EntreContos

Detox Literário.

Labirinto (Bruna Francielle)

Uma mão de temperatura cadavérica acariciava a coxa direita e grossa de Mary Jane. Grãos de pipoca caiam da boca da moça enquanto ela e seu par assistiam a um filme romântico qualquer, numa pequena tela de 12 polegadas que estava acoplada no teto do jatinho de luxo com interior de couro bege em que estavam. Ou pelo menos, Mary assistia. O velho ao seu lado estava mais interessado em se aproveitar dela.

Ignorou-o. Estava acostumada. Nos altos dos seus 16 anos, já tinham sido várias as mãos estranhas que tinham acariciado-na.

– Tá gostando? – perguntou o homem enquanto se esforçava pra apertar a perna dela com sua fraqueza advinda da osteoporose.

– Uhum. – ela respondeu sem prestar atenção enquanto a mocinha dava o beijo final no mocinho na tela a sua frente. Mais um final feliz. A vida sempre termina com um final feliz. Pensou. Era o que os filmes a tinham ensinado.

Quando o deputado federal de SP que estava a seu lado percebeu que o filme terminou, lançou-se sobre a jovem mulata carioca.

Ela nem fechou os olhos. Estava com preguiça de fingir que estava interessada, até porque o senhor tinha uns 70 anos e ela achou que ele se contentaria com pouco.

Enquanto a cena acontecia, Mary – nome fictício de trabalho – lembrava das ideias que sua colega, Mulan, tinha dado quando soubera que Mary tinha sido promovida a atender os figurões do país:

– Você pode gravar tudo e depois chantagear eles. Pode ficar rica SE…. for inteligente.

– Eu não sou mais esperta que eles, Mu.

A garota, um ano mais nova que Mary, olhou-a com reprovação. Mary pensou que talvez Mulan não fosse sobreviver muito tempo naquela profissão. Literalmente.

Foi despertada da lembrança por um puxão nos seus cabelos crespos dado pelo velho. Ele achou que ela iria gostar, certamente. Mas só o que fez foi uma careta de dor e raiva. Se tinha algo do qual ela se orgulhava, eram seus cabelos. Volumosos, bem cuidados. Ficaria muito brava se os clientes começassem a arrancá-los.

Sem paciência, arrancou à força aquela mão de seus cachos. O cabelo não. Isso você não vai estragar. O velho não gostou.

– Arisca. – Reclamou. – Arisca demais. Não é pra isso que to pagando. Aquele velho do Biru-biru já ofereceu um trabalho mais digno.

Biru-biru era o apelido do cafetão. Sabia-se que ele tinha amigos poderosos no país. Biru-biru conseguia as “funcionárias” e “funcionários” através de olheiros que mandava para regiões carentes do Rio. Foi assim que Mary fora descoberta. Certo dia, enquanto se divertia num baile funk em sua comunidade, fora abordada por uma mulher que dizia ter uma proposta de trabalho irrecusável e que ela era perfeita para o cargo.

– Perdão, sr. Eu… O sr. tem razão. Perdoe-me. Por favor…

O velho ainda lhe lançava um olhar de ódio, que Mary segurou com os seus próprios olhos pequenos e pretos, meio puxados, herdados de seu pai. O deputado então, esmoreceu.

– Rum. Espero que melhore o serviço. Desse jeito vou pagar, não.

Mary percebeu que precisava se esforçar um pouco mais, infelizmente. Inclinou-se sobre ele para beijá-lo, mas antes que seus lábios pudessem se tocar foram surpreendidos por um chacoalhão na aeronave.

– O que é… – Nenhum dos dois conseguia falar direito devido aos baques que estavam sofrendo. Os corpos eram chacoalhados de um lado a outro, pra frente e pra trás, a voz saia tremida, até que pela pequena janela oval Mary observou, chocada, que havia fogo na asa do jatinho. Ficou paralisada. Não conseguia se mover, falar ou respirar. Todos os seus sentidos alertaram perigo mortal.

As cenas que se seguiram passaram muito rápido.

Virara estátua. Boca aberta, olhos arregalados de terror, medo em cada célula. Agarrou firme no banco. Escuridão.

 

Mary abriu os olhos devagar e tentou se localizar. Olhou pro lado e se assustou com o que viu: havia um corte terrível na face do deputado; um risco diagonal da sobrancelha até o canto da boca, deixando exposta largamente sua carne facial. Sua mão abafou o grito de terror que dera com a cena.

Um cheiro de queimado preenchia o ambiente. Olhou pra cima: via árvores através do teto retorcido do jato. Foi quando se deu conta de si mesma. Outro susto. Sentiu uma terrível dor ao tentar se mexer, e percebeu que sua pele tinha incontáveis arranhões e feridas.

Fazendo força esticou o braço e tentou acordar o deputado com leves empurrões no ombro.

– Senhor… senhor…

Mas ele não respondia. Mary retirou a mão dele imediatamente assim que percebeu que talvez ele estivesse morto.

Olhou de novo praquele rosto degenerado e dessa vez subiu um vômito que foi parar no chão. Quando tentou levantar, percebeu que usava um cinto que a prendia ao banco. Retirou-o e se levantou.

Será que o piloto estava vivo? Precisava descobrir.

Logo percebeu que era uma tarefa impossível:a parte da frente do jato estava totalmente retorcida e havia pontos de incêndio pra todos os lados.

Com cuidado e esforço, sentindo pontadas agudas de dor por todas as juntas de seu corpo, Mary Jane procurou uma saída daquele lugar, descobrindo que teria que ir pelo teto.

O único caminho era pisando sobre a cabeça do deputado, agarrando a beirada da abertura e usando as forças dos braços pra se elevar pra fora.

