EntreContos

Detox Literário.

[EM] O lugar da adaga (Simone Lopes Mattos)

Preciso contar, dividir, e espero que vocês me digam que não aconteceu, que foi um pesadelo, um delírio, e quem sabe eu acredite. Vou começar pelo dia perfeito, leve e claro, uma quinta-feira, o primeiro dia do recesso entre os semestres da residência médica. Folga muito esperada. Eu ficaria na cama, ociosa, entre livros e filmes. Esse era o plano. Aconteceu, entretanto, que fui tomada por uma saudade inquietante do lugar onde nasci. Então resolvi visitar minha mãe. Ela já me cobrava isso havia sete anos e com mais insistência nos últimos meses. Viajei durante a noite até a capital do Amazonas. Ainda na madrugada de sexta-feira, peguei o barco para Vila Prata, comunidade ribeirinha na floresta. Nas primeiras horas da manhã, eu já reconhecia o ar úmido com cheiro de mato. Desci no velho trapiche e caminhei pelas ruas de terra sentindo olhares em mim. Cumprimentei conhecidos, gente que me viu menina. A casa da minha infância fica no final da primeira rua. É alta para suportar as cheias, como são as outras da beira do rio. Minha mãe estava à porta me olhando com rugas bem marcadas na testa, um lenço branco na cabeça, um vestido estampado e pés descalços. Não avisei, mas creio que ela já sabia da minha chegada. Subi os degraus de madeira e nos abraçamos. Abraço apertado e cheio de força. Ela nunca mediu esforços para me possibilitar estudo na cidade, mas ficou sozinha. Não tenho pai vivo ou irmãos. A casa pouco mudara. A figa de prata,  símbolo de proteção, ainda estava presa à janela da frente. O povo dali sempre temeu algo misterioso, de vida noturna, que vivia nos arredores. Essa ameaça ganhava formas monstruosas na minha imaginação, mas eu nunca havia visto nada de assombroso, até aquele dia.

Conversamos, eu e minha mãe, sobre a vida na cidade, meus planos e sonhos. Ela cozinhou pupunhas e colheu capim-santo para o chá. Os odores trouxeram lembranças e nós lanchamos falando do passado. Eu fiz a pergunta recorrente:

— Por que a senhora não vem morar comigo, mãe?

— Ester, este é o meu lugar — ela respondeu, esfregando os pés no assoalho.

A conversa escorregou pelas horas do dia. A noite chegou com chuva fina.

— É a saída da lua — observou minha mãe.

Fechei os olhos para reconhecer os sons. Pios, zumbidos, assobios, o vento chacoalhando galhos, os pingos no telhado. Talvez a saudade fosse dessa quietude cheia de sussurros.

Estávamos deitadas em redes atadas na varanda quando um homem se aproximou do portão. Baixamos as beiradas das redes.

— Quem é, mãe?

— O Geraldo.

Ele gritou:

― Dona Jeca, vim pedir pela Severa. Ouço gritos dela desde cedo, e a criança não nasce. O parto complicou.

Eu não poderia ignorar o pedido de socorro. Não dormiria. Precisava dar uma olhada na parturiente, afinal, estudava obstetrícia. Tinha lembranças do seu Geraldo, era do grupo da minha mãe, de reuniões e rezas. Coloquei algum material na maleta e entrei no carro. Era um modelo antigo, vermelho, barulhento. Seu Geraldo tentou me fazer lembrar da Severa. Eu só me lembrei da mãe dela, já falecida. Chegamos numa casinha de madeira sem pintura. O entorno era escuro e lamacento. Logo ouvi os gritos da mulher. Senti o vento frio e pensei que deveria ter pego um agasalho.

― Severa, abre a porta. Chegou ajuda, uma médica. Abre mulher ― disse o seu Geraldo por perto da janela fechada.

Só quando eu pedi, ela abriu a porta. Seu Geraldo não entrou. Severa estava nua, com a pele do rosto avermelhada e suada, cabelos cobrindo os seios. Largou-se no chão forrado de panos e entre um gemido e outro, ela disse:

― Tem uma adaga ali em cima.

