EntreContos

Detox Literário.

Diabinho na Garrafa (Caliel Alves)

O casal de idosos mimaram os netos até enjoar. Depois do dengo, Bebeto e Guto se atiçaram ao terreiro igual uma bala. Bebeto era genioso e tinha muita coragem. Guto era esperto, mas temia a repreensão dos pais. Os dois eram uma boa dupla.

Na selva de concreto e aço, os garotos de 12 e 10 anos, respectivamente, não passavam de prisioneiros em apartamentos. As grades dos condomínios traziam proteção, mas sufocavam a imaginação das crianças. As aventuras da infância ocorriam em minúsculas telas de smartphone.

Não podiam mais brincar nas ruas. Os pais mantinham uma vigilância restrita.

Na roça, os meninos até mesmo esqueceram das tranqueiras tecnológicas e se portavam como o que eram: crianças.

Naquela tarde, os meninos brincavam de exploradores. Se imaginavam astronautas num planeta distante. Pés de mangas-rosas se tornavam bases espaciais, uma jaqueira virava um monstro e uma pedra enorme uma nave espacial. De repente, Guto gritou:

— Olha Bebeto!

— O quê?

— Ali, não está vendo? — teimava o garoto.

— Não estou vendo, não dá pra enxergar nada com esses asteroides aí na frente.

— Ali oh — apontou o menino.

— Espere aí meu copiloto, deixa eu aterrissar primeiro — disse Bebeto fazendo onomatopeias com a boca fingindo pousar a nave.

Ambos saltaram e correram desembestados pelo terreno. Debaixo de uma touceira de capim revirado, a luz do sol era refletida com intensidade por um objeto. Guto sentou-se de cócoras cutucando o objeto com um graveto.

— Deve ser uma estrela cadente — disse Guto.

— Ou um tesouro espacial deixado por piratas — retrucou seu primo dando de ombros. — Mas a gente não vai saber o que é até desenterrar.

— E se o vovô brigar com a gente? — falou o menino erguendo-se.

— Se tivesse valor ele não teria jogado fora né Guto, dã!

— Ele pode ter perdido, né? — perguntou o outro.

— Mais um motivo pra gente desenterrar, ele pode estar precisando — argumentou o garoto.

Por um momento os dois se olharam, a curiosidade era tanta que sentiam comichões. Bebeto começou a escavar com as mãos e quando retirou o conteúdo, notou que era uma garrafa de vidro. Bebeto ficou decepcionado.

— Tudo isso pra uma garrafa velha! — gritou o explorador.

— Você nem sabe o que tem dentro… — disse Guto —, abre ela, um mapa pode estar aí dentro, ou uma pista, sei lá.

— Você anda assistindo muito filme no streaming viu.

— Oxe! Num quer me dê — disse ele.

— Eu vou é jogar esse troço fora.

Bebeto olhou pra garrafa. Uma camada de areia cobria ela na parte de baixo. Quando o menino fez um movimento para jogar ela longe, alguém gritou:

— Não rapaz!

— Eita! Quem disse isso?

— Será que foi o vovô Beraio?

— Oxente! Eu achei que foi tu.

Mas o barulho não tinha vindo de nenhum lugar e sim da garrafa. A voz vinda lá de dentro agradeceu. Bebeto limpou a garrafa com a camisa. Ambos os jovens não sabiam o que dizer. Lá dentro, um pequeno ser se escorava nas paredes de vidro. Guto ficou vários minutos com a boca aberta.

O garoto balançou a cabeça, aquela história de garrafa não era estranha para ele.

— Bebeto, você se lembra do que meu pai falou sobre vovô ter guardado um diabinho na garrafa? — disse o menino se benzendo, seus pais eram católicos fervorosos. — Todo mundo aqui diz que o vovô é um feiticeiro.

— Eu estou começando a acreditar.

A criatura dentro da garrafa sorriu. Os garotos ainda continuavam admirados com aquele milagre, como uma criatura tão pequena existia? E quem o aprisionou? Bebeto não se conteve:

— O Pequeno Polegar!

— Já fui muita coisa nessa vida, cramunhão, cão-preto, agora, Pequeno Polegar, essa foi longe viu! Já não se fazem crianças como antigamente, hahahaha.

— E o que você é então? — indagou o menino mais novo.

— Eu sou um saci! — disse a criatura toda orgulhosa.

— Um saci! E o que diacho é um saci? Eu sei o que é um dragão, orc, elfo… aquela coisa Guto, daquele desenho japonês… — dizia Bebeto estalando os dedos.

— Youkai? — respondeu o outro.

— Sim… mas o que é um saci?

A criatura fantástica esbravejou. Ele se apresentou como a figura central do folclore brasileiro. Era uma criatura de pele negra como carvão, tinha uma carapuça e short vermelho. Orelhas pontudas e olhos amarelados. Fumava cachimbo igual gente velha.

— Como vocês não me conhecem? Eu estou até no Sítio do Pica-Pau Amarelo do Monteiro Lobato!

— Monteiro Lobato? — pensou Guto. — Eu já li Harry Poter da J.K Rowling, os sete livros todinhos.

O saci passou a mão no rosto, nunca teve uma conversa tão difícil.

— Mas como você entrou nessa garrafa? — disse Guto.

O malandrinho quase se denunciou, mas conteve a língua. Então deu um sorriso malicioso e disse aos meninos em tom de mercador:

— Eu digo como vim parar na garrafa, mas pra isso vocês têm que me tirar daqui e trazer minha carapuça — ofertou o saci.

— Se você foi preso aí dentro é porque não prestava — argumentou Bebeto.

O saci começou uma lamúria daquelas. Estava preso há muitos anos. Precisava sair, visitar a família. Ele apelou tanto que os garotos cederam. Então, Guto puxou a rolha da garrafa e o saci saiu de um pinote só.

Os garotos acharam divertido como ele se movia. O saci girando no próprio eixo, levantou uma cortina de poeira, e quando o vento cessou, ele estava no seu tamanho normal. Guto fechou a cara, o saci soltou fumo no ar e perguntou:

— O que foi, nunca viu um saci de perto?

