EntreContos

Detox Literário.

O Buquê Jamais Recebido (Fil Felix)

 

O bloqueio criativo levou Mercedes a viajar pelo interior do Rio Grande do Sul em busca de inspiração. Os dias na cidade grande com os cinzas estampados nas faces das pessoas e a eterna fumaça de cigarros e escapamentos sugavam sua energia. Logo ela, que veio ainda garota da Bahia para a capital de São Paulo, e que desbravou o monopólio das escolas de arte e conseguiu seu lugar ao sol, ganhando prêmios e renome dentre os artistas, mantendo seu carisma de menina matuta.

O relógio marcava 23h quando desceu na rodoviária e chamou um táxi para a casa que havia alugado pela internet, um grande chalé em meio a um jardim mal cuidado, com poucas cercas ao redor, dando o ar de liberdade que tanto procurava. Trocou duas ou três palavras com a vizinha com quem pegou as chaves e que fazia o intermédio entre a dona do imóvel e os clientes. Mercedes não era dada a muitas conversas, mais por timidez que por arrogância. Era cabocla de cabelos negros armados e soltos ao vento, feições fortes, assim como sua estrutura física, uma mulher de grande porte como dizem. A casa rústica, de madeira de lei, trazia a sensação de conforto que lhe rendeu um sono profundo e que há anos não tinha.

 

***

 

Mercedes acreditava que teria um dia de folga antes de dar início aos trabalhos: um conjunto de telas encomendado por um figurão do Rio de Janeiro, mas a manhã seguinte reservou-lhe uma grande surpresa: à luz do sol, o jardim ao redor da casa brilhava e revelava uma certa beleza, apesar de desgrenhado, deixando-a encantada. Observando pela janela principal da cozinha, enquanto passava um café no filtro de pano amarelado que encontrou num dos armários, não tirou os olhos de um grande arbusto cujas flores, de um azul suave e inebriante, desabrocharam em formato de enormes buquês arredondados. Uma imagem foi pintada em sua imaginação e Mercedes logo desfez as malas e montou seu cavalete à uma certa distância do arbusto, separando pincéis, tela, lápis e tintas sobre uma bancada improvisada.

Os poucos vizinhos que passavam pela rua podiam observá-la amarrando seu avental manchado de tinta, prendendo o cabelo com uma fita vermelha e sentando numa cadeira robusta de madeira. Mercedes fitou a planta e levou a ponta de um lápis à boca, buscando no inconsciente uma inspiração, e em seguida desenhou um traço na tela, um esboço para a paisagem que iria criar. Se aprovada ou não pelos críticos posteriormente, ela não queria saber. Não perderia a inspiração, a excitação de presenciar algo novo. Era assim: quando colocava algo na mente, não tinha quem a tirasse. Sempre mergulhou de cabeça em tudo o que chamava sua atenção, sem medos e pudores. Neste ponto, sua timidez e distância das outras pessoas lhe garantiam uma confiança a mais.

Com o esboço pronto, preencheu todo o fundo da pintura com um azul celeste no topo e um verde escuro na parte inferior, representando o céu e o tapete verde que via à sua frente. Tocou as cerdas do pincel numa mancha de tinta da paleta surrada e deu pequenas e delicadas batidas sobre a tela, criando aos poucos um volume às formas que se transformariam em flores mais tarde. Sua atenção foi desviada pela presença de um homem, parado próximo à calçada, que a observava com encanto. Percebendo que foi descoberto, ele tentou quebrar o silêncio constrangedor. “Boa noite! Vai ficar um quadro lindo, as hortênsias são maravilhosas nesse período do ano”. Mercedes contraiu os lábios e não conteve sua frustração, já que em sua mente criava uma criatura verde com buquês e sem nome, misteriosa e encantadora. “Ah, então esse é o nome dela: hortênsia. Foi amor à primeira vista, confesso. Sou apaixonada pelos tons azuis”, respondeu.

O homem aproximou-se mais da propriedade. “Então está com sorte, pois há uma outra variedade com as flores rosas. É nova aqui?”. Com a proximidade, Mercedes observou melhor o desconhecido, sua feição simples e seus cabelos curtos e muito escuros, a barba começando a nascer. E assim como a hortênsia, em sua descoberta pela manhã, o homem sem identidade também a deixou encantada. “Na verdade estou de passagem, tirei umas férias pra tentar finalizar um projeto de pintura. Gosta de arte?”, claro que não poderia deixar a peteca cair, queria ir além e descobrir a ligação entre as mãos grandes e grossas do rapaz, que aparentava não ter mais que 25 anos, e seu gosto por flores. Mercedes sempre foi uma observadora nata e, aguardando a resposta e ainda atenta, voltou a pincelar a tela. “Não sou um entendido no assunto, tenho que admitir, mas gosto de admirar. E por coincidência, também estou de passagem. Eu morava ali, na casa atrás desse jardim, mas há algum tempo que não via alguém hospedado e achei curioso você pintado. Mas tem algum problema em eu ficar por aqui?”

E foi num clima amigável de perguntas e respostas, cada um com medo de finalizar o assunto e trazer aquele silêncio constrangedor à tona, que o papo estendeu-se, passando de artesanato e quadros preferidos à novela das nove. Mercedes não percebeu o tempo passar e, quando deu por si, o sol estava a pino, dificultando a pintura. Comentou que guardaria seus materiais, continuaria no outro dia, e o estranho se prontificou a ajudá-la, carregando o cavalete para dentro da casa. Mercedes ofereceu um copo d’água e aproveitaram para admirar e tecer elogios a respeito da estrutura do chalé.

Assim como decidiu pintar a flor misteriosa pela manhã, desejou pintar o homem à sua frente, pincelar de novas experiências seu corpo jovem. Mas antes mesmo que pudesse iniciar um novo assunto, ele informou sem jeito que possuía um compromisso pelo fim da tarde. Percebendo a abertura noturna, ela abriu um sorriso maroto e o convidou para jantar.