― Vou examinar você. Se for preciso, vamos para o hospital.

Disse isso só para acalmá-la. O hospital mais próximo ficava a horas de barco.

― A adaga ― ela gritava.

― Severa, nós duas precisamos ficar calmas. Eu tenho uma tesoura para o cordão, não se preocupe. Agora você precisa me ajudar, use essa força para empurrar.

― A adaga — ela insistia.

Ela apertou meu braço. As duas mãos estavam atracadas no meu pulso direito. As unhas roídas, os cantos sangrentos. E ela só gritava: adaga, adaga, adaga.

Uma mulher em surto psicótico e em trabalho de parto. Eu jamais poderia imaginar tamanho desafio. Ela continuava:

― A adaga, pega.

— Concentra na força, Severa. Respira e empurra.

Puxei meu braço até soltá-lo. Com os dentes cerrados, ela prosseguia repetindo a mesma palavra. Fiz manobras para estimular contrações e posicionar o feto, enquanto gotas de suor gelado brotavam no meu rosto. Enfim, aparei a criança. Um menino perfeito. Verifiquei os sinais da puérpera. Mãe e filho estavam bem, ela quase desacordada e ele quieto. O pior havia passado, mas deixar um recém-nascido com a mãe em franca doença mental não seria sensato.

— Escuta, Severa. Seu filho é saudável, mas precisa de cuidados. Ele vai comigo e voltaremos logo.

Ela ficou indiferente, apática. Enrolei o pequenino num pano grosso e saí.

― Seu Geraldo, tem alguém na vizinhança que possa ficar com ele?

― A mãe morreu? — ele perguntou com o rosto trêmulo.

― Não, não, ela vai ficar bem. Tá desorientada, precisa de um tempo pra descansar. Depois volto aqui.

Entramos no carro e seguimos pelo caminho esburacado.

― O senhor sabe do pai? ― arrisquei perguntar.

― Ninguém sabe.

― Ela tem parentes?

― Não. Depois que perdeu a mãe ficou sem proteção.

— Pra onde vamos? — perguntei.

— Pra minha casa.

Não me recordava da mulher dele. Imaginei uma boa senhora de braços esticados para aninhar o bebê. Olhei para o rostinho do inocente, deslizei os dedos nos poucos fios de cabelo. A pele era morena, os traços bem feitos, olhos redondos, vivos, negros; e um ar de sorriso nos lábios.

O farol do carro iluminava uma curta distância do caminho, o resto era breu. A lua estava encoberta. Ainda chovia leve. Balancei a cabeça para esquecer as dificuldades do parto. O carro se arrastava.

― Seu Geraldo, por favor, acelere.

Olhei para ele. As mãos apertavam o volante, os ombros estavam levantados e o pescoço projetado para frente. Os olhos arregalados e a boca travada. Parecia uma estátua de barro rachada.

― Deixe que eu dirija. Passe para o meu lugar e segure o bebê.

Ele ficou calado e me obedeceu, saiu para dar a volta pela frente do carro. Eu acompanhei seus movimentos vagarosos e percebi que o corpo arqueava. Outro para acudir esta noite, pensei. Ajeitei a criança no banco ao lado e saí para ajudá-lo. A lua jogou luz no caminho, mas eu não o via mais. Não havia nada além de terra e árvores.

― Seu Geraldo, onde o senhor está? — passei a gritar seguidamente.

Voltei ao carro. Procurei uma lanterna no porta-luvas. Não encontrei nada além de papéis e de uma faca pesada. Eu precisava seguir sozinha. Meu coração batia rápido, mal coordenado. Fiz a volta no carro. Só pensava em minha mãe. Ela saberia o que fazer. Pisei fundo no acelerador. O motor roncava e pouco respondia. Olhei pelo retrovisor, só escuridão ficava para trás. Busquei coragem na imagem do bebê. Eu via muitos recém-nascidos na maternidade do hospital, nenhum tão bonito. Seus olhos acesos não descansavam. O carro seguia o ritmo vagaroso. Finalmente vi que minha mãe estava na varanda.