— Você fuma? Mas que mal exemplo — disse o rapazinho num tom moralista.

— Ele é tipo um duende meu irmão! — falou Bebeto revirando os olhos. — Ele só tem o nosso tamanho, ele deve ter pisado na lama do dilúvio.

O saci impaciente, perguntou se eles estavam interessados na sua história e que corressem logo a procurar sua carapuça. A pressa do saci tinha um bom motivo, se fosse pego por seu Beraio, teria que voltar a garrafa. Durante anos, ele havia preparado aquela fuga, esperando algum desavisado o tirar de lá.

Os meninos se entreolharam e fizeram que sim com a cabeça. O ser disse que se embrenharia no mato, pois queria fazer uma surpresa ao avô deles. Mas quando eles retornassem, ele daria um assovio e viria até eles.

Os garotos concordaram e correram para a casa do avô. Enquanto eles partiam, o saci quebrou a garrafa. Nunca mais ele voltaria para lá.

 

***

Bebeto e Guto chegaram correndo dentro de casa, andando de um lado para o outro, num fuzuê daqueles. Os pais deles se divertiam. Beraio veio perguntar o que tanto procuravam, mas eles evadiram. Os dois jovens procuraram a carapuça em todos os lugares da casa. Então eles resolveram pedir aquela santa ajuda. Na cozinha, os meninos tanto insistiram que dona Flora disse onde o gorro estava:

— Seu avô guarda aquele troço lá no baú. Num sei pra que ele quer esse negócio — disse a velha dando um largo sorriso.

Como o vento, os dois foram até a arca.

 

***

Seu Beraio, já desconfiado, foi a porta da cozinha e perguntou a dona Flora:

— Que tanto caçam que não acham?

— Eles estão atrás daquele gorro velho que tu guarda lá no baú. Esses meninos são iguaizinhos a você quando era mais novo.

Seu Beraio tomou o rumo da casinha de ferramentas. Enquanto ele se dirigia para lá, os meninos voltavam com a carapuça até o saci.

 

***

Quando ele percebeu que era os garotos, o saci deu um assovio agudo. Pulando numa perna só, ele veio até eles e pediu a carapuça. Bebeto jogou com esperteza:

— Não, só lhe dou quando você contar como foi preso.

O saci implorou, rogou e fez de tudo para que os meninos lhe entregassem o objeto. Os meninos se mantiveram duros na queda. Quando viu que não cederiam, apelou:

— Tudo bem, vocês querem mesmo saber? — indagou ele, os meninos balançaram a cabeça confirmando. — Então eu falarei. Eu vivia pinotando por aí, era um defensor das florestas e das matas, protegia os animais dos caçadores…

— Como um ranger ou um guardião elemental? — perguntou Guto.

— Sim, sim que seja. Então a fama de meus poderes correu mundo. Quando eu menos esperava, fui atacado por um terrível feiticeiro…

— Não me diga que é o vô Beraio! — berrou o menino mais velho.

— Eu não queria que soubessem, mas sim, foi o avô de vocês…

— E com ele te derrotou e te aprisionou? — indagou Guto.

— Ele arrancou uma das minhas pernas — lamentou o saci cinicamente.

— O vô é malvadão! — falou Bebeto espantado.

O saci, garantindo ter cumprido o acordo, pediu mais uma vez que lhe entregassem sua carapuça. Assim ele poderia regenerar sua perna e ir embora. Guto tentou pegá-la das mãos de Bebeto, mas ele esquivou-se.

— Que foi? O bichinho já sofreu demais e o vovô é mal. Papai sempre disse que ele era um feiticeiro — disse Guto comovido.

— Sabe de nada inocente! — retrucou Guto. — Não comi nada desse agá quebrado. O vô pode ser muita coisa, agora mal? Ele não é com certeza.

— Se vocês não me derem essa carapuça, eu os transformo em saci também!

— Com quais poderes você vai fazer isso mesmo seu capiroto das catinfas?

Os garotos se voltaram para trás, era seu Beraio. Nas mãos, uma rolha de cortiça e uma garrafa de vidro novinha. O velho tomou a frente da dupla, pegou a carapuça e ordenou ao saci que voltasse a garrafa.

— Seu Beraio, como é bom revê-lo. Estava brincando… — redimiu-se a criatura.

— Brincadeira né? Brincadeira! É graças as suas brincadeiras que você tava numa garrafa sua pestinha — disse seu Beraio furioso. — Você azedava o leite, queimava o feijão, fazia trança nas crinas e nos rabos dos cavalos, levantava pé de vento pra acabar com minha horta… Sua farra só acabou quando lhe peguei numa peneira de cruzeta.

— Deixe disso seu Beraio, águas passadas — disse o saci.

— Infelizmente eu tenho um problema de memória seu saci… eu num esqueço de nada, entre logo senão queimo sua carapuça!

O saci, se vendo ameaçado daquela forma, girou sobre si e entrou na garrafa, cabendo na palma de uma mão novamente. O velho botou a rolha de cortiça e fez uma cruz com um canivete. Depois olhou para os netos e disse:

— Ainda bem que não cheguei tarde demais.

Os meninos o abraçaram. Guto pediu desculpas por ter sido enganado tão facilmente. Ele desculpou os netos, afinal, haviam sido criados longe de toda aquela magia da roça. Então ele lhes contou como havia pego o danado do saci com detalhes, e desfez o mal intendido da perna, todo saci nasci com uma perna só.

Os garotos perguntaram o que seria feito da garrafa. O velho determinou que jamais a enterraria ali de novo. Então eles foram até um rio que ficava no fundo do sítio. Beraio lançou a garrafa e viu o saci descer nas correntezas do rio. Depois, avô e netos voltaram para casa, as crianças tinham mais uma incrível história para contar.

Beraio se contentou em jogar a carapuça no fogo de lenha e vê-la queimar até não sobrar nada, com um sorriso de prazer tão grande no rosto que até assustou dona Flora.

