EntreContos

Detox Literário.

Apaga a Luz (Fernanda Barbetta)

Sinto um gosto amargo na boca. Abro os olhos devagar e os esfrego com as pontas dos dedos. Pisco algumas vezes até me acostumar à luz, fraca, porém suficiente para revelar que não estou no meu quarto. Estou deitada no chão, um chão imundo e pegajoso de algum lugar que eu não reconheço. Sento-me com dificuldade, e uma fisgada nas costas me arranca um gemido de dor. E eu gemo de novo, de medo. Meus olhos varrem repetidamente o cômodo, identificando uma pequena cama, um abajur aceso e uma bacia de alumínio. “Meu Deus do Céu, que lugar é esse?”, sussurro, levando as mãos à cabeça.

Um sentimento de inquietação toma conta do meu corpo e eu fico em pé. Dou alguns passos cambaleantes até uma das paredes e passo as mãos sobre ela, tateando, como se não a enxergasse. Faço o mesmo com as outras três paredes, um a uma, em uma busca frenética por aquilo que meus olhos não conseguem encontrar e que, logo, minhas mãos também confirmam não existir: portas e janelas.

Minha respiração falha. Puxo todo o ar que consigo, mas ele não chega aos meus pulmões. Cada tentativa em vão forma um oco em meu tórax e exige um inspirar ainda mais intenso. Inútil. Sinto as mãos frias, minha visão fica turva e eu caio no chão, desacordada.

Desperto assustada e fico de pé em um pulo, ignorando as dores pelo corpo. Vou até uma das paredes e bato nela com as mãos espalmadas, chuto, grito, com os punhos fechados, dou murros. “Socorro.” Percebo dois pequenos dutos de ventilação próximos ao teto e grito na direção deles: “Alguém me tira daqui”. Choro desesperadamente. Sem forças, meu corpo desliza, e eu me agacho no chão. Então, começo a rezar baixinho.

— Ei.

Ergo a cabeça, enxugo o rosto e aguço meus ouvidos.

— Aqui. Aqui.

Fico em pé, caminho até a parede de onde acredito que venha o som e encosto o meu ouvido. “Quem tá aí?”

— Lucius, ao seu dispor.

A suavidade em sua voz me dá uma estranha sensação de segurança, e eu fico, de certa forma, contente por ter alguém ali do lado. Percebo meu pensamento egoísta e me repreendo.

“Você também está preso ai?”

— Prisão e liberdade são apenas ilusão. Estou velho demais para isso.

Fico confusa com a resposta, o que não me impede de formular outras perguntas: “O senhor sabe como entrei aqui? Não tem porta. Aí tem porta?” Lucius fica em silêncio e eu imagino ouvir risadas. Coisa da minha cabeça, penso. “O senhor sabe quem me colocou aqui?”

— Quem te colocou ai não importa.

Franzo a testa, surpresa com sua aparente indiferença. Antes que eu pergunte mais alguma coisa, ele continua, com a voz mais grave.

— O que importa é quem vai chegar.

Um arrepio eriça os pelos do meu braço como se Lucius tivesse sussurrado dentro do meu ouvido. Afasto a cabeça da parede e sinto meu coração acelerar. “Vai chegar?”, pergunto enquanto olho para todos os lados, procurando novamente por uma porta inexistente. “Vai entrar por onde?”, sussurro com as mãos sobre a boca.

— Já está ai dentro — diz o velho, substituindo o tom sério pelo jocoso.

Meu corpo amolece e a minha visão fica turva por alguns instantes. Ouço as batidas apressadas do meu coração, e as pontas dos meus dedos começam a formigar. “Cadê?” Lucius fica calado e eu ouço a sua respiração pesada que, de repente, parece chegar até os meus ouvidos. Salto apressada sobre a cama e procuro algum lençol para me cobrir, numa ridícula tentativa de me proteger, mas não tem nada além do colchão. Imagino alguém me encarando na ponta da cama e chego a sentir seus olhos sobre mim e a deduzir o seu sorriso zombeteiro. Estremeço de pavor e encolho meu corpo, abraçando as pernas. O coração parece que pulsa dentro da minha cabeça. “Meu Deus do Céu, onde ele está? É um fantasma? Eu não consigo ver”, resmungo, apavorada.

— Você só vai vê-lo na escuridão.

A voz de Lucius agora é grave e assustadora e seu timbre me dá arrepios.

— Apaga a luz — sussurra o velho.

A ideia do escuro me parece absurda. Olho para o abajur e tenho medo de que aquela luz fraca por algum motivo se apague. Então, sinto como se alguém enfiasse a mão em punho dentro da minha garganta e não consigo respirar. Antes que eu perca novamente os sentidos, a sensação de sufocamento passa e eu sinto como se algo me abraçasse com força, envolvendo todo o meu corpo, paralisando meus movimentos. Começo a rezar. Rezo para que aquela sensação acabe logo e para que a luz nunca se apague. Enfim, desmaio.