Uma careta de nojo ficou estampada em sua face enquanto cumpria a primeira etapa do plano.

 

Uma fumaça preta serpenteava por ali. Mary tossiu e seus instintos a mandaram se afastar daquele lugar. No fim das contas tinha 16 anos, não podia salvar o piloto nem o tal velho e também não queria. Só espero que Biru-biru me pague pelo serviço mesmo que não tenha terminado tudo.

Quando começou no serviço, logo descobriu que aquele não era um emprego como outro qualquer, em que os funcionários tinham direitos. Biru-biru certa vez rira dela quando ela perguntara sobre o décimo-terceiro.

Foi só quando saiu de perto daquela fumaça e olhou ao seu redor que algo a ocorreu. Os problemas ainda não tinham terminado. Na verdade, apenas começaram.

Uma imensidão verde a encarava de volta, por onde quer que olhasse. Pra baixo: verde, pra cima: verde. Onde estou? Putz… o que vou fazer? Estou sozinha no meio de uma floresta… E agora?  O desespero foi inevitável.  

Rodou sobre si mesma, olhando pra paisagem ao redor. Não importava pra onde olhasse, não havia diferença, o cenário era o mesmo. Árvores e mais árvores. E até onde os olhos conseguiam alcançar: árvores. Era um labirinto sem saída.

   To ferrada.

Teve uma ideia: um celular! Eu preciso de um celular! Deve ter um no jatinho.

   Ela mesma não tinha levado nenhum. Celulares eram proibidos em horário de serviço. Mas o piloto e o velho deviam ter um.

Se aproximou cautelosamente do veículo áereo. Espreitou-o. O fogo aumentava, o metal retorcia. Era muito perigoso voltar.

 

Toda história tem um final feliz. Repetia a frase como uma mantra conforme a noite caía. Não havia saído do lugar. Estava a cerca de 100 metros do avião, longe o suficiente da fumaça preta.

Será que alguém vem me procurar? Sua cabeça pululava de perguntas sem resposta. Decidiu esperar pelo dia para fazer alguma coisa. Um pouco da claridade das chamas chegavam até onde ela estava sentada sobre uma pedra. Sentiu algo passar por cima de seus dedos. O jogo de sombras a fez pensar que era um monstro, uma cobra gigante, mas era só uma lagartixa esperta.

Pelo menos não fazia frio. Não planejava dormir, mas estava exausta.

 

Estava escuro e só conseguia pensar em água.  Começou a sentir dor de cabeça, provavelmente pela sede. Precisava ir atrás de um rio, lagoa ou algo assim. Só sabia que estavam sobrevoando o Amazonas no momento do acidente, e pelas imagens que já viu na TV, sabia que tinha vários rios por ali. Não havia pistas de qual seria a melhor rota.

 Minha mãe mandou eu escolher esse daqui… cantarolou, apontando para um lado da floresta de cada vez. Mas como eu sou teimosa vou escolher este da…. qui.

A medida que se afastava da fonte de luz, os pelos se arrepiavam e os sentidos ficavam mais atentos. Sentia nitidamente o barulho da sapatilha azul pisando nos galhos secos e quebrados que haviam pelo chão da floresta. Andava com os braços estendidos, tateando o ar a sua frente. Tinha reparado como o lugar tinha teias de aranha e prestava bem atenção nisso. Passo a passo. Logo começou a ouvir um barulho de água. Comemorou internamente. Toda história tem um final feliz. Ela estava perto. Foi quando avistou a Lua cheia que percebeu como raramente costumava olhar pro céu pra admirar os astros. Também não estava olhando pro céu naquela hora. Era só a imagem da Lua refletida na água. Sorriu, apesar de tudo que estava vivendo.

Próxima a beirada, se agachou e, com as mãos em formato de concha, capturou a água do rio à sua frente. Parecia que a garganta estava mais seca do que nunca com a expectativa do primeiro gole.

Finalmente.

Virou a concha sobre a boca enquanto uma mão agarrava sua batata da perna e dava um puxão pra trás. Desequilibrada, derramou o líquido no chão enquanto soltava um berro assustado.

A luz da Lua iluminou de leve a terrível face que a encarava na noite, revelando um grande corte profundo em diagonal.

– Aí está você… achou que ia fugir de mim? – berrou o velho, todo cheio de sangue, enquanto segurava com uma espantosa força a perna de Mary.

À visão da imagem horrível, Mary gritou mais uma vez e com um pulo, acordou com o coração disparado.

Era dia e ela estava sobre aquela mesma pedra. Respirava ofegantemente devido ao pesadelo. Olhou em volta, procurando pelo pelo dono daquela terrível cicatriz , mas não havia ninguém.

 

À sua volta, o cenário a enchia de aflição. Àrvores soberanas. Imensas, velhas, novas. Nenhum caminho, nenhuma trilha. Nada que identificasse qual caminho seguir. Atingida pela possibilidade de que jamais conseguiria sair dali, lágrimas verteram de seus olhos. Desesperada, olhou pro céu emoldurado entre os galhos das árvores e gritou. Sem esperanças de que ninguém ouvisse… era pura agonia e loucura.

Depois enterrou a cabeça entre as mãos. Será que não era melhor ter morrido no acidente?

 

Logo descobriu que realmente ia ter que procurar por água. Tinha que aproveitar a luz do dia pra fazer alguma coisa.

Pensando em formas de não se perder, lembrou-se de uma história que sua prima a havia contado certa vez, sobre dois irmãos que, pra não se perderem na floresta, jogaram migalhas de pão pelo caminho. Era José e Maria ou algo assim. Era isso. Iria procurar alguma coisa pra usar a mesma tática e não se perder. Até o momento, a única estratégia que pensara era permanecer perto do jatinho, pois mais cedo ou mais tarde alguém ia procurar pelo deputado, mesmo que não ligassem pra ela.