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20 comentários em “Diabinho na Garrafa (Caliel Alves)

  1. Leandro Soares Barreiros
    15 de junho de 2019

    Resumo: Dois garotos quase libertam um protetor da floresta cujo maior crime fora amarrar a crina de um cavalo. São, contudo, detidos por seu malvado avô que sentencia a criatura à prisão perpetua e destrói (após prometer que não o faria) o único objeto de valor da criatura.

    Protagonista/Herói: Bebeto e Guto – Nota: 1,0 de 2
    Ao escolher trabalhar com dois protagonistas o autor optou pelo risco de não desenvolvê-los de maneira apropriada, por conta da limitação de espaço do conto. Recebemos, portanto, informações no início da narrativa que transmites a personalidade dos meninos de maneira um tanto fria: “Bebeto é assim; Guto é assado”.

    É a velha história do Mostra e Não falar. Claro, a regra não é absoluta, mas um dos pontos que parece funcionar com frequência é justamente na construção dos personagens.

    Antagonista/Vilão: Saci – Nota: 1 de 2
    O Saci deveria funcionar como antagonista da história, na medida em que ludibria os meninos para alcançar a liberdade… o problema é que ele é mais vítima do que qualquer outra coisa. Faz travessuras comparáveis a de crianças e, como punição, está há anos preso em uma garrafa.

    Volta para o cativeiro na esperança de ter um artefato de volta, artefato este que é destruído em seguida. O saci é lançado ao mar para possivelmente ficar preso pela eternidade e quando vemos o motivo… sei lá.

    Mudança de Valor – Nota 1,5 de 3.

    A mudança de valor é exatamente o que o nome sugere. A transição entre acontecimentos positivos e negativos que acontecem durante a história, gerando tensão no leitor.

    Os principais pontos de tensão da história vêm da possibilidade das crianças serem ou não enganadas pelo Saci. Funcionam pelo convencimento e pelo ceticismo. Achei razoavelmente equilibrados, mas não muito envolvente. Talvez por não conhecermos as consequências práticas da libertação da criatura.

    O que a história queria, o que a história fez: 1,5 de 3.

    Bom, vamos lá, lembrando que essa parte é, acima de tudo, palpite meu.

    Ao estabelecer o perfil de cada personagem no início da história o autor pretendeu demonstrar que as características seriam exploradas no encontro com o diabinho na garrafa. E, em certa medida, demonstrou mesmo.

    Minha maior implicância com a história é o esforço de caracterizar o saci como travesso e, por isso, merecedor do castigo que recebeu. Ele não precisava arrancar a cabeça dos cavalos e beber o sangue deles, mas algum indício de perigo seria necessário para que eu torcesse pelos meninos.

    Síntese: Uma história que busca resgatar o folclore nacional diante da globalização da cultura. É louvável neste ponto… mas só consegui sentir pena do saci.
    Nota final: 2,5

  2. Pedro Paulo
    15 de junho de 2019

    Aqui estou, no último ia do desafio. Acredita que por algum motivo, deixei de comentar o seu conto? Em verdade, eu já o havia lido e ontem o enviei com a nota, mas pelo visto não postei o comentário que escrevi aqui. Segue abaixo!

    RESUMO: Guto e Bebeto, dois rapazotes da cidade, aventuram-se no campo, hospedados na casa do avô, quando encontram uma garrafa enterrada, onde descobrem confinado um saci, que os convence a soltá-lo e os incita a trazerem de volta sua carapuça. Felizmente, o captor do malandro perneta aparece antes que os rapazes possam retornar a ele sua fonte de poder, prendendo-o mais uma vez na garrafa e queimando a carapuça.

    COMENTÁRIO: Uma leitura muito agradável! Centralizando um dos mitos mais populares do Brasil, soube nos envolver na leitura com personagens verossímeis para as crianças que representaram, além de ter um efeito cômico apropriado baseado no choque de cultura entre as gerações atuais e anteriores. Achei muita graça de quanto o Saci aponta para o seu papel na obra de Lobato e um dos rapazes argumenta que leu toda a saga de Harry Potter. Outros trechos dos diálogos entre as crianças e a criatura folclórica também foram ilustrativos dessa diferença que se faz presente no conto.

    A maneira como os fatos sucedem também demonstra um domínio da narrativa pelo autor, que soube articular os acontecimentos de forma rápida e coesa, especialmente no que toca a figura do avô, importante para a resolução da trama e, primeiro mencionado antes de ser realmente introduzido para amparar os netos. A única observação que eu faria seria em relação às vírgulas, às vezes presentes separando sujeito do verbo ou, o que é mais constante, ausentes quando deveriam estar separando o vocativo do resto da frase, especialmente nos diálogos. Nada que tenha atrapalhado a leitura. Boa sorte!

  3. Marco Aurélio Saraiva
    14 de junho de 2019

    Bebeto e Guto são dois irmãos que, empolgados com toda a extensão do sítio do avô aberta para sua diversão, acabaram encontrando uma garrafa que aprisionava um saci, preso pelo próprio avô deles. Ludibriados pela criatura, eles a libertam e quase devolvem seus poderes, mas seu avô os salva na última hora.

    O conto é bem estruturado; uma bela aventura do início ao fim. Não há nada de muito inovador, mas a história está lá: dois irmãos em uma amizade forte e cheia de cumplicidade, um sítio, um avô sábio. Uma criatura misteriosa, uma reviravolta, um clímax e um fim. Há até uma pequena moral da história, que é “nunca duvide do que os mais velhos (e mais sábios) falam”. É uma leitura interessante e que não cansa. Há alguns erros de digitação, mas são poucos.

    Para ser sincero, você tem um bom cenário aqui. EU só senti falta mesmo de algo novo. Por enquanto o conto me soa como algo que eu já li ou ouvi outras tantas vezes mais; nada muito empolgante. Mas isso dá pra trabalhar.

    Parabéns

  4. rsollberg
    14 de junho de 2019

    Diabinho na Garrafa (George Armado)

    Resumo: Dois primos da cidade grande vivem uma aventura na roça, ao encontrarem uma garrafa que aprisiona uma lenda.

