EntreContos

Detox Literário.

Brincando no Mausoléu (Andrea Carvalho)

Ele fazia quase todos os dias o mesmo caminho. Uma trilha que cortava ao meio o matagal fechado. Estrada improvisada construída pelo tempo e por muitos que precisavam chegar ao cemitério.
A caminhada começava cedo. Antenor acordava de madrugada, com os galos cantando, como se diz. Tomava um café ralo, vestia a roupa limpa, encaixava o chapéu na cabeça grisalha e ia para o serviço. Embaixo do braço a marmita preparada na noite anterior. Era o almoço e muitas vezes a única refeição do dia.
Antenor era viúvo. Pai de dois filhos que a morte insistiu em levar antes do tempo. Semianalfabeto, com as desgraças da vida, acabou contratado como coveiro da cidade.
Encarava a morte com despeito. Para ele – ela, a morte – era apenas uma dama exibida que ganhava créditos pelo que não era. Tratava a “dama” como inevitável e natural. Nada de mais. Nem de menos.
Não tinha religião. Andou metido em uns rituais de macumba mas achou demais para ele. Foi criado contrário aquilo tudo. Uma mãe rígida e pobre levava a religião muito a sério e carregava o filho para os cultos no fim de semana. Depois da morte da mãe, Antenor se separou da igreja.
– Tudo a mesma merda, dizia cuspindo em seguida, enquanto fumava o tradicional cigarro de palha.
A rotina de Antenor era simples: acordar cedo, ir pela estrada mal- acabada, abrir os portões do cemitério e esperar. Esperar a morte chegar. A morte dos outros, porque a dele ele fazia questão de nem ligar. Se houvesse almoço, almoçava; se houvesse café, bebia. Ia vivendo os dias entre as lápides.
Os gatos eram sua única companhia. Eles tomavam conta dos túmulos, sombras e jazigos. Ficavam ali, entre as sepulturas, à espreita de não sei o quê. Lambendo o pelo e dormindo. Durante à noite eles acordavam.
Se houvesse enterro no dia, Antenor abria a cova e esperava com serenidade pelo defunto e a comitiva do velório.
Observava de longe. Nunca chorava à beira do caixão. Muitas vezes derramava lágrimas porque conhecia o morto. A cidade era pequena, não eram tantos, era fácil saber quem era quem.
Depois do enterro, Antenor repassava seus sentimentos à família, se retirava para o banho no chuveiro, que ficava atrás da sala da administração, e trocava a roupa. Comia o que sobrava da cerimônia fúnebre e se aprumava para ir embora.
Antes de trancar os portões do cemitério, fazia uma pequena ronda. Ao final, deixava comida e água para seus gatos. E pegava o rumo de casa. Morava num casebre simples e modesto pouco antes do fim da trilha.
Antenor percorria o caminho de volta entre insetos, escuridão e silêncio. A lua servia de iluminação. E apenas ela. Quando não havia lua, Antenor ia guiado pela experiência.
Aquele tinha tudo para ser um dia comum. Manteria a rotina. E assim fez: Antenor chegou ao cemitério e foi logo avisado de que teria enterro naquela tarde.
Saiu para fazer a ronda da manhã quando percebeu que uma lápide estava fora do lugar.
– Mas que diabo é isso? Se eu pego quem fiz essa arte, eu mato. E enterro aqui mesmo. Que merda! Falava Antenor aos seus fantasmas.
Arregaçou as mangas e foi colocar a lápide no lugar. O problema que a tal pedra era pesada demais para um homem só. Ficava em um mausoléu de uma família muito antiga, os famosos e temidos Bragança. Famosos por serem ricos e fundadores da cidade. Temidos por serem cruéis e sem escrúpulos com os escravos. Antenor insistiu, mas não conseguiu arrumar a bagunça.
Deixou pra lá. Ninguém além dele ficaria sabendo, já que nenhuma pessoa visitava aquela família.
Antenor foi cavar a cova para o novo morador. Na ala mais recente, onde não há mais mausoléus nem grandes estátuas.
Fez o buraco e esperou.
O morto chegou. Antenor foi arrebatado por uma tristeza infinita.
O corpo era de uma menina. Uma criança de no máximo dez anos. Cabelos presos em trança. Vestido engomado. Lábios avermelhados. Parecia dormir.
“É a Ana, filha da dona Elizete”, pensou. “Valha-me nossa senhora, era uma menina tão boazinha”. Naquele momento esqueceu a falta de religião e fez o sinal da cruz.
Antenor enxugava o pranto com a luva suja de terra.
Quando finalmente fechou o túmulo de Ana, não tinha mais lágrimas a derramar.
A família da menina foi embora consolando uma mãe inconsolável. Eram poucos os amigos e parentes, mas suficientes para tentar aplacar a dor daquela mulher.
Antenor observou os carros indo embora. Não conseguiu comer as sobras do velório. Entregou tudo aos felinos. Aliás, apenas tentou entregar. Os gatos naquele início de noite estavam desparecidos. Abandonaram sem pudor todos os postos de vigilância.
Antenor chamou, chamou e nada. Nem um miado.
Resolveu dar uma caminhada pelos corredores do cemitério para ver se achava a gataria.
Entrou na ala dos esquecidos. Eram corpos emparedados e empilhados sem nome na lápide. Ninguém os queria, nem quando vivos, muito menos depois da morte.
Nada de gatos. Enquanto se dirigia para o final do corredor sentiu que atrás dele havia alguém. Virou-se rapidamente e pode ver de relance uma sombra que deixava o local. Como se alguém corresse para se esconder.
– Ei, quem ‘tá ai? Gritou Antenor. Nenhuma resposta. Pensou em voltar até lá, mas desistiu. Estava perto demais do final do corredor e precisava achar os gatos com rapidez, a noite já estava avançando e não havia lua suficiente para ele voltar pela trilha.