Não havia nada por ali que pudesse ser usado de forma a destacar o caminho. As pedras que tinham no chão eram iguais a todas as outras. Não serviam pra marcar trilha. Teve uma ideia. Juntou vários galhos finos que havia pelo lugar, e os quebrou em pedaços menores. A cada cinco cinco passos, fincaria um em pé no chão de terra da floresta.

      Minha mãe mandou eu… – cantarolou até escolher a primeira tentativa.

A tática do galho de pé funcionara. Ela conseguira andar alguns metros e voltar pro mesmo lugar, recolhendo os galhos na volta, com sucesso. Só não conseguira achar água. Teria que andar mais longe. Mesmo assim, podia nem haver água por perto. Mas não havia escolha: era tentar ou morrer de sede.

Andou durante horas, para três direções diferentes, até achar um grande morro em meio àquele terreno plano. Decidiu subir lá para ter uma visão amplificada da região. De longe, o morro parecia coberto por um tapete de árvores.

 

Achou que não ia chegar. Mas não tinha nenhuma outra opção a não ser tentar: havia andado muito pra desistir agora. Suas pernas doíam. Arranhões adicionais de espinhos da selva aumentavam gradativamente pelas partes expostas de seu corpo magricela.

Muito esforço depois, percebeu que tinha sido uma boa ideia. Do alto do morro, avistou um fio cinza há algumas centenas de metros do outro lado do morro. A injeção de esperança renovou suas energias, e ela se encaminhou para lá. Toda história tem um final feliz.

Os passos eram apressados, estava sendo carregada pelos pensamento nos quais se via tomando água. Conforme se aproximava, foi percebendo que não estava sozinha. Os sons da floresta se adensavam. Tinha certeza que ouvira macacos conversando nas árvores. Não sentiu medo deles. Um vulto muito rápido cortou o caminho na sua frente. Será um macaco? , pensou, mas não era.

Continuou andando, levada pela imaginação de si mesmo tomando água gelada. Quando avistou o rio, não sentiu a alegria que supusera que ia sentir. No lugar disso, um arrepio de medo percorreu sua espinha. Ela não era a única com sede.

 

Distraída, uma onça bebia a desejada água. Mirando fixamente o animal, Mary recuou alguns passos, em pânico paralisante. “Preciso sair daqui…”

Juntou forças o suficiente apenas pra sair correndo. Foi a toda para a direita, margeando o rio e se afastando daquele ponto. Na hora, esqueceu de deixar os galhos marcando o caminho.

 

Correu vários metros,e depois mais ainda, até se sentir segura para se aproximar da margem. Olhou; dessa vez, área limpa. Bebeu, e foi como tinha imaginado. Maravilhoso.

 

Depois percebeu que não tinha deixado uma trilha de galhos ao fugir da onça, mas lembrava que o caminho era margeando o rio. Depois de andar tanto, começou a sentir fome. Era normal.

Que horas seriam agora? Meio dia, talvez? Mas não era. Mary descobriu isso quando começou a escurecer e ela não avistava o morro nem os galhos no chão.

 

Os sons da noite perto do rio eram muito piores do que no meio da floresta. Claramente havia muito mais animais a solta por ali. Abraçou a si mesmo enquanto rezava pra sobreviver mais uma noite. Adotou uma árvore e não saiu de perto dela. Era a figura de segurança que criou na sua mente. Não dormiu dessa vez, ficando atenta a cada pequeno barulhinho. Felizmente estava intacta quando amanheceu, embora apavorada.

 

Ainda procurava reencontrar o ponto de onde fugira da onça quando ouviu um barulho familiar. Era um helicóptero que se aproximava. Mary olhou pra cima, esperançosa mas sabendo que precisava chamar a atenção do piloto. Esperou, até que a nave apareceu.

– Aqui! Aqui! Olha pra cá!  – Mary pulou, balançou os braços, mas o helicóptero não parece ter se dado conta de sua presença. Será que tão atrás do jato? PRECISO VOLTAR AGORA.

Sem saber por onde ir, mas sentindo a pressão do tempo contando contra si tomou uma decisão. Partiu em disparada para onde ela achava que era o local do acidente.

 

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Fabrício não demorou pra encontrar os destroços da queda. Ainda havia alguns resquícios de fumaça preta saindo da área. Eram fracos, mas visíveis de sua posição nos céus.

– Achei! – Gritou pros dois socorristas que o acompanhavam.

Em poucos minutos, o helicóptero plainou no céus enquanto uma corda era atirada pro chão. Fabrício e seus colegas desceram juntamente com alguns equipamentos de segurança.

A cena era feia, o jato estava parte destroçado, parte derretido. Sabia que dificilmente encontraria sobreviventes.

Quando apagou com um extintor portátil o resto dos focos de chama que havia ali, e verificou o interior do jato, soube que estava certo. Tanto o piloto quanto o deputado estavam mortos.

– Não há mais ninguém? – perguntou um colega.

Fabrício foi em busca da caixa preta e no caminho encontrou o Plano de Vôo ainda intacto. Passou os olhos até encontrar a lista de pessoas que estavam a bordo naquela viagem. Só havia dois nomes: piloto e deputado.

– Não. – respondeu.

 

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Logo a notícia da queda da aeronave e da morte do deputado preencheu todos os noticiários. Biru-biru parou o que estava fazendo pra assistir.