    A introdução foi muito bem feita, explicando as características dos personagens e a dinâmica ordinária de suas vidas, até chegar no ambiente onde se desenvolve a trama. A roça, o cenário ideal para desenvolver o enredo e permitir o avanço da história frente ao contraste de culturas. E, nesse aspecto, há claramente um embate entre o novo e o antigo, entre o nacional e o estrangeiro. Podemos observar uma crítica válida e oportuna, sem qualquer característica panfletária ou com pedantismo, Monteiro Lobato versus J.K Rowling.

    Os diálogos foram uma boa opção para desenvolver a história. No geral, funcionaram para dar dinamismo, exceto em algumas poucas passagens onde ficaram explicativos, portanto, artificiais, tal qual este; “— Bebeto, você se lembra do que meu pai falou sobre vovô ter guardado um diabinho na garrafa? — disse o menino se benzendo, seus pais eram católicos fervorosos. — Todo mundo aqui diz que o vovô é um feiticeiro.”

    Curti: Bem legal o uso de uma lenda nacional para ilustrar o conto. A releitura cumpriu seu papel em uma história bem desenvolvida e competente.
    Não curti muito: “fizeram onomatopeias com a boca”, ficou meio estranho pq a onomatopeia é uma figura de linguagem que representa um som, mas ela não é o som, saca? É tipo, “fulano usou uma metáfora”, tá, mas qual a metáfora? Perde o sentido. Diferente de, “o sábio falava por metáforas” ou “as crianças eram só onomatopeias”.

    Também não gostei do “mas eles evadiram.”, penso que ficou desconectado da linguagem usada no restante do texto
    Anotações: Como sugestão, para dar mais ritmo para o texto, sugiro a supressão de alguns pronomes desnecessários e sem necessidade de reforço, tal qual esses exemplos: “Quando ele percebeu que era(m) os garotos, o saci deu um assovio agudo. Pulando numa perna só, ele veio até eles e pediu a carapuça. “ ou “Então a fama de meus poderes correu mundo. Quando eu menos esperava, fui atacado por um terrível feiticeiro…” ou “Assim ele poderia regenerar sua perna e ir embora.”
    Considerações e devaneios: Beraio era realmente malvado! Aliás, de uma perversidade ímpar, pois trancafiar um sujeito eternamente em uma garrafa, por ter cometido algumas infrações de menor potencial ofensivo (pirraças) é o que há de mais nefasto na sociedade. Queimar o gorro a ilustração da perversidade, ainda mais emblemática do que a chave da cadeia jogada no mar.

  5. Fil Felix
    14 de junho de 2019

    Duas crianças estão passeando na casa dos avós e, no meio da brincadeira, encontram uma garrafa com o saci dentro. Libertam a criatura, mas acabam sendo enganadas por ele.

    Gostei bastante do conto, que aborda a história do saci (como uma continuação) e o traz para o mundo de hoje, deixando o texto mais atual e acessível as crianças que, como o conto comenta, podem não conhecer o nosso folclore. E encaixando perfeitamente no tema. Alem de muito bem escrita, num tom a lá Sítio do Pica Pau Amarelo, essa questão de contextualizar como as crianças conhecem muitas coisas de fora, mas poucas coisas do nosso país, foi o que mais chamou minha atenção e gostei. Muito bom.

  6. Fabio Baptista
    13 de junho de 2019

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    RESUMO
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    Ao visitar os avós na roça, crianças da cidade se deparam com um saci.
    A princípio são enganados pela criatura, mas se recuperam a tempo de não causar grande estrago.
    No final, o Saci fica preso na garrafa e seu gorro é queimado.

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    ANOTAÇÕES AUXILIARES
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    – aparentemente netos visitando os avós no interior
    – em meio a uma brincadeira de faz de conta, encontram uma garrafa enterrada
    – dentro da garrafa, um cramunhão (acho que é assim que escreve kkkk)
    – era um saci (passei perto, vai…)
    – os garotos não conheciam saci (lembrei do plot de um conto que escrevi a algum tempo)
    – o saci tenta convencer os meninos a libertá-lo
    – eles libertam
    – agora o saci precisa do gorro. Enquanto os garotos vão pegar, ele quebra a garrafa para não ser aprisionado novamente
    – o saci tenta enganar sobre como foi preso… se ele posia mentir, era melhor ter inventado outra história
    – o avô ameaça queimar o gorro e o saci volta pra garrafa
    – acabam queimando o gorro! Foderam o Saci! kkkkkkkkkk

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    TÉCNICA
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    O começo deixou uma má impressão, mas, apesar de algumas falhas gramaticais, o texto é bem escrito, com um regionalismo gostoso de ler.
    A narrativa casou bem com a proposta infantojuvenil.

    – O casal de idosos mimaram
    >>> O casal de idosos mimou (a concordância é no singular com casal)

    — Olha Bebeto
    – Ele é tipo um duende meu irmão
    – Deixe disso seu Beraio, águas passadas
    >>> — Olha, Bebeto
    >>> – Ele é tipo um duende, meu irmão
    >>> – Deixe disso, seu Beraio, águas passadas
    (sempre usar vírgula antes do vocativo)

    – assistindo muito filme no streaming
    >>> não imagino uma criança falando assim. “assistindo muito filme na Netflix” soaria mais natural.

    – Mas que mal exemplo
    >>> mau

    – teria que voltar a garrafa
    – voltasse a garrafa
    >>> à garrafa

    – foi a porta da cozinha e perguntou
    >>> foi até a

    – percebeu que era os garotos
    >>> eram

    – mal intendido
    >>> mal-entendido

    – todo saci nasci
    >>> nasce

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    TRAMA
    —————————
    O plot das crianças que descobrem um novo mundo de magia ao se desvincular da selva de concreto.
    Para a proposta infantojovenil foi interessante, normalmente a simplicidade é o melhor caminho (além de sempre ser o mais seguro).
    Talvez tenha faltado um pouco mais de suspense sobre o que o Saci poderia fazer se recuperasse o gorro, ou que aconteceria a ele com o gorro queimado (que acabou acontecendo no final, o que me faz pensar por que diabos o avô não queimou antes?).

