EntreContos

Detox Literário.

As Crônicas de Corpo (Rubem Cabral)

Nos recônditos mais remotos da Carne, onde o calor reconfortante das franjas limítrofes abraça as infinitas terras estéreis que há além; foi lá onde minha história começou.

Vivíamos numa casa isolada de tudo: de revestimento carcinoma-cartilaginoso até ordinário, brotada diretamente do Corpo. No primeiro dia, antes de eu ainda dominar Palavra, quando chegamos dalgum limbo que não sei precisar, o Paaai inseriu uma semente no solo, que sangrou. Logo, uma reação histamínica, de rejeição àquele objeto estranho se manifestou, e a casa, de um branco translúcido, ergueu suas paredes, atraiu capilares e se espalhou. Daí, foi só recortar as entradas e as janelas, usar algumas rebarbas como telhado e derrubar paredes que cresceram desordenadamente.

Era uma vida boa e calma: eu e meus sete irmãos gêmeos íamos atrás do Paaai o tempo todo, que nos apresentava o mundo e nos ensinava.

— Um rio de linfa, meninos, é algo muito bom – ele dizia, sentado à margem do córrego. — Tem sempre pedaços de plaquetas boiando que, combinados à própria linfa e uns ribossomos dão num guisado delicioso e nutritivo. Opa! Viram? É assim que se faz: atira-se a rede, puxa-se com delicadeza para não rasgar a plaqueta e se guarda no balde com um pouco de líquido, para não secar. Entenderam?

— Sim, Paaai – balíamos sempre em coro.

— Rios arteriais ou venosos são mais ricos, porém proporcionalmente perigosos; quase fui devorado por um enxame de leucócitos certa vez… Um dia, ensinarei como pescar neles também. “Respeite o Corpo e…”.

— “…Ele proverá. Abuse do Corpo, e Ele Consumirá!” – repetíamos o ensinamento.

Lembrar desses tempos é estranho: tenho a impressão que eu e meus irmãos éramos de certa forma extensões de uma coisa só. Vivíamos nus, dormíamos juntos, banhávamos juntos, ríamos e repetíamos sempre as mesmas coisas e ao mesmo tempo. Talvez até sonhássemos os mesmos sonhos. Não sei se o Paaai nos plantou feito a casa, ou se nos colheu de algum útero ainda ativo além da Derme Oeste: nós oito, embolados dentro duma gema placentária. Perguntávamos muito, mas ele não gostava de falar dos tempos antes do nosso tempo. “É bobagem, meninos. Vossas histórias começaram quando de vossa gênese. O antes é ilusório”.

Bom homem, o Paaai: prático, justo e paciente, nunca levantou a voz, nunca vestiu no rosto escuro e cheio de dobras alguma máscara carrancuda. Por dezesseis ciclos solares continuamos a viver aquela vida simples de pescadores e coletores, despertando cedo, arrumando com gosto a casinha, cantando canções melancólicas, cozinhando delícias providas pelo rio ou pelas montanhas de coágulos e lagos de enzimas. Isso até a chegada dele, do inimigo, do abusador de cabeça-de-flecha e coroa de anzóis: Saginata.

***

            Era manhã e pescávamos, como em todos os dias, quando o Paaai apertou os olhos ao notar uma estranha coluna de fumaça negra no horizonte, talvez além da Cordilheira de Ossos. A voz dele, nunca esquecerei, soou cansada. Notei, pela primeira vez, raiva também. Embora fosse avesso a falar sobre o passado, ele lancetou um abcesso de palavras inflamadas: — Os problemas sempre ramificam metástases para assombrar-nos. Meninos, ajudem-me a preparar o barco; juntem suas coisas, temos que ir embora, feito eu os treinei.

            Enquanto corríamos para todos os lados, sem entender, ele não parava de falar: — Há muitas dezenas de ciclos solares, antes de Corpo houve outro mundo, mas esse morreu queimado e irradiado. Chamavam o mundo velho de Terra. O novo que o substituiu, estéril, ganhou esse apelido usado até hoje para as terras ermas além-carne: Cemitério, pois era uma questão de poucos anos até que os raros sobreviventes finalmente se juntassem aos mortos da Guerra das Guerras.

            — O que é “guerra”? O que é um “cemitério”? – perguntávamos, porém ele não respondia.

            — Vocês são bons em recordar, foi assim que eu os moldei. Gravem tudo! Eu tive uma filha quando era jovem. “Eugênia” foi o nome que a mãe escolhera, como se pudesse prever o futuro. Minha filha tinha só dezesseis e sobreviveu às bombas H que mataram praticamente todos na cidade, mas estava morrendo de envenenamento radioativo.

— O que é “mãe”? O que é “cidade”? O que é “radioativo”? – nós registrávamos cada palavra, mas sem entender.

— Eu costumava trabalhar com ciências obscuras, mágicas do tempo antes do tempo. Chamavam minha especialidade de “genética”. Em busca de um tratamento, usei minha pesquisa: culturas de fungos negros, que vicejavam dentro dos reatores de usinas nucleares desativadas, que alimentavam-se e cresciam na presença de intensa radiação e que limpariam, em tese, os efeitos do envenenamento. Desesperado, ao observar Eugênia morrendo, dei-a várias doses de um soro experimental com vírus carregados de fragmentos de DNA dos fungos. De início, foi um verdadeiro milagre: ela se recuperou rapidamente, as feridas cicatrizaram, os cabelos voltaram a crescer. Em duas semanas já estava de pé e me sorria, agradecida.

— O que é “milagre”? O que é “cabelo”? – eu perguntei, agora estranhamente sozinho. Meus irmãos escutavam o eco ainda distante dos gritos borbulhantes de muitos. O Paaai piscou, assustado.

— Ainda temos um pouco de tempo: minhas armadilhas e alarmes não dispararam, mas preciso me apressar… Na ter-terceira semana, ao sair para um rápido passeio ao ar livre, Eugênia repentinamente começou a inchar. Eu deveria ter pensado nisso: havia radiação residual por quase todo lugar e uma parte dela se alimentava e consumia avidamente tal coisa. Tentei arrastá-la de volta ao meu laboratório, onde o isolamento era bom, mas ela caiu e eu não consegui erguê-la; estava pesada demais. Seguia crescendo e se espalhando em ondas de pele, enraizando-se no solo duro, aflorando montes cartilaginosos, poças de fluidos e moitas de flocos epiteliais. Limpando o mundo e cobrindo-o com sua carne, cruzando planícies, vales, salvando-nos com seu sacrifício. Antes de desaparecer, encontrei seu rosto afundando, envolta em si mesma, e ela me disse: “Foi melhor assim. O mundo não terá que morrer, eu não terei que morrer.”. Há uma lagoa turva e de águas salgadas, a leste daqui, acho que formada por suas derradeiras lágrimas.