– Os bombeiros informaram que haviam apenas duas pessoas à bordo: o piloto e o nobre deputado … 

Suspirou, lembrando da jovem garota que havia mandado para fazer companhia ao seu velho amigo. Um homem honrado, casado e pai de seis mulheres, que jamais viajaria com prostitutas, obviamente. O piloto era bem pago pra deixar isso claro no Plano de Vôo. O contrário disso seria um escândalo fedorento que Biru-biru não queria cheirar.

Pensou na lista de clientes que atendia. Empresários, famosos, políticos… Abrir a boca era o mesmo que destruir o próprio negócio, além de se auto-incriminar. Burrice… Discrição era fundamental no seu negócio.

– Que será que aconteceu com ela? – pensou, enquanto procurava no celular a ficha de sua funcionária, Camila Santana, nascida e criada na Rocinha, RJ, 16 anos, e deletava todas suas informações do arquivo. – Ela quem… aliás. De quem estou falando?

Acendeu um baseado usando uma nota de cem reais. Adorava fazer isso. E decidiu: jamais conheceu nenhuma Camila, nem Mary Jane, nem nada disso. Aliás, ele também era um homem honrado que nada tinha a ver com prostituição. Atividade ilegal e contra seus princípios religiosos.

 

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Mulan gritava com o delegado:

– Ela estava naquele vôo.. a Mary Jane!

Sobrancelha erguida, ele respondeu:

– Aquela do homem aranha?

– É o codinome dela. Não sei o nome verdadeiro. Mas sei que ela estava lá… A gente não pode falar dos nossos clientes pra ninguém, mas eramos amigas, e…

– Não há nenhuma prova ou evidência de que havia mais alguém naquele vôo, garota. Inclusive, no Plano de Vôo…

Foi interrompido pela cadeira de Mulan sendo arrastada pra trás, enquanto ela se levantava abruptamente.

– Deixa pra lá. – Disse. Era inútil. Mesmo que ele acreditasse, não se importaria. Ninguém iria procurar Mary, assim como não procurariam Mulan. O que estava pensando de ir atrás da polícia?

17 comentários em “Labirinto (Bruna Francielle)

  1. marcoaureliothom
    27 de junho de 2020

    Olá autor(a)!

    Antes de expor minha opinião acerca da sua obra gostaria de esclarecer qual critério utilizo, que vale para todos.

    Os contos começam com 5 (nota máxima) e de acordo com os critérios abaixo vão perdendo 1 ponto:

    1) Implicarei com a gramática se houver erros gritantes, não vou implicar com vírgulas ou mínimos erros de digitação.

    2) Após uma primeira leitura procuro ver se o conto faz sentido. Se for exageradamente onírico ou surrealista, sem pé nem cabeça, lamento, mas este ponto você não vai levar.

    3) Em seguida me pergunto se o conto foi capaz de despertar alguma emoção, qualquer que seja ela. Mesmo os “reprovados” no critério anterior podem faturar 1 ponto aqui, por ter causado alguma emoção.

    4) Na sequência analisarei o conjunto da obra nos quesitos criatividade, fluidez narrativa, pontos positivos e negativos, etc.

    5) Finalmente o ponto da excepcionalidade, que só darei para aqueles que realmente me surpreenderem.

    Dito isso vamos ao comentário:

    RESUMO: Uma acompanhante de luxo dá o azar de ser a única sobrevivente após um acidente aéreo em plena selva amazônica.

    CONSIDERAÇÕES:
    Seu conto traz uma das melhores tramas entre os contos do Desafio, mas apesar disso, em minha opinião, houve muitas falhas na execução.
    O acidente por exemplo, não foi nada explicado, um corte abrupto entre tentar seduzir o sujeito e já estar como única sobrevivente e o avião no chão.
    Queda de avião na floresta é complicada porque que as árvores fazem um estrago enorme na fuselagem e a garota sair ilesa tornou a história pouco crível, em minha opinião.
    Igualmente o respeito exagerado quando ela diz “Senhor… senhor…”, não parece algo que uma meretriz, mesmo de luxo, iria dizer e no fim não sabemos se haverá uma redenção e a menina será salva ou se tornar-se-á uma vítima tardia do acidente na floresta.
    Independentemente da avaliação, aproveito para parabenizar-lhe pela obra e desejo sucesso na classificação final.

    Boa Sorte!

  2. Daniel Reis
    27 de junho de 2020

    7. Labirinto (J)
    Resumo: uma jovem prostituída é levada em viagem de avião fretado por um deputado. Ao passar pela região amazônica, o avião cai, ele e o piloto morrem, mas ela sobrevive. Como viajava incógnita, não há buscas e ela fica perdida na mata. Sua melhor amiga na profissão tenta avisar, mas parece que ninguém dá importância para a história. E nem para elas.
    Comentário: sobre a PREMISSA, a história é plausível e original, ainda que o tema do desafio só sirva como cenário para o acidente, o que prejudica um pouco o comparativo com outros contos. Na parte TÉCNICA, o autor se mostrou um excelente construtor de personagens, insuflando personalidade ao que seriam estereótipos (o deputado corrupto, a jovem prostituta explorada, o cafetão indiferente, etc). Ponto positivo! Por fim, o EFEITO NO LEITOR foi positivo também, já que a história se desenvolveu de forma coerente, ainda que deixe uma decepção pela situação final da protagonista.

  3. Amanda Gomez
    27 de junho de 2020

    Resumo 📝 Mary Jane. Uma garota de programa acompanha um deputado em uma viagem. O avião cai e ela é a única sobrevivente. Se afasta do local pra encontrar água mas acaba se perdendo. O resgate chega mas não a alcança. Fica perdida na floresta pois apenas não estava no plano de voou. E sua presença ali seria desastroso para os negócios do seu “agente”.

