EntreContos

Detox Literário.

Nascendo Outra Vez (Emanuel Maurin)

Adoro nadar em águas perigosas. Toda vez que entro em algum rio, levo minha faca de aço damasco de uns 20 centímetros para eventuais desbravamentos. Meu irmão, o Pedro, que era meu companheiro de aventuras, fez algo mais corajoso que isso: casou-se e foi trabalhar numa plataforma de petróleo em Coari, uma pequena cidade no interior do Amazonas. 

Nunca tive dinheiro para esbanjar em viagens caras, mas depois de cinco anos sem ver o Pedro e com a sede em conhecer o Amazonas, resolvi visitá-lo. Parti de São Paulo e desembarquei no Aeroporto Internacional de Manaus. Como meu voo havia atrasado, saí correndo pelo saguão ao encontro de um táxi, com a mochila no ombro e a faca embainhada na cintura. Dentro do automóvel, pedi para o motorista acelerar rumo ao porto de Manaus, pois embarcaria em um navio para uma viajem de 433 km até Coari, que duraria em torno de 28 horas. 

Eu nunca tinha visto um porto flutuante pessoalmente, e aquele era, de fato, o maior do mundo. Embarquei em um belo navio de três andares batizado de Regente, o qual ouvi dizer que pesava cerca de trezentas toneladas, todo pintado de branco. Às 14 horas em ponto, me instalei em uma cabine apertada, com um pequeno beliche individual, ar condicionado e banheiro.

Partimos com uma difícil manobra, já que a embarcação, além de levar passageiros, carregava sacas de milho, feijão, açúcar e muitas caixas de isopor vazias cheirando a peixe. Enquanto o barco adernava nas águas escuras do rio Negro por conta do número de passageiros maior que o permitido pela Marinha, saí da cabine, dei dois passos e me debrucei no corrimão da popa. Observei o revoar de um pequeno bando de mergulhões sob o céu nublado e me perguntei para que diabos seriam aquelas caixas de isopor. Sem conseguir chegar a uma resposta, resolvi encher o estômago vazio no restaurante que se localizava perto de minha cabine. Pedi uma grande porção de peixe frito, que é o que adoro comer. Depois fui dar uma volta pelo convés e novamente encostei no corrimão para ver as muitas canoas e balsas que cruzavam o nosso caminho, o porto da Marinha do Brasil e a cidade de Manaus desaparecendo no horizonte. Entramos no rio Solimões. A água desse rio parecia bem mais clara que a do rio Negro, e eu respirava meditativo o puro ar do fim de tarde. Quando minha mente saiu da calmaria, percebi que anoitecera, o que tornou a viajem mais difícil. Para evitar colisões contra algum banco de areia ou troncos boiando no rio, o comandante acendeu os holofotes. Com a claridade, alguns comércios flutuantes que também acenderam suas luzes apareceram perto do barranco do rio. Toda aquela escuridão e cansaço me deu sono. Voltei para a cabine, tirei a faca da cintura e coloquei-a embaixo do travesseiro, depois me deitei com a esperança de dormir por uma eternidade.

Acordei cedo com o barulho da buzina de um barco de pescadores. Peguei minha faca afiada e, na frente do espelho do banheiro, raspei os pelos do rosto até minha pele ficar macia como a de um bebê. Tomei um banho demorado, vesti uma roupa limpa e fui ao restaurante tomar café. Fiz questão de passar manteiga no pão com minha faca. Depois, ao andar pelo convés, vi um monte de gente deitada em redes por ali, daí olhei no relógio pendurado em cima da porta da cabine do comandante e notei que já haviam se passado 17 das 28 horas restantes da viagem. Saí da área coberta e vi que o céu estava claro. Nas margens do rio, alguns ribeirinhos lavavam roupa, louças e até banhavam-se nas águas barrentas do Solimões daquela região. Depois de percorrer mais alguns quilômetros, o navio atracou no porto de Codajás para embarque e desembarque de passageiros e carga. O comandante acionou uma buzina comunicando a nossa chegada, o que ajudou a fazer com que as pessoas que iriam viajar se abeirassem do cais, enquanto o navio se aproximava para aportar na plataforma flutuante. Uma hora depois, voltamos a seguir viajem. 

O dia escureceu devido ao mau tempo, deixando o trajeto bem monótono, por isso voltei ao meu quarto para meditar, mas acabei pegando no sono. Acordei por causa de uma gritaria que pensei vir de uma briga lá fora. Saí do quarto com a faca na mão. Mas eram apenas as caixas de isopor sendo jogadas no rio, para que os pescadores ribeirinhos, com suas lanchas, as enchessem de peixes para que o navio as levassem de volta para Manaus. 

No final da tarde, com a mochila na mão, eu olhava excitado em direção à cidade de Coari. Atracamos em terra firme no porto de Tefé. Eu estava extremamente pensativo sobre as inúmeras aventuras que eu e minha faca poderíamos realizar junto de meu irmão, nos vários riachos e lagos daquela região que ele tanto me descrevia ao telefone. 

