EntreContos

Detox Literário.

Famaliá (Claudinei Novais)

Vinha matutando isso há alguns dias, desde minha última conversa com o compadre Quincas, e estava determinado a dar uma guinada na vida. Após a morte de Ritinha as coisas vinham caminhando de mal a pior e continuar desse jeito não valia a pena. 

Durante anos vivi da produção de queijo e Ritinha era meu braço direito na tarefa. Ao lado dela passei os melhores dias de minha vida, tanto no amor, quanto a vida confortável que a venda de queijos nos permitia. Depois que ela se foi, não tive mais ânimo e nem disposição para dar sequência ao negócio. Comecei a atrasar as entregas, os compradores foram sumindo e o dinheiro foi diminuindo. Isso me impossibilitou de manter empregados e continuar com a venda de queijos. Daí pra frente a situação só desandou.

Conheci o compadre em uma das minhas andanças pela estrada velha quando estava indo pescar no Rio Preto, em Carlos Euler. O pneu da minha bicicleta furou e a única casa que havia por perto era justamente a do compadre, que estava sentado do lado de fora, pitando um cigarro de palha. Ele viu minha chateação e me ofereceu a bicicleta dele emprestada. Foi assim que nos tornamos amigos. A bem da verdade, meu único amigo. Não sei porque diacho, começamos a nos chamar de compadre e em pouco tempo era compadre pra cá, compadre pra lá. E o compadre Quincas sempre estava disposto a me oferecer o ombro amigo quando eu precisava chorar as pitangas. 

Numa dessas idas à casa dele, observei que ele mantinha uma garrafa fechada com um calango dentro. Não sei por onde o bicho respirava, mas se movia o tempo todo. Achei um tanto exótico por parte dele, mas fiquei encabulado de perguntar o que era. Cinco dias depois passei na casa do compadre novamente e o bicho na garrafa havia perdido o rabo. Agora se parecia mais com um sapo do que com um lagarto. Compadre Quincas devia ser meio maluco para manter aquilo em cima do armário. Mas, maluco ou não, era o único amigo que eu tinha.

Num desses dias ele me confidenciou a sete chaves que ele havia feito um pacto com o capiroto e que desde então a vida dele estava melhorando. Segundo ele, quando se faz um pacto com o capeta, o Tinhoso fica com a sua alma, mas durante a vida, o sucesso era garantido. Isso despertou meu interesse. Eu vinha passando por uma situação complicada e se não fizesse nada, ia acabar mendigando o pão. E se meu compadre fez o pacto e a vida estava melhorando, por que não fazer também?

“Está vendo aquela garrafa?” Perguntou ele apontando para a garrafa com o bicho sobre o armário. “Aquilo ali é meu Famaliá.”

“Famaliá, compadre?”

“Sim. Uma espécie de gênio, sempre pronto a realizar o desejo de seu dono.” Ele se ajeitou na cadeira, com os olhos arregalados e apontou para a garrafa. “Esse aí ainda está pequeno e tem poucos poderes, mas depois que estiver formado, vai realizar tudo o que eu pedir.” Assegurou.

Fiquei curioso com a história. Nunca fui de acreditar nessas crendices populares, mas o compadre Quincas dizia com tanta convicção, que me interessei pela história.

“Mas basta pegar um sapo e prender na garrafa, compadre?”

“Não! Eu chamo ele de filhote de cruz-credo, porque ainda está se desenvolvendo e cada dia assume uma forma diferente.”

Compadre Quincas era um homem simples, de poucas letras e inclinado a esse tipo de crendice. Eu ouvi tudo com atenção, mas por dentro me mantinha completamente cético.

“Pois então! Cinco dias atrás era um calango que estava preso na garrafa, mas agora parece uma perereca.”

Compadre Quincas deu um trago demorado no cigarro de palha, mirou a garrafa por uns instantes e se ajeitou sobre a cadeira.

“Compadre Cláudio, vou lhe explicar tintim por tintim, mas antes precisa me prometer nunca contar nada a ninguém.”

Após eu dar minha palavra, o compadre começou a relatar tudo o que sabia sobre o Famaliá.

Contou que certa noite estava deitado na rede, preocupado com a escassez na lavoura, quando um homem alto, de chapéu e galocha se aproximou dele e propôs um pacto. Era o capiroto à cata de pessoas dispostas a pactuar com ele. Segundo contou, o Famaliá é a cria de um ovo fecundado pelo próprio Tinhoso, e esse ovo precisa ser chocado durante trinta dias pela pessoa que fizer o pacto. No trigésimo dia, o ovo eclode e de dentro dele sai uma criatura gosmenta, parecida com uma salamandra. Assim que nasce, essa criatura precisa ser aprisionada dentro de uma garrafa e alimentada com sete gotas do sangue do dono, durante as sete primeiras noites. Depois basta deixar preso dentro da garrafa e após um mês o Famaliá estará completamente formado e apto para realizar todos os desejos de seu amo.

“Eu sei que parece uma história absurda”, continuou ele, “mas o trem funciona.”

Apesar de parecer uma história surreal, não posso negar que a vida do compadre Quincas estava claramente melhor nessas últimas semanas. Antes ele estava com a coluna toda entrevada, as articulações dos dedos deformadas e a geladeira armazenava apenas garrafas d’água. Agora, a geladeira está repleta dos mais variados itens, a artrose nos dedos praticamente sumiram e a coluna estava mais reta que a coluna de um molecote de quinze anos. Até as plantas na frente da casa estavam floridas e viçosas. Para confirmar a história, compadre Quincas tirou a carteira do bolso e a abriu em minha direção. A carteira estava até estufada, cheia de notas de cinquenta e de cem reais. Como podia ser? Até poucos dias atrás o compadre Quincas estava no mesmo perreio que eu e agora estava nadando no dinheiro! 

“Compadre, conforme já lhe contei, depois da morte de Ritinha, minha vida anda de mal a pior. Como é que eu faço para adquirir um trem desse?”

“Só por indicação de quem já possua um, mas se quiser ainda hoje eu te indico.”

Diante do que havia visto, não pensei duas vezes, afinal de contas, o compadre Quincas já havia feito o pacto e as coisas estavam melhorando para ele, e se funcionou com ele, ia funcionar comigo também.

Segundo me disse, o Tinhoso só aparece por essas bandas em noites de lua nova e apenas às sextas-feiras, e assim compadre Quincas teve tempo para me ensinar tudo o que precisava fazer após receber o ovo das mãos do Tinhoso.

Na sexta-feira de lua nova, montei na minha bicicleta e me dirigi até o local aprazado. Sempre tive medo de assombração, mas segundo o compadre, o Tinhoso não era com a aparição das almas dos mortos, ao contrário, era um homem bem-apessoado, perfumoso e carismático. 

