Observa os olhinhos. Assustadores, mas também belos. O sabor na ponta da língua, o desaprovado sentido. Quase doce, algo marinado no salgado das lágrimas e no amargo do desconhecido. Cheiro de terra molhada, som de chuva aguardada. Tudo tão fascinante e improvável, um transformar de estranhezas. De repente, o medo. Quer se afastar, desfazer a visão, livrar-se das órbitas hipnotizantes. Pisca. A mãe chama, uma ciranda lá longe se anuncia. A pequena Olívia, confusa, foge sem saber quem é a outra. O reflexo também lhe dá as costas.
Olá, Menina!
Esse conto tem um trabalho de linguagem muito rico, dá pra sentir o cuidado nas escolhas de palavras e na cadência das frases, quase como se fosse uma pintura feita de sensações.
A textura do texto é linda: o cheiro, o gosto, a chuva, tudo se mistura de um jeito bem envolvente. Mas, quando a gente tenta entender o que realmente está acontecendo, a coisa se embaralha um pouco.
Parece que a autora (ou autor) queria narrar o instante em que uma menina se percebe diferente, talvez entrando na fase de amadurecimento, mas essa descoberta fica perdida no excesso de imagens e metáforas.
A forma é boa, mas o sentido escapa, e isso faz o impacto se diluir. Fica aquela sensação de ter lido algo bonito, mas sem uma âncora emocional forte pra segurar o leitor.
Boa sorte no desafio!
As imagens e sensações deste texto me pegaram.
Reflexivo, eu diria
Parabéns