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    SALDO FINAL
    —————————
    Um conto simples, mas bem executado.

    NOTA: 3,5

  7. Daniel Reis
    13 de junho de 2019

    Resumo: Bebeto e Guto estão na caso dos avós, numa fazenda, e em seus folguedos encontram uma garrafa, não com um gênio, mas com um saci preso. Libertam o próprio, e buscam o barrete a pedido dele, que estava guardado pelo avô. Quando vão devolver o objeto mágico ao saci, o avô chega para salvá-los e prender o pestinha em outra garrafa. O avô queima o gorro do saci, e joga a garrafa no rio, para se livrar.
    Premissa: história nfantil, que trabalha bastante com o distanciamento desta geração dos mitos e lendas do Brasil. Insere várias referências à vida moderna e ao desconhecimento sobre a lenda por parte dos meninos.
    Técnica: a narrativa se escora nos diálogos entre o saci e os meninos, contextualizando aqui e ali a vida dos personagens. Em alguns momentos, essas frases soam convencionais, acredito que poderiam ser mais elaboradas (como exemplo, quando o avô chega para salvar os meninos, fala: “ainda bem que não cheguei tarde demais”).
    Voz Narrativa: a voz narrativa é leve, bem humorada em vários pontos, mas deixa a desejar quanto ao desfecho, um pouco precipitado e “conclusivo”, a meu ver. Mas é questão das escolhas de quem conta, não de quem lê.

  8. Gustavo Araujo
    13 de junho de 2019

    Resumo: irmãos criados na cidade vão passar alguns dias na casa dos avós, na roça; lá encontram uma garrafa, que contém um saci, que pede a eles que o libertem. Uma vez fora da garrafa, o saci os convence a ir buscar sua carapuça, que está com o avô dos moleques. Antes que eles a entreguem ao saci, o velho aparece e acaba com a festa, fazendo o saci voltar para a garrafa.

    Impressões: é um conto singelo, voltado para o público infantil, bem arquitetado e bem contado. Está bem escrito no geral (à exceção do uso do mal/mau) e tenho certeza de que a meninada iria se amarrar, porque demonstra bem esse fosso cultural entre as gerações de ontem e de hoje, cada qual com seus personagens e livros favoritos. Achei bem explorada a dualidade cidade/campo também, bem dosada, sem cair na armadilha do exagero presente nos clichês do gênero. Também foi bacana ver uma abordagem nacional, do nosso folclore, nos olhos das crianças. Enfim, um conto competente que pode agradar muito bem o público a que se destina. Parabéns e boa sorte no desafio.

  9. Catarina Cunha
    13 de junho de 2019

    O que entendi: Dois moleques da cidade, em visita aos avós na roça, encontram uma garrafa com um saci dentro. Libertam o diabinho e, se não fosse o avô feiticeiro prender o danado novamente, ele voltaria a fazer estripulias.

    Técnica: Muito apurada. Pouca gente consegue usar malícia de forma tão inocente. Isso mesmo. Eu não consigo.

    Criatividade: Gostei muito da comparação da infância urbana com a rural. Os personagens estão fortes e simples.

    Impacto: Gostoso. Conto arteiro, alegre e sapeca. Coisa de quem sabe o que está fazendo. Ainda aprendo isso.

    Destaque: “Na roça, os meninos até mesmo esqueceram das tranqueiras tecnológicas e se portavam como o que eram: crianças.” – Verdade incontestável!

    Sugestão: Dar uma boa revisada. Ex: “ vovô é mal.” Mal ,contrário de bem; mau, contrário de bom. Então vovô é mau ou vovô é do mal.

  10. Tikkun Olam
    10 de junho de 2019

    Diabinho na Garrafa – George Amado

    O início é o que cativa. O meio é o que sustenta. O final é o que surpreende. O título é o que resume. O estilo é o que ilumina. O tema é o que guia. E com esses elementos, junto com meu ego, analiso esse texto, humildemente. Não sou dono da verdade, apenas um leitor. Posso causar dor, posso causar alegria, como todo ser humano.

    – Resumo: Bebeto e Guto são primos. Passando as férias na casa dos avós, acabaram encontrando uma garrafinha que prendia um saci. Enganados por eles, quase devolvem sua carapuça, dando-lhe poder. Mas, graças ao avô e esperteza de Bebeto, evitam essa tragédia.

    – Início: Mediano. Por se tratar de um história infanto-juvenil, o tom do autor foi apropriado: leve e descompromissado. Não me cativou, porém, ainda mais quando existe o apoio em clichês dessa natureza fraca, como a tecnologia mudando e desfigurando a verdadeira infância, as férias na casa dos avós caipiras, etc.

    – Meio: Leve. A narrativa continua seguindo o ritmo do começo. A personalidade dos meninos permanecem indefinidos, sem nada marcante e como o próprio autor se confundia na hora de distribuir os diálogos, acabei me confundindo, por vezes, sobre quem era quem. Nada brilhante, inclusive, no enredo que se desenvolveu.

    – Final: Simples. Solução de todos os problemas: o avô suspeitou da ação dos meninos e foi atrás, por sorte, Bebeto se mostrou mais inteligente e sagaz que Guto e impediu que o Saci conseguisse seus poderes de volta, dando abertura para seu avô capturar o diabinho novamente. Não esperava outra coisa. Isso não é péssimo, mas também não é bom. Juntando isso, com uma narrativa sem brilho, é um conto bem mediano.

    – Título: Direto. Está encaixado com o conto. É literal. Isso revela algo que nota-se durante a leitura: o autor é desleixado e preguiçoso com sua escrita, ou está passando por uma fase dessa natureza, pelo menos.

    – Estilo: Banal. O autor se enrolou muitas vezes no diálogo, não deixando claro quem estava falando e até confundindo as coisas, como repetindo duas falas de Guto em seguida, mas soando como se cada fala pertencesse a um menino diferente. O leitor experiente percebe as coisas, mas precisa se esforçar para isso, o que é algo desnecessário. O leitor casual fica perdido num conto assim. O estilo sem brilho também não ajudou na leitura. Em compensação, acertou o tom leve que contos infantis ou infanto-juvenis carregam.