Faltava mais de vinte minutos para a meia-noite quando cheguei na ponte sobre o Rio Preto, a caminho de Quatis. O local aprazado foi a ponte na divisa do estado, mas não sabia se ele viria de Carlos Euler, de Quatis ou de Passa Vinte. O local estava escuro, iluminado apenas pela luz da lua. Não passava viva alma pelo local e apenas o barulho das águas do Rio Preto e do piado das corujas quebravam o silêncio da noite. De repente um raio cortou o céu vindo de Passa Vinte e indo na direção de Quatis, seguido de um estouro grave, que me fez arrepiar até os pelos da orelha. Meus joelhos começaram a bater um no outro e meu queixo parecia que ia cair da boca. Respirei fundo e procurei manter a calma. Era uma ida sem volta e não adiantava querer fugir agora. 

Do outro lado da ponte, distante, avistei uma luzinha vindo em minha direção. Era apenas uma luz e àquela hora da noite ou era um carro com uma lanterna queimada ou era o Tinhoso. Por uns instantes rezei na esperança de ser um carro, mas então, avistei a figura de um homem do outro lado da ponte, caminhando em minha direção. Ao chegar bem no meio do rio ele fez um gesto com a mão. O local combinado era o meio da ponte, bem da divisa entre os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais, talvez porque a ponte acima e o rio abaixo formavam uma espécie de encruzilhada, imaginei.

Caminhei em direção a ele mal sentindo minhas pernas bambas e logo senti o perfume que vinha ao meu encontro, uma mistura de mirra com dama da noite. Era o Tinhoso, mais pontual que um lorde inglês.

Após se apresentar com um sorriso amistoso, alertou sobre as implicações do pacto e informou sobre os benefícios. Assinei meu nome em uma página no fim de um caderneta com capa de couro e ele me entregou um ovo acinzentado, um pouco maior que ovo de codorna. Repetiu todas as instruções que o compadre Quincas já havia informado, me abraçou apertado e voltou em direção a Quatis, desaparecendo logo após sair da ponte.

O acordo era basicamente minha alma após a morte, contra o Famaliá, que passaria a me conceder todos os desejos em vida. Sempre que ouvia falar sobre pacto com o Tinhoso, eu morria de medo, mas o sujeito me pareceu tão amigável, que encontrá-lo após minha morte poderia tornar minha vida no além até mais agradável.

Durante os trinta dias que se seguiram, fiquei em casa, sem poder conversar com ninguém, apenas chocando o ovo. Minha coluna já estava dolorida de ficar na cama e eu só podia sair dali para comer alguma coisa e para fazer minhas necessidades fisiológicas. Nem com o compadre Quincas conversei nesse período. 

Exatamente na trigésima noite, uma noite de lua nova, o ovo que eu estava chocando eclodiu. De dentro saiu uma criaturinha gosmenta, semelhante a uma salamandra. O bicho já saiu do ovo ligeiro como uma lagartixa. Eu havia me esquecido de deitar a garrafa ao lado da cama, então peguei o penico e emborquei sobre a criaturinha, deixando-a presa dentro dele. Corri até a cozinha e apanhei a garrafa com rolha que havia preparado e voltei para aprisionar a criatura dentro dela. Mas, pra minha surpresa, o bicho não estava preso dentro do penico. Fiquei desesperado e revirei o quarto de cabeça para baixo em busca da criatura. Minha busca foi em vão. E meu desespero aumentou.

Segundo o Tinho havia alertado, a criatura precisava ser presa imediatamente após a eclosão do ovo, caso contrário poderia fugir e as consequências seriam desastrosas. 

Procurei sob o sofá, dentro das gavetas, no meio das panelas, mas nada de Famaliá. Surtei em desespero e sem saber a quem recorrer, peguei a bicicleta e segui para a casa do compadre Quincas. Cheguei lá vinte minutos depois, ofegante e com o coração quase saindo boca afora. Pulei da bicicleta e comecei a bater forte na janela do quarto.

“Compadre Quincas! Pelo amor de Deus abra a porta!”

“Que houve, homem?” Perguntou ele lá de dentro. “Por que esse desespero a essa hora da madrugada?”

Um corisco cortou o céu sobre a cabana do compadre nesse momento. 

“Deixei meu Famaliá escapar, compadre.” Respondi tentando conter os soluços do choro. “Ele foi mais ligeiro que eu e acabou fugindo.”

A porta da frente foi aberta e me apressei em entrar. 

“Não sei como, compadre, mas o bicho já saiu do ovo pulando mais ligeiro que lagartixa! E ainda emborquei o penico em cima dele, mas a criatura conseguiu fugir.”

“Por isso que era preciso a garrafa com a rolha. O Famaliá não é um bicho qualquer. É um bicho mágico.”

“Mas e agora? O que posso…?”

Nesse instante percebi que sobre o armário do compadre Quincas havia outra garrafa de Famaliá. O bicho dentro da primeira garrafa havia adquirido nova aparência, ainda mais estranha. O corpo era de um sapo, mas se apoiava sobre duas pernas, e sobre a cabeça havia um punhado de cabelo avermelhado, espetado para cima. Na segunda garrafa a criatura ainda estava em forma de salamandra.

“O que dizia mesmo, compadre?” Perguntou ele.

“Estava perguntando o que devo fazer para consertar a situação.” 

Disse em tom vago, ainda olhando na direção das garrafas.

A resposta veio em tom ríspido. 

“Não tem conserto. Uma das condições era não deixar a criatura fugir, e se você não conseguiu dar conta nem da criatura recém saída do ovo, como poderia cuidar do Famaliá formado?” 

Abaixei a cabeça e cruzei as mãos sobre a nuca. A conversa estava me deixando ainda mais tenso e meu compadre parecia não ter a resposta que eu procurava.

“O ovo do Famaliá é fecundado pelo Tinhoso, mas só pode ser chocado por um homem de bom coração, e a criatura só pode ser cuidada por alguém que seja capaz.” Prosseguiu ele enquanto eu permanecia com a testa sobre a mesa e as mãos sobre a nuca. “Você tem um bom coração. Eu tenho a capacidade.”

As palavras do compadre Quincas me deixaram incomodado. Ele sempre me tratou com gentileza, mas agora parecia outra pessoa. Provavelmente o fato de ter sido acordado no meio da madrugado ele tenha ficado de mal humor, sei lá. Algumas pessoas ficam mal-humoradas pela manhã, outras quando estão com sono. Talvez a melhor opção seria ir embora e tentar conversar em outro momento.

“Acho melhor ir embora agora, compadre”, disse enquanto me punha de pé, “e amanhã eu volto pra conversar com mais calma. E por favor me desculpe por ter acordado você a essa hora. E realmente não queria perturbar.”

“Aceito suas desculpas, mas acredito que não tenhamos mais sobre o que conversar.” Ele apontou na direção das garrafas sobre o armário e prosseguiu.  “Um homem só pode fazer o pacto com o capeta uma única vez na vida.” 

Depois ele apontou com a mão na direção da porta de saída e concluiu: 

“Espero que encontre outro caminho de arrumar sua vida.”

Saí desnorteado dali. Quincas só havia se aproximado de mim para conseguir outro Famaliá. E eu, acreditando em sua amizade, acabei desgraçando ainda mais minha vida e ficando sem minha alma. 