    Gostei 😁👍 Gostei bastante da história. Principalmente porque ela foi me surpreendendo aos poucos. Sobretudo o final. Que é onde está toda a mensagem do conto, onde nós faz refletir. Onde nós faz erguer a sobrancelha e pensar… ” Putz” isso é bem fácil de acontecer mesmo. A sensação de terminar o conto e ficar com ele na mente é outro ponto positivo. O que acontecerá com Mary? Ela vai sobreviver? E a amiga…vai mesmo desistir? Promete uma continuação bem vinda.

    Não gostei🙄👎 o ponto não tão positivo é justamente a parte em que o autor aborda a floresta. Fica clara a insegurança nas descrições. A questão da própria personagem é algo a destacar. Ela não parecia estar vivendo aquela situação. ( Perdida no meio da floresta logo após um seríssimo acidente aéreo) Não senti profundidade nos sentimentos..no medo… angústia. De fato ela parecia uma garota jovem e ingênua perdida. Mas ainda assim carecia de uma camada a mais de “mostrar”

    Destaque📌 Acendeu um baseado usando uma nota de cem reais. Adorava fazer isso. E decidiu: jamais conheceu nenhuma Camila, nem Mary Jane, nem nada disso. Aliás, ele também era um homem honrado que nada tinha a ver com prostituição. Atividade ilegal e contra seus princípios religiosos.

    Conclusão = Texto inteligente que constrói muito bem a trama. Surpreende e causa reflexões. Falta aprofundamento na personagem.

  4. Gabriela
    25 de junho de 2020

    Mary Jane é uma garota de programa que está em um jato particular com um político.
    O avião cai na selva Amazônica e o político e o piloto morrem.
    Mary sai pela floresta na esperança de encontrar socorro.
    Anda até encontrar um rio. Vê um helicóptero sobrevoar o local porém ele parte sem vê-la.
    Infere-se que Mary acabou morrendo perdida na mata.

    Esse é mais um conto dos que li que aborda aspectos sociais do nosso país.
    Aspectos ruins. Políticos que posam de bons moços, com famílias tradicionais que buscam sorrateiramente, diversão com garotas de programa.
    Garotas de programa cujas vidas são vazias de esperança e de oportunidades e veem na prostituicão uma solução para seus problemas, seus sonhos.
    Valores humanos medidos pela posição social e econômica.
    Apesar de ser um tema comum, abordado na forma de conto, me fez sentir mais forte.
    Imaginar Mary perdida na selva até a exaustão e morte e o menosprezo por sua vida me fez sentir emoção!

  5. Regina Ruth Rincon Caires
    25 de junho de 2020

    Labirinto (J)
    Resumo:
    A história de Mary Jane (Camila), do velho deputado, de Mulan (outra garota de programa) e de Biru-biru (cafetão). O avião cai na floresta amazônica, apenas Mary sobrevive. Mas não é socorrida, não está na lista de passageiros do jatinho (claro)…
    Comentário:
    O texto traz um enredo interessante, muito criativo. A narrativa é cadenciada, lógica, tem estrutura perfeita. É um conto que prende a atenção, mostra a realidade da prostituição de menores, a exploração dos corpos inocentes sob o domínio do poder, a indignidade do comércio por cruéis “patrões”.
    A escrita está bem comprometida, o texto precisa de cuidadosa revisão. Há deslizes de pontuação, colocação pronominal, concordância. Isso acontece, é normal.
    É muito boa a descrição utilizada no texto. O leitor percebe as cores, a paisagem, chega a cortar os gravetos junto com a personagem. Muito bom.
    O título refere-se ao ambiente dentro da mata, sem saída. E o pseudônimo, confesso, eu não decifrei.
    Parabéns, J!
    Boa sorte no desafio!
    Abraços…

  6. Gustavo Araujo
    25 de junho de 2020

    Resumo: garota explorada sexualmente sofre um acidente aéreo na região amazônica. Ela é a única sobrevivente. Cedendo à sede, sai em busca d´água até encontrar um rio. Quando finalmente consegue se saciar, avista um helicóptero, que ruma para o local em que os restos do avisão se encontram. Apenas os corpos do piloto e de um deputado são encontrados. No Rio de Janeiro, o sumiço da garota é ignorado. Para todos os efeitos, de seu cafetão ao delegado, ela nunca esteve na aeronave.

    Impressões: este conto é uma boa surpresa no desafio. Pelo primeiro parágrafo, percebi que J é alguém ainda em formação nas artes da escrita e por isso esperei uma narrativa mediana. Contudo, à medida que a história avançava, me vi enredado pelas agruras de Mary Jane. Sim, o conto é narrado com um estilo de linguagem infanto juvenil, mas as sementes relativas às indagações filosóficas e psicológicas estão todas ali. O abandono, a desesperança, a fé em dias melhores. A saga da menina na floresta ficou muito boa, com os fantasmas em sua mente, com os animais à espreita e, claro, com o helicóptero que jamais irá resgatá-la. Li há alguns anos o livro do Steven Callahan, que fala de um náufrago que permaneceu 70 dias à deriva numa jangada, sendo ignorado pelos navios que por ele passavam. Essa coisa de estar ali, pronto para ser resgatado e ver-se frustrado é realmente decepcionante e J conseguiu, aqui, reproduzir essa realidade. No final, há ainda a questão social, a inexistência, para efeitos oficiais, desse tipo de comércio, da exploração sexual.

