EntreContos

Detox Literário.

Outro olhar (Claudia Roberta Angst)

Observa os olhinhos. Assustadores, mas também belos. O sabor na ponta da língua, o desaprovado sentido. Quase doce, algo marinado no salgado das lágrimas e no amargo do desconhecido. Cheiro de terra molhada, som de chuva aguardada. Tudo tão fascinante e improvável, um transformar de estranhezas. De repente, o medo. Quer se afastar, desfazer a visão, livrar-se das órbitas hipnotizantes. Pisca. A mãe chama, uma ciranda lá longe se anuncia. A pequena Olívia, confusa, foge sem saber quem é a outra. O reflexo também lhe dá as costas.

38 comentários em “Outro olhar (Claudia Roberta Angst)

  1. Fernanda Caleffi Barbetta
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fernanda Caleffi Barbetta

    Olá, Menina Grande

    Primeiro o microconto me pareceu um terror, depois pensei em uma criança se admirando no espelho… mas lendo e relendo, cheguei em uma leitura um tanto ousada, da masturbação de uma menina que está crescendo e observando as suas transformações com um misto de sensações. A chave para mim está em “O sabor na ponta da língua, o desaprovado sentido”.

    As “lágrimas” também me afastaram de pensar em uma criança que simplesmente começa a enxergar a própria imagem. É alguém se descobrindo, mas que se nega a aceitar o que está vendo. Se afasta do que vê. Sente medo de crescer, da não aceitação.

    Boas construções, embora algumas vezes enigmáticas.

    “um transformar de estranhezas” – essa parte pareceu perdida, como colocada ali para justificar o tema metamorfose.

    “uma ciranda lá longe se anuncia” – não entendi essa ciranda. Seria a mãe chamando para a infância?

    Quando você colocou o nome da menina apenas no final, sendo que poderia tê-la mantido como meninas apenas, fiquei pensando se o nome Olívia teria algum significado, se seria uma chave para um maior entendimento do texto.

    Gostei do final, esse reflexo dando as costas ficou uma imagem muito bonita e forte.

    Parabéns pelo texto!

  2. André Lima
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de André Lima

    É muito criativo e original. Fala um pouco do despertar da autoconsciência, utilizando o teste do espelho como fundo. É bem construído. Um horror psicológico muito bem construído…

    … mas não vi o tema.

    Parabéns pelo excelente trabalho.

  3. Sarah Nascimento
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de Sarah Nascimento

    Olá! Nossa, que microconto incômodo.kkk. Me deixou tão assustada quanto a Olívia ficou. Enquanto lia eu me perguntava se os olhos eram de um animal ou de uma criatura sobrenatural. No fim era o reflexo da menina né? Achei muito bom, concluiu super bem a cena estranha e angustiante. Um detalhe que ficou na minha cabeça foi isso do reflexo também virar as costas. Eu hein, sinistro seu micro. kkk. Fui ali dar uma lida de novo e confesso que não entendi os outros sentidos: “sabor desaprovado na língua”, ela lambeu o espelho? kkk, mas, pera, pode não ser um espelho também. Bom,se o reflexo tivesse em outra coisa… enfim, não entendi os outros sentidos citados, cheiro de chuva. Mas a sensação geral foi que essas duas não deviam tá se vendo, sei lá.

  4. maquiammateussilveira
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de maquiammateussilveira

    Este conto foi o que mais me deixou dividido entre valorizar “textos bem escritos” e “textos fieis ao tema do desafio”. Li e reli algumas vezes e não consegui me convencer da metamorfose. Prefiro textos mais claros em relação ao conteúdo. Agora, em se tratando da forma, é com certeza um dos textos mais bem escritos nesse desafio. Não demora em sugerir a ambientação intimista e misteriosa. O tom lírico, na maioria dos textos, acaba soando artificial. Mas aqui há naturalidade, efeito do domínio de escrita. Um exemplo desse domínio é a expressão “o desaprovado sentido”. Inversões tendem a se tornar constrangedoras, mas essa ficou tão bem assentada no ritmo, no tom da cena. Espero que quem o escreveu participe do Entre Romances, pois fiquei com a impressão de que tais qualidades ficariam melhor trabalhadas em um formato com mais espaço. Parabéns!

