EntreContos

Detox Literário.

Purupuru (Fabiola Terra)

Purupuru é o nome de uma tribo indígena e também de um lago no estado do Amazonas. O significado, apesar de nada bucólico, tem a ver com o motivo de minha viagem: atender voluntariamente crianças das comunidades ribeirinhas pertencentes à paróquia de Careiro da Várzea, AM.

—Doença do couro cabeludo, foi o que achei, pesquisando.

Este seria nosso destino do dia.

Uma comunidade ribeirinha que tanto se alcança indo de barco como de carro.

Iríamos de carro.

Fui orientada a levar algumas roupas pois iríamos dormir uma noite no local.

Meu prazer pelo desconhecido tão como por aventuras, superou minha ansiedade pelo fato de não conseguir nem imaginar aonde seria o pouso.

— Talvez você durma na casa das irmãs (freiras), mas também pode ser que durma no flutuante da Miriam, disse o padre.

— Conseguimos comprar o piso para a casa das irmãs, conversaram entre si os dois padres, me fazendo entender que a casa era bem simples.

O flutuante, no entanto, me parecia bem interessante, como experiência.

Saímos cedo, para pegar a primeira lancha.

O rio estava calmo, o dia estava lindo. O sol tinha saído não fazia muito tempo e o calor já se anunciava. Quente e úmido, seria o dia.

Essa sensação foi amenizada pela brisa suave, pela visão da água que corria tranquila, e pela presença de alguns botos que saiam repentinamente na superfície, saltitando felizes.

Atravessamos o braço, ou paraná, do rio Solimões, que separa a vila (que fica na ilha), em direção ao bairro do Gutierrez, que fica em terra firme.

Esse nome, Gutierrez, acredito que tenha sido dado em “homenagem” a empresa que participou da construção da BR que ali se inicia. É dali também que saem e chegam as balsas de Manaus e do restante do estado. A BR 319 é a única rodovia que liga o estado do Amazonas ao restante do país e apesar de ter sido inaugurada em 1976, não está toda asfaltada, por falta de manutenção!

Penso, mas logo esqueço, a corrupção, a política, os desmandos, e volto a nossa viagem…

Chegando em terra firme, pegamos o carro.

Nosso grupo era formado por mim, os dois padres e uma paroquiana.

Me sentia tão extasiada por estar viajando pela selva amazônica, que em silêncio, ia apenas observando as grandes árvores que ladeavam a estrada, os alagados que surgiam, ou algumas fazendas com o pasto verdejante, onde o gado pastava.

— Que árvore é aquela? Perguntava me referindo a mais alta e majestosa de todas.

— É a castanheira, que dá a “castanha do Pará”, respondia padre Maciel, que em missão, já estava há alguns meses morando na Amazônia.

A estrada permaneceu deserta, éramos os únicos viajantes. Tivemos a companhia constante da mata vicejante, cujas árvores exibiam copas ora mais altas, ora mais baixas, mas sempre fartas, sempre verdes. E palmeiras, onipresentes, entre as árvores. Eram tantas e tão diversas que não pude deixar de me lembrar de Gonçalves Dias.

Apesar da paisagem ser constante e apenas formada por árvores e campos, ainda assim não me senti entediada ou cansada.

Com o verde nos acompanhando, rodamos solitários por 70 km até a pequena comunidade chamada Purupuru.

O local fica às margens do eterno rio que às vezes se veste de longo véu e corre incólume, e outras vezes se transforma num pacífico lago. Aqui ele entrava sem pedir licença e banhava esse pedaço de terra, fazendo uma curva, e se transformando em um lindo e grande lago.

Purupuru é um vilarejo com casas distribuídas entre diversas palmeiras (A Amazônia abriga a maior diversidade de palmeiras do território brasileiro. 35 dos 42 gêneros). São açaís, bacabas, pupunhas, tucumãs e muitas outras, cada uma ostentando suas lindas folhas e coloridos cachos.

Tomamos um suco de cupuaçu na casa das irmãs e saímos para o local aonde eu veria meus pequenos pacientes.

O atendimento seria feito na capela de N. Senhora de Fátima.

Chegando lá nos separamos.

Os padres e a irmã saíram para fazer as visitas do dia. Eram muitas. Enfermos, que não podiam mais sair de casa e que mais do que de médicos, precisavam de consolo, de palavras de fé e esperança.

Enquanto conversava com algumas mães, a capela, sem que eu percebesse, se transformou em um consultório.

Duas mesas unidas viraram uma maca. Outras duas, minha mesa de consulta.

Toalhas brancas as cobriram.

Não vi o tempo passar.

Com histórias de tosse, açúcar alto no sangue, dor de barriga, crises convulsivas, irritações na pele, fui conversando, ouvindo, examinando, prescrevendo, improvisando…

As crianças, me mostravam através dos sorrisos e dos olhares tímidos, que estavam se divertindo. Acho que me viam como uma atração, uma novidade.

Acabavam se aproximando, perguntando sobre meus aparelhos, e se deixavam abraçar como se já nos conhecêssemos há algum tempo…

Não sei dizer quem fez bem a quem…

Se eu a elas ou elas a mim.

Vez ou outra meus companheiros de outros ofícios apareciam para ver como iam os atendimentos.

Em breve pausa para um almoço na varanda que se erguia atrás do espaço ao lado da capela, comemos peixe frito (esse sempre um presente quitute), arroz e macarrão. Ah, e farinha de mandioca!

De sobremesa, o mais doce, suculento e amarelo abacaxi que já comi em toda minha vida!

A tarde foi chegando e com ela uma chuva fina e refrescante.

Outras mães e outras crianças vieram para os atendimentos da tarde. O vilarejo, que nunca recebe pediatra, ficou sabendo pelo vento que trouxe a chuva, que eu lá estava.