Pedro estava à minha espera na plataforma. Notei, para o meu desgosto, que ele não trouxera sua faca embainhada na cintura. O que eu mais tinha em comum com meu irmão era o gosto por aventuras na mata e nos rios. Por isso, era estranho eu estar com a minha faca e ele sem a dele. Nós tínhamos a mesma constituição física: éramos morenos altos, magros de cabelos compridos. Mas Pedro estava mais magro do que eu me recordava e aparentava estar um tanto cabisbaixo. Decidi não falar nada sobre a sua falta de entusiasmo. Demos um abraço demorado, trocamos cumprimentos saudosos e seguimos até o seu carro. Fomos direto para a sua casa de veraneio às margens do lago de Coari, que ele havia alugado justamente para passar as férias do trabalho.  

No outro dia, bem cedinho, pegamos seu barco de aventuras Andorinha-azul. Marina, sua esposa, não quis se aventurar nas águas e também não deixou os filhos gêmeos, de apenas 4 anos, irem conosco. Ela tinha medo de uma sucuri que estava atacando os pescadores na região. Eu fiquei perplexo e triste ao saber, da boca de Pedro, que a cada 20 ou 30 dias uma pessoa desaparecia. Inclusive, ele me falou, abalado, que o Felipe, seu melhor amigo, foi achado na barriga de uma cobra sucuri de aproximadamente 25 metros, morta a pauladas por pescadores enquanto fazia digestão. Mesmo estarrecido, não me amedrontei diante de tamanha fatalidade. Mas durante o passeio, percebi meu irmão um pouco apreensivo. Talvez a perda do tal Felipe ou o medo de acontecer alguma fatalidade com sua família lhe tivesse posto limites. No meu caso, eu não tinha nada a perder. Por isso estava eufórico para topar de frente com a cobra e desafiá-la pra um combate. 

Enquanto atravessávamos um pequeno canal que ligava uma parte do lago à cidade, fiz o sinal da cruz ao passarmos perto de um monumento do Cristo Redentor. Um pouco mais à frente, entramos numa prainha de águas cristalinas, onde algumas pessoas passeavam como se nada de anormal estivesse acontecendo. Ancoramos numa área deserta e de pouca vegetação, amarramos o barco num pau-rosa solitário e fomos caminhando em direção de um pequeno afluente de águas transparentes do rio Coari. A natureza estava tão silenciosa que parecia que todos os animais daquela região tinham desaparecido, não víamos sequer um peixe no riacho ou pássaros no céu. Meu irmão, um pouco aflito por causa daquele incômodo silêncio, me chamou para voltar pra casa com a desculpa de que o almoço já deveria estar na mesa. 

Voltamos sem se falar. Eu segurava minha faca na mão com bravura, mas o Pedro continuava abatido e calado. Vez por outra, encontrávamos barcos de pescadores, e eu não via nenhum sinal de desespero neles. Paramos rapidamente num armazém flutuante para comprar velas, pois o gerador que alimentava as lâmpadas da casa de Pedro tinha estragado. Quando falei com aquelas pessoas sobre a cobra, elas não demonstraram preocupação e disseram que isso não passava de invencione de algum mentiroso. Chegavam até a rir do causo. 

Durante o almoço, Marina falou sem parar na orelha do Pedro que era para ele não se aventurar comigo por essas regiões. Terminei minha refeição e deixei os dois discutindo. Como estava calor, resolvi sair para dar uma volta a pé, margeando o lago. Fui sem camisa, de short e descalço; assim, poderia mergulhar com mais facilidade. 

No caminho, parei a uma distância de uns 12 metros de uma seringueira e testei minha pontaria atirando minha faca em seu tronco grosso. Acertei em cheio. Depois, ao retirá-la da madeira, virei o rosto para o lago e notei que se formava um enorme friso sinuoso no espelho d’água. Observando com mais atenção, reparei que era uma cobra de escamas verdes com manchas esféricas e escuras. Nunca imaginei que pudesse existir um animal tão grande e forte que se movimentasse tão rápido. Senti um misto de animação e repúdio ao conceber aquele monstro atacando um inocente, por isso gritei apontando a faca para ela: “Vem me pegar, sua assassina!”. E o inesperado aconteceu. A cobra levantou a cabeça, olhou para mim como se tivesse me escutado, talvez ofendida com meu xingamento, e veio rapidamente em minha direção. Seu olhar foi penetrando no meu até me hipnotizar, imobilizando-me por alguns instantes. Felizmente, uma picada de formiga cortadeira no meu pé me tirou do transe, e antes que a cobra chegasse muito perto de mim, saí correndo. Talvez, sabendo que eu era bem mais rápido que ela em terra firme, a enorme cobra se arrastou de volta às águas. 

Cheguei ofegante na casa do meu irmão. Tomei um copo d´água para me acalmar, antes de narrar o ocorrido ao casal. Pedro ficou em choque e Marina começou a falar alto: “Eu avisei! Amanhã eu volto com as crianças para nossa casa na cidade. Chega de se aventurar nesta casa flutuante, pondo em risco as nossas vidas por causa de uma aventura com seu irmão. Já não basta o que aconteceu com o Felipe. Pedro, assume logo que tu não é mais o mesmo!”. O nervosismo da Marina era tanto que ela sentiu falta de ar após liberar aquela metralhadora de palavras.

Pedro me pediu perdão por causa da gritaria da esposa e avisou que, no final da tarde, voltaria pra cidade. Respondi que tudo bem. Fui para o meu quarto meditar sobre o medo que me travou diante de minha aventura mais emocionante. Abri a janela e comecei olhar as outras casas flutuantes que ficavam ali perto. Eram quase todas iguais. Só a do meu irmão que era pequena e frágil; tinha dois quartos, separados por um estreito corredor, cozinha, banheiro e um enorme quintal onde ficavam os dois cachorros e os barcos estacionados.