    Claro que apesar das qualidades há muito a acertar. O conto clama por uma revisão mais apurada. Também padece de clichês, como o fato do cafetão acender o charuto com uma nota de cem reais, ou o “cliente” ser um velho deputado. Também há um plot hole na trama, por acho difícil que um avião saído do Rio de Janeiro fosse até a Amazônia, um passeio bem distante, para o sujeito se satisfazer com a menina. Outro ponto deriva daí: a adequação ao tema do certame ficou bem a desejar. A queda poderia ter acontecido em qualquer floresta próxima do Rio ou de São Paulo. Puxar tudo para a Amazônia ficou bem forçado.

    Enfim, como peça de entretenimento, o conto me agradou bastante, pois fala de sobrevivência, sobre a essência de qualquer ser humano que é a busca por proteção. Mas, puxando pelo lado do desafio, não dá para dizer que foi assim tão adequado. De todo modo, J, dou-te os parabéns e desejo boa sorte no certame.

  7. Tereza Cristina S. Santos
    22 de junho de 2020

    O conto fala de Mary Jane, uma garota de 16 anos que foi contratada pelo deputado federal de SP para ser sua acompanhante em uma viagem no avião que atravessaria o Amazonas, porém durante o trajeto o jato caiu e somente ela sobreviveu. À noite, Fabrício chegou de helicóptero na floresta para verificar se havia sobreviventes, mas só achou destroços do jatinho. Mary Jane não constava na lista de pessoas que estavam a bordo naquele vôo, o cafetão ficou satisfeito por que seu negócio não foi prejudicado e a imagem do seu cliente não sofreu danos.
    O texto é bem estruturado, possui início, meio e fim. Apresenta uma descrição com detalhes da floresta Amazônica.O autor consegue desenvolver as idéias com coerência.O argumento do texto está dentro do tema proposto.

  8. Anderson Do Prado Silva
    20 de junho de 2020

    Resumo: Garota de programa sobre acidente aéreo e é abandonada na Amazônia sem resgate.
    Comentário: Texto criativo que extrapola bastante os limites do que se poderia esperar em um desafio que tem como tema a Amazônia. O autor, a revelar demasiada sensibilidade, trata das vidas precarizadas das mulheres jovens das periferias que, por vezes, encontram na prostituição um meio de vida. Ademais, o texto não deixa de realizar uma acirrada crítica às hipocrisias que abundam em alguma parte de nossas elites. Autor, estes são os méritos do seu texto.
    No entanto, no que toca ao domínio da língua e das técnicas narrativas, você ainda pode amadurecer. Existem muitas formas de se alcançar esse amadurecimento, mas a que mais gosto é a leitura de autores consagrados pela crítica. Não precisa encarar os grandes gênios cansativos, a exemplo de José Saramago, mas consuma, ao menos, autores do gabarito de Mia Couto (escritor moçambicano contemporâneo, que escreve muito bem, sem descambar para aquela genialidade que pesa e cansa, sobretudo aos que têm uma vida mais corrida).
    Porém, independentemente de qualquer ressalva que eu ou qualquer outro possa formular sobre o seu texto, nenhum de nós poderá, jamais, negar-lhe a ousadia e a coragem de estar se submetendo a esse julgamento tão crítico que o anonimato e o distanciamento imposto pelas regras do desafio propiciam. Assim, siga escrevendo, siga lendo e siga participando de concursos e desafios. O sol é para todos é um romance, é um filme, é um lugar comum, mas também é uma verdade. Seu tema, neste texto, é lindo e sensível! Seu texto é surpreendentemente longo, demonstrando que você possui repertório. E o final que você imprimiu à sua história é desconcertantemente realista, fazendo-me mesmo perguntar quantos não são as nossas desaparecidas.
    Seguem algumas dicas:
    – o verbo cair, na terceira pessoa do plural do pretérito imperfeito possui acento agudo: “grãos de pipocam caiam”;
    – use a contração “pra” apenas quando estiver reproduzindo falas ou pensamentos. Na narração em terceira pessoa, use “para”: “olhando pra paisagem ao redor”, “pra não se perderem na floresta”, “havia andado muito pra desistir” etc.;
    – o verbo ser, na primeira pessoa do plural do pretérito imperfeito possui acento agudo: “mas eramos amigas”;
    – não use as siglas dos estados no seu texto. Prefira “de São Paulo” a “de SP”;
    – você precisa cuidar mais das vírgulas. Leia seu texto em voz alta, atentando-se para as “pausas” que você normalmente realiza na leitura. Veja algumas inserções de vírgulas realizadas por mim: “Ou[,] pelo menos, Mary assistia”; “O deputado[,] então, esmoreceu”; até que[,] pela pequena janela oval[,] Mary observou”; “fazendo força[,] esticou o braço”; “e[,]dessa vez[,] subiu um vômito”; etc.

    • J
      21 de junho de 2020

      Puxa, muito obrigado pelas suas dicas e explicações. Procurarei me atentar mais a essas coisas.

  9. pedropaulosd
    18 de junho de 2020

    RESUMO: Camila se vê perdida na floresta amazônica após a queda do jatinho em que estava. Após os socorristas concluírem que não havia mais ninguém, o cafetão que chefia Camila decide que, morta ou viva, perdida continuaria. A única que parece se importar é a colega de trabalho dela, pseudônimo Mulan, mas ela descobre logo que não adiantaria tentar por si própria procurar pela amiga.