— Mãe, o seu Geraldo…— gritei da janela do carro.

— Ele passou correndo por aqui, o covarde.

— É filho dele, mãe?

— Já não duvido de mais nada — ela respondeu.

— Vou acomodar a criança aqui e voltar pra ver a mãe.

— Já tem gente com a Severa, ela vai melhorar. Traga logo o menino. Eu cuido dele.

Ela carregou o bebê e me mandou descansar. Eu precisava mesmo. Agradeci aos céus por não ter acontecido algo pior. Imaginei o óbito da mãe ou do neonato. Os pensamentos doíam.  Enfiei a cabeça embaixo da água fria. Tomei analgésicos e fui para a cama. Devo ter dormido um pouco. Despertei com barulho de louças batendo. Levantei e vi um pouco de luz vindo do outro quarto. Olhei da porta entreaberta. Minha mãe estava de pé e nosso hóspede na cama. Ele pedalava e agitava os bracinhos. Fiquei observando quieta e com um sorriso de alívio, que se desfez quando vi brilhar na mão de minha mãe algo metálico. Num movimento brusco, ela levantou uma adaga e cravou no peito do menino. Um grito pavoroso saiu de mim e se misturou ao uivo de um lobo.

19 comentários em “[EM] O lugar da adaga (Simone Lopes Mattos)

  1. Nelson Freiria
    18 de setembro de 2021

    Ambientação: gostei que o texto deixa claro o que vai se seguir e mesmo assim consegue trazer a ambientação, a tensão, tudo o mais sem se preocupar com o fato de ja ter entregue a história logo no começo

    Enredo: bom, não é nada demais no sentido inventivo, talvez tenha até sido bom não querer inventar coisas novas ao folclore de lobisomens, mas faltou um certo ar marcante na questão dos lobos dentro daquela sociedade.

    Escrita: simples, direta, bem colocada. Achei que teria regionalismos, mas me enganei

    Considerações gerais: o final da história ficou meio “ok, né”, não sei se gostei, se nao gostei, mas foi inesperado e surpreendeu. Não é todo dia que assassinam um recém nascido num conto por aqui

  2. maquiammateussilveira
    16 de setembro de 2021

    Ambientação: O conto conseguiu explorar de maneira inteligente o tema Monstro evocando um ambiente realista e aproveitando-se de uma crença popular brasileira.

    Enredo: É uma boa história, mas que poderia ter sido mais bem explorada a partir de nuances do ambiente, das relações sociais, das sensações, do choque de realidades distintas vivenciado pela protagonista.

    Escrita: O texto parece sempre apressado, dá a impressão de que a protagonista está sempre correndo e de que tudo acontece num tempo curtíssimo. Talvez o conto pudesse explorar melhor os momentos de suspense, o que parece combinar com a proposta da história.

  3. Priscila Pereira
    11 de setembro de 2021

    Olá, Lobo Mau!

    Ambientação: muito boa, parece que você entende das vilas amaldiçoadas do interior do Amazonas. O clima de mistério e suspense foi muito bem administrado.

    Enredo: bem legal, toda a trama é firmado no suspense que se desenrola num ritmo constante. A moça que volta pra casa e se depara com o nascimento de um lobisomem. O final é bem legal com a mãe da protagonista matando o bebê. Sinistro!

    Escrita: muito boa. Simples, direta, sem enrolação. Bem descritiva, cumpre seu papel e entrega uma boa história.

    Observações gerais: Um conto muito bom. Gostei! Parabéns!

    Boa sorte!
    Até mais!

  4. Angelo Rodrigues
    7 de setembro de 2021

    19 – O Lugar da Adaga

    Ambientação:

    Ótima ambientação. Local interior, a vida pobre e distante de possibilidades civilizatórias. Tudo bem construído.

    Enredo:

    Jovem prestes a se formar, retorna ao lugar onde nasceu. Logo no primeiro dia na casa da mãe, se vê às voltas com um parto misterioso. A adaga. A mãe meio doida. Seu Geraldo, do qual pouco se sabe. A mãe. A mãe da futura médica. O desfecho com a adaga maldita.