Quando abro os olhos novamente, logo reconheço meu cárcere abafado, úmido, fétido e mal iluminado. Com sede, vou até a bacia com água que foi deixada ao lado do abajur mas não tenho coragem de levá-la à boca. Parece suja.

— Tem um jeito de você sair daí.

Desisto da bacia e me aproximo da parede. “Você sabe como?”

— Debaixo da cama.

“Debaixo da cama?”

— Um túnel.

“Túnel? Tem certeza?” Ele não responde, e eu decido ver com meus próprios olhos. Vou até a cama e a empurro. “Vai dar onde?”, pergunto, já me agachando. Logo identifico um recorte no chão de madeira e consigo retirar a portinhola com certa facilidade. Deparo com um buraco escuro. Meu corpo estremece e eu recuo. Não posso entrar aí, penso.

— Se você entrar, vai sair lá no outro quarto.

Imediatamente volto meus olhos para onde deve estar o outro quarto. “Mas dá para fugir por lá?”

— Depende — ouço as unhas de Lucius raspando a superfície da parede. — Lá tem janela, lençol e água limpa.

Fico encarando o vão escuro recém-descoberto. “Impossível”, resmungo. Pego o abajur e o aproximo do buraco. Escuro, apertado, assustador. “Não posso”, falo lentamente, como se advertisse a mim mesma sobre o meu medo do escuro e o meu pavor de lugares apertados. Quando recoloco o abajur no chão, a luz pisca, deixando o ambiente totalmente escuro por um átimo de segundo. Meu corpo estremece. A luz reacende instantaneamente, mas mantenho os olhos espremidos, imobilizada pelo medo de que a escuridão realmente revele que eu tenho companhia. Sinto um calor na nuca, um frio na barriga e cogito a opção de entrar no túnel. Lucius me incentiva, empolgado.

— Entra. Entra.

Coloco parte do corpo no buraco, mas, quando sinto as paredes apertarem minhas cochas, eu desisto. Apavorada, recoloco a tábua no lugar e pulo sobre a cama. Ouço Lucius rir debochado do outro lado da parede. Velho esquisito. Ele já não me parece amigável.

Deitada, fico encarando a portinhola e decido manter a cama encostada na parede, pois só a ideia de dormir sobre aquela passagem me apavora. Em alguns minutos eu pego no sono, vencida pelo cansaço.

Algumas horas depois, o quarto parece ainda mais abafado, e eu sinto calor, sede, fome e dores pelo corpo. A sede é tanta que a água da bacia já não me parece má ideia. Desço da cama e a bebo com ansiedade. Enxugo a boca com as costas da mão e ouço Lucius cantarolar uma música que eu não conheço e que, por algum motivo, me dá calafrios. Puxo conversa para ele parar com a cantoria. “Há quanto tempo você está ai? Por que estamos aqui e que história é aquela do escuro?” Lucius ignora todos os meus questionamentos e não para de cantar. Velho imbecil.

Minha barriga ronca e eu reclamo de fome.

— Seu banquete já vai chegar — grita o velho. E eu percebo seu sarcasmo. Bebo mais um pouco da água da bacia e procuro um canto para as minhas necessidades fisiológicas. Já não consigo mais segurar. A situação é deprimente, e o velho resolve começar a conversar.  

— Talvez um dia eu apareça aí. Para te fazer uma visita.

Sinto um arrepio percorrer todo meu corpo enquanto deixo uma massa de bosta no canto do quarto imundo.

— Você gostaria? — pergunta, insistindo no assunto.

Não respondo. Imaginar que ele pode vir me dá repulsa. Será que ele pode chegar aqui? Será que existe outro túnel?, penso, mas não ouso perguntar. Volto para a cama e fico esticada, encarando o teto, pensando na possibilidade de cruzar aquele túnel, nas chances de escapar pelo outro quarto, na probabilidade de Lucius realmente me fazer uma visita e na assustadora hipótese de já estar na companhia do monstro que só pode ser visto na escuridão. Inspiro com força, mas falta-me o ar e eu sou tomada novamente pelo abraço apertado que paralisa meu corpo. É Ele, penso, aterrorizada. Tento gritar, quero me encolher na cama, mas não consigo. Meu coração acelera. Tenho medo de que a lâmpada se apague, eu não quero ver. Sinto a mão em punho na minha garganta e logo perco os sentidos.

Desperto com os gritos animados de Lucius, seguidos por palminhas apressadas:

—Visita. Visita.  

Tento ignorar seu estardalhaço, mas a palavra visita me faz imaginá-lo surgindo a qualquer momento. O velho para de bater palmas e eu ouço um choro vindo do quarto onde termina o túnel. Caminho até a parede e encosto o meu ouvido. “Tem alguém aí?” O choro se intensifica e eu grito: “Fala comigo.”

— Eu tô com medo— responde a voz de uma criança.