O Paaai então chorava por sua criação acidental. Eu comecei a chorar também, quando as flechas-anzóis ósseas começaram a cruzar o ar sobre nós.

— Oh, Deus! Rápidos demais, estão evoluindo, os malditos… Conseguiram passar por minhas sondas e pelo fosso de suco gástrico! Como?! Perdoem-me, perdi tempo precioso! Rápido, para o barco! Ha-havia um parasita solitário que se beneficiou do crescimento, que me persegue e me fareja à distância faz muitos ciclos…  – ele falou, com enorme rapidez. Mais flechas. Esquivei-me, mas irmãos 3, 4 e 6 tombaram, sem dizer uma palavra. Seus corpinhos foram rasgados quando as flechas foram puxadas de volta por tendões retráteis. — Fuja, número 8! Eu posso ganhar algum tempo para vocês. Ele falou comigo: — Corra, lidere seus irmãos e desça o córrego. Procure pelo Broto no Pântano dos Miasmas, ela já deve estar crescida à essa altura. Lembre-se sempre: nós somos parentes do Corpo… Vocês são carne da Carne…

O Paaai voltou para subir o monte em direção à nossa casa. Contudo, mal deu dois passos e novas flechas-anzóis cruzaram o céu. Caiu de joelhos, com três cravadas no peito, banhando o solo com seu sangue sagrado. Esquivei-me outra vez, porém irmãos 1, 2, 5 e 7, como que paralisados pelo choque, tombaram. E eu corri, eu-sozinho, não mais parte de algo maior, com os olhos cegos de lágrimas, consegui. Já descendo o rio vi quando Saginata, o verme hermafrodita gigantesco, alto como dez homens, o general consumidor de tantas almas, devorou as carcaças de meus irmãos e do Paaai.

“Paaai… Você não me ensinou a ser um..” – eu lamentei em pensamento.

***

            De alguma forma, por algum conhecimento entranhado em meu ser, eu sabia quem era o Broto e onde ela estava. Ao mesmo tempo, até que o Paaai a citasse, eu não detinha tal informação; nunca tinha ouvido falar. Desci o rio por uns três dias, até que suas margens se cobrissem de névoa esverdeada. Então, sabia que estava no lugar certo.

            Ancorei e desci da balsa. O estranho solo era de osso poroso, cheio de poças de enzimas borbulhantes e filamentos rosados que ondulavam no ar. Árvores com copas arrepiadas e translúcidas estavam por todo lugar. Sob a maior delas, era onde eu devia procurar.

            Junto às raízes calosas duma árvore que parecia tocar os céus achei um poço coberto duma película transparente, cheio de líquido, que jazia escondido sob uma inflorescência de flocos epiteliais secos. Dentro, alguém branco tal como cartilagem, dormia. Meu conhecimento nunca ensinado orientou-me sobre o que fazer. Rompi a fina pele com meus dedos, e o líquido morno semigelatinoso começou a vazar pelas laterais. O poço então iniciou movimentos peristálticos, em contrações musculares estranhas, até que depois de uns dez minutos expulsou  Broto de seu âmago, coberta por um velo macio.

            Ela era fêmea, e eu nunca tinha visto uma antes. Não tinha a pele escura como a minha, dos irmãos e do Paaai, e a cabeça era envolta de filamentos finos, castanhos e lisos. Era pequena, talvez uns dois palmos menor do que eu. Tinha inúteis glândulas mamárias bem desenvolvidas.

            Ainda encharcada e coberta de sebo, Broto abriu os olhos devagar, a luz certamente a cegava. Encarou-me, curiosa, mas não disse nenhuma palavra. Apoiou-se em meu ombro e pôs-se de pé, olhando ao redor. Caminhou com alguma dificuldade para dentro do denso bosque das árvores arrepiadas, e os obstáculos no caminho simplesmente cediam-na espaço, deslocando-se e acolhendo. Chegou a perder o equilíbrio por um instante, e quando caiu havia uma formação de carne esponjosa que simplesmente não estava lá antes e a amparou.

            Depois de algumas horas de caminhada, sentou-se numa formação translúcida que se encaixava à perfeição nos contornos de seu corpo e cerrou os olhos. Filamentos desceram do alto das copas das árvores ao redor e se inseriram, gentis, em sua cabeça, pescoço e tronco. Pequenas faíscas elétricas subiam e desciam pelos filamentos.

            Então, repentinamente uma flecha-anzol cortou o ar com um silvo. Uma das árvores prontamente se inclinou e foi atingida, tendo parte da copa rasgada. Inúmeras outras flechas e dardos caíam e eram resvalados pelos dendritos e filamentos enquanto um véu de muco espesso começou a se formar do topo do bosque, e esse véu secava com rapidez e formava uma redoma nacarada. Mais muco então desceu e espessava a cobertura com novas camadas.

            Logo, criaturas armadas de lanças e facas de proteínas cristalinas tentavam romper a proteção enquanto o bosque aumentava a ejeção de mais camadas, conforme o exército de Saginata lograva romper mais e mais.

            — Eles vão conseguir atravessar a barreira! – apavorado eu gritei para Broto. — É preciso fazer alguma coisa, essas membranas não vão aguentar muito tempo. “O Paaai mandou-me aqui por alguma razão… Será que ela não estava pronta?” – pensei.

            No entanto, ela se mantinha plácida e com os olhos fechados. O fluxo elétrico intensificou-se nos filamentos e, na quase escuridão de dentro da redoma então muito espessa, as faíscas iluminavam fracamente nossas silhuetas.

            Alguma coisa rosnou a partir do alto da cúpula e começou a rasgá-la com facilidade, enquanto enfiava a cabeçorra cheia de ventosas e ganchos. Fagócitos começaram a invadir o domo quando senti-me tomado de um ódio assassino que jamais senti. Estava febril, crescia e me elevava do chão, sem entender como. Olhei para Broto e ela então tinha os olhos bem abertos e sorria. Encarou-me e disse:

— Eugênia acordou do sono e sabe que nós somos seus amados parentes! Luta, campeão! É chegada a Hora da Apoptose!