Não fosse pelo já escurecer do dia, iriam aparecer outros Juans e outras Raianes (uma delas com o lindo sobrenome Amazonas). Assim, todas, com seus jeitinhos ressabiados e olhares curiosos, fizeram com que eu nem percebesse meu cansaço e o sufocante e úmido calor.

Me despedi com direito a fotos na frente da capela e com o coração cheio daquela sensação que a gente não sabe bem explicar, mas que nos faz querer chorar e sorrir ao mesmo tempo.

A noite chegou e o rio seguiu seu curso.

Após terminarmos nosso trabalho do dia, nos dirigimos para a casa das irmãs.

Os padres sugeriram que eu dormisse no flutuante. Por mais que tentassem me explicar a arquitetura de um, a única coisa que eu entendia bem é que era uma casa que flutuava no rio.

Preferi tomar meu banho na casa das irmãs, para garantir que fosse o mais próximo possível do que eu estava acostumada.

Teria missa essa noite. Uma chuva fina caia trazendo um pouco de frescor.

Indaguei como iríamos se estivesse chovendo, pois iriamos de “rabeta”, nome do motor, que no caso vira o nome da pequena canoa que o possui.

Me disseram que iriamos com chuva mesmo.

Na missa pensei no meu dia, nas pessoas que tinha encontrado, nas crianças que talvez eu nunca mais visse e na vida daqueles ribeirinhos, tão diferente da minha.

Após a missa conheci outras pessoas e também Miriam, que seria minha anfitriã.

Ela, com seu sorriso contagiante chegou para a missa da noite, onde iria cantar. Vestia um longo e florido vestido, que ela levantava quando pisava na lama.

Chovia.

Quando a missa terminou, pegamos minhas coisas, me despedi dos padres e descemos o barranco até chegarmos onde estava ancorada sua canoa.

Soube que seu flutuante repousava solitário sobre as calmas águas do rio em um local distante dali.

Passava de 22 horas quando saímos.

Felizmente a chuva havia parado.

Na canoa nos esperavam suas duas irmãs. Tão bonitas e tão simpáticas quanto ela.

Desde que cheguei no Amazonas, cada vez que entro em uma embarcação, me perguntam se sei nadar. É automático.

Respondo que sim, porém não sei de que isso adiantaria, uma vez que além da profundeza, o rio é habitado por jacarés e piranhas.

Ao chegarmos no pequeno porto, atravessamos a passarela iluminada pela lanterna do celular.   Miriam então me perguntou: — a Sra. sabe nadar?

Entramos no barco. Eu, Miriam, e suas duas irmãs.

Saímos.

A lua tinha resolvido descansar atrás das nuvens. O rio estava calmo.

A escuridão silenciosa foi dando lugar àquela luminosidade que nossos olhos aprendem a reconhecer aos poucos.

Achei que as estrelas haviam caído do céu e mergulhado no rio quando as vi saírem com brilho prateado, aos pulos, de dentro d’água.

Não eram estrelas. Eram peixinhos que se assustavam com o motor da canoa, e com a luz da lua refletida em suas escamas, brilhavam.

Enquanto eu me deixava envolver por aquele momento único, absorta em devaneios, me sentindo talvez pertencente à natureza como nunca havia antes, percebi que a canoa foi diminuindo a velocidade até que parasse.

Em uma linguagem secreta, elas se comunicaram, sempre sorrindo e se mantendo calmas, no mesmo ritmo do rio. Foi quando finalmente entendi que estávamos sem combustível.

E sem remos!

No meio do rio, nós quatro, na noite amazônica.

—Podemos ligar para alguém? Perguntei.

—Não tem sinal, me responderam.

—O que faremos?

Sabia que não teria uma resposta clara e objetiva, levando em consideração a situação e o local, mas acho que já contagiada pela calma delas, não me desesperei.

Confiei.

Miriam se levantou e se equilibrando na canoa, com seu longo e florido vestido e os negros cabelos, ia conduzindo suavemente a mesma, com a ajuda de uma longa vara, que é usada para afastar a embarcação do barranco. Eu a olhava naquele cenário cujo pano de fundo era a escuridão da noite e a imaginava dançando.

Perguntei se a casa delas estava muito longe, disseram que sim.

— Vamos até a casa do Zeca.

Vim saber que era um amigo que morava também em um flutuante, por onde passaríamos antes de chegarmos a casa delas. Um conhecido da beira do rio.

Enquanto íamos, devagar, flutuando naquelas águas, eu pensava o quanto estava longe de casa.

Pensava o que minha família diria se imaginasse meu paradeiro.

Pensava que se por acaso o Zeca não estivesse em casa, talvez teríamos que ficar na canoa a noite toda.

Por incrível que pareça, não me assustei com esse pensamento.

Miriam com a naturalidade de quem nasceu nessas águas foi lentamente nos levando em direção à algumas luzes que avistávamos ao longe.

Teríamos que conseguir ajuda!

Zeca estava em casa. Com a mesma calma e naturalidade, pegou sua canoa, e nos rebocou até o flutuante de Miriam.

Era uma casa de madeira, pintada de branco com detalhes vermelhos, que se apoiava sobre dois grandes troncos de uma árvore especial e que fica amarrada por uma corda em algum local do barranco.

Fiquei sabendo que na cheia, ou alagação como dizem, quem tem flutuante leva vantagem, pois assim que o rio sobe, a casa sobe junto.

Ela me deu seu quarto, todo cor-de-rosa, e impecavelmente limpo.

Antes de me deitar, fui em uma espécie de deck que ficava na parte de trás da casa onde tinha um parapeito que dava direto no rio.