Depois desse dia não encontrei mais o compadre Quincas. A última vez que fui procurá-lo, encontrei a casa abandonada. Minha vida estava cada vez pior e minha saúde cada vez mais debilitada.

Já se passaram três anos desde o ocorrido e, desde então, toda sexta-feira noite de lua nova, eu vou até a ponte e fico lá na esperança de que o Tinhoso apareça. Mas até agora tem sido em vão. Temo só encontrá-lo de novo quando eu der o último suspiro. Aí, provavelmente, ele virá abraçar minha alma.

32 comentários em “Famaliá (Claudinei Novais)

  1. Fil Felix
    15 de dezembro de 2019

    Resumo: um homem, num dia de acidente, conhece um compadre que lhe sugere fazer um pacto com o Diabo para ter uma vida farta, mas as coisas não saem do jeito que queria.

    Gostei de como o conto aborda questões que são bem conhecidas em nosso folclore, como a captura do Saci em vidro, me lembrei do filme A Marvada Carne (que o protagonista faz um pacto com o diabo, que é a Regina Casé, no meio de uma encruzilhada). Interessante ver a forma que o filho do tinhoso se desenvolve dentro do vidro, passando por fases, além de trazer a questão de chocar o ovo e tudo mais (brincando com a questão do “familiar”). Isso ajuda na criação da mitologia do conto, dando mais contexto a ele. Outro ponto legal é a maneira como ele foi enganado, reforçando a ideia de que quase sempre o jogo não é limpo em se tratando do Diabo, quase nunca dá bem. O final não achei tão surpreendente, quando vemos os dois frascos em cima do armário já sabemos o que aconteceu, não indo muito longe disso depois.

    • Claudinei Ribeiro Novais
      19 de dezembro de 2019

      Obrigado pelo comentário, Fil. Pelos demais comentários, percebo que poderia ter dado um final mais aberto, mais surpreendente. Vou anotar isso e por em prática no próximo. Abraço!

  2. Fabio Baptista
    14 de dezembro de 2019

    RESUMO:
    Após a morte da esposa e falência dos negócios, homem recebe de seu compadre a receita de obter um “Famaliá”, um pequeno demônio preso dentro da garrafa que pode realizar desejos.
    Faz então um pacto com o diabo, executa os procedimentos, mas, na hora H, deixa o bicho escapar. Vai pedir ajuda ao compadre e então percebe que tudo foi um plano deste para obter outro demônio.

    COMENTÁRIO:
    Esse foi um dos contos que mais gostei de ler. Apesar do tema bem batido, achei a narrativa gostosa e quando percebi já estava no final.
    Está escrito de um jeito simples e agradável, porém, algumas falhas de lógica (pelo menos entendi assim) dentro da história impedem uma nota maior.
    Tipo… é falado que o Famaliá realiza os desejos depois de formado, mas a vida do compadre começou a melhorar enquanto o bicho ainda era sapo, não? Quincas meio que dá a entender que seu encontro com o diabo foi ao acaso, mas depois diz que só se pode obter o familiar com indicação de alguém que já o possua. A regra do bom coração aparece do nada, como uma conveniência de roteiro.
    O final foi pior nesse sentido: como Quincas conseguiu saber o momento exato e capturar a criatura deixada sozinha por instantes (outra conveniência) e fugir sem ser notado?
    E, além de tudo, por que ele queria outro Familiar?

    Enfim… detalhes que impediram uma avaliação melhor dentro do desafio, mas não atrapalharam uma leitura prazerosa.

    NOTA: 3,5

    • Claudinei Ribeiro Novais
      19 de dezembro de 2019

      Fabio, sinto-me lisonjeado com seu comentário. O fato de você ter escrito “Esse foi um dos contos que mais gostei de ler.” já me fez ganhar o dia! Não ganhei no certame, mas consegui criar uma leitura prazerosa e já é meio caminho andado. Abraço.

  3. Cirineu Pereira
    14 de dezembro de 2019

    De forma geral, um conto bem narrado – ainda que o estilo remeta realmente aos típicos “causos” popularmente perpetuados de boca em boca – com cenas de suspense relativamente bem conduzidas, menção especial ao cuidado com a coerência temporal quando das menções às fases da lua, e aí talvez se encerrem os pontos altos de Famaliá.

    Note-se que em contos narrados na primeira pessoa, o discurso, a verve e, de forma geral, o estilo narrativo, auxiliam na construção do personagem-narrador. Porém, salvo clara e deliberadamente aplicados a personagens estereotipados e/ou caricatos, esse processo de construção não justifica erros de ortografia e gramática, construções equivocadas, clichês, incongruências e pecados afins.
    Além dos pretensos erros enumerados ao final dessa análise, eu apontaria alguns pontos passíveis de melhoria:

    1. O abraço do diabo, arrematando o encontro, pareceu-me deveras “improvável”, denotando cinismo e ingenuidade excessivos e descabidos.

    2. O próprio diabo, ou a impressão causada pelo mesmo ao protagonista por ocasião do encontro, merecia descrição mais fascinante, mais impressionante.

    3. O choro do narrador, ao contar pro compadre que perdeu seu filhote de demônio, ao meu ver, também pareceu inadequado, desconstruindo o perfil do narrador-personagem.

    4. À certa altura, o narrador afirma que a amizade do compadre era falsa e que o mesmo só se aproximara dele para conseguir um segundo “famaliá”, porém caberia justificar a razão pela qual Quincas quereria outro “famaliá”, já que, segundo consta, um só seria capaz de atender todos os seus desejos em vida.

    5. “Depois desse dia não encontrei mais o compadre Quincas. A última vez que fui procurá-lo, encontrei a casa abandonada. Minha vida estava cada vez pior e minha saúde cada vez mais debilitada.” – Improvável e decepcionante, afinal um homem desgraçado e que já não tinha de seu sequer a própria alma, não haveria de medir esforços para recuperar seu famaliá.

    Por fim, o arremate parece “estragar” completamente um conto promissor. O esperado e, provavelmente mais interessante, seria que ambos os homens começassem a demonstrar comportamento demoníaco. O narrador haveria de fazer de tudo para reaver seu “diabinho”, inclusive providenciar que Quincas abreviasse o cumprimento de sua parte no pacto com o tinhoso. Sem isso, o protagonista apenas demonstra que a condição de abatimento e derrota, inicialmente justificada pela perda da companheira, é uma constante de sua personalidade. Porém, mesmo essa covardia nos soa contraditória, afinal ele teve coragem o bastante para firmar o pacto com o demônio e por fim talvez devesse sentir vergonha em contar seu “causo”.

    Notas gerais:

    1. “Ao lado dela passei os melhores dias de minha vida, tanto no amor, quanto a (na) vida confortável que a venda de queijos nos permitia…”

    2. Num desses dias ele me confidenciou a sete chaves que ele havia feito um pacto com o capiroto e que desde então a vida dele estava melhorando (constante repetição do pronome “ele”, bem como “dele”, que poderiam ser evitadas com alternância do nome “Quincas”, pelo tratamento “compadre” ou apenas “amigo e ainda, até mesmo pela supressão do sujeito, pois note-se que aqui o segundo “ele” não faz a menor falta).