    – Tema: Infanto-juvenil. É uma aventura, estilo férias de verão, mas com personagens sem carisma. A premissa também não impressiona, a execução menos ainda.

    – Conceito: Bronze.

  11. Ricardo Gnecco Falco
    7 de junho de 2019

    Olá George Armado; tudo bem?
    O seu conto é o oitavo trabalho que eu estou lendo e avaliando.

    ————————————-
    O QUE ACHEI DO SEU TEXTO
    ————————————-

    Gostei da roupagem do conto. Essa ‘carapuça’ (rs!) de “causo”, de conto de roça, ficou bem interessante e acabou por destacar o seu trabalho em meio aos demais concorrentes (pelo menos dos que eu já li e avaliei) do Certame.
    Gostei do pseudônimo também. E gostei do fato de você não ter misturado os dois temas desta edição do Desafio. Confesso que, quando li que tinha um diabinho na garrafa, pensei que seria mais um conto com as temáticas casadas… Mas, e isso foi bem legal, você se manteve (e a história) na pegada do infantil.
    Ou seja, gostei bastante de encontrar um conto, realmente, infantil (ou infantojuvenil).
    O texto está bem escrito e as descrições e personagens soaram críveis. Não vi nenhum erro que travasse a minha leitura e, mesmo com um final sem grandes emoções, penso que o trabalho cumpriu muito bem a proposição.
    Bem… É isso! Parabéns pelo trabalho e boa sorte no Desafio! 🙂

    E, pra acabar… As regras do Certame exigem que eu faça um resuminho do trabalho avaliado, para comprovar minha leitura. Então vamos lá:

    ——————————
    RESUMO DA HISTÓRIA
    ——————————

    Dois primos, crianças da cidade-grande, vão passar as férias na roça e, entre uma brincadeira e outra, encontram uma garrafa onde um Saci havia sido preso pelo avô da dupla — um antigo feiticeiro. O Saci tenta enganar as crianças e reaver seus poderes mas, na última hora, o avô o coloca novamente fora de ação.

  12. Regina Ruth Rincon Caires
    5 de junho de 2019

    Diabinho na Garrafa (George Armado)

    Resumo:

    Bebeto e Guto, netos de Seu Beraio, criados na cidade, sentem-se livres quando visitam o sítio do avô. Numa brincadeira fantasiosa de extraterrestres, encontraram um “tesouro” enterrado. Era uma garrafa que aprisionava o Saci-Pererê. Descobriram que a criaturinha fora colocada ali pelo avô Beraio, e, com muita pena, soltaram o “bichinho”. Mas o saci precisava da carapuça para que a perna decepada (pelo avô dos meninos) pudesse ser reconstruída. A touca ficava guardada no baú do avô e eles foram buscá-la. O velho percebeu a agitação dos meninos e os seguiu. Chegou a tempo de prender novamente o saci na garrafa. Contou que ele era maligno, arruaceiro, debochado. Depois de preso, a garrafa foi lançada nas águas correntes do rio. Os meninos pediram desculpas ao avô e agora teriam uma boa história para ser contada,

    Comentário:

    Um texto infantil que brinca com o nosso Saci-Pererê. É certo que para a criação do saci “brasileiro”, houve um inquérito. O personagem com a cara do Brasil surgiu após serem colhidos vários depoimentos. Monteiro Lobato sempre foi um nacionalista categórico. Colocava o “espírito” do brasileiro em todas as suas criações. Com o Saci, não foi diferente. Criou um mito: Saci-Pererê. Um personagem que não podemos estipular nem como bom nem mau. O Saci traduz a mestiçagem do nosso povo, nossas crendices e superstições. Na história do Sítio, ele foi apresentado pelo Tio Barnabé, que é aquele personagem vetusto, sábio. O Saci “brasileiro” (digo “brasileiro” em razão de a lenda acontecer em muitos países) representa aquilo que o nosso povo traz nos costumes: alegria, coragem, deboche, travessura, esperteza, tudo isso regado com crenças, medos, superstições. E o mais importante: ele é um defensor das matas. É um moleque “endiabrado” que Monteiro Lobato trouxe para o mundo infantil, suavizando para a imaginação da criança aquele “diabinho” de chifres. Saci é o “capetinha” que não usa violência, só lida com peraltices. Não foi criado para aterrorizar, foi criado para encantar crianças. E acabou encantando, também, os adultos. Bom, resumi tudo isso para fundamentar o meu comentário. O enredo do conto “Diabinho na Garrafa” é muito bom, coeso, prende a atenção do leitor. Uma narrativa fluente, mas com vários deslizes de escrita. Gostei muito da comparação usada pelo autor: “agá quebrado”, sensacional! A pontuação, no texto, apresenta muitas falhas. A concordância, plural de substantivos compostos, grafia: “mal exemplo”, “nasci/nasce”… – o texto merece uma revisão cuidadosa. Não sei se a intenção do autor foi de mesclar infantil com terror, mas confesso que não darei nota máxima apenas pelo enfoque dado ao Saci-Pererê. Assimilei o conto como sendo infantil, e acho que, por esta visão, quebrou um pouco o encanto, entristeceu a travessura boa do nosso personagem brasileirinho tão amado.

    Boa sorte no desafio, George Amado!

    Abraços…

  13. Sidney Muniz (@SidneyMuniz_)
    1 de junho de 2019

    Resumo: Diabinho na Garrafa (George Armado)

    Uma história de um Saci, um infanto juvenil que carecesse de uma melhor lapidação, mas que é bom. Fiquei com medo do autor(a) tentar imprimir terror na narrativa, mas ainda bem que ficou apenas para um infanto. Achei a história boa, tem suas variações, os diálogos me deslocaram um pouco, tanto nas referências (que achei que descaracterizaram a idade dos moleques). A questão de referências, como o Sítio também destoaram, mas num geral foi uma boa história, o final foi bom, mas fiquei com pena do Saci, não sei se deixaria ele na agua…

    e desfez o mal intendido – mal entendido
    todo saci nasci com uma perna só. – nasce

    Avaliação: (Para os contos da Série A-B não considerarei o título, as notas serão divididas por 5 para encontrarmos a média. Porém teremos uma ordem de peso para avaliação caso tenha empates… Categoria/ Enredo / Narrativa / Personagens / Gramática.