Apurou a audição e ouviu ao longe o som do que parecia ser um grito. Foi em direção a ele e lá estavam todos. Como reunidos numa cerimônia, os gatos estavam em volta da lápide mal acomodada do mausoléu dos Bragança.
– Arre, só que me faltava, primeiro a brincadeira com a pedra, agora esses bichos malditos, falava em voz alta para ele mesmo.
Foi em direção aos bichanos e eles nem notaram a sua presença. Antenor precisou gritar para que saíssem de uma espécie de transe.
Mexerem-se com uma lentidão enervante. Caminhavam como se donos da terra.
Antenor virou as costas e mais uma vez teve a certeza de ver uma sombra, dessa vez bem à sua frente. Na verdade duas sombras, que foram sumindo sem pressa. Antenor piscou bem os olhos, não estava acreditando no que via. Precisava sair dali.
Foi correndo em direção à administração. Pegou a marmita vazia, a chave dos portões e colocou-se depressa na trilha que o levaria até em casa.
Na estrada, apressou o passo. Sentiu alguém seguindo ele. Aquela sensação quando se está sozinho e parece que tem alguém atrás da gente. Assim Antenor estava se sentindo. Apressou tanto o passo que estava correndo quando avistou sua casa. Entrou sem limpar os pés. Fechou a porta com força. Dentro de casa, encostou as costas na porta e pode sentir uma batida estrondosa, como se a sombra que o seguia batesse nela.
Antenor se assustou. Acendeu as luzes da casa e esperou. Não houve mais nada. Nem barulho, nem batida, nem sombras. Nada. Apenas o silêncio da escuridão.
Não conseguiu dormir naquela noite. Foi assombrado pelos pensamentos e lembranças dos fatos da tarde.
No outro dia pela manhã, o sol mal apareceu no horizonte e Antenor se preparava para o trabalho.
Foi para o cemitério sem marmita, sem descanso e com medo.
Abriu os grandes portões. Não haveria enterro. O dia prometia ser calmo.
Pôde observar os gatos dormindo, nos postos de vigília, languidamente esperando o tempo passar.
Foi ver como estava a lápide no mausoléu violado. Chegando lá a surpresa maior foi que tudo estava normal.
Entrou sorrateiro, andou em volta e nada estava diferente. A lápide mexida estava de volta ao lugar.
Saiu do mausoléu e caminhou entre os corredores do cemitério. Meio sem rumo. Passou pela cova de Ana e ali sim, algo havia mudado.
As flores estavam surpreendentemente murchas e a lápide rachada. Ana Maria Bragança era o nome completo da menina.
Antenor não conhecia muito bem as letras, demorou a perceber a semelhança. – Bragança, Bragança, eu já vi isso antes, disse para si.
Saiu correndo pelo cemitério a procura do nome. Acabou novamente em frente ao mausoléu violado. Entrou e se deparou com o mesmo nome na lápide remexida: Ana Maria Bragança – a data da morte era 1734.
Nesse momento as portas do mausoléu fecharam com força. Antenor estava preso. Pode ouvir todos os gatos se aproximando da construção. Suava frio e tentou abrir a porta. Estava emperrada.
Sentia calafrios. Forçou a saída e nada. Lá fora os gatos reunidos faziam um barulho ensurdecedor. O sol que iluminava o ambiente por entre as vidraças simplesmente desapareceu. Ele foi tomado pela escuridão. Afastou-se da porta e começou a gritar pedindo socorro.
Os tocos de vela espalhados pelo chão serviram de ajuda. Antenor sacou o fósforo que carregava na calça, deixou os cigarros caírem do bolso. Com um risco certeiro, iluminou o ambiente. Nessa hora as duas sombras que anteriormente ele teve a impressão de ter visto se formaram na parede oposta a ele.
Antenor olhou para as sombras e viu nitidamente que duas meninas estavam à sua frente.
Eram mesmo duas crianças. Exalavam tanto terror que Antenor começou a chorar. Foi se agachando de medo. Pedia por favor, para que as meninas nada fizessem. Fechou os olhos. Podia ouvir a risada sinistra das garotinhas.
Ao abrir os olhos viu que as duas meninas haviam se aproximado. Estavam há pouco mais de um metro dele. Ele implorou pelo amor de Deus para elas deixarem ele ir embora.
Fechou os olhos novamente e ao abrir, as duas meninas estavam em cima dele. Riam em sua cara. Ele pode sentir o bafo de podridão que saia da boca desdentada de uma delas.
– Vem brincar com a gente, convidavam as meninas. Mais risadinhas assustadoras. Antenor estava apavorado. O coração batia descompensadamente.
As crianças colocaram as mãos no ombro do coveiro. Ele gritou. O medo assolou o corpo daquele homem e um silêncio grotesco tomou conta do lugar. Os gatos saíram correndo. A noite chegou.
Dois dias se passaram. A administração tentou avisar que haveria enterro naquela tarde, mas foi impossível. O enterro seria do próprio coveiro. Antenor foi encontrado morto. Congelado numa expressão de loucura e medo. Um novo funcionário foi contratado.
O que ninguém sabia é que Ana era a última descendente dos Bragança. Era tataraneta ilegítima do poderoso fundador da cidade. Resultado de um caso extraconjugal com uma escrava. Elizete, a mãe da última Ana Bragança, não fazia ideia do prestigio que poderia ganhar, nem da fortuna que poderia acumular sendo a última descendente da família.
A outra Ana, menina do século XVI, morrera prematuramente vítima de uma tuberculose. Era uma criança quieta, sem graça, doente e solitária. A Ana de hoje seguia o mesmo destino, isolada, tímida e fraca, teve uma vida miserável. As duas finalmente se encontraram e seguiram pela estrada improvisada da vida. Com as almas perdidas foram em busca da alegria de viver e fizeram de Antenor um brinquedo fácil. Planejavam sair dali. O próximo passo seria deixar o mausoléu e o cemitério e ir brincar nas ruas da cidade.