            Flechas e dardos voaram e se instalaram em meu peito, mas então eu já era unha, osso, quelóide e bile cristalina. Estava coberto, dos pés à cabeça, por alguma substância escura tal crosta de sangue seco. Eu era garras-espinhos-dentes. Era a escuridão que esperava no fundo do poço mais profundo, era a promessa de dor sem cessar.

            Deliciei-me com a expressão de medo do verme e das criaturas primitivas que ousaram cruzar nosso caminho. Banhei-me com gosto em fluidos e organelas rasgadas e gritava para que soubessem: — Eu sou carne da Carne! Eu sou Paaai, eu sou Corpo!

26 comentários em “As Crônicas de Corpo (Rubem Cabral)

  1. Renato Silva
    21 de março de 2021

    Olá, como vai?

    Primeiramente, não serão considerados gosto pessoal e nem adequação ao tema, já que o mesmo passou a ter entendimento extremamente esparso. Para evitar injustiças por não compreender que o autor fez uso dos termos escolhidos, ainda que em sentido figurado, subjetivo, entenderei que todos os contos terão os pontos correspondentes a este quesito.

    A minha avaliação é sob a ótica de um mero leitor, pois não tenho qualquer formação na área. Irei levar em questão aquilo que entendo por “qualidade” da obra como um todo, buscando entender referências, mensagens ocultas e dar algumas sugestões, se achar necessário.

    Agora, meus comentários sobre o seu conto:

    Olha, meus parabéns pelo tema escolhido e vocabulário utilizado. São muitos termos utilizados por quem estuda área da Saúde e há uma riqueza de detalhes descritos, mas nada que eu considere desnecessário.

    Apesar da incrível estética do conto, que realmente proporciona uma grande experiência sensorial, eu me senti um tanto perdido na narrativa. Penso que houve mais da minha parte, em não compreender integralmente todos os termos médicos e analogias, do que uma falha do autor em escrever uma estória coesa. Também tive certa dificuldade em visualizar os personagens, pois entendi, desde o começo, que se passava dentro do corpo de uma pessoa, então não entendi bem o formato dos personagens. A descrição da Broto é de uma mulher humanoide, então fiquei na dúvida se eles são assim mesmo ou foi uma forma do autor nos mostrar seus personagens sem cair muito no “vale da estranheza”.

    Concluindo, gostei muito do texto. A originalidade está mais na linguagem utilizada do que o enredo em si, que me lembrou um filme (com partes em animação) bem legal, chamado “Osmose Jones”. Boa sorte.

  2. danielreis1973
    19 de março de 2021

    Prezado Entrecontista:
    Para este desafio, resolvi adotar uma metodologia avaliativa do material considerando três quesitos: PREMISSA (ou Ideia), ENREDO (ou Construção) e RESULTADO (ou Efeito). Espero contribuir com meu comentário para o aperfeiçoamento do seu conto, e qualquer crítica é mera sugestão ou opinião. Não estou julgando o AUTOR, mas o produto do seu esforço. É como se estivéssemos num leilão silencioso de obras de arte, só que em vez de oferta, estamos depositando comentários sem saber de quem é a autoria. Portanto, veja também estas observações como anotações de um anônimo diante da sua Obra.
    DR

    Comentários:

    PREMISSA: um dos textos mais disruptivos desse desafio, e inteligentes também. A partir da simetria entre uma família e uma doença que se instala no corpo, ou num planeta/universo, o autor vai construindo com palavras bastante incomuns uma espécie de Êxodo planetário.

    ENREDO: na fuga, a família do Paai vai enfrentando ameaças corpóreas extraordinárias, sendo que não resta claro quem são eles ou seus inimigos. Nesse ponto, a ação predominou sobre a explicação, o que achei um mérito do autor, que tornou uma fantasia/ficção científica menos professoral. Mas, por outro lado, o esoterismo da história, como fábula, não deixa a gente com muita certeza sobre o que realmente se quis dizer.

    RESULTADO: apesar da premissa inovadora, a linguagem rebuscada em alguns pontos atrapalhou bastante a vida desse limitado leitor. E pouco percebi de aderência ao tema do desafio, só tangencialmente como criação/mecanismo humano. De resto, um dos meus preferidos, ainda que não tenha obtido nota máxima justamente pelos pontos indicados.

  3. Bruno Raposa
    19 de março de 2021

    Olá, Hélio Crosta.

    Bom, certamente você sabe que não escreveu um conto dos mais fáceis, rs. Mas, antes de falar do enredo maluco, queria falar da escrita.

    Fiquei impressionado com a fluidez da narrativa, apesar da trama mirabolante e dos muitos termos biológicos. Usar um vocabulário tão incomum e ainda assim trazer um texto limpo, dinâmico, até fácil de ler, requer muita habilidade. É uma escrita madura, desenvolta. Li o conto mais de uma vez, sem nenhum engasgo. Gosto de ver esse domínio narrativo, conta muitos pontos pra mim.

    Mas facilidade de ler não significa facilidade de compreender, rs. Não vou mentir dizendo que realmente entendi. Durante as duas primeiras partes, eu ainda estava imbuído na tarefa de decifrar o universo. Mas, no último ato, quando Broto entra na história, vi que não ia conseguir e desisti, só curti a aventura e as descrições.

    Acredito que exista explicações para todos os elementos do conto. Mas você não nos deu tantas ferramentas para decifrar. Talvez meu parco conhecimento em biologia tenha dificultado ainda mais. Pesquisei alguns termos para tentar me situar, mas não consegui chegar a uma conclusão satisfatória. Creio que o limite apertado também tenha tornado sua tarefa mais complicada. Mas, no fim, achei o texto hermético, o que pra mim é uma falha.

    Por outro lado, a ambientação brilha. O mundo criado é muito criativo – muito maluco também, rs – e as descrições são bastante visuais. Fiquei o tempo inteiro com Avatar, do James Cameron, na cabeça. Mas uma versão visceral, literalmente, daquele mundo fofinho de Pandora. Saginata acabou se tornando um monstro muito interessante, com sua descrição pavorosa e suas flechas-anzóis. Mesmo na última parte, quando me perdi de vez, gostei de acompanhar a jornada por conta dessa ambientação e pelas descrições intrigantes. Esse é um ponto de excelência do conto.

    No todo, acabei gostando bastante do conto. Normalmente perco facilmente a paciência com obras que não entendo. Mas a ambientação foi tão interessante que fiquei preso a ela e me diverti até o fim. Mérito da sua escrita.

    Abraço e boa sorte no desafio.