Nesse meio tempo, algumas nuvens escuras se formaram junto a uma forte ventania. Algumas gotas de chuva começaram a entrar pela janela, por isso fechei as vidraças e fui deitar na cama. Não se passaram cinco minutos até o céu escurecer de vez e a chuva bater forte contra o vidro da janela. Como na casa não tinha energia, meu irmão bateu na porta e me ofereceu umas velas. Eu podia escutar a Marina rezando para Nossa Senhora da Conceição no outro quarto, pedindo proteção. Acendi minha vela e fiquei bem quietinho no meu quarto. Meu sangue gelava só em pensar de aquela cobra nos atacar. Deitei-me pensando no quanto o nosso comportamento pode mudar diante de um perigo mortal. Toda aquela coragem que eu tinha em desbravar a natureza desapareceu como em um passe de mágica, e tanto eu quanto o meu irmão nos tornamos covardes. 

Enquanto refletia, ouvi um barulho estranho no lado de fora, como se algo pesado houvesse subido no patamar do quintal. Os cachorros latiam. Meu irmão logo apareceu no quarto para ver o que poderia estar acontecendo. Peguei a faca embaixo do travesseiro e a lanterna na bolsa, e fomos até a janela. Eu tremia tanto de medo que meu estômago parecia querer sair pela boca. Ao chegar de frente para a vidraça, senti um desespero como nunca havia experimentado e agarrei a mão do Pedro pedindo proteção. Ele me puxou para perto da cama e mandou ficar calmo. Mas os cachorros uivando no patamar da casa aumentavam ainda mais meu desespero. Quando lhe perguntei o que poderia ser, Pedro cogitou que o vento devia ter jogado os barcos no lago. 

De repente, ouvimos gritos de socorro. Pedro soltou minha mão e voltou correndo para o quarto onde estavam sua mulher e os filhos. Aquele fenômeno medonho fez minha curiosidade vencer o medo e, mesmo tremendo, fui me arrastando até a janela e abri a vidraça com firmeza. A chuva tinha cessado, mas o céu e as águas continuavam escuras e sombrias como uma noite sem luar. Iluminei a parte mais barulhenta da casa e vi os cachorros na água junto com os barcos. No momento em que iluminava as águas, percebi os olhos da maldita cobra me ameaçando com fúria. Seu olhar, de tão diabólico, me fez urinar na bermuda. Gritei: “Oh, meu Deus. Socorro! Socorro!”. Algo bateu na janela, arrebentando a frágil estrutura de madeira dos batentes. “Será que foi a cobra?”, me perguntei, olhando para o enorme buraco na parede que acabara de aparecer. Gritei novamente: “Pedro, foge com as crianças!”. Comecei a correr para o outro quarto com a faca e a lanterna nas mãos, e, sem querer, derrubei a vela no meu colchão. Fiquei tentando apagar o fogo, mas não consegui, e logo as chamas se tornaram incontroláveis. Meu irmão e sua família correram gritando: “Nós vamos pra casa do vizinho!”. Infelizmente, eu ainda estava no meu quarto, e o fogo queimava o corredor de acesso à porta da rua. Tive de decidir se morria queimado ou se atravessava o enorme buraco recém-feito no lugar da janela. Hesitei por um instante, mas a fumaça escura e fedorenta me asfixiava, então não pensei duas vezes e saí correndo em direção às águas. Mas acabei tropeçando no assoalho liso e fui escorregando de barriga, segurando a faca; já a lanterna escapou da mão e caiu numa posição que iluminava o meu percurso. 

A cobra apareceu bem na minha frente e abriu sua enorme boca. Atônito, notei que ela não precisaria nem me morder pra me engolir por inteiro; ela apenas se arrastou um pouco para cima do patamar e moveu-se para me abocanhar. Covarde, tornei-me sua presa. Senti arranhões na barriga e nas costas, e depois experimentei o contato com a contração muscular do predador e a gosma fedorenta do seu estômago. Tentei resistir, mas conforme os segundos transcorriam, fui perdendo o fôlego e aceitando a minha morte. 

Contudo, não passei a vida inteira sendo corajoso à toa. Coragem era um sentimento que percorria meu sangue, e enquanto ele coagulasse, eu não a abandonaria. Tomei a firme resolução de não me deixar vencer pelo medo. Com minha faca, comecei a rasgar a carne da barriga do animal. Não demorou muito para eu sentir minha mão dentro das águas geladas, e continuei retalhando até eu sair por completo. O estrago que fiz na barriga da cobra devia ter sido enorme, porque escapei com facilidade. Quando me livrei por completo do monstro, respirei como se estivesse nascendo outra vez e fui boiando de costas por uns minutinhos para recuperar minha força física e psicológica. Logo que minha mente se recompôs, nadei com muito sacrifício até a margem do lago e caí desmaiado na praia. Algum tempo depois, o sol de fim de tarde voltou a brilhar em meus olhos, e meu irmão, acompanhado de alguns amigos, apareceu chorando de felicidade ao me ver com vida.