FIM

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33 comentários em “Brincando no Mausoléu (Andrea Carvalho)

  1. Leandro B.
    16 de janeiro de 2014

    O que mais gostei no texto foi a ambientação, bem como o “uso” dos gatos para gerar o clima clássico do terror.
    Mas essa explicação no final :/
    Deu muito um aspecto de “não consegui inserir tudo no limite proposto do desafio, está aqui a explicação para vocês saberem o que aconteceu”.

    Acho que ela seria melhor construída com pistas, ou com intromissões menos didáticas do narrador ao longo do texto.

  2. Pedro Luna Coelho Façanha
    15 de janeiro de 2014

    A história pode ser melhor trabalhada para dar mais emoção. Achei o conto simples e bacana. Parabéns.

  3. Mariana Borges Bizinotto
    11 de janeiro de 2014

    Boa narração, mas a pontuação errada me incomodou e atrapalhou bastante a compreensão em alguns lugares.

  4. Raione
    11 de janeiro de 2014

    Leitura agradável, uma história bem conduzida pelas frases curtas. Os elementos meio batidos das histórias de assombração, como a sombra fugitiva, a sensação de ser perseguido ou os gatos, são narrados como se estivessem sendo narrados pela primeira vez, assim simplesmente, e isso funciona bem. A aglomeração enigmática dos gatos ao redor do mausoléu, por exemplo, é uma imagem que transmite de forma muito direta um grande desconcerto e certo pavor, que dá ao leitor a sensação clara de mau presságio. Dentro dessa “naturalidade” da história, o modo com que a família Bragança participa da trama é artificial, e desde o começo, quando três frases com cara de sinopse de filme em jornal introduzem “os famosos e temidos Bragança”. O final não parece exatamente um final, mas uma nota explicativa que, a gente não sabe o porquê, não foi mitigada no decorrer da história. O final também sugere (eu tive essa impressão) uma inocência genuína nos atos de terror dos dois fantasmas, o que gera um contraste muito bacana em relação ao acontecimento horrível dentro do mausoléu, e trabalhar com essas duas perspectivas, uma externa e outra mais interna, é algo que eu acharia interessante ver melhor desenvolvido no conto.