  4. Fabio Monteiro
    19 de março de 2021

    Resumo: Sete irmãos (não sei bem o que são) percorrem rios de linfa buscando o ápice da salvação. Eles são orientados pelo então chamado de Paiii, personagem que parece guia-los a fecundação, reprodução, mitose, ou seja lá o que for. ( O que é isso? São Gametas? São células malignas?).

    Pontos fortes: Eita texto de dificílima compreensão. Eu não li uma, mas cinco vezes para tentar compreender o real sentido da narrativa. Está além da minha capacidade.
    Compreendo os termos usados por quê alguns são comuns no meu dia a dia de trabalho. Entretanto, eles dão margem a outras interpretações. Por exemplo: células que protegem o corpo de invasores maléficos. Algo comum no câncer ou em infecções que acometem o corpo humano. O narrador utiliza varias expressões que sugerem tratar-se de um processo infeccioso (ex; bile cristalina, liberada quando o corpo tenta expulsar algo que não esta lhe fazendo bem)
    Apoptose: morte programada das células.
    Por isso não captei a mensagem.
    O final parece revelar se tratar da formação de um novo ser, mas é sugestivo…Que ser? Maligno, benigno? Aff…

    Ponto fraco: Exatamente pela dificuldade fraseada e os termos pouco comuns para muitos, seu texto, caro autor, deve entrar para o ranking dos mais difíceis.
    Eu também não sei onde e em que momento as engrenagens entram.
    Se for uma síntese celular, ficou além do compreensivo.

    Comentário geral: Faltou algo. Mesmo que minha percepção esteja correta e, se trate mesmo de uma síntese celular (maligna ou benigna), faltou impacto. Não senti uma conexão com o tema proposto.
    Vejamos quando os comentários forem abertos. Espero não estar sendo tão rígido na minha análise. Pode ser que você tenha conquistado melhor os outros participantes deste certame.

    No mais, desejo lhe Boa Sorte.

  5. Catarina Cunha
    18 de março de 2021

    Criação: A emocionante saga de uma família do sistema imunológico lutando bravamente contra tumores, vírus, bactérias e ziqueziras? Que nem uma terrível solitária consegue vencer? Não sei se entendi, mas o que entendi gostei. Olha só, o conto é desafiador, logo exige um pouco mais de conhecimento científico desta leitora. Acho que matei muitas aulas de ciência. Alguns personagens só identifiquei com ajuda do Dr. Google, como a “apoptose”. Só aí entendi a grandeza da guerra travada constantemente dentro do corpo.

    Engrenagem: Tem bom fluxo para uma linguagem truncada para reles mortais, mas a ousadia me ganhou; mesmo com o texto precisando dar uma enxugada (tirei um pontinho aí). Se o desafio fosse sem limites de palavras, acho que você estaria escrevendo um romance épico, daqueles que o cara morre e não termina.
    Ando meio enjoada de contos seguindo padrões, tipo “receitinha sagrada do bolo da vovó”. Tem muita gente boa por aí que não suporta que alguém ouse colocar uma pitada de noz moscada na receita. Eu já estou no estágio (evolutivo ou involutivo) de meter pimenta no bolo; e coma quem quiser. Gostei de sua noz moscada.
    Destaque: “Já descendo o rio vi quando Saginata, o verme hermafrodita gigantesco, alto como dez homens, o general consumidor de tantas almas, devorou as carcaças de meus irmãos e do Paaai.” – Lembrei que tenho que manter minha dose anual de vermífugo em dia.

  6. Jorge Santos
    14 de março de 2021

    Olá autor. Este seu texto… espere … vou fazer uma segunda leitura …. Creio que vou precisar de uma terceira. É complexo tentar sequer indicar o contexto do conto. Ao que tudo indica, é uma mistura entre o interior de um corpo e a realidade, onde se misturam cidades e florestas com partes do corpo e a todo o momento estamos perante a luta do organismo contra uma infecção. No final, dá-se o encontro entre o masculino e o feminino e nasce o embrião que termina a luta. Pelo menos foi esta a leitura que fiz. Num texto mais complexo, convém dar mais pistas. Tal como foi apresentado, a imaginação do leitor fica a divagar no vazio, sem conseguir encontrar uma analogia – até que uma de duas coisas acontece: ou o leitor aceita a derrota e abandona a leitura, ou o leitor assume que nada do que está a ler é real e concentra-se apenas na acção (que também é confusa). Para aumentar ainda mais a confusão, creio ter encontrado erros gramaticais, mas como português que sou não estou habilitado a indicar, porque podem ser formas perfeitamente legais no Brasil. Um exemplo: na frase “Desesperado, ao observar Eugênia morrendo, dei-a várias doses de um soro experimental com vírus carregados de fragmentos de DNA dos fungos”, em Portugal a forma verbal “dei-a” seria substituída por “dei-lhe”, enquanto que no Brasil tenho visto “ lhe dei” – nunca a forma “dei-a”.

  7. Andrea Nogueira
    13 de março de 2021

    O corpo como metáfora da vida física e social. Uma história sobre a criação da vida e de sua luta pelo equilíbrio e sobrevivência. E mais pode ser lido no conto: como o homem se fez corpo, se fez Deus.
    O conto responde plenamente ao tema do desafio.
    Bem escrito gramaticalmente e articulado (ideias), tema e narrativa bem desenvolvidos.
    Mas é um texto difícil, hermético: o vocabulário, o assunto/espaço do conto (o corpo biológico) prescindem de um conhecimento prévio mínimo do leitor para seu pleno entendimento, tanto de seu sentido intrínseco quanto metafórico.
    O conto permite várias leituras: uma história sobre a evolução do corpo biológico, quanto à evolução da vida e relações sociais (corpo = individuo; sistema orgânico=sistema social). Mas qualquer leitura leva às mesmas questões morais: o livre-arbítrio e o aperfeiçoamento (eugenia) do sistema humano.

  8. Fheluany Nogueira
    12 de março de 2021

    O corpo e sua reprodução vistos metaforicamente?

    Um conto muito bem escrito, com uma trama que traz várias possibilidades de interpretação e ao estilo da narração de Hélio Costa, vigorosamente autoral, conduzido por tom grandiloquente e um jeito austero de analisar os dados.

    Tive que ler mais de uma vez para pegar bem a ideia e ainda fiquei na dúvida se o narrador é um óvulo ou um espermatozoide (ou outro).

    É um trabalho de opção estética que demonstra grande competência, traz unidade rítmica, uma cadência calculada, construções inspiradas e vocabulário rico. O(a) autor(a) usa a técnica para construir seu espaço particular, seu mundo imaginário entrecortado por “vermes e criaturas primitivas, fluidos e organelas rasgadas”.