    COMENTÁRIO: O conto traz uma mensagem pertinente e uma premissa viável, mas ao meu ver falha na execução. A escrita carece de uma elaboração maior, sem consistir num vocabulário amplo ou descrições mais aprofundadas do que ocorre e dos ambientes onde as personagens se encontram. Em si, isso não é um defeito, mas aqui tira um possível brilho da estória, cujo enredo em si já não é muito brilhante. Todas os personagens parecem bastante estereotipados e vazios. Camila é quem ganha mais espaço no enredo, com a sua luta pela sobrevivência que ao final se demonstra inconclusiva. A inocência da personagem poderia ser mais bem construída, pois o que se deu foram duas declarações de que ela acreditava em “finais felizes” como uma regra da vida, o que tanto pela experiência que parece ter e apesar da idade, não parece nem um pouco real. Não quer dizer que a personagem não possa ter esperança, mas aí é que o conto pecou. Como os outros personagens, Camila é um tanto vazia e aqui aparece como não sendo muito mais do que esse acidente que sofreu. É uma pessoa perdida numa floresta, mas não muito mais. A personagem não tem muito histórico. A sua origem poderia não ser só geográfica, mas incluir também seus anseios, em que o cuidado com os cabelos poderia se manter com um dos traços. Ora, se acredita que existem finais felizes, que tipo de final ela deseja para si? Entrou para a prostituição porque acredita que pelo rendimento conseguiria se patrocinar uma educação e uma mudança de trabalho? Ou acredita que a prostituição pode assegurá-la por tempo o suficiente e satisfatório do futuro que visualiza? Essas perguntas dão algumas oportunidades do que poderia tornar a personagem alguém com quem se pode importar. No lugar disso, foram dadas descrições de sua jornada pela floresta e da sede que sentia, uma opção que não contribuiu muito para tornar a leitura interessante. Porque até aí, se ela vai escapar ou não, não importa muito. A súbita transferência para a perspectiva do socorrista pareceu desnecessária, pois só consolidou que Camila não seria achada, fato que poderia ficar claro apenas pelos pontos de vista de Mulan ou Biru-Biru. Como o socorrista Fabrício não teve nenhuma função a não ser confirmar que não havia mais ninguém no jatinho – o que em si poderia ser direcionado a mostrar como simples decisões como essa tem grande impacto na vida real de pessoas – me parece que todo o trecho poderia ser descartado e o conto poderia ser simplesmente continuado a partir de Biru-Biru que, por sinal, realmente me pareceu apenas um grande estereótipo, fumando dinheiro e fingindo momentos de compaixão. O desfecho, mais uma transferência súbita de perspectiva, pareceu igualmente não requisitado, pois as esperanças igualmente inverossímeis de Mulan apenas serviram para dar alguma conclusão à desventura da amiga. Por um lado, é aí que entra a mensagem interessante, que é a extrema vulnerabilidade que pessoas envolvidas na rede de prostituição estão acometidas. Por outro lado, todos os elementos já criticados contribuem para que não haja interesse pelo desfecho de Mary, trágico que seja, e todo o espaço cedido às variadas perspectivas poderia ter sido para dar uma profundidade maior à personagem de Mary e seu infortúnio. Indo para outra crítica, escrevo agora sobre a adequação ao tema. O conto se passa, em parte, na Amazônia, mas a floresta em si praticamente não aparece no conto. Usar a floresta como espaço em que se desenrola a trama é uma apropriação temática pobre, pois os eventos ocorridos na estória poderiam mesmo ter ocorrido em qualquer lugar, nada da originalidade da Amazônia aparecendo de forma determinante no que se lê. Poxa, dos focos habitacionais que apareceram na floresta ao longo do tempo, especialmente no século XX, por exemplo, é certo que prostituição poderia ser um tem aproveitável e dotado de uma natureza regional própria. Por que não se aproveitar disso? Tenho certeza que a mesma mensagem do conto poderia ser alcançada. É um exemplo, claro. Espero ter sido construtivo.

    Boa sorte.

    • J
      21 de junho de 2020

      Obrigado pela atenção e pelas suas considerações!

    • J
      21 de junho de 2020

      Ah, sobre a protagonista não ser da Amazônia, apenas quis reforçar o fato de ela estar perdida por não ser familiar à região amazõnica.

  10. Fabio D'Oliveira
    17 de junho de 2020

    Resumo: Mary Jane estava num programa com um deputado safadão. O jatinho caiu e ela fica perdida na floresta. Quando se aventurou profundamente, atrás de água, acabou desencontrando o resgate, tendo o destino incerto.

    Olá, J!

    Serei bem sincero: tem que melhorar MUITA coisa aí. Você sabe escrever, de fato, mas sua técnica demonstra certa inexperiência. A estrutura do conto, por exemplo, é o reflexo de sua insegurança como escritor. Os “capítulos” são completamente descartáveis, podendo manter uma única linha narrativa, sem os pulos, mantendo apenas as divisões nos atos que focam em outros personagens. É possível que não tenha se sentido seguro o suficiente para inserir as transições na narrativa em si, por isso optou por esses pulos, mas não fuja daquilo que te deixa inseguro. Encare. Se errar, saberá onde errou e poderá melhorar na próxima vez. Preste atenção na sua narrativa também. Ela é casual demais. O problema não é a simplicidade, isso pode até ser uma virtude, mas quando pende para o banal, pode ser prejudicial, pois empobrece seu texto.

    Olhe esse trecho:

    “Os passos eram apressados, estava sendo carregada pelos pensamento nos quais se via tomando água. Conforme se aproximava, foi percebendo que não estava sozinha. Os sons da floresta se adensavam.”

    Veja como dá para deixá-lo mais elegante e fluído:

    “A pressa não estava apenas em seu corpo, mas também na mente: via-se sentada no leito do rio, bebendo a bendita água, puro néctar da vida. Naquele momento, enquanto avançava descompassadamente, ficou nítido que não estava sozinha na floresta. Os sons da fauna local estavam mais intensos que nunca.”