No caminho para a casa de meu irmão na cidade, fui contando para ele e seus amigos o ocorrido. Pedro ficou calado, e os outros caíram na risada achando que era invencionice. Na manhã seguinte, a tevê local mostrou, nas margens do lago de Coari, uma sucuri com mais de 30 metros de comprimento, morta com um rasgo na barriga.  

23 comentários em “Nascendo Outra Vez (Emanuel Maurin)

  1. soniazaghetto
    28 de junho de 2020

    É um conto simples, de uma personagem corajosa e algo bravateira, meio atrapalhada, mas bastante divertida. O autor é criativo e domina bem a língua, mas o texto é irregular: alterna ótimos e bem-humorados momentos com outros que poderiam ser melhor narrados. Os personagens também poderiam ser aprimorados.

    Boa sorte!

    • soniazaghetto
      28 de junho de 2020

      Resumo: homem vai visitar o irmão no Amazonas, levando sua faca-talismã. O irmão, Pedro, vive em uma cidade atemorizada pela presença de uma cobra gigante. Após algum suspense, o homem se depara com o réptil e é engolido por ele, mas usa sua faca para rasgar a carne do animal e libertar-se.

  2. Gustavo Araujo
    27 de junho de 2020

    Resumo: homem vai visitar o irmão em Coari, AM, levando sua faca de estimação. Depois de uma viagem pelo rio, finalmente chega ao local, atualmente assombrado por uma cobra gigante. Em meio a uma tempestade, o homem termina lutando com a cobra; é engolido por ela, mas com sua superfaca, rasga o animal por dentro, libertando-se.

    Impressões: o conto é muito divertido porque lembra aqueles enredos de filme B, onde os dramas se transmutam em comédia, mais ou menos como ocorre em Bollywood também. É tudo muito trash, o que rende ótimas risadas pelo inusitado, com destaque para o amor pela faca. Gostei da ambientação do barco e até da descrição da luta com a cobra. Imagino que a garotada vai gostar desse conto – aventureiro e engraçado. Parabéns ao autor e boa sorte no desafio.

  3. Gustavo Aquino Dos Reis
    27 de junho de 2020

    Resumo:

    O espirito aventureiro de um homem o leva até Coari no intuito de visitar o seu irmão. Munido de sua faca, o mesmo se vê em uma situação de vida e morte contra uma cobra gigante.

    Impressões:

    É um trabalho que traz em si uma jactância masculina. O enredo não me pareceu significativo – não que isso seja ruim. A obra, embora bem escrita e com cenas de ação muito bem construídas, não empolga.

    Porém, foi uma boa experiência de leitura. Principalmente, como já mencionado, as cenas de ação.

  4. Ana Carolina Machado
    27 de junho de 2020

    Oiiiii. Um conto sobre um homem e sua amada faca que o acompanha sempre, inclusive durante uma viagem para visitar o irmão. Ao reencontrar o irmão ele descobre que tem uma cobra atacando pela região e também descobre que Felipe, o amigo do irmão, foi devorado pela cobra e talvez isso explique o comportamento diferente do irmão. No fim a cobra devora ele mas a faca o salva da barriga do animal e uma notícia da TV local parece comprovar a história dele.
    Um conto divertido que resgata a estrutura daquelas histórias que sempre se escuta pelo interior. Achei interessante como trabalhou a relação dele com a faca, em como ele a considerava como se fosse uma amiga de aventura e como o objeto provou seu valor ao rasgar a barriga da cobra. Também achei interessante como a perspectiva de perigo abalou por um momento a coragem dele, o sentimento sumiu em um passe de mágica como ele mesmo diz. Esse momento mostra que todo mundo é corajoso até ter que enfrentar algum perigo de verdade.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  5. Paula
    26 de junho de 2020

    O conto narra a história do vínculo entre dois irmãos. Companheiros de aventura na infância, sempre tinham consigo uma faca. Um deles casa-se e muda para Coari, no Amazonas. O irmão finalmente consegue juntar dinheiro para visitá-lo depois de 5 anos. Descreve a viagem, que inclui um voo e um longo trajeto de navio pelo rio. Sempre carrega sua faca, que usa tanto pra fazer a barba quanto para passar manteiga no pão. Ao chegar, decepciona-se pela falta de ânimo do irmão, que já não carrega sua faca. Vão direto para uma casa de veraneio. Lá, toma conhecimento de que uma sucuri tem atacado os locais, inclusive matando um amigo de Pedro, cuja esposa está extremamente preocupada. Alguns locais chamam isso de invencionice.

    Ao entardecer, o protagonista sai em um passeio sozinho e encontra-se com a enorme cobra, que o hipnotiza. Felizmente, consegue sair do transe e escapar. Conta ao casal, que decide partir no final da tarde. Antes disso, cai uma tempestade e uma cena de terror se instala. A cobra ataca a casa e, na confusão, o protagonista põe fogo em seu quarto. A única saída é deslizar diretamente para a goela de sua inimiga. Por sorte, ele continua com sua faca em mãos e a usa para rasgar a barriga do animal, recuperando sua liberdade e sua vida.

    A história é envolvente, mas, talvez por ser narrada em primeira pessoa e sem expressões profundas de sentimento, me soa a um relato. A última cena é envolvente, mas, para mim, o início e o meio do conto poderia ter um ritmo e uma profundidade mais instigantes. A estrutura está muito boa, soltando-se informações essenciais em momentos adequados, como referir-se à presença da faca em vários pontos do decorrer do conto, o que dá sentido ao protagonista tê-la consigo no momento crítico. Parabéns e boa sorte!