Com o lusco-fusco no céus, a imagem da hortênsia lá fora se transformou numa aquarela vibrante. Mercedes não sabia se era efeito do pôr do sol, mas as flores ganharam um azul muito mais intenso que os que observou durante a manhã. Não sabia se o estranho voltaria, nem mesmo se fez certo em convidá-lo, mas só então deu por conta que não trocaram nomes nem números. Mas morava por perto. Era seu primeiro dia de férias e, por não acreditar em coincidências, considerou como um sinal do universo a fagulha de inspiração que a preencheu ao acordar e se deparar com a hortênsia, assim como o encontro aparentemente aleatório com o lindo rapaz de cabelos escuros e barba por fazer. Durante a trajetória de seus 40 anos, Mercedes se orgulhava de ser a mulher independente com que sonhara, sem amarras. Nunca esteve sozinha, entretanto, sempre de encontro marcado com outros desconhecidos que encontrava na internet. Geralmente mais novos, cujos nomes nunca conseguia decorar, deixando na memória apenas os bons momentos. Ao imaginar seus lábios grossos tocando o rosto do homem que acabara de sair da casa, ela sentiu um calor percorrer todo o corpo. E somente um banho quente e demorado poderia acalmá-la, pois tampouco era uma mulher de passar vontade.

 

***

 

Perto das 20h a campainha tocou. Mercedes, de batom carmim nos lábios, abriu a porta para o homem que trazia nas mãos duas garrafas de vinho. Sentando ao redor das mesas, ambos trocaram olhares e perceberam na vestimenta um do outro. Ela num vestido longo e justo, com um enorme decote valorizando seu busto. Ele de camisa floral com um botão aberto, deixando escapar um tufo de pelos do peito. “São dois vinhos paraguaios”, começou a comentar, olhando para a garrafa e, vez ou outra, subindo a visão para a mulher, “A propósito… gosta de seco?”. A frase atravessou Mercedes como uma flecha em chamas, chegou a sentir as maçãs do rosto corarem, tanto pela pergunta quanto pelo assunto, admitia que não entendia nada de vinhos. “Bom, vou admitir que sou leiga no assunto, mas assim na sua mão aparenta ser delicioso”.

Após algumas taças da bebida, Mercedes virou a cabeça e tocou a nuca com as mãos, num gesto de delicadeza e ao mesmo tempo para demonstrar um certo cansaço, quando a hortênsia entrou outra vez em seu campo de visão, mas cujas flores estavam ainda mais vibrantes. “Nossa, lembrei. Hoje de manhã aquelas flores não estavam tão azuis assim, talvez eu precise fazer uma nova camada na pintura amanhã. Aproveitando que é um conhecedor não só de vinhos, como também de flores…”, nesse momento sua fala foi interrompida pelo desconhecido: “E de mulheres também, não esqueça”, deixando seu rosto ainda mais corado, revelando uma timidez com gosto de quero mais. Ele tocou suas mãos com as pontas dos dedos e tentou retomar ao assunto principal. “A cor das flores da hortênsia varia conforme o solo, indo do azul intenso nos mais ácidos ao rosa claro nos mais alcalinos”, explicou encarando-a nos olhos. “Como gosta de azul, imagine que é um presente meu”.

Não demorou para que os dois, ao final de duas garrafas, subissem as escadas aos beijos e terminassem na cama. As mãos grandes e grossas dele, assim como Mercedes imaginara, a pegaram com força e firmeza, deixando-a imobilizada sobre a cama. Ela podia sentir um aroma amadeirado no ar, uma fragrância forte e intensa que penetrou suas narinas, deixando-a aérea. De súbito, ela conseguiu soltar-se do abraço apertado e, num só movimento, abriu a camisa floral e passou os dedos entre os pelos do peito do homem, enquanto tirava o próprio vestido. Primeiro as alças, depois puxando-o para baixo, unindo os seios rígidos no peitoral sem nome. O vinho impregnou suas respirações como um presente do antigo deus Dionísio, com beijos inflamados. E assim como o vinho seco, se conectaram com notas de chocolate amargo e frutas cítricas de suor.

Como a lança espiralada do saca-rolha que penetra a cortiça da garrafa, exigindo força para fincar tudo, Mercedes sentia cada curva da lança desconhecida. E ainda no clímax dionisíaco, similar ao ato de puxar a tampa de um espumante, liberaram o som agudo de felicidade, jorrando uma cascata de prazer. Ela, num orgasmo intenso, imaginou o próprio corpo caindo sobre uma pilha de penas e caiu em sono profundo.

 

***

 

Os primeiros raios de sol entraram pela janela que dormiu aberta, revelando uma cama bagunçada, lençóis metade em cima, metade para fora do colchão, travesseiros e almofadas jogadas pelo chão. Mercedes despertou lentamente e se viu sozinha no quarto. As lembranças da noite anterior invadiram sua mente e um leve arrependimento em ter exagerado no vinho fez com que mordesse o lábio. Não ficou surpresa pela ausência do homem, já estava acostumada a encontros rápidos. Não sentiu-se usada, como as amigas de bar gostavam de comentar quando algo semelhante ocorria com elas. Chateada, talvez, porque no fundo gostaria de acordar como dormiu: em êxtase sensual e ébrio. Percebeu um objeto estranho sobre o criado-mudo ao lado da cama e, ao analisá-lo com atenção, acreditou ser a metade de uma moeda. Ou um medalhão, pelo tamanho. “Flores azuis de presente… conta outra! O que vou fazer com isso?”. Vestiu uma calça de moletom e uma camiseta estampada, colocando o medalhão no bolso. Voltou a amarrar os cabelos e desceu as escadas, cantarolando e pensando no café forte que prepararia.

Lavando o filtro de pano e ainda despertando, viu o jardim lá fora e pensou no quadro que começou no dia anterior. Como se uma chave girasse em sua mente, ideias e projetos invadiram seu consciente, sentiu-se revigorada. Enquanto entornava o café, decidiu que terminaria a pintura naquele mesmo dia e que a chamaria de O buquê prometido. Poderia dar sequência até mesmo à uma série figurativa, retratando tudo o que despertaria sua atenção durante as férias. Sentia aquela sensação de inúmeras possibilidades pela frente. Desdobrou novamente o cavalete no quintal, separando os pincéis e tintas. Devido ao tom mais escuro das flores, Mercedes vasculhou seu estojo de tinta, procurando qual delas combinaria mais, pensando com qual outra cor misturaria pra chegar no tom ideal. Flashes da noite anterior invadiram sua mente, deixando escapar um sorriso no canto da boca.

Fitou a hortênsia uma vez mais e reparou num ponto marrom sobre a base da planta. Ela mudou o olhar para a tela, procurando ver se havia desenhado esse mesmo ponto, achando estranho quando não o encontrou. Aquilo não estava ali antes. O ponto refletia uma luz conforme o sol iluminava, chamando sua atenção. Mercedes tentou continuar pintando, mas o reflexo a desconcentrava. Um tanto irritada, pois não queria perder a sensação de calmaria que a preencheu recentemente, caminhou rumo à ex-criatura verde de buquês floridos.

Parou em frente à hortênsia e reparou que tratava-se de outra metade de um medalhão. Retirou do bolso o que encontrou ao acordar e comparou os dois. Havia uma chance de serem partes do mesmo objeto e, assim, abaixou-se e os juntou, percebendo que de fato eram. Tentou puxar a outra metade do chão, mas estava atada à corrente que, por algum motivo, ficou presa sob a terra. Puxou com mais força, mas não conseguiu mover. Juntando os dois pedaços, viu que formava o nome Paulo no verso. Seria o nome do estranho? Será que esta era sua última brincadeira? Deixando pistas pela residência? Mercedes não gostava de rodeios ou, desculpe o trocadilho, de floreios. Num ímpeto, revirou a terra para desprender a corrente e um calafrio percorreu sua espinha ao ver o que surgia embaixo. Afastando mais a terra seca, revelou o rosto de um homem sob a hortênsia, cujo pescoço ainda trazia a corrente com a metade do medalhão. Não distinguiu com clareza, mas percebeu se tratar do desconhecido que a tocou horas antes, assim como soube que o corpo jazia ali há dias, pelo estado da pele. O susto, e o grito, vieram em seguida.

 

***

 

A polícia encontrou Mercedes em estado de choque, com sua mente tentando racionalizar toda a situação. Os policiais informaram que Paulo havia desaparecido por volta de uma semana, mas que ninguém fez um boletim. Era um rapaz solitário, sem família, inteligente e reservado. Mercedes sequer cogitou comentar sobre o ocorrido durante a noite, sua mente viajava entre encontrar um sentido para o que aconteceu e o possível assassinato, talvez mais um que permaneceria sem solução. Em questão de minutos a residência foi tomada de policiais, peritos e curiosos. Em meio ao caos que se instalou, ela pensou em guardar o cavalete e seus materiais quando, do outro lado da rua, viu o desconhecido que a dominou: Paulo, cujo corpo repousava sob as flores. Ele acenou para ela, abrindo um sorriso tenro e aconchegante, quase como um agradecimento. Ela forçou a vista, pois não acreditou na própria visão, mas aos poucos a imagem desapareceu. Olhou uma última vez na metade do medalhão nas mãos e sua mente voltou à pintura, ao título que escolhera. Não chamaria mais de O buquê prometido.

Chamarei agora de… O buquê jamais recebido”.

21 comentários em “O Buquê Jamais Recebido (Fil Felix)

  1. Thiago Barba
    15 de setembro de 2019

    Artista procura lugar novo pra ter inspiração. Neste lugar pintando flores, percebe um homem a observá-la e começa a conversar com ele. Eles dormem juntos e no outro dia ela encontra ele enterrado. Ela dormiu com o espírito do homem assassinato e enterrado no quintal.

    Deveria fazer um “ctrol c” “ctrol v” no vício que os escritores do entrecontos tem de colocar separações no texto. Acho desnecessárias nesse texto. Acredito que estes asteriscos podem servir para vários artifícios, como, por exemplo, querer dar um respiro no texto. Não é o caso deste texto, até como leitor, posso optar fazer essa pausa, mas a escrita acabou me fazendo querer correr a leitura, terminar logo. Acredito que falta dar um respiro no texto, fazer o leitor querer parar para entender algo ou se surpreender com algo. É tudo muito corrido, é uma sequência de ações e acontecimentos um atrás do outro. Me faltou respirar, nem pausas com asteriscos me fariam, pois o texto é uma inspiração grande e outra expiração soltando tudo de uma vez. Só haveriam pausas numa respiração constante e fluente.

  2. Renan de Carvalho
    15 de setembro de 2019

    Uma artista de São Paulo se refugia em uma casa para ver se seu bloqueio artístico se afasta de seus pensamentos. E acaba se encantando com um rapaz com o qual vive uma noite tórrida de amor. Porém no dia seguinte descobre que o rapaz estava mortô enterrado no jardim da csa que alugara.

    Conto muito bom. Que reviravolta no final. Bem escrito. Um abraço

  3. tikkunolam90
    15 de setembro de 2019

    Resumo: Mercedes vai para um refúgio, procurando limpar a mente e a alma da poluição constante de São Paulo. No interior, num chalé bem simples, encantou-se com um arbusto de Hortênsia. Começa a pintar e, durante esse encantamento, conhece um rapaz. Entre conversas agradáveis e um bom vinho, amam-se de forma natural. Tudo isso para descobrir, depois, que existem coisas bem misteriosas no universo, com a revelação de quem é o homem.

    É quase tudo perfeito nesse conto. A narrativa, extremamente natural e bem conduzida; o Português, dando poesia à uma narrativa leve; o enredo, cativante e que prende.

    Mercedes é uma boa personagem, não muito carismática, mas ela é bem construída. Pessoas tímidas dificilmente desenvolvem muito carisma. Isso faz parte. Paulo, em contrapartida, brilha um pouco mais. Enxerguei ela como uma pessoa em busca de algo, dentro e fora de si, um pouco perdida. Mas Paulo me pareceu mais decidido, mais certo do que queria, o que não combina muito bem com a afirmação dos policiais. Talvez o mundo do além tenha dado essa certeza que o mundo vivo não conseguiu lhe dar.

    Apesar da criatividade inata, em construir uma excelente narrativa, a falta de originalidade contida em todo o texto, desde a necessidade de refúgio da artista até o plot twist no final, incomodou um pouco. De certa forma, é triste reconhecer um ator tão capaz produzir algo tão simples e pequeno.

    Arrisque-se mais. Não tenha medo de errar. Se quiser permanecer no simples, é sua escolha, mas saiba que pode muito mais! Nota-se isso claramente pelo poder de escrita que transmitiu nesse conto!

    Parabéns pelo conto! Muito bem adaptado ao tema!

  4. Amanda Gomez
    14 de setembro de 2019

    Resumo 📝 História de Mercedes, uma artista que viaja para o interior em busca de inspiração para seu bloqueio criativo. Lá ela conhece um homem enquanto pinta e os dois marcam um encontro. Tudo parece perfeito até que na manhã seguinte ela encontra o corpo dele enterrado no jardim e não sabe explicar o que aconteceu, o que foi real.

    Enredo🧐 Um texto envolvente com uma escrita segura. Bem ambientado com uma simplicidade que cativa. Conhecemos a personagem e vamos juntos, ás cegas, descobrir o que a história nos reserva. Ficou com um clima meio de suspense, achei que alguma coisa ia dar errado, que ele pudesse ser um assassino ou algo do tipo. Ou, que ela fosse, na cena em que encontra o corpo achei que fosse isso. Seria mais verossímil, acho, esse mistério mal resolvido talvez tenha tirado um pouco do brilho da história.

    Gostei 😁👍 Gostei da escrita, do desenvolvimento, a personagem é segura suas emoções são reais. A escrita contribuiu muito.

    Não gostei🙄👎 Do final aberto, se fosse um surto deveria estar evidente e se fosse sobrenatural, idem.

    Impacto (😕😐😯😲🤩)😯 Teve uma boa surpresa mistura com uma certa frustração, o texto não arrebata, mas deixa o leitor ligado em cada linha.

    Tema (🤦🤷🙋) 🙋 Está adequado, houve química entre os personagens e o começo me pareceu uma dessas típicas histórias de romance água e açúcar.

    Destaque📌 “Num ímpeto, revirou a terra para desprender a corrente e um calafrio percorreu sua espinha ao ver o que surgia embaixo. Afastando mais a terra seca, revelou o rosto de um homem sob a hortênsia, cujo pescoço ainda trazia a corrente com a metade do medalhão.”

    Conclusão ( 😒🤔🙂😃😍) = 🙂 Um bom conto, bem desenvolvido, mas com um final pouco satisfatório

    Parabéns!

  5. Leo Jardim
    14 de setembro de 2019

    🗒 Resumo: pintora resolve fazer um retiro em uma cidade no interior para recuperar a inspiração e se vê fascinada por um buquê de hortênsias. É quando conhece um rapaz e terminam na cama. No dia seguinte, descobre que ele estava morto há dias. Ainda assim, continua vendo o seu fantasma.

    📜 Trama (⭐⭐⭐⭐▫): achei bem desenvolvida e com boa conclusão. A protagonista é apresentada com muita qualidade, logo nos apegamos a ela. O conflito em si acaba demorando muito a surgir na trama, fica parecendo que teremos só mais um continho água-com-açúcar. Mas quando o rapaz some no dia seguinte e depois descobrimos que ele está morto, o conto ganha força e se encerra bem.

    Só não gostei muito do uso do item físico (o medalhão) para provar que aquilo realmente aconteceu. Os filmes e livros abusam desse artifício e confesso que fiquei um pouquinho decepcionado. O conto funcionaria melhor sem isso.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): é bastante eficiente, com boas descrições e umas metáforas interessantes, principalmente nas partes mais “quentes”.

    ▪ os (?) cinzas estampados nas faces das pessoas

    ▪ admitia que não entendia nada de vinhos. “Bom, vou admitir que sou leiga no assunto(…)” (é ruim quando o narrador diz uma coisa e, logo depois, o personagem repete)

    🎯 Tema (⭐⭐): Sabrinesco [✔].

    💡 Criatividade (⭐▫▫): perde uns pontinhos por, além do artifício que já citei acima, o conto se basear num mote um tanto comum de relações com pessoas mortas. É um tema que sempre rende boas histórias, mas está bastante desgastado.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): o impacto no fim é bom, já que o autor foi habilidoso em apresentar uma boa personagem e a química do casal. Saber, no fim, que ele estava morto e ela se relacionou com um fantasma foi uma grata surpresa ao fim.

    😏 Pitadas Sabrinescas:

    ▪ “se conectaram com notas de chocolate amargo e frutas cítricas de suor.”

    ▪ “Como a lança espiralada do saca-rolha que penetra a cortiça da garrafa, exigindo força para fincar tudo, Mercedes sentia cada curva da lança desconhecida. E ainda no clímax dionisíaco, similar ao ato de puxar a tampa de um espumante, liberaram o som agudo de felicidade, jorrando uma cascata de prazer.”

  6. Gustavo Azure
    14 de setembro de 2019

    RESUMO
    Um artista viaja de férias para o interior em busca de inspiração e encontra um homem misterioso que a encanta tanto quanto as flores azuis. Mas o homem está morto.

    CONSIDERAÇÕES
    Mercedes é uma personagem bem descrita e é a única que segura a trama quanto a profundidade. O homem-fantasma deixa a desejar quanto suas motivações, que seria mais compreensíveis se fosse uma pessoa viva. Talvez não entre na responsabilidade da história, porém, ter mostrado o assassinato sem explicar qualquer outra coisa, apenas que ele queria “ir para luz” (não sem antes tirar uma casquinha), deixou um vão muito grande na narrativa. Poderia ter entrado ao menos o motivo dele ter vivido com ela, além do encanto que ela tinha pelas flores.
    O espaço é bem descrito, é possível visualizar toda a composição do cenário, onde fica cada lugar.
    A narrativa deixa a desejar no final, mas a escrita é muito boa. A trama pareceu um pouco clichê que tentou fugir do lugar comum com um final meio sombrio e melancólico, porém, nesse caso, poderia ter sido mais satisfatória se terminasse no clichê também, ou que houvesse inserido mais sinais ou justificava para o final. O homem-fantasma ter passado a noite com Mercedes ficou algo muito forçado. Pareceu um elemento desnecessário na narrativa, já não houve qualquer justificativa para isso. Percebe-se que quem escreveu possui uma sensibilidade para criar um visão romântica e uma boa técnica de escrita.
    O conto seguiu de forma agradável sem nenhum momento de dispersão intensa ou sem parecer demorado demais nem rápido demais.
    NOTA 3,8

  7. Carolina Pires
    12 de setembro de 2019

    Resumo: Um artista de quarenta anos, Mercedes, viaja para o sul do país a fim de encontrar inspiração para seu novo trabalho. Ela começa a pintar uma hortênsia do jardim da casa alugada, quando percebe estar sendo vigiada por um homem. Depois de combinarem, ele aparece à noite no chalé da pintora e os dois têm uma relação sexual. No outro dia, ao se ver sozinha, ela descobre que havia transado com um espírito, uma vez que o corpo dele, Paulo, está enterrado embaixo da hortênsia. Após a polícia investigar o mistério, o espírito de Paulo se despede de Mercedes com um aceno em agradecimento e vai embora.

    Bem. É um conto bem assustador (rsrsrs) se paramos para pensar que a Mercedes manteve relação sexual com uma pessoa morta. Mas diferente da necrofilia, não houve violação do cadáver e muito menos o corpo em putrefação foi usado como objeto sexual. O que temos é uma questão mais no âmbito do fantástico mesmo. Mas eu ainda acho bizarro de qualquer forma (rsrsrs).

    Do ponto de vista de coesão, senti dificuldade em me localizar no tempo no início do conto. Primeiro diz que a personagem acorda cedo e vai pintar, logo em seguida o fantasma do Paulo diz “boa noite”. Depois disso ele diz ter um compromisso no fim da tarde. E mais à frente ele chega ao chalé novamente às 20h. E eu: oi??? O que eu deixei passar, gente? (rsrs). Eu também achei alguns diálogos um pouco desconexos, sem uma coerência. Mas fora estes pontos que levantei aqui, o conto está bem escrito.

    Gostei da parte em que você descreve a personagem preparando a tela e começando a pintar. Achei bem bonito na verdade. Para poder entrar ainda mais no clima, procurei na internet imagens de hortênsias na cor azul (rsrs).

    Eu achei a parte da despedida de uma meiguice cativante. Penso que talvez Mercedes seja uma médium. Ou talvez tudo não passou da imaginação dela, mas como explicar o camafeu no quarto? Mistérios da meia noite… Ou será que ele tinha um irmão gêmeo, e este irmão (o vivo) matou o outro e esteve com Mercedes? (rsrsrsrsrs) Minha mente não para, Maria. Seu conto é muito doido.

    De qualquer forma, parabéns!

  8. Fernando Cyrino
    9 de setembro de 2019

    Ei, Maria, cá estou eu lendo e relendo o seu conto. Um sabrinesco de terror? Acho que sim. A artista que viaja em busca de paz e que começa a pintar sendo reparada por um rapaz que a atrai. À noite fazem amor e pela manhã, sozinha na cama, repara que ele deixou uma metade de medalhão. Parte para a pintura e descobre ao pé das hortênsias a outra parte do tal medalhão preso por uma corrente. Ao tentar tirá-lo descobre o homem morto, o mesmo com quem estivera há pouco… Achei que sua história não foi digamos assim tão feliz, Maria. Igual fazer um doce, achei que o ponto não ficou o ideal. Senti também que você precisaria gastar um tempo maior na arrumação da história e na redação dela. Logo no começo temos um erro de continuidade. Nossa artista Mercedes está indo pintar ainda pela manhã, mas o homem a saúda com um Boa noite que não combinou com a hora do dia. Há outros detalhes de escrita que merecem uma boa revisão. Como você pintado, ao invés de você pintando, lusco-fusco no céus, ao invés de lusco-fusco nos céus… e vários outros. Um enredo que, como te disse, senti ser meio forçado, com pouca verossimilhança. Enfim, Maria, uma pena, mas lamento lhe dizer que faltou encanto e emoção da minha parte em relação à sua história. Receba o meu abraço fraterno na torcida de que outros tenham encontrado o que não consegui enxergar de beleza e encanto na sua narrativa.

  9. Elisabeth Lorena Alves
    9 de setembro de 2019

    O Buquê Jamais Recebido (Maria)
    Conto Sabrinesco
    Espectrofilia
    Resumo: Uma artista em momento sem inspiração faz uma viagem acaba envolvida em um caso passageiro interessante e a descoberta de um corpo logo abaixo da flor que a inspirou.

    Comentário
    Composição
    Idéia magnífica.
    Estrutura perfeita, bem delineada, desde a introdução, texto leve. Linguagem exuberantemente singela, quase poética. Tem alguns probleminhas solucionáveis de concordância e tempo, que aponto em separado.
    Texto interessante, desde a escolha do cenário até o final. Cenário construído com cuidado, com elementos específicos do próprio ambiente: casas rústicas, vastos jardins, flor em especial,

    Do Bastidor…
    Conto estruturalmente perfeito ou quase. O Drama se passa em um ato só, completo, iniciado com a chegada da personagem ao lugar de descanso, estende-se até o desfecho, inesperado, perfeito, crível até dentro da perspectiva da narrativa. O tempo é um passado fixo, cronológico com marcações perfeitas, sem oco e sem eco, contado com cortes de atividades: sono profundo e reparador; da manhã para a tarde de promessas: “ Percebendo a abertura noturna, ela abriu um sorriso maroto e o convidou para jantar.”; da noite para a manhã: “Os primeiros raios de sol entraram pela janela que dormiu aberta,”.

    Luz e Perfil
    O foco narrativo está na terceira pessoa com discurso direto das personagens marcado por aspas e o narrador onisciente, sabe consegue dar as informações de forma ordenada, sem acelerar a narrativa e sem torná-la cansativa ou confusa.
    A personagem feminina é muito bem marcada, em uma leitura focada apenas nela dá para notar informações claras sobre quem é, sua origem, sua natureza em trânsito, suas conquistas, seu físico e sua personalidade. Perfeito, sem erros aqui.
    Paulo, o desconhecido, é apresentado de forma justa, somente o essencial para a narrativa, sem mais nada além da imagem física e das atitudes. Perfeito aqui.

    Paisagem
    O espaço também é bem demarcado, quase fotográfico. Tanto o espaço físico quanto o das idéias da artista.

    Perspectiva
    O desenvolvimento é correto, sem surpresas, a subversão está no enredo. A ideia, embora novelesca, é magnífica, a construção dela vagarosa, formidável e sedutora. O uso das cores para criar a ideia do cansaço de Mercedes, seu desânimo com a mesmice urbana é um prêmio à parte, mesmo que não seja um uso novo e que tenha sido pouco trabalhada, no texto ganha formas especiais: “Os dias na cidade grande com os cinzas estampados nas faces das pessoas e a eterna fumaça de cigarros e escapamentos sugavam sua energia.” A idéia de faces cinzas é muito interessante e um poema em gás carbônico pois mescla-se com o que enegrece a cidade: cigarro e escapamento e tinge face e temperamento do povo. Na verdade parte do texto é feito com essas mesclas aqui o cinza que serve para o cansaço de todos e a poluição e no segundo parágrafo há o mesmo fenômeno com a descrição física da artista plástica e a apresentação da casa, seres diversos que se completam:” Era cabocla de cabelos negros armados e soltos ao vento, feições fortes, assim como sua estrutura física, uma mulher de grande porte como dizem. A casa rústica, de madeira de lei, trazia a sensação de conforto (…)”. A ideia de usar espiritualidade com sensualidade em si já dá mostra da intenção em mesclar e acertar.

    É também interessante a construção da sexualidade e mediunidade, exatamente na mesma linha de ação, usando a imagem da flor, sua cor e a aproximação do estranho. Aqui, antes de seguir, vale lembrar de dados extra-narrativos: A hortênsia, que é a flor símbolo de proteção da Serra Gaúcha, simboliza também a devoção, a determinação e elevação espiritual. A cor azul, para flor simboliza a quietude e para a sensualidade está relacionada ao prazer sem pesar, sexo bom e parceiro.É a flor que aproxima os dois. Mas há algo mais, já que na verdade há até uma espécie de chamado, que não pode ser deixado para trás: “Mercedes acreditava que teria um dia de folga antes de dar início aos trabalhos (:)”. A missão dela é dar a ele um enterro digno. E para isso, além do chamado há a aproximação e conquista para a realização dessa missão que acaba por passar por uma experiência erótica agradável para a personagem. A aproximação é ele se fazer notar: “Sua atenção foi desviada pela presença de um homem, parado próximo à calçada, que a observava com encanto (.)” e a conquista ou o chamamento real, surge exatamente depois, quando ele entabula conversa: “Percebendo que foi descoberto, ele tentou quebrar o silêncio constrangedor.” Enfim, há a fixação definitiva do contato, apesar de ainda ser o estranho, já havia intimidade suficiente para a proximidade definitiva: “estranho se prontificou a ajudá-la, carregando o cavalete para dentro da casa.” A materialização estava consumada, o sexo é o que define o destino-clímax, sem ele não haveria o interesse maior pela parte que faltava ao medalhão, uma vez que não havia memória afetiva agregada a ele, já mesmo esnobando o objeto, guarda-o junto a si: ” O que vou fazer com isso?” (…) “colocando o medalhão no bolso.”
    A solução é perfeita, descoberta do corpo, sendo ele do desconhecido, a percepção dela de domínio, que aqui pode ser confundida com o ato erótico, mas é nitidamente espiritualista e fecha a missão dela com a retirada sorridente e etérea: “do outro lado da rua, viu o desconhecido que a dominou: Paulo, cujo corpo repousava sob as flores. Ele acenou para ela, abrindo um sorriso tenro e aconchegante, quase como um agradecimento. (…) aos poucos a imagem desapareceu.”

    Arrependimento ou Descompasso…
    No que se refere ao plano metafórico, não gostei da alusão fálica que compara o órgão sexual masculino ao saca-rolhas, pareceu mais um encontro entre patos que de dois humanos. E considerei um pouco forçada a inserção da frase “E ainda no clímax dionisíaco, similar ao ato de puxar a tampa de um espumante, liberaram o som agudo de felicidade, jorrando uma cascata de prazer.”
    Na descrição da aparência dele há um detalhe que destoa da linguagem usada na narrativa: “deixando escapar um tufo de pelos do peito”, soa tão anti-estético, não só no sentido de imagem, torna um problema de ruído com o restante do vocabulário utilizado na narrativa.
    Há também uma frase que não funciona bem: “Nunca esteve sozinha, entretanto, sempre de encontro marcado com outros desconhecidos que encontrava na internet.”
    Ainda na cena do sexo há um período completo que cria um ruído: “E assim como o vinho seco, se conectaram com notas de chocolate amargo e frutas cítricas de suor.” Para mim o uso de Dionísio nessa parte da narrativa fica muito gritante também, como se de fato tivesse sido colocado ali depois, para cobrir um defeito da pintura que só foi observado pelo pintor-autor da obra-texto. Li sem essas informações e tem maior completude…

    Percebi alguns outros probleminhas que coloquei como Pontos para revisão. Concordância nominal em “… quando colocava algo (…) não tinha quem a tirasse” no quarto parágrafo – algo o. Concordância verbal em : “e achei curioso você pintado”.
    Também ocorre um erro na saudação, que interfere no tempo da narrativa, no quinto parágrafo, quando eles se encontram: “Boa noite! Vai ficar um quadro lindo, as hortênsias são maravilhosas nesse período do ano.” e no parágrafo seguinte o sol está sobre a cabeça das personagens: “quando deu por si, o sol estava a pino, dificultando a pintura.”e logo mais há ainda outra marca de passagem de tempo informando o entardecer: “compromisso pelo fim da tarde.” Acredito que é apenas um equívoco, é exatamente nesse parágrafo que reconheço a intenção consciente/inconsciente de trabalhar com um ato só, controlando o tempo em uma cronologia própria, focada na ação das personagens. Exatamente por isso creio que foi realmente apenas um lapso. Em tempo, trabalhar narrativas de forma direta é uma marca essencial do conto oral e que aqui caiu muito bem.
    E há ainda algo mais, um excesso, tipo brinde para ‘leitor não-leitor’: “talvez mais um que permaneceria sem solução.”, informação totalmente desnecessária para a compreensão do texto e coerência da narrativa.

  10. Estela Goulart
    9 de setembro de 2019

    Mercedes é uma escritora ou pintora (acho) baiana que, sem inspiração, viaja até o Rio Grande do Sul. Lá se hospeda num chalé e, enquanto pinta uma paisagem do lado de fora, encontra-se com Paulo. O homem misterioso parece perfeito, mas só parece.

    Um conto belíssimo. O modo como você narrou foram muito bons, devo dizer, e também acrescento que o suspense e o tédio que narram também colocaram o leitor ansioso para saber mais. Foi previsível em um momento, como todos os outros contos desse desafio, mas depois você traz uma nova ideia à história. Poderia ter deixado mais explícito a parte do medalhão antes, mas tudo bem. É um conto legal.

  11. Paulo Luís
    4 de setembro de 2019

    Olá, Maria, boa sorte no desafio. Eis minhas impressões sobre seu conto.

    Resumo: Artista plástica viaja para o sul do país no intuito de dar asas a suas criações, quando encontra um rapaz interessado em suas pinturas no que lhe desperta a libido. Então vive uma noitada de amor.

    Gramática: A escrita flui sem problema de gramática. Apenas percebi um descuido no enredo. Dentro da mesma ação um personagem dá boa noite para em seguida ao situar as horas do dia citando que o sol está a pino.

    Comentário crítico: Com uma linguagem beirando o simplório, comprova ser o típico conto sabrinesco. O autêntico trivial simples. Entretanto o desfecho surpreende. Não que o conto tenha engrandecido, mas pelo enredo propriamente, pois de repente o que era uma morna história de um encontro amoroso, tipo água com açúcar, passa a ser um mini-terror ou um caso de polícia, mas sem fundamentos. É um conto sem pretensões.

  12. Elisa Ribeiro
    2 de setembro de 2019

    Achei muito bom o argumento do seu conto . Algumas escolhas, entretanto, me pareceram não combinar com a atmosfera de mistério que o argumento precisaria para prosperar, quais sejam: a linguagem direta, o fluxo acelerado da narrativa, a assertividade e o realismo dos personagens.
    De qualquer forma, um conto que surpreendeu pela presença do elemento fantástico misturada a proposta sabrinesca.

    Um abraço.

  13. Evandro Furtado
    30 de agosto de 2019

    A história de uma mulher alcançando a meia idade que tem um romance com um jovem local. Depois de uma noite inesquecível, ela descobre que praticou necrofilia.

    O ponto forte do conto é, sem dúvida, o plot twist final, que um gás à trama. Descobrir que o sujeito era, na verdade, um fantasma, também carrega um certo peso metafórico: esses romances perfeitos não existem, e só podem ser frutos de algum evento paranormal.

  14. Fernanda Caleffi Barbetta
    22 de agosto de 2019

    O conto está muito bem escrito e a história é interessante. Parecia que seria apenas uma história sem nada revelador, mas trouxe um final bem surpreendente. Parabéns. Só não consegui sentir o romance entre o casal, parece que foi apenas algo casual, sexual.

  15. Luis Guilherme Banzi Florido
    21 de agosto de 2019

    Boa tarde, amigo. Tudo bem?

    Conto número 33 (estou lendo em ordem de postagem)
    Pra começar, devo dizer que não sei ainda quais contos devo ler, mas como quer ler todos, dessa vez, vou comentar todos do mesmo modo, como se fossem do meu grupo de leitura.

    Vamos lá:

    Resumo: mulher vai passas as férias no RS, conhece homem, os dois jantar, fazem sexo, mas na manhã seguinte ela descobre que ele estava morto há dias, e que na vdd transou com o fantasma dele.

    comentário:

    seu conto me pareceu uma espécie de ghost! rsrs

    o conto parece uma despretensiosa história de uma noite quente de amor, que termina tão rapidamente quanto começou. porém, ao fim, surpreendentemente o enredo dá uma reviravolta, e aparece um mistério: quem é o rapaz, como ele morreu, e pq ele a procurou para se envolverem?

    a escrita do conto é muito boa, com eventuais errinhos de revisão. isso ajuda bastante na leitura, que flui fácil pela qualidade técnica.

    devo dizer que achei que boa parte do conto foi meio morna, não me despertando total interesse. mas isso deve-se mais a gosto pessoal, que a qualidade do conto.. porém, à partir do momento em que ela encontra o defunto, o interesse cresceu bastante. gostei muito de ter ficado tudo no ar. acho que se você tivesse tentado explicar tudo, dar soluções pra situação, teria perdido um pouco o clima… gostei do desfecho, então.

    também gostei de como retratou a relação do estado emocional da moça e da sua arte. senti que você estabeleceu uma relação entre as cores da hortênsia e o estado sentimental da mercedes.. conforme ela se sentia mais “apaixonada”, ou envolta em sentimentos e prazeres, as cores da flor se alteravam. me pareceu uma metáfora interessante para a arte e a criatividade, que afloram de acordo com nosso estado emocional.

    enfim, um conto gostoso de ler, que, apesar de não me atingir imediatamente, acabou ganhando muito em interesse no desfecho.

    parabens e boa sorte!

  16. O buquê jamais recebido

    Mercedes é uma artista plástica de 40 anos que, em bloqueio criativo, foi para o RS buscar inspiração. Lá, em uma casa rústica alugada, ela se encanta com o jardim e resolve iniciar os trabalhos. Enquanto pinta, um jovem, cerca de 15 anos mais jovem, a vê e elogia seu trabalho. Graças a ele, ela descobre que a flor que ela imortaliza no quadro é uma hortênsia. Os dois iniciam um diálogo tímido que, contentes com a presença um do outro, se esforçam a alongar ao máximo. Em dado momento, eles combinam um jantar. Sequer trocam nomes. O homem aparece na noite com duas garrafas de vinho. Atraídos, após tomar da bebida, os dois se entregam ao desejo, sobem as escadas aos beijos e reviram a cama da mulher. No dia seguinte, ela acorda sozinha, com a metade de um medalhão ao seu lado. Mercedes retorna à pintura e, diferente da manhã anterior, vê algo nas hortênsias que atrapalham seu trabalho. É a outra metade do medalhão, presa a uma corrente presa na terra. Ela tenta tirar a corrente da terra e encontra o corpo do homem com quem passou a noite anterior. O cadáver está ali há alguns dias e a mulher não consegue entender o que está se passando. Juntando as duas metades do medalhão, ela pode ler o nome “Paulo”.

    Maria fez um bom trabalho no conto, uma história sabrinesca bem fiel ao estilo daqueles livros. Há romantismo, erotismo e uma personagem feminina no centro da narrativa. O estilo de escrita é simples, direto. Bem próximo daquele estilo que certamente fez o sucesso das séries Sabrina, Bianca e Julia. Acertar na adequação ao tema é uma vitória, tem muita gente errando a mão e ficando só no erotismo. A história toma contornos sobrenaturais no desfecho, o que não sei se era comum nos tradicionais livros de banca de revistas. Não foi uma escolha da qual eu, particularmente, tenha gostado. Acho que ficou uma solução um pouco pobre na criatividade. Mas é uma opinião pessoal, muita gente vai gostar desse fim. De um modo geral, é uma história bem construída.

    Originalidade: 4
    Domínio da escrita: 4
    Adequação ao tema: 5
    Narrativa: 5
    Desenvolvimento de personagens: 4
    Enredo: 4

    Total: 4,3

  17. Antonio Stegues Batista
    15 de agosto de 2019

    O BUQUÊ JAMAIS RECEBIDO

    Resumo;

    Artista plástica, busca inspiração para suas obras em outras paragens. Ela aluga uma casa onde tem hortênsias no jardim e resolve pintar um quadro. Ela conhece um rapaz do bairro e dorme com ele e quando acorda, o rapaz foi embora deixando a metade de um medalhão. A outra metade ela encontra no jardim e acaba descobrindo o cadáver do rapaz.

    Comentário;

    Não entendi porque o rapaz cumprimenta com boa noite para a mulher, se é de manhã. Acho que foi um lapso da autora, mas pra mim não prejudicou a leitura. A escrita é simples, dando fluidez a leitura. Gostei da narrativa, dos diálogos sem travessão. Como foi um diálogo com um fantasma, presumo que se deu fora da normalidade.
    O argumento, o mote do conto, não é novo. Lembrei dum filme, Ecos do Passado, adaptado de uma obra de Richard Matheson, autor também de, Eu sou a Lenda e Em Algum Lugar do Passado. No filme Ecos do Passado, o protagonista, (Kevin Bacon) vive um drama pessoal, e passa a ver uma menina que havia desaparecido. Ela acaba levando ele ao local onde seu corpo está sepultado, na parede de uma casa. Aqui o fantasma mostra para a protagonista onde seu corpo está enterrado. De qualquer forma, gostei do conto.

  18. Contra-analógico
    13 de agosto de 2019

    Sinopse: A baiana Mercedes deixa a sua terra natal e investe numa vida voltada a independências e realizações profissionais. Ao chegar no rio Grande do Sul, ele aluga um chalé, e tenta dar conta de uma série de pinturas que foram encomendadas por um endinheirado. O destino lhe reservou mais que inspiração nesse lugar, lhe trouxe uma noite de amor.

    Comentário: Mercedes tem uma história de vida rica, porém pouco desenvolvida. No início, o encontro entre os dois protagonistas parece aleatório, mas cheio de significações ao longo da narrativa. O autor mesclou o Sabrinesco com suspense, uma saída criativa. Histórias protagonizados por artistas nos trazem uma sensibilidade mais refinada e as palavras se enriquecem com maiores significados. Não vi erros ortográficos, o autor fez uma boa revisão no texto.

    Notas de Contra-analógico:
    – A Bruxa: 1,0
    – A Hora Certa de Dizer “Eu te Amo”: 4,5
    – A Obradora e a Onça: 3,5
    – Às Cegas: 3,8
    – As Lobas do Homem: 3,0
    – De Forma Natural: 2,0
    – Espectros da Salvação: 3,5
    – Folhas de Outono: 2,0
    – Humanidade: 4,0
    – Love in the Afternoon: 3,0
    – Neo: 2,5
    – O Buquê Jamais Recebido: 2,5
    – O Dia Em Que a Terra Não Parou: 1,0
    – O Touro Mecânico: 2,0
    – Poá: 2,0
    – Rosas Roubadas: 1,5
    – Show Time: 5,0
    – Sob um Céu de Vigilância: 4,0

    Contos Favoritos
    Melhor técnica: A Hora Certa de Dizer “Eu te Amo”
    Mais criativo: Show Time
    Mais impactante: Show Time
    Melhor conto: Show Time

  19. Gustavo Araujo
    12 de agosto de 2019

    Resumo: pintora vai ao sul do Brasil em busca de inspiração; instala-se numa casa ampla e confortável; conhece rapaz enquanto pinta um quadro e se interessa por ele (pelo rapaz); combinam de se encontrar à noite; como se espera, acabam na cama; na manhã seguinte, o rapaz se foi; de algum modo, a mulher encontra um corpo junto às hortensias, o corpo do rapaz, morto há semanas; vem a polícia e, de longe, ela enxerga o rapaz lhe acenando (a ela, não à polícia).

    Impressões: é um conto bem montado, bem escrito e bem desenvolvido. Flui bem ao trazer à vida uma mulher que é ao mesmo tempo independente mas que luta consigo mesmo para se afirmar, fugindo do estereótipo de artista solitária. Por isso soa verossímil o encontro que tem com o homem que surge do nada, e mais verossímil ainda a maneira como consumam esse encontro. Gostei do modo como foi descrito o jogo de sedução, sem apelo ao vocabulário mais surrado que permeia o gênero, utilizando boas metáforas. Na verdade, dos contos sabrinescos que li até agora, este é o que melhor retrata o sexo. Bacana também a reviravolta. Confesso que fui pego de surpresa pois nada indicava que o viés deixasse o romance com pitadas de erotismo e se voltasse para o policialesco com pitadas de horror. Poderia ter ficado apelativo, mas creio que apesar da surpresa foi uma reviravolta bem vinda e que de certa maneira oxigenou a narrativa. O final, no melhor estilo “incrível-fantástico-extraordinário”, casou bem com essa proposta.

    Contudo, apesar do virtuosismo apresentado, devo dizer que não me senti absorvido pela história ou cativado pelos personagens. Acho que lhes faltou um tantinho de humanidade, de questionamentos pessoais, algo que lhes mostrasse os defeitos além das qualidades. A pintora é alguém fascinante e tinha tudo para se transformar numa personagem deliciosamente dúbia, mas o limite de palavras (talvez) impediu que sua personalidade fosse melhor explorada. Deixo aqui, então, a sugestão para que esse ponto seja aprofundado numa eventual revisão.

    De qualquer forma, parabenizo o(a) autor(a) e desejo boa sorte no desafio.

  20. Pedro Paulo
    12 de agosto de 2019

    RESUMO: Refugiada em um chalé no interior, Mercedes se encontra com o prazer de uma noite, que depois descobre ser um fantasma que, além do sexo da noite anterior, talvez também tenha encontrado resolução.

    COMENTÁRIO: Existe uma certa linearidade na história que não é perturbada por maiores conflitos que envolvam o leitor. Algo mais próximo de um conflito pode ter sido o bloqueio criativo da pintora, mas com os temas que orientam o certame, sabia-se que o enredo não consistiria nisso e, aparecido o tal do desconhecido que depois conheceríamos por Paulo, logo se esqueceu que a protagonista enfrentava isso e a pintura se tornou um cenário do enredo. E que enredo? Este resumido ao encontro das duas personagens, à rápida atração e ao sexo inflamado. Acontece neste desafio o que ocorria naquele de terror: procurava-se pelo medo e pelo assombro. Aqui, procura-se pelo primeiro sinal de romance. O primeiro encontro logo suscita promessas. A autora fez isso tão bem que não restou espaço para dúvidas e, portanto, para alguma expectativa. O final foi surpreendente, no entanto, mas então um pouco aleatório, tornando a história uma de “terror”, com um desfecho chocante que pareceu deslocado do resto. Em suma, avalio que os elementos do sabrinesco não foram desenvolvidos em uma trama envolvente.

    Boa sorte!

  21. Higor Benízio
    6 de agosto de 2019

    Mercedes é uma pintora com bloqueio criativo que decide viajar de férias ao Rio Grande do Sul em busca de inspiração. Lá, conhece um jovem e acaba dormindo com ele. Ao final, Mercedes descobre que Paulo era um fantasma e seu corpo estava enterrado no quintal.

    Esse é um bom conto que sofreu com o limite de palavras, porque nem deu para sentir empatia pelo sujeito. Gostei da ideia do corpo de Paulo deixar o solo mais ácido e influenciar no azul das hortênsias. Está ai um conto que, se bem trabalhado, daria um bom romance.

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Informação

Publicado às 1 de agosto de 2019 por em Liga 2019 - Rodada 3, R3 - Série A e marcado .