    Parabéns pelo trabalho e boa sorte no desafio. Abraço.

  9. Eduardo Fernandes
    11 de março de 2021

    Este texto não é muito diferente de um texto de fantasia em que se jogam imensos conceitos e nomes e lugares estranhos ao leitor. Na minha opinião, tem o mesmo problema que muitos textos de fantasia: parte do princípio que o leitor sabe (ou deveria saber) o mesmo que o autor e por isso não se preocupam em descrever ou explicar.

    Carcinoma, linfa, reação histamínica, Saginata, acho que o autor despeja termos técnicos sem a menor preocupação em explicá-los o que deixa o leitor perdido. Além do mais, o grande volume de termos técnicos faz com que o leitor perca o interesse. É até um pouco pedante, como se o autor quisesse mostrar o quanto sabe do assunto.

    Não é que não se possa fazer isso, mas os termos precisam fazer parte da estória e serem contextualizados, não estarem lá só porque sim.

    Enfim, foi duro ler o texto até o final.

  10. cgls9
    10 de março de 2021

    Uma viagem através do Corpo. Muitos termos científicos e uma jornada em busca de conhecimento, da pequena criatura chamada de 8. Seria um vírus? Uma célula de proteína? E a ameaça que surge para aniquilar seu Paaai e irmãos, seria a vacina?
    É um conto imaginativo, criativo e, apesar do clima e a tensão da “caçada”, é até, divertido. Muito interessante mesmo. Algo que pode, que pede um desenvolvimento maior. Mas aí, é com o dono (a) da história. Parabéns e boa sorte .

  11. Regina Ruth Rincon Caires
    7 de março de 2021

    As Crônicas de Corpo (Hélio Crosta)

    Comentário:

    Confesso que o texto, para mim, não foi de fácil entendimento. É um conto que contém muita familiaridade com termos científicos (Biologia, Genética, Patologia), e entendo pouco ou quase nada disso tudo. Mas percebe-se que cumpre o tema CRIAÇÃO/ENGRENAGENS num imbróglio gigantesco. Fala da concepção, desenvolvimento intrauterino, nascimento, e desemboca na morte de um ser. Não posso afirmar de qual ser ele trata, mas tem vida. Sei que há um corpo como abrigo. E seria o corpo de um pai? O pai teria sido um geneticista, a filha Eugênia sofreu uma transformação, metamorfoseada em água, raiz. Como você pode observar, Hélio Crosta, eu entendi muito pouco. Percebi o movimento do texto descrevendo a criação e estruturado na engrenagem da evolução.

    Mas vamos à escrita. Não é uma narrativa fácil; nem para escrever, nem para ler. Fico imaginando o tempo despendido para a construção do conto. Cada parágrafo, cada termo científico, cada descrição. Exige muito afinco, pesquisa, imaginação. Acho admirável. Texto deste teor não nasce de uma narrativa de lembranças, de contação; precisa de detalhes estudados, conexos. Nominar todas essas particularidades do mundo genético, do funcionamento de um sistema vivo de qualquer espécie é luta árdua. Claro que o autor deve ter imenso conhecimento sobre o que colocou no conto! Mas, de qualquer maneira, é um trabalho árduo. Eu jamais seria capaz de tal façanha.

    Dizendo tudo isso, confesso que não encontrei leitura fluente. Fiz inúmeras leituras, e pesquisei cuidadosamente, procurei assimilar o máximo da mensagem contida no conto, com muito boa vontade. A leitura não foi fluente, mas não pela qualidade da escrita. A escrita é perfeita, concatenada, limpa. O bloqueio ficou por conta desta leitora limitada no teor da trama.

    Parabéns, Hélio Crosta!