Fiquei um tempo lá, sozinha, vendo o rio passar, e imaginando quais criaturas estariam em suas águas. Senti o silêncio da noite, a profundidade do rio, a força daquele povo, a imponência daquelas matas e me senti viva, me senti feliz!

Fui deitar e fiquei sentindo o suave balanço da casa, que se movia lentamente num vai e vem, e que embalou meu sono.

Heráclito disse que nunca podemos entrar duas vezes no mesmo rio pois quando nele se entra novamente, não encontramos as mesmas águas e assim também nós não somos mais os mesmos.

Essa aventura, esses rios, a mata, as pessoas, haviam me transformado.

Como o rio, eu não seria mais a mesma.

28 comentários em “Purupuru (Fabiola Terra)

  1. soniazaghetto
    27 de junho de 2020

    A história de uma pediatra que visita a Amazônia e descobre os encantos da região é uma narrativa bem feita de um episódio de vida marcante.
    Narrada em primeira pessoa, traduz muito bem as impressões de quem chega. O texto traz boas imagens poéticas e sentimentos delicados.
    Os que já foram à Amazônia reconhecem as paisagens e as pessoas da região, em seu modo peculiar de ser e viver. Estão todos bem retratados aos olhos do leitor .Em termos literários, Gabriela, faltou um conflito mais aguçado para sair do espectro narrativo.
    É uma leitura muito agradável e não se faz esforço para segui-la até o final.
    Boa sorte, querida!

  2. Ana Carolina Machado
    25 de junho de 2020

    Oiiiii. Um conto sobre uma médica que vai fazer atendimento voluntário de crianças em uma comunidade ribeirinha . Durante a viagem ela se sente extasiada por está viajando pela selva amazônica, reflete sobre a história por trás do bairro de Gutierrez e observa as árvores e paisagem por onde passam. Durante o dia em que atende as crianças ela nem nota o tempo passar e reflete sobre quem fez bem a quem, pois a experiência de atender as crianças estava sendo muito agradável para ela. Já de noite o motor da rabeta deixa de funcionar; provavelmente por falta de combustível mas logo tudo se resolve e ela passa a noite em uma casa conhecida como flutuante e reflete sobre como a experiência a tinha transformado.
    Gostei muito do conto e a ambientação foi muito boa. Principalmente o entusiasmo dela de viajar pela amazônia, pois foi como se o cenário verde a envolvesse em um abraço silencioso. Gostei muito também da reflexão final que ela faz.
    Eu sou profissional de saúde e o texto me lembrou de uma experiência que tive na época da faculdade. Quando eu tava no quinto ou no sexto semestre um dos meus professores que também é médico levou a turma para entrevistar e analisar casos de pacientes atendidos em um hospital que atendia muitos casos vindos do interior. Foi uma experiência muito importante porque quanto mais a gente ouve o paciente mais a gente aprende a humanizar o tratamento. E teve um fato interessante e curioso também. Um dos pacientes do meu professor disse que tinha trazido um pato de presente para ele. As pessoas do interior são as mais acolhedoras e elas logo formam laços de amizade. Parabéns pelo conto e boa sorte no desafio.

  3. Gustavo Aquino Dos Reis
    23 de junho de 2020

    Resumo:

    Médica realiza uma viagem pelo Amazonas e, no observar dos fenômenos sociais que a cercam, começa a ver a realidade com outros olhos.

    Impressões:

    O conto beira a um relato antropológico. A estruturação me chamou atenção e causou um pouquinho de estranheza, pois a maioria dos parágrafos são de apenas 1 linha.

    No entanto, é um trabalho que tem seu charme. Não existem grandes reviravoltas e nem um enredo arrebatador: pelo contrário, a beleza e a força do conto moram na magia da rotina, no ofício do dia a dia e na mudança que certas vivências operam em nós.

    Gostei.

  4. Renata Rothstein
    23 de junho de 2020

    Oi, Gabriela!

    Primeiramente, gostaria de dizer que amei seu texto, estou comentando hoje, mas já havia lido, e reli novamente, para comentar – novamente meus olhos suaram, aqui rsrs
    Lindas imagens, fortes e poéticas.

    Resumo: médica pediatra viaja ao Amazonas, provavelmente como voluntária religiosa, e vive um dia de beleza, conhecimento da dureza da vida naqueles locais tão distantes, vive aventuras no rio (eu considero uma aventura, os rios da Amazônia à noite), e transforma-se, para sempre, pela vivência.

    Texto muito fluido, deslizamos pela narrativa facilmente.
    Como os colegas já comentaram, está mais para crônica, do que para conto – isso é apenas uma observação, mesmo.
    Destaco a forma com que você construiu a beleza das frases, a ambientação, perfeita, a poesia na medida certa, sem ser piegas.
    É uma vivência que foi contada lindamente, e traz belos ensinamentos.
    Gostei, parabéns e boa sorte!!

  5. Gustavo Araujo
    22 de junho de 2020

    Resumo: médica pediatra vai até comunidade ribeirinha para atender crianças. No trajeto, conhece o rio, as pessoas, as paisagens e se deslumbra com o que vê. Nem mesmo a falta de combustível no barco, ao regressar, a desanima. Ao contrário, termina seu relato dizendo-se transformada.

    Impressões: uma crônica autêntica, escrita por alguém que parece ter vivenciado tudo isso. O deslumbre, o espanto, o encantamento… Tudo soa verdadeiro, honesto. Com Gabriela, quase sentimos o cheiro da mata, a umidade do ar, o abraço do rio. Por certo eu também me enfeitiçaria por um cenário assim. O texto consegue passar essas sensações perfeitamente, até mesmo por conta de passagens bastante inspiradas, como o momento em que os peixes pulando para fora do rio se confundem com as estrelas. É como um relato de viagem de Paul Theroux: hipnótico, necessário. Acho que a autora tem tudo para dar um passo adiante, criando os conflitos e os obstáculos necessários para transformar a narrativa num conto de primeira. A escrita é ótima e inspiração não parece faltar. O momento em que falta gasolina no motor do barco serve como exemplo de como a história pode se tornar algo maior, provocando o leitor para além do êxtase hiperbólico causado pela imensidão da floresta. Esse é o caminho. Parabéns à autora e boa sorte no desafio!

