EntreContos

Detox Literário.

O andarilho do céu sem estrelas (Bibi Cammarota)

Ele caminhava sem destino, não por não saber aonde ir e sim porque ali, naquele lugar nenhum, nada havia, nem ao menos um destino. 

Seus passos lentos sentiam o terreno onde pisava. A cada andar seu, o solo se transformava em textura, resistência e natureza. Palmilhou por areia das dunas de areia, pela umidade dos pântanos, pelo frescor florestas, pela fluidez dos mares, pelo vazio do espaço. 

Era um andarilho das estrelas, sem estrelas por onde andar. Um andarilho das estrelas solitário. Essas palavras ecoavam algo sobre ele, sentia.  Qualquer coisa sobre ele, sobre sua história, sobre quem ele era. Pois, como o céu sem estrelas acima de sua cabeça e sob seus pés, sentia-se um nada errante pela imensidão. 

Não tinha noção de quem era, de como ali fora parar e muito menos de quanto tempo se encontrava naquele mundo que se transmutava a cada respirar seu. A única constante era ele, seu corpo, sua roupa negra, seus cabelos negros, seus olhos escuros. Sua pele, no entanto, era branca, tão branca, como as luas de… Sim, como as luas de… quase se recordava desse nome, quase.

Ele, o andarilho do céu sem estrelas. 

Parecia um sonho. Ou um pesadelo. Não se lembrava de quando estava acordado. Não conseguia despertar. Talvez não pudesse despertar. Morto?! Mas como, se seu corpo era sólido? Como, se, muito embora nada soubesse de si, gritos lhe vinham aos ouvidos? Dor de pessoas que nunca viu? 

Assassino.

Seu corpo se retesou, como se uma faca o penetrasse seu coração, torturando-o vagarosa e insuportavelmente. Sua mão apertou o peito e ela não estava manchada de sangue. Sem cortes. Mas com dor. Dor na alma. Dor nele todo.

Você destruiu tudo o que amamos!

Fogo em planetas. Fogo em cidades. Fogo sanguinário em cada lar. Fogo em um pequeno prédio isolado.  Um templo. O templo dos…

  Sofrimento, tanto sofrimento…!!!

Traídor!

– Vocês me traíram primeiro! Todos me enganaram!

Abismou-se. Por que respondera assim? Não sabia do que falara. Não entendia sua revolta em algo que não lembrava.

Imagens surgiam à sua frente, dentro dele, ao redor dele. Inserido nelas, tão reais e paradoxalmente tão etéreas! Mundos explodindo. Destroços em sua direção, pedaços de globos passando através dele.  Um feixe vermelho e mortal, cortando o espaço. 

Por que nos matou? Por quê? Para quê?

Bilhões de vidas sumindo como estrelas desfalecendo. Algumas vidas , sob o signo da amargura, sobreviventes de seu ódio e da aniquilação. A tristeza deles o envolvendo. A mágoa. A desesperança. A raiva. Ondas e ondas de vibração afiada esmigalhando sua alma, sua mente, seu coração.

– Eu não queria! Nunca quis!

Ajoelhou-se pela agonia exasperante, interminável e cruciante que gritava em seu espírito.  

Mentiroso!

Um sabre de luz. Vermelho… como o sangue de todos eles. Selvagem. Um cristal cyber quebrado. O coração partido.

Seres vinham ao seu encontro. Fantasmas de ódio, atacando-o. Rostos indignados.  Rostos irados. Rostos incrédulos diante de suas atrocidades. Rostos que não reconhecia.  Vinham e iam, emergindo do nada e voltando para o vazio.

Eu te odeio!

Socos o atingiam. Tiros de laser o transpassavam. Facadas o trucidavam. O fogo o consumia.

E seu corpo permanecia ileso e inteiro.

Aquela multidão infinita se revezava no linchamento dele indefinidamente. Violência. Ódio. Mágoa. Indignação. Ira. Tristeza. Desprezo. Todos esses sentimentos sentidos por seus agressores… e também por ele mesmo em relação a si. Pois, em nenhum momento, por mais dor que lhe fosse imposta, ele revidou. 

Porque merecia todo aquele ódio. Merecia sofrer. E desaparecer.

Quanto deveria sofrer por cada morte que provocara, cada vida arrasada, cada descendência criada sob o estigma do horror? Eternidades. Infinitas eternidades.

Então, inexplicavelmente, contra toda a lógica e expectativa, a turba se esvaneceu, voltando ao nada do qual surgira. O céu sem estrelas acima dele. Sob ele. Dentro dele. Caído sobre seus próprios escombros, arfava com o imponderável. Eles voltariam. Sabia que os fantasmas retornariam… e iriam embora novamente. E viriam mais uma vez. E outra. E mais outra.

Porque tudo era culpa dele. 

Sim. Sua total responsabilidade. Como ele pudera…? Por que causara tanta miséria? O que quer que fosse que o transformara em um monstro, não mais importava e sim seus atos. Atos que não podiam ser desfeitos. Dor que não podia ser redimida. Queria poder reverter todo o mal que provocara. Daria sua própria existência, fosse o que fosse agora, para que todas aquelas vidas machucadas, extintas e roubadas retornassem à sua origem, antes do surgimento dele, fosse quem fosse.

Quisera nunca ter existido. 

Estava despedaçado. Queria estar livre daquela dor!

Quantas vezes já refletira sobre isso? Desde sempre. Desde o sempre daquele lugar algum, de tempo nenhum. Do eterno agora. Em algum momento do não-tempo, contava os passos para que fossem um tipo de medição cronológica, para tentar ter alguma referência. Contava cada palmilhar, cada andar, passo a passo. Depois acabava por se distrair em suas reflexões, os números dos passos se embaralhavam na infinitude. Desistia, então, para retomar o ritual e tudo se repetia interminavelmente naquele lugar nenhum que era sua prisão.

Prisão. Sim… Prisão pelos seus crimes inomináveis. Vagar eterno, sem saber quem era, sem recordar seus horrores, com suas vítimas furiosas a atormentá-lo para uma eternidade.

Nada mais do que merecia. Nada menos do que a justiça. 

Venha comigo. Volte para casa.

Uma voz masculina sem rosto.

– Não posso. Não tenho mais casa. Destruí minha casa. Matei meu pai.

 Gotas de suor escorrendo por sua face.

O pai.

Um pai sem rosto, mas seu pai.

Levantou-se. O cenário agora se construíra em uma chuva de faíscas, paredes descascadas de vermelho. Vermelho-sangue.

Não vá por esse caminho.

Que voz era essa?!

– Mas eu fui.

Fitou o céu sem estrelas. Elas estavam ali, mesmo se não pudesse vê-las? E se estivessem, escondiam-se dele porque ele era o horror.

– Por que matou seu pai?!

Levou as mãos à cabeça e encolheu-se. Essa frase… essa voz… A dor ultrapassara todos os limites! Encolheu-se, abraçando-se, agachando-se. 

Monstro

– Eu sou.

O suor continuava a deslizar por sua face. As lágrimas se juntaram ao suor. Salgadas. Suor e lágrimas unidos em um só arrependimento, em um só único e contínuo segundo. A eternidade naquele segundo. O segundo perdido na eternidade. 

Seus olhos arderam tanto que precisou abri-los. E, em meio à visão deturpada pelas lágrimas, encarando o céu, as estrelas surgiram pacificamente, uma a uma, pintando o firmamento escuro. Brilhavam como lamparinas distantes, tranquilas, serenas. Uma brisa suave, noturna. Uma noite… uma noite estranhamente de paz.

Uma noite de paz que ele nunca havia dito em sua vida. 

Sua vida?