  5. Alexandre Parisi
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Alexandre Parisi

    Oi, Menina Grande! Teu conto é uma viagem sensorial deliciosa. Me senti na pele da pequena Olívia, esbarrando na estranheza de se descobrir no espelho. O uso da sinestesia — cheiro de terra, gosto de lágrimas — trouxe uma imersão quase tátil ao texto. É um retrato sensível daquela “fase do espelho” onde a identidade começa a se metamorfosear.

    O que me agradou foi o clima de mistério psicológico, mas, sendo sincero, achei a adjetivação um pouco excessiva. O texto ganharia mais força se deixasse as imagens respirarem sem tantos qualificadores. A metamorfose é sutil e interna, o que é um risco em desafios, mas a imagem final do reflexo dando as costas é genial e perturbadora. Uma obra de sensibilidade, com um toque clariceano que me cativou.

  6. Givago Domingues Thimoti
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Givago Domingues Thimoti

    Olá, Menina Grande!

    Tudo bem?

    Em que pese tenhamos um conto muito bonito, eu senti que esse microconto está fora do tema. Nem foi um aspecto que considerei tanto nesse desafio, mas nesse caso em específico, foi algo que sobressaiu. Para mim, o micro está mais para o momento dos primeiros sinais de consciência do que uma metamorfose. 

    Além disso, eu achei um conto muito repleto de informações, especialmente dentro de um micro. A construção das cenas na minha cabeça foram se acumulando, sem dar muita brecha para elas se firmarem. Talvez, aqui, menos seria mais.

    Por fim, gostaria muito de destacar a ideia e o estilo muito bonito de escrita. A ideia é MARAVILHOSA! O despertar da consciência de si, algo que nós não temos tanto acesso a como aconteceu. Isso é um assunto tão complexo e rico de possibilidades que é quase natural exigir mais de 99 palavras. Enfim, espero ler um conto mais elaborado sobre isso, ou quem sabe uma poesia. 

    A construção de algumas frases também foi de uma beleza ímpar; poesia dentro da prosa. “Quase doce, algo marinado no salgado das lágrimas e no amargo do desconhecido”.

    Parabéns! Atenciosamente,

    Givago

  7. Bia Machado
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Bia Machado

    Que texto bonito e sensorial. Gosto muito de como você transforma um momento simples, do encontro de uma criança com o próprio reflexo, em algo quase mítico, cheio de estranhamento e descoberta. A linguagem sinestésica cria essa sensação de mundo recém-nascido, onde tudo é intenso, assustador e fascinante ao mesmo tempo. O final, com a fuga de Olívia e o reflexo “dando as costas”, fecha perfeitamente essa atmosfera de encantamento confuso. Ficou delicado e cheio de poesia. Parabéns!

  8. leandrobarreiros
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de leandrobarreiros

    Falamos tanto de contos encriptografados no grupo. Eu classificaria esse assim, mas um encriptografado do bem. Nao faz uso de palavras difíceis, mas adiciona elementos que pintam cenários que o leitor pode viajar um pouco.

    Trata-se de uma criança percebendo seu reflexo, mas ela está em um sítio? Qual o gosto está sentindo, por quê?

    Isso me causa uma certa viagem do bem.

    Enfim, um continho gostoso de ler.

  9. danielreis1973
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de danielreis1973

    Prezado(a) Microcontista (aviso comum em todo os contos):

    Por conta do sistema de comentários (abertos) e do sistema de votação (escolha dos dez favoritos), estou adotando também um critério de análise mais simples para todos, procurando refletir mais como me senti com leitor do seu texto do que como analista/crítico e atribuidor de notas. Por isso, desculpo-me de antemão pela concisão, e reforço que o que comento aqui é sobre como me senti ao ler seu conto, não sobre o quão bom ele ou você é, ok?

    Vamos à análise:

    A menina no espelho – também impossível não pensar em Fernando Sabino e seu romance de formação. Porém, aqui, temos somente um fragmento de auto-identificação, sendo que a menina ainda é pequena demais para estar transformada. Tentei achar nisso metamorfose e não consegui. Deve ser limitação minha. De qualquer forma, boa sorte no desafio!

  10. Renata Rothstein
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Renata Rothstein

    Menina Grande, tudo bem?