    3. “Segundo ele, quando se faz um pacto com o capeta, o Tinhoso fica com a sua alma, mas durante a vida, o sucesso era (é – erro de concordância) garantido.”

    4. “Perguntou ele(,) apontando para a garrafa com o bicho sobre o armário.”

    5. ““Compadre Cláudio, vou lhe explicar tintim por tintim, mas antes precisa me prometer nunca contar nada a ninguém.” (As falas assim marcadas por aspas não precisam, ao meu ver, de quebras de linhas, mas podem ser inseridas na continuidade da narrativa e do parágrafo)”

    6. “a artrose nos dedos praticamente sumiram (sumiu) e a coluna estava (“está”) mais reta que a coluna de um molecote de quinze anos.”

    7. “Até poucos dias atrás o compadre Quincas estava no mesmo perreio que eu e agora estava nadando no dinheiro! (o uso do advérbio “agora” pressupõe o tempo presente em contradição ao uso de verbos no passado)”

    8. ““Só por indicação de quem já possua um, mas se quiser ainda hoje eu te indico.” (Curioso que, conforme previamente narrado, o “Compadre Quincas” deparou-se casualmente com o “tinhoso”, ou seja, sem indicação)”

    9. “e se funcionou com ele, ia funcionar (funcionaria?) comigo também.”

    10. “…o Tinhoso não era com (como?) a aparição das almas dos mortos…”

    11. “O local combinado era o meio da ponte, bem da (na) divisa entre os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais…”

    12. “Após se apresentar (penso que caberia inserir breves descrições visuais do interlocutor de então, ou seja, do tinhoso) com um sorriso amistoso…”

    13. “Assinei meu nome em uma página no fim de um (uma) caderneta…”

    14. “Provavelmente (pelo) o fato de ter sido acordado no meio da madrugado ele tenha ficado de mal (mau) humor, sei lá.”

    • Claudinei Ribeiro Novais
      19 de dezembro de 2019

      Cirineu, só tenho a agradecer pelas observações. Você é um profundo conhecedor do tema e tais observações são de grande valia. Obrigado! Abraço.

  4. Leo Jardim
    14 de dezembro de 2019

    🗒 Resumo: um homem muito pobre descobre que seu “compadre” vendeu a alma ao diabo em troca de uma criatura que lhe concederá todos os desejos. Ele acaba fazendo também o pacto com o capeta, mas leva um golpe do antigo amigo, que fica com a criatura e ele sem a alma

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): apesar de um pouco clichê, a trama é interessante. Gosto dessa coisa regional, do interior. Sempre rende boas histórias.

    Separei, porém, dois pontos para comentar:

    1) A trama acaba ficando um pouco previsível. Desde que a garrafa apareceu, eu já imaginava que seria um demônio. E também já imaginei que o protagonista ia acabar querendo uma. E já esperava que ela ia se dar mal de alguma forma. Só não tinha certeza ainda de que o “compadre” que ia roubar seu diabinho de estimação (aliás, como ele conseguiu pegá-lo?).

    2) Conclusão ficou muito longa. Os dois últimos parágrafos estendem a história além do necessário. Poderia encerrar antes, com menos frases, no momento em que ele descobre que perdeu a alma e que foi traído.

    📝 Técnica (⭐⭐▫▫▫): gostei do regionalismo e da descrição de algumas cenas. Destaque para a cena antes da chegada do Tinhoso, que passou bastante o clima de apreensão. Mas acho que poderia ter investido mais no encontro em si, que acabou sendo anticlimático. Queria ter visto mais do diálogo dos dois.

    Além disso, fiz as seguintes anotações:

    ▪ Após a morte de Ritinha *vírgula* as coisas vinham caminhando

    ▪ Durante anos *vírgula* vivi da produção de queijo

    ▪ Ao lado dela *vírgula* passei os melhores dias de minha vida

    ▪ em uma das minhas andanças pela estrada velha *vírgula* quando estava indo pescar 

    ▪ Cinco dias depois *vírgula* passei na casa 

    ▪ Num desses dias *vírgula* ele me confidenciou

    ▪ Fiquei curioso com a *história*. Nunca fui de acreditar nessas crendices populares, mas o compadre Quincas dizia com tanta convicção, que me interessei pela *história*. (Essa repetição de palavras muito próximas deixa o texto pobre e com sonoridade ruim)

    ▪ a artrose nos dedos praticamente *sumiram* (sumiu)

    ▪ *Faltava* (Faltavam) mais de vinte minutos

    ▪ Ao chegar bem no meio do rio *vírgula* ele fez um gesto com a mão

    🎯 Tema (🆓️): mitologia regional 👹

    💡 Criatividade (⭐▫▫): o texto acaba sendo todo concentrado em cima do velho clichê do diabo na garrafa e não foge muito do comum.

    🎭 Impacto (⭐⭐▫▫▫): como eu já havia previsto o desfecho, o texto acabou tendo um impacto reduzido.

    • Claudinei Ribeiro Novais
      19 de dezembro de 2019

      Leo, agradeço pelas observações. Vou ficar mais atento nos próximos escritos, procurando me lembrar das dicas. Valeu! Abraço.

  5. Daniel Reis
    14 de dezembro de 2019

    Resumo: Depois da morte da mulher, Ritinha, o queijeiro pressente que precisa dar uma guinada na sua vida. Como o compadre que conheceu por conta de um pneu furado na estrada e que, de repente, apareceu com um calango na garrafa. O compadre Quincas tinha feito um pacto e aquele era o ser mágico que daria e ele riqueza e poder. Era o Famaliá, um gênio da garrafa, por assim dizer. Ele ensina o outro, sob promessa de não contar a ninguém, como fazer o pacto e criar seu próprio gênio. Só que, depois de assinado o contrato com o Tinhoso e chocado o ovo, o bicho nasceu e acabou fugindo. Desesperado, procura o compadre, que fala que só é possível ter um desses criado. E ele viu que o compadre tinha duas garrafas com os bichos. Havia sido enganado. Agora, só restava esperar o demo vir buscar sua alma vendida.

    Método de avaliação: “Análise Jacquiana”
    Receita: elementos do folclore universal, como o pacto com as forças do mal em busca de poder e riqueza, se integram com o cenário regional e principalmente com a sensação de ter sido usado pelo melhor amigo.

    Ingredientes: cobiça, desejo, inveja e o sobrenatural, com pitadas de regionalismo.

    Preparo: história muito bem conduzida e narrada, com final muito satisfatório, sem tentativas de redenção do protagonista.

    Sabor: uma história bem saborosa, carnuda mesmo. Deliciosa.

    Frases motivacionais (quase aleatórias) do Eric Jacquin (ou coisas ele possivelmente diria) : “Isso aí. Não esperava nada além da perfeição”.

    • Claudinei Ribeiro Novais
      19 de dezembro de 2019

      Daniel, muito obrigado pelo comentário. Seu feedback me deixou um pouco mais envaidecido! Agradeço pela análise Jacquiana! rss Abraço!