    Escrita:

    O conto está bem escrito, com algumas falhas construtivas, mas nada que prejudique a compreensão. Há um momento particularmente interessante. No mesmo parágrafo, a criança por nascer é dita como feto ao passo que uma linha depois é dada como nascida e perfeita. Há que corrigir. É feto ou criança?

    Considerações Gerais:

    O conto, que está bem legal, tem um desfecho surpreendente, embora pouco justificável. A mãe da futura médica matando a criança não se sustenta quando se olha a própria construção do conto. Não se justifica em si. As palavras do conto dizem que a mãe matou a criança, embora a construção não justifique o fato, salvo se todos naquele lugar fossem loucos ou possuídos por alguma força maligna. Embora isso não se manifeste no conto em nenhum momento.
    Acho que sob esse aspecto, o conto ficou devendo, e possa ser melhorado.

  5. Kelly Hatanaka
    7 de setembro de 2021

    Ambientação:
    Impecável. O cenário não é fantástico ou futurista, mas é muito diferente de uma cidade e representa as raízes de Ester.

    Enredo:
    Muito interessante. É fácil se apaixonar pelos personagens. Bastam poucas palavras para gostar de Jeca e de Ester. E pelo bebê… o final é chocante, porém, coerente.

    Escrita:
    Excelente, correta e fluida. A narrativa em primeira pessoa faz sentir como uma conversa com uma amiga.

    Considerações gerais:
    Um conto delicioso de ler, cativa desde a primeira linha. Tem um quê de causo, de história que se conta ao lado da fogueira e que dá medo por parecer muito possível, apesar do sobrenatural. Adorei.

    Parabéns!

  6. Felipe Lomar
    5 de setembro de 2021

    Ambientação: o interior da Amazônia realmente é um lugar onde da para se pensar em uma história de mistério ou de sobrenatural, por ser distante e desconhecido para a maioria das pessoas. A vila ribeirinha é bem realista e fácil de visualizar, apesar de talvez faltar alguns detalhes que ilustram mais ainda o funcionamento da vida lá e quem são os personagens, que não são aprofundados no texto.
    Enredo: um enredo de mistério que prende o leitor no desenvolvimento e deixa apreensivo pelo final. E esse é o problema. O final é inconclusivo, da a impressão que o texto termina na metade. Não é explicado o motivo de matar o bebê, o porquê de Geraldo fugir e ser chamado de covarde. Quase tudo é deixado para o leitor interpretar, sem muita base.
    Escrita: uma escrita rápida de ritmo, o que ajuda a escalar a tensão do texto. Tem alguns deslizes de revisão.
    Considerações finais: eu acho que esse texto está indo no caminho certo, prende o leitor e é interessante, mas precisa desenvolver melhor a finalização, talvez até continuar a história.

  7. Jowilton Amaral da Costa
    5 de setembro de 2021

    Ambientação; Boa ambientação. Nos sentimos numa pequena cidade do Amazonas.

    Enredo: O enredo é bom, simples e direto. No entanto, o desfecho é meio broxante, fica muitas perguntas na nossa cabeça. Final aberto até que é bom, mas aqui foi demais. Mesmo assim, acho que saquei mais ou menos. Parece que todos os envolvidos sabiam que o recém-nascido teria de morrer, menos a médica. Mas quem era este menino? Era filho de quem? Por que ele teria que morrer? Por que tinha que ser com uma adaga muitas perguntas sem respostas.

    Técnica: Achei a técnica boa. Não percebi erros, a leitura fluiu sem entraves. O autor(a) sabe usar as técnicas de terror ao criar um suspense logo no início, deixando o leitor na expectativa do que poderá acontecer.

    Considerações Gerais. Um bom conto, com um final que me decepcionou. Boa sorte no desafio.

  8. Bruno Tavares
    3 de setembro de 2021

    Ambientação: O cenário, uma comunidade ribeirinha, é descrito com riqueza de detalhes; mostra a vida simples da mãe da protagonista.