    Então, seu microconto explora de forma poética e sensorial a transformação interior de Olívia. As descrições de olhinhos, sabores, cheiros e sons criam uma atmosfera rica e envolvente, transmitindo a estranheza do despertar para algo novo e desconhecido. A confusão da personagem diante do reflexo reforça a sensação de metamorfose, mostrando o desconforto e fascínio da mudança.

    O que funciona: o uso sensorial é excelente, e a linguagem poética prende o leitor; a construção da experiência emocional de Olívia é impactante e transmite bem a ambivalência do novo e do desconhecido.

    O que poderia melhorar: a narrativa é bastante enigmática, e algumas imagens podem confundir o leitor sobre o que realmente está acontecendo. Um ou dois ajustes para tornar a progressão da metamorfose mais perceptível ajudariam a aumentar o impacto da história.No geral, é um microconto sensível, poético e original, que transmite bem a transformação de identidade e percepção da protagonista.

    Desejo boa sorte no Desafio.Beijos

  11. Pedro Paulo
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Pedro Paulo

    Começar simplificando o micro ao seu enredo parece despeito, pois o investimento maior é na linguagem, em especial na maneira como trabalha a multiplicidade sensorial que toma a personagem, a exemplo de amargo, salgado e doce compartilharem espaço em uma sensação. Mas, para comentar, vale dizer que entendi a história como uma menininha fascinada e depois assustada com o próprio reflexo num espelho, enfim lhe virando as costas e esquecendo aquilo, marcando um momento de profunda autopercepção, um amadurecimento. Tendo observado o desenvolvimento de um bebê de perto, reconheço a primeira infância como uma das fases mais transformadoras no que diz respeito ao domínio das funções motoras, princípios de sociabilidade e noção de si mesmo, então atribuo a este micro a proeza de retratar um momento como este. Em contrapartida, só fui capaz de resumir o enredo pelo final do micro e as menções a paladar e olfato, embora belamente descritas, pareceram-me deslocadas, depistam o leitor ao invés de direcioná-lo ao que se quer contar. Em um microconto, erros de percurso custam muito.

  12. Alexandre Costa Moraes
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Alexandre Costa Moraes

    Olá, Menina Grande.

    Curti o seu microconto.

    Uma menina encara algo no espelho (que assusta e fascina ao mesmo tempo), tenta se livrar daquela visão e sai correndo sem saber quem é “a outra” até o reflexo, no fim, estranhamente lhe virar as costas.

    O melhor do texto é a linguagem sensorial que cria uma ambientação não urbana (terra molhada)… e puxa o leitor para dentro da cabeça da criança. Isso aponta para o fantástico e traz um drama psicológico bem sutil, especialmente pelo final inquietante. De forma geral, você abordou bem o tema pela metamorfose de identidade e percepção, mas dar um pouco mais de nitidez ao eixo da transformação deixaria o impacto ressoando melhor.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  13. Fabio D'Oliveira
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fabio D'Oliveira

    Experimentar.

    Uma coisa tão natural para o ser humano, mas, para os jovens, algo tão complexo e que desperta inúmeras sensações. Me fez lembrar do meu primeiro beijo. Uma sensação estranha, mas boa. Esperei muito por ele, pois perdi o famoso BV tarde. É interessante observar o contraste disso com o hoje. É tão comum. O beijo não tem mais aquele impacto. É mais sexual. Sensual. Leva para a mão boba. Mas esse conto me fez sentir falta das sensações de quando era jovem. Dos sonhos de antes. Das esperanças de antes…

    Gostei bastante.

  14. Martim Butcher
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Martim Butcher

    Menina,

    Não entendi.

    Não entendi porque o pessoal anda falando que o texto é incompreensível. Más claro, echale água, como se diz na Argentina. O espelho, por sinal, não sei porque desde o começo imaginei que fosse um olho d’água. Ecos de Narciso, na certa. Mas aqui não é Narciso a referência, embora essa história seja sempre incontornável quando o assunto é espelho. Aqui a pegada é lacaniana, rsrsrs. Em algum lugar ele trata da “fase do espelho”. Enfim.

    Descoberta e tanto, para uma criança. E você conta isso de maneira muito bonita, sustentando, até a última frase (que tudo explica), a incompreensibilidade do que se vê. E faz isso por um motivo muito importante: é que a própria protagonista não compreende o que vê. Achei engraçado que o pessoal aproximou seu texto à poesia: a única metáfora é “amargo do desconhecido”. De resto, tudo paladar, sensação, o que me parece ótima escolha para traduzir um estar-no-mundo antes do domínio da linguagem verbal.