    Como você aparenta inexperiência, é normal ainda ter uma narrativa mais pobre, sem estilo e brilho. Se for este o caso mesmo, foque nisso: tente escrever com mais poesia, brinque com palavras, tentando encontra seu estilo. E estude lendo autores consagrados. A melhor forma de aprender a escrever é lendo. E seja mais ousado: o enredo é recheado de clichês, de cenas sem impacto por serem estereotipadas demais, tudo muito repetitivo com o que já foi explorado ao cansaço. A criatividade está no ato de fazer o clichê soar original.

    Você escreve com muita paixão, nota-se pela escrita apressada, descuidada e personagens bem vivos, com motivações próprias. Só precisa cuidar da parte técnica e manter essa paixão. Se fizer isso, poderá melhorar num ritmo rápido!

    Felicidades para ti!

  11. angst447
    14 de junho de 2020

    RESUMO:
    Camila Santana, codinome Mary Jane, jovem de 16 anos acompanha um deputado septuagenário, contratada para prestar serviços sexuais. O avião, ao sobrevoar a região amazônica, cai, e só Camila sobrevive. Procura por água e se emprenha na mata, foge de uma onça, mas depois consegue matar sua sede. Avista um helicóptero e supõe que estejam procurando pelo deputado. Corre de volta ao local do acidente, mas é tarde demais. Já haviam concluído que os únicos envolvidos no acidente tinham sido o deputado e o piloto. A existência de Camila é ignorada como sempre foi – conclusão da amiga Mulan que em vão procura a polícia para contar sobre o desaparecimento da parceira de trabalho.

    AVALIAÇÃO:

    * T – Título: Simples, sem entregar a trama.
    * A – Adequação ao Tema: embora a Amazônia só sirva de cenário para a trama, foi bem caracterizada, assim considero que o conto tenha abordado o tema proposto.

    * F – Falhas de revisão: elenco a seguir alguns tropeços na revisão, mas isso não altera minha avaliação do conto.
    que to pagando .> que tô pagando
    To ferrada. > TÔ ferrada
    que já viu .> que havia visto/que tinha visto/que vira
    quebrados que haviam pelo chão > quebrados que havia pelo chão
    Próxima a beirada > próxima à beirada
    pelo pelo dono > pelo dono
    Àrvores > Árvores
    esperanças de que ninguém ouvisse > de que alguém ouvisse
    que sua prima a havia contado > que sua prima havia lhe contado
    que tinham no chão > que tinha no chão
    há algumas centenas de metros > a algumas …
    de si mesmo > de si mesma
    Foi a toda > foi à toda
    Abraçou a si mesmo > abraçou a si mesma
    que haviam apenas duas pessoas à bordo > que havia apenas duas pessoas a bordo.
    * O – Observações – Bom ritmo de narrativa impulsionado pela aventura de Camila na selva, com descrições que não chegam a prejudicar o interesse do leitor. Sem entraves ou voltas, o que faz com que a leitura flua bem.
    * G – Gerador (ou não) de impacto – embora ão seja uma ideia muito surpreendente, a trama leva à reflexão sobre de vidas como de Camila, jovens esquecidas pela sociedade. No meio da floresta amazônica, ela desapareceu porque talvez nunca tenha existido de fato para os outros.
    * O – Outros Pontos a Considerar – A linguagem utilizada é simples, o que faz cair em algumas armadilhas do casual demais. No entanto, a escrita revela potencial para mais. Vontade de contar uma boa história o(a) autor(a) já tem. Vá em frente!

    Parabéns pela sua participação!

    • J
      15 de junho de 2020

      Muito obrigado pelo seu comentário!
      Definitivamente irei colocar sempre agora o acento circunflexo quando usar a palavra “tô”. Não o fiz antes por ignorância. Infelizmente gramática é meu fraco. Suas dicas e correções foram muito úteis. Deus lhe pague.

  12. antoniosbatista
    11 de junho de 2020

    Resumo= Jovem, trabalhando como acompanhante de executivo, viaja de avião com um deputado quando o aeroplano sofre uma pane e cai na floresta Amazônica. A garota sobrevive e atormentada pela sede, se afasta do local do desastre e se perde. Quando o avião é localizado, e como o nome dela não está no plano de voo, o pessoal do resgate não a procura. O agenciador da garota, não se importa com o sumiço dela, pois assim, não prejudicou os seus negócios, tampouco a honra do deputado.
    Comentário= Gostei do argumento. A escrita é simples e um tanto descuidada na escolha de melhores palavras para compor uma frase de efeito. Uma escrita apressada, eu diria, sem a preocupação de escolher um modo melhor de descrever as ações. Por exemplo: “Uma mão de temperatura cadavérica…”. Acho que ficaria melhor dizer: “ Uma mão gelada como a de um morto acariciava sua coxa”. É necessário que a narração tenha uma linguagem um pouco formal, deixando para os diálogos a linguagem informal, como, pro alto- pra cima, em vez de, para o alto-para cima. Nos diálogos vale a informalidade, na narração, não. Boa sorte Jota.

  13. Emanuel Maurin
    11 de junho de 2020

    Olá J, tudo de bom.
    Resumo:
    Uma menina de 16 anos foi contratada por um deputado para lhe fazer agrados sexuais numa viajem de avião que atravessaria o Amazonas, mas no percurso o jato caiu e apenas a menina sobreviveu. Quando o socorro veio, ela não foi resgatada e ficou sozinha na selva. O cafetão que a apresentou ao deputado ficou contente por ela não ter aparecido no plano de voo e assim seus negócios não foram prejudicados e nem a imagem do falecido deputado foi manchada.
    A apresentação dos personagens, o acidente do avião e o fechamento da trama ficaram bem elaborados. A narrativa fluiu e o conto ficou legal.
    Boa sorte.

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Publicado às 7 de junho de 2020 por em Amazônia, Amazônia - Grupo 1 e marcado .