EntreContos

Detox Literário.

Da Janela (Claudinei Novais)

Abri a cortina da sala e fiquei observando as crianças brincando na rua. Apesar do tempo frio, o dia amanheceu um pouco mais claro e sem garoa, e por conta da melhora no clima, as pessoas caminhavam mais dispostas e alegres. Mulheres passeavam com seus cãezinhos, e os jovens se divertiam com a lepidez que lhes é peculiar. Quando abri um pouco mais a cortina carmim de veludo, uma brisa gélida veio ao meu encontro. Dei outra volta com a cachecol em torno do pescoço, apoiei o rosto sobre a palma da mão e continuei observando a movimentação lá fora. Era início de inverno, intercalando dias claros de frio seco com dias sombrios de garoa fina. Há mais de uma semana a luz do sol se limitava a uma claridade tímida atrás das nuvens carregadas nos mais variados tons de cinza, e por conta do tempo nublado e dias úmidos, minha casa estava cheirando a mofo. Com um pouco de sorte o sol daria o ar da graça. Pelo menos é o que esperava.

Em outros tempos eu também estaria caminhando e aproveitando a melhora do clima. Agora, no entanto, só me resta observar a movimentação na rua, pela qual eu havia caminhado durante anos da minha vida. Logo após meu casamento, cinquenta anos atrás, conseguimos um financiamento pela Caixa Econômica e compramos a casa ainda na planta. Na época o bairro da Mooca era bastante sossegado e havia poucas casas na nossa rua, e todas seguiam o mesmo padrão, com telhado duas águas no estilo americano, e com uma varanda em frente à porta principal. A varanda era um espaço especial para mim, com seu piso de caquinhos e mureta baixa encimada por lajotas vermelhas. Nas paredes laterais eu pendurava xaxins com samambaias de metro intercalados com vasos de petúnias que ficavam floridos o ano todo, e nos momentos de folga me sentava na cadeira de balanço e ali passava o tempo, ora lendo um livro, ora observando a movimentação na rua. Naquele tempo ainda era costume cumprimentar desconhecidos, e não raramente minhas leituras eram interrompidas por algum cumprimento amigável ou pela vizinha do lado que se aproximava a fim de contar novidades sobre o bairro ou sobre outro morador da rua. Da minha varanda vi a rua de terra ser asfaltada, as árvores serem derrubadas e as casas antigas cederem espaço para construções modernas, com altas janelas de vidro e portas de madeira suntuosas. Minha casa se tornou a mais modesta da rua, mas a minha varanda continuou sendo a mais aconchegante.

Meu marido era alfaiate e eu, professora. Lecionava no grupo escolar Cora Coralina, cinco quadras rua acima, e ainda me recordo bem da minha primeira turma, uma sala do primeiro ano do primário. Hoje se chamaria ciclo básico, mas naquela época era primário, e o carinho era mútuo entre mim e as minhas crianças. Todo dia algum aluno me trazia um mimo. Um pé de moleque, uma paçoca, ou um pacote de gotas de pinho Alabarda. Para retribuir o carinho da sala, no decorrer do ano eu lhes presenteei com várias festinhas, sempre às sextas-feiras, com direito a bolo e refrigerante. Foi uma época boa, da qual me lembro com uma pitada de saudosismo.

No ano seguinte passei a lecionar para as turmas da quinta e sexta séries. Meus alunos já eram adolescentes, alguns bem problemáticos, eu diria, mas eram crianças e nada como uma dose de carinho para domar-lhes o espírito irrequieto. Essa turma não me deixou saudade como as minhas crianças da primeira série, mas também não posso reclamar. Aprendi muitas gírias usadas por aqueles jovens e também aprendi a gostar de músicas que jamais havia escutado, e às vezes eu cantarolando pela casa e meu marido ficava sem entender o que significava. Apenas me olhava de canto de olhos, esboçava um sorriso irônico e meneava a cabeça.

Como eu sempre chegava em casa mais cedo do que meu marido, preparava o jantar e quando ele retornava do trabalho, ao cair da noite, a refeição estava posta à mesa. Às sextas-feiras, religiosamente, Jonas me trazia um buquê de flores, cada semana uma flor diferente, durante quase quinze anos. Rosas, cravos, amarílis, margaridas. Eu colocava em um vaso de vidro e deixava no centro da mesa para poder apreciar enquanto jantávamos. Eu me sentia uma mulher realizada! Minhas crianças da escola eram o meu prazer durante o dia, e, à noite, o abraço do Jonas era meu porto-seguro. Ele era um amante inveterado, um companheiro para todas as horas, o melhor marido que uma mulher poderia ter. 

Para completar a nossa felicidade, Deus nos deu nosso primeiro filho. Paulo era a cara do pai, loirinho e com olhos azuis, arregalados. Dois anos depois Deus nos enviou o Roberto. Este nasceu parecido comigo, moreno e com os olhos cor de amêndoas, e minha vida se tornou graciosamente turbulenta. Precisei deixar de lecionar e passei a me dedicar integralmente à família. E que ocupação prazerosa! Sem dúvida foi a melhor época da minha vida. As noites se tornaram mais curtas e os dias mais longos, mas não posso reclamar. Todo cansaço ou sono perdido eram recompensados pelo carinho que eu recebia. Assim a vida foi passando, meus filhos foram crescendo, e eu me sentindo cada dia mais amada.

Mas o universo parece conspirar contra a felicidade das pessoas. Em uma noite chuvosa de março, Jonas saiu da alfaiataria e se dirigiu até a parada de ônibus na Celso Garcia, como sempre fazia. Enquanto esperava pelo coletivo, um veículo desgovernado, talvez pela pista molhada, talvez por falta de visibilidade, não sabemos, se chocou contra o ponto de ônibus onde ele estava, ceifando a vida do meu marido e de outras duas pessoas. Minha vida nunca mais foi a mesma e até hoje me pergunto o porquê de Deus ter levado meu marido de forma tão abrupta. Seria pecado ser feliz?

Às vezes eu comprava algumas flores e enfeitava a mesa, era a forma que encontrei para deixar meu marido vivo nas minhas lembranças, tinha medo de esquecê-lo e perdê-lo por completo. Fiz isso durante cerca de um ano, então percebi que ao invés de me sentir mais próxima do Jonas, eu estava perpetuando o meu luto, e eu precisava me reerguer, pois meus filhos, na época, dois garotos na pré-adolescência, precisavam de mim mais do que antes. Foram dias tristes de lágrimas contidas e choro calado, mas eu me mantinha forte perante eles, e a única testemunha dos meus choros era o travesseiro, todas as noites, durante os anos que se seguiram. 

O dinheiro do seguro deixado por meu marido logo se acabou e, como as contas não deixaram de chegar, eu precisei voltar ao mercado de trabalho. Por conta disso, acabei me tornando uma mãe ausente, mas não havia outra opção, tinha dois filhos para cuidar e uma casa para manter. Muitas vezes pensei em desistir, pois o futuro era incerto e eu não via motivo para seguir adiante. Para que empreender tempo e dedicação objetivando alcançar algo que a qualquer instante o universo tiraria de mim? Mas o tempo, assim como a minha felicidade, passou rápido e depois de muito trabalho e privações, consegui colocar os meninos na faculdade. O mais velho se tornou um advogado e, logo após a graduação, se mudou para a Lapa, na zona oeste. O mais novo é cozinheiro de um restaurante na região dos Jardins e vive viajando. Confesso que me sinto envaidecida em ser mãe de um doutor advogado, talvez seja o meu maior orgulho dentre os poucos motivos que me sobraram para ter alguma vaidade. Paulo me visitou no último Natal e me trouxe uma caixa de bombons, e Roberto me trouxe uma colomba pascal na última Sexta-feira Santa, depois não os vi mais. Sinto falta do abraço meus filhos, de poder afagar-lhes os cabelos como eu fazia quando ainda eram pequenos e grudados em mim, mas não posso exigir que venham me visitar, porque se tornaram homens importantes e a ocupação com o trabalho lhes furta todo o tempo.

Nesse instante, uma pomba branca pousou no parapeito da janela e me despertou das minhas divagações. Há mais de um mês ela se tornara minha única visita e, em troca, eu lhe dava um pouco de arroz ou alguns pedaços de pão. Pombas são bichos inteligentes e quando encontram alguém que lhes dê alimento, elas costumam retornar. As pessoas dizem que elas transmitem doenças respiratórias ou algo assim, mas por que eu haveria de espantá-la se suas visitas diárias eram o único motivo que me fazia levantar todos os dias?

Depois que minha amiguinha encheu o papo, ela voou satisfeita. Talvez retornasse no dia seguinte, talvez não, num mundo de felicidades incertas não há como saber.

Permaneci debruçada sobre o parapeito da janela por mais algum tempo, quem sabe um vizinho passasse e notasse a minha presença, ou, com um pouco de sorte, um dos meus filhos chegaria para me visitar. Uma mulher passou com um cãozinho no colo, seguida por outra empurrando um carrinho de bebê. No sentido oposto passou o carteiro e deixou uma carta no portão do vizinho. Mas ninguém olhou na direção da minha janela, ninguém acenou para mim, e meus filhos não vieram me visitar. Quem sabe no dia seguinte…

Fechei a cortina, voltei para a cama e me cobri com o edredom cheirando a mofo, deixando apenas a cabeça para fora. A temperatura parecia ter caído ainda mais, e eu sentia as pontas dos dedos congeladas. Suspirei fundo, me virei para o canto e fechei os olhos. Na parede o tic-tac do relógio prosseguia a sua jornada, contínua, solitária.

37 comentários em “Da Janela (Claudinei Novais)

  1. Cirineu
    17 de abril de 2020

    Prezado, Claudinei

    Muitos incorreram no que talvez seja um erro, tentar resumir toda uma vida, ou um período muito extenso dela, nos limites impostos pelo regulamento. O resultado geral tem sido falta de densidade. Seu conto não é exceção. Inicia-se deveras descritivo, com excesso de adjetivos aparentemente gratuitos e ação de menos. Tal configuração não empolga.

    Sobre o primeiro parágrafo, não encontrei no dicionário a palavra “lepidez”. Também recomendaria evitar a repetição tão imediata do substantivo “cortina” que, ao meu ver, dispensa tantos prejudicados (de qualquer forma, não seria “cortina de veludo carmim”?). Adiante, em “e às vezes eu cantarolando pela casa e meu marido ficava sem entender o que significava”, quis me parecer que o verbo “cantarolando” ficou deslocado, talvez resultante de uma flexão equivocada. Também questiono a concordância em “Nesse instante, uma pomba branca pousou no parapeito da janela…”, não seria “naquele instante”? Ou talvez – mantido o “nesse” – “pousa no parapeito da janela”?

    De lado os pequenos supostos deslizes gramaticais, faltou inspiração, meu caro, tanto no enredo, quanto na forma. Embora a narrativa se inicie num momento presente e retroaja para memórias gerais da protagonista-narradora desde os primeiros dias em que naquela casa foi morar, retoma linearmente ao presente. É aquele momento de abstração em que a pessoa se posta à janela da rua e, presa dentro de casa, deixa a memória viajar aleatoriamente.

    Será que a narrativa em primeira pessoa serve apenas para que o protagonista, com sua prosa, seduza o leitor? Infelizmente sua personagem é incapaz disso. Em diversos pontos ela soa pessimista, derrotista, não obstante o contido orgulho de papel cumprido enquanto mãe e esposa. Resignada, não ousa sonhar, sequer nos confessa qualquer sonho abandonado, o que poderia ter sido transformado num conflito, num um capítulo especial, nesta sequência de memórias insípidas. Não, ela não causa pena, nem raiva, nem mesmo empatia.

  2. M. A. Thompson
    11 de abril de 2020

    Olá autor(a)!

    Antes de expor minha opinião acerca da sua obra gostaria de esclarecer qual critério utilizo, que vale para todos.

    Os contos começam com 5 (nota máxima) e de acordo com os critérios abaixo vão perdendo 1 ponto:

    1) Implicarei com a gramática se houver erros gritantes, não vou implicar com vírgulas ou mínimos erros de digitação.

    2) Após uma primeira leitura procuro ver se o conto faz sentido. Se for exageradamente onírico ou surrealista, sem pé nem cabeça, lamento, mas este ponto você não vai levar.

    3) Em seguida me pergunto se o conto foi capaz de despertar alguma emoção, qualquer que seja ela. Mesmo os “reprovados” no critério anterior podem faturar 1 ponto aqui, por ter causado alguma emoção.

    4) Na sequência analisarei o conjunto da obra nos quesitos criatividade, fluidez narrativa, pontos positivos e negativos, etc.

    5) Finalmente o ponto da excepcionalidade, que só darei para aqueles que realmente me surpreenderem. Aqui, haverá fração.

    Dito isso vamos ao comentário:

    TÍTULO/AUTOR: 18. Da janela (Velha Virgem)

    RESUMO: Era início do inverno, a mulher observa através da cortina da sala o movimento da rua. Há 50 anos atrás, comprou a casa no bairro da Mooca, financiada pela Caixa Econômica Federal ainda na planta. Ela era professora e o marido alfaiate. Foram felizes no casamento e tinham dois filhos: Paulo e Roberto.Certa ocasião, o marido Jonas estava no ponto do ônibus quando foi atropelado por um carro desgovernado. O filho Paulo era advogado e o filho Roberto trabalhava como cozinheiro.A mãe sentia muita falta dos filhos que não a visitavam com frequência alegando estarem atarefados.Hoje, a única visita de todo dia é a pomba branca que aparece na janela e como recompensa recebe alimento.

    CONSIDERAÇÕES: O conto apresenta uma retrospectiva de vida .
    Uma mulher demonstra saudade do tempo que viveu e tem a solidão como companheira. Uma situação cada vez mais comum, tanto pela falência das relações sociais como consequência da tecnologia que une a todos, mas não reúne ninguém.

    NOTA: 4.5

    Independentemente da avaliação aproveito para parabenizar-lhe pela obra e desejo sucesso na classificação.

    Boa Sorte!

    • Claudinei Maximiliano
      14 de abril de 2020

      Obrigado, meu caro. Sinto-me envaidecido por sua avaliação e comentário!

  3. Gustavo Araujo (@Gus_Writer)
    11 de abril de 2020

    Resumo: mulher abre a janela, observa a rua e rememora sua vida desde o casamento, passando pelo nascimento dos filhos, a morte do marido e a luta para fazer com que os dois garotos vencessem na vida; no fim, está solitária, invisível aos olhos de todos.

    Impressões: é um conto dolorosamente real porque parece ser esse o destino de muitos velhos, qual seja, enfrentar a solidão depois de uma vida difícil. Nada acontece de surpreendente, na verdade, pois o texto tem a forma de um relatório, mais como uma introdução a algo maior que nunca chega a acontecer. É, por isso, um soco no estômago, meio que uma ode “à vida como ela é”, em que as pessoas estão condenadas a sucumbir às suas lembranças. Pessoalmente, prefiro histórias que me levem de A para B, o que não acontece aqui, mas devo reconhecer que este relato é daqueles que tiram o leitor da zona de conforto, especialmente aqueles para quem essa fase não está assim tão longe. Demais disso, há que se dizer que o texto está bem escrito, é fluido e simples sem ser simplório. Enfim, uma crônica que nos convida a pensar no futuro.

    Nota: 3,5

    • Claudinei Maximiliano
      14 de abril de 2020

      Obrigado, chefe! Agradeço pelo comentário e observações.

  4. Valéria Vianna
    10 de abril de 2020

    A descrição de uma senhora olhando a vida da janela, lembrando sua própria quando era mais jovem, seu trabalho como professora, seu casamento feliz, sua alegria com a chegada dos filhos e o fim de sua felicidade com a morte inesperada e prematura do marido. A solidão do ninho vazio, do tempo passando, o movimento das pessoas na rua sem perceber sua presença na janela. As visitas dos filhos adultos cada vez mais raras. O frio, o mofo, o tempo.

    Nota: 5,0

    Eis um conto que descreve bem a passagem do tempo e o processo de envelhecimento da personagem, viúva com filhos crescidos, envolta em lembranças da vida passada. A ambientação começa perfeita: garoa, o dia um pouco mais claro… e demais sinais ao longo do texto. A relação diária da protagonista com uma pomba retrata o resultado de muito tempo em solidão, comum entre os idosos. A observação das pessoas na rua que a fazem lembrar dela própria quando protagonizava a cena cotidiana, hoje apenas uma velha despercebida na janela. Muito bem concebido.

    • Claudinei Maximiliano
      14 de abril de 2020

      Obrigado, Valéria! É gratificante ler seu comentário e agradeço pela nota da avaliação.

  5. Daniel Reis
    10 de abril de 2020

    18. Da janela (Velha Virgem)
    Tema: reminiscências de uma senhora.
    Resumo: a narradora, uma senhora idosa, conta sua vida, desde o casamento com Jonas, a profissão de professora, o nascimento dos filhos, a perda do amado, a luta para criar os dois meninos, e o abandono da terceira idade. No fim, ninguém vem visitá-la.
    Técnica: o conto é correto, com a narrativa fluindo bem. Apenas que a narrativa em primeira pessoa às vezes torna a história suspeita, e achei que o final poderia ser menos o esperado.
    Emoção: tem um elemento importante de saudosismo misturado com amargura, mas não consegui me conectar com essa narradora.

    • Claudinei Maximiliano
      14 de abril de 2020

      Daniel, obrigado pelas observações. Vou considerar e procurar melhorar isso no próximo certame.

  6. Marco Aurélio Saraiva
    10 de abril de 2020

    A narradora teve uma vida feliz até a morte de seu marido, ainda jovem, quando então teve que voltar ao mercado de trabalho para cuidar de dois filhos ainda infantes. Agora, após muitos anos de uma vida um tanto comum, reflete sobre o passado e sobre o tempo que não para de andar para frente.

    O conto é simples, mas de uma simplicidade objetiva, proposital. Fala de uma velhice comum, como a de qualquer outro – talvez a minha, talvez a do meu vizinho, da minha mãe ou do meu pai. Fala da solidão que o tempo nos traz, quando nossos amigos e amados se vão e a gente fica, esperando o tempo passar. Traz uma luz sobre os motivos daqueles senhores e senhoras esperarem todo dia na janela ou na varada, de o motivo deles nunca reformarem as casas, e o por quê e alguns amarem tanto os pombos. Detalhes bobos? Talvez. Aqui, porém, são profundos, pois seu conto nos leva em uma jornada na direção do comum – uma velhice esmagadoramente comum.

    Gostei. Durante a leitura achei o conto morno mas, parando para pensar, a ideia é essa: o fim de uma vida, a melancolia da solidão, as reflexões finais de quem viveu, lutou e agora descansa.

    Muito bom!

    • Claudinei Maximiliano
      14 de abril de 2020

      Marco Aurélio, obrigado pelo comentário e observações. Agradeço por ter feito um comentário tão incisivo, indicando os pontos positivos e os negativos.

  7. Luciana Merley
    9 de abril de 2020

    Olá, autor.
    A história de uma mulher solitária após uma vida de felicidade, perdas e resiliência. O ninho vazio descrito na perspectiva de quem o sofre.

    AVALIAÇÃO: Utilizo os seguintes critérios: Técnica + CRI (Coesão, Ritmo e Impacto) sendo que, desses, o impacto é subjetivo e é geralmente o que definirá se o conto me conquistou ou não.

    Técnica – O “ninho vazio” é um tema bastante recorrente, mas o autor consegue trazer muita sensibilidade numa narrativa fluida e envolvente. Linguagem acessível, mas muito bem trabalhada. O início apresenta logo o conflito e o personagem. O final não é surpreendente, ao contrário, segue a linha dos contos modernos, num sentido de continuidade. Não é um texto de sustos e baques, mas de linha terna.

    CRI – O texto é coeso, sem divagações desnecessárias, tem um ritmo muito bom como se “escorregássemos” lendo. O impacto é ótimo, pois trata-se de um tema muito sensível e que nos faz ficar pensando depois. Da forma como trabalhado não ficou piegas, nem dramalhão, mas muito bem conduzido. Belo texto. Parabéns.

    • Claudinei Maximiliano
      14 de abril de 2020

      Oi, Luciana! Obrigado pelo comentário e observações.

  8. Amanda Gomez
    9 de abril de 2020

    Olá,

    Resumo 📝 O relato de uma idosa sobre sua trajetória de vida até os dias atuais, a perda do marido, o voo os filhos e a solidão que agora é sua única companhia.

    Gostei 😁👍 Primeiramente da escrita, muito bem feita, rica sem exageros, belas descrições eu consegui visualizar muito bem todo o texto. Uma ótima ambientação. Segundo a personagem, não tem nenhuma novidade nela no quesito de realmente ser uma personagem que surpreende na história, não, mas ela é muito bem construída, as camadas que o autor vai colocando, pouco a pouco para formar a personalidade dela pro leitor foi algo prazeroso de notar. A história entretém, é verossímil, sincera com o que propõe. Depois de uns textos bem cansativos esse foi um alívio. O final dá aquela do da personagem… e esse sentimento se reflete na realidade de muitos e talvez por isso seja tão coerente.

    Não gostei🙄👎 O pseudônimo não tem nada a ver com a história, não que precise ter, mas vc termina de ler o texto e ler parece totalmente deslocado. Foi um texto que eu não consegui pensar em nada para pontuar como ‘’ não gostei’’ só pequenos detalhes irrelevantes para a minha avaliação.

    Destaque📌 “Fechei a cortina, voltei para a cama e me cobri com o edredom cheirando a mofo, deixando apenas a cabeça para fora. A temperatura parecia ter caído ainda mais, e eu sentia as pontas dos dedos congeladas. Suspirei fundo, me virei para o canto e fechei os olhos. Na parede o tic-tac do relógio prosseguia a sua jornada, contínua, solitária.”

    Conclusão = 🤗Não é um texto que arrebata, ele vai construindo o caminho para cativar o leitor de forma natural e chega ao fim alcançando esse objetivo totalmente.

    Boa sorte.

    • Claudinei Maximiliano
      14 de abril de 2020

      Amanda, muito obrigado pelo comentário! Quanto ao pseudônimo, de fato nada tinha a ver com a história. O fato é que estava ouvindo essa banda antes de escrever o conto e inspirei o nome da banda.

  9. Fernanda Caleffi Barbetta
    9 de abril de 2020

    Resumo
    Uma senhora vive sua vida solitária após ter tido anos de grande felicidade ao lado do marido e filhos. Quando o marido morre, ela perde a alegria de viver e se dedica ao trabalho para terminar de criar os filhos. Um advogado e outro chefe, eles pouco contato mantém com a senhora, que permanece sozinha em sua casa.

    Comentário
    Que texto lindo. Sensível, bem escrito, bem estruturado, envolvente. Apesar de não se tratar de um enredo surpreendente, é um belo conto, com uma bela história, rica em detalhes. Não encontrei problemas gramaticais significativos. Personagem e ambiente bem desenvolvidos. Parabéns pelo conto.

    • Claudinei Maximiliano
      14 de abril de 2020

      Fernanda, muito obrigado por seu comentário! Fico feliz e envaidecido por palavras tão gentis e animadoras, e por saber que o meu conto causou essa impressão em você.

  10. Cilas Medi
    9 de abril de 2020

    Olá Velha Virgem.
    Um pouco só, clichê. Mas ao saber contar as reminiscências de uma vida, o sentimento de uma velha mãe, passando e registrando em nossa mente todo o carinho de uma mulher para com a vida, sempre funesta e imprevisível.
    O balançar dos pensamentos, ora bons, em contrapartida com a velha forma de contar, cadenciado, explicativo nos detalhes, fazendo com que o leitor acompanhe, até com certa amargura, tudo o que a velhice nos trás.
    Acompanhou e compreendeu, perfeitamente, o desafio, em seu formato, cor, aparência, fluidez.
    Parabéns!
    Sorte no desafio.

  11. Fabio
    7 de abril de 2020

    DA JANELA (VELHA VIRGEM)

    Resumo: Memorias de uma vida que expressam sentimentos pelo trabalho, pelo esposo e pelos filhos que não mais apareciam.

    Comentario: Uma mulher sofrida. O próprio titulo ja demonstra essa afirmativa.
    Não pelo que viveu, mas, pelo sentido que a vida a levou.
    Teve de trabalhar para o sustento e a realização dos filhos. Uma verdadeira mãe. Seu único conforto talvez seja olhar pela janela onde espera que algo bom lhe aconteça.

    Uma história triste. Comum na sua realidade. Triste, pois parece representar um coração sofrido pelo abandono.

    Boa Sorte no desafio.

    • Claudinei Maximiliano
      14 de abril de 2020

      Obrigado, Fabio!

  12. Regina Ruth Rincon Caires
    6 de abril de 2020

    Da Janela (Velha Virgem)

    Resumo:

    A história da senhorinha (Velha Virgem), do marido Jonas e dos filhos Paulo e Roberto. Professora que se afastou da profissão para cuidar dos filhos, o marido era alfaiate. Ele morre atropelado, precocemente, e a professora precisou voltar ao trabalho. Criou os filhos, depois de formados foram cuidar das carreiras. A mãe ficou só e (parece) que a solidão machucava.

    Comentário:

    Que coisa! Não conhecia a tal banda “Velhas Virgens”. E é antiga! Eu preciso me antenar, mas acho que nem dá mais tempo…

    Vamos ao texto. Triste. Narrativa triste mesmo quando fala dos momentos felizes. A contação é feita de maneira altamente nostálgica, fechada, sem qualquer facho de sol. Mas é cativante, prende o leitor. Toca tão profundamente que, diante de tanta solidão, dá vontade de passar na frente da casa da Velhinha Virgem e falar com ela, abanar a mão, cumprimentar, convidar para dar uma volta no quarteirão.

    O conto cumpre completamente o tema do desafio. E que triste ENVELHECER…

    A escrita é carregada de emoção, narrativa que lembra um contar em voz baixa. Uma lamúria, uma falta de companhia, uma solitude que dói. A personagem parece um bichinho esquecido num canto. Só com as pombinhas… Numa outra vida, serei sua vizinha, prometo!

    Há alguns deslizes de escrita e a falta de vírgulas após advérbios (principalmente de tempo) deixam a leitura meio truncada, mas isso é resolvido com uma revisão.

    Parabéns, Velha Virgem!!! Sua escrita é doce, serena.

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

    • Claudinei Maximiliano
      14 de abril de 2020

      Dona Regina, muito obrigado pelo comentário! Agradeço muitíssimo pelas observações feitas. Vou ficar mais atento no próximo certame.

  13. Jorge Miranda
    4 de abril de 2020

    Uma velha senhora abre as cortinas da sala e fica observando as pessoss do lado de fora, crianças brincam, jovens passeiam, etc. Enquanto faz isso suas lembranças afloram.
    Um conto com uma pegada melancólica e que retrata o tempo que passou. Temos aqui uma personagem idosa, que da janela de sua sala fica lembrando de toda a sua vida ao longo de cinquenta anos. Vizinhança, trabalho, marido, filhos, perdas, tudo flui rápido e, acredito que para a personagem tornou-se um lugar comum. Temos uma solidão e uma melancolia que são descritos muito bem no texto. Gostei do desenvolvimento da personagem, percebe-se camadas de subjetividade nela. O texto trabalha em cima daquilo que muitas vezes marca o envelhecimento e, que, acredito, ser o que mais causa medo nas pessoas (junto com a degradação física), falo da solidão e do abandono.
    Alguns poderiam colocar que o conto apresenta certa previsibilidade e trabalha com temas corriqueiros do envelhecimento, mas acredito que este foi bem escrito e, em mim, despertou aquelas sensação de que o tempo é inexorável e que tudo passa.
    Parabéns pelo belo trabalho. atribuo-lhe a nota 4,0.

    • Claudinei Maximiliano
      14 de abril de 2020

      Jorge, muito obrigado pelo comentário. Também agradeço pela nota atribuída. Abraço!

  14. Fernando Cyrino
    4 de abril de 2020

    Que história mais triste, Velha Virgem. Aliás, fiquei aqui a matutar sobre o seu apelido. Se teve os filhos, que virgindade foi essa? Rindo aqui. UM conto bem escrito, melancólico e reflexivo. Um fluxo de consciência de uma idosa. Confesso, Velha Virgem que achei um tanto estranho a nossa heroína somente ter orgulho do filho advogado. Por que não também do cozinheiro que viajava bastante? Bem, mas aqui é boba opinião minha. Um conto bem narrado, um enredo simples e que caminha sem tropeços. Grande abraço e sucesso para você no desafio, Fernando.

    • Claudinei Maximiliano
      14 de abril de 2020

      Fernando, o pseudônimo nada tinha a ver com a história. Apenas me inspirei no nome da banda que eu estava ouvindo antes de começar a escrever o conto.

  15. Felipe Rodrigues
    3 de abril de 2020

    Mulher narra história da vida, profissão, filhos, perda do marido, velhice, solidão.

    Uma história comum como a de muitas brasileiras que lutam a batalha do cotidiano. Personagem bastante verossímil, assim como a trama, que poderia ser a trama da vida de uma parente nossa, me lembrou as histórias da minha avó, gente simples, que faz da vida sua maior arte. Passei por essas linhas como um curioso a acompanhar a notícia da vida dessa mulher mas não consegui muito aprofundamento devido a falta de brechas em relação aos seus segredos mais profundos.

  16. Elisa Ribeiro
    3 de abril de 2020

    Mulher idosa rememora sua vida enquanto observa as pessoas passando diante de sua janela.

    Gostei demais da cadência da sua narrativa. A sensação é de estar ouvindo uma pessoa real contando sua trajetória, tão comum e ao mesmo tempo tão trágica.

    A moldura do conto — o inverno, o cheiro de mofo, a solidão e a invisibilidade da personagem — constroem a atmosfera de melancolia que contrasta com a jornada ensolarada da personagem criando um efeito plástico que contribui para valorizar o conto.

    Destaco também a descrição da casa da personagem na juventude, muito vívida, senti meus pés tocarem no piso de caquinhos da varanda enquanto os olhos se perdiam na floresta de xaxins de samambaias.

    Parabéns pelo trabalho. Desejo sucesso no desafio e em tudo mais. Um abraço.

    • Claudinei Maximiliano
      14 de abril de 2020

      Elisa, muito obrigado pelo comentário. Fico feliz em saber que meu conto lhe causou uma boa impressão.

  17. Pedro Paulo
    2 de abril de 2020

    Este é um conto que assemelha a alguns outros que li, tratando-se das memórias de uma senhora, contadas pela mesma em tom melancólico, com apego a um passado perdido e avaliação de um presente solitário. A solidão tem sido tema comum neste desafio.

    Acho que faltou, ainda assim, uma história. Se fosse obrigado a resumir o conto, escreveria que “uma senhora remói o seu passado e o seu presente, depois dorme”. A história contada não constrói um enredo para além de si: uma vida feliz – feliz até demais, pelo tanto de destaque que recebe a felicidade – com uma – é claro que logo viria – grande tragédia que traz mudanças irremediáveis. As circunstâncias a partir da qual a personagem nos conta sua história não mudam ao final e, como a melancolia tonifica a leitura desde o início, não é uma grande surpresa como tudo se encerra e a história contada parece, desde o início, fadada a acabar ali, o que desmotiva a leitura.

  18. Julia Mascaro Alvim
    1 de abril de 2020

    Observava da janela crianças brincando na rua. Reparo na ação das pessoas ali fora. Em outros tempos eu também estaria ali. Mas , só observo. Casei há 50 anos. Compramos uma casa na Mooca. Gostava da varanda. Cuidava de samambaias e petúnias ali. Também lia e observava a rua. Meu marido era alfaiate e eu professora. Sinto saudades dos alunos do primário. Depois lecionei para as turmas de quintas e sextas séries. Dessas turmas não sinto tanta saudade.
    Fazia a janta para Jonas. Ele era galante e me trazia buquês de flores.Tivemos um filho, Paulo e depois, outro, Roberto. Passei a me dedicar à família apenas. Gostava muito.
    Jonas morreu em um acidente. Um ônibus desgovernado bateu contra o ponto de ônibus. Sofri muito.Mas precisava prosseguir com dois filhos na pré-adolescência. Tive de voltar a trabalhar. O Paulo se tornou advogado e o Roberto, cozinheiro. Agora sinto falta deles por trabalharem muito.
    Observo uma pomba no parapeito da janela. Me distraio com isso. Observo a rua e ninguém me vê. Meus filhos também não vem me visitar. Voltei pra cama e o tic-tac do relógio continua nessa jornada contínua e solitária.
    A narrativa acontece baseada em lembranças. O texto é claro. É possível se identificar com o drama da protagonista através das descrições. nota 03.

  19. antoniosbatista
    1 de abril de 2020

    Resumo: Da janela de sua casa, a personagem/narradora, observa a rua num dia cinzento de outono, e medita sobra sua vida e o passar dos anos.

    Comentário: O conto tem uma boa escrita, na medida certa, sem explicações desnecessárias, sem invenções mirabolantes. As descrições também. Tecem uma imagem do inverno que se aproxima, como da velhice e solidão. As ações estão na medida certa e o final achei perfeito, verdadeiro. Gostei pela atmosfera melancólica que você criou. Boa sorte

    • Claudinei Maximiliano
      14 de abril de 2020

      Antonio, obrigado pelo comentário!

  20. Priscila Pereira
    31 de março de 2020

    Resumo: Uma senhora olha a vida passar pela janela e lembra do passado, esperando por alguma interação humana que nunca chega.

    Olá, Velha virgem!
    Seu conto é bem melancólico e por mais que uma parte da vida da protagonista tenha de fato sido muito boa, parece que a nostalgia tirou um pouco desse brilho. Eu estou na fase de criar uma criança pequena e tentei imaginar quando ela crescer… o tempo para mim que tanto quero ter agora será abundante, mas talvez mais vazio e triste…
    O conto está bem escrito e revisado, só notei uma palavra faltando nesse trecho “Sinto falta do abraço meus filhos,”, de resto acho que está tudo ok.
    A protagonista parece real e sincera, fiquei com dó dela… Parabéns!
    Desejo boa sorte!

    • Claudinei Maximiliano
      14 de abril de 2020

      OI, Priscila. Muito obrigado pelo comentário. Fico feliz em saber que gostou do meu conto.

  21. Angelo Rodrigues
    28 de março de 2020

    Da janela (Velha Virgem)

    Resumo: Mulher que envelheceu, conta sua história. O marido, os filhos, a felicidade. A morte do marido e a partida dos filhos que foram viver suas vidas.

    Comentários: Gostei do conto. Bem estruturado, pretende contar uma forma de envelhecer. Há melancolia, profunda. A falta de esperança, a partir do meio do conto, parece dar o tom desejado pelo autor, quando uma felicidade que parecia se eterniza acaba morrendo, levando-a a viver a sua solidão na mesma casa onde experimentou dias melhores.
    O conto, dentro de sua proposta, me pareceu irretocável. Passa com singularidade a ideia do abandono. Quem espera por isso? Creio que ninguém. E não são poucas as chances de que isso venha a acontecer com cada um de nós. Acho que esse é o ponto mais central do conto.
    Gostei do modo como o conto foi terminado, num continuum, ainda que magoado. A protagonista parece entender que assim as coisas funcionam, a vida funciona, e só lhe cabe deitar em sua cama e esperar que o dia recomece e, com ela, a sua forma de viver, ainda que melancólica.

    • Claudinei Maximiliano
      14 de abril de 2020

      Angelo, muito obrigado pelo comentário! Agradeço pelas observações e fico feliz em saber que apreciou a forma como descrevi a situação.

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Publicado às 22 de março de 2020 por em Envelhecer, Envelhecer - Grupo 1 e marcado .