    O único problema é a questão do tema. Há descoberta, sim, e qualquer descoberta que mereça esse nome implica transformação posterior. Mas aí já estamos facilitando demais a abordagem temática. Metamorfose que é bom, ficou faltando.

    Parabéns!

  15. Priscila Pereira
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Priscila Pereira

    Olá, Menina grande! Tudo bem?

    Que primor! Uma menininha que acha que é grande, mas ainda não se reconhece no espelho experimenta as sensações novas que a vida lhe oferece. Crescer às vezes é desconfortável, desconhecido, dá medo, mas continuar criança não é opção. Não entendi a parte da ciranda… Gostei do conto! Parabéns!

    Boa sorte no desafio!

    Até mais!

  16. Thiago Amaral
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Thiago Amaral

    Parece ser uma criança aprendendo a lidar com as diferentes sensações no início da vida. Tomando consciência das estranhezas num lugar que para ela é estranho, num corpo estranho, olhando para uma pessoa estranha (ela mesma). É um tema interessante.

    A linguagem do conto quase me fez desistir, reclamando aqui que o conto é hermético demais. Insistindo mais um pouco, digo que até faz sentido, se minha leitura estiver correta. Mas acho que a poética mais atrapalha do que ajuda, pois a revelação final não me ajuda a compreender muito bem o que veio antes.

    Assim, concluo que a ideia é boa, mas os significados são muito pessoais da autoria, o que me traz dificuldade em compreender e me conectar.

  17. Mariana
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Mariana

    O conto é bom por evocar o medo que acompanha as descobertas da infância… Tudo é imenso, assustador, novo. A metamorfose se dá no tempo, que muda e passa a anunciar um temporal. Também na criança, que, ao ver o seu reflexo, altera o seu entendimento do mundo. Parabéns Menina Grande, boa sorte no desafio.

  18. Astrongo
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Astrongo

    Talvez o melhor desse texto seja converter o lugar deveras comum, como esse da criança diante do espelho, em algo que brinca com o mágico, o fantástico, de maneira sensorial. Não sabemos se Olívia vai se olhar mais uma vez, se o afastamento é definitivo. Essa dúvida deixa uma questão: o estranhamento de si é uma forma de compreensão ou então algo que se repetirá ad eternum como uma máquina que opera sem saber de sua função?

  19. Fabiano Dexter
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fabiano Dexter

    Ola Menina,
    Parabéns pelo trabalho realizado aqui. O micro está muito bem escrito, com as palaavras escolhidas trazendo algo, um sentido, um momento de transformação, de algo que se esconde nas sombras mas que veio para ficar.
    Parabéns!

  20. Fernando Cyrino
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fernando Cyrino

    Olá, Menina Grande, você me traz um conto gostoso de ler. Aliás, gostoso literalmente a partir dos sentidos experimentados pela Menina que ao se ver no espelho não se reconhece… Ficou interessante a sua abordagem da menina que vai crescendo e que tem muito ainda a descobrir (inclusive e principalmente de si mesma). Gostei do conto, me trouxe leveza. Está bem contado e não notei falhas, Abraços e muito sucesso. 

  21. Kelly Hatanaka
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Kelly Hatanaka

    Um micro hermético. O significado se esconde, foge, tal como Olívia.

    A menina se olha no espelho. Estranha o que vê, aquela desconhecida que olha de volta para ela, uma desconhecida que a assusta e fascina. Tem medo. Um medo de si? Assim me parece. É uma ideia estranha e, ao mesmo tempo familiar, esse temor de si mesmo, esse estranhamento de algo que trazemos dentro de nós.

    Um conto com cara de Clarice Lispector, em que o leitor vai reconhecendo dentro de si coisas difíceis de descrever, ou de compreender de forma racional. Apesar de não ser exatamente minha praia, não dá pra negar que é muito bom.