    Infanto Juvenil: de 1 a 5 – Nota: 3,5 (Gostei)

    Gramática – de 1 a 5 – Nota 3,0 (Regular)

    Narrativa – de 1 a 5 – Nota 3,5 (Boa, mas precisa ser mais trabalhada)

    Enredo – de 1 a 5 – Nota 3,5 (O enredo não é ruim, mas pode ser melhorado, a história já existia, ficou faltando um melhor arremate e um melhor desenvolvimento)

    Personagens – de 1 a 5 – Nota 3,5 (Bons)

    Total: 17,0 / 5 = 3,4

  14. Leo Jardim
    28 de maio de 2019

    🗒 Resumo: dois meninos encontram uma garrafa com um saci dentro. Quase são enganados pela criatura, mas acabam confiando no avô, que consegue prendê-lo novamente.

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): a trama é simples, mas bem amarradinha, com o avô tornando a prender o saci depois de as crianças o terem soltado. A história, sem grandes percalços, redondinha demais até, ganhou um pontinho a mais da minha atenção justamente na última frase, quando o sorriso exagerado do avô dá a entender que ele é, sim, um pouquinho cruel. Pode ter sido só impressão minha, mas gostei da ideia de não termos mocinhos e bandidos nessa história. O avô, no fim, estava se divertindo com a pena que impôs à criatura mitológica.

    Além da simplicidade, necessária em textos infantis, outro ponto da trama que me incomodou um pouco foi o fato das crianças não saberem nada sobre o saci, nem que ele só tem uma perna. Todas as escolas que se prezem hoje em dia ensinam folclore brasileiro. Meus filhos são dessa geração e todo ano aparecem com histórias sobre saci, boitatá, Iara, etc., algumas que nem eu conhecia. Felizmente o folclore se mantém vivo graças a nossos combalidos professores.

    Ah, ele conhecer Harry Potter faz sentido, mas saber o nome da autora dos livros acabou sendo demais. As crianças dessa idade ou apenas viram os filmes ou, se leram o livro, dificilmente decoram o nome dos autores.

    📝 Técnica (⭐⭐▫▫▫): é boa, descreve bem as cenas e personagens, mas acabou por pecar muito na pontuação e cometeu alguns erros de ortografia importantes. Basta prestar mais atenção à língua pátria que a técnica crescerá. Além disso, cuidado com os diálogos muito expositivos, qdo o personagem diz coisas só porque é necessário para a trama (ex.: qdo o avô enumera as trapaças do saci).

    ▪ Olha *vírgula* Bebeto!

    ▪ não teria jogado fora *vírgula* né Guto

    ▪ Por um momento *vírgula* os dois se olharam

    ▪ Num quer *vírgula* me dê

    ▪ Não *vírgula* rapaz

    ▪ Já fui muita coisa nessa vida *dois pontos* cramunhão, cão-preto *reticências* agora, Pequeno Polegar, essa foi longe viu!

    ▪ E o que você é *vírgula* então?

    ▪ aquela coisa *vírgula* Guto, daquele desenho japonês

    ▪ Ele é tipo um duende *vírgula* meu irmão

    ▪ O saci *vírgula* impaciente, perguntou

    ▪ foi *à* porta da cozinha 

    ▪ perguntou *à* dona Flora

    ▪ o vovô é *mau* (…) agora *mau*? (bom x mau; bem x mal)

    ▪ Sabe de nada *vírgula* inocente

    ▪ Brincadeira *vírgula* né

    ▪ graças *às* suas brincadeiras

    ▪ você tava numa garrafa *vírgula* sua pestinha 

    ▪ Deixe disso *vírgula* seu Beraio

    ▪ tenho um problema de memória *vírgula* seu saci

    ▪ desfez o mal *entendido*

    🎯 Tema (⭐⭐): infantil [✔]

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): não é um tema totalmente novo, mas possui ares de novidade num desafio tomado pelo terror. Escrever contos infantis nunca é fácil e o autor merece parabéns pela coragem.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): o conto é meio previsível: tudo o que ocorre não foge muito do esperado. Apesar de gostoso de ler pelos ares infantis, isso acabou deixando ele meio morno. O final, a última frase, porém, acabou dando uma esquentada a mais. Um grato respiro no fim que caminhava para o basicão do final feliz.

  15. Paula Giannini
    17 de maio de 2019

    Olá, EntreContista,

    Tudo bem?

    Resumo:

    Meninos encontram garrafa com Saci dentro dela, e, ao tentar libertá-lo, seduzidos pelo próprio diabinho, são surpreendidos pelo avô que os salva.

    Meu ponto de vista:

    Ponto para o(a) contista por abordar o folclore brasileiro.

    Com ares de conto infanto-juvenil, com uma pegada em homenagem a Monteiro Lobato, o texto me remeteu à infância e às antigas histórias do Sítio do Pica-pau Amarelo. Até percebi, surpreendida, que o pica-pau que visita as árvores de minha casa é de crista amarela. Como moro em Sampa, deve ser da mesma espécie que inspirou Lobato. 😉

    O texto é agradável e caberia perfeitamente em uma coleção do tipo Vaga-lume, ou, Para Gostar de Ler, ambas dos anos 80. Não sei se há coleções do gênero em nosso tempo de Harry Potter (nada contra, mas a literatura não é só isso), porém, espero que sim.

    Eu diria que é um conto do tipo literatura de formação. Uma porta de entrada para jovens que, porventura, se iniciem nas aventuras das leituras.

    Parabéns.

    Beijos

    Paula Giannini

  16. Antonio Stegues Batista
    10 de maio de 2019

    DIABINHO NA GARRAFA- é a história de dois garotos que encontram uma garrafa com um Saci dentro. Os dois libertam a criatura, e o saci pede para que eles devolvam o seu gorro que o avô deles guardou. Eles buscam a carapuça e voltam. Desconfiado, o avô os segue e volta a prender o Saci. Em seguida revela o real motivo de ter prendido a criatura. O Saci Pererê é brincalhão, e gosta muito de infernizar a vida das pessoas. Fazia muita traquinagem na fazenda e atrapalhava a vida deles.