    Enredo: Uma história bem escrita e com um enredo envolvente. Gostei muito da narrativa e o jeito imersivo do autor. A única coisa que achei estranho e ficou sem resposta foi o motivo da mãe assassinar o neném.

    Escrita: Atento para uma melhor organização de parágrafos no início, a fim de deixar o conto mais gostoso de ler.

    Considerações gerais: Apesar de ficar sem explicação o desfecho, podendo ser uma adaptação mais realista do conto do lobo mau(como sugerido no próprio titulo), foi um conto muito bom de ler. Gostei do efeito surpresa.

  9. Fabio D'Oliveira
    3 de setembro de 2021

    Olá, Lobo!

    Esse é o meu conto preferido até o momento. Vamos lá!

    AMBIENTAÇÃO

    Eficiente.

    Existe uma aposta nesse quesito. O ambiente é pouco descrito, porém, o que é dito, de fato, torna-se extremamente eficiente na ambientação climático de terror. Um povoado isolado, perto do rio, o matagal e a escuridão da noite no ápice do conto.

    É uma aposta. E, pra mim, funcionou.

    ENREDO

    Interessante e cativante.

    O ponto forte do conto é o mistério. Os acontecimentos são obscuros, relatados numa espécie de causo sombrio e perturbador. Eu gostei muito dessa pegada e do clima psicológico do terror. Os personagens estão bem criados. E a história se desenrola com naturalidade, tornando o relato ainda mais interessante.

    ESCRITA

    Boa.

    Não é um estilo que brilha, mas é prático e eficiente. Cumpre seu objetivo, com certeza. Eu não gostei muito da abertura, único fator que deixa o conto no ponto comum da literatura, e você mostrou ter potencial para fazer melhor.

    CONSIDERAÇÕES GERAIS

    Como disse no início, esse é o meu conto favorito até o momento. A única coisa que me impede de entregar a nota alta é a ausência de algum monstro concreto. A situação é inusitada e provavelmente causada por alguma criatura, porém, a pegada obscura nublou por completo a presença de um monstro, deixando esse ponto numa linha de possibilidades. Fora isso, e a abertura fraca, nada mais me incomodou.

  10. Jorge Santos
    2 de setembro de 2021

    Ambientação

    Simples e eficaz. Nota 10. Tudo no conto surge de forma elegante. A autora ou autor não se perdeu em artifícios desnecessários só para embelezar a história, a ambientação é a prova disso. Sabemos onde se passa a acção e quando. Sabemos o que acontece e a quem.

    Enredo

    Simples e forte. É evidente o confronto entre o moderno e o tradicional. A história desenvolve-se em actos bem definidos, que facilmente seria passada ao cinema. Só achei algo incoerente e clichê a existência do lobisomem. Sendo passado no amazonas, poderia ter sido usado um exemplo do riquíssimo imaginário local.

    Escrita

    A escrita é elegante. Dá prazer ler e prende o leitor.

    Observações finais

    Queria comentar mais contos assim.

  11. Antonio Stegues Batista
    25 de agosto de 2021

    O Lugar da Adaga

    Ambientação= dentro do teme, monstros.

    Enredo= Bom enredo, diferente quando se trata de histórias de lobisomens.

    Escrita= boa escrita, clara e coesa.

    Considerações gerais= Gostei da narração que vai direto ao ponto de interesse, sem vagar ao redor, sem fantasiar criando elementos diversos que só servem para dar extensão ao texto. O final ficou excelente, revelando o mote do conto numa descrição sutil.

    Boa sorte.

  12. srosilene
    22 de agosto de 2021

    Conto bem escrito e sugestivo. Ele não entrega para o leitor o desfecho do texto, ele vai pincelando e deixando para o espectador tirar suas próprias conclusões. A narrativa perpassa por um caminho trilhado de forma objetiva. As personagens cada uma a sua maneira expressa a sua função e representação no enredo. Percebe-se um clima de mistério e sobrenaturalidade em toda ambientação do texto, como por exemplo, a chegada da Esther na cidade natal, passando pelo momento do sumiço do Geraldo até a lâmina nas mãos da mãe da Ester.