  22. Rodrigo Ortiz Vinholo
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Rodrigo Ortiz Vinholo

    Quando é que nos damos conta que mudamos? Gosto do jeito reflexivo do conto, do momento em que refletimos sobre nós mesmos (no espelho ou longe dele). Bom conto, mas talvez o lado mais poético do começo pudesse ir por outros caminhos ou ser mais curto, me dá a impressão de que o início iria por outra rota até se encontrar melhor no final. A descoberta do que estávamos desvendando, ao meu ver, não dá uma leitura mais rica do início. Ainda assim, seu conto está entre os bons do desafio 🙂 Parabéns!

  23. cyro eduardo fernandes
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de cyro eduardo fernandes

    O que seriam as órbitas hipnotizantes? Lágrima adocicada? Mãe piscando … Realmente me deixou pensativo, mas perdido nas órbitas … Seria o nascimento de insetos ou sementes ? Seria a chegada da adolescência? Boa sorte no desafio. Acho que se eu descobrir vou gostar mais.

  24. Gustavo Araujo
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Gustavo Araujo

    Fiquei com a impressão de um conto aberto, bem aberto, aliás. É uma opção válida e, digo, num desafio como este, bastante bem-vinda, até porque se diferencia do que normalmente se vê. A menina que tem reações com o próprio reflexo, algo que provoca um misto de sensações múltiplas, atingindo todos os sentidos. Mas, por alguma razão que me foge, ela se assusta. Não está claro o motivo, pelo menos não nas três ou quatro leituras que fiz. Mas, enfim, o fato de se tratar de uma criança autoriza esse tipo de reação. No final, preciso ser honesto, acabei não gostando tanto da leitura. Talvez precise deixar a mente vagar por um tempo a fim de que alguma interpretação se concretize… De qualquer maneira, parabéns e boa sorte no desafio.

  25. Lucas Santos
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Lucas Santos

    Parabéns pela participação, Menina Grande!

    A metamorfose psicológica de Olívia ocorre, nitidamente, após a visão do reflexo. Acontecimentos podem provocar mudanças profundas, permanentes. Não há como sair em branco de uma experiência tão sensorial, que é a coluna vertebral do texto. Visão, paladar e olfato da personagem sequestram quem lê para o cenário da obra, porque despertam imaginação e empatia. Em outras palavras, é como se o leitor fosse a própria Olívia.

    O microconto trabalha com a dualidade sentimental da personagem. Há fascínio, e também medo. Os sentimentos oscilam até o fim, e ela “foge sem saber quem é a outra”. Foi esse segmento que me acendeu as seguintes dúvidas: a “outra” era ela ou uma criatura se passando por ela? Trata-se de uma narrativa de puro terror psicológico ou de simbolismo? Essas, no entanto, são indagações positivas, a meu ver, porque deixam a obra aberta a interpretações diversas. Não é preciso revelar todas as cartas ao leitor.

  26. andersondopradosilva
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de andersondopradosilva

    Não enxerguei o tema metamorfose. Digo isso para ser sincero. Porque se eu ler os comentários dos colegas ou se pedir para a inteligência artificial me ajudar, certamente terei como dizer que enxerguei o tema. Mas lendo sozinho, sem cola e sem ajuda, não enxerguei o tema. Li o “transformar de estranhezas”, mas não consegui extrair daí o tema. Agora, sobre o conto, li como terror e, enquanto terror, adorei, porque julguei a cena bem assustadora. Quanto ao estilo, julguei excessivamente adjetivado.

  27. Leila Patrícia
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leila Patrícia

    Oii, Menina

    Você cria um clima bonito de descoberta e medo (da transformação que vislumbra?), quase como se a infância esbarrasse no próprio reflexo. A imagem final é a que mais marca. Eu só reduziria alguns adjetivost para deixar a cena respirar mais.

  28. LEO AUGUSTO TARILONTE JUNIOR
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de LEO AUGUSTO TARILONTE JUNIOR

    Achei seu micro CONTO interessante. Acredito que o tema da metamorfose esteja na transição da idade da personagem entre a infância e a adolescência. Renata rachiva traz matemática interessante talvez a descoberta de um amor homossexual. Quando a mãe chama o encanto se quebra e ela foge sem nem mesmo saber quem é a outra.