  6. Priscila Pereira
    26 de junho de 2020

    Resumo: Rapaz visita o irmão na região amazônica e leva sua preciosa faca e acaba sendo salvo por ela ao ser engolido por uma cobra.

    Olá, Itaúba!
    O começo do conto com tanta ênfase na bendita faca ficou muito forçado, menino!! Chegou a ser cômico, imaginei que o rapaz tinha alguma compulsão por aquela faca… Não precisava disso, o conto seria muito mais legal sem essa ênfase toda.
    Tirando as várias aparições da faca, eu gostei bastante do conto, você conseguiu narrar tudo de forma a fazer o leitor visualizar com muito interesse. O suspense do final foi muito bom. Tudo se desenrolou com agilidade e sua escrita ajudou muito nisso. Enfim, um conto muito bom que poderia ser melhor ainda se mais sutil.
    Parabéns e boa sorte!
    Até mais!!

  7. Renata Rothstein
    25 de junho de 2020

    Oi, Itaúba!
    Rapaz munido de saudade, vontade de viver aventuras e uma faca parte para a Amazônia para rever o irmão.
    Chegando lá, fica impressionado ao ver o irmão, que está sem a faca, e fica sabendo pela cunhada que uma sucuri mega desenvolvida anda fazendo estragos pela região.
    Conto fácil de ler, embora seja sinuoso como a própria cobra.
    A situação de medo aqui dá lugar à uma quase comédia, não sei se foi sua intenção, mas ficou ótimo rsrs.
    A cobra vingativa quase consegue o intento de engolir o jovem, mas termina retalhada pela insuperável faca.
    Lembrei das facas Ginsu, desculpa rss
    Seu conto é bom, desejo boa sorte no desafio!!

  8. Jorge Santos
    25 de junho de 2020

    Olá autor. Este conto narra a história de um homem que vai visitar o irmão que mora na Amazónia com a mulher e os dois filhos e que mata uma cobra que vinha aterrorizando a região.

    Como pontos positivos deste texto, tenho de realçar as descrições e o ritmo da narrativa.

    Como pontos negativos, tenho alguns problemas de gramática (nomeadamente a palavra viajem) e a pouca coerência da caracterização dos personagens. O personagem principal anda sempre armado com uma faca, gosta de desafios, mas desfalece à frente da cobra. Por outro lado, está há muito tempo sem ver o irmão e quando finalmente o vê, depois de uma viagem de 28 horas, a primeira preocupação dele foi o facto do irmão não ter faca.

    Recomendo ao autor maior cuidado na elaboração dos textos, com uma revisão mais cuidada, qualquer que seja o destino dos mesmos.

    Abraço.

  9. cgls9
    24 de junho de 2020

    Uma faca leva seu dono para uma viagem ao Amazonas. E quando esse aventureiro é engolido, ela, a faca, o salva da barriga da sucuri.

    Gostei muito do seu conto, revela que, ou o autor conhece bem a região em que ambientou sua história, ou fez um belo trabalho de pesquisa. Sua narrativa colocou-me dentro do barco, pude ver os ribeirinhos de passagem, tive nos olhos todo o cenário da história. Não me incomodou a obsessão da personagem por sua faca, mas vamos combinar que é, no mínimo, estranha. A cena do ataque da cobra durante a tempestade é bem escrita e deixaram-me tão apavorado quanto a mulher do Pedro. Acho que o senhor conseguiu o seu intento e nos trouxe uma história bem interessante de leitura fácil e agradável. Boa sorte e parabéns!

  10. Luciana Merley
    23 de junho de 2020

    Olá, autor
    Não sei bem o que dizer desse conto (rsrsr). Deveria se chamar “minha faca, minha vida”.
    Um homem apaixonado por aventuras parte para uma viagem ao Amazonas (ele e sua faca) para visitar um irmão. Entre um passeio e outro, ele se depara com uma sucuri gigante, famosa por devorar pessoas. Mesmo com muito medo, e sendo devorado pela bicha, ele consegue (com sua faca) rasgar a barriga dela e sair ileso.

    Tentarei avaliar da forma mais séria possível, apesar de ter dado boas risadas.

    O conto é claramente uma contação de causo do início ao fim. Uma história de pescador. Não sei se essa foi a intenção do autor, mas pareceu. A linguagem é toda muito arrastada, como quem conta um causo. Não teria problema se fosse na voz de um personagem, mas na voz do narrador ficou extremamente cansativo. Digo, se você tivesse usado um narrador em segunda ou terceira pessoa e colocado o personagem da faca para contar o caso, em diálogos longos, tudo bem, teria ficado ótimo. Mas como está, parece que o escritor tem esse estilo de escrita, repetitivo, não focado, de idas e vindas, contando coisas irrelevantes para a história.
    Achei a sacada do final muito boa, apesar de não ser nova. Foi a parte que fez valer a pena a longa jornada da leitura do seu conto.
    Como disse ali atrás, as passagens durante a viagem (o aeroporto, a hora de dormir, de acordar, a olhadela nas caixas de isopor…) são todas dispensáveis para a narrativa. Tornam o conto muito longo e não acrescentam em nada para o cerne da história.

    Boa sorte e nos vemos por aí em outros desafios.