  13. Welington
    21 de agosto de 2021

    AMBIENTAÇÃO: o conto é ambientado no norte do país. Todas as descrições de cenário, da mística supersticiosa do local, até mesmo dos cheiros e ruídos de fundo do lugar, tudo isso foi muito bem conduzido, e merece destaque na minha avaliação.

    ENREDO: uma estudante de medicina resolve retornar a sua comunidade natal em férias e se depara com as memórias de sua infância e com a superstição do vilarejo, que teme um indistinto “monstro” nas redondezas. Achei perfeito o fato do tal monstro se insinuar, mas nunca aparecer, e como a racionalidade da médica se choca com a lógica mágica local. A curva de tensão foi muito bem construída ao longo do conto.

    ESCRITA: uma escrita correta, fluída, com trechos de lirismo. O trecho do “silêncio cheio de sussurros” foi um deleite ao leitor.

    CONSIDERAÇÕES GERAIS: Um conto sem grandes defeitos, enxuto, bem desenvolvido e com um clímax muito bem colocado. Gostei muito da leitura, parabéns!

  14. Ana Maria Monteiro
    19 de agosto de 2021

    Olá, Lobo mau.

    Vou comentar seguindo as orientações do regulamento:

    Ambientação: Foi boa, deu para perceber.

    Enredo: Não sei muito bem, penso que o tema seja mistério, mas não percebi se o menino era algum lobisomem, ou o tal Geraldo (primeiro estava todo torto, depois passou pela mãe dela a correr) e estava lua cheia ao que parece. Não sei, não percebi bem, deve haver aí algum folclore pelo meio que desconheço. O meu folclore não vai mesmo além do lobo mau 😊

    Escrita: A escrita é o melhor de tudo aqui e, vendo bem, o mais importante em qualquer texto. Sem uma boa escrita, nada se salva, com uma boa escrita, até coisas mais fracas passam muito bem. A escrita foi a minha parte favorita.

    Considerações gerais: Não tenho, não percebi bem. Achei que sete anos sem ver a mãe foi excesso de tempo, mas talvez não seja, dependerá de muitas condições. Mas depois a moça foi e aconteceu um parto em circunstâncias inusitadas e devia haver alguma coisa errada com o bebé, alguma coisa que toda a gente sabia, pois foi a mãe da protagonista quem acabou por matar o bebé. Toda a gente sabia, mas eu não e nem foi dito. Na falta de mais história, ficou assim.

    Parabéns e boa sorte no desafio

  15. Rubem Cabral
    16 de agosto de 2021

    Olá, Lobo Mau.

    Vamos aos pontos da análise do seu conto.

    Ambientação:Boa.
    Nunca estive na amazônia, mas alguns detalhes como o chá de capim-santo e as pupunhas cozidas me pareceram autênticos. As casas altas de madeira, o povo cheio de crendices, etc. Apenas achei estranho o súbito desejo de visitar a mãe e a facilidade de se fazer tal visita, pois aparentemente a moça estava em outra cidade/estado, e os voos para Manaus são caros e poucos.
    Acho que devido à riqueza do cenário, esperava um pouco mais. Não me foi possível perceber bem o vilarejo, as pessoas, etc. Talvez ter investido um tanto mais antes de ter saltado ao nascimento do menino-lobo…

    Enredo: Bom

    Ester é estudante de medicina e sua mãe vive num vilarejo no interior do Amazonas. Ester aproveita uma folga e visita a mãe. Lá ela tem que ajudar uma parturiente que estava com complicações. Julgando que a mãe do bebê estivesse tendo algum surto psicótico, Ester leva o bebê até sua casa, onde na manhã seguinte flagra sua própria mãe matendo o recém-nascido com uma adaga, enquanto o pequeno uivava como um lobo.

    Aqui só acho que faltou um tanto mais. Os limites de palavras do desafio não são tão restritos e seria possível aprofundar mais as crenças do vilarejo, as personalidades dos personagens, etc.