O chão encheu-se de beleza verde, relva macia dos campos verdejantes. Arrancou alguns ramos e cheirou-os. Perfume de uma felicidade longínqua. Perfume das flores que emergiam no campo, das árvores acolhedoras que nasciam da terra pacificamente, o som das folhas se ajustando nos galhos. Folhas iluminadas pelo sol que nascia em um poente, riscando ao leste o manto da noite de rajadas alaranjadas e róseas.  Era um pôr-do-sol, sim… um pôr-do-sol nascente. 

Ele se ergueu, maravilhado, não apenas pela beleza que se mostrava de lembranças ainda esquecidas suas, como também pelas recordações de sensações de amor, de acolhimento e felicidade que ele reconhecia um dia ter sentido. 

Um barulho. Um ruído diferente do fanfarrar das folhagens com o vento. Passos na relva. Passos delicados. A brisa trazendo um perfume natural e familiar, doce mas com toques secos da areia. Da areia na qual ela vivera.

Ela. 

Ela… quem? Quem era aquela moça que caminhava em sua direção, vestida com faixas trançadas brancas, pisando tão suavemente na relva que essa se dobrava docilmente ao seu peso? Essa moça de cabelos escuros e olhos levemente esverdeados, meigos, cheios de amor e compaixão…

Quem era ela, que se chegava a ele amorosamente e tocava-o no rosto com um olhar indagador?  Uma corrente elétrica irradiou-se por ele e sentiu que seu coração se apertava.

– Você ainda não se lembra. – disse ela, tristemente.

–  Me ajude.

– Não posso. Você se escondeu de si mesmo ao ponto d se esquecer de quem é. 

– Eu… eu… não consigo. Sei o que preciso fazer, mas não sei se tenho força para isso.

– Não está preparado. – ela sorriu, melancólica – Talvez da próxima vez. 

Deu as costas para ele suavemente e começou a se afastar lentamente, sem olhar para trás. 

– Não me deixe aqui!

– É você quem se deixa aqui.

– Como pode me abandonar outra vez?

Outra vez?

Ela estacou, ainda de costas para ele, os ombros tensos, esperando.

Ele balançou a cabeça, tonto

Uma mão enluvada preta estendida. Uma mão que ficou sem a dela. Um sabre… um sabre partido ao meio. O grito dela.

A porta de uma nave se fechando, o olhar duro dela. 

– Você queria deixar seu passado morrer. Matou-o, pois achou ser  preciso. Acreditou que esse era o único jeito de cumprir o seu destino. Assim você fez antes. E também agora.  – as palavras dela eram tão tristes que minúsculas estrelas caíram do céu, em uma chuva delicada.

Gosto salgado aquela chuva, pensou ele quando as gotas tocaram seus lábios. Salgadas… salgadas as lágrimas dela por mim!

Ela o deixara… não por traição, porém. Sentia isso, quase se recordando dos fatos. Quase… mas se retesou diante da emoção. Apenas aquela moça não poderia segui-lo para onde ele foi. E nem agora, onde ele se prendera. 

Um dia, pensara que poderia ser tudo para todos. Para si. E… para ela. Para ela. E, no fim, ele era… nada. Nada que valesse a pena. 

Ele era nada.

Ela se virou, ouvindo-lhe os pensamentos.

– Não para mim. Nunca para mim.

Uma explosão. Uma explosão dentro de sua mente, de seu coração. Imagens, sons, rostos, dor, alegria, vida, morte invadiram-no em um rompante, único e intenso segundo, trazendo toda sua vida naquela luz interna que rasgou seu céu interno sem estrelas. Sua vida. Sua vida de volta, com toda alegria e sofrimento, dúvidas alucinantes e estranhas certezas.

E ela. 

Rey. 

Abraçados, agora. Olhando-se profundamente agora. Beijando-se agora… o beijo, igual àquele beijo na Estrela da Morte destruída. Aquele beijo sob os tiros das naves da Resistência e do Imperador. As chispas. Estrelas cintilantes, tintilantes. 

Aquele beijo que fora a maior alegria de sua vida. Era o mesmo beijo. Poderia nele se perder novamente. Poderia morrer novamente. Estava tudo bem. 

Distanciaram seus rostos apenas o necessário para poderem se fitar em paz. Acariciava a nuca dela, como antes. Seus olhos marejados ao se encontrarem os dela, como antes. E como agora. 

Beijou-lhe a testa e envolveu-a em seus braços, sussurrando-lhe no ouvido. 

– Estou morto?

– De certa forma. 

– Então, você…

– Não… ainda. 

Segurou aquele rosto suave. Linda… linda. 

– Está tudo bem se morri. Ou se vou morrer agora. Você não está. Deve ir embora e me deixar. Seu lugar não é aqui. 

Ela deu uma pequena risada. 

– Meu lugar também é aqui. 

Também?

– O que… que é tudo isso? Onde estamos? É o Mundo entre os Mundos?

O Mundo entre os Mundos… uma lenda jedi de um lugar fora do tempo e do espaço, onde alguns espíritos se perdiam no caminho para se juntarem à Força. Ouvira essa história quando criança, contada por Luke, em uma noite após o treinamento da Academia Jedi.   

Rey o fitou, séria. Parecia estar decidindo o que fazer, o que falar. Suspirou, tendo chegado a alguma escolha. Esticou os lábios levemente, um pequeno sorriso doce. Sentou-se na grama.

– Venha, fique comigo. Venha ver o sol.

A mão dela estendida para ele. A mão dele, sem a luva, pegando a dela. 

Ajeitou-se junto a ela, enquanto assistiam a luz desbravar as trevas. 

– É um nascer? Ou um poente? – indagou Ben, sentindo que ela apertava firmemente sua mão. 

– Nascente… poente. Qual a diferença, Ben? É o sol despontando na escuridão. 

Ele aspirou-lhe o perfume dos cabelos.

– Por que veio aqui? 

Ela encostou seus lábios nos dele.

– Por você. 

– Rey, este é o Mundo entre os Mundos…?

– Aqui não é o Mundo entre os Mundos. – pegou a mão dele e levou-a ao peito dela – É o Mundo dentro do meu Mundo. 

Os olhos de Ben se arregalaram, espantados.

– Seu Mundo? Estou… em você?

– Você me deu a vida. Você se deu para mim. Mas não se perdoou do que um dia se tornou. Queria apagar o que fez. Quis matar seu passado. – apertou mais ainda a mão dele – E sem passado, seja qual tenha sido, você não pode ser e existir. Você estava se matando.

Sim… era verdade. Sabia disso. Ele se consumira no esquecimento, usando a dor do que fizera para se destruir.  Teria chegado a um ponto sem volta…? Teria simplesmente desaparecido…?

– Nunca permitiria. 

Ben se quedou a mirar a sua e a mão dela juntas, entrelaçadas.

– Não mereço mais uma chance. As vidas que tirei não tiveram nenhuma.

– E as que salvou tiveram todas.

Ele balançou a cabeça, discordando.

– Não sou o quem pensa que eu seja. 

– Você é mais do que pensa ser. Se não tivesse se redimido, se não tivesse ido enfrentar o Imperador comigo, todas aquelas vidas não existiriam. 

– Não sou nobre assim. Nem cheguei a pensar nelas quando fiz o que tinha que fazer lá. Aqui… aqui, pensando no que fui… sim. Mas não lá. Foi por meus pais. Foi por mim. Foi por você. 

– Independente do que pense, você salvou gerações.

– Eu matei gerações. Não posso trazer de volta aquelas que tirei. 

– A maioria delas não pensa assim mais. Seguiram seu caminho na Força.

– E muitos estavam aqui, fazendo justiça, me atacando.

– Justiça…? Não, de jeito nenhum. Vingança. Prisioneiros de si mesmos, como você. Prendendo você com sua ira. Você, atraindo-os com seu remorso. Não entende que seu sofrimento não basta para eles? Nunca bastará. Só alimentará a ira deles indefinidamente. Liberte-os, Ben. Liberte-se.

