EntreContos

Detox Literário.

Iara (Sonia Zaghetto)

Sonho todas as noites com o rio. Por vezes estou no fundo, a ver passarem os peixes. Em outras ocasiões, afogada, olhos abertos, entre fios de capim e seixos que rolam, o rio entra nos meus pulmões e suas águas são meu sangue. Eu sou o grande rio, manto líquido a navegar em direção a algo enorme e desconhecido. 

Mesmo em Nova York, o rio me intimida e domina. Espia entre os letreiros luminosos da Times Square e ri-se do que me tornei. Ele sabe que ao fechar meus olhos, no apartamento, verei meu pai a pilotar a canoa entre os redemoinhos. O velho levanta o motor para evitar as rochas, usa o remo, esgueira-se das armadilhas. Sua testa se franze, pois sabe do perigo. A canoa percorre os canais, esquiva-se da correnteza. Logo adiante, a corredeira urra. Sinto que é um alerta para mim: não me desafie, criança. Eu obedeço.

Desde que me levaram para lá, a terra sagrada se infiltrou em mim. Comi seus peixes, suas farinhas, seus óleos. Tornaram-se meu corpo e meu sangue. Como Jesus Cristo se transmudando. Agora sou também essa mata que cheira a umidade, esses pássaros que piam sem descanso quando o dia chega, essas aningas brotando da água. Eu me aconcheguei a ela; ela se amoldou a mim. E não há força no mundo que nos aparte.

Criança ainda, pés descalços, eu via o dia surgir sob uma capa de neblina a cobrir as árvores altas. Névoa sobre as águas, sobre a mata, sobre os bichos. Vinha o sol e dispersava tudo. Meu olho se espichava em direção ao rio. Plácido e calmo, parecia ainda dormir. Logo que o disco solar se fazia alto, surgia o calor. Avassalador, incapacitante. E o rio se tornava salvação. Abria os braços para recolher meu corpinho magro. Eu ia, com algum medo, a pensar nos mortos que ele havia levado. Estariam onde? Encantados no seu leito? Dormiriam e o rio lhes embalaria o sono? Ou permaneceriam assombrando os navegantes e as crianças?

Quando já me havia dado inteira a esse lugar, dele me retiraram. Suspirei de alívio. Eis a civilização. Folie, folie. Óperas, concertos, música de câmara, ballet, poetas, Shakespeare, Chagall. Imaginei que estava liberta de seu enredamento. Mergulhei no mundo novo e o bebi direto no gargalo. Desceu a me queimar a garganta, a deixar as pernas bambas e uma ressaca no dia seguinte. Nas festas, risos altos abafavam os sons das pedras rolando no meu peito. E se dormia, cansada de lutar contra o sortilégio, o cheiro da mata vinha me perturbar o sono.

Acordava de pesadelos longos, com gosto de frutas selvagens na boca. Cupuaçus, bacuris e camapus rolavam na língua, fiapos de pupunhas e tucumãs entranhados na gengiva, o sumo de um biribá a me escorrer pelo queixo. Faziam pulsar a muiraquitã na epiderme.

Sob a ducha pensava em outras águas e fechava os olhos para não ver coisa alguma.

Café da Starbucks e muffins de blueberry não me desagradam. Mas por que, ao colocá-los na boca, rebenta de repente em mim a vontade de comer beiju de índio ou açaí tirado na hora, rubro e grosso, com farinha de tapioca? 

A obsessão me devora, implacável. Indesejável fantasma, desaparece! Na sala de reuniões, mordo as hastes dos óculos distraída. Ligo o piloto automático para responder obviedades. No meu notebook aberto, transporto-me para o meu mundo distante. Baixo a guarda e lá está ele, o cobertor verde a me chamar.

É hora do almoço. Peço peixe. Vem num prato branco, com pequenas ranhuras nas bordas. A descrição não fala a minha língua, mas a entendo: redução de balsâmico, tomates confitados e espuma de lima da Pérsia, além de zest de alguma coisa que não lembro. Como devagar e com elegância, enxugando os lábios num guardanapo de linho. O vinho branco é perfeito na boca, não no espírito. 