  5. Ryan Mso
    10 de janeiro de 2014

    Gostei bastante da ideia, e da execução, apesar de que me parece faltar uma revisão aqui e ali. De qualquer maneira, parabenizo à autora.

  6. Pedro Viana
    4 de janeiro de 2014

    Gostei do tom do conto. A história é boa, o personagem muito bem construído, mas a narrativa precisa de uma revisão. Além da já mencionada falta de pontuação nos diálogos, existem várias construções contraditórias que permeiam o texto. O final ficou abaixo das expectativas. O motivo para as garotas matarem o coveiro não me convenceu e o propósito delas, mesmo com o último parágrafo didático, ficou confusa e incerta.

  7. Paula Mello
    24 de dezembro de 2013

    Sou uma fá de contos,textos e livros que se passam em cemitérios,então logo de inicio seu conto me prendeu,adorei os detalhes, e achei que eles deram vida ao conto; Consegui imaginar todo o cenário enquanto lia,mas fiquei um pouco decepcionada no final. Esperava um pouco mais, já que o conto em si mostrava grande potencial.
    Você poderia ter focado mais nos detalhes do que aconteceu com as irmãs ou até mesmo no que elas queriam mais a fundo e deixado os detalhes do coveiro um pouco mais superficiais,abrindo espaço para os detalhes que dariam asas a imaginação do leitor. Achei também o final um pouco mais corrido do que o inicio do texto.
    Uma ideia construtiva,tente sempre manter o mesmo ritmo que você começou, para o leitor não sentir diferença e achar que você começou a correr com o texto, pois a ideia inicial foi esfriando.
    Mais um ponto positivo no seu conto é a estrutura,achei muito bem distribuído em todo o enredo e em nenhum momento fugiu da ideia central.
    Na minha opinião você esta no caminho certo.

    Boa Sorte !

  8. Weslley Reis
    23 de dezembro de 2013

    A trama do conto em si é boa, tem potencial. Por outro lado, não acho que ele tenha sido explorado tanto quanto podia. A questão da falta de pontuação no dialogo me incomodou bastante, também. Por vezes causou certas confusão.

    Acho que se revisado e reescrito, poderia ter ficado incrível. Porém, como já foi citado, a gente acaba só lendo e lendo pra ver o que vai acontecer, sem muita expectativa.

  9. Jefferson Lemos
    18 de dezembro de 2013

    Sinceramente, eu não gostei. :/
    Achei que faltou algo mais, uma explicação melhor para as coisas que ocorreram. Foi tudo muito rápido e sem sentido. O final, como disse o Elton Menezes, pareceu-me um informativo de jornal. Saiu completamente da forma narrativa do texto.
    Enfim, eu não gostei, mas tiveram outros que gostaram, creio que seja questão do meu gosto mesmo.
    Parabéns e boa sorte!

  10. Susy R.
    17 de dezembro de 2013

    Oi gente, vim xeretar aqui também. Rs. O enredo está bacana, mas senti o texto um pouco truncado por conta das frases curtas. Talvez, alongar mais os parágrafos e optar pelas vírgulas no lugar dos pontos. Não ficou claro os motivos pelos quais os fantasmas atacaram o pobre do coveiro, Por que ele? O que ele havia feito de mal à família Bragança? Apenas esta parte deixou a desejar. No geral, gostei bastante do clima de causo, como a Bia falou.

  11. Pétrya Bischoff
    16 de dezembro de 2013

    Gostei da narrativa, explorando uma espécie de fala de interior. A descrição de detalhes enriqueceu muitíssimo o texto. Apesar da atmosfera empobrecida e do ambiente lúgrube, o texto não é pesado e o final é inda mais leve, com os fantasmas apenas brincando…
    Interessante a estória, texto muito bem construído 🙂

  12. Gunther Schmidt de Miranda
    15 de dezembro de 2013

    Narração muito boa… Um sotaque sertanejo (autêntico!) digno de oriçar até tatu pelado!
    Outro ótimo texto que merece estar entre os três primeiros.
    Parabéns.

