EntreContos

Detox Literário.

As muralhas de Uruk (Renato Silva)

O vento fresco soprou no rosto do sumo sacerdote, anunciando o fim do verão e início da estação seca. Do ponto mais alto do zigurate dedicado ao deus Anu, observava o céu estrelado, realizando sua leitura regular das estrelas e ditando ao aprendiz, que riscava símbolos em uma tábua, utilizando uma pedra afiada. De lá, o sumo sacerdote tinha ampla visão de Uruk; vasta e populosa. As tochas estavam acessas por todos os locais, para a celebração da colheita daquele ano. Era o décimo primeiro dia de festa, com música, comida e bebida à vontade. Aos sacerdotes do templo, mais um dia de estudos e rituais prestados aos deuses protetores da cidade, sendo Anu o principal deles.

— Vamos celebrar a vida enquanto estamos vivos! — disse um homem embriagado.

— Por que nosso rei nunca celebra conosco? — perguntou um jovem.

— Após o duro castigo aplicado por Inana ao nosso rei, ele se retirou bastante magoado. Pouco sai do palácio, poucos são os que estão com ele em seus afazeres diários — disse um homem idoso.

— Enkidu é um bom homem e honrado. Deveria estar conosco celebrando as farturas dadas por esta terra ao nosso povo — disse um outro homem enquanto mordia um pedaço de carne. 

Dentro do rico palácio, de amplas galerias e gravuras em baixo relevo, muitas delas contando a saga do rei e suas grandes conquistas, pousava sobre seu trono o gigante Gilgamesh. Sua grande estatura lhe conferia imponência e intimidava a maioria dos homens, mas o rei guerreiro também era imensamente forte e imbatível. Filho de uma bela e sábia deusa com um corajoso e poderoso guerreiro, cujo nome se perdeu na História, Gilgamesh herdou de ambos grandes qualidades, resultando em um guerreiro belo, sábio e incomensuravelmente forte. Era dois terços deus e um mortal, justamente onde se escondiam suas maiores fraquezas e vícios. 

Para as festividades de outono, o rei dispensou boa parte dos empregados. Havia um harém com as mais belas mulheres da Mesopotâmia, mas nenhuma era capaz de satisfazê-lo naquele momento. Estava angustiado.

Batidas à grande porta e um dos conselheiros entrou.

— Ó, grande rei! Está no palácio um aprendiz do Sumo Sacerdote de Anu. Ele tem um recado urgente para Vossa Divindade. 

Gilgamesh assentiu com a mão e o rapaz entrou, parecendo bastante afobado.

— Vossa Divindade, Rei Guerreiro Gilgamesh, trago-vos uma notícia urgente do Sumo Sacerdote de Anu. Inúmeras cidades estão sob ataques e Uruk será invadida antes do amanhecer — disse o menino, expressando terror em seus olhos.

O rei coçou a espessa barba, calmamente, e respondeu:

— Com as nossas muralhas e nossos homens, nada passará. 

— Não são criaturas deste mundo. Elas voam, são terrivelmente cruéis. 

— Diga ao sumo sacerdote que não se preocupe, ninguém vai invadir a minha cidade! — exclamou, erguendo-se do trono.

Dispensou o jovem e ordenou imediatamente o fim da festa e o retorno de todos os servos e soldados do palácio. Reuniu-se com seus comandantes para que se preparassem para o iminente ataque e ordenou que mulheres, crianças, idosos e enfermos fossem levados para locais seguros, em esconderijos subterrâneos e antigos canais. 

Todos a postos, aguardando pelo ataque. Das torres de vigia e do zigurate eram possíveis ver chamas e fumaças nas cidades vizinhas. Kish, Nippur, Lagash, Eridu, Ur, todas caíram com os ataques. 