– E termina assim…? Eu me unindo à Força apesar de tudo?!

– Ser punido eternamente trará o que de bom? Você sofreu aqui, no meu Mundo. Trouxe seu sofrimento e o sofrimento dos outros e passou anos recebendo o ódio, a dor e a tristeza daqueles que você fez mal. Você já foi punido. O que foi feito não pode ser revertido. É um erro se prender à culpa quando já pagou pelos seus erros. Pior:  a culpa te prende e rouba a oportunidade fazer algo que valha a pena por todos.

– Não sabe o que diz. Nunca chegou ao ponto de causar o que causei.

Rey se levantou, o semblante consternado, fitando, ora o sol nascente-poente, ora as estrelas da escura noite. 

– Está enganado. Teria feito, se você não chegasse naquela hora e lutasse comigo. 

– O quê?

– O Imperador me deu a opção de salvar toda a Resistência que lutava naquele instante. Todos que batalhavam… e perdiam. E morreriam. Todos eles… todos!  Seriam poupados, se eu concordasse que o espirito de Palpatine tomasse meu corpo. 

Ben abriu a boca, mas as palavras morreram mesmo antes de serem articuladas. Ele entendia. Entendia perfeitamente o que era desejar algo de bom e terminar no precipício. Fora assim com ele… no início. Acabara por cair no abismo. Ela, não. Estivera próxima, muito perto… e saíra da beira, não por uma decisão própria, mas pelas circunstâncias. Era como… como se ela tivesse concretizado sua decisão, mesmo sem ter completado o ato. 

Levantou-se e aproximou-se dela em silêncio. Encarou aqueles olhos meigos que estavam marejados de oceano salgado.

– Compreende, Ben? Teria salvado centenas de vidas ali, naquele instante… para condenar milhões, bilhões no novo Império que Palpatine implantaria através de mim por um tempo que nem consigo imaginar. Eu faria…eu teria feito.  

– Eram seus amigos.

– Não, eles não concordariam, se tivessem sabido. Não iriam querer ser uma moeda de troca… não àquele custo. Não honrei o que lutavam. Tive medo.de não poder salvar… ninguém. Naquele momento eu sentia que seria derrotada pelo Imperador. Provavelmente seria.  – engoliu em seco  Eu teria entregue bilhões de vidas ao Imperador por amor a alguns. 

Ben passou o braço pelos ombros dela, aproximando-a dele, enquanto fitava o mesmo sol nascente-poente e as estrelas no manto da noite. Prendeu seu olhar, no entanto, no interregno, no limite, na fronteira da quente luz solar alaranjada e a negritude fria noturna. Nada era tão absoluto. Lado Sombrio e Lado Luminoso continham a semente de um do outro acalentada em seus interiores. 

– Você… se perdoou?

– Tive que me perdoar. Se não, eu não seria nada e nada poderia fazer pelos outros e por mim. E pude fazer. – alisou-lhe os cabelos negros – Ben, você cometeu erros. Arrependeu-se. Pagou por eles. Não faça de seu sofrimento e remorso o maior dos erros.

A jovem e delicada voz dela arranhou-se, não pela emoção, mas pela carga de anos. Ben voltou-se para ela e viu não mais a jovem  de vinte anos que conhecera antes e que conversara há pouco. Seu rosto estava desenhado por várias rugas de expressão em torno dos olhos, na testa, no contorno de seus lábios não mais tão róseos. Cicatrizes de batalhas também seu semblante carrega, marcando sua pele e seu coração. Os cabelos continuavam presos nos três pequenos coques, porém perderam a totalidade do castanho  brilhante, entremeando-se com mexas cinzas. Suas delicadas mãos possuíam veias visíveis. As pálpebras levemente caídas tonalizavam um novo olhar de velhas experiências. 

Anos… anos haviam corrido no mundo externo. No mundo interno, para ele, uma eternidade. Ela o esperava despertar durante anos… anos! Guardara o que ele ainda era dentro de si, presenciando o sofrimento dele e nada podendo fazer, pois tinha que ser ele, Ben, a fazer por si mesmo. Para ela também fora um tempo sem fim.

Ela o guardara para resgatá-lo. Ele fizera dela sua prisão. Trincou os dentes. Não era justo com ela. Porém Rey meneou negativamente a cabeça. Ela fizera… e faria de novo, sem pestanejar. Ficaria novamente com ele naquele tormento até que ele se libertasse. 

Aquilo, contudo, tivera um custo para ela. Um custo… alto. Visualizou o fluido vital dela, o brilho perdendo sua força, pequenas falhas no ritmo das vibrações. Ben apertou os lábios. Rey não teria muitos anos pela frente. Abrigá-lo havia consumido muito dela. Uma longa vida havia se abreviado. Talvez mais dez anos. Quinze, quem sabe. 

– Ficarei um pouco mais, se for preciso. – e seu sorriso iluminou e fez desaparecer todas os vincos de seu semblante, trazendo de volta a moça de Jakku. – Se for você precisar. 

Ele prendeu a respiração, uma possibilidade nascendo em seu coração, as imagens de viés do futuro tremulando em sua mente, chamando-o… clamando-o de novo para a vida. Aquilo era… possível?

– Uma das alternativas para você compensar suas faltas, Ben. Existem estradas adiante, na Força. E também há uma trilha de volta… que pode te levar à frente. 

Qualquer caminho que tomasse, levaria a ela, de uma forma ou outra. Qualquer escolha entre aquelas alternativas lhe traria o meio de trazer algum bem ao mal que fez. 

Os dois se entreolharam, já cientes de uma decisão tomada. Aproximaram-se, os rostos colados, as testas juntas, sorrisos emocionados, lágrimas reunindo-se aos seus lábios agora colados em um beijo. 

Ben se perdeu naquele beijo. Sua consciência se esvaia, como a areia escorrendo nas dunas de Jakku. Perdia-se novamente, porém agora não para o ódio ou mágoas, mas para achar-se em uma nova vida, em um novo corpo, em uma nova história que levaria ele, Ben Solo, dentro de si, como uma vaga lembrança entre sonhos. 

E à medida que diluía sua identidade usada por trinta anos de mágoas, violências, tristezas e solidões, ele vislumbrou uma cena da nova existência emum jovem de vinte anos e cinco anos, um cavaleiro, não jedi, não sith, mas de uma nova ordem, onde o equilíbrio se firmava no desequilíbrio harmonioso. 

Um jovem segurando a mão de sua idosa mestra, deitada na cama, despedindo-se dele. Despedindo-se dele… novamente.

– Ben…

– Estou aqui, mestra Rey. Mas sou eu, Adam.

– Não se preocupe. Não estou delirando. Deixe-me chamá-lo de Ben. 

– Sim. – aquele nome nunca lhe foi estranho. Como aquela cena de ela morrendo também lhe parecia muito familiar.

– Pudemos ter uma vida… desta vez. 

– Uma vida que sempre quis, Rey. – como assim, não chamá-la de mestra?! Foi tão… natural. Uma vida que sempre quis…

– Sempre estivemos um com o outro, mesmo quando éramos inimigos. 

– Nunca fomos inimigos. – sentia que aquelas palavras eram muito, muito antigas.

– É verdade. Nunca fomos, mesmo quando pensávamos que éramos. 

Adam sentiu as lágrimas saírem de seu controle.

– Não… vá, de novo. 

– A gente se encontra novamente, Ben.

A visão do que viria se diluiu na visão que se esvaía. E, em ambas, Rey em seus braços.

Sempre.

36 comentários em “O andarilho do céu sem estrelas (Bibi Cammarota)

  1. Bianca Cidreira Cammarota
    20 de setembro de 2020

    Oi, Pedro Paulo!