  13. Frank
    13 de dezembro de 2013

    Uma boa história de terror com argumentos “tradicionais”. Achei interessante a transformação do viúvo de um ser calmo e tranquilo num apavorado…rs. Gostei também do final que abre novas possibilidades. Uma leitura bem compensadora.

  14. Elton Menezes
    13 de dezembro de 2013

    Sobre o título… Má escolha. Parece nome de história infantil.
    Sobre a técnica… Senti falta de muita revisão: errinhos gritantes de ortografia e digitação, como falta de crase (“contrário aquilo tudo”), pontuação e o perturbador “embaixo do braço a marmita” (que por algum motivo eu acredito que o certo seja “debaixo” kkkk). Sinceramente gostei da construção do personagem, embora tenha sentido falta de mais lirismo nas palavras. Incomodou MUITO as narrações sem separação dos diálogos. Evite também explicações desnecessárias que só tornam o texto longo. Por exemplo: “pode sentir uma batida estrondosa, como se a sombra que o seguia batesse nela” – uma batida é uma batida, oras! “Não houve mais nada. Nem barulho, nem batida, nem sombras. Nada” – nada é nada, não precisa numerar o que não havia!
    Sobre a história… Senti que houve uma tentativa louca de dar agilidade e suspense, mas não conseguiu. Apesar do protagonista simpático, a história não engrena da forma a que se propõe. Não causa tensão, nem suspense. Você simplesmente vai lendo para ver no que vai dar. O título também prejudica. Não existem cenas marcantes, entende? O máximo de suspense é uma lápide arrancada num dia e flores murchas no outro. Falta algo a mais. Uma dúvida… O que é um fantasma exalar terror?
    Sobre o final… Péssimo, né? De repente o conto virou um jornal informativo sobre a história das meninas? Ainda faltavam palavras para o limite, então havia espaço para uma forma melhor de explicar a história delas.

    • Elton Menezes
      13 de dezembro de 2013

      — incomodaram MUITO, sorry

  15. vitorts
    12 de dezembro de 2013

    A Bia falou o que ficou na minha boca durante todo o conto; que jeitão de causo! Não digo isso de forma ruim, gostei disso no texto. Sendo do interior, minha infância foi infestada de coisas do tipo (não que tenha galopado numa mula-sem-cabeça ou topado com a noiva morta, mas ouvi muitos desses relatos).

    A caracterização do personagem foi muito boa. Deu para ver a miséria material e emocional em que se encontrava. Só achei um pouco exagerado a sensibilidade evidente que o acompanhava em todos os enterros. Com a frieza do ofício, uma pessoa tende a se acostumar com a rotina. Por mais que se importe, um médico não se entrega ao choro por causa da 40ª pessoa que não consegue salvar.

    No mais, bom conto! Boa sorte no desafio!

    • Elton Menezes
      13 de dezembro de 2013

      “Eeeeeeeeeeeepa!” by Vera Verão

  16. Inês Montenegro
    10 de dezembro de 2013

    A ideia base do enredo tem potencial e a contextualização no cemitério foi uma boa escolha, contudo, a prossecução do conto ficou aquém do que poderia ter sido. Apesar de algumas boas descrições, em especial no início, a narrativa acaba por se dispersar, dando ideia que o conto foi escrito e enviado imediatamente, sem uma revisão atenta. A linha narrativa acaba por se tornar bastante previsível e comum, pegando até numa ideia já muito explorada. Algo que o final não ajudou, pois o despejar de informação quebrou o espírito, e retirou o foco do terror do momento.
    Atenção em especial à distinção entre o discurso directo e o indirecto. Cada vez que escrevias em discurso directo, prosseguias com o indirecto sem inserir qualquer distinção, por exemplo, em “– Tudo a mesma merda, dizia cuspindo em seguida, enquanto fumava o tradicional cigarro de palha.” Deveria haver um “– “ depois da vírgula e antes do “dizia”.

  17. Gustavo Araujo
    10 de dezembro de 2013

    O começo me pegou legal: “Antenor acordava de madrugada, com os galos cantando, como se diz. Tomava um café ralo, vestia a roupa limpa, encaixava o chapéu na cabeça grisalha e ia para o serviço. Embaixo do braço a marmita preparada na noite anterior.” Gostei bastante dessa descrição. Fui capaz de imaginar o sujeito sofrido, vergastado pelo tempo, numa construção bastante convincente. O problema foi que a história não se desenvolveu no mesmo nível. Não que esteja ruim – ao contrário, é um texto fluido, fácil de ler – mas sim porque é previsível demais. Uma história de terror que cai nos clichês do gênero. Talvez tenha faltado ousadia por parte do autor. Fica aí a dica.