    • Gabriela
      22 de junho de 2020

      Obrigada por sua avaliação.
      Já valeu a pena ter participado.
      Após ler os comentários, procurei ler sobre crônicas e sobre contos. Baixei livros, li vários.
      Preciso me encontrar, se contista ou cronista ( sem ser arrogante).
      Obrigada!

  6. Thiago de Melo
    16 de junho de 2020

    Resumo:

    A história narra um dia transformador na vida de uma médica pediatra que vai a um vilarejo no coração da Amazônia para cuidar de uma população muito simples que vive na região. Após um dia de muito trabalho, a médica aproveita o tempo da missa para meditar sobre tudo o que aconteceu no dia e, quando está voltando para o local onde iria dormir, a lancha fica sem combustível e ela se vê acolhida por um morador da região. Ao final, ela contempla a mata, o rio e a própria vida e se sente transformada.

    Análise:
    Gostei da história. O tema do desafio está bastante presente e muitas imagens são apresentadas ao leitor, como o calor e a densidade das matas, os botos aparecendo na linha d’água, ou os peixinhos prateados saltando com a passagem do barco. Bonitas imagens.
    Achei, no entanto, que faltou um pouco mais de ação ou de tensão na história para provocar a mudança de vida da personagem. Ela trabalha muito nesse dia e fica cansada. É um lugar diferente do que ela está acostumada, mas achei que talvez foi pouco a acontecer (ou pouco tempo, um dia) para que ela de transformasse. Acho que se ela tivesse passado mais tempo na região, começasse a assimilar um pouco dos costumes do lugar e então fosse confrontada novamente com algum aspecto negativo da cidade grande ou da urbanização ela poderia perceber com mais força a sua transformação.

    Mesmo assim, achei uma boa história e bem escrita, totalmente dentro do tema do desafio.

    Parabéns!

  7. Priscila Pereira
    12 de junho de 2020

    Resumo: Médica conta como foi sua viagem para atender crianças de uma aldeia.

    Olá, Gabriela!
    Bem, seu texto não me parece um conto e sim uma crônica, um relato, isso não desmerece seu texto, óbvio. Dá pra perceber que você conhece a região amazônica ou fez uma pesquisa sensacional, e fez questão de esfregar isso na nossa cara…rsrsrsr não te culpo, se eu tivesse esse conhecimento também usaria!
    Senti falta de conflitos, de um enredo mesmo, com começo, meio e fim… você poderia escrever uma história muito maior sobre essa médica, as crianças da aldeia, os padres, a família do flutuante… tem personagens aí pra um romance, imagina algum conflito e vai juntando tudo… desculpe, estou só devaneando…
    A escrita está ótima, a descrição quase perfeita e os personagens verossímeis, mas faltou impacto. De qualquer forma é um texto muito bom. Parabéns e boa sorte!
    Até mais!

    • Gabriela
      12 de junho de 2020

      Obrigada!!
      Quem sabe eu me anime e faça o que você sugere!!
      Abraço

  8. Jorge Santos
    12 de junho de 2020

    Conto bem escrito sobre uma missão de voluntariado ao Amazonas onde ficam sem combustível no barco mas conseguem resolver o problema com a ajuda de outros. O texto emana uma energia positiva muito boa e que é cada vez mais raro encontrar nos tempos conturbados que correm. A autora está de parabéns pelo tema e pela forma contida que o expôs. Tudo na medida certa, deixando o texto respirar. Pecou talvez por ser curto. Esperava um maior desenvolvimento. Quando à linguagem achei adequada, sem problemas de maior a assinalar.

    • Gabriela
      12 de junho de 2020

      Obrigada Jorge!
      Estou no aprendizado!!
      Abraço!

  9. Luciana Merley
    12 de junho de 2020

    Olá, Gabriela
    Uma médica contando como foi a viagem até um povoado amazônico para o atendimento das crianças da comunidade. Ela faz um relato da viagem, das belezas naturais, das aventuras do trajeto e em especial, do aprendizado para a vida toda.
    Seu texto é um belíssimo relato, um diário de viagem ou, com esforço, uma crônica bastante bem escrita. Não o considero como um conto e abaixo explicarei o porquê.
    A minha avaliação do seu texto seguirá os seguintes critérios: Técnica + CRI (Coesão, ritmo e impacto).
    Técnica – É um texto muitíssimo bem escrito, fluido, com palavras bem escolhidas para uma leitura suave, rico em informações, mas… NÃO tem conflito. O conflito (o que move a narrativa, o grande obstáculo, o desejo dos personagens) é a alma do conto e o leitor deve ser lembrado dele a cada linha quando lê. Sugiro que você escreva seu conto a partir do medo que sentiu ao perceber que a canoa estava parada em pleno rio no meio da noite. Esse é um excelente conflito. A partir dele, você conseguiria manter a ambientação, as personagens que você criou e que acompanhavam a viagem, as crianças que atendeu…mas de modo que o medo e a superação dele (ou não) desse o tom da sua escrita. Lembrando que o conflito nem sempre é uma situação de estresse como essa. Poderia ser simplesmente um sonho de atender crianças na Amazônia e as aventuras para a sua realização, e nesse caso, o medo no rio seria apenas um coadjuvante na sua história. O importante é que o personagem QUEIRA alguma coisa.
    CRI – O texto é coeso porque fala de uma viagem e não divaga para outros assuntos, mas não tem um ponto (conflito) central. O ritmo é muito agradável e o impacto muito prazeroso, apesar das observações anteriores.
    Seu texto é belíssimo, seu vocabulário é rico e a construção das frases muito bem feitas. Espero encontrá-la em outros certames.