  11. Thiago de Melo
    22 de junho de 2020

    Resumo:
    O texto conta a história de um jovem que adora aventuras que vai para a amazonia se encontrar com o irmão, que mora lá há alguns anos. Já na chegada ele sente que o irmão está diferente, mais triste talvez, para depois descobrir que os desaparecimentos recorrentes de pessoas na região haviam levado a coragem e o animo do irmão. A narrativa continua até que o jovem viajante também tem seu encontro com a cobra e, numa luta até a morte, sai vencedor e sobrevive após ter sido literalmente engolido vivo.
    Análise:
    O autor foi muito feliz na ambientação da história. As descrições do barco, das caixas de isopor e das interações com os pescadores e com os moradores nas margens do rio foram muito ricas e ajudaram a entrar na história com mais facilidade. Gostei também da referência à faca de damasco. Já fui cuteleiro no passado e já fiz uma faca de aço damasco. São muito bonitas e, se bem feitas, excelentes ferramentas. Nesse particular, achei muito divertido e interessante a importância que o personagem dava à faca, fazendo questão de estar com ela na cintura o tempo todo e, na falta de algo mais importante para fazer, usando a faca para as coisas mais simples, como passar manteiga no pão. Essa insistência na presença da faca com o personagem ajudou também no final da história, quando ele usa justamente aquela faca para salvar a própria vida e sair de dentro da cobra.
    Um conto muito bem ambientado e divertido. As licenças poéticas sobre o comportamento natural de cobras, que não caçam suas presas atravessando paredes de madeira, ajudaram a narrativa a prosseguir e não comprometeram a minha apreciação pessoal da história.
    Um bom trabalho. Parabéns ao autor.
    Um abraço!

  12. Regina Ruth Rincon Caires
    20 de junho de 2020

    Nascendo Outra Vez (Itaúba)
    Resumo:
    A história de um rapaz (Itaúba), Pedro (irmão) e Marina (cunhada). Um conto que versa sobre uma visita ao Amazonas, e sobre o encontro com uma cobra monstruosa.
    Comentário:
    Escrita muito interessante, fluente, e que deixa o leitor ligado. O autor sabe prender a atenção com seu jeito matreiro de narrar. A única coisa que obstaculizou a minha leitura, foi a palavra “viajem” usada incorretamente (pois não se trata de verbo).
    Tirante isso, estive com o personagem/narrador perambulando pelas terras amazônicas, pelas casas flutuantes, e até na barriga da cobra!!! Só não peguei na faca podersa…
    História bem construída, e, quando chega ao desfecho, não contive a viagem sonhada à barriga da baleia azul, com Pinóquio lutando para que ela espirrasse e o lançasse fora. E com a alegria de Gepetto, Pepe Grillo, Figaro, Cleo, a fada azul, Gideon e o Honrado Juan, Strómboli, o cocheiro, a mariposa.
    Repito: o conto proporciona uma delícia de leitura, dá uma ansiedade danada para conhecer o final.
    Quanto ao título, é verdadeiro: o cabra nasceu de novo. O pseudônimo (Itaúba) significa madeira forte, é isso? Seria o mesmo que dizer: “vem não, pica-pau, aqui é aroeira!”? Brincadeirinha. Itaúba é uma árvore que dá madeira para construção naval.
    Parabéns, Itaúba!
    Boa sorte no desafio!
    Abraços…

  13. Alexandre Coslei
    19 de junho de 2020

    Um rapaz que gosta de autoproclamar sua coragem, decide partir para o Amazonas em visita ao irmão e em busca de peripécias que o desafiem. O protagonista demonstra um instinto soturno na relação inconsequente com uma faca da qual não se separa. Ao longo do texto, vai se delineando a possibilidade de um duelo decisivo com uma cobra descomunal que habita o rio. Engolido pela sucuri, o herói se salva rasgando o ventre do monstro.

    Um conto de aventura, impregnado com a ideia de ação e conduzido por autor competente no desenvolvimento. Talvez, porém, a história tenha sido supervalorizada e tornou-se arrastada em alguns trechos. Há também a necessidade de uma pequena revisão no aspecto gramatical em alguns períodos. Gostei da descrição viva dos personagens, um elemento que deu fôlego a narrativa. A leitura não me cansou. Parabéns. Boa sorte!

  14. Felipe Rodrigues Araujo
    17 de junho de 2020

    Narra as aventuras de um rapaz que vai visitar seu lrmão em Coari, acaba sendo engolido por uma sucuri, mas consegue abrir sua barriga e se salvar, comprovado pelo jornal.

    O desencadeamento das ações do progagonista, atrelado às informações sobre a região, são a substância que constrói o começo do conto e, dosadas de forma interessante pelo autor, acabam virando ferramentas que produzem uma forma de suspense. Assim, vendo as descrições e toda a atividade do personagem, percebe-se que tudo isso não passa de um intróito para algo maior, que se apresenta personificado na cobra gigante. Embora o alongamento desta primeira parte esteja um pouco maior do que se espera em detrimento da ação derradeira, os percalços do personagem acabam por amenizar essa falha, visto que é impossível não rir de um cara que acaricia uma faca o conto inteiro para depois “mijar na bermuda” ao se deparar com o animal, o que só traz mais apoio e torna a criação deste personagem principal mais rica. É nesta alteração de estado de espírito que a história tem seu ganho mais positivo.