  18. caio523
    10 de dezembro de 2013

    Olá. Pra mim o problema foi o protagonista, não me importei muito com ele. A exposição no começo não me foi o bastante. É sempre bom ter um ser humano completo como parte do texto, e não que precise de um estudo de personalidade, mas quando você ”dá” informações assim de bandeja – ele era isso, ele pensava aquilo, e ponto -, acaba criando um ‘tipo’, uma imagem caricata de alguém. Se você trabalhasse num jeito de dar as mesmas informações e outras ao longo do texto, uma aqui outra ali, criando a sensação se que estamos conhecendo a pessoa, causaria mais impacto no final. Por exemplo, se você quisesse, podia não ter dito nada sobre a religião dele, mas num dos enterros mencionar que todos fizeram o sinal da cruz, mas ele hesitou, “não acreditava nessas coisas, mas o gesto era de bom tom, e sua mãe sempre pedia que o fizesse; ela era muito religiosa, o levava sempre ao culto, mas quando morreu ele largou a igreja. Acabou cedendo e a mão se pôs a fazer o sinal”. Dar esse tipo de informação de uma forma mais contextualizada, sabe? Ao longo do texto. Pode dar um fluxo melhor que separar em apresentação e enredo. Ele chorar quando você nos diz que ele vê a morte como algo banal fica contrastante, também. São coisas a se pensar num planejamento.
    Planejar aliás, é preciso. Você não devia ter que explicar tudo nos dois últimos parágrafos, como foi o caso. A história toda seria melhor se espalhada, de novo, por todo o conto. Você tem o controle. Podia contar a história dos Bragança aos poucos também. Uma possibilidade, pra ilustrar o comentário, seria o próprio Antenor ir percebendo coisas e investigando, assim o leitor descobre tudo junto com o personagem. No final ele encontraria as fantasmas e a semelhança das duas seria a última peça do quebra cabeça, ele finalmente entende o parentesco delas, mas morre. Assim o texto ganha uma trajetória melhor, uma progressão definida de desconhecido a conhecido e o leitor se sente mais envolvido porque descobriu junto do Antenor. Em vez de ser contado tudo em parágrafos explicativos, ele foi ‘vendo’ por conta própria. Ou simplesmente não contar nada, o cara morreu e fica o mistério, pôr umas pistas pelo texto pro leitor criar uma suposição e boa.

    Isso dito, tem também muito de certo no conto. Não é de se subestimar a habilidade de fazer um texto que flui como o seu e a construção de frases também é bem boa. Espero que os pontos ajudem, abraços

  19. Ricardo Gnecco Falco
    10 de dezembro de 2013

    O primeiro conto a ser postado nos Desafios já deveria, por este “simples” fato, ganhar um troféu. Demonstra coragem, confiança, atrevimento… Diria que até mesmo um pouco de desdém.
    E é exatamente sobre este pouquinho de desdém que eu vou fazer uma analogia aqui no comentário.
    Você escreve bem. Como leitor, senti que fui conduzido do ponto A para o B. Me foi apresentado um personagem (vítima) e a oposição ao mesmo (a dupla algoz). Um cenário até que bem construído (segundo a temática do Desafio), uma movimentação ritmada e congruente com a história e um final… Bem, um final que decidiu focar na própria explicação do acontecimento final.
    Uma das maiores características das histórias curtas (contos) é exatamente o final impactante. Pode ser uma surpresa, uma descoberta, um despertar, ou até mesmo um final aberto. Mas TEM que causar um impacto no leitor. Senão, vira isso. Uma explicação explicativa explicando o significado dos signos e sinais sinalizados textualmente no texto. 😉
    Ao optar por focar na explicação sobre as garotinhas, a morte do coveiro (Atenção: Spoiler! Vai lá ler o texto primeiro!) perdeu, completamente, o impacto que poderia ter sido (e era esperado) explorado. Até a cena da mão fantasmagórica tocando o ombro do coveiro, eu estava completamente envolvido nas cenas narradas. Isto se chama Imersão. E é dificílimo para um autor conseguir isso; principalmente nesta temática. Você conseguiu e, me pareceu, sequer importou-se com isso. Me puxou, à força, lá do fundo e me trouxe de volta à realidade, ao ato de estar, naquele momento, lendo um texto (o primeiro) enviado para um Desafio Literário. Decidiu (sozinha) me explicar o que eu não queria saber; pelo menos não naquela hora.
    Então, SEMPRE visando deixar algo que possa ser de serventia ao autor, sugiro repensar sobre esta mudança de foco da narrativa justamente no final do conto. Metaforicamente, seria como se você tivesse fisgado um peixe que, lá debaixo d’água, viu uma minhoquinha apetitosa, veio nadando contra a correnteza, abocanhou o quitute e, de repente, ao invés do anzol da morte, encontrou um aviso com os dizeres (em peixenês): “Cuidado, o próximo será de verdade!”.
    . 😛 .