Respondo algo ao interlocutor e desvio o olhar para um quadro na parede. Um mar profundamente azul me fala de outras marés. Elas se erguem dentro de mim, arrastando barrancos com a sua força destruidora. A água barrenta estronda, o rio ruge, arranca árvores, carrega o que está nas margens. Minha respiração se acelera. Mais vinho? Não, obrigada. Temo ter exagerado. 

No meio da tarde, algo desliza por trás de minha cadeira e se enlaça no meu corpo. A moleza me faz tirar os sapatos sob a mesa. Mexo os dedos dos pés deliciada e então o vejo. Está assando peixes numa grelha fina. Arrumou uns galhos entre duas pedras e acendeu o fogo. Agora limpa a caratipioca, abre-lhe o bucho e retira as vísceras. Depois risca a pele com a ponta da faca, passa limão e sal. Observo de longe. Estou mergulhada em água morna e peixinhos miúdos me mordem os pés. Vem! O peixe está pronto! Olho para as águas, sem saber o que dizer. Elas se riem: te demos um filho; não é para alimentar teu corpo. Arregalo os olhos e saio do rio. Meus pés sentem a areia grossa e dourada. Sento no chão coberto de folhas úmidas e ouço uma velha cantiga ser entoada. Macacos e araras, mutuns e jacarés, onças e cotias escondidos no mato, a recitar feitiços novos. Eu os sinto, aguardando. O peixe na minha boca tem ligeiro gosto de terra. Posso senti-lo abrindo caminho pelas células, escondendo-se nas dobras da pele. Meus pelos se eriçam. Cavalo de Tróia, murmuro. Cavalo de Tróia, ecoa o vento.  

No fim da tarde vou até a máquina de café. Olhos me seguem. Veem o salto agulha, as meias finas e a saia bem ajustada. A estagiária de cabelo azul me encara com algum desprezo. Sorrio para ela. Seus olhos se demoram na camisa branca que uso. Outras mulheres também me espiam, disfarçadamente. Têm esse hábito de analisar, comentar e comparar. Estamos sempre a competir, a nos vestir umas para as outras. Sei que registram o detalhe das abotoaduras masculinas na minha blusa, do tecido da saia, da cor vermelha na sola dos sapatos, como registraram a marca da bolsa largada na cadeira em frente à minha mesa. Elas me observam mastigar o cookie e sei que torcem para que eu tussa, me engasgue, fique vermelha, cubra a boca com o guardanapo e beba água até tudo passar. Vão desejar secretamente me ver ruborizar de vergonha. O que não veem é que sou uma velha tartaruga coberta de grifes e pele alheia. Nada aqui faz sentido.

O sol se põe sobre a paisagem de concreto. Sou uma silhueta diante da parede de vidro. Fujo outra vez para as cores liquefeitas de um dia longínquo. O espelho reflete o céu em fogo, japiins piam, ruidosos numa árvore imensa que se debruça sobre o rio. Piam, contando histórias antigas, piam a me chamar de volta.

O desejo me vence. 

Piso descalça as pedras escaldantes. A pele se arrepia inteira quando entro nas águas frescas e doces. Mergulho até o fundo, onde habita o silêncio. A águas entoam uma canção. Peixes-bois me fitam com olhos mansos,  pescadas me contam segredos. Os capins que nascem entre as pedras são os cabelos verdes das iaras. São meus cabelos também. Sobre a minha cabeça ruge a pororoca a assustar os homens. Nada temo. O rio me abraça e protege. 

21 comentários em “Iara (Sonia Zaghetto)

  1. Priscila Pereira
    4 de julho de 2020

    Resumo: Moça que um dia viveu na Amazônia, agora em NY sonha em voltar para o de está seu coração e espírito.