  15. brunafrancielle
    17 de junho de 2020

    Resumo: Homem que sempre anda com sua faca decide ir visitar o Amazonas, local onde o irmão, Pedro, vive com a esposa, Marina. Leva sua faca que adora. Tem 2 encontros com uma cobra que aterroriza a região. No segundo encontro, é engolido, mas consegue se salvar graças à faca que carrega sempre.
    Estarei analisando os aspectos que EU considero mais importante, baseado nas minhas participações anteriores no certame. Sinta-se a vontade para descartar minha singela opinião se não concordar.
    ENTRETENIMENTO (foi um conto chato de ler? Maçante? Legal?) : Há um excesso de coisas sendo narradas. Muita informação não aprofundada. A cena do embate seguiu o ritmo estabelecido desde o começo e foi rápida demais, sem maiores aprofundamentos.

    COMPREENSIBILIDADE (levando em consideração a formulação de orações e a história em si. Há diálogos confusos e etc?): Falta uma certa naturalidade na narração da história. Está um pouco mecânica.
    Talvez falte experiência a este autor. A ideia foi bacaninha, mas a execução deixou a desejar. Por exemplo, você não soube introduzir a faca na história de forma natural. Você já estava com a ideia de que o fim seria ele saindo de uma cobra com uma faca, então jogou a faca na segunda frase do conto antes mesmo de apresentar o personagem. Não houve um planejamento.
    CRIATIVIDADE/ORIGINALIDADE (eu gosto de ler histórias de coisas que não vi ou não pensei antes. Ideias óbvias não se sairão bem neste quesito.): Razoavelmente criativo. Conseguiu utilizar bem a Amazônia, pois é um lugar onde realmente se imagina que sua história possa passar, em detrimento de outros locais. Não houve porém nada demais além do embate entre o protagonista e a cobra.

  16. Fheluany Nogueira
    15 de junho de 2020

    Homem, amante de aventuras, visita o irmão na Amazônia e, para não morrer, mata cobra enorme, graças à faca que sempre trazia consigo.

    Pareceu-me história de pescador com os exageros característicos! E, eta cobra inteligente que soube procurar justo a casa onde estava seu desafiante.

    Demorou um pouco a pegar o ritmo, mas é um texto interessante, que faz uma avaliação sobre a coragem. Notei certa valorização da faca que só fui entender no final e acabei por me lembrar da história de Jonas e a baleia, do Velho Testamento.

    Parabéns pelo trabalho. Boa sorte. Abraço!

  17. Vanessa Honorato
    15 de junho de 2020

    Um homem (e sua faca de aço damasco) vai em busca de aventura ao se encontrar com o irmão que há muito tempo não via. Faz questão de demonstrar coragem o tempo todo, mas encontra uma sucuri enorme, toda essa coragem se esvai e ele foge. A cobra não se esquece dele e o segue até a casa flutuante de seu irmão, ameaçando a todos. Um acidente com velas acontece e ele tem que escolher se morre queimado ou sai de encontro à cobra. Sem alternativas, ele acaba engolido pela cobra. Só que, ele se lembra de sua coragem e de sua companheira faca e rasga a barriga da cobra de dentro para fora, se safando. Quando é encontrado na praia e conta sua história, é alvo de piada e desconfiança, até que encontram uma sucuri morta com a barriga dilacerada.
    Acredito que o conto foi inspirado na lenda de Boiúna, uma enorme sucuri que enfeitiça suas presas. Gostei do suspense, da ação e da ironia referente a coragem. Com certeza o tipo de leitura que eu aprecio.
    Abraços ❤

  18. Julia Mascaro Alvim
    13 de junho de 2020

    muito legal. adorei a parte em que ele é engolido evocando uma relação quase sexual com a cobra norato///

  19. pedropaulosd
    10 de junho de 2020

    RESUMO: Um homem procurando por aventura decide reencontrar o irmão, que se casou no Amazonas. No encontro, fica sabendo de uma cobra que aterrorizava a região e finda arrumando um enfrentamento pessoal com a mesma, que o persegue até a casa. O confronto final acaba com ele escapando por um triz (ou, melhor, um enorme rasgo), talhado com a faca que sempre carrega consigo.

    COMENTÁRIO: Narrado pelo próprio protagonista, o conto traz uma reflexão ao menos um pouco interessante ao questionar até que ponto vai a coragem, tema que centraliza o enredo. A personagem vê a coragem como um aspecto central de toda a sua vida e se vê pensando se isso é mesmo verdade quando passa por uma experiência de quase morte. O problema é que isso é algo da segunda metade do conto. Na primeira metade, tudo transcorre muito lentamente e achei desnecessárias as descrições da viagem. Pareceu que o objetivo era fazer sentir a distância percorrida, no que foi informado a distância em quilômetros e horas. Mas acredito que poderia ter sido passado de outra forma, ou que durante a viagem pudéssemos absorver mais da personagem do que seu apego pela faca e pela aventura. Quando os irmãos se encontram, senti uma caracterização maior do Pedro do que apenas uma espécie de reflexo distorcido do protagonista, enquanto que a esposa é apenas um obstáculo e as crianças existem. O conto, é claro, não é sobre a família do Pedro, mas sobre a cobra e é quando ela aparece que o conto brilha mais. O problema é que não se dá muito tempo para que ela tenha um destaque maior (que não significa aparecer) e que a personagem possa ter uma maior interação com a questão. Enfim, achei um conto com uma introdução fraca, um desenvolvimento lento e um desfecho cheio de adrenalina que não foi mais forte por não ter sido precedido por um texto mais elaborado.