Da torre, Gilgamesh observou uma grande massa negra se aproximando vinda da direção de Ur. As criaturas eram bem maiores que qualquer inseto conhecido. Horrendas criaturas aladas, não se pareciam com nada que tenha existido neste mundo. Do tamanho de homens ou maiores, com braços longos, pernas fortes, cheios de garras e longas asas de morcego. Recebidas com milhares de flechas e, para os que ultrapassam os limites das muralhas, lanças. Uruk tinha o melhor exército da Mesopotâmia e não era para menos. 

Gilgamesh empunhava sua longa khopesh, forjada com bronze e ouro. Feita especialmente para ele, por ser extremamente pesada. Os anos em que esteve guardada não tiraram seu fio. As criaturas foram sendo rasgadas brutalmente com golpes rápidos e precisos. Pedaços caíram por dezenas de metros até mancharem o solo com sangue arroxeado, viscoso e imundo. 

Uruk resistia bravamente, mas aos poucos, os homens foram cansando e as baixas passaram a preocupar Gilgamesh, que não demonstrava qualquer sinal de fadiga enquanto saltava a grandes distâncias para acertar as criaturas infernais.

De repente, nuvens se formaram no céu; algo bastante incomum para a época. Um brilho, seguido por toneladas de terra voando e homens caindo mortos. Um segundo raio, logo em seguida, mas desta vez sendo bloqueados pela khopesh do rei guerreiro. Então, o responsável pelos raios se revelou. Um ser alado, escuro, escamoso de membros longos e garras afiadas em mãos e pés. Não parecia tão grande à distância, mas era bem maior que Gilgamesh. Estava montado em um bizarro animal escamoso, possuindo dois pares de asas, de grandes olhos e soltando fumaça sulfurosa pelas narinas. 

— Sou Astaroth, um dos generais de Lúcifer, o Satã, Governador Supremo dos Reinos Internos — disse em uma língua que só Gilgamesh conseguiu entender. A criatura não tinha a intenção de dirigir a palavra a mais nenhuma outra criatura. — Uruk cairá esta noite e levarei sua cabeça até o Mestre. 

— Sei do meu destino mortal, mas não será hoje que deixarei este mundo! Não será nas mãos de um ser desprezível como você que irei perecer! — gritou enquanto correu para tomar impulso e saltar na direção de Astaroth. 

O general infernal se desviou rapidamente e Gilgamesh desceu em queda livre, caindo em pé sobre a muralha, correndo por cima dela, sempre olhando para cima. Astaroth lançou mais uma descarga elétrica, ainda mais brilhante e destrutiva. O rei guerreiro precisou esquivar desta vez. A estrutura atingida tremeu, mas não foi o suficiente para derrubá-la. 

A criatura voava alto e em grande velocidade, dificultando a aproximação de Gilgamesh. Este passou a disparar pesadas lanças em direção ao general demônio com grande velocidade e precisão. Enfim, uma das lanças atingiu o corpo da criatura na qual Astaroth se assentava, mas o projétil se estilhaçou em sua grossa couraça. O senhor de Uruk não desistiu, continuando a disparar inúmeras lanças grandes e pesadas na direção do líder dos demônios, voltando a atingir a criatura alada e o próprio Astaroth. Eles perderam um pouco de estabilidade e já não conseguiam mais localizar de onde vinham os ataques, ao mesmo tempo que não havia tanta preocupação do general infernal em se proteger, pois nenhum ataque terreno poderia destruí-lo. Mas a khopesh de Gilgamesh era um presente de Anu, após sua luta contra Enkidu, onde ele enxergou sua nobreza de coração e se desculpou com o povo de Uruk por anos de tirania e abusos. Astaroth não viu a lâmina girando em alta velocidade, decepando instantaneamente a cabeça da criatura alada em quem estava montado, além dele mesmo ter sua asa esquerda destruída. Foi ao chão, do lado de fora das muralhas, e logo se levantou, mas não conseguia voar. Gilgamesh apareceu à sua frente. 

— Eu não terei piedade de quem invade a minha cidade, ataca o meu povo, contamina minha terra. Você irá voltar para o buraco de onde saiu. Agora! — gritou enfurecido, avançando para cima do general demônio.

Vários demônios voaram em volta de Astaroth, sendo rasgados pela khopesh divina. O general demônio havia desaparecido. O rei de Uruk o perdeu de vista, então manteve-se em guarda e à distância das criaturas inferiores, se esquivando a todo momento.

— Argh! — gritou Gilgamesh, após uma criatura de grandes garras atingir seu braço esquerdo de raspão. 

A visão estava turvada pela grande quantidade de criaturas que voavam em sua volta. Um segundo ataque foi realizado, mas ele bloqueou com sua arma. 

De repente, as criaturas foram caindo, uma a uma. Uma chuva de setas cobriu as criaturas e Gilgamesh pode ver seus soldados bem posicionados sobre as muralhas e alguns homens fora dos limites da cidade. 

 O general demônio se voltou para os soldados de Uruk e avançou sobre eles, mas antes que chegasse mais próximo para que retalhá-los com suas garras imundas, sentiu que algo o segurava pela perna. Virou-se e viu a lâmina curva rasgar seu ventre. A criatura caiu ainda viva, derramando uma enorme quantidade de líquido escuro nas areias quentes da Suméria. Preso ao chão, com a khopesh enterrada no ventre, Astaroth tentava em vão se desvencilhar. O impiedoso senhor de Uruk esmagou a enorme cabeça da criatura, pisoteando-a inúmeras vezes e só parou quando viu uma massa clara e viscosa sair de dentro dela. 

Os demais demônios se retiraram. Os corpos dos que caíram se desfizeram em poucas horas, não deixando resíduos no solo, os gases liberados era fétidos e escureceu o céu por alguns dias. 

— Grande Rei Guerreiro Gilgamesh! — apresentou-se um dos seus generais, fazendo uma referência. — Nosso mensageiro descobriu que há um portal ao norte da cordilheira de Zagros. Criaturas do submundo emergiram e estão atacando as principais cidades. Dizem que seu senhor, conhecido por Satã, pretende subjugar a todos e criar um grande reino de terror eterno.

— Mas isso não irá acontecer. Irei para lá agora.

— Mas, senhor, está há dezenas de léguas daqui. Como chegará a tempo, ainda que possa correr em grande velocidade por dias seguidos? 

Gilgamesh não respondeu. Prostrou-se no solo e invocou ajuda ao deus do ar, Enlil. Um breve silêncio, quando do céu surgiu uma majestosa criatura de aura dourada que sobrevoou toda a Uruk até descer suavemente à sua frene. Tinha cabeça, asas e patas dianteiras de uma águia em cores castanhas em um corpo de leão em sua parte posterior de cor mais clara. O rei guerreiro subiu nas costas da criatura que logo tomou voo, seguindo a forte energia maligna que emanava do local. 

Pelo caminho, ajudou a libertar Ur e Lagash, derrotando seus generais demônios. Estando sobre o grifo sua velocidade de ataque havia aumentado consideravelmente. Sobrevoando Eridu, viu tudo em ruínas, mas o povo comemorava a derrota de Azazel, um gigante com chifres de bode, um dos generais do Anjo Caído. O corpo estava estirado no chão, em processo de rápida decomposição, o peito rasgado com um grande buraco onde havia um coração.

— Enkidu — disse para si.

— Ele foi atrás do líder dos demônios, senhor — disse um dos soldados. 

Gilgamesh partiu rumo à cordilheira de Zagros. Quanto mais se aproximava, mas escuro o céu se tornava. Ainda era dia, mas o local estava tomado por uma treva que não era deste mundo. O rei sumério visualizou um túnel que saía por uma montanha, emitindo luzes estranhas e soltando muita fumaça malcheirosa. A energia e fumaça alimentavam um grande monte carnoso, com alguns buracos em seu entorno por onde saíam demônios alados. Gilgamesh correu para destruí-lo, mas uma barreira invisível de energia bloqueia sua passagem. Ele tentou abrir com sua khopesh, mas foi em vão. 

— Nem você conseguiria… eu já imaginava. 

A voz familiar chamou sua atenção, que se virou a reviu o velho amigo. Enkidu era realmente muito grande, só que mais baixo que Gilgamesh. No entanto, seu tronco era mais robusto, seus braços e pernas grossos como troncos de árvores. Sua pele era mais clara e os longos cabelos, avermelhados. Ainda havia em sua fronte pequenos chifres e orelhas como as de um touro. Criado pelos deuses para derrotar Gilgamesh, após uma luta que destruiu as primeiras muralhas de Uruk, acabou sem vencedores e uma grande amizade nasceu. Ambos ajudaram a reconstruir as muralhas e elas se tornaram as maiores e mais resistentes de toda a Mesopotâmia. 

— Bom te ver novamente — disse Gilgamesh com aparente apatia, mas estava sentido grande felicidade em rever o velho companheiro de aventuras. 

— Sei que Inana me proibiu de deixar a floresta, mas não ficaria apenas observando estas criaturas destruírem o mundo que conheço. Por isso, ela me liberou para auxiliá-lo nesta campanha. 

— O destino quis que estivéssemos juntos novamente, caro amigo. Quem além de nós poderá acabar com estes ataques?

— Se, ao menos, pudéssemos saber quem abriu este portal. É impossível abrir um portal de lá para cá, então foi alguém daqui. Se fosse morto, a magia que os sustenta seria desfeita. 

— Não temos tempo para isso, vamos ter que fechar o portal com nossas próprias mãos. 

Enkidu também portava uma arma forjada pelos deuses: um grande machado, com cabo de madeira e lâmina de ouro e bronze. Quando ambos os guerreiros usaram suas armas contra o campo de força, este foi desfeito. Eles avançaram para destruir o monte carnoso, veio a se romper quando eles se aproximaram. Do seu interior, emergiu uma criatura imensa, com dezenas de metros de altura. Enormes asas de morcego, cauda longa, face hedionda, chifres longos e retorcidos, olhos pequenos de cor alaranjada. A boca apresentava dentes irregulares e pontiagudo, com a única função de liberar gases tóxicos quando aberta. Do peito brotavam inúmeras serpentes venenosas.

 — Sou o senhor do Submundo e agora serei o senhor de todas as terras. Nenhum mortal pode parar os meus avanços — disse com voz gutural. 

— Você não deve ter ouvido falar da gente. Irá descobrir da pior forma! — Gilgamesh subiu no grifo e voou para acertar a gigantesca cabeça de Satã. 

Ali estava presente apenas um avatar de Satã. Seu banimento para o Inferno foi eterno, então ele pode apenas se manifestar com uma fração de seus poderes na Terra. E será assim até o Final dos Tempos.

Para que o amigo pudesse acertá-lo, Enkidu atacou por baixo, usando seu poderoso machado para lhe ferir os pés e as pernas. A cada golpe, provocava profundas lacerações, mas a gigantesca criatura saltou e planou no ar. Mas soltou de seu peito dezenas de imensas cobras que caíram no solo e investiram contra Enkidu, que precisou de destreza para não sofrer nenhuma lesão, pois poderia morrer por envenenamento. 

Gilgamesh pulou sobre a cabeça de Satã e enterrou sua khopesh, mas não foi o suficiente para feri-lo com gravidade. Ele foi jogado para longe. A criatura arrancou a arma enterrada em seu crânio e arremessou para longe.

— Vocês não têm qualquer chance. Serão destruídos juntos com esta terra!

— Gilgamesh, olhe! — gritou Enkidu.

Ele olhou para o horizonte e viu o céu se iluminando com fogo, mas não qualquer labareda. Era o Fogo Celestial. Os demônios estavam sendo queimados por legiões de anjos. Diante de Satã, um grande e imponente anjo surgiu à sua frente.

— Assim como um dia bani você e suas hordas para Submundo, o farei novamente agora! — exclamou com uma voz incomparável o arcanjo Mikha’el, antes de destruir o avatar de Lúcifer com sua espada flamejante.

Com um grito assustador, Satã e todos os outros demônios foram tragados para o portal, que imediatamente se fechou.

Os anjos também partiram e o se abriu em uma noite escurecida pelos gases oriundos dos corpos dos demônios. 

— Devo voltar para a floresta, antes que Inana me castigue.

— Vá, meu amigo. Não se pode contrariar uma mulher, muito menos uma deusa.
Ambos gargalharam. Enkidu correu para pelas planícies e Gilgamesh voltou a Uruk sobre o majestoso grifo.

10 comentários em “As muralhas de Uruk (Renato Silva)

  1. Felipe Lomar
    11 de dezembro de 2021

    Há dois contos sobre gilgamesh, então a comparação se faz inevitável. O outro me cativou mais, explorando o lado humano e dilemas morais do rei, enquanto este é apenas um guerreiro unidimensional. Falta brilho e sobram cenas de luta, ao ponto de ficar cansativo. Seria um bom roteiro de uma série japonesa de luta estilo super sentai, pelo menos.
    Boa sorte.

  2. Renato Silva
    11 de dezembro de 2021

    Olá, tudo bem?

    Tema bastante interessante, respeitando os elementos da epopeia, mas envolvendo uma aventura nova para o rei guerreiro Gilgamesh. A inserção da mitologia judaico-cristã foi pertinente, pois os mitos são próximos e descritos no Antigo Testamento. As cenas de batalha me empolgaram bastante, mostrando todo o potencial do semideus, que se igualava a Hércules em força e determinação.

    Para enfrentar o maior mal da Terra, somente os anjos para tal. Assim como Miguel banira Lúcifer no início dos tempos, me pareceu pertinente que o mesmo tivesse retornado para fazê-lo novamente. Pena que a batalha foi rápida e com desfecho abrupto. Faltou um desenvolvimento maior nesta parte.

    Boa sorte.

  3. opedropaulo
    11 de dezembro de 2021

    O conto traz como protagonista o rei guerreiro Gilgámesh, atravessando o personagem por uma aventura cheia de batalha e magia, em que é interessante vê-lo recorrer aos entes da mitologia suméria para lidar com a horda de demônios que assola a sua terra. Apesar disso, embora eu não oponha a mistura de mitologias (vide meu comentário em “Babel”), acho que não foi cedido espaço suficiente para trabalhar essa guerra entre heróis mesopotâmicos e demônios satânicos, o que, em si, talvez se deva ao que achei mais problemático no conto. É evidente que há aqui uma escrita competente, pois, na maior parte do tempo, ao menos, as batalhas seguem bem narradas e, quando temos uma pausa para sabermos mais dos personagens e suas ligações, suas histórias e ações servem tanto para informar o contexto como para delinear suas personalidades, dando significação a essas figuras. A minha opinião é que houve um desiquilíbrio entre a ação e a história, com muitas linhas dedicadas à batalha e poucas aos personagens e a esse contexto, fazendo da presença de Lúcifer e sua horda uma ameaça um tanto figurante, que poderia ser substituída por qualquer criatura maléfica. Faltou a esses antagonistas personalidade e estou certo de que linhas de “ação” poderiam ter sido poupadas para dar mais substância ao tal anjo caído. O mesmo posso dizer da resolução, ocorrida tão rapidamente e uma vez mais incorporando elementos da mitologia judaico-cristã, que veio sem efeito ou impacto. Ainda assim, é um texto que abraça o tema e que agrega ao desafio.

  4. Jorge Santos
    10 de dezembro de 2021

    Mais um conto da mitologia suméria. Neste episódio, Gilgamesh e o seu fiel escudeiro Enkidu combatem as forças do sub-mundo, lideradas por Satã. Nessa tarefa teve a ajuda dos anjos e arcanjos, numa estranha fusão de referências mitológicas. O conto tem fluidez e está bem escrito, mas falta brilho e criatividade.

  5. Cícero G Lopes
    8 de dezembro de 2021

    Começa com um sumo-sacerdote olhando estrelas e da conversa dele com seu auxiliar descobrimos que o rei Gilgamesh vive em auto exílio desde que Inana lhe castigou. De outra conversa sabemos que Enkidu também está afastado da corte. De repente o que era sossego se transforma em urgência; a cidade será atacada por demônios, alerta o sumo-sacerdote. Daí, são várias cenas de lutas. Depois de vencida a primeira batalha, informa-se que há um portal por onde o próprio Capeta emergiu. Gilgamesh invoca um grifo e parte para dar umas porradas no cidadão e proteger as cidades vizinhas. Encontra Enkidur, seu parceiro e juntos lutam contra Satanás. O Diabo é brabo e a luta parece perdida, mas aí… surgem anjos celestiais e expulsam os demônios. Fim.
    O conto é quase todo a narração de lutas. Todas muito bem descritas e… é só isso? Contra ele, também se soma a utilização de “Deus ex machina”.

  6. Kelly Hatanaka
    5 de dezembro de 2021

    Oi Shamash.
    Minha avaliação será feita com quatro critérios: tema (2 pontos), correção/escrita (2 pontos), criatividade (3 pontos), personagens (3 pontos).

    Tema (2): O tema está presente. O conto trata de elementos da mitologia mesopotâmica.

    Correção/escrita(1,5): O texto é muito bem escrito, sem erros. Um pequeno porém fica por conta das descrições excessivas que tornam a leitura truncada, por vezes. Como o conto é, quase inteiro, uma cena de batalha, muito movimentada e cheia de ação, me incomodou parar a ação para ter uma descrição detalhada de alguns personagens e lugares. Isso tirou a fluidez da leitura. Talvez, descrever os lugares e personagens antes que a batalha iniciasse, sempre que fosse possível, ajudaria. Se possível, deixar as descrições durante a batalha somente para os elementos que não poderiam ser descritos antes e para as ações. Não sei, é uma sugestão, apenas.

    Criatividade(2): É uma história interessante e cheia de ação. Mas não há maiores complexidades narrativas. É basicamente, uma cena de batalha. Uma boa cena de batalha, porém. A nota neste quesito fica por conta dos elementos mostrados na batalha. Os inimigos, as armas, os animais, todos muito inventivos.

    Personagens(2,5): Personagens muito bem descritos. Mas, apesar das descrições riquíssimas e detalhadas, eu não conseguiria distinguir quem é quem no diálogo sem a ajuda do narrador. Penso que as descrições se prenderam nos elementos físicos, e deixaram em segundo plano a personalidade e motivações dos personagens. Talvez seja difícil de fazer diferente em se tratando de uma cena de batalha. Porém, fica a observação.

  7. Antonio Stegues Batista
    3 de dezembro de 2021

    O conto é uma história de ação e aventura com personagens lendários da Mesopotâmia, citando antigas cidades às margens dos rios Tigre e Eufrates. Quando o garoto diz a Gilgamesh que a cordilheira de Zagros é longe, é porque é longe mesmo, são cerca de 900 quilômetros. O autor fez uma boa pesquisa e criou uma ótima história para quem gosta de Aventura e Fantasia. Boa a ambientação. Dentro do tema.

  8. Lucas Suzigan Nachtigall
    3 de dezembro de 2021

    Saudações, Shamash.
    Achei o conto interessante. De fato, como o Emanuel aponta, é um texto bem fluido, com os diálogos bem gostosos de ler. Com certeza o tema está bem abordado.
    Mas eu discordo do cuidado com o cenário. Eu acho que a mistura de elementos mitológicos sumérios com mitologia medieval não combinou. Não sei se deu liga. Até o momento em que a batalha começou, eu estava com algumas expectativas. Mas depois, eu parecia assistindo a um roteiro de anime, ainda mais com os demônios e tal e tal.
    Achei curiosa também a escolha de Astaroth, cujo nome foi inspirado na deusa Astarte, que é essencialmente uma equivalente fenícia de Inanna. Meio complicado essas associações.
    E poxa, entre os sumérios, você tinha seres sobrenaturais tidos como malignos, que poderiam ser perfeitamente usados. Acho que um pouco de pesquisa seria legal.

  9. Emanuel Maurin
    1 de dezembro de 2021

    Olá, Shamash. Tudo de bom para você.

    As histórias de guerreiros, anjos e demônios são bem legais de ler. As cenas são coloridas, sonoras e agitadas; descritas com grande competência. A ambientação é excelente e bem detalhada. Parece até se passar nos tempos bíblicos, tamanho o cuidado com os cenários. O texto é fluido. A estrutura é perfeita e os diálogos são bons. E tem tudo haver com mitologia. Boa sorte no desafio.

  10. Sidney Muniz
    30 de novembro de 2021

    Bem, antes de começar deixarei aqui como estarei avaliando cada conto: Distribuirei 40 pontos em minha avaliação da seguinte forma:

    Título: 3

    Enredo: 5

    Personagens: 5

    Originalidade: 5

    Gramática: 5

    Impacto: 5

    Ambientação: 5

    Narrativa: 5

    Extra: 2 ( A cada uma nota máxima o autor recebe extra 0,4, ou seja se eu julgar que o desenvolvimento dos personagens é nota 5, ganha 0,4. Para ganhar os 2 pontos tem que ganhar 5 notas 5, título não conta para o extra.)

    As notas estarão em um segundo comentário para que a moderação libere quando for permitido!

    Com relação adequação do tema será acrescido a nota 0 caso eu julgue não se enquadrar no tema e 5 caso se enquadre em minha opinião. 8 ou 80!

    —————————————————————————————————————-

    Vamos para minha avaliação, lembrando que ela é apenas pessoal e não tem o intuito de denegrir a imagem do autor(a), apenas quero ser sincero e mostrar no que pode melhorar, afinal estamos em constante evolução:

    Título: As Muralhas de Uruk – Um bom título, mas não achei que tem muito a ver.

    Enredo: Não gostei dessa salada mista que foi feita, Satã, anjos, essa mistura de mitos e mitologia em minha opinião não funcionou, diria que menos é mais. E o conto também foca demais em batalhas e esquece de passar o sentimento de preocupação, se tensão, é tudo muito óbvio.

    Personagens: Bem, como acabam tendo muitos personagens acabamos não tendo um aprofundamento deles e de suas intenções, tudo acontece muito jogado com relação a apresentação deles. Aqui na história senti que a lenda de Gigamesh foi mal explorada nesse sentido, ficou faltando algo.

    Originalidade: O original existiu, é fato, mas usando também de uma história já contada, acaba que para mim quando se misturou duas mitologias como foi feito, perdeu-se o equilíbrio e isso prejudicou.

    Gramática: Sem nada a acrescentar!

    Impacto: O conto não me impactou, como disse apenas vi ação e nem considero aventura, que é o que mais acontece nesse tipo de história onde retratamos heróis da mitologia, aqui senti que estava mais para uma cena de vingadores, quando os céus se abrem, falta uma construção mais sólida.

    Ambientação: Está na média, o autor é talentoso e isso é óbvio.

    Narrativa: A narrativa não é ruim, longe disso, mas alguns parágrafos me cansaram um pouco, talvez pelo excesso de lutas, sim, foi isso mesmo, e a falta de descrições, de tensão, como já falei, de entender o pensamento de cada passo de Gigamesh antes de saltar, de socar, de jogar uma lança. Faltou nos mostrar mais um pouco do ambiente ao redor. Faltou nos contar melhor a história.

    —————————————————————————————————————-

    Considerações finais:

    No mais desejo sorte no desafio, fico feliz que esteja escrevendo e buscando esse tipo de certame onde aprendemos e ajudamos dando a opinião sincera de nosso “eu leitor” a respeito do trabalho de colegas escritores! Obrigado pela oportunidade de ler e opinar a respeito de seu trabalho!

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Informação

Publicado às 28 de novembro de 2021 por em Mitologias e marcado .
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