    • Gabriela
      12 de junho de 2020

      Muito obrigada por suas considerações!!
      Escrevo, ou melhor, me arrisco, por gostar.
      Não tenho realmente conhecimento técnico mas quero aprender!
      Estou buscando o caminho!
      Obrigada

  10. Luiz
    11 de junho de 2020

    Uma mulher, provavelmente uma médica, viaja a trabalho para a região da Amazônia. Lá ela trava contato com um padre, duas freiras e uma terceira mulher que lhe hospeda em sua casa. Após um pequeno contratempo com um barco enguiçado no meio do rio, ela consegue, finalmente, chegar ao seu destino.
    Não vejo grandes tropeços, nem nada que atrapalhe a fluidez do texto. Uma história simples e bem escrita. Penso apenas, que alguns entrechos, como o problema com o barco, acabaram ficando sem muita função, uma vez que – aparentemente – não modificaram o rumo da trama. No geral, uma boa história. Parabéns!

  11. Vanessa Honorato
    11 de junho de 2020

    Uma médica voluntária que se aventura a atender uma comunidade ribeirinha e se encanta pelas pessoas e pelo lugar.
    Um conto leve e tranquilo. Eu não teria essa calma que ela teve ao se ver no meio do rio, sem combustível, para chegar a um lugar seguro. Algumas partes ficaram um pouco didáticas demais para mim, fazendo-me dispersar na leitura, eu cortaria um pouco, já que não prejudica o entendimento sem elas. Ao final, a viagem não valeu apenas para as pessoas que receberam atendimento, mas também para ela, que abriu sua visão de vida.
    Abraços ❤

  12. Angelo Rodrigues
    11 de junho de 2020

    Purupuro (Gabriela Marcondes)

    Resumo:
    Médica tem uma aventura no Amazonas atendendo a comunidades ribeirinhas. Surpreende-se com o que encontra por lá, integrada (ainda que temporariamente, talvez) ao lugar.

    Comentários:
    Gostei do texto. Não força a mão na direção de um arranjo literário quando sabe que não precisa. Basta contar sua viagem como se descrevesse um roteiro. Isso foi o bastante.
    Texto escrito com método, com frases (de modo geral) curtas e pouco recursivas, que buscam não deixar dúvida quanto ao desejo do autor em passar a ideia da maravilha que viveu no ambiente que descreve.
    Em alguns momentos o texto assume um caráter didático com citações de geolocalização, itinerários e referências históricas. Creio que essa escolha se deva ao caráter metódico que o autor quis dar à narrativa quando busca pautá-la pela máxima verossimilhança. Bom isso quando não excede e entedia o leitor. Não aconteceu.
    O Autor nos dá um panorama da floresta, que, embora de forma rápida, passa a grandeza do lugar. Traça, lentamente, um valor onírico sobre as delícias que encontra por lá.
    Pelo desenvolvimento do conto (tanto sob o ponto de vista da escrita quando do método condutivo empregado), fica claro que o autor não é novato, pois sabe em que direção põe a sua canoa, em que águas pretende navegar. E não a põe em qualquer direção. Buscou transmitir ao leitor o doce de uma viagem, sem se preocupar com nada além de narrar uma aventura, sem apoteoses, sem viradas, sem nada além do necessário para que a leitura continue até o fim.
    Boa sorte no desafio.

  13. cgls9
    10 de junho de 2020

    Uma pediatra se voluntaria numa missão para atendimento a uma comunidade ribeirinha do Amazonas e se encanta com o cenário, as pessoas e a rotina do lugar.

    Na falta de um enredo, me parece mais uma crônica de viagem. A autora demonstra conhecer bem a geografia do lugar, a diversidade da natureza, as marés dos rios e a recente história da região e isso preenche bem o entorno a que ela, a autora nos conduz. Podemos dizer que viajamos juntos, conhecemos a simplicidade daquelas pessoas, a coragem e a disposição diante de tantos desafios que a selva traz. a mensagem é que a experiência nos transforma sempre. li em seus comentários que vc se apresenta como uma iniciante. Eu não sou um teórico da escrita, então me perdoe se não lhe ofereço caminhos prontos, meu único conselho – lhe digo, porque o utilizo pra mim, é: escreva! Reescreva e volte a escrever. Boa sorte no desafio e parabéns!

  14. Alexandre Coslei
    9 de junho de 2020

    Médica viaja voluntariamente para atender comunidades ribeirinhas pertencentes a uma paróquia Assim ela começa a jornada pelo rio e pela paisagem amazônica, expressando a sua fascinação, comoções e sustos.

    A estrutura do texto é interessante. Construído com base em muitos parágrafos, todos breves, quase telegráficos, a travessia da personagem é narrada no dinamismo de períodos curtos e de muitas vírgulas. O texto nos abraça, lemos com prazer. Não há um enredo específico, a narrativa se dispõe a narrar as descobertas e o encanto da protagonista diante da descomunal Amazônia profunda.

    Algumas vezes, a sequência de parágrafos curtos quebram a continuidade da ideia, que se fragmenta na sucessão de outro parágrafo. É um risco do texto. Talvez, também, numa nova revisão, seja possível a supressão de vírgulas, que me pareceram excessivas em algumas partes.

    O conteúdo é bom, edificante, se vale de belas imagens descritas com eficiência.