    Bem, é isso. O resto é só revisão e já foi apontado pelos nobres colegas!
    Abraço e parabéns pela coragem de “botar a cara à tapa”!
    🙂

  20. Felipe Falconeri
    9 de dezembro de 2013

    “Entregou tudo aos felinos. Aliás, apenas tentou entregar. Os gatos naquele início de noite estavam desparecidos”

    “Antenor virou as costas e mais uma vez teve a certeza de ver uma sombra, dessa vez bem à sua frente. Na verdade duas sombras,”

    Quando você diz que o cara entregou a comida aos felinos, essa imagem já se forma na cabeça do leitor. E aí você diz que não, não foi bem assim, porque os gatos não estavam lá. Isso é uma quebra gigante na leitura. A mesma coisa no segundo trecho. Você diz que Antenor teve certeza que viu uma sombra. Mas não, pensando bem eram duas.

    Parece que o narrador está se atrapalhando enquanto conta a história. Não dá pra ficar “mudando de ideia” no meio da frase. No primeiro trecho, por exemplo, você poderia contrapor a intenção dele e a impossibilidade da ação numa única frase, dizendo que ele queria entregar a comida aos gatos mas que eles haviam sumido naquele momento. Algo assim.

    “Sentiu alguém seguindo ele. Aquela sensação quando se está sozinho e parece que tem alguém atrás da gente. Assim Antenor estava se sentindo”

    A última frase é desnecessária. Só poderia ser ao Antenor que pertencia a sensação.

    Separei esses trechos para mostrar que faltou cuidado na construção do texto. Não adianta escrever tudo numa tacada só e já sair postando, é preciso “polir” o texto, para que esse erros não acabem condenando a leitura.

    O enredo também precisa de um melhor trabalho. Está sem ritmo, começa com uma longa descrição da rotina do coveiro e aí quando a ação de fato começa, é um bocado atropelada. O final tentou amarrar as pontas, mas ficou devendo e acabou ficando um bocado clichê.

    Meu conselho é que o autor tenha mais paciência. Literatura é, em sua primeira instância, a arte de se trabalhar a palavra. Tenha mais paciência, revise melhor o texto, procure construir melhor as frases. Se você apenas “vomitar” a história, o resultado não vai ser dos melhores.

    Abs.

  21. amandaleonardi23
    9 de dezembro de 2013

    É interessante a atmosfera do conto, mas acho que o enredo não ficou muito bem construído, talvez um pouco explicado demais no final. Mas, tirando isso, é uma boa narração de suspense!

  22. Jowilton amaral da costa
    9 de dezembro de 2013

    Na minha opinião o conto é razoável. Achei a narrativa enfadonha e insegura do meio para o fim. Quase não tem erros, o que é um ponto positivo, infelizmente é o único. Sendo mais realista que o rei, eu digo que fantasmas não precisam levantar lápides para perambularem e assombrarem por aí, a não ser que eles estejam presos por algum poder misterioso e a lápide seja um portal, que alguém abriu e liberou os fantasmas. O que não foi o caso do conto. Fantasmas atravessam paredes. É isso. Abraços.

    • Elton Menezes
      13 de dezembro de 2013

      Hei de discordar, porque há erro por demais!!!

  23. selma
    9 de dezembro de 2013

    Começou bem, criou um clima, fez desejar prosseguir. Alguns erros perdoáveis, a escrita em si é boa. Mas faltou continuidade. A pressa fez perder a graça. As explicações ficaram falhas.
    A ideia é boa, parabéns!

  24. Claudia Roberta Angst - C.R.Angst
    9 de dezembro de 2013

    Primeiro conto do desafio. Deixei para ler depois do segundo e do terceiro só para não pesar na estreia. Acho que traumatizei com o tema cemitério, então entrei na narrativa meio temerosa.
    Gostei do estilo da narrativa com frases curtas sem muita embromação. Nem senti tanta falta dos meus amados diálogos.
    Alguns errinhos aqui e ali, mas nada tao grave assim. Pecadilhos de uma revisão apressada.
    Achei o final escrito meio aos tropeções de um apressado. A explicação sobre as meninas ficou um tanto forçada. Poderia ser cortada ou diluída no decorrer da narrativa. O conto teria mais impacto se terminasse com a morte do coveiro e só. No geral, gostei da leitura. Boa sorte!