    Escrita: Boa

    O primeiro parágrafo merecia ser revisto e quebrado em parágrafos menores. Há muitas ideias ali e a introdução do conto não ficou muito suave. Nos diálogos, poder-se-ia incluir um tanto do linguajar do povo do local, de forma a dar mais “cor” e autenticidade à narrativa. No geral, a escrita entrega a sua história sem solavancos, mas também carece de mais elaboração.

    Considerações gerais:

    É um bom conto de monstro, mas que poderia ter construído algum suspense, ter manipulado impressões, etc. O fim abrupto é bom, mas poderia trazer mais se conhecêssemos melhor Ester, se compreendêssemos as crenças do seu povo, etc.

    Boa sorte no desafio!

  16. Victor O. de Faria
    15 de agosto de 2021

    Ambientação: Construção de tensão muito boa, onde só compreendemos tudo ao final, embora o texto jogue pistas durante seu trajeto.
    Enredo: O filho do lobisomem. Conto bastante curioso por pegar (enganar) com um ritmo cotidiano e aplicar a fantasia/folclore em cima. Até achei que a criatura ia se safar. Mas talvez tenha sido melhor assim, gerar expectativa e descontruir um final clichê.
    Escrita: O primeiro parágrafo é um pouco grande demais e pode ser desmanchado em descrições menores. Contudo, o restante flui muito bem.
    Considerações gerais: Um texto simples, mas que se adequa muito bem ao tema. Diz pouco, mas traz muito nas entrelinhas. Esse merece uma boa nota. Tem espaço para melhorar? Tem. Mas de todos até agora, foi um dos poucos que pegou o clima dos temas propostos e construiu um bom suspense em cima, com uma atmosfera de “interiorzão” bem aplicada.

  17. ALINE CARVALHO
    10 de agosto de 2021

    Ambientação: Personagens muito bem colocados, cenario de acordo com a realidade do lugar.

    Enredo: Excelente trama, nos prende até o final.

    Escrita: Excelente escrita, não achei nenhum erro. Fez bom uso das palavras.

    Considerações gerais:Gostei do ritmo do texto, fiquei esperando para ver qual personagem folclorico amazonico ia aparecer na historia…

  18. Anderson Prado
    10 de agosto de 2021

    Ambientação: Boa. A história se passa no Norte do Brasil. Achei a região, e seu clima de terror, de mistério, de desconhecido, bem representada.

    Enredo: Mediano. Teria sido bom não fosse um detalhe: no início do conto, não é dito que a protagonista é uma médica; aí, de repente, do nada mesmo, aparece alguém na porta da mãe da protagonista precisando de um médico. Soou muito conveniente, sobretudo quando considero que a protagonista não avisou ninguém que estava indo fazer uma visita à mãe (nem a própria genitora foi avisada). Essa “coincidência” deveria ter sido melhor trabalhada.

    Escrita: Boa. Achei o conto muito correto e, em alguns momentos, ele superou a correção para alcançar certa maestria, como quando “a conversa ESCORREGOU pelas horas do dia” ou quando nos deparamos com um “Talvez a saudade fosse dessa quietude cheia de sussurros”.

    Considerações gerais: Achei o conto um terror bem construído, sem o excesso e exageros às vezes presentes no gênero.

  19. thiagocastrosouza
    9 de agosto de 2021

    Ambientação: Ambientação que funciona a favor da narrativa. A protagonista sai de um ambiente urbano para algo mais remoto, o que permite que as sombras, a mata e o folclore ocupe a trama.

    Enredo: Simples, mas eficaz. Aqui temos um bom trabalho feito com pouco, o que faltou em outros contos que já topei no desafio. Há o implante das pistas na imagem da Adaga e no mistério em torno do nascimento desse pequeno lobo. Os personagens aparecem apenas pelo tempo necessário para levar o conto para frente.

    Escrita: Sem floreios, mas pautada nas ações dos personagens, o que deixa o conto bastante visual e instigante.

    Considerações Gerais: Adorei visitar o Amazonas a partir da sua história. Uma viagem rápida, com tensão e clímax muito bem feitos.

    Parabéns!

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Publicado às 9 de agosto de 2021 por em EntreMundos - Monstruoso Mistério Aternativo e marcado .
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