    Boa sorte, Gabriela!

  15. Paula
    9 de junho de 2020

    O texto traz o relato de uma viagem e a descrição dos cenários transcorridos, transmitindo o encantamento da protagonista pela paisagem amazônica. A protagonista é pediatra e faz essa viagem até uma vila localizada na curva de um rio para atender voluntariamente pacientes dali. É acompanhada por padres missionários. Após terminar seus atendimentos e ir à missa na capela, ela se hospedaria no flutuante de Miriam, mas a canoa que as levava até lá fica sem combustível no meio do rio. Ela não se desespera. Sua anfitriã as conduz com uma vara até o flutuante de um amigo, que as rebocam finalmente para o destino final. Em termos de gênero literário, não sei se entra na categoria ou não (mas não sou especialista). Mas o relato é envolvente e o leitor acompanha a protagonista em seu processo de transformação proporcionado por essa experiência fora de sua rotina.

  16. brunafrancielle
    9 de junho de 2020

    Resumo: Pediatra “estrangeira” atende voluntariamente crianças carentes em vilarejos ermos do Amazonas. A protagonista vê todas as pessoas da região de forma positiva e extremamente carinhosa. A história conta como foi o dia dela, as pessoas que encontrou, como o barco teve um problema de motor no meio da noite e um homem chamado “Zeca” a ajudou.
    Parece faltar no conto um MOTE (não sei bem se é esse o termo), uma “coisa a ser resolvida”, ou “algo acontecendo”. Falta uma “sinopse” instigante.
    Estarei analisando os aspectos que EU considero mais importante, baseado nas minhas participações anteriores no certame. Sinta-se a vontade para descartar minha singela opinião se achá-la irrelevante.
    ENTRETENIMENTO (foi um conto chato de ler? Maçante? Legal?) : Infelizmente achei o começo do conto maçante e desnecessariamente didático, possuindo muitas informações irrelevantes. Não acrescenta muito saber o motivo pelo qual o nome de tal bairro é baseado em empresa X ou Y. Não é uma leitura divertida. : (
    Além disso, essas informações injetadas do jeito que estão no texto não transmitem naturalidade. Mais pra frente, quando essas informações param de aparecer, o conto ganha maior agilidade para a leitura.
    COMPREENSIBILIDADE (levando em consideração a formulação de orações e a história em si. Há diálogos confusos e etc?): Boa.
    CRIATIVIDADE/ORIGINALIDADE (eu gosto de ler histórias de coisas que não vi ou não pensei antes. Ideias óbvias não se sairão bem neste quesito.): Achei interessante, por não ter um “mote”, quase não há como julgar este quesito. Tudo deu certo no dia da pediatra.Não houve um “final feliz” nem triste, pois tudo foi feliz, e a protagonista adorou todos os momentos. Por um lado é original pois eu não esperava encontrar um conto assim no certame. Por outro, o conto parece ter sido escrito no esforço de apenas enaltecer o lugar e seus habitantes, e não há um “problema a ser desenvolvido”, característica que geralmente aparece em todos os contos.

  17. Felipe Rodrigues Araujo
    8 de junho de 2020

    Médica em trabalho percorre a região da amazônica para dar atendimento a crianças em situação vulnerável. Chega no lugar, Purupuru, onde aproveita da cultura local e se apaixona pelos costumes. Passa por apuros em um dos rios, mas acaba sendo salva e passa a noite em um flutuante onde reflete sobre como aquela experiência única a mudaria para sempre.

    Conto que faz da maneira simples de escrever o seu maior trunfo. Cunhado na apresentação de elementos típicos, por vezes escorrega no didatismo, mas tem seu ganho na apresentação cultural. A trama é linear, sem grandes surpresas, a descrição das escamas dos peixinhos refletindo a Lua é um dos pontos altos, assim como o final filosófico que me lembroua a cena de um filme do diretor português Pedro Costa, “O Sangue”, em que um garoto aponta para o céu que, após ser observado, jamais é o mesmo.

  18. Fheluany Nogueira
    8 de junho de 2020

    Pediatra presta serviço voluntário em região do Amazonas e se encanta com o local. Esse novo mundo transforma sua alma.

    Narrativa bem didática e rica de detalhes, com ares de reportagem ou diário de viajante.

    A linguagem é simples, com algumas construções poéticas e, em outros trechos, informal, bem próxima da fala, justificada pelo foco de primeira pessoa. A leitura é fluida e agradável, facilitada pelas frases e parágrafos curtos.

    Parabéns pelo trabalho! Boa sorte e abraço.

  19. pedropaulosd
    7 de junho de 2020

    RESUMO: A protagonista vai a trabalho até uma comunidade ribeirinha do Amazonas, onde se entusiasma com a novidade dos arredores e das pessoas que atende.

    COMENTÁRIO: O O conto tem um viés poético, inclusive em sua estrutura, praticamente abdicando de parágrafos longos para estruturar o texto quase que em uma série de versos. O texto é embelezado com descrições dos arredores que funcionam como uma forma de nos colocar pelos olhos admirados da personagem. Apesar dessa qualidade descritiva, de resto, devo criticar.