    Achei um bom conto, uma nova história do Saci Pererê, personagem de uma lenda criada por índios brasileiros. Gostei também da crítica, de crianças que conhecem Harry Porter e desconhecem Monteiro Lobato. O texto está bem escrito, os diálogos de acordo com a idade dos personagens, ficou legal.

    Você cometeu um erro numa frase, onde Guto diz; “ Mas que mal exemplo! ” O certo é, mau exemplo. Mal é contrário de Bem e Mau é contrário de Bom. Mais adiante está escrito; “ O avô é mal”. O certo é, o avô é mau, contrário de bom. Mal se ele estivesse muito doente. Ao contrário, ele está Bem de saúde. Ele não é mau, é bom, tem bom caráter. É isso. Fica a dica!

    Boa sorte no próximo tema.

  17. Fernando Cyrino.
    9 de maio de 2019

    Dois meninos citadinos passando férias na fazenda do avô encontram nada mais nada menos do que a garrafa com o Saci Pererê que lhes conta histórias para que eles o libertem. Enganados eles o livram e o Saci lhes pede o seu capuz. A sorte foi que o avô, que havia, no passado, prendido o diabinho, chega a tempo e ordena que o danado retorne para o interior de uma nova garrafa, eis que o demônio de uma perna só havia quebrado a primeira. Exato momento aquele em que o bicho exigia o seu capuz, o que o faria mais danado ainda. O avô, para não correr mais riscos, não lança ao chão a garrafa em suas terras, mas a joga na correnteza do rio. Meu querido Jorge Armado (achei legal seu apelido), começar o conto com um “casal mimaram”. Me provocou susto. Consultei as gramáticas aqui e, nesse caso, sem a questão da distância, parece-me que a silepse não é válida. Um enredo simples, como devem ser os enredos das histórias infantis, não é mesmo? A história está bem contada. Não achei de grande criatividade a sua história. Você pegou uma história do nosso folclore e trabalhou nela. Sim, há criatividade em fazer isto, mas não achei que o seu conto fosse mesmo criativo. Meu caro, você precisa cuidar com mais carinho da sua escrita. Há alguns equívocos clamando para serem acertados. Por exemplo: Jogar ela, Voltar a garrafa, Que era os garotos… A história, apesar de ser legal, não me impactou, não me chamou profundamente a atenção. Receba o meu abraço fraterno, Fernando.

  18. Rubem Cabral
    8 de maio de 2019

    Olá, George Armado.

    Resumo da história: Guto e Bebeto descobrem uma garrafa enterrada no quintal de seus avós e ao destampar a garrafa libertam um saci. O saci os convence de que sofreu uma grande maldade feita pelo avô das crianças e pede que os meninos recuperem sua carapuça, a fonte de seu poder. Os meninos quase caem no ardil do saci, mas o avô os salva a tempo. O saci foi aprisionado outra vez, a garrafa atirada ao rio e sua carapuça foi queimada.

    Prós: conto infantil com temática bem brasileira, usando nosso personagem folclórico mais notável. Escrita leve, alguma pesquisa sobre o mito (rolha com cruz, peneira cruzada, rodamoinho, etc.)

    Contras: muitos erros de português, pontuação um tanto falha também. Alguns diálogos meio fracos, feito quando o menino cita o nome completo da autora de Harry Potter, erro no uso de “mal” vs “mau”.

    Boa sorte no desafio.

  19. neusafontolan
    8 de maio de 2019

    Olha, o título me enganou. Achei que ia ler outro terror e deparo-me com um ótimo infantil.
    Gostei

  20. Angelo Rodrigues
    5 de maio de 2019

    Resumo:
    [Infantil folclórico revisionista]
    Dois moleques aprontam quando encontram uma garrafa com um saci dentro. O saci tenta passar a perna neles, mas chega o avô malandrão e impede que isso aconteça, fazendo o Sacizão esperto voltar pra dentro da garrafa. Depois eles queimam a carapuça do diabinho e jogam a garrafa no rio, com Saci e tudo, que vai boiando em direção a outras paragens. Os meninos têm histórias novas para contar.

    Comentários:
    Caro George Amado,
    Conto que revisa o mito do Saci Pererê colocando sobre ele novas capas folclóricas: a garrafa onde é aprisionado (Aladim e a Lâmpada Maravilhosa), o ato de crescer e reduzir (Alice no País das Maravilhas). Outros há, mas não anotei.
    O conto transita bem no modo infantil, embora não tenha conseguido localizar a faixa etária onde ele poderia ser incluído.
    Há uma forte tendência do escritor em tornar o Saci um contraponto à “tecnogização” do mundo atual em detrimento do folclore mais antigo, substituído por uma nova mitologia francamente criada e nunca saída do apelo popular.
    Quanto a isso, perda de tempo. Não funciona, não se faz retornar o tempo nem se reconstrói vontades. Fica bem como libelo contra a “modernidade”, mas não surte qualquer efeito nas crianças que tomam contato com isso. O mundo atual é muito mais sedutor que o mundo do folclore das matas – Ah, sim, matas. Por onde elas andariam?

    Anotei aqui algumas coisas que precisam de revisão:
    “Na selva de concreto e aço, os garotos de 12 e 10 anos, respectivamente, não passavam de prisioneiros em apartamentos.” A referência a Bebeto e Guto estão em outro parágrafo, havendo a necessidade de aproximar a idade dos garotos aos seus nomes.
    “Os pais mantinham uma vigilância restrita.” Acredito que deva ser estrita (rigorosa), e não restrita (limitada), que têm significados inversos.
    O conto tem problemas com virgulas e pontuações que precisam ser revisados.
    Sem mais.
    Parabéns pelo conto e boa sorte no desafio.

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Informação

Publicado às 1 de maio de 2019 por em Liga 2019 - Rodada 2, Série B e marcado .