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

  12. Elisabeth Lorena Alves
    3 de março de 2021

    COMENTÁRIO
    Texto interessante, como começo, meio e fim. Apresenta a trajetória de algo ou alguém similar à uma célula. Por serem oito pensei que fossem em um embrião (blastômeros) em estado de mórula. Mas a localização inicial pode identificar algo perigoso, por causa do tal carcinoma e tal. Porém, parei de querer ressuscitar as poucas aulas de ciências físicas e biológicas do meu livro do quarto ano. Confesso também que pedi ajuda aos universitários – fiz minha irmã que é de Biológicas ler o texto. Ela aponta um monte de coerência e incoerência interna, então deixei para lá.
    Vou ver o texto só como história de uma célula – sem analisar se é cancerígena ou não. Ok, antes que você diga eu sei que o tal ser vai terminar o texto dizendo: “ (…) então eu já era unha, osso, quelóide e bile cristalina. Estava coberto, dos pés à cabeça, por alguma substância escura tal crosta de sangue seco. Eu era garras-espinhos-dentes.” Bem, o embrião humano tem informação genética de dentição e não dente, logo não sei o que é. Mas a frase: “era a promessa de dor sem cessar.” remete ao sofrimento e câncer é fonte de sofrimento álgico, logo, poderia ser uma célula cancerígena. Então, foquemos só em célula – e você, Hélio Crosta me perdoe se estou viajando na maionese, mas a viagem não vai negativar seu esforço.
    A narrativa apresenta o nascimento ou morte de algo – uma célula, suponho. E morte porque aquela trocadilho com a semântica carnavalesca – Hora da Apoptose – significa exatamente a morte de uma célula ou “suicídio celular”, que no texto daria a ideia de mártir, porém, há a informação de formação do corpo nas palavras do narrador. O que pode dizer que essa apoptose gerou vida – poderia ser um feto ou uma tumoração. E mais adiante aparecem os fagócitos – que na minha época de ensino fundamental eram “células cuja função primária é identificar, ingerir e destruir patógenos.”, mas aqui parecem ser inimigos do narrador e do broto: “Fagócitos começaram a invadir o domo quando senti-me tomado de um ódio assassino que jamais senti.”
    Deixando de lado a Biologia e logo, o jogo semântico à ela correspondente e de difícil análise pelo total desconhecimento do assunto – por esta comentarista – o texto cumpre seu papel no que tange a estrutura: Tem começo, meio e fim. Tem clímax – que é exatamente a Apoptose. Tem personagens, enredo, narrador bem marcado – que é também a personagem principal. É, em toda sua extensão, uma prosopopéia porque o há atribuições de todas as atividades humanas relacionadas às personagens. Paaai foi um geneticista; o narrador deambula, pensa e cria relações com terceiros como se fosse um ser humano no campo do real. Aqui, abro um parênteses: O pai pode ter sido um humano antes de se transladar para o Corpo. Ele declara que estava na Terra pós Guerras das Guerras: “Há muitas dezenas de ciclos solares, antes do Corpo houve outro mundo, mas esse morreu queimado e irradiado. Chamavam o mundo velho de Terra.” E esse excerto também pode justificar a inserção do conto no tema Criação, já que ele descreve todo o processo quando mostra o que houve com sua filha do geneticista, que depois de ser exposta à radiação residual, sofre uma mutação e assim, seu corpo cresceu, se espalhou, enraizou no ambiente já destruído pelas bombas e formou montes, porções de água – poços lagos. Seu desaparecimento limpou o mundo – que para o Paaai é um novo mundo criado. Logo o Paaai é o criador – mesmo que acidental, de tudo, pois foi sua interferência na enfermidade da filha que originou tudo.
    Voltando ao panorama semântico, no nome da jovem mulher que dá origem ao novo mundo, surge a informação onomástica para explicar a seguinte fala do Paaai: “(…)Eugênia” foi o nome que a mãe escolhera, como se pudesse prever o futuro.” já que significa: bom nascimento, bem nascido, nobre. Em alguns estudos onomásticos há o apontamento semântico de ‘nova geração”, mas é uma corruptela do sentido etimológico. Assim, tanto os significados anteriores quanto o considerado a deterioração do étimo serve de explicação para escolha profética da mãe de Eugênia.
    Ainda no plano da Linguagem,o conto utiliza dois campos semânticos, maiores: o biológico e o terrestre – “Junto às raízes calosas duma árvore que parecia tocar os céus “ , esse último abrangendo também ao espaço aquático: “Um rio de linfa, meninos, é algo muito bom – ele dizia, sentado à margem do córrego.“ Estes espaços são semanticamente bem marcados: rio , margem, córrego, boiar, rede, pesca, guardar no balde e balsa… Vale destacar que o campo semântico aqui assinalado refere-se à uma Geografia própria do texto, porém similar à nossa realidade, como se vê no seguinte excerto – odeio essa palavra; “Era manhã e pescávamos, como em todos os dias, quando o Paaai apertou os olhos ao notar uma estranha coluna de fumaça negra no horizonte, talvez além da Cordilheira de Ossos.”
    Além da Geografia o conto apresenta uma espécie de nova Alvenaria típica do ambiente já que o “revestimento carcinoma-cartilaginoso” era proveniente de uma “uma reação histamínica” e, a casa formada aleatoriamente foi esmerilhada para ser uma habitação.
    E, antes de concluir, vale salientar que há uma amostra de Sinestesia muito interessante no conto. “ Deliciei-me com a expressão de medo do verme e das criaturas primitivas (…)”. Achei supimpa! O deleite do paladar sendo atribuído à visão e ao sistema cognitivo.
    A título de conclusão, talvez o texto exige um leitor com mais conhecimento básico dos termos essenciais para a construção de interpretação baseada na linguagem e imagem, porém, com esforço e boa vontade dá para compreender o que estamos buscando no Desafio: o bom uso do tema e nesse quesito o autor se saiu bem e de quebra ler algo fora da curva de interesse. Parabéns e boa sorte.

  13. Felipe Lomar
    2 de março de 2021

    me impressionei com a criatividade! vejo que estou diante de um fantasista muito criativo. porém, é realmente difícil criar um mundo e descrevê-lo em tão poucas palavras. terminei o texto com a sensação de precisar saber mais detalhes, que por mais que alguns tenham sido comentados no decorrer do conto, o foram de forma apressada, por causa do tamanho reduzido. Um bom ponto positivo foi a bela descrição do ambiente. Não sei se você é da área das ciencias biológicas. Se for, eu admiro muito quem compartilha seus conhecimentos específicos por meio da arte. se não for, fico admirado de verdade pelo ótimo trabalho de pesquisa. Uma dúvida: qual foi a razão de escrever “paaai” deste jeito? não peguei a referência…

  14. angst447
    1 de março de 2021

    Voltei. Sentiu minha falta?
    Esqueci de comentar sobre o seu pseudônimo – Hélio Crosta. Acredito que seja uma referência ao jornalista Hélio Costa, senador e deputado federal. Crosta já me levou de novo ao mundo escatológico depois da seca.
    Onde tudo começou – nas franjas limítrofes – Limítrofe. adjetivo Localizado ou contido nos limites de um terreno, de uma área, de uma extensão – limite do corpo… no ânus? Onde????
    Como se alimentavam os oito irmãos – pescando no rio de linfa – pedaços de plaquetas – ribossomos – Rios arteriais ou venosos
    A linfa é um líquido que impregna o corpo, produzida quando o sangue atravessa os vasos capilares e vaza para o corpo; deixam passar o plasma sanguíneo, contendo oxigênio, proteínas, glicose e glóbulos brancos.A composição da linfa assemelha-se com a do sangue, exceto por não possuir hemácias. contribui com o transporte e remoção de substâncias em diversas partes do corpo.
    Humm… agora juntando as informações biológicas com a ilustração escolhida para o conto, tive uma luz… quem sabe?
    A cisticercose ocorre quando o ser humano ingere ovos da tênia. Os embriões são liberados no intestino, alcançam a corrente sanguínea, e as larvas fixam-se nos tecidos. Essas larvas podem fixar-se, por exemplo, no globo ocular.
    fonte; https://brasilescola.uol.com.br/doencas/teniase.htm
    Li que a Saginata não possui os tais ganchos no rostro… e também esses sujeitinhos aí ficam perambulando pelo corpo, ora parecem estar no intestino, ora no estômago, ora no globo ocular.
    Quer saber? Nada faz sentido.Só não pode dizer que eu não me esforcei para entender o seu texto. Liberto-me do meu cativeiro, das algemas da curiosidade. Vou aguardar a versão resumida da interpretação do seu conto. Ou não.

    • angst447
      14 de março de 2021

      Veja só, autor, já estão falando de nós por aí. Da nossa relação tumultuada, do cativeiro a que submete com as suas palavras. Minha reputação nunca mais será reabilitada.
      Tudo o que eu queria era uma vacina. Para me poupar dos riscos maiores dos vírus que me apavoram. Falo de você, autor, que viralizou em meu cérebro a sua narrativa. E não me venha com cloroquina, nem polêmicas, eu quero é vacina.