    Nossa… você não imagina como estou emocionada com seu comentário, todo ele…! É tocante a tua história pessoal ligada a assistir TROS e, ainda mais, como este conto se tornou um assunto com seu irmão. Sinceramente… comovida aqui!

    Sim, meu amigo (posso assim chamá-lo?) O desfecho da trilogia foi sofrida. Na minha opinião, TFA mostrou um potencial incrível, como introdução de uma saga que imaginei tirar meu fôlego. No entanto, TLJ foi um soco no estômago e TROS não conseguiu consertar o estrago, dando um final tão previsível…

    Independentemente da natureza humana da relação de Kylo/Ben e Rey (se seriam possíveis amantes, possíveis amigos ou qq coisa do gênero, fato que foi uma briga horrível nas redes que me entristeceu profundamente), queria colocar que, mesmo Ben tendo se redimido, o passado não é apagado. Não é uma prisão eterna, mas o custo de ações antes cometidas.

    A escolha da prosa poética, do ambiente onírico fluiu dentro de mim de tal forma que escrevi quase de uma tacada só. (infelizmente, não fiz uma revisão, o que ocasionou na permanência de erros gramaticais e de digitação). Mas a emoção da redenção, do fechamento das causas/consequências e da possibilidade de um novo futuro me encantou e me levou a escrever esse conto.

    Pedro, gostaria de saber da opinião de seu irmão do conto. E, por favor, transmita a ele toda a minha emoção em ler o teu comentário tão singelo e lindo…

    Estou profundamente grata pelas suas palavras e emoção. Muito obrigada MESMO!

  2. Andreas Chamorro
    12 de setembro de 2020

    O andarilho de céu sem estrelas

    Ben se encontra com Rey sua amada num mundo etéreo, até que toma outro corpo, mais jovem onde Rey torna-se sua mestra.

    Olá Alona! Ótimo texto. Eu gosto de textos oníricos e este conto é um baita de um texto onírico. Confesso que não sou muito fã de Star Wars mas fora aprazível ler a história de Ben e Rey. Primeiro destaco as descrições lindíssimas que fizera deste mundo etéreo, como disse, deu a impressão de estarmos, realmente, num sonho. O final para mim fora mais bonito ainda, sendo que tanto Rey quanto Ben tinham uma lembrança tênue que eram amantes mesmo agora numa nova realidade eles sendo mestra e discípulo, muito fofo! Sobre a gramática não encontrei nenhum erro grave, apenas alguns pontos cegos que obviamente sempre escapam dos nossos olhos sendo que nós mesmos revisamos os textos para o desafio. Muito interessante seu conto, meus parabéns! Boa sorte!

    • Bianca Cidreira Cammarota
      20 de setembro de 2020

      Andreas, muito obrigada pela sua análise singela e delicada! Fiz o conto às pressas e não passei pela revisão, o que resultou em erros gramaticais e de edição.
      Fico muito feliz que eu tenha conseguido te passar o ambiente entre realidades! Agradeço seu comentário!

  3. Daniel Reis
    11 de setembro de 2020

    7. O Andarilho do Céu sem Estrelas (Alona)
    Original: Star Wars 9 (que não assisti!)
    Resumo: Ben (que é Adam?) e Rey se encontra no “paraíso jedi” num enfrentamento sobre as razões dele ter ido para o lado negro da força, destruíndo milhões de vidas que os assombram, e de que deveriam ser aliados e não inimigos.

    Comentário: Fanfic, sem sombra de dúvida, mas que padece dos mesmos problemas da obra original – são tantas mitologias e reviravoltas que a narrativa fica confusa, se você não tiver um “curso de história do Império”. Eu sou antiquado e, para mim, a única “história verificada” de SW são os episódios IV, V e VI. Os outros, somente Rough One efetivamente me cativou. Por desconhecimento desse episódio IX, então, não consegui me conectar na história. Independente disso, a escrita é bastante cinematográfica e em alguns momentos até derramada, como principalmente em reticências e itálicos. Mas desejo boa sorte ao autor no desafio.

    • Bianca Cidreira Cammarota
      20 de setembro de 2020

      Olá, Daniel! Adam seria a nova e futura encarnação de Ben, descrita nos últimos parágrafos, a visão do futuro que ele teve com Rey, sendo nela sua mestra jedi.

      Escrevi o conto sem muitas referências detalhadas, só com pistas para que um fã de Star Wars da última trilogia (e, em especial, o episódio IX) pudesse captar.

      Agradeço seu comentário e sua gentileza.

  4. Fernanda Caleffi Barbetta
    10 de setembro de 2020

    Resumo
    Ben se encontra em um céu sem estrelas, numa imensidão sem destino, sem saber quem era e o porquê de estar ali, se era um sonho do qual não conseguia despertar, se estava morto. Sentia-se culpado pelo sofrimento causado aos demais. Com a chegada de Rey descobre que estava preso no mundo dela, aprisionando a si próprio por sua culpa e dor. Ele consegue sair e recomeçar uma nova vida.

    Comentário
    Apesar de eu não ser uma superfã de Star Wars, conheço alguma coisa, vi alguns filmes e pude sentir que estava mergulhada naquela atmosfera. Muito bom o seu coto, muito bem escrito, com poucos deslizes gramaticais, os quais nem vale a pena citar.
    Na minha opinião, o texto começou um pouco fraco, cansativo, deslocado, mas logo foi ganhando em técnica e fluidez, como se tivesse sido escrito em momentos distintos.
    Algumas frases muito bonitas que eu destaco: “A eternidade naquele segundo. O segundo perdido na eternidade.” “As palavras dela eram tão tristes que minúsculas estrelas caíram do céu, em uma chuva delicada.”
    Gostei bastante da sua criatividade, da forma cuidadosa como desenvolveu seu enredo e como demonstrou conhecer a obra original. Infelizmente um pouco se perdeu porque eu não conheço Star Wars tão a fundo, mas isso não impediu que eu me emocionasse principalmente com a relação de amor entre Ben e Rey e a história de doação das personagens. Parabéns.

    • Bianca Cidreira Cammarota
      20 de setembro de 2020

      Olá, Fernanda!

      Fiz o texto como prosa poética e ele vai tomando ritmo como uma música. Aliás, geralmente escolho músicas instrumentais para escrever.

      Quando escrevi o conto (e peço desculpas pelos erros gramaticais e de edição: fiz `às pressas e pequei em não revisar), deixei fluir mais especificamente para fãs de Star Wars, especificamente na última trilogia. Corri o risco de não proporcionar um maior esclarecimento e referências para aqueles que não são imersos em SW.

      Percebi sua delicadeza e sensibilidade no comentário e fiquei muito, muito satisfeita que, embora vc não seja fã de SW, sensibilizou-se com o texto. Se consegui te tocar como leitora, meu objetivo maior foi alcançado.

      Muito, muito obrigada pelo seu comentário!

  5. Paulo Luís Ferreira
    9 de setembro de 2020

    Resumo: Indivíduo caminha em um lugar ermo, enquanto vozes lhes insultam com palavras recriminatórias. As quais ele desconhece os significados. E numa espécie de alucinações sofre agressões que o machuca, mas que não o fere. É um mundo utópico em mundos distantes no espaço e no tempo.

    Gramática: Uma linguagem fluida e bonita, beirando o poético. Sem problemas gramaticais aparentes. Apenas alguns deslizes de digitação, que uma simples revisão não resolva.

    Comentário Crítico: Um conto espelhado nas ficções científicas da saga dos Jedais. Eu, sinceramente, não sou um aficionado destes tipos de ficções, não passo de 2001, uma Odisseia no Espaço e Blade Runner. Mas é perceptível a boa construção do enredo. O desenvolvimento da narrativa, a boa condução e criação dos diálogos, e a própria trama e seus termos ficcionais. Como disse não tenho muita afinidade com estes termos, mas é indubitável a qualidade do conto, parabéns autor(a) pelo trabalho.