Fico imóvel, surpresa, pensando no que dizer. “Calma. Vai ficar tudo bem.” Sei que é mentira. Ela chama pela mãe e eu tento manter uma conversa. “Qual é o seu nome?”

— Maia. Eu quero ir pra casa — responde, entre um soluço e outro.

“Você precisa ser corajosa. Vai ficar tudo bem.” Minto de novo. Sei que não vai ficar tudo bem. “Quantos anos você tem, Maia?”

— Oito.

“Ah, então você é uma mocinha.” Tento ser amigável, soa falso. Ela chora e grita que quer a mãe.

“Tem porta ai?”

— Tem. Mas tá trancada.

Merda. “Tem certeza?” Percebo que a pergunta é ridícula, ela é criança, mas não é estúpida, já deve ter forçado a fechadura.

“E janela? Tem uma janela ai, não tem?”

— Tem.

Sinto inveja.

— Tá quase escuro. Posso dormir de luz acessa?

Grito: “Não apague a luz. Nunca. Ouviu? Deixe a luz acesa. Sempre acesa.”

— Tá.

“O que mais tem no quarto? Olhe com atenção e me diga tudo o que tem.”

— Tem a cama.

“Tem lençol?”

— Tem. Travesseiro também.

Sinto inveja. “O que mais?”

— Pia.

Sinto inveja. “O que mais? Comida?”

— Mais nada.

“Comida?”, repito, talvez ela não tenha ouvido.

— Não. Só isso.

Maia retoma o chororô.

— O túnel — fala o velho lá da outra parede.

Sei muito bem o que ele está sugerindo, mas eu sou covarde. Penso em pedir que Maia venha até mim, mas logo desisto. Não quero dividir o que resta da minha água suja, nem que ela cague e mije no meu cubículo e nem que durma na minha cama.

— Vai lá — volta a sugerir o velho, com uma voz mansa.

Metido. Ergo o dedo médio e o aponto para parede. Lucius gargalha. Velho demente.

Maia volta a chamar pela mãe insistentemente. Minha cabeça dói, estou cansada, mas sei que ela é apenas uma criança assustada. Cantarolo uma música e Maia para de chorar. Dormimos, cada uma de um lado da parede.

Acordo no chão, fraca demais, definhando. Sinto a umidade do quarto penetrar meus ossos. Resmungo, e Maia percebe que estou acordada.

— Tia, conta uma história pra mim? Tô com medo.

Bufo. Escolho os Três Porquinhos, mas desisto no Era uma vez. Olho para a tábua que cobre a entrada do túnel e meço mentalmente a distância dela até onde estou, uns 2 metros. Suponho que seja a mesma distância dentro do quarto de Maia, penso em perguntar, mas nem ouso revelar a existência do túnel. Deve dar uns 4 metros. Impossível. Fico o dia inteiro calada, imaginando a passagem por debaixo das ripas de madeira, ignorando os apelos insistentes de Maia para que eu conte alguma história e as cantorias de Lucius e as suas risadas infames. Estou muito cansada.

Desperto de um pesadelo horrível com a agonizante sensação de sufocamento. Tento me levantar, gritar, mas não consigo. Imagino que é Ele em cima de mim e a minha respiração fica apressada. Maia chama pela mãe do outro quarto e eu penso em chamar por ela, pedir ajuda. Ideia ridícula, ela nunca poderia me ajudar. Viro meus olhos para a parede que dá no quarto do velho e tenho a sensação de que ela se debruça sobre mim, como se fosse despencar sobre a minha cama. Aperto os olhos e tento gritar. Ouço um estampido forte vindo da parede de Lucius e consigo mover minha cabeça na sua direção. Então, recobro minha respiração e meus movimentos. Sento-me na cama, zonza, com dores pelo corpo todo. Choro, mais de raiva do que de tristeza.

A fome me consome e já quase não tem água. Preciso sair daqui. Não sei quantos dias se passaram. Dou murros na parede e grito para o alto. Vou até um dos tubos de ventilação e grito sem parar. Devo estar louca igual a esse velho desgraçado. Maia só chora e grita, e eu maldigo o dia em que essa menina chegou para piorar ainda mais as coisas. Ridícula. Volto para a cama e fico ali jogada até dormir.

Quando abro os olhos mais uma vez, estou mais irritada do que cansada. Fico de pé num pulo, feito bicho. Grito: “Maia! Maia!”

Lucius bate palmas e grita entusiasmado:

— Chegou! Chegou!

Fico ainda mais irritada. Velho filho de uma da puta. “Maia, entra nesse túnel de merda e vem pra cá. E traga água limpa. E traga o que tiver ai” Ouço os choros desesperados da menina. Estou furiosa. A fúria me dá as forças que eu já não tenho mais. Tiro a tábua do chão e arremesso contra o abajur com violência. A lâmpada se quebra. Escuridão total. “Cadê você? Já pode aparecer!”, grito enfurecida. Penso no túnel. Maia grita, desesperada. Raiva, Fome. Ódio. Fome. Silêncio.

Abro os olhