EntreContos

Detox Literário.

[EM] A ordem dos 13: Universo paralelo (Bruno Tavares)

Do outro lado da rua, Douglas percebia algo estranho acontecer; muito  incomodado.

— Isso é algum tipo de piada? — Questionava-se, confuso.

Um estranho, acenava e fazia gestos diversos o imitando, em alguns momentos. Douglas não tinha a mínima idéia de quem poderia ser o homem, tampouco enxergava com clareza em meio às pessoas, que passavam com pressa na Avenida mais movimentada de Curitiba. Ocorria tal qual flashes, em que a imagem do imitador, surgia e se ocultava em meio aos transeuntes.  

Douglas levantou o seu braço direito e acenou; obteve o mesmo gesto. Sentindo-se ainda mais incomodado, e com um pouco de raiva do que parecia ser algum tipo de sarcasmo, resolveu atravessar a Avenida, para tirar satisfações.      

Levantou-se, ao tempo que um ônibus de viagem se pôs entre ele e o alvo, o fazendo perder contato visual. Quando o ônibus finalmente saiu, percebeu algo: a tal pessoa que o imitava, havia desaparecido.    

Não soube como reagir e sentiu-se ainda mais perturbado; até um pouco constrangido, pois lhe passou pela cabeça ser um delírio ou algo do tipo. Talvez a pessoa tenha entrado no ônibus; talvez saiu correndo e se escondeu. Tudo era bem estranho, naquele momento insólito. Ainda assim, caminhou para o outro lado e observou atento, buscando encontrar algo; não obteve sucesso. Decidiu então deixar tudo aquilo de lado e ir logo para casa.  

Quando seu ônibus apareceu, ele buscou um lugar vazio; ao encontrar, tirou a mochila das costas e sentou, confortavelmente. Mal ele sabia que uma surpresa ainda maior e assustadora, estava do lado de fora, bem ao lado de sua janela. No momento que Douglas olhou para a plataforma, viu o estranho que havia sumido, encarando-o; segurava uma placa, na qual estava escrito o número 13. Estranhamente, sentiu que respirar estava cada vez mais difícil e a sensação sufocante foi crescendo até que…

Douglas acordou, subitamente, assim que seu despertador tocou o chamando para a vida real. “Caramba! Que sonho mais estranho” , pensou.     

Era mais um dia de sua ‘maçante’ vida. Teria que fazer tudo novamente: o trabalho que não gostava, as pessoas que convivia por conveniência. Não sabia qual tinha sido a última vez, que realmente sentira-se vivo. Ligava a televisão e isso só fazia aumentar o vazio. Programas cheios de sorrisos falsos e propagandas prometendo felicidade infinita, até o próximo produto ser lançado.    

Outra coisa que já não dava mais para ele era a ‘hipocrisia’ humana. Ah! Isso já o tinha cansado há muito tempo. Douglas simplesmente não tinha mais idade e muito menos paciência para atitudes e palavras hipócritas, carregadas de ignorância e egocentrismo; e disso encontramos aos montes nas redes sociais da vida, não é verdade? Dentro e fora do computador. Ultimamente ele se sentia vivendo em meio à zumbis. Filmes, músicas e outros conteúdos rasos, cada vez mais sendo adorados e moldando a grande massa. Dando a falsa sensação de atitude ou liberdade, tão verdadeiras quanto um suco vendido como ‘natural’, porém intoxicado e cheio de conservantes e outros venenos. Douglas sentia-se farto do maquinário e das ‘peças de manobra’.      

Contudo, apesar desse monte de carga emocional(desnecessária, talvez), ele ainda pensava única e exclusivamente no sonho que tivera. Não havia sentido, não havia significado, pelo menos era o que ele achava. “O que minha mente quer me dizer?”, tentava tal qual um psicólogo, analisando seu paciente, descobrir se tinha algum motivo naquilo que experimentara na noite anterior.   

Ao fim de todas as reflexões e ‘corre’ para se arrumar, pegou sua mochila e foi para o trabalho. Pelo caminho, recebeu uma ligação e ficou sabendo da morte de seu tio Inácio. Apesar de ser tio, era uma figura distante e misteriosa; não mantinha contato, mas por algum motivo, estava desejando interferir na vida dele agora. Na verdade, a viúva de Inácio desejava conversar com Douglas. Ele não entendeu muita coisa na ligação, mas pelo pouco que escutou, se tratava de assunto muito sério e de gerações na família.   

Ao final do dia, voltou para casa e ficou tranquilo, pois ninguém apareceu na estação de ônibus para o amedrontar. A ligação que havia recebido, ainda o incomodava, afinal o que estavam desejando falar com ele? Pegou o telefone e em um nova conversa, marcou um encontro com a viúva do tio.

O sábado amanheceu ensolarado e com cara de novidades. Acordou mais cedo do que o habitual e dessa vez se preparou para um destino completamente diferente; isso o animava (talvez fosse aquela estória de se sentir um pouco mais vivo). Após conferir o endereço, chamou um uber e foi.

O trajeto foi longo e assim que chegou ao local desejado, viu uma imensa mansão. Foi uma sensação estranha, porém ele imaginou que o medo que tentava se apossar dele, na verdade podia ser o prenúncio de um dia incrível. Saiu do carro e seus passos passaram a ser desenhados pelas folhas e a terra do chão.

Caminhando pelo extenso corredor, viu o que parecia um gigantesco jardim, até que chegou ao imenso portão de ferro, no qual havia uma placa e nela estava escrito: ‘Edadeicos Medro 13’. Nesse momento Douglas teve outra sensação, porém esta não foi tão agradável assim.  

Quando finalmente foi recebido por uma pessoa na entrada, sentiu uma insegurança e um cala frio na espinha. O senhor que lembrava uma espécie de mordomo, pediu que o acompanhasse. E assim foi, até encontrar Ivone, a viúva de seu tio, que nunca havia trocado uma só palavra com ele.

A expressão da mulher era séria demais e pediu que ele sentasse. Com um certo incômodo, assim o fez.

— Então você é Douglas; sobrinho e herdeiro de um futuro poderoso e triunfal.

Ele por sua vez, não entendeu nada.

— Futuro triunfal? Como assim? O que vocês desejam?

O senhor com jeito de mordomo trocou olhares com a viúva e ela riu, retomando a conversa em seguida.

— Entendo seu medo e confusão; afinal não é todo dia que um ser ignorante de sua realidade tem a oportunidade de acordar. — O olhar carregado de um mistério assustador, assombrava Douglas.  

— Ignorante? — Questionou de forma ríspida. — Quem a senhora acha que é para falar assim comigo?

— SOU UMA DAS FERRAMENTAS MAIS IMPORTANTES DE SUA HISTÓRIA E SEU MUNDO! — A viúva gritou de tal maneira, que até a quinta geração de Douglas foi capaz de ouvir.

— Eu não conheço você, e isso tudo está me parecendo uma grande loucura! O que meu tio queria falar comigo? Me chamaram aqui porque tem algo que ele queria me dizer… É isso?

Levantando-se vagarosamente, Ivone passou a caminhar pela sala, explicando o motivo da conversa.

— Hoje, você Douglas, desperta para uma nova realidade; a verdadeira realidade.

— Como assim? — Ele perguntava ainda mais confuso.

— Você não sabe muito a respeito de sociedades secretas, certo? — O sorriso dela era assustador e irônico, ao mesmo tempo. 

— Sei pouco a respeito; conheço os Illuminatis, os maçons.

Ivone o interrompeu.

— Balela! Conversa fiada! Pelo visto não sabe nada a respeito de verdadeiras sociedades secretas! Tudo isso que acabou de falar são mentiras, são organizações de fachada, tidas como secretas, mas não são.

Ele ficava cada vez mais confuso.

— Escute com atenção! Seu tio era membro de uma das maiores organizações secretas e fantasma da história. Seu tio teve um poder incomensurável nas mãos! Contudo, ele se foi. A ordem dos 13; já ouviu falar?

— Não.

— É óbvio que não, garoto! Isso sim é uma sociedade, uma ordem secreta! O silêncio possui um poder inimaginável! Temos o controle de meios de comunicação, temos o controle de mídias e artistas! Temos o controle de mentes, ignorantes demais para notar que são peças de toda uma engrenagem!  A política e tudo o mais, que a grande parte da população mundial pensa que manda ou dita o rumo, somos NÓS que comandamos e decidimos!

Douglas estava ficando um pouco mais assustado e no fundo, imaginava que aquela senhora pudesse ser louca. Contudo, algo fazia sentido para ele. A deterioração da cultura e inteligência; a decadência de muitos sentimentos e valores, como empatia e o próprio amor, que era tratado na sociedade moderna como algo tolo e descartável, ou de forma hipócrita e seletiva. Será que talvez, ela estava falando a verdade? Será que de fato, pessoas ou grupos poderosos e fantasmas, dominavam e mantinham a maior parte da população refém de seus gostos e planos?

Ivone prosseguiu.   

— Você precisa entender o que acontece aqui, afinal vai estar a frente disso tudo em breve também.

— À frente? Eu não quero saber disso. Isso é loucura!

— Loucura é você ser burro dessa maneira! Ser alienado e estúpido! Cale a boca e entenda!

Douglas ameaçou levantar, mas o senhor que o acompanhara sacou um revólver e apontando para ele, o fez mudar de idéia. Sentando-se na cadeira de luxo e de couro, ele voltou a ouvir Ivone.    

Dom Pedro I e a Independência; a revolução francesa; Leonardo Da Vinci com suas mensagens, ocultas em obras mundialmente famosas; Albert Einstein e outras importantes e grandiosas figuras, tiveram participações cruciais atendendo aos nossos planos. Mudamos o rumo da história, sempre da forma que desejamos e quantas vezes foi preciso. Contudo, eles mesmos não sabiam que eram parte de uma engrenagem maior.

— Você não tem a mínima noção do quanto somos grandes, senhor Douglas. — Acrescentou o homem com a arma em punhos. — E saiba que igual a mim, tem mais centenas de olhos espiando o senhor neste momento.

Douglas olhou em torno da luxuosa sala e percebeu várias câmeras no teto, em diferentes pontos.

— E todos nós estamos armados; saiba disso, caso tente fugir de novo.

De uma coisa, Douglas sabia: havia cometido o maior erro de sua vida, aceitando entrar naquele local;

A viúva prosseguiu:

— Você ainda dorme, como todo ser estúpido e ignorante. Não faz idéia do quanto é fácil manipular pessoas iguais a você; não percebe como a maior parte da população não tem senso crítico? Não pensam! Não entende como grande parte desse povo se ataca, feito animais? Trabalhamos na banalização dos sentimentos e a falta de interesse crescente por atividades que requer intelecto, assim como as músicas atuais, em grande número pobres de conteúdo, letras burras e ritmo repetido. As pessoas desejam coisas fáceis de gerir, por isso atente para os sucessos de hoje. Acha que isso é mero acaso?

Douglas nada respondeu. Apenas ouviu a risada da viúva ecoando pelo recinto. Ela prosseguiu:

— Tudo isso é parte de um grande plano! Escritores, músicos, artistas de vários segmentos, vem ao longo dos anos, tentando alertar as pessoas. Eles vem fazendo isso por meio de suas obras, com mensagens em livros, músicas, filmes e por ai vai. Porém, não são levados à sério! A mente vem sendo programada; não levam a sério nem a própria vida, pois nosso plano está funcionando e cada vez mais a alienação institucionalizada e a idiotice como entretenimento, ganham espaço na vida e mente de todos!

— E o que vocês ganham com isso? — Perguntou Douglas.

— PODER! PODER! Temos o controle não porque obrigamos as pessoas a fazer algo, mas porque elas próprias não sabem lidar com o que possuem de mais precioso: a liberdade!

— Vocês são loucos!

— Será mesmo que somos os loucos? — A viúva rebateu. — Será que a loucura é dar comida aos porcos ou é a nossa sociedade que se diz civilizada e evoluída, mas adora a lavagem que recebe, todos os dias? Essa ‘sociedade’ que vive doente e refém da própria estupidez e hipocrisia; o que é loucura para você, Douglas?

— Não sei; a única coisa que eu tenho certeza é que não desejo fazer parte disso. Controlar a mente e o sentimento dos outros, não é normal!

Ela prosseguiu:

— As grandes ordens e sociedades fantasmas existem por um motivo: pessoas são incapazes de lidar com o poder e gostam, em sua grande maioria, do controle exercido sobre elas. Você pode roubar tudo delas, mas se souber como fazer, dando em troca migalhas, esmolas, elas ficam felizes e ainda agradecem! — Outra risada ecoou por toda sala. — Falta acordar, deixar de ser estúpido! Eles não enfrentam a realidade, pois ‘acordar’, requer coragem, e isso dói! Vivemos em uma sociedade de zumbis. Ratos hipócritas! E como bons zumbis que são, criamos doenças que acabam por gerar medo e um controle ainda maior; você não faz idéia do quanto faturamos com isso. Nossas ordens e sociedades criam o problema e lucram com a solução, compreende?

Douglas já estava farto de ouvir tudo aquilo.

— Acontece que nem todos são burros e eu sou um deles.

— Como assim? — Pergunta a viúva, sem saber ao certo o que pensar.

Ao final da frase, ele levanta já com uma pistola que havia retirado da mochila, a qual não foi conferida por total descuido e com um tiro certeiro, perfura a cabeça do homem que o havia recepcionado.

— Vocês se acham muito espertos, não é? — Douglas pergunta, em tom irônico. — Como podem deixar passar um agente investigativo e uma mochila, pela porta desse local nojento? Agora você vem comigo…

— Acaba de assinar sua sentença de morte, seu verme! — Ela diz, sem demonstrar nenhum sinal de medo ou nervosismo; sabia que o ‘grande irmão’ os vigiava agora e para qualquer lado que fossem, Douglas estava encrencado.

Passaram pela grande porta da sala e agarrando a viúva pelo pescoço, Douglas se pôs a caminhar por um corredor sombrio. Ele havia mudado o caminho pelo qual chegara até ali de propósito, imaginando que estaria livre do grande irmão, mas foi um engano. Toda a casa estava sendo vigiada, e ele temia a morte ainda mais agora.  

— Vou ver você pagar pela sua burrice; ainda há tempo de mudar e ser dono de tudo isso. — Disse a viúva.

— Cale a boca sua louca! Eu não sou um doente psicopata, feito vocês!

O medo ia intensificando-se até atingir um nível quase insuportável de estresse. Ainda assim, o passo seguia firme. Chegaram a um enorme salão, assim que o sinistro corredor teve fim; olhou o redor e percebeu  que além de câmeras, agora, caixas de som estavam em toda volta. Uma voz passou a ecoar e era ainda mais assustadora que a da viúva.

— Você é um ser ignorante e tolo; eu sabia que não ia adiantar de nada falar a verdade, pois sua raça já está cega e dormindo há muito tempo. Seu tio não morreu; eu o matei, e como sabia que você é um provável problema no futuro, vou acabar com sua vida também.

— Quem é você?! — Perguntou Douglas, furioso.

Um senhor surgiu, sendo auxiliado por uma bengala. O passo era vacilante, porém a voz era de um cão raivoso, pronto a atacar.

— Não quero perder mais tempo. Matem ele!

No salão haviam quatro portas e todas abriram, revelando homens fortemente armados com fuzis e metralhadoras. O som foi estarrecedor e as balas perfuraram todo o corpo de Douglas. Ele caiu, ao mesmo tempo em que fitou o rosto do homem que nunca ia saber quem era, mas que imaginava comandar muita coisa. Um ser inescrupuloso e que fazia qualquer coisa por poder e luxo. Enquanto Douglas ia apagando para seu sono eterno, um pensamento lhe ocorreu: talvez a vida seja tão vazia e tão sem graça para muitos, pois o que temos muitas vezes, é exatamente o que esse tipo de gente monstruosa deseja. O que temos muitas vezes, são mentiras e a podridão de grupos corruptos e marginais, que ninguém vê o rosto, mas que controlam e ditam as regras do mundo.  

O silêncio tem um poder inimaginável e ao sair da sala, o homem e a viúva comemoraram, dando vida longa à Ordem Fantasma dos 13. Aquele que conhece a verdade, muitas vezes perde a liberdade, pois a liberdade e a verdade, juntas, confrontam muitos interesses e o que acontece em uma sociedade fantasma, permanece nela.  Um mundo paralelo, no qual pessoas saem para fazer compras ou lanchar e ali próximo pode existir uma pessoa ou um grupo, que comanda e controla, sem que ninguém se dê conta disso. Parece um pensamento distante, porém o mais assustador, é que pode estar mais próximo do que imaginamos.            

21 comentários em “[EM] A ordem dos 13: Universo paralelo (Bruno Tavares)

  1. Jowilton Amaral da Costa
    18 de setembro de 2021

    Ambientação: A ambientação é média, não foi muito trabalhada, a meu ver.

    Enredo: O enredo também achei médio. A sociedade secreta descrita não me convenceu. Há algumas boas críticas a sociedade e algumas delas estão um pouco forçadas. Os diálogos não estão naturais. Os personagens deveriam ser melhores trabalhados.

    Técnica: Achei a técnica média. A narrativa pode ser melhorada.

    Considerações Gerais: Um conto médio, que não me empolgou muito.

  2. Nelson Freiria
    18 de setembro de 2021

    Enredo: eu gostei da ideia, mas o início do texto é confuso, temos uma cena de alguém que mal enxerga algo em meio a uma movimentada avenida e mesmo assim tem uma clara percepção, em meio aquele movimento de pessoas, que há alguém o imitando, ao ponto de lhe deixar irritado. Não é algo que se mostra com clareza, é algo que surge em “flashes”. Essa difícil (se não for até contraditória) imagem abre o texto de maneira estranha.

    Escrita:
    “Mal ele sabia que uma surpresa ainda maior e assustadora (…)”
    Esse é o tipo de frase que estraga o conto, estraga o mistério, estraga a surpresa, estraga a emoção do leitor ao saber o que diabos irá acontecer ali.

    Falta demonstrar emoções dos personagens na escrita, tudo é dito sem que o leitor possa acompanhar a cena de perto, perceber o protagonista durante a leitura.

    “Nesse momento Douglas teve outra sensação, porém esta não foi tão agradável assim. ”
    E que sensação foi essa? Só o autor(a) sabe, pq ele não quis contar pra ninguém no texto.

    “O medo ia intensificando-se até atingir um nível quase insuportável de estresse.”
    Você me bateu com essas palavras e estou sentindo muita dor.

    Ambientação: faltou ambientar melhor o conto, já que não temos construção de personagem, não temos muito além de suas queixas por ser adulto e ter que trabalhar, ficamos a deriva do enredo nos levar a algo para ambientar essa história. O problema maior é a não adequação ao tema do desafio.

    Considerações gerais: eu gosto da especulação sobre sociedades secretas, mas a maneira como o texto foi conduzido acabou com a emoção da leitura. E se muitos artistas tentam “acordar” a pessoas com suas obras, como é dito no texto, então a sociedade não é tão secreta assim. O final foi bem engraçado.

  3. Jorge Santos
    16 de setembro de 2021

    Ambientação

    Conto sobre uma realidade paralela, regida por uma sociedade secreta. Um festim para os adeptos das teorias da conspiração.

    Enredo

    Seguimos a história de um homem que se vê envolvido nesta sociedade secreta, até chegar às últimas consequências. O texto está repleto de momentos de reflexão, até mesmo no momento da morte do personagem. Por outro lado, termina com um momento explicativo que, a meu ver, seria perfeitamente desnecessário. Não traz nada de novo às reflexões que existem no texto.

    Escrita

    Encontrei alguns erros de pontuação e de excesso de aspas. Tudo somado resulta num texto tediante, difícil de ler.

    Considerações finais

    Esperava mais, especialmente depois de notar o pseudónimo escolhido, de um dos autores que mais li na adolescência.

  4. maquiammateussilveira
    16 de setembro de 2021

    (Aviso: Peço desculpa se peguei pesado demais).

    Ambientação: Mesmo que se trate de uma fantasia, a realidade criada pelo texto não me convenceu. A promessa de um universo paralelo feita pelo título acabou não se desenvolvendo e tudo o que sabemos da tal sociedade secreta é um discurso (interminável) da Vilã.

    Enredo: Em vez de desenvolver a trama prometida, o texto se demora em digressões e diálogos não muito criativos (o absurdo da vida e seu tédio, a decadência da inteligência moderna e suas músicas sem conteúdo…). Assim o texto vai seguindo e quase nada acontecendo até que, de repente, o conto dá uma guinada e… tudo se torna confuso. Quem é esse protagonista? Um agente secreto? Ou um sujeito metido numa vida tediosa que do nada saca uma arma, mata alguém com um tiro na cabeça como se fizesse isso há anos? Não entendi. E, para encerrar, mais uma digressão sobre a falta de sentido da vida.

    Escrita: Faltou revisão de texto, principalmente no uso de vírgulas. Tanto a escrita quanto o enredo dão a impressão de que o conto foi elaborado às pressas.

  5. Priscila Pereira
    13 de setembro de 2021

    Olá, Richard!

    Ambientação: estranha, descrições frias e distantes.

    Enredo: panfletário. Eu concordo com a mensagem que você quis passar. De verdade. Só não acho legal fazer como vc fez. Podia ter passado a mesma mensagem sem que o leitor percebesse. Seria muito mais interessante. E obviamente muito mais difícil. Do jeito que fico, não parece literatura e sim panfletagem, entende? Falo isso com todo carinho, esperando que você não fique magoado(a) comigo.

    Escrita: iniciante. Você conta uma história, mas de forma engessada e fria, distante. Com a prática e leitura de boa literatura, com certeza você vai melhorar muito!

    Considerações gerais: um bom conto, com uma mensagem ótima e necessária que não foi tão bem executado. Mas um dia você vai fazer isso com perfeição. Parabéns!

    Boa sorte!
    Até mais!

  6. Rubem Cabral
    4 de setembro de 2021

    *inverossímel

  7. Rubem Cabral
    4 de setembro de 2021

    Olá, Richard Bach.

    Vamos à análise do conto:

    Ambientação: Regular
    O conto faz um trabalho razoável de criar um ambiente para o enredo. Não investiu muito em aspectos descritivos que permitissem melhor visualização da história ou de seus personagens.

    Enredo: Regular
    O sonho premonitório foi bom, instigou a curiosidade. Contudo, depois da ida de Douglas à mansão de sua tia, a história – que não criou uma ambientação de conto absurdo ou algo do gênero – passou a ficar bastante inverossível (dentro do universo do conto) e piorou com a reviravolta com Douglas (agente investigativo) armado e tendo a tia como refém.

    Escrita: Boa
    A escrita é simples e consegue entregar bem sua história sem maiores complições. Contudo, há erros de concordância, pontuação e variação temporal (transitar em verbos conjugados no presente e no passado sem motivo para tal), que precisariam de uma revisão mais cuidadosa.

    Considerações gerais: Regular

    O conto como um todo não é mau. O início, em especial, foi bastante promissor, ao criar um clima de mistério muito bom. O desenvolvimento do enredo a partir dali sofreu com as escolhas um tanto absurdas, culminando em Douglas-agente-infiltrado… Penso que os poderes da sociedade secreta poderiam ter sido melhor demonstrados (pareceu-me apenas uma milícia ou grupo paramilitar conspirativo) e que talvez Douglas ficasse mais interessante se não houvesse morrido de forma tão banal.

    Boa sorte no desafio e abraços!

  8. Kelly Hatanaka
    2 de setembro de 2021

    Ambientação:
    Ok. A história se passa em nosso mundo normal, sem mudanças.

    Enredo:
    Um tanto arrastado e repetitivo. Preciso ser sincera: esta história não me cativou. A explicação sobre a visão de mundo parecia voltar o tempo todo. Muitas coisas ficaram sem explicação. Por que Douglas tinha que entrar na sociedade secreta? Por que a morte dele foi comemorada? O que o sonho dele, de alguém o imitando, tinha a ver com o que aconteceu?

    Escrita:
    Boa, com poucos erros.

    Considerações gerais:
    Senti falta de monstros, ou de investigação ou de universos paralelos.

  9. ALINE CARVALHO
    1 de setembro de 2021

    Ambientação: Boa ambientação, com ideias muito bem elaboradas.

    Enredo: Excelente enredo, me prendeu do inicio ao fim

    Escrita: Texto bem escrito, com poucos erros de ortografia…

    Considerações gerais: Caraca! Achei que aparecer uma mensão ao PT no final… kkkkkk… Fortíssimo candidato a final…

  10. Ana Maria Monteiro
    27 de agosto de 2021

    Olá, Richard.

    Vou comentar seguindo as orientações do regulamento:

    Ambientação: A ambientação existe, mas é relativa e não se chega a perceber qual o papel do monstro, que pareceu metido um bocado à força e sem necessidade, pois tudo poderia ter sucedido exatamente como sucedeu, sem a existência dele.

    Enredo: O enredo não refere o motivo de ele ser escolhido para semelhante organização, uma vez que esses tipos de poderes não costumam ser delegados por herança.

    Escrita: A escrita precisa de revisão a todos os níveis, tanto gramatical, quanto ortográfica e crítica.

    Considerações gerais: As intenções são boas, mas o conto é fraco, está excessivamente centrado em dar a sua visão do mundo e mostrar o que você pensa e acredita estar certo. Concordo com as suas ideias, apenas entendo que, em literatura, o proselitismo é desaconselhável. E é também relativamente fácil de evitar basta mudar algumas palavras, se você escrever que “Enojado com a situação, Douglas…” é muito mais eficaz do que se você escrever “Aquela situação nojenta, indignou Douglas”, pois neste último caso é você quem está a classificar a situação em lugar de dizer o que Douglas pensa. Ora bem, todo o conto (e é longo) se ocupa em usar um Douglas, que não chega a ser personagem, para dizer o que você pensa da sociedade atual e, mesmo concordando, isso impede-me de apreciar e até de ver Douglas, porque ele simplesmente não existe, é apenas um artifício. Enfim, fica a dica, e não pense que é para o deitar abaixo, eu já fiz isso, eu já escrevi assim, com uma única diferença: sabia que o estava a fazer e que ia parecer panfletária, mas quis fazê-lo assim mesmo. E você, sabia que estava a fazer isso? Se sabia, tudo bem, pronto. Aí não há lugar a crítica, só a apreciação pessoal de cada um.

    Parabéns e boa sorte no desafio

  11. Victor O. de Faria
    24 de agosto de 2021

    Ambientação: Um texto com escopo e ambição grandes demais para um desafio de apenas 3000 palavras. Tem umas ideias bem legais, mas que já vimos por aí (filmes de sociedades secretas da Disney e livros estilo Artemis Fowl). Pena que, na ânsia de colocar tudo de interessante, a história se perde. O texto começa com um sonho – e isso é bastante perigoso para um escritor conquistar o leitor, pois ele sabe que nada daquilo foi real, quase uma perda de tempo se não for retomado mais à frente. Aqui foi usado como uma desculpa para um universo paralelo que não existiu (somente nas entrelinhas e na questão semântica de “paralelo”). Tem elementos detetivescos, mas pouco explorados.
    Enredo: Como dito acima, tem grandes ideias, mas que precisam ser lapidadas. Foque no estranho que acenou no sonho, deixe a viúva como alguém enigmática nas sombras e não recorra às saídas fáceis (do tipo “eu já tinha tudo planejado” ou “tirei um coelho da cartola”). O leitor precisa se conectar e o personagem não apresentou nenhum sentimento de perigo ou vulnerabilidade.
    Escrita: O texto está carregado de metalinguagem e referências político-sociais que sobrecarregaram o texto. Tem uma indignação nas entrelinhas que transparece, e isso afeta o conjunto. O narrador se intromete muito. Deixe seu personagem fluir, livre das amarras da quase autobiografia.
    Considerações gerais: Ninguém aqui é autoridade. Encare tudo isso como sugestões. Você tem jeito de escritor iniciante. Primeiro, pondere as ideias. Veja se cabe dentro do escopo. Depois construa um mundo através de diálogos, sensações, descrições. Não precisa o narrador entregar tudo. Por exemplo, um simples “desligou a TV porque estava cansado das notícias”, já diz mais do que despejar palavras retrucando estilos de vida e música degradantes, entende? E foque apenas em uma situação – demorei muito a aprender isso. O mundo precisa girar em torno do personagem principal, não ao contrário. Tem muito potencial criativo, só precisa ir com mais calma.

  12. Felipe Lomar
    22 de agosto de 2021

    Ambientação: os cenários são minimalistas mas suportam bem a história. Mais descrição abrilhantaria muito o texto.
    Enredo: explora o mundo das sociedades secretas. Acho legal esse tema, mas o plot twist ficou um pouco raso e o final previsível.
    Escrita: simples, mas faz o seu trabalho. O texto é um pouco corrido, mas não tem erros.
    Considerações finais: as indagações sobre quem detém o poder e o controle sobre o mundo é sempre interessante e encaixa bem em realidades alternativas. Porém, pode destoar um pouco da realidade, onde é fácil de perceber onde esse poder está e como se mantém.

  13. Fabio D'Oliveira
    21 de agosto de 2021

    Olá, Richard!

    Procuro sempre avaliar sendo o mais sincero possível, mas, antes de qualquer coisa, saiba que é apenas uma opinião!

    AMBIENTAÇÃO

    Fraco.

    O conto é ambientado numa zona urbana e atual, fato que dispensa uma descrição mais detalhada, mas a ausência de qualquer descrição, inclusive de detalhes subjetivos, impede que o leitor crie qualquer cena autêntica do conto.

    Quase tudo é fruto da imaginação do leitor.

    Eu considero isso um problema quando se trata da ambientação, infelizmente.

    ENREDO

    Bom.

    Tem uma mensagem legal: a manipulação do gado-humano. Isso é real. Acredito que não seja no nível do conto, que procura exagerar para impactar, mas existe. Somos alimentados constantemente de informações contraditórias, incentivados a procurar constantemente o lazer e prazer.

    É uma boa mensagem.

    Porém, não gostei do tom panfletário do conto. Costumo ter certa resistência quando o conto não passa a mensagem de forma natural.

    Sobre o desenvolvimento da narrativa, pareceu-me um pouco caótico, devo admitir. O sonho foi esquecido, principalmente o significado do personagem que imita o protagonista. A ideia da morte do tio também parece ter surgido do nada.

    Talvez esse conto tenha sido escrito em coautoria, o que justificaria o surgimento de ideias avulsas e esquecimento de outras.

    Ah, tenho que falar: que personagens canastrões, hein. A viúva parece ter saído de uma novela mexicana!

    ESCRITA

    Boa.

    Em alguns momentos, o uso de ponto e vírgula me incomodou, principalmente em continuidades pequenas. Costumo gostar dessa quebra em frases bem maiores. Fora isso, e alguns errinhos de revisão, não tenho muito do que reclamar. É uma escrita fluída, a leitura transcorreu tranquilamente.

    CONSIDERAÇÕES GERAIS

    É um conto mediano.

    Não vou mentir: não gostei muito. É uma leitura linear, sem qualquer beleza na prosa, que conta a história num estilo exagerado que não curto. Não tiro o mérito da mensagem, mas ainda fico com a sensação que poderia ter sido melhor…

  14. MARCIO VALLE PEREIRA CALDAS
    20 de agosto de 2021

    Ambientação: O ambiente em que ocorre a história é pouco explorado. O autor passa mais tempo explorando o caminho percorrido pelo personagem principal, esquecendo de trazer o leitor para seu universo particular.

    Enredo: A história gira em torno de um homem que descobre viver em um universo diferente do que gostaria que fosse real. A grande sacada é sugerir que o universo paralelo é o que vivemos, mas na parte final, o texto e o enredo sugerem apenas um discurso panfletário, o que prejudica um pouco a história em si.

    Escrita: Achei um pouco confusa, principalmente, no início. Os parágrafos longos e repletos de pensamentos desencontrados, que poderiam ter sido separados no texto. Por vezes, era difícil entender o que se passava na mente do protagonista, por conta disto.

    Considerações gerais: De modo geral, não me agradou. Tive a impressão de que o conto foi um veículo mal explorado para reproduzir a mensagem panfletária. Não sou contra a mensagem. Até concordo com ela, mas a trama acaba conduzida com muita rapidez e pouco apreço. Talvez, com um limite maior de palavras, este conto ficasse mais redondo.

  15. Simone Lopes de Mattos
    18 de agosto de 2021

    Olá, Richard,
    Ambientação: o conto inicia com uma situação estranha. A perturbação do personagem fica clara. Logo descobrimos que ele estava sonhando. Ocorre que o sonho antecipa problemas. O número 13 é muito simbólico. Acho que a antecipação com frases tipo: mal sabia” quebram o ritmo. Melhor deixar o leitor deduzir isso. Deixar espaço para o leitor. Há parágrafos dedicados à caracterização do Douglas e da sociedade em que ele vive. Creio que ocorre tudo no presente atual. Mas em alguns momentos pensei num futuro mais caótico. O narrador mantém conversas com o leitor. Em alguns momentos dirigiu-se ao leitor.
    A descrição da mansão, o diálogo e as cenas de ação no conflito com a viúva do tio e com o comandante da ordem são bem feitas e mantém a atenção total do leitor.
    Enredo: acho que a história pode ser contada com mais suspense. Acho que nos dois últimos parágrafos ela ganha a maior força, que não existe nos primeiros. Achei um pouco irreal o fato de ele ficar intrigado com o sonho. Nesse trecho, o narrador poderia ter focado mais no número 13 como motivo do pensamento repetitivo sobre o sonho.
    Gostei dos acontecimentos rápidos que não deixam a história ficar entediante. A reação do Douglas quando ameaçado é um ponto alto. Ele realmente não teria como escapar da morte. Se isso ocorresse ficaria muito irrealista, dada a força da sociedade secreta. A integridade do personagem, não se deixando seduzir pelo poder também deixa o leitor pensando.
    Escrita: encontrei este deslize: No salão haviam quatro portas e todas abriram.
    Considerações gerais: história interessante. Escrita agradável. Senti falta do tempo do caso. Estilo fluido e claro. Parabéns

  16. Felipe Melo
    18 de agosto de 2021

    Ambientação: A ideia de começar com um ambiente onírico é muito boa, e a continuação com o recebimento de uma herança também, mas a partir daí, o texto perdeu um pouco nesse quesito, pois não apresentou mais detalhes sobre o ambiente, físico e psicológico.

    Enredo: O texto começou de forma muito interessante, porém tornou-se um pouco maçante principalmente durante a apresentação da ideia da sociedade secreta. Ainda, por mais que se trate de ficção, o texto não passou uma mensagem suficientemente crível para assustar ou mesmo entreter.

    Escrita: O estilo da escrita também não é muito atraente. Os erros ortográficos e a falta de ritmo nas frases, bem como as descrições dos humores do diálogo tornam a leitura um pouco enfadonha.

    Considerações gerais: O conto começou muito bem, com uma ideia de mistério relacionada a um sonho. Mas a partir daí caiu no lugar comum de sociedades secretas e outras teorias conspiratórias. O estilo também comprometeu um pouco a leitura.

  17. Angelo Rodrigues
    13 de agosto de 2021

    7 – A Ordem dos 13…

    Ambientação:
    O conto não tem propriamente uma ambientação. Há ocorrências e elas se dão em locais distintos, arquetípicos. A mansão do Mal, a rua, o ônibus. Não são propriamente uma ambientação em que o leitor mergulhe. Servem apenas para contar localmente uma história.

    Enredo:
    A ideia do conto, acredito, está voltada firmemente a passar uma ideia: a liberdade e a verdade, juntas, podem tirar o poder dos controladores das sociedades.

    Escrita:
    Não tem grandes problemas, mas creio que, em alguns pontos, o texto precise de revisão.

    Considerações Gerais:
    O conto, de rápida construção, não define fortemente os personagens. Trabalha com a ideia de clichês que se sobrepõem. Há poucas explicações, trabalhando, até certo ponto, com a ideia do deus ex machina, quando Douglas, não se sabe o motivo, de sobrinho herdeiro, se torna um agente investigativo com uma arma na mochila e implementa uma conclusão para o conto. Uma virada no texto que não se explica em parte alguma. São elementos que vão surgindo e funcionando na direção do fechamento do conto.
    Não consegui localizar o conto em um dos temas do desafio: Policial, Realidade Paralela e Monstros.
    Creio que o texto precise ser mais trabalhado.

  18. Antonio Stegues Batista
    11 de agosto de 2021

    A ordem dos 13

    Ambientação- Assustadora

    Enredo= Enredo comum.

    Escrita= Alguns probleminhas na elaboração de frases.

    Considerações Gerais= Achei um conto simples, com um enredo muito repetido na literatura. Já li muitas histórias sobre sociedades secretas; Illuminati, Sábios de Sião e outros tantos. Portanto, não é um conto diferente, original. A mim não trouxe nenhuma novidade. O início é meio confuso, me pareceu que não tem relação com o resto da história.

  19. thiagocastrosouza
    10 de agosto de 2021

    Ambientação: Urbana, sem muitas exigências para a história que desejou contar.

    Enredo: Um tanto confuso e com alguns furos. Veja, há o sonho, que, busca trazer pistas sobre a situação estranha que o protagonista se encontrará, mas, feito de outra forma, ele parece irrelevante para trama, de modo que você gastou um bom tempo de abertura sem muito foco e poder na história que queria contar. Posteriormente tem a ligação e o encontro do protagonista com a viúva. Daí para frente, há uma série de equívocos na forma como os personagens reagem às novas informações, além de atos totalmente inesperados, sem credibilidade. Por exemplo, em nenhum momento sabemos que o protagonista sabe atirar, ou que carrega uma arma. Logo, quando ele saca a arma com agilidade (mesmo sob a mira do mordomo) e acerta um tiro certeiro na cabeça do seu algoz, não acreditamos na cena. Além disso, se ele estava sendo vigiado o tempo todo, como não viram ele colocar a arma na mochila? Isso só para ficar neste ponto, pois as coisas tomam um rumo muito megalomaníaco até o desfecho do conto.
    Enredar é tramar a história com lógica, encadeando os acontecimentos de maneira que o todo do conto fique coeso. Se o seu personagem vai ter determinada atitude no final do conto, isso precisa ser plantado no início, para que quando as coisas aconteceram, nós, leitores, nos sintamos recompensados. É o famoso “foreshadowing”. Em Madamy Bovary, Emma descobre onde está o veneno que a matará muitos capítulos antes do final, quando de fato comete suicídio. Atente-se a esses recursos, no cinema, na literatura, na arte dramática em geral.

    Escrita: O narrador em terceira pessoa fica problemático, pois envolve-se com opiniões e considerações o tempo todo. Há uma intromissão na história para nos convencer do seu ponto de vista e, apesar de serem argumentos parcialmente verdadeiros, soam como uma revolta adolescente, pois não estão inseridos na trama de forma orgânica, mas verborragicamente. Exite ainda, algumas repetições desnecessárias. Por exemplo, no trecho:

    “— Isso é algum tipo de piada? — Questionava-se, confuso.”

    Se há ponto de interrogação, é evidente que o personagem está se questionando e que está confuso.

    Aqui:

    “Mal ele sabia que uma surpresa ainda maior e assustadora, estava do lado de fora, bem ao lado de sua janela.”

    O narrador se intromete novamente, entregando para o leitor o que virá a seguir: uma surpresa ainda maior e assustadora. Contudo, o trecho seguinte não surpreende nem assusta, e o texto fica enfraquecido pela própria expectativa que cria.

    Outro trecho:

    “— SOU UMA DAS FERRAMENTAS MAIS IMPORTANTES DE SUA HISTÓRIA E SEU MUNDO! — A viúva gritou de tal maneira […]”
    Se você inseriu o ponto de exclamação no final da frase, não precisa deixar o trecho em caixa alta. Entendemos, pela pontuação, que a personagem está exaltada. Você ainda afirma, após a sentença, que a viúva gritou, reforçando informações já dadas pela formatação e pela pontuação.

    Considerações finais: Caro autor(a), você deu um primeiro passo muito corajoso; sentou e escreveu! No entanto, é apenas o primeiro, e todo escritor está em constante desenvolvimento. Há uma expressão que diz: reescrever é escrever. Essa é minha consideração; repense sua trama, reescreva, corrija, procure leitores críticos, oficinas de escrita criativa e absorva o máximo que puder de boas obras. Quero ver você de novo no EntreContos, mais maduro e com um texto melhor.

    Grande abraço!

    • thiagocastrosouza
      10 de agosto de 2021

      Falei falei e, na pressa, cometi uma série de erros. Não faça como eu e revise o conteúdo antes de deixá-lo público. Grande abraço, novamente!

  20. Anderson Prado
    10 de agosto de 2021

    Ambientação: Ruim. O protagonista é levado para uma realidade paralela, sobre a qual são fornecidos poucos elementos.

    Enredo: Mediano. Familiar do protagonista é morto. Depois disso, é revelado ao protagonista que esse familiar pertenceria a uma ordem secreta que governaria o mundo.

    Escrita: Ruim. O sujeito é insistentemente separado do predicado por vírgula: “Um estranho, acenava”; a imagem do imitador, surgia”; a tal pessoa que o imitava, havia”. Etc.

    Há pronomes dispensáveis: “Douglas levantou O SEU braço direito e acenou”.

    Há diversos usos equivocados de regência: “ao tempo que”, em que o correto seria “ao tempo EM que”; “as pessoas que convivia”, em que o correto seria “pessoas COM que convivia”. Etc.

    Há empregos equivocados de crases: “em meio à zumbis” – zumbis é palavras masculina e, ainda que assim não fosse, está no plural, obrigando uma crase também no plural; “vai estar a frente” – faltou a crase. Etc.

    “estória é um arcaísmo. O português contemporâneo dispensa a diferenciação entre estória e história.

    Há outros equívocos. Recomendo consultar um revisor.

    Considerações gerais: De cinco textos lidos, é a quarta vez em que insisto: “O deleite de um texto perpassa por sua correção e boas escolhas narrativas. Se nem isso encontro, dificilmente sobrevirá alguma outra qualidade capaz de ofuscar o desgosto inicial.” Recomendo ler e escrever mais, além de participar insistentemente de desafios em que pessoas sinceras e bem formadas estejam dispostas a formular críticas e dar conselhos.

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Publicado às 9 de agosto de 2021 por em EntreMundos - Monstruoso Mistério Aternativo e marcado .
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