  25. Ana Paula Lemes
    9 de dezembro de 2013

    Gostei bastante do conto, mas não é de todo original. Aliás, quando li me lembrei do texto da Thata, do desafio Cemitérios, chamado Coleção de Um Coveiro. Sério, a trama é muito parecida!!! E isso me incomodou um pouco, rs! Quando estava lendo, fiquei com aquela sensação forte de “déjà vu”, o que não foi muito agradável.

    Mas a história é interessante e foi bem escrita. Só tomar um cuidado maior quanto às repetições de palavras, o que começa a acontecer em especial da metade pra baixo do conto.

    Parabéns!

  26. Thata Pereira
    9 de dezembro de 2013

    Gostei da narração. Achei engraçada a relação dele com os gatos, pois escrevi um conto para o desafio dos Cemitérios, que o coveiro matava os gatos que caiam dentro das covas rs’

    Sempre estranho os finais explicativos, mas esse não me incomodou. Só fiquei com a sensação de que a história das meninas poderiam ser melhor desenvolvidas. Não no fim explicativo, mas de uma forma que pudessem ser encaixadas ao longo do texto. Acredito que a sensação que senti quando as meninas chamaram o coveiro para brincar seria mais intensa.

    Boa Sorte!

  27. Marcelo Porto
    9 de dezembro de 2013

    Um bom inicio com um final não muito bom.

    A narrativa começa bem, nos faz se preocupar com o protagonista. Lá pelo meio cria um clima de suspense interessante e começa a nos enveredar pelo terror, mas de repente estraga tudo com um clímax totalmente clichê.

    Por que as fantasmas queriam fazer mal ao pobre coveiro, que ainda se emocionou na morte de uma delas?! Qual a motivação para isso?

    O autor(a) deveria rever esse final, e ainda tem aquela conclusão desnecessária.

    O conto tem potencial, mas precisa de um pouco mais de atenção.

  28. Marcellus
    9 de dezembro de 2013

    Gostei do conto, mais do começo que do fim. Lá pelo meio, o autor deixou passar alguns errinhos (“…Sentiu alguém seguindo ele. Aquela sensação quando se está sozinho e parece que tem alguém atrás da gente. Assim Antenor estava se sentindo.”…), o que quebrou um pouco o ritmo da leitura.

    Outro ponto: mesmo sendo semianalfabeto, o coveiro vivia numa cidade pequena. Era muito difícil não saber, de antemão, a história da menina morta. E, mesmo que não soubesse (por causa do isolamento, talvez) sua dificuldade seria ler o nome no túmulo, não ficar em dúvida sobre onde já tivesse ouvido o sobrenome familiar.

    Mas, como disse, gostei do conto. É um bom passatempo. Parabéns ao autor.

  29. bellatrizfernandes
    9 de dezembro de 2013

    Gostei bastante. É daquele suspense bom, sem apelar para sangue, e demônio e cenas chocantes. Só não entendi porque a “brincadeira” das meninas tinha a ver com matar. Afinal, tinham sido meninas tímidas, não é? De onde elas tiraram essa vontade de maldade?
    De qualquer forma, concordo com a Bia, a explicação no final ficou desnecessária. Poderia ter acabado dizendo que ele foi encontrado morto e tudo o mais.

  30. Bia Machado
    9 de dezembro de 2013

    Gostei da narração de grande parte do texto, com cara de “causo”, gostei mesmo. A partir da parte da ala dos esquecidos, fiquei tensa aqui. Afinal, são 1:35 aqui em Campo Grande e eu sou a única acordada aqui em casa, além das minhas duas gatas! =D Achei que o final podia ser melhor. E não vi necessidade daquela explicação toda no final, sobre quem eram as meninas… Acho que “quebrou” essa sensação toda que eu tive quando li o que veio antes… Acredito que isso pode ser contado de outra forma, colocando alguém comentando sobre isso no enterro da segunda Ana, por exemplo. Ou simplesmente não contar, deixar o leitor compreender isso por si só, e manter o clímax do final, sem essa quebra que eu senti. Mas ficou muito bom. Tem uns errinhos bobos de digitação, nada de mais. Parabéns!

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Informação

Publicado às 8 de dezembro de 2013 por em Fantasmas e marcado .