  15. Priscila Pereira
    28 de fevereiro de 2021

    Olá, Hélio!
    Então, não sei se entendi o seu conto. Pode ser uma fantasia aleatória sobre Eugênia, por causa de um envenenamento nuclear e um pai que trabalhava na genética, se transformou em um ser que envolveu e modificou a Terra, ou se é uma metáfora sobre uma coisa concreta, tipo o câncer.

    De qualquer forma, eu gostei da leitura. Mesmo com aquele incômodo de não ter entendido profundamente como eu gostaria, mas a leitura foi fluida e interessante.

    O conto está inegavelmente bem escrito e dá pra notar que o autor é maduro e experiente na escrita. As imagens que o conto evocou foram originais e perturbadoras. Gostei da experiência.

    Quando puder, desvende o real significado do conto, por favor, não gosto de não entender as coisas direito.🤔🤷🏻‍♀️

    Parabéns pela participação e pelo conto original!
    Boa sorte! 😘

  16. Fernando Dias Cyrino
    27 de fevereiro de 2021

    Olá, Hélio Crosta, caramba, que viagem foi essa que fiz por dentro do corpo! Senti-me como uma pessoa num trem passeando por um mundo absurdo e no qual ele não reconhece nada nas paisagens. Ele se encanta com o visual absurdo e diferente, mas não entende os porquês daquilo tudo. Pois é, amigo. Preciso lhe confessar isto. Seu conto me trouxe um grande estranhamento e sem dúvida que esta é uma das funções primordiais da arte. Mas faltou também a chave em mim para o entendimento. Creio tratar-se de incompetência minha, sabe? Via-me em aulas de biologia, reconhecia termos e vermes que vivem no nosso interior, mas só isto. O para aonde estávamos indo e o motivo da viagem permanecem obscuros para mim. Bacana sua coragem e criatividade e num Desafio sobre criação, sem dúvidas que a sua história conta. Mas fico cá com os meus botões me perguntando se você não pegou pesado demais, sabe, amigo? Tomara que outros tenham tido a competência que eu não tive e alcançaram o seu conto. Meu abraço.

  17. Luciana Merley
    25 de fevereiro de 2021

    As Crônicas de Corpo

    Olá, autor.

    Juro que li com muita atenção umas 5 x e consegui, com a preciosa ajuda de um EContista, compreender uma parcela significativa (eu acho) do seu conto, o suficiente para dedilhar algumas palavras avaliativas.

    Critérios de avaliação CRI (Coesão, Ritmo e Impacto):

    Coesão – É óbvio que trata-se de uma jornada pelo corpo (como está explícito no título e nas várias referências anatômicas e fisiológicas que você nos dá). A dificuldade foi para saber do quê exatamente você estava falando e quem eram os seus personagens. Na realidade, entendi que a filha Eugênia sofreu poderosíssimas transformações radioativas e cresceu a ponto de ocupar toda a terra devastada. Compreendi também que o Paai e os outros (filhos naturais ou adotivos) viveram de certo modo protegidos por esse Corpo até a chegada da Taenia, a lombriga devoradora. Não sei se estou louca, mas pensei em baratas o tempo todo. Talvez por ter ouvido que elas sobrevivem à radioatividade (rsrsr), ou-e talvez, pelo submundo que você criou, meio que “inseticídico” (kkk) de seres se movimentando em meio à gosma (arg). Você deve ter batido na testa agora dizendo “que besta essa moça! Decifrou a pamonharia e não captou nada do meu mundo super mamão com glicose”… Não se preocupe, não acho que sejam baratas. Quanto ao ser no final, pensei num embrião no útero graças à cobertura esbranquiçada a que você se referiu, mas fiquei novamente confusa quando a criatura sai andando (kkk). Então me pareceu uma criatura bem mística numa hiperdistopia improvável – inacreditável. Estou certa de que não captei muitas das suas ideias (talvez a maioria) mas admiro a ousadia e a construção linguística excelente.

    Ritmo – A dificuldade do texto torna o ritmo mais “agarrado”, contudo, não pela linguagem, que sim, é primorosa. Eu diria que é um experimento de linguagem, desafiador como já tivemos outros por aqui. Eu gosto desse tipo de escrita, apesar de correr o risco de compreender pela metade.

    Impacto – É o tipo de texto sobre o qual passamos a falar quando lemos (vide as conversas no grupo), logo, claro, é impactante. Nesse caso, como disse, especialmente pela linguagem muitíssimo bem conduzida e pela ideia, mais ainda, original. Outro aspecto que me agradou é poder recordar esses termos anatômicos e fisiológicos que tanto me deixaram sem dormir na graduação (que já deixei para traz faz tempo).

    Parabéns e ansiosa pela “decifração” de mais esse experimento secreto dos Laboratórios EC e Cia.

  18. Anderson Prado
    24 de fevereiro de 2021

    Há competência na escrita e inteligência no desfecho. A identificação do tema do desafio foi confiada ao leitor. Há um certo pedantismo na escolha do vocabulário, do tempo e da pessoa verbal. O enredo é vago – sensação que se aprofunda com a escolha dos nomes de personagens e locais. No geral, gostei da leitura, mas mais pela escrita competente e enredo criativo e inteligente, do que pelo gênero e opções estéticas.

  19. angst447
    24 de fevereiro de 2021

    Então…não sei se entendi o enredo do seu conto, mas achei bem criativo, uma aula de biologia ou coisa do gênero. Não me entenda mal, sempre adorei ciências biológicas, mas apesar dos termos até compreendidos, não consegui alcançar a magnitude da ideia exposta.
    O tema Criação foi abordado pelo autor.
    O conto está bem escrito, empregando uma linguagem um tanto técnica em algumas passagens, jargão dos cientistas ou biólogos. Sinto que é uma construção narrativa genial, mas que não pude desvendar como gostaria.
    Saginata é a Tênia, verme parasita de diversos animais vertebrados, inclusive do homem. O monstro/antagonista da narrativa eu descobri, mas e os oito irmãos?Só se forem os embriões do verme, que invadem a circulação sanguínea, disseminando-se pelo organismo do porco e depois passam para o humano, quando são re-engolidos. “[…] éramos de certa forma extensões de uma coisa só.”
    Nos recônditos mais remotos da Carne > já pensei lá no intestino…
    como citou carcinoma, pensei em um tumor maligno, mas se a casa era branca, câncer nos ossos ou alguma cartilagem?
    se houve um mundo antes da Carne pode ser a carne suína mesmo?
    Paaai – me lembrou daquele doidinho do Henri Cristo que falava assim. Não sei o que significa como característica o “rosto escuro e cheio de dobras”
    Gostei do ensinamento = ““Respeite o Corpo e Ele proverá. Abuse do Corpo, e Ele Consumirá!”
    Desisto de elucubrações. Enfim, não tenho roupa nem diploma de doutorado para entender o seu conto direito. Depois me explique, por favor.
    Boa sorte.