    Olá, Hannah!
    Parabéns por estar entre os finalistas!
    Eu gostei bastante do seu conto. A Amazônia está bem presente, mesmo sem ser mencionada. Tudo é muito visual e sensitivo, cores, gostos, cheiros, sensações e desejos!
    Só não gostei de uma coisa, a parte que fala das outras moças observando e torcendo para o mal da personagem… Sei que esse tipo de coisa acontece muito, mas ficou parecendo que todas as mulheres são assim tão fúteis e invejosas, o que está muito longe da verdade.
    Parabéns!
    Boa sorte!
    Até mais!

  2. Jorge Santos
    3 de julho de 2020

    Conto no feminino que conta a história de Iara, que vive dividida entre a civilização e a selva.

    É um retrato detalhado, de contrastes bem fundamentados em pormenores ricos. Somos transportados para o conflito interno da personagem por uma narrativa bem estruturada, feita por quem tem a experiência necessária para manter o ritmo e o interesse.

    Este conto teria nota máxima, se o pudesse pontuar. Parabéns.

  3. Angelo Rodrigues
    1 de julho de 2020

    Iara (Hannah Viv)

    Resumo:

    Narrativa poética de uma saudade. Uma mulher que vive distante da Amazônia conta de suas saudades que se manifestam em pensamentos. Onde vive é exótica. É de sua natureza o lugar de onde saiu.

    Comentários:

    Conto bonito de ler. Particularmente por decorrência de o autor ter usado uma linguagem de baixo impacto, palavra por palavra, repetindo a mesma batida e marcando sua posição de saudade, talvez desterro, uma vez que não nos é passado o motivo de haver acontecido aquela migração até NY.

    O conto assume um discurso poético do princípio ao fim. Difícil falar de saudade sem mergulhar em alguma poesia. Às vezes funciona bem, às vezes pode ganhar alguma estranheza.
    Um dos perigos é o uso de paráfrases que fazem cair no lugar comum, tal como
    “… Logo que o disco solar se fazia alto, surgia o calor…”
    Bem, isso me parece exceder um pouco. Não ficaria mal dizer que com o sol alto, chega o calor.
    Em outro ponto tem a frase
    “… Faziam pulsar a muiraquitã na epiderme…”
    que, poética ao dizer que a protagonista trazia no peito um amuleto, faz o texto beirar ao valor de um enigma.

    São poucos os reparos. Imagino difícil escapar de excessos quando se fala de saudade, distâncias e paixões.
    Parabéns pela seleção como finalista e boa sorte no desafio final.

    • Angelo Rodrigues
      3 de julho de 2020

      Quando falei de “paráfrases”, quis me referir a “perífrases”. Algo quase igual, mas diferente. Desculpe-me o engano.

  4. Fheluany Nogueira
    30 de junho de 2020

    Protagonista amazonense em Nova York revive lembranças do torrão natal.

    Texto bem escrito, linguagem poética e descrições que sobrepõem os dois cenários, o real e aquele das memórias. Há sensação de nostalgia e inadaptação ao atual ambiente, apesar da realização profissional. Senti falta de um conflito, um clímax, mesmo assim a leitura é prazerosa e a autora mostra experiência no trato da escrita.

    Parabéns pelo trabalho. Abraços.

  5. Gustavo Aquino Dos Reis
    28 de junho de 2020

    Resumo:

    Estrangeira rememora a vida que tinha próxima ao rio de sua infância. Guarda com carinho essa saudade e, mais e mais, vai sentindo essa ausência corroer o seu íntimo.

    Impressões:

    Uma obra excelente no que se refere a construções de palavras.

    Tudo é muito rico e salta aos olhos. Cada linha, cada frase. Fiquei de queixo caído com a qualidade aqui.

    Porém, embora tenha compreendido o cerne da obra, acho que ela pode perder um pouco de destaque diante de outros trabalhos que – muito embora não tiveram o capricho e qualidade textual deste – conseguiram construir um enredo mais profundo.

    O que quero dizer é: sua obra, autor(a), é grandiosa no quesito de palavras e construções; no entanto, o enredo não salta aos olhos como a qualidade da escrita empregada.

  6. marcoaureliothom
    27 de junho de 2020

    Olá autor(a)!

    Antes de expor minha opinião acerca da sua obra gostaria de esclarecer qual critério utilizo, que vale para todos.

    Os contos começam com 5 (nota máxima) e de acordo com os critérios abaixo vão perdendo 1 ponto:

    1) Implicarei com a gramática se houver erros gritantes, não vou implicar com vírgulas ou mínimos erros de digitação.

    2) Após uma primeira leitura procuro ver se o conto faz sentido. Se for exageradamente onírico ou surrealista, sem pé nem cabeça, lamento, mas este ponto você não vai levar.

    3) Em seguida me pergunto se o conto foi capaz de despertar alguma emoção, qualquer que seja ela. Mesmo os “reprovados” no critério anterior podem faturar 1 ponto aqui, por ter causado alguma emoção.

    4) Na sequência analisarei o conjunto da obra nos quesitos criatividade, fluidez narrativa, pontos positivos e negativos, etc.

    5) Finalmente o ponto da excepcionalidade, que só darei para aqueles que realmente me surpreenderem.

    Dito isso vamos ao comentário:

    RESUMO: Acompanhamos as divagações da personagem dividida entre o real e o imaginário, construído a partir de suas lembranças e sensações da Amazônia.

    CONSIDERAÇÕES:
    O conto não tem exatamente uma história com começo, meio e fim. De uma forma bastante poética e agradável de se ler, acompanhamos a trajetória da personagem-narradora comparando a vida cosmopolita com a integração com a natureza. Bucólico, porém, pouco para o que eu esperava de um conto.
    Independentemente da avaliação, aproveito para parabenizar-lhe pela obra e desejo sucesso na classificação final.

    Boa Sorte!

  7. Daniel Reis
    27 de junho de 2020

    9. Iara (Hannah Viv)
    Resumo: morando em Nova York, a narradora sente saudade e fala das reminiscências de sua vida na Amazônia, sua origem. Em meio ao cotidiano da grande cidade, ela se vê como predestinada a ser sempre uma entidade do folclore amazônico, como sua verdadeira natureza.
    Comentário: este foi um dos contos onde a PREMISSA surpreendeu, ao deslocar a narrativa para um ambiente oposto, sem deixar de falar na Amazônia. Também a TÉCNICA empregada foi muito segura na escrita, com descrições e principalmente análises do universo feminino e da vida interior da protagonista muito profundas. O EFEITO NO LEITOR, então, foi soberbo, ao final, reconduzindo a sonhadora ao seu mundo onírico, quase como uma entidade da floresta. Parabéns, está no meu shortlist!

  8. Luciana Merley
    25 de junho de 2020

    Olá, autor
    Uma mulher criada e apaixonada pelas coisas da Amazônia e que vai a trabalho para NY. Um conto sobre a saudade insuportável.

    Um texto muito belo em que parece que o conflito está no próprio ato da escrita. Um meta-conto, eu diria, ou uma meta-palavra. A linguagem desliza como uma cobra no chão da mata e por vezes mergulha fundo, quase nos tirando o ar, quando de repente volta mais bela à superfície. A relação com os elementos deixados e re-significados na memória é tão íntima e profunda que beira a sensualidade.
    Uma aula de trato com as palavras.
    Belíssimo, parabéns.

  9. Gabriela
    25 de junho de 2020

    Uma executiva que trabalha em Nova Iorque descreve um dia seu.
    Entre reunião no escritório, almoço em um bom restaurante, e um café, passa em sua memória momentos vividos na região Amazônica, mais precisamente tendo o rio como personagem principal.
    Chorei.
    A descrição tão linda da natureza, do significado do rio em sua vida, dos gostos das frutas, dos barulhos dos animais foi feita com tanta poesia e com tanta veracidade que só posso pensar e intuir que ela realmente viveu esses momentos.
    Seu pai aparece descrito em poucas linhas, mas para mim, que trago o meu também fortemente vivo em mim, acho que ele é o próprio rio!
    Não sei se é conto ou se é crônica, mas me emocionei ao ler e me fez ficar com vontade de escrever!

  10. Regina Ruth Rincon Caires
    25 de junho de 2020

    Iara (Hannah Viv)
    Resumo:
    A história de uma executiva de Nova York, que foi criada na Amazônia, e que incorporou a vida em natureza tropical. Tem alma amazônica, e traça um paralelo do seu dia entre o ambiente de trabalho (real) e a vida na selva (sonhado/imaginado).
    Comentário:
    Aqui está um texto poético, do início ao fim. O leitor desfruta de poesia, a leitura é um presente. Não entendi como conto, eu entendo como crônica. Uma ode (em prosa) ao rio, ao seu ambiente, ao seu aconchego. Uma saudosa declaração de amor, um refúgio acalentador para amainar a carência. Que texto lindo, que qualidade de linguagem!
    Escrita perfeita, requintada, suave. O autor tem o dom da poesia, sabe dosar cada palavra. A narrativa é extremamente sensível sem ser piegas. Um encanto…
    Quanto ao título, acredito ser “senhora das águas” ou “Mãe-d’água”… Agora, o pseudônimo Hannah Viv não desvendei. Sei que Hannah significa “mulher graciosa”. É só isso que sei.
    Parabéns, Hannah Viv! Que lindo texto!
    Boa sorte no desafio!
    Abraços…

  11. Amanda Gomez
    24 de junho de 2020

    Olá,
    Resumo 📝 A história acompanha os devaneios de uma mulher, hoje, bem sucedida que vive em Nova york. A personagem parece está presa no passado, a saudade e o chamado do lugar onde nasceu e se entregou é tão grande que se limita apena a isso, lembranças de ontem.
    Gostei 😁👍 Um conto com uma escrita muito bonita, poética e bastante intensa. Parece musical, senti esse tom diferente enquanto lia. Gostei de como o autor intercalou essas realidades, as comparações é tudo muito vivido. O conto é colorido, cheio de imagens e sons. Admiro sempre quem consegue trazer essas sensações para escrita.
    Não gostei🙄👎 De nada em especifico. Talvez o final não tenha ficado muito claro…ou fiquei me perguntando se essa rotina de devaneios é de agora… não sei. Acho que fiquei com vontade de conhecer mais a personagem. Como ela chegou ali e não apenas o que deixou para trás. Mas não considero algo negativo é só algo que o conto despertou em mim.
    Destaque📌 “Quando já me havia dado inteira a esse lugar, dele me retiraram. Suspirei de alívio. Eis a civilização. Folie, folie. Óperas, concertos, música de câmara, ballet, poetas, Shakespeare, Chagall. Imaginei que estava liberta de seu enredamento. Mergulhei no mundo novo e o bebi direto no gargalo. ”
    Conclusão = Um conto sensorial, simples na historia e muito rico na escrita. Belíssima combinação.
    Boa sorte.

  12. Alexandre Coslei (@Alex_Coslei)
    22 de junho de 2020

    Mulher bem-sucedida mora no exterior e sofre de uma saudade idílica da Amazônia e de toda a natureza pulsante que se recorda de lá.

    O conto é construído em torno do sentimento nostálgico de uma mulher, não há um enredo específico, mas o autor conduz a história sabendo onde quer chegar. As orações curtas na maioria dos parágrafos imprimem agilidade e um ritmo poético à narrativa. O conto tem potência, tem voz. Um texto de finalização aberta, que nos prende desde o início.

    Parabéns. Boa sorte.

  13. Tereza Cristina S. Santos
    22 de junho de 2020

    O conto fala sobre uma mulher que mora em Nova York, mas tem saudades da Amazônia, do rio, da corredeira, da mata, dos bichos, do cheiro da mata e das frutas selvagens. Sonha com a época que viveu na Amazônia e imagina estar no rio contemplando a natureza.
    O texto é bem estruturado, possui início, meio e fim. Apresenta uma descrição com detalhes da floresta Amazônica.O autor consegue desenvolver as idéias com coerência.O argumento do texto está dentro do tema proposto.

  14. Anderson Do Prado Silva
    20 de junho de 2020

    Resumo: Mulher, vivendo em meio ao luxo e à sofisticação de Nova York, rememora passagens de suas vivências na Amazônia.

    Comentário: O autor possui pleno domínio da língua e das técnicas de escrita, além de praticar excelente prosa poética. O autor veio ao desafio nos presentear com sua participação, pois, com a qualidade de sua escrita, poderia simplesmente nos ignorar e se dedicar apenas a agigantar as prateleiras dos grandes cânones da língua. Parabéns!

    Autor, perdoe-me, mas não posso lhe oferecer conselhos. Antes, deveria pegá-los com você.

    (Autor, na revisão final de seu texto, insira uma crase em “cheira a umidade”.)

    Anderson do Prado Silva

  15. pedropaulosd
    18 de junho de 2020

    RESUMO: Uma amazonense em Nova York se refugia nas lembranças de sua terra natal.

    COMENTÁRIO: É uma abordagem interessante, pois a Amazônia se faz presente sem estar. Há um profundo domínio da escrita no texto, emaranhando as descrições de forma poética, em que a beleza das palavras fica sobressaltada e a leitura atenta permite sentir junto com a personagem. É um conto bastante sensorial e a sensação é a de que os dois ambientes se sobrepõem, distantes, mas unidos. Apesar disso, não existe verdadeiramente uma narrativa, uma estória que vá a algum lugar. O resumo acima consistiu em apenas uma linha, pois é o que basta para abreviar o que se leu. Poderia muito bem ser escrito que uma “funcionária de uma empresa almoça e volta ao escritório enquanto se lembra de casa”. No entanto, isso seria pobre, afinal, não é apenas uma lembrança, é quase um estar, pois este é o poder dessa memória e a escrita impecável dá toda essa mística.

    Boa sorte.

  16. Fabio D'Oliveira
    18 de junho de 2020

    Resumo: Moça que vive em NY derrete-se em saudades com as lembranças da Amazônia, onde cresceu.
    Olá, Hannah.
    Seu conto derreteu qualquer dureza restante de minha alma. Não existe uma história propriamente dita, mas sim vida própria. A forma como você narra a nostalgia da moça saudosa é incrível, tanto pela poesia, quanto pelas informações ricas inseridas no texto. Você cria um clima amazônico mesmo sem colocar a personagem lá.
    Sua narrativa é densa, geralmente não me atraio muito por textos assim, mas você conseguiu deixar a leitura bem fluída e natural. O conto não me parece perfeito e pode com certeza apresentar um desafio a mais para leitores menos assíduos, mas com certeza é a obra que me proporcionou o maior prazer na leitura até agora.
    Parabéns pelo trabalho! O final, então, belíssimo.
    Toda a felicidade do mundo para ti!

  17. angst447
    17 de junho de 2020

    RESUMO:

    Mulher com perfil sofisticado, talvez uma executiva, parece viver em dois mundos. No dia a dia, morando em Nova York, lida com um trabalho que não a realiza e com pessoas que a veem como um modelo de elegância e a invejam. Em paralelo a isso, ela revive sensações intensas dos tempos em que viveu em outro mundo, na Amazônia, sentindo-se assim viva e integrada à natureza.

    AVALIAÇÃO:

    * T – Título: Simples, sem entregar o enredo, faz com que se relacione o nome Iara à lenda folclórica.
    * A – Adequação ao Tema: O conto abordou diversos aspectos do universo amazônico.

    * F – Falhas de revisão: só notei o Troia com acento.
    * O – Observações: O conto desenvolve-se em tom de quase poesia, explorando os sentidos da narradora que revive as sensações que experimentou quando menina ao entrar no rio na região amazônica. O que os outros veem é só sua fachada elegante, coberta por grifes, mas o que ela deseja mesmo é mergulhar na sua real natureza, a liberdade que encontra nas águas, como Iara, mas que ao contrário de encantar os homens e os puxar para o fundo do rio, ela mesma se deixa seduzir, ser resgatada pelas águas. Deu-me a impressão de que ela nunca deixou a Amazônia, que sua alma permaneceu ali, e por isso ela deseja fundir às águas.
    * G – Gerador (ou não) de impacto: boa construção de imagens, uma sobrepondo-se a outra, o que me deu a impressão de mudos paralelos. Habilidade com as palavras, levando o leitor a mergulhar na trama sem atinar com o destino da narradora. O impacto é muito suave e se dilui pelo conto.
    * O – Outros Pontos a Considerar: O texto não é extenso e, portanto, não torna a leitura cansativa. É antes um breve mergulho em um rio que serve de espelho para a Iara que existe em nós.

    Parabéns pela sua participação!

  18. antoniosbatista
    13 de junho de 2020

    Resumo= A personagem/narradora morando e trabalhando em Nova York, relembra o tempo em que vivia na Amazônia. Sente saudades e imagina estar no rio, como um ser mitológico.

    Comentário=Mulher não se adapta à vida e rotina em Nova Iorque, sente saudades do tempo em que viveu na Amazônia. Embora o argumento não seja tão interessante para mim, o texto é bem escrito e constrói uma personagem marcante, uma mulher, saudosa de sua terra, que imagina estar no rio como um ser mitológico. A construção poética é que dá valor ao conto. A autora é hábil na criação de frases harmoniosas e personagens interessantes. Boa sorte HannaH.

  19. Gustavo Araujo
    12 de junho de 2020

    Resumo: os devaneios de uma mulher que vive em Nova York, mas que ainda sonha com a época em que viveu na Amazônia, à beira do rio.

    Impressões: conto com forte pegada poética, daqueles que instigam o leitor a mergulhar, literalmente, em águas convidativas mas talvez turbulentas. O senso de nostalgia domina cada linha, cada palavra, em que a menina mulher se divide entre o hoje e o ontem, entre a saudade e o desencanto (talvez?) com a vida que possui como adulta. Interessante como, apesar de não haver menção à idade da protagonista, somos instigados a imaginá-la como uma mulher madura e que, apesar do aparente sucesso no campo social e profissional, anseia pelo regresso a uma época de simplicidade, de contato com a natureza, rumo a uma época mais simples e tranquila, numa espécie de redenção. É o tipo de conto que provoca o leitor por colocá-lo diante de questionamentos desconfortáveis, entre os quais o clássico “valeu a pena chegar até aqui?” Não existem no conto muitas dicas sobre a maneira como nossa pequena amazonense foi parar em terras americanas, mas esse é um dado que se torna desnecessário diante da provocação filosófica à Jack London, com o chamado da natureza reverberando forte, um chamado de regresso, doloroso talvez. Enfim, um texto que permite muitas interpretações e que, por isso, há de tocar os leitores de diferentes formas, a depender um tanto de suas experiências pessoais. Para aqueles, como eu, que são frequentemente bombardeados pela saudade, o resultado não poderia ser melhor. Excelente. Parabéns e boa sorte no desafio.

  20. Emanuel Maurin
    11 de junho de 2020

    Hannah Viv, tudo de bom.

    Uma criança que amava o rio, ficou adulta e estava em Nova York e de tanto sonhar e ter saudades do rio dez com que o mesmo se fundisse com sua alma. E por onde ela ia o rio ia com ela.

    É um conto de difícil interpretação, a narrativa é amarrada e tem que sempre voltar pra entender o que se passa com o personagem.
    Boa sorte.

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Informação

Publicado às 7 de junho de 2020 por em Amazônia, Amazônia - Grupo 1, Amazonia-Finalistas e marcado .