    O primeiro parágrafo soou estranho e apresentou um problema que infelizmente se veria mais adiante no conto: o excesso do expositivo. As primeiras palavras do texto são uma explicação quanto ao significado do título e se encerra apontando o lugar onde se passa o enredo, citando o nome do município e a sigla do estado “AM”. Veja, o AM só poderia servir para dar a localização do enredo e talvez pertencesse antes do parágrafo, como forma a delimitar onde estará se passando a história, mas no meio do parágrafo soa estranho, reafirmando o sentido expositivo de sua presença. Isso tirou a naturalidade do trecho, como se cumprisse a obrigação do certame de adequar o enredo ao tema. Outro exemplo disso são os parênteses, uns deles aparecendo no meio de um diálogo para avisar que as irmãs seriam freiras, o que, falado por um padre já fica explicado ou, de forma bem mais palatável, poderia ser esclarecido mais adiante, com uma descrição sucinta ou uma mera afirmação do tipo “as freiras fizeram tal coisa”. O pior desse defeito reapareceu num parágrafo em que se deu o histórico do bairro Gutierrez. A sensação desse parágrafo foi a de ler um verbete de um dicionário da região amazônica, puramente explicativo e sem realmente acrescer à história. Pode se argumentar que dá um plano de fundo político ao enredo, mas o parágrafo se coloca tão abrupto e efêmero que não torna a assumir importância no enredo, portanto soando desconexo. Existe um problema na colocação das vírgulas, às vezes separando sujeito do predicado ou aparecendo excessivas, o que quebra o ritmo da leitura. Outro elemento que atrapalhou o fluxo de leitura foi a quase ausência de parágrafos, fazendo do texto cansativo e, infelizmente, moroso. Logo não me importei muito para onde estava indo a personagem ou mesmo senti o seu entusiasmo e, de fato, não ocorre muito no enredo a não ser uma autorealização da protagonista que, para se chegar até o momento, espera-se bastante.

    Terei a audácia de fazer recomendações. Em primeiro lugar, digo que não se importe em dar tantas explicações como deu aqui, sobretudo a respeito de elementos que não tem real importância para a estória. Apesar da personagem ser novata na região e assim se justifica o olhar deslumbrado e observador, a descrição do bairro Gutierrez não teve mais influência no conto a não ser despertar uma reflexão que a personagem admitiu esquecer logo em seguida. Mais do que isso, caso o bairro tivesse uma importância maior, poder-se-ia dar o seu histórico de forma mais sucinta e menos seca como foi escrito. Se existe uma empresa que intervém diretamente na organização daquele lugar, por que não mostrar um funcionário agindo com soberba ou colocar a protagonista observando que a maioria das pessoas, adolescentes e adultos, trabalham na empresa e que os que conseguiram envelhecer se aposentaram dela? Sei que existe uma restrição de palavras, mas o mesmo vale para a caracterização da BR-139. Não seria mais interessante ver as dificuldades que um carro tem para passar por ela do que apenas dizer para onde ela vai, de onda ela vem, e que não tem manutenção?

    Outro cuidado é com as vírgulas. Existem as regras gramaticais, mas um método é simplesmente ler para si mesmo e ver se as pausas realmente se encaixam na leitura. Não acho que seja uma regra inquebrantável o uso de parágrafos em um conto, mas mesmo se optar por dilui-los, eu recomendo que não deixe um parágrafo inteiro resumido a uma ação ou a uma mera descrição do tempo ou das horas. Torna o avanço de linha a linha insignificante e moroso. O que não quer dizer que não se pode optar por parágrafos menores e precisos. Não é uma regra, é apenas que aqui não funcionou muito bem. Enfim, a última recomendação é que dê mais importância ao que o conto quer mostrar. No final a personagem se percebe outra do que aquela que chegou no início do dia. Mas quem era essa? De fato, durante todo o conto, tudo o que ela fez foi se abrir à nova experiência e assim faz sentido que ela se veja mudada. Mas quem era ela? Qual é o verdadeiro impacto dessa mudança? Foram citados familiares. Quem são? Por que os deixou para trás? Existem algumas questões que, uma vez respondidas, poderiam aparecer no conto de diversas formas e assim enriquecer a personagem e potencializar o sentido de mudança que aparece no conto.

    O comentário segue grande, reli para tentar ser mais acurado na crítica e nas recomendações. Recomendações com base neste conto, no que achei que não me envolveu como leitor e que poderia ser melhorado.

    Boa sorte.

    • Gabriela
      8 de junho de 2020

      Muito obrigada por seus comentários!
      Sou nova no grupo e totalmente amadora na arte de escrever.
      Ainda careço sim de habilidades técnicas, e quero muito aprender. Suas críticas são muito bem vindas.
      Apenas uma explicação:
      Quando disse a protagonista foi a trabalho voluntário, achei que estaria subentendido porque seus familiares ficaram.
      Não falei mais sobre a empresa porque disse que ela foi responsável pela construção da estrada, que já estava pronta ha vários anos.
      Talvez não tenha ficado claro no texto?
      Mais uma vez agradeço muito!!

  20. Regina Ruth Rincon Caires
    7 de junho de 2020

    Purupuru (Gabriela Marcondes)
    Resumo:
    A história da médica (pediatra) que foi prestar serviço voluntário em uma paróquia do Amazonas, e a interação com o povo, com Padre Maciel e Miriam (paroquiana). Uma narrativa feita como uma página do “diário de bordo”, mas que mostra a mudança operada na alma da pediatra.
    Comentário:
    Um texto rico em detalhes, as descrições minuciosas do ambiente coloca o leitor no barco, na sala de atendimento, no flutuante sob o luar. O autor usa linguagem poética, suave, e faz da situação, no mínimo carente, um bálsamo no contar. Apaziguante. Assim é a linguagem, calma. Simples e serena.
    Como disse, acima, a narrativa fica parecida com uma página escrita no ”diário de bordo”, trazendo a marca do trabalho que transforma as pessoas. Atos importantes enriquecem uma história de vida. O voluntariado tem esse poder, gratifica quem o pratica. Muda vidas e muda almas.
    A leitura é deliciosa, fluente, sem qualquer embaraço. Gosto de frases curtas, mas gosto de parágrafos mais consistentes. O leitor absorve no amontoado, sem paradas. Pouquinhos erros na “virgulação”, nada que uma simples revisão não dê jeito.
    Conto bem estruturadinho, costurado, falado com sentimento.
    O título refere-se ao local do atendimento, uma vila. Agora, o pseudônimo não posso nem imaginar.
    Parabéns, Gabriela Marcondes!
    Boa sorte no desafio!
    Abraços…

    • Gabriela
      8 de junho de 2020

      Muito obrigada por sua avaliação!
      É a primeira vez que tenho a avaliação de um texto por pessoas tão capacitadas !
      Absorvo cada comentário com a ânsia de aprender!