  29. Leandro Vasconcelos
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leandro Vasconcelos

    Opa! Como vai, autor(a)? Seu conto se alinha ao que penso de micros: tem que ter muitas entrelinhas, muita profundidade. Então, as palavras devem ser múltiplas: múltiplas camadas, múltiplos significados. Aqui, encontro isso. Como na imagem, você tece muitos fios. “Quase doce, algo marinado no salgado das lágrimas e no amargo do desconhecido”: poético! “Cheiro de terra molhada, som de chuva aguardada”: tão sinestésico! “Tudo tão fascinante e improvável, um transformar de estranhezas”: mistério! É um tanto aterrorizante, a menina hipnotizada pelos olhos do… seu próprio reflexo? Que tem vida própria, como um novo universo se fundindo ao dela. Me parece que a metamorfose vem daí, por meio da sinestesia, da mistura de sensações, entre Olívia e a coisa. Muito interessante, muito misterioso. É o que eu gosto! Parabéns!

  30. Luis Guilherme Banzi Florido
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Luis Guilherme Banzi Florido

    Olá, menina grande. Tudo bem? Um conto cheio de meandros, significados, possibilidades, e bem embrulhado numa otima escrita, poetica, cheia de beleza metaforica. O que temos aqui? Uma menina que vê seu proprio reflexo pela primeira vez e o estranha? Ou uma menina (grande) que vê, pela primeira vez, que está envelhecendo e se aterroriza? Quantos anos tem a menina? Quantas vezes ela ja passou por esse processo? Um universo de possibilidades, o que combina perfeitamente com o formato microconto. Um belo trabalho, parabens!

  31. Ana Paula Benini
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Ana Paula Benini

    Voltando para comentar melhor – li de madrugada já deitada – Gosto das escolhas das palavras, me colocam em um lugar sensorial rico. Parabéns.

  32. claudiaangst
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de claudiaangst

    Olá, autor(a), tudo bem?

    O texto apresenta linguagem que flerta com a poesia, trazendo para o foco narrativo a curiosidade de uma menina (grande?) com a própria imagem. Ela fica entre confusa e encantada ao se deparar com os próprios olhos no espelho, mas não se reconhece. Talvez o estranhamento se dê por estar crescendo rápido, se metamorfoseando de bebê à menina grande.

    Não encontrei falhas de revisão.

    O tema proposto pelo desafio foi abordado.

    Parabéns e boa sorte!

  33. Nilo Paraná
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Nilo Paraná

    Menina,

    Ótimo micro conto. Boa descrição. Gramática impecável. Um pequeno clichê, facilmente perdoável, diluído no texto. Final com uma razoável dúvida, dando margem a várias interpretações, como dever ser num micro conto. Parabéns.

  34. Antonio Stegues Batista
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Antonio Stegues Batista

    Narrativa poética, frases rebuscadas, sugerindo belas e românticas imagens e sons agradáveis. Me parece que Olivia atinge a puberdade e se vê adulta, ou se imagina adulta ao ver seu reflexo no espelho. Muito bom, parabéns.

  35. Nipar
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Nipar

    Menina,

    Ótimo micro conto. Boa descrição. Gramática impecável. Um pequeno clichê, facilmente perdoável, diluído no texto. Final com uma razoável dúvida, dando margem a várias interpretações, como dever ser num micro conto. Parabéns.

  36. toniluismc
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de toniluismc

    Olá, Menina!

    Esse conto tem um trabalho de linguagem muito rico, dá pra sentir o cuidado nas escolhas de palavras e na cadência das frases, quase como se fosse uma pintura feita de sensações.

    A textura do texto é linda: o cheiro, o gosto, a chuva, tudo se mistura de um jeito bem envolvente. Mas, quando a gente tenta entender o que realmente está acontecendo, a coisa se embaralha um pouco.

    Parece que a autora (ou autor) queria narrar o instante em que uma menina se percebe diferente, talvez entrando na fase de amadurecimento, mas essa descoberta fica perdida no excesso de imagens e metáforas.

    A forma é boa, mas o sentido escapa, e isso faz o impacto se diluir. Fica aquela sensação de ter lido algo bonito, mas sem uma âncora emocional forte pra segurar o leitor.

    Boa sorte no desafio!

  37. Wilian Cândido Corrêa
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Wilian Cândido Corrêa

    As imagens e sensações deste texto me pegaram.

  38. Ana Paula Benini
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Ana Paula Benini

    Reflexivo, eu diria

    Parabéns

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Informação

Publicado às 8 de fevereiro de 2026 por em Microcontos 2026 e marcado .