    • angst447
      25 de fevereiro de 2021

      Vou continuar mais um pouco a minha saga pelo entendimento deste conto [É masoquismo que fala?].
      Eugênia poderia representar a eugenia, que é a seleção dos seres humanos com base em suas características hereditárias com objetivo de melhorar as gerações futuras. Defesa da ideia de que raças superiores e de melhores estirpes conseguem prevalecer de maneira mais adequada ao ambiente. A menina Eugênia prevaleceu mais adequada ao ambiente Corpo/Cemitério após a Guerra das Guerras?
      Paai diz que sua especialidade era “genética”, seria um cientista querendo criar a eugenia de espécies?
      Paai também conta que quase foi devorado por um enxame de leucócitos. Ou seja, deve ser uma espécie de microrganismo patógeno, parasita.
      “o Paaai inseriu uma semente no solo, que sangrou. Logo, uma reação histamínica, de rejeição […] e a casa, de um branco translúcido, ergueu suas paredes, atraiu capilares e se espalhou.” = essa passagem me fez pensar na perfuração da parede intestinal pela larva tornando-se um cisticerco, que vai virar depois, dentro de um outro hospedeiro, a tênia.
      O final não é uma apoteose, mas sim uma Apoptose, um tipo específico de morte programada celular para garantir a manutenção de tecidos e órgãos, evitando que células com problemas ou desnecessárias comprometam o funcionamento adequado do organismo.
      Como o narrador diz que está coberto por uma crosta e agora é unha, osso, queloide e bile cristalina, imaginei que fosse um amontoado de células mortas. Já que a unha é pouco mais que um cemitério de células, resultado do tal suicídio celular.
      Cansei. Se tiver outra ideia, passo aqui de novo. E o autor que lute para ler tudo isso depois.

      • angst447
        2 de março de 2021

        Mais uma possibilidade de interpretação – metástases. Como foi citado carcinoma, então poderiam ser um tumor nos ossos.
        “As células possuem a capacidade de se desprenderem do tumor e de se deslocar. Invadem inicialmente os tecidos vizinhos, podendo chegar ao interior de um vaso sanguíneo ou linfático e, através desses, disseminar-se, chegando a órgãos distantes do local onde o tumor se iniciou, formando o que chamamos de as metástases.”
        Fonte – https://www.inca.gov.br/como-se-comportam-celulas-cancerosas
        Agora quem seria Eugênia? O tumor que se alimentou de radiação [radioterapia- bomba H] e acabou sucumbindo?
        “antes de Corpo houve outro mundo, mas esse morreu queimado e irradiado” – seria um tumor que morreu queimado por radiação da radioterapia?
        Se são carne da Carne, podem ser metástases do tumor primário.
        Sei lá, autor, você e seu texto me esgotam. Não podia ter escrito uma trama mais simples, tipo “batatinha quando nasce espalha ramas pelo chão”? Mas não, tinha que escolher um drama carcinogêneo se espalhando pelo organismo ou coisa do gênero. Se eu não estivesse tão fascinada pela história, te odiaria … mas eu não odeio ninguém… nem mesmo o Paai e seus filhotes. Ou sim?

  20. antoniosbatista
    23 de fevereiro de 2021

    Achei o conto diferenciado, com o subtema fantasia/syfy, abordando um mundo análogo a um corpo biológico. Gostei do argumento, da criação dos detalhes do mundo, porém, tal “criação” é algo genérico.

    No entanto o pai foi causador do acidente e se não fosse ele, o mundo não teria sido criado. Não me aprofundei se há discordância a respeito dos elementos com a realidade, acho que a ideia no todo, é muito boa e erros mínimos devem ser deixados de lado.

  21. Ronaldo Brito Roque
    23 de fevereiro de 2021

    Parece se tratar de uma família de micróbios vivendo num corpo humano. Como não entendi muito bem, abstenho-me de votar e de criticar. Esse não foi um conto que pude apreciar. A vida é assim. Temos que conhecer nossos limites.

  22. thiagocastrosouza
    22 de fevereiro de 2021

    Caro Hélio, parabéns pelo conto! Mais uma ficção científica no páreo, e essa me agradou um bocado. Inicialmente pensei se tratar de um conto metafórico, com analogias para a maneira como o nosso corpo funciona e gera a vida, mas você desenvolveu, com muita pesquisa, aparentemente, um mundo pós apocalíptico tão orgânico quanto primitivo. A ameaça é assustadora e hostil, mas a solução é extremamente satisfatória para quem está lendo: o corpo encontra recursos nele mesmo para sobreviver, um novo recomeço, uma nova criação. Creio que todos os nomes e termos tem razões narrativas, desde “Eugenia” até o “Paaai” com três a’s, se referindo à alguma formação genética.

    Apreciei também a forma como o universo foi apresentado, com poucas informações diretas e explicativas, tirando o trecho do pai esclarecendo aos filhos a origem daquele mal. No geral, vamos nos apropriando do universo conforme o andamento da história e, quando se entende que o mundo é o corpo estendido de Eugênia, tudo se esclarece e embarcamos empolgados até o desfecho.

    Os temas do desafio foram contemplados: a criação na ideia de um novo Gênesis sobre um mundo orgânico e as engrenagens em todo o caos criado pelo pai na tentativa de salvar Eugênia.

    Parabéns!

    Grande abraço!

  23. Kelly Hatanaka
    21 de fevereiro de 2021

    Caramba! Lamentei aqui meus parcos conhecimentos de biologia/anatomia. Mas isso não me impediu de apreciar esse mito da criação tão original que é seu conto. Adorei essa imagem de um mundo orgânico, vivo e da vida que se desenvolve dentro dela. Senti falta de uma descrição mais detalhada do Paaaai e dos irmãos, mas isso não foi um problema, gostei de imaginá-los à minha maneira.

    O seu conto me remeteu a um desenho animado da Cartoon, o Hora de Aventura, que sempre pareceu estar tentando dizer mais do que mostrava, como se tivesse uma historia maior por trás dos episódios. Senti isso no seu conto. Senti uma riqueza de simbolismos e assuntos, como se fosse uma parábola que ilustra uma grande verdade.

    Parabéns!!!!

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Publicado às 21 de fevereiro de 2021 por em Engrenagens da Criação e marcado .
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