais emoção à história. Depois, ficou meio nonsense.

    É um texto divertido, mas misturou os estilos, o que no fim não gerou algo concreto sobre meu sentimento em relação a ele.

    De qualquer forma, parabéns!

  14. Jefferson Lemos
    19 de dezembro de 2013

    Achei o conto meio sem sentido. Outra mim não colou.
    Esse tipo de escrita me lembrou o conto Beto Colt do desafio passado.
    Enfim, parabéns e boa sorte!

  15. Caio
    18 de dezembro de 2013

    Olá. Se alguém passasse pela rua e ouvisse os gritos numa casa e olhasse pela janela, o conto seria o que ele vê, estranhos surtando e com medo. É uma brincadeira curiosa com o tema, se você visse um fantasma você só entraria em pânico e pronto, isso que eu achei que foi a intenção. Gostei que existiu, mesmo com as suas faltas. Abraços

  16. Pedro Luna Coelho Façanha
    18 de dezembro de 2013

    Mais um conto curto e sem uma história atraente. Até ficou bacana..mas falta sustância para se tornar um dos favoritos.

  17. Bia Machado
    17 de dezembro de 2013

    Eu, toda feliz por causa do conto ser curto, adoro minicontos! Mas esse não teve graça pra mim. Bem, eu acho que a intenção foi fazer rir. Mas comigo não funcionou. Mas valeu pela tentativa.

  18. Marcelo Porto
    17 de dezembro de 2013

    Parece que alguém resolveu brincar com o tema.

    Isso é uma paródia que pode virar algo interessante, a narrativa tem elementos que, se o autor desejar, pode realmente se transformar num bom conto de terror, ou terrir, como ele quiser.

    Do jeito que tá parece apenas uma paródia.

  19. Pétrya Bischoff
    16 de dezembro de 2013

    Uma daquelas leituras rápidas, meio que terrir. No entanto não entendi se havia fantasmas nos espelhos, se o personagem era o fantasma, se havia alguém possuído… Pq Aninha se jogou contra o espelho… Não entendi nada na verdade.-. Enfim, a questão está na interpretação do leitor. Boa sorte 😉

  20. Thata Pereira
    16 de dezembro de 2013

    Micro-contos me atraem muito, fiquei feliz quando vi o tamanho. Não pela facilidade de leitura, mas por necessitarem de um trabalho maior do que um conto extenso. Ele precisa envolver, em poucas palavras e sempre fico me perguntando: como?

    Aqui, vi apenas a ideia. A história, infelizmente, não envolve. Há excesso de informação e pequenos espaços. Veja aqui:

    “Floquinho parou de latir. Aninha parou de gritar. Eu parei de tentar abrir a porta. Matilde suspendeu a respiração.”

    Também é muito curto para tantos personagens.

    Mas é o caminho, não desanime. Absorva todos os comentários que receber aqui e leia os outros contos, fazendo suas análises. Costumo dizer que escrever se aprende escrevendo. É isso aí 😉

  21. Gustavo Araujo
    15 de dezembro de 2013

    Desculpe, mas não gostei muito. Não é que esteja mal escrito, mas é porque o texto se constitui em um fragmento, em um momento apenas, jamais levando o leitor de A para B. Não é, pois, um conto. Como cena única até que vai, mas o problema é o exagero na reação de alguns personagens. Quando o assunto é “fantasmas”, naturalmente abrimos a cabeça para aceitar o inverossímil, mas este deve estar ligado ao fantástico para que funcione. Todo o desencadeamento histérico por causa de um grito é por demais forçado. Enfim, sinto dizer, não me cativou.

  22. Felipe França
    15 de dezembro de 2013

    Que medo! Se eu estivesse no lugar do protagonista, desmaiaria juntamente com as duas. Gostei do texto! Curto e sem compromisso. Uma leitura gostosa.

  23. Gunther Schmidt de Miranda
    15 de dezembro de 2013

    Até agora não descobri se havia fantasma e onde está, ou estava…

  24. Inês Montenegro
    15 de dezembro de 2013

    Apesar do final, suponho que o conto seja uma tentativa de comédia, dado o exagero absurdo das reacções. Lê-se bem, mas não achei particular piada.
    A escrita não tem nada a que se aponte no género, evita apenas usar múltiplos contos de exclamação – um chega para fazer o “trabalho”.

  25. bellatrizfernandes
    15 de dezembro de 2013

    O conto e a ideia são muito bons! Eu adorei!
    Porém, ainda não é tudo. Fiquei um pouco confusa várias vezes e, não sei se é porque estou muito atenta à isso, fui levada a acreditar que ele era o fantasma. A sua escolha de palavras às vezes é um pouco infeliz, mas não se preocupe. Acontece!
    Mas mais uma vez nós vemos aquele fantasma mau que ataca sem razão, sem o próprio background necessário, recorrendo a um esteriótipo de filme de terror que espíritos são coisas ruins.
    Bem, acho que é isso.
    Parabéns! Gostei mesmo, principalmente do final.

  26. Ricardo Gnecco Falco
    14 de dezembro de 2013

    Quando terminei de ler o conto, o que vi lá? Uma TENTATIVA! Que alegria!!! Escrevi em disparada, um comentário para o autor da obra. Imitei o início que sustentava o restante das linhas. Pareceu-me um circo repleto de ação, com um palhaço. O autor, empolgado com a ideia e sem saber o que lhe esperava, do interior de sua mente começou a grifar. Imaturas linhas no calor, sua criação veio habitar. Eu já imaginava o que leria e, feliz, terminando a leitura, quase visualizei o autor-mirim; me encarando com sua mente excitada, a exclamar: “Terminei! Escrevi um conto!”
    (…)
    O conto tinha saído da mente.
    . 🙂 .

    Parabéns pelo trabalho! 😉

  27. Claudia Roberta Angst - C.R.Angst
    14 de dezembro de 2013

    Primeiro, olhei o conto e pensei: oba, curtinho. Depois, fui lendo e criando imagens como um espelho sobre uma lareira. De onde tirei isso??? Acho que por causa das fotos de família.
    Mas por que a irmã sairia gritando de pavor só por causa do sujeito estabanado? Se eu fosse gritar cada vez que tem um barulho estranho por aqui…
    Não levei o conto a sério, achei divertido. Até os latidos do Floquinho me pareceram piada.
    Boa sorte.

  28. Marcellus
    14 de dezembro de 2013

    O texto começou como uma comédia e terminou como uma tragédia fora do tom.

    A irmã solta gritos de pavor porque o sujeito tropeçou na mesinha da sala? Pastelão.

    A impressão inicial é de que o espelho está no quarto ou no banheiro, mas não há outras referências e todo mundo vê o espelho e cai sem quebrar pia, nem cama, nem mesa… comédia.

    O sujeito tenta acalmar a todos com “uma voz assustadora”. Por que? Se o fantasma ainda estava preso no espelho, ele (o sujeito) não poderia ainda estar possuído. Era outro fantasma?

    Por que o fantasma era tão mau? E por que atacar nosso herói?

    Talvez o autor precise repensar um pouco a ideia, reformulá-la. Boa sorte!

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Publicado às 14 de dezembro de 2013 por em Fantasmas e marcado .