    Boa sorte.

  20. Angelo Rodrigues
    9 de junho de 2020

    Nascendo outra vez (Itaúba)

    Resumo:
    Homem experimenta a vida em rio amazônico quando em visita ao seu irmão. Depara-se com uma enorme cobra, é engolido por ela, abre-lhe a barriga e escapa vivo e ileso. Logo em seguida descobre uma sucuri de mais de 30 metros morta, com a barriga rasgada.

    Comentários:
    O autor dá ao texto um caráter venturoso quando faz seu protagonista (a faca ou o rapaz?) experimentar a vida na floresta.
    A narrativa é lenta quando busca criar um clima de mistério; não é mau ser assim, mas me gerou alguma impaciência quando o texto não se derrama no centro dos fatos. Torna a faca de aço de damasco algo que quase assume o protagonismo.
    O sujeito venturoso, percebe-se um medroso frente a algo tão grandioso quanto perigoso. A cobrona.
    Creio que o autor tenha criado um texto que migrou da narrativa venturosa para algo de natureza surreal. Fez isso quando deu à cobra do relato o tamanho ainda maior que uma quadra de tênis, que tem somente cerca de 24 metros (as sucuris chegam a cerca de seis metros). A cobra do texto parece crescer conforme o texto avança, que saindo de 25 metros, reaparece com 30.
    Não sei se foi intenção do autor, mas, me pareceu, a bicha foi crescendo para aumentar o terror que ela poderia causar.
    Notei algumas bobeadas na gramática, talvez um regionalismo, tal como ‘voltamos sem se (nos) falar…’.
    Um conto interessante, que trilha a ideia do valente que se acovarda, do citadino que não teme o desconhecido e depara-se com ele no interior, o medo feminino etc. Alguns clichês que funcionam bem neste tipo de narrativa.
    Boa sorte no desafio.

  21. Anderson Do Prado Silva
    9 de junho de 2020

    Entre Contos – Avaliação – Nascendo outra vez

    Resumo: Homem viaja à região da Amazônia para visitar o irmão e acaba enfrentando e matando uma cobra de cerca de trinta metros.

    Abertura:

    ( x ) surpreende: o autor foi capcioso na escolha da primeira frase: “Adoro nadar em águas perigosas”, que prenuncia uma aventura!
    ( ) não surpreende

    Desenvolvimento (fluidez narrativa):

    ( x ) texto fluido: o autor possui pleno domínio das técnicas narrativas.
    ( ) poderia ser melhor

    Encerramento:

    ( ) surpreende
    ( x ) não surpreende: o protagonista é engolido pela cobra, mas rompe-lhe o abdômen e sobrevive. Não foi um final exatamente grandioso ou inesperado.

    Gramática:

    ( x ) não identifiquei erros dignos de nota: o autor possui pleno domínio da língua e é muito cuidadoso na revisão.
    ( ) possíveis erros gramaticais

    Enredo:

    ( ) surpreende
    ( x ) não surpreende: depois da franquia “Anaconda”, poucas histórias que possuam como enredo uma luta de homens contra cobras conseguirão surpreender.

    Linguagem:

    ( ) surpreende
    ( x ) não surpreende: embora o autor possua pleno domínio da língua, sua linguagem, neste texto, não surpreende, pois é majoritariamente denotativa, sem muito poesia ou beleza.

    Estrutura:

    ( ) surpreende
    ( x ) não surpreende: o autor não se aventurou por nenhum inusitado em termos de estruturação de seu texto. É uma história com início, meio e fim, apenas.

    Estilo:

    ( ) surpreende
    ( x ) não surpreende: embora o autor possua pleno domínio da língua e das técnicas narrativas, seu texto não evidenciou algo que se possa considerar “seu estilo”.

    Excertos dignos de nota:

    ( ) sim
    ( x ) não: não identifiquei ou me atentei para nenhum excerto digno de nota.

    Inteligência:

    ( ) desafia a inteligência
    ( x ) não desafia a inteligência: o texto não desafia a inteligência do leitor, que fica dispensado de realizar qualquer esforço intelectual mais significativo.

    Avaliação final: Texto tecnicamente correto. O autor possui pleno domínio da língua e das técnicas narrativas. No entanto, o autor não se aventurou em termos de linguagem, estrutura e estilo. Mesmo o enredo deixa a desejar, pois histórias de homens contra cobras na Amazônia foram vulgarizadas pelo cinema. Como o autor escreve com muita correção e capricho, qualquer texto seu será considerado bom, porém não necessariamente genial. “Nascendo outra vez” é um texto bom, mas sem genialidade. Tenho certeza de que esse autor possui capacidade técnica para escrever textos geniais, mas este, infelizmente, não foi um deles. De toda sorte, pela correção do texto, deixo meu parabéns! E desejo boa sorte no desafio!

    Anderson do Prado Silva

  22. jorgesapia
    7 de junho de 2020

    Gostei. conheci Coari em janeiro de 1973.

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Informação

Publicado às 7 de junho de 2020 por em Amazônia, Amazônia - Grupo 2 e marcado .