  21. Anderson Do Prado Silva
    7 de junho de 2020

    Entre Contos – Avaliação – Purupuru

    Resumo: Uma profissional da saúde visita a Amazônia e, lá, se descobre e reinventa. Afirmando-se, ao final do conto, outra pessoa.

    Abertura:

    ( x ) surpreende: apesar da frase inicial ser muito objetiva, informativa mesmo, ela nos ambienta perfeitamente no espaço e nos convida para esse outro lado do mundo que se chama Amazônia. Senti-me motivado a seguir com a leitura.
    ( ) não surpreende

    Desenvolvimento (fluidez narrativa):

    ( x ) texto fluido: o texto flui naturalmente. Vamos acompanhando esse descobrir e descobrir-se dessa protagonista-narradora.
    ( ) poderia ser melhor

    Encerramento:

    ( x ) surpreende: surpreendeu ao remeter a uma afirmação já clássica e consagrada da filosofia.
    ( ) não surpreende

    Gramática:

    ( x ) não identifiquei erros dignos de nota: porém, sugiro ao autor mais atenção na revisão. Porém, são erros muito pequenos, possivelmente imperceptíveis ao próprio autor. Assim, o melhor seria pedir para um terceiro revisar.
    Falta de vírgulas: “Fui orientada a levar algumas roupas[,] pois iríamos dormir uma noite no local.”; “Chegando lá[,] nos separamos”; Ela, com seu sorriso contagiante[,] chegou para a missa da noite”; “Mirian[,] com sua naturalidade de quem nasceu nessas águas[,] foi lentamente nos levando”; “pois[,] quando nele se entra novamente, não encontramos”.
    Uso indevido de vírgula: “As crianças[,] me mostravam”.
    Frases iniciadas por pronome oblíquo: “[Me] despedi”; “[Me] disseram”.
    ( ) possíveis erros gramaticais:

    Enredo:

    ( ) surpreende
    ( x ) não surpreende: o enredo é comum. A protagonista é apenas uma pessoa que viajou para a Amazônia e narra seu dia a dia lá.

    Linguagem:

    ( x ) surpreende: o autor tem amor pelo poético. Gosta de empregar imagens poéticas. O próprio narrador-protagonista tem uma visão de mundo poética e, por vezes, idealizada. Achei bonito. Há um certo pasmo e encanto pelo belo na visão de mundo do protagonista-narrador.
    ( ) não surpreende

    Estrutura:

    ( ) surpreende
    ( x ) não surpreende: estrutura do texto é simples. Ele possui início, meio e fim; e é só. O autor não se preocupou em promover nenhuma pirotecnia ou inovação cosmológica; nada disso. É uma narração de uma experiência.

    Estilo:

    ( x ) surpreende: o texto possui várias passagens e imagens poéticas.
    ( ) não surpreende

    Excertos dignos de nota:

    ( x ) sim: “mata vicejante”; “sempre fartas, sempre verdes”; “às vezes se veste de longo véu e corre incólume”; “mais do que de médicos, precisavam de consolo, de palavras de fé e esperança”; “nos faz querer chorar e sorrir ao mesmo tempo”; “A escuridão silenciosa foi dando lugar àquela luminosidade que nossos olhos aprendem a reconhecer aos poucos. Achei que as estrelas haviam caído do céu e mergulhado no rio quando as vi saírem com brilho prateado, aos pulos, de dentro d’água.”; “me sentindo talvez pertencente à natureza”; “Em uma linguagem secreta, elas se comunicaram, sempre sorrindo e se mantendo calmas, no mesmo ritmo do rio”; “Fiquei um tempo lá, sozinha, vendo o rio passar, e imaginando quais criaturas estariam em suas águas. Senti o silêncio da noite, a profundidade do rio, a força daquele povo, a imponência daquelas matas e me senti viva, me senti feliz! Fui deitar e fiquei sentindo o suave balanço da casa, que se movia lentamente num vai e vem, e que embalou meu sono.”
    ( ) não

    Inteligência:

    ( ) desafia a inteligência
    ( x ) não desafia a inteligência: o texto não tem esse mister. Ele é uma viagem poética, de encantamento e descoberta, pela Amazonia. Não pretende desafiar a inteligência de ninguém, antes quer tocar o coração.

    Avaliação final: Gabriela Marcondes, seu texto possui sete pontos positivos e três negativos, sendo que alguns pontos que eu considerei negativos poderiam facilmente considerados positivos por outros leitores (a exemplo do item “inteligência”). Você está no caminho certo! Continue escrevendo! E leia autores consagrados pela crítica ou que você tenha identificado como bons e surpreendentes! Vou pedir licença para uma sugestão: achei que você empregou parágrafos curtos demais; alguns deles poderiam ser juntados para formar um só; ou seria possível construir parágrafos mais longos.

    Anderson do Prado Silva

    • Gabriela
      8 de junho de 2020

      Muito obrigada por um comentário tão detalhado!
      Li e reli várias vezes!
      Voltei no conto, revi todas as observações que você pontuou!
      Para mim, foi uma aula!

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Publicado às 7 de junho de 2020 por em Amazônia, Amazônia - Grupo 2 e marcado .