    • Bianca Cidreira Cammarota
      20 de setembro de 2020

      Oi, Paulo!

      Obrigada pelo comentário e sua análise. Sei o quanto é difícil analisar uma escrita que versa em um universo muito específico que apenas fãs de Star Wars, especialmente neste caso na última trilogia, conseguem captar.

      E mesmo assim, você leu e captou minha intenção no conto. Agradeço sua gentileza e sensibilidade!

  6. Letícia Oliveira
    9 de setembro de 2020

    Resumo: Difícil resumir algo que não sei se compreendi. Acho que alguns acontecimentos estão “subentendidos” mas eu não faço a mínima ideia do que sejam: a única coisa que eu sei sobre Star Wars é que Luke é filho do Darth Vader, e mesmo assim não tenho muita certeza. Nunca assisti Star Wars (sim, sou um ET que vive embaixo de uma pedra).
    O personagem principal está em um “limbo” ou algo do gênero, onde é perturbado pela memória de suas ações do passado, quando ele causou sofrimento à um número grande de pessoas. Ele fica nesse lugar sendo acusado por seus próprios pensamentos até que uma amiga vem visitá-lo e tentar ajudá-lo a sair dali. O que parece ser um plot twist, é que ele estava na verdade dentro do “mundo dentro do mundo dela”. Eu percebi que o nome do personagem mudou durante o conto umas três vezes mas não tenho como opinar sobre isso.
    Comentários: Acho que o fato de que eu não tenho os conhecimentos prévios da saga fez com que muita coisa passasse despercebida, mas é parte do desafio e eu tenho que julgar o conto mesmo assim. Gostei da escrita. As descrições no começo foram bem satisfatórias, colocando o leitor totalmente por dentro dos sentimentos e pensamentos do persnagem. Os parágrafos de uma frase ou palavra ajudaram a dar um ritmo durante o conto, dando profundida às cenas.

    • Bianca Cidreira Cammarota
      20 de setembro de 2020

      Oi, Letícia!

      Realmente é difícil a gente captar os detalhes que exigem, como pré-requisito, conhecimento (e ouso dizer, amor, pela obra original, neste caso Star Wars, última trilogia). É minha primeira vez em desafios mas, mesmo assim, imaginei que pudesse haver essa dificuldade de quem não é fã de SW.

      E, por isso mesmo, agradeço mais ainda sua análise, pois você andou por terras desconhecidas e fez uma análise da busca da prosa poética que pretendi com este conto.

      Agradeço seu comentário!

  7. Jorge Santos
    8 de setembro de 2020

    “This place is ancient. Like a world between worlds.” ―Ahsoka Tano[src] The World Between Worlds, also known as Vergence Scatter and the Netherworld of Unbeing, was a mystical plane within the the Force that served as a collection of doors and pathways existing between time and space, linking all moments in time together.

    https://starwars.fandom.com/wiki/World_Between_Worlds

    Este Fanfic é de um universo que me diz muito, o universo de Star Wars, do qual, aos 49 anos de idade continuo a descobrir novos factos como este “Mundo entre mundos”, que é o cenário deste conto. A acção passa-se hipoteticamente a seguir aos acontecimentos do episódio IX e com a morte de Ben Solo, mais conhecido por Kylo Tem, interpretado por Adam Driver. Na mitologia Jedi, o Mundo entre mundos é um lugar sem tempo nem espaço para onde vão nos espíritos dos Jedi falecidos. Kylo conversa aqui com Rey, cujo espírito ainda vive mas numa idade bastante avançada. Debatem o que levou Kylo a passar para o lado negro e a matar o pai. A confusão do espaço-tempo e das várias dimensões leva mesmo o autor ou autora do texto a tratar Kylo Ren pelo nome do actor, Adam, numa eventual tentativa de fazer aquilo que, no teatro, se costuma denominar pelo derrubar da quarta parede, o de integrar a realidade na ficção, misturando o público com os actores.
    Não duvido que alguém desconhecedor do universo de Star Wars sinta bastante dificuldade em seguir este texto. Este é um dos perigos do Fanfic (muito menos perigoso do que a eventualidade do processo judicial… Hehe…). O autor ou autora soube não cair na tentação de explicar os contornos da história, o que teria, na minha opinião, estragado a magia.
    Em termos de narrativa, não encontrei problemas. Prende o leitor e flui. O desfecho, com a revelação de uma Rey com idade avançada foi bem conseguido e foi feito com elegância, fechando com chave de ouro a narrativa.

    • Bianca Cidreira Cammarota
      20 de setembro de 2020

      Oi, Jorge!

      Que maravilha encontrar um fã de SW de minha geração! Tenho 52 anos e amo a saga profundamente. A trilogia clássica é a base, claro. A última trilogia, ao meu ver, tinha um potencial incrível, mostrado em TFA, mas que sofreu quebras de roteiro em TLJ e em TROS. No entanto, sou apaixonada pelo potencial (mesmo que não desenvolvido a contento, na minha opinião) e quis fazer essa pequena homenagem.

      Não confundi o nome de Ben com Adam. Aqui fiz uma “graça” – nas últimas partes do conto, mostra Ben já tendo a visão de sua futura encarnação, onde seria aprendiz de Rey, já mestra e com idade mais avançada. Usei o nome do ator Adam Driver por um apreço a esse ator maravilhoso.

      Sim, meu amigo em SW… não quis explicar nada no texto… e apenas um fã de SW poderia captar , como você…! Oh, que maravilha poder falar na mesma linguagem, Jorge!!!!!!

      Muito obrigada, de coração mesmo, seu comentário, de fã para fã em SW. Seu comentário é elegante, profundo em sua análise, bem-humorado e empático.

  8. angst447
    4 de setembro de 2020

    RESUMO

    Ben vive em um mundo de sonho e pesadelo. Não lembra quem é ou o que aconteceu. Sente-se culpado por algo terrível que não sabe definir – vê-se acusado de assassino e traidor. Encontra-se com Rey, que pede a ele que se perdoe como ela fez consigo mesma. Ele descobre que matou o próprio pai e muitas pessoas perderam a vida por sua causa. Mas segundo Rey, ele também salvou muitas gerações. Não estão no Mundo entre os Mundos, mas sim no MUndo dentro do mundo de Rey. E Ben revive como o jovem Adam e Rey segue como sua mestra até a sua morte. Rey promete a Ben/Adam que irão se encontrar novamente.

    AVALIAÇÃO

    FanFic de Star Wars – suponho, pois não tenho familiaridade com esse tema.
    Conto bem escrito, valendo-se de uma linguagem que beira a poesia. A história é narrada por meio de prosa poética, trazendo belas construções e imagens.
    O ritmo do conto é lento como se o(a) autor(a) tivesse a intenção de transmitir o mundo impalpável em que o protagonista vive.
    A trama desenvolve-se de modo muito nebuloso, apresentando uma mescla dos pensamentos e sentimentos de Ben, sem saber o que é real ou não, o contraste da vida e da morte, do sonho e do pesadelo, do amor e da traição, do herói e do carrasco.
    Apesar do ritmo mais lento e voltas com diálogos sutis, sem deixar claro o que de fato aconteceu com os personagens, o leitor é surpreendido com um impactante e belo desfecho.

    Boa sorte no desafio e que a Força esteja com você!

    • Bianca Cidreira Cammarota
      20 de setembro de 2020

      Olá, angst447!

      Fico muito feliz que a emoção, poesia e sentimentos da personagem tenham te atingido, mesmo você não possuindo o arcabouço do universo Star Wars (em especial, a última trilogia) para compreender melhor o cenário.
      Mesmo assim, vejo o quanto você captou o que eu deseja transmitir e, para quem escreve, esse é o maior prêmio !

      Muito, muito obrigada por sua análise delicada e sensível!

  9. Rubem Cabral
    3 de setembro de 2020

    Olá, Alona.

    Resumo da história: alguém desmemoriado vaga numa terra estranha, onde vive se recriminando por feitos do passado. Depois, descobrimos que o desmemoriado é Ben, filho de Han Solo e Lea, que transformara-se em Sith, um mestre do lado escuro da Força. Entre conflitos e remorsos, por ter matado o próprio pai e por ter matado muitos mais, Ben reencontra Rey, que o informa que eles não estão no mundo real e que o ajuda a se perdoar, baseado em atos de bondade que Ben também realizara. Ao fim da história, tomamos conhecimento que muito tempo passou-se no mundo real.

    Análise do conto.

    a.criatividade 4/5 – foi criativo criar um mundo misterioso, espécie de inferno pessoal do personagem como cenário.
    b. personagens 3/5 – houve desenvolvimento, em especial do Ben, mas não muito além do que foi feito nos filmes, onde tais personagens tiveram um arco mais desenvolvido tbm.
    c. escrita 3/5 – escrita simples, com poucos erros, mas sem muito “brilho” ou construções.
    d. adequação ao tema 5/5 – é uma fanfic dos três últimos filmes de Star Wars.
    e. enredo 3/5 – a história ficou um pouco arrastada, com muito pesar e arrependimento em sua maior parte, e sem outros eventos que “levantassem” a história.

    Abraços e boa sorte no desafio!

    • Bianca Cidreira Cammarota
      20 de setembro de 2020

      Olá, Rubem!

      Escrevi com tons poéticos e com muita emoção.
      O arrependimento e a consciência dos atos praticados por Kylo/Ben é o centro do conto e propositalmente foquei nisso. Os atos que a personagem praticou enquanto no mundo dos vivos foi de tamanha destruição que sua consciência deveria ser na mesma magnitude. Essa foi minha intenção.

      Agradeço seu comentário técnico e objetivo. Não concordo, em princípio, com os argumentos. O importante, para mim, é o feedback que você forneceu, o que pode me levar a refletir.

  10. rsollberg
    2 de setembro de 2020

    O andarilho do céu sem estrelas (Alona)

    Fala, Alona!

    Resumo: A história de um homem em desgraça, tentando desconectar-se do passado que surge em lampejos. A culpa corrosiva agindo impiedosamente. Erros que se acumularam, ações que não bastaram para redimí-lo. A possibilidade de perdão e, quem sabe, uma jornada de redenção.

    Inicialmente, tenho tentado analisar a adequação ao tema. Nesse caso, resta claro que o conto atendeu perfeitamente a proposta do desafio criando um novo capitulo/extensão da saga star-wars.

    O conto foca no fluxo de consciência do protagonista para fazer o leitor avançar na história. O tom lacônico ajuda na estrutura, revelando aos poucos as verdades, mesclando com as reminiscências do próprio personagem.

    Há de forma proposital uma construção de texto através de oposições; estrelas, sem estrelas, sonho X pesadelo, vivo ou morto, essa ferramenta acaba gerando uma mística, até filosofal, sobre tudo que é e o que não é. Em efeito, uma extensão do só sei que nada sei.

    Alguns trechos são bem inspirados, destaco esse “Quanto deveria sofrer por cada morte que provocara, cada vida arrasada, cada descendência criada sob o estigma do horror?”

    Ademais, alguns diálogos também foram bem aproveitados criando dinâmica para o texto tão focado no turbilhão de pensamentos do protagonista. Este, em minha opinião, foi o melhor:
    “– Independente do que pense, você salvou gerações.
    – Eu matei gerações. Não posso trazer de volta aquelas que tirei.
    – A maioria delas não pensa assim mais. Seguiram seu caminho na Força.
    – E muitos estavam aqui, fazendo justiça, me atacando.

    Sugestões:
    Bem, aqui deixo algumas sugestões para o autor. Lembre-se há sempre a opção de considerá-la ou não, ou até mesmo fazer um self-service (já adianto que sou uma birosca em beira de estrada, ahahaha)

    Com o fim de dar mais fluidez ao texto, penso que algumas repetições soaram excessivas. Veja bem, entendo que a maioria são propositais, mas o abuso do recurso pode trazer uma aspereza na engrenagem que gira a roda. Nesse mesmo sentido, há também o mesmo com “ele” e “ela”, que em determinados trechos poderiam ser suprimidos sem prejudicar a compreensão. Do mesmo modo, o uso de reticencias perde um pouco de sua potência quando usado em demasia. Aqui, lembro-me da máxima de Pablo Neruda em “o carteiro e o poeta” em que diz: “Até as coisas mais sublimes da vida quando repetida várias vezes tornam-se tolas.” Perceba, não é um defeito ou erro, é apenas uma dica para dar mais fluidez para o texto. Obviamente, na minha opinião.

    Outro ponto. Aqui me parece uma redundância sem propósito: “Palmilhou por areia das dunas de areia”, poderia ser pensado algo como “Palmilhou por areia das dunas”. “Ou palmilhou pelas dunas de areia”. Gostei do “palmilhou”, deu muito frescor e originalidade.

    E aqui, “como se uma faca o penetrasse seu coração”. “como se uma faca o penetrasse no coração” ou “como se uma faca penetrasse seu coração”.

    “Uma noite de paz que ele nunca havia dito em sua vida.” Tido?
    “Um ruído diferente do fanfarrar das folhagens com o vento” Farfalhar?

    “Estrelas cintilantes, tintilantes.” Tilintantes? (Nós escritores temos que ter cuidado com a síndrome de Alberto Roberto, hahahahaha)

    Por fim, no geral gostei da história. Tenho especial apreço por narrativas que optem por abordar essas questões existências dos personagens, e aqui o autor conseguiu demonstrar toda angustia e confusão do “herói”.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

    • Bianca Cidreira Cammarota
      20 de setembro de 2020

      Olá, rsollberg !

      Escrevi às pressas o conto e não o revisei, infelizmente. Então passou alguns lapsos gramaticais e de digitação.

      Fiz o texto como poesia em prosa, tendo repetições propositais e efeitos em frases curtas e variações das mesmas.

      Que bom que consegui passar para ti a emoção da personagem. Era essa minha atenção.

      Obrigada pelo comentário.

  11. Rsollberg
    1 de setembro de 2020

    Guerra!

    • Bianca Cidreira Cammarota
      20 de setembro de 2020

      Olá.
      Não entendi seu comentário monossilábico. De qualquer forma, agradeço ter lido o conto.

    • Bianca Cidreira Cammarota
      20 de setembro de 2020

      Não tinha visto seu comentário anterior, só este aqui. Peço desculpas, pois no outro comentário você expôs devidamente sua análise.
      Desculpe pelo lapso.

  12. Fheluany Nogueira
    1 de setembro de 2020

    O protagonista se sentia mal, sem noção de quem era, de como fora parar naquele lugar e havia quanto tempo. Dialoga com uma voz masculina e revê o passado. Ouve passos de uma moça e conversa com ela. Acredita-se assassino, traidor culpado e merecedor de ódio. Acaba por se recordar do passado, abraça Rey e percebe que ela está velha. Anos haviam corrido no mundo externo e ela o esperava despertar, depois de o aprisionar para resgatá-lo. Ben buscou uma nova existência, em uma nova ordem; despede-se de Rey, esperando reencontrá-la, agora como Adam.

    Todas as crianças que cresceram assistindo a televisão viram Star Wars, uma saga do Bem contra o Mal, com heróis predestinados, que se estende por gerações. Parabéns pela escolha!

    O conto ficou bem fluido e interessante. Gostei do título e da releitura que ficou mesmo parecendo uma provocação para um filme futuro, um epílogo prolongado, ou algo a mais sobre a trama para os mais atentos ao filme.

    Texto bem planejado, multissignificativo, leitura prazerosa, mensagem rica. A trama foi bem escrita, quanto ao português, não há o que falar, a abordagem do tema foi ótima, a leitura é reflexiva.

    A construção estrutural e frasal, parágrafos curtos e reiterativos são bem típicos e me fazem desconfiar da autoria.

    Parabéns! Desejo sucesso no desafio. Abraço.

    • Bianca Cidreira Cammarota
      20 de setembro de 2020

      Olá, Fheluany Nogueira!

      Muito obrigada por seu comentário! Fiquei emocionada e feliz por ter conseguido passar a emoção e conflito de Kylo/Ben e a relação com Rey.

      Seu comentário aqueceu muito meu coração…! A tecnicidade e a delicadeza em suas palavras são admiráveis! Obrigada!

  13. Thiago Amaral
    1 de setembro de 2020

    Kylo Ren vaga sem destino por uma série de lugares, se sentindo mal pelas coisas que fez no passado. Rey aparece e os dois têm uma discussão, na qual ela tenta ajudá-lo. Pelo que entendi, eles fazem com que Ren renasça no corpo de um homem chamado Adam, que vive como discípulo de Rey. No final, a mulher morre, ambos sabendo que irão se reencontrar em outras formas.

    Oi!

    Senti que na primeira metade do texto você tentou passar as emoções negativas do protagonista, mas infelizmente não funcionou pra mim. Achei muito melodramático e com uma linguagem poética exagerada. Acho que você tentou com muito esforço descrever o que estava se passando no íntimo dele.

    Pra mim, cai melhor demonstrar de forma sutil os sentimentos dos personagens, sem escancarar tudo, mas por meio de descrições indiretas. Como, sei lá, passos tortos ao caminhar, chutando coisas enquanto as memórias vem. Quem sabe uma autoflagelação, de algum jeito. Do jeito que está, senti a mão pesada de quem escreveu.

    Ao invés de me fazer sentir o que ele sentia, ou ter uma ideia, o efeito que tive foi superficial, como se o personagem fosse 2d. E aí não consegui me relacionar com as questões do conto.

    Espero ter ajudado

    • Bianca Cidreira Cammarota
      20 de setembro de 2020

      Olá, Thiago!

      Que pena que não gostou do conto. Discordo de sua visão e argumentos, mas é a opinião que cada um tem sobre o que lhe é mostrado.

      Porém, agradeço profundamente seu comentário. Houve respeito na discordância.

  14. britoroque
    31 de agosto de 2020

    Não gostei. Um nada que leva a lugar nenhum.

    • Bianca Cidreira Cammarota
      20 de setembro de 2020

      Olá, Brito.
      Um tudo que leva a todos os lugares se a pessoa tem um pouco de sensibilidade para captar a poesia.
      Respeito sua opinião: gostar ou não é direito de cada um. Expor sua opinião com educação é dever de todos.

      Obrigada.

  15. Márcio Caldas
    28 de agosto de 2020

    A autora constrói uma narrativa delicada para relatar um universo que se destacou pela ficção científica e tecnológica. Em um conto construído com sensações e pensamentos conflitantes de um personagem, que mesmo na trama original, nunca foi bem caracterizado.

    O conto poderia facilmente se encaixar como um capítulo interessante em algum dos filmes da saga Star Wars. Poderia ter encerrado no clichê da ida aos céus e do perdão, mas entrou num acidentado terreno da espiritualidade, que poderia atrapalhar a obra, mas ao invés disso, trouxe mais frescor a história.

    Fora um outro erro material, pela falta de uma revisão melhor, a obra possui esmero na escolha de palavras que levam o leitor a um carrossel de emoções e reflexões. O conto me arrebatou. Ainda mais por mostrar que mesmo um universo encantador apenas pela ação, pode conter um elemento emocional e contar uma história delicada de amor.

    Nota: 5

    • Bianca Cidreira Cammarota
      20 de setembro de 2020

      Oi, Márcio!

      Realmente, peço desculpas pelos lapsos gramaticais e de digitação. Fiz às pressas o conto e não o revisei.

      Fiquei muito feliz em ter conseguido passar a delicadeza, a poesia, a emoção do protagonista e ter sido considerado por você talvez um possível capítulo dentro de SW. Meu sorriso está enorme aqui, o coração aquecido e comovido com seu comentário! Para quem escreve, seu comentário é um prêmio!

      Muito, muito obrigada!

  16. Anderson Do Prado Silva
    27 de agosto de 2020

    Resumo:

    Homem comete grave erro e se derrama em culpas.

    Avaliação:

    (Autor, não leia o presente comentário como crítica literária, pois se trata apenas de uma justificativa para a nota que irei atribuir ao texto.)

    Putz, minha inteligência possui limitações. Às vezes ocorre de eu não entender algumas coisas. Sei lá, não alcanço. Talvez burrice seja isso: estar de frente a algo que os ao redor entendem, mas você mesmo não consegue entender. Não entendi esse conto, mas torço para que não seja problema afeto à minha inteligência. Espero que sejam as referências externas. Esse papo de “jedi” é coisa de Star Wars, certo? Ou captei errado a referência? Não gosto de Star Wars. Já devo ter assistido um ou outro filme na infância, mas, como não gostei, nada registrei. Então, perdi todas as referências externas desse conto. O único nome que fez algum sentido para mim foi a palavra “jedi” mesmo. Lembro dela associada à palavra “guerreiro”. Então “jedi” é uma espécie de guerreiro, de lutador, de soldado… Logo vê-se que estou viajando na maionese aqui, né?

    Pois bem, além de não ter entendido as referências externas, eu fiquei super confuso com as mudanças de nomes dos personagens. Uma hora têm um nome, outra hora têm outro. Viajei!

    O enredo também não me ficou claro, e eu mal consegui elaborar o resumo! Não tenho o hábito de reler para tentar entender uma ficção, sobretudo quando eu não gostei dela. Acho que é obrigação do autor escrever com clareza, se fazer entendido. Mas nem estou dizendo que o autor desse texto não foi claro, só estou justificando o fato de eu não ter o hábito de reler (até porque, aqui, minha incompreensão pode decorrer das limitações da minha inteligência e de eu não ter compreendido nenhumas das referências externas).

    Ao que me pareceu, um guerreiro se envolveu num conflito e, nele, cometeu erros e foi punido. Daí, ele ficou remoendo suas culpas e remorsos. Ao mesmo tempo, essas culpas eram mais internas do que externas. Enquanto isso, a contraparte amada o teria aguardado por muitos anos, a ponto de envelhecer. Sei lá, viajei?

    Essa culpa, esse remorso do protagonista, tornou o texto cansativo pra mim. Achei o personagem lamurioso e reclamão. Me deu vontade de dar um pescotapa nele e exclamar “acorda pra vida, rapaz!”.

    Eu não gosto de fantasia, ficção científica, essa cultura geek ou nerd, sei lá como adjetivar.

    O texto, em si, tem por trás um escritor com bom domínio da língua e das técnicas de narração. Amei o título, que me fez pensar em alguém preso dentro de sua própria consciência: o mote do conto era esse afinal, né!? Achei a ideia boa. Talvez fora do contexto FanFic, sem esse papo de Star Wars, eu até gostasse.

    Parabéns pelo conto e boa sorte no desafio!

    • Bianca Cidreira Cammarota
      20 de setembro de 2020

      Olá, Anderson!

      Corri o risco de escrever uma pequena fanfic sem dar maiores detalhes da obra originária, a fim de guiar os leitores não familiarizados com Star Wars, principalmente nesta última trilogia. A culpa e remorso de Kylo Ren/Ben Solo aqui colocada é coerente com a personagem na saga e sua passagem pelo EntreMundos (uma espécie de limbo que criei, onde ele toma real consciência de suas ações e colhe o sofrimento que causou aos outros em vida).

      No fim, quando ele toma consciência de si, dos seus atos após o sofrimento e encontro com Rey, vê a possibilidade de uma nova encarnação, com o nome de Adam, como aprendiz de Rey, esta já com idade mais avançada.

      Escrevi o conto quase de uma tacada só, na emoção da personagem, Infelizmente, não fiz a revisão para sanar os lapsos gramaticais e de digitação.

      Que pena que não gostou do conto. Agradeço ter lido o escrito e feito comentário.

  17. Fabio Baptista
    26 de agosto de 2020

    RESUMO:
    Há muito tempo, numa galáxia muito distante…
    Após os eventos do Episódio IX, Ben Solo aka Kylo Ren se isola e um inferno particular, revivendo seus crimes e atormentado por antigos fantasmas.
    Rey aparace para libertá-lo e revela que aquele lugar não é o Mundo entre os Mundos, mas sim o interior dela própria.
    Ben percebe que muito tempo já havia se passado naquele ciclo e se vê renascer num aprendiz (nem Jedi, nem Sith) de Rey.

    COMENTÁRIO:
    O texto está bem escrito, mas, assim como a trilogia em que se inspira, infelizmente não empolga.
    O começo é bastante repetitivo, provavelmente propositalmente até certo ponto, mas acabou se alongando demais. O diálogo com Rey, as memórias dos eventos, tudo acaba ficando com muita cara daquele romance insosso de Padmé e Anakin no episódio 2.
    A parte que achei mais interessante foi a confissão de Rey, que ela teria se entregado a Palpatine para salvar seus amigos, sacrificando assim milhões de vidas depois.

    Não tenho certeza se entendi o final. Se Adam era um tipo de reencarnação de Kylo, ou um receptáculo para seu espírito. Ou nenhum dos dois. Essa confusão (talvez por falta de percepção minha, mas li duas vezes e ainda assim não entendi) prejudicou um possível impacto que o final pudesse oferecer.

    – como se uma faca o penetrasse seu coração
    >>> sobrou um “o”

    – Uma noite de paz que ele nunca havia dito em sua vida
    >>> tido?

    – ao ponto d se esquecer
    >>> de

    – Uma mão enluvada
    >>> evitaria essa cacofonia “u mamão”

    – Acariciava a nuca dela
    >>> outra cacofonia “nu cadela”

    – Se for você precisar
    >>> esse “for” sobrou, não?

    Técnica apurada, mas uma história pouco envolvente de um casal pouco carismático.

    NOTA: 3

    • Bianca Cidreira Cammarota
      20 de setembro de 2020

      Olá, Fábio!

      Fiz às pressas o conto e pequei realmente em não fazer a revisão, o que ocasionou os lapsos gramaticais e de digitação.

      Escrevi com emoção e as repetições, bem como as variações de uma mesma frase foram propositais, para dar um tom cadenciado de poesia, o que era minha intenção.

      Não concordo com sua análise, mas agradeço muito seu comentário, pois é no contraditório que podemos observar um horizonte maior.

      Percebi o cuidado seu em analisar o conto. Isso é um traço de respeito seu e admiro muito essa postura.

      Muito obrigada.

  18. pedropaulosd
    25 de agosto de 2020

    RESUMO: Um espectro sem memória caminha pelo limbo, tendo em sua consciência apenas uma reconstituição débil e gradual do seu passado, que pouco a pouco o coloca como algoz de seus pecados e de suas tantas vítimas. Mas, ao fim de sua caminhada há uma mulher e ao contrário de tudo que avistara até então, ela o ama, ela o reconhece e ela o perdoa e redime. Aquela mulher o guardou dentro de si por todos aqueles anos depois que o seu corpo se foi, permitindo que vivesse a sua sina dentro dela até que se encontrasse de novo… e se perdoasse, para refazer uma nova caminhada, junto à Força, para virar um sonho distante por detrás de uma nova consciência, uma nova vida. Mas, ao final dessa nova jornada ela também está, não a mesma, está mais velha. Ben e Rey se reencontram novamente. São destinados um ao outro.

    COMENTÁRIO: Eu e meu irmão nos vemos do que gostaríamos. Somos filhos de mães diferentes e dificilmente nos encontramos. A última vez que saímos foi para assistir ao desfecho da nova trilogia de Star Wars nos cinemas. Dirigi para outra cidade e o encontrei já bem perto da sessão que, diga-se de passagem, era uma tardia. Não deu tempo de conversar antes do filme e nem depois, pois tive que levá-lo para casa. Até hoje, nas breves ocasiões em que conversamos, brincamos sobre como gastamos dinheiro e tempo com um filme tão ruim. Mas, então, há este conto. Como eu disse para o meu irmão, esse texto dá um final muito mais satisfatório à saga, sobretudo aos seus protagonistas. Eu não sei se ele vai concordar, passei o conto para ele e ainda espero sua opinião, mas deixo de antemão que essa é a minha.

    Parabenizo pela paciência meticulosa com a qual nos apresentou Ben Solo no início. A natureza etérea e tormentosa de sua caminhada é realmente sentida e a ignorância caótica e assombrosa que cerca sua caminhada parece pular para fora da tela, pois ficamos tão confusos quanto ele. É intrigante, portanto. Da mesma forma, há uma mudança gradual no conto, que é quando as lembranças afloram e a coisa vai ficando cada vez mais clara, até o primeiro nome surgir: Rey. Tudo se encaixou de vez e tornou o início do conto ainda mais admirável, pois se a escrita cuidadosa já era de se apreciar, o contexto ficou nítido. A partir daí, o desenvolvimento foi primoroso, centrado nos dois personagens e em sua relação, dando a eles muito mais substância do que nos filmes, especialmente o relacionamento entre eles, aqui muito mais evidente que se trata de um ponto traçado pelo destino.

    Peço perdão pelo primeiro parágrafo tão pessoal. Escrevi o segundo avaliando o conto em seus elementos técnicos, mas não quis deixar de informar que ele satisfez ainda noutro aspecto. Asseguro que a nota, no entanto, obedece a critérios objetivos.

    Boa sorte!

    • Bianca Cidreira Cammarota
      20 de setembro de 2020

      Oi, Pedro Paulo!

      Nossa… você não imagina como estou emocionada com seu comentário, todo ele…! É tocante a tua história pessoal ligada a assistir TROS e, ainda mais, como este conto se tornou um assunto com seu irmão. Sinceramente… comovida aqui!

      Sim, meu amigo (posso assim chamá-lo?) O desfecho da trilogia foi sofrida. Na minha opinião, TFA mostrou um potencial incrível, como introdução de uma saga que imaginei tirar meu fôlego. No entanto, TLJ foi um soco no estômago e TROS não conseguiu consertar o estrago, dando um final tão previsível…

      Independentemente da natureza humana da relação de Kylo/Ben e Rey (se seriam possíveis amantes, possíveis amigos ou qq coisa do gênero, fato que foi uma briga horrível nas redes que me entristeceu profundamente), queria colocar que, mesmo Ben tendo se redimido, o passado não é apagado. Não é uma prisão eterna, mas o custo de ações antes cometidas.

      A escolha da prosa poética, do ambiente onírico fluiu dentro de mim de tal forma que escrevi quase de uma tacada só. (infelizmente, não fiz uma revisão, o que ocasionou na permanência de erros gramaticais e de digitação). Mas a emoção da redenção, do fechamento das causas/consequências e da possibilidade de um novo futuro me encantou e me levou a escrever esse conto.

      Pedro, gostaria de saber da opinião de seu irmão do conto. E, por favor, transmita a ele toda a minha emoção em ler o teu comentário tão singelo e lindo…

      Estou profundamente grata pelas suas palavras e emoção. Muito obrigada MESMO!

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Informação

Publicado às 24 de agosto de 2020 por em FanFic, FanFic - Grupo 1 e marcado .