  6. rsollberg
    13 de dezembro de 2019

    Famaliá (Compadre Cláudio) 3.0

    Resumo: Uma vida em frangalhos, a chance de uma reviravolta, uma lição amarga.

    Inicialmente, chamou minha atenção o fato de que é a segunda vez que leio um conto sobre o “diabinho na garrafa” neste campeonato. O que em minha opinião apenas diz que os temas não se esgotam jamais. Confesso que acho muito interessante essas crenças; “Segundo contou, o Famaliá é a cria de um ovo fecundado pelo próprio Tinhoso, e esse ovo precisa ser chocado durante trinta dias pela pessoa que fizer o pacto. No trigésimo dia, o ovo eclode e de dentro dele sai uma criatura gosmenta, parecida com uma salamandra. Assim que nasce, essa criatura precisa ser aprisionada dentro de uma garrafa e alimentada com sete gotas do sangue do dono, durante as sete primeiras noites. Depois basta deixar preso dentro da garrafa e após um mês o Famaliá estará completamente formado e apto para realizar todos os desejos de seu amo.” E fico tentando descobrir a raiz dessas estórias. Creio que esse tipo de ritual em nada se difere dos cultos de cura e sessões de descarrego que vemos aos montes.

    O conto tem todo aquele jeitão de causo, que vai subindo gradativamente a estranheza e o insólito até alcançar o seu ápice. A linguagem empregada é bem acessível, sem muito regionalismo ou muito rebuscada, ou seja, rapidamente o leitor pega o ritmo e bebe tudo numa talagada só.
    Em determinados momento o autor se esmera em criar uma atmosfera própria para o mistério, aumentando assim a imersão do leitor “Não passava viva alma pelo local e apenas o barulho das águas do Rio Preto e do piado das corujas quebravam o silêncio da noite. De repente um raio cortou o céu vindo de Passa Vinte e indo na direção de Quatis, seguido de um estouro grave, que me fez arrepiar até os pelos da orelha”

    No que diz respeito ao lado criativo, infelizmente não vi qualquer novidade, seja na lenda ou no desfecho da história. Não é uma história original nem no escopo, pois vemos mais um incauto ser passado para trás. Não fosse o ritual do ovo, não teríamos qualquer sopro de inventividade neste conto.

    Comentário cretinos e aleatório:
    Se o sujeito não tivesse deixado escapar a Salamandra o plano do compadre não teria surtido efeito? Ou seja, o acaso que salvou o rumo da história?
    Até entendo que algumas coisas não precisam de respostas objetivas, é bom ser lacônico, porém entendo que algumas ferem a verossimilhança da história. O tempo inteiro dizem para ter cuidado que o bicho é arisco, ai o fera esquece de pegar a garrafa?!! Ok. Segue o jogo, ai a salamandra foge e vai direto para a casa do Cumpadre, ou o campeão estava na espreita e esperou o “amigo” dar mole as 24:00 (o que pelo continuar da história não parece ser o caso).

    Enfim, achei uma história muito divertida, com boas sacadas e alguns pequenos ‘furos”. De qualquer modo, parabéns e boa sorte.

    • Claudinei Ribeiro Novais
      19 de dezembro de 2019

      rsollberg, agradeço pelo comentário e observações sobre meu conto, tais observações são de suma importância para o meu desenvolvimento como contista. Abraço

  7. Fernando Amâncio (@fernandoamancio)
    12 de dezembro de 2019

    Homem com a vida em crise desde a morte da esposa, resolve sair da maré de derrota. Por intermédio do compadre Quincas, ele se encontra com o capiroto, que lhe fornece o ovo para gerar um famaliá, diabinho de garrafa. O custo, já que não há almoço grátis, é a alma do “contratante”. Após chocar o ovo por dias, o narrador deixa o ser que atenderia a todos os seus pedidos escapar, o que indica que sua vida não encontrará o rumo desejado.

    Compadre Cláudio, seu texto está bem escrito. Parabenizo-o pelo estilo adotado, muito condizente com a história que você conta. Seria inverossímil se a narrativa contada toda formal em um contexto rural, sem a coloquialidade que se espera nessa situação – e vou te falar que equívocos assim acontecem demais. A história, em si, não é original, e me parece que tampouco esse foi o objetivo. O autor quis contar uma boa história, usando os clichês desse tipo de conto, o que é válido. História com pacto com o tinhoso raramente acaba bem.

    Mas jogar com os clichês do gênero apresenta suas vantagens. O leitor se familiariza facilmente com a narrativa e, mesmo que desconfie sobre qual será o rumo da história, quer descobrir como isso vai acontecer. É por essas e outras que as pessoas assistem novelas mesmo lendo o resumo dos capítulos anteriormente.

    Sua história está bem amarrada. Talvez o final, o fato do cumpadre Quincas ter enganado o narrador, poderia ser mais implícito. Do jeito que está, apesar da surpresa – cumpadre fura olho esse Quincas! – o desfecho fica muito escancarado. Talvez algo menos às claras, só insinuando que o segundo famaliá poderia ser o que desapareceu, enriqueceria o texto. É meu ponto de vista. Seu conto é bom e vai receber boas avaliações. Boa sorte!

    • Claudinei Ribeiro Novais
      19 de dezembro de 2019

      Fernando, agradeço pelo comentário e observações sobre meu conto. Vou ficar atento à essas dicas e procurar observar melhor no próximo conto. Abraço!

  8. fabiodoliveirato
    12 de dezembro de 2019

    Uma narrativa ligeira, para capturar o leitor e para desenrolar uma boa história.

    Resumo: Cláudio perdeu sua amada, Ritinha, e assistiu de camarote sua vida desmoronar aos poucos. Seu único amigo, Quincas, confessa ter feito um pacto com o Capeta e promete que, se o também fizer, será feliz em vida. Cede aos desejos e consegue um familiar, mas o perde. Fora enganado por Quincas e condenado pela eternidade.

    Querido autor, o que mais gostei desse conto foi sua solidez. Ele é firme, tanto na narrativa, quanto na história. Os detalhes estão ali para fortalecer o enredo, para guiar o leitor, nenhuma informação desnecessária ou tola. Tudo muito bem conduzido. Foi uma leitura um tanto prazerosa, admito!

    A traição cometida por Quincas doeu em mim. Cláudio não merecia aquilo. Foi enganado, foi submisso aos desejos, foi fraco. Seria a fraqueza, coisa que todos nós somos reféns em determinados momentos da vida, fator tão importante para condenar uma pessoa? Um triste final para ele. Quincas, bem, acho que se deu bem até no pós-vida. Pela experiência que tenho, nem toda pessoa ruim sofre e recebe o que merece. Isso é coisa de novela, HQs medíocres e cinema baixo. A realidade é mais dura que isso.

    Fiquei intrigado com o familiar, queria ver mais sobre ele, mas entendo que o enredo não permitiu isso. Você tomou a decisão certa: focou-se naquilo que Cláudio viveu.

    Bem, é um conto bem sólido. Não brilha muito, por não trazer nada muito ousado, mas foi uma leitura prazerosa. Parabéns!

    • Claudinei Ribeiro Novais
      19 de dezembro de 2019

      Fábio, agradeço pelo comentário! Fico feliz em saber que, apesar de não ter sido um conto foda, ainda assim proporcionou uma leitura prazerosa. Abraço!

  9. Catarina Cunha
    11 de dezembro de 2019

    O que entendi: Viúvo desgostoso com a vida, e ferrado de grana, conhece um compadre que lhe apresenta um diabinho na garrafa; fruto de um pacto com o capeta: vida boa em troca da alma. O viúvo faz um pacto também, mas não dá certo porque deixa o bicho escapar.

    Técnica: Envolvente. Prosa contada com desenvoltura e domínio dos mistérios dos costumes da roça. Gostosa de ler.

    Criatividade: A história toda é uma delícia, mas a cereja do bolo foi o capetinha ser gerado dentro de um ovo e chocado por um homem.

    Impacto: Relaxante. Vocabulário enxuto e certeiro.

    Destaque: “Segundo contou, o Famaliá é a cria de um ovo fecundado pelo próprio Tinhoso, e esse ovo precisa ser chocado durante trinta dias pela pessoa que fizer o pacto.” – Cena grotesca. Kkkk

    Sugestão: Ué? E lua nova tem luz?: “ O local estava escuro, iluminado apenas pela luz da lua.”, sugiro rever a frase. O texto pede revisão, exemplo: “um caderneta”

    • Claudinei Ribeiro Novais
      19 de dezembro de 2019

      Catarina, obrigado pelo comentário e observações. De fato não sei se a lua nova tem tanta luz. Onde moro mal dá pra ver a lua e as estrelas, mas foi uma excelente observação. Vou ficar mais atento a esses detalhes.
      Abraço!

  10. Carolina Pires
    11 de dezembro de 2019

    Resumo: Após passar dificuldades, um homem, por influência de seu novo amigo Quincas, faz um pacto com o capeta. Choca um ovo por trinta dias e quando eclode, perde o bicho (chamado de Famaliá). Em desespero, corre para o amigo Quincas, que já não está tão amigável, o qual – tudo indica – fica com o Famaliá do outro e some.

    Eu achei o conto bem interessante para falar a verdade. Como sou do interior de Minas, essas histórias de capetinhas na garrafa, pacto com o “coisa ruim” (rsrsrs) sempre estiveram presentes no imaginário popular. Achei a narrativa bem agradável, correu leve e descontraída, devo destacar que ri muito quando o personagem principal prendeu o Famaliá dele dentro do penico. Eu sabia que aquilo não ia dar certo. Eu senti falta de um final mais impactante, admito, para mim faltou nesse quesito. Entretanto, isso não foi suficiente para atrapalhar minha leitura e a boa impressão que tive do conto. Gosto do simples e também gosto do humor nos contos. Parabéns!

    • Claudinei Ribeiro Novais
      19 de dezembro de 2019

      Carolina, agradeço pelo comentário e observações que fez. “Pequei” um pouco no final e vou ficar mais atento a essa questão. Obrigado! Abraço.

  11. Gustavo Araujo
    6 de dezembro de 2019

    Resumo: homem conhece um sujeito que cria uma espécie de salamandra numa garrafa; trata-se na verdade uma famaliá, surgida de um pacto com o capiroto; graças a esse pacto, o tal sujeito está melhorando de vida, de modo que o protagonista também decide fazer o pacto; contudo, na hora H, sua famaliá foge e no fim ele descobre que o sujeito (seu “mui” amigo) foi quem a roubou.

    Impressões: é um conto com jeitão de causo, desses que os avós gostam de contar aos netos que passam férias em suas casas. Não assusta (nem é essa a intenção), mas deixa uma lição, já que mostra que pior que o diabo são as pessoas. A linguagem simples e o enredo despretensioso colaboram para que a trama flua sem atropelos, convidando o leitor a prosseguir sem esforço, naturalmente. Por outro lado, essa simplicidade não permite mergulhos mais ousados na psicologia dos envolvidos, não nos faz exatamente gostar ou desgostar deles, ou seja, não há chance de identificação por parte de quem lê. Opção do autor que deve ser respeitada. Pessoalmente, prefiro tramas mais complexas, que promovam essa substituição mental, mas não posso deixar de reconhecer os méritos desta pequena fábula. Creio que agradaria o público infanto-juvenil se fosse devidamente divulgada. Parabéns pelo conto e boa sorte no desafio.

    Em tempo: a imagem escolhida é excelente.

    • Claudinei Ribeiro Novais
      19 de dezembro de 2019

      Gustavo, muito obrigado pelo comentário. Com certeza tais observações serão de grande valia para o aperfeiçoamento e desenvolvimento de novos contos. Abraço!

  12. Priscila Pereira
    5 de dezembro de 2019

    Resumo: Um cara é enganado por seu compadre para que fizesse um pacto com o tinhoso e conseguisse um famaliá para depois roubá-lo.

    Olá, autor!
    Gostei bastante da escrita bem regional, me lembrou muito dos causos. A história é muito interessante e prende a atenção do começo ao fim. Percebi uma fina camada de ironia, principalmente na cena do encontro com o tinhoso. Um enredo bem simples mas inteligente. O coitado do compadre Claudio se ferrou mesmo, heim… coitado… isso que dá se envolver com o tinhoso…rsrsrsrsr
    Enfim, um conto muito bom, bem escrito, bem ambientado, interessante e inteligente. Parabéns e boa sorte!

    • Claudinei Ribeiro Novais
      19 de dezembro de 2019

      Priscila, muito obrigado pelo comentário! Fico feliz que tenha apreciado ao ponto de se sentir presa do começo ao fim da leitura. Mesmo tendo falhas, percebo que alcancei um dos objetivos, que é proporcionar uma leitura prazerosa! Obrigado! Abraço!

  13. Pedro Teixeira
    30 de novembro de 2019

    Um bom conto, muito bem escrito, com descrições precisas e uma premissa bem original. A construção dos personagens é outro ponto forte. Uma revisão seria interessante, e achei a conclusão um tanto abrupta. Ainda assim, é um trabalho instigante, que demonstra um potencial enorme.

  14. Leila carmelita
    27 de novembro de 2019

    Sinopse
    Cláudio é um interiorano produtor de queijos. Ao lado de sua esposa Ritinha, passava bem com suas rendas. Entretanto, após a morte da mulher, não só seus rendimentos caem, como sua saúde também. Após conhecer Quincas, um gentil vizinho, Cláudio conhece uma possível solução: fazer um pacto com o Diabo. Mas, a solução final pode trazer graves consequências a sua vida.

    Comentários
    Gostei muito do conto, parabéns entrecontista! Uma prosa de cunho regional, nos lembra muito os causos do interior do Brasil, onde sempre uma criatura fantástica ou um homem de valentia realiza grandes proezas. De modo bem-humorado, trata de algo assombroso e assustador: um pacto com o demônio. Uma situação clichê, que pode e deve ser reinventada, reinterpretada e recontada. Isso situação comum não esgota nossa criatividade. Particularmente, considerei em termos de originalidade. Possa ser desconfiança minha, mas ao que parece, Quincas tramou tudo com o capiroto, como explicar a rápida captura do Famaliá? Esse é o tipo de reviravolta inesperada que desejo ler num conto. Uma história que nos leva a refletir sobre ganância, e, inveja, dois pecados e sentimentos que inferiorizam quem o possui. Só não terá maior nota por ter feito alguns erros ortográficos bobos, merecia melhor cuidado na revisão.

    Notas de Leila Carmelita
    – A Gata de Luvas – 4,0
    – A Hora da Louca – 4,5
    – A Onça do Sertão – 3,6
    – A Pecadora – 5,0
    – App Driver – 1,0
    – Estantes – 5,0
    – Famaliá – 3,5
    – Festa de Santa Luzia: Crônica de uma Tragédia Anunciada – 5,0
    – Lágrimas e Arroz – 1,0
    – Muito Mais que Palavras – 1,5
    – Na casa da mamãe – 3,5
    – O Legado da Medusa – 4,5
    – O que o Tempo Leva – 1,8
    – O Regresso de Aquiles – 4,0
    – O Vírus – 2,5
    – Suplica do Sertão – 5,0
    – Trilátero Ourífero – 4,5
    – Uma História de Amor Caipira – 1,0

    Contos favoritos:
    Melhor técnica – Estantes
    Mais criativo – Festa de Santa Luzia: Crônica de uma Tragédia Anunciada
    Mais impactante – A Pecadora
    Melhor conto – Suplica do Sertão

  15. Fernanda Caleffi Barbetta
    26 de novembro de 2019

    Resumo

    Cláudio tinha uma vida boa ao lado de sua companheira Ritinha, vendendo queijos. Quando ela morreu, sua vida foi piorando até que ele conheceu o Quincas, seu novo compadre. Um dia, Claudio repara em uma criatura dentro de uma garrafa na casa do amigo e o questiona sobre ela, sendo apresentado à história do Famaliá, uma criatura que realiza desejos em troca da entrega da alma ao capeta após a morte. Interessado, Claudio acaba conseguindo fazer o pacto com o coisa ruim, mas perde a criatura assim que ela sai do ovo. Indo buscar auxílio na casa do compadre, percebe que este agora possuía mais um Famaliá, provavelmente o que ele havia perdido. Claudio continua tentando encontrar o tinhoso, mas não o encontra mais, em vida pelo menos.

    Comentário

    O texto está muito bem escrito, não encontrei nenhum deslize gramatical. A história é boa e me instigou a chegar ao final, porém, achei o desfecho um pouco desinteressante. Não sabia do nome famaliá para esta lenda do diabinho na garrafa, por isso, o título não me disse nada, o que não é culpa sua.
    Achei interessante a forma como tratou da lenda, gostei do desenvolvimento da trama e das personagens.

  16. Luis Guilherme Banzi Florido
    22 de novembro de 2019

    Bom dia/tarde/noite, amigo (a). Tudo bem por ai?
    Pra começar, devo dizer que estou lendo todos os contos, em ordem, sem saber a qual série pertence. Assim, todos meus comentários vão seguir um padrão.
    Também, como padrão, parabenizo pelo esforço e desafio!

    Vamos lá:

    Tema identificado: Folclore, mistério

    Resumo: homem descobre sobre a existência do Famalia (criatura recebida após pacto com o diabo) com amigo recente, que no fim acaba traindo ele, ficando com seu Famaliá, e condenando-o ao inferno.

    Comentário:

    Um conto muito interessante! gostei. Vamos por partes.

    Pra começar, a escrita é muito boa, com um regionalismo que dá um tempero especial pro conto. O conto é muito gostoso de ler, flui rápido, e os personagens são carismáticos e a ambientação é muito boa também. Em geral, toda a escrita está muito bem.

    Sobre o enredo, gostei muito. Apesar de a questão do pacto com o diabo ser algo meio batido, já, você conseguiu oxigenar, com uma história criativa e curiosa. Até nos mínimos detalhes ficou claro que você tava dando uma carinha própria pra ideia do pacto. Por exemplo, gostei muito da sacada de a encruzilhada ser sobre uma ponte com rio. Também gostei muito da figura do diabo. Achei que tem toques sutis que deram um brilho pro enredo.

    Sobre a história, achei bem legal, como falei. Porém, por algum motivo, senti logo de cara que o tal do Quincas tava tramando alguma. Até escrevi nas minhas anotações: “suspeita Quincas”. Hahahah

    Por algum motivo, percebi que ele tinha más intenções. Tipo, do nada, você conhece um cara perfeito, amigão mesmo. Ele tá ali por você o tempo todo. Esse cara fez um pacto com o diabo, e, apesar de não poder contar pra ngm, ele de bom grado te ajuda a fazer um pacto também. Achei que tudo isso não fosse por pura bondade. E acertei hahahah

    O desenrolar do conto é bom, mas não fui pego pelo twist devido a essa intuição. Claro que isso não é culpa do conto.

    De qualquer forma, achei que o desfecho tá um pouco abaixo do restante. Achei um pouco brusco, terminando do nada. Além disso, o conto meio que assume um tom meio sinistro, especialmente nos dois últimos parágrafos, que apesar de combinar com a situação, meio que quebra o tom leve e descontraído que vinha até então, sabe? Do nada…

    Claro que isso não atrapalha o conto, que no todo é bom. Só achei que dava pra trabalhar melhor o final, pq ficou a impressão de que acabaram os caracteres e você encerrou como deu, sabe?

    De qualquer forma, bom conto. Gostei da linguagem e do enredo interessante e que me prendeu. Parabéns e boa sorte!

  17. Evandro Furtado
    18 de novembro de 2019

    Car(x) autor(x)

    Estou aproveitando esse desafio para desenvolver um sistema de avaliação um pouco mais técnico (mas não menos subjetivo). No geral, ele constitui nas três categorias propostas no tópico de avaliação: técnica, criatividade e impacto. A primeira refere-se à forma, à maneira com a qual x autor(x) escreve, desde o uso de pontuação, passando por ortografia e mesmo escolhas de estruturação. A segunda refere-se ao conteúdo, ou seja, a que o conto remete e quais as reflexões que podem ser levantadas a partir disso. Por fim, a terceira refere-se ao estilo, quais as imagens construídas e as emoções que elas evocam. Gostaria de pontuar, também, que, muitas vezes, esses critérios têm pontos de intercessão entre si, sendo que uma simples palavra pode afetar dois ou mesmo três deles. A pontuação final é dada, portanto, pela média dos três critérios, sendo que uma nota elevada em um deles pode elevar a nota final. Dito isso, prossigamos à avaliação.

    Resumo: Um homem faz um pacto com o tinhoso, mas acaba perdendo a entidade que seria responsável por realizar seus desejos.

    Técnica: Gostei bastante do tom da narrativa. Há uma certa base regionalista que funciona muito bem nela. X autor(x) também é muito competente quando se trata das descrições, construindo imagens muito claras e ilustrando bem a história.

    Criatividade: Apesar de ser um conto muito interessante e divertido, senti falta de uma camada mais profunda, para além do entretenimento proposto. Gostaria de ter visto algo mais acerca da natureza humana, de repente uma relação entre os dois personagens e o conflito com sua mortalidade. O pacto, por exemplo, poderia ser explorado ante o medo da falha dos compadres para com a vida. O temor pela ordinariedade poderia ser melhor explorado nesse sentido.

    Impacto: Gostei particularmente da imagem inicial do calango na garrafa. Considerando a já supramencionada habilidade dx autor(x) com as descrições, vejo que houve certo desperdício em não ter apostado mais no terror. Não só seria assustador ver o desenvolvimento mais detalhado das criaturas na garrafa, como também seria fascinante uma descrição mais profunda do diabo.

  18. angst447
    10 de novembro de 2019

    RESUMO:
    Cláudio é um rapaz simples que após perder Ritinha, vê sua vida indo de mal a pior. O seu amigo, compadre Quincas, conta sobre o pacto que fez com o Tinhoso e as melhora de vida que alcançou depois de aprisionar um bicho estranho, saído de um ovo, em uma garrafa. Explica como se encontrar com o diabo e conseguir um ovo de Famaliá. Em desespero, Cláudio faz tudo como foi orientado e obtém o seu ovo, mas na hora que esse eclode, deixa o bicho fugir. Vai atrás do compadre Quincas e repara que ele está com duas garrafas em cima do armário. Então se dá conta que o amigo o usou para obter uma segunda garrafa, pois o pacto com o tinhoso só poderia ser feito uma vez na vida. Acaba ficando doente e apesar de ainda ter esperança de conseguir uma nova criatura demoníaca, mas em vão. Só sabe que quando morrer, o Tinhoso virá buscar sua alma.

    AVALIAÇÃO:
    Conto baseado em uma lenda folclórica – a garrafa com o diabinho dentro. Bem escrito, com poucas falhas de revisão, o conto prende a atenção como um causo caipira. O narrador/protagonista é bem caracterizado e a trama desenrola-se com facilidade.
    A linguagem empregada é simples, mas consegue fazer com que o leitor construa o quadro da encrenca na qual Cláudio se meteu.
    O ritmo da trama é agilizado pelos diálogos simples, mas pontuais. A leitura flui e não se torna cansativa.
    O final não é feliz, apesar do leitor ser convencido a torcer pelo narrador. Resta a pontinha de esperança de não entregar a alma por nada.

    Parabéns pela participação no último certame do ano. Feliz Natal e um excelente 2020 para você. 🙂

  19. Angelo Rodrigues
    7 de novembro de 2019

    Famaliá
    Resumo:
    Homem em dificuldades faz pacto com o capiroto para resolver a vida. Dá uma bobeada e perde o bebê capiroto. Recorre ao amigo esperto que já tinha experiência com as malandragens do tinhoso. Ele perde a lagartixa-capiroto, o amigo dá um “se vira” nele e ele fica desolado. Agora terá que enfrentar as consequências.

    Comentários:
    Caro Compadre Cláudio,
    Conto com viés caipira sobre as malandragens do demônio.
    A linguagem está apropriada ao tema, o desenvolvimento também.
    Normalmente esses contos passam por evidenciar a esperteza do demônio, mas, no caso, o autor utilizou a ideia de se valer da esperteza do amigo.
    O conto está bem escrito e tem uma progressão apropriada ao tema, com pleno casamento entre a proposta e seu desenvolvimento. Cenário, personagens, enredo. Algo, entretanto, me pareceu faltar: a evidenciação do trágico ou a explicitação do cômico.
    O autor optou, inesperadamente, pela desolação, pelo abandono, deixando que o conto ficasse frouxo ao torná-lo melancólico:
    “Já se passaram três anos desde o ocorrido e, desde então, toda sexta-feira noite de lua nova, eu vou até a ponte e fico lá na esperança de que o Tinhoso apareça. Mas até agora tem sido em vão. Temo só encontrá-lo de novo quando eu der o último suspiro. Aí, provavelmente, ele virá abraçar minha alma.”
    Bem, o nosso protagonista encontrou um amigo ainda pior que o demônio, e não havia muito o que fazer. O compadre perdeu o bonde do capiroto.
    Acho que o desenvolvimento do conflito surgido no conto se mostrou obliquo à temática desenvolvida, dado que dela se espera, da temática, eu digo, o cômico, o horror, a contrapartida moral quando se opta pelo caminho mais curto para se vencer as dificuldades, quem sabe gerando a graça oriunda da desgraça moral do envolvido. Isso não aconteceu quando a opção foi pela melancolia, como pontuei acima.
    Não haveria qualquer problema em fugir à regra dando um rumo diferenciado daqueles que explicitei acima e, quando isso aconteceu – a desolação – o conto não cresceu, ao contrário, passou ao leitor uma sensação de obra não acabada: que caminhos o coitado tomou? vingou-se, procurou o amigo espertalhão, fez algum enfrentamento com o capiroto. Acho que, a partir dessas respostas, o conto teria crescido bastante, talvez trazendo alguma ação efetiva ao coitado que ficou sem a sua perereca engarrafada.
    Boa sorte no desafio.

  20. Regina Ruth Rincon Caires
    7 de novembro de 2019

    Famaliá (Compadre Cláudio)

    Resumo:

    A história de Cláudio e Quincas, compadres, que buscam firmar pacto com o Capiroto visando sucesso na vida. No desfecho, Quincas trapaceia e deixa Cláudio numa penúria ainda maior.

    Comentário:

    Sabe quando você se depara com um texto que traz aquela vontade danada de ler sem parar?! Então… Foi isso que senti com “Famaliá”. O conto trouxe o encanto dos causos que eu ouvia em minha infância, e olha que isso faz muuuuito tempo! Verdade, o texto lembra aquelas histórias de esperteza de Pedro Malasartes. O leitor viaja por caminhos mentirosos, foge da lógica do dia a dia (se é que existe alguma lógica). Viagem fascinante, encantadora. Não importa que tudo seja mentira, que tudo fique no território do imponderável. O que vale a pena é o fato de que, a cada parágrafo lido, o rosto do leitor mostra um sorriso ou uma gargalhada ecoa. Textos assim servem para o regalo, para desanuviar, para desopilar o fígado. Trabalho que vejo como um “circo”, na sua melhor conotação, na mais sublime. Tem a intenção de encantar. Se existem deslizes de escrita, confesso que nem percebi. Mas, vou contar uma coisinha, estou me divertindo até agora só de imaginar a cena do Compadre Cláudio chocando o ovo!

    Parabéns pelo trabalho, prezado autor!

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

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Informação

Publicado às 1 de novembro de 2019 por em Liga 2019 - Rodada 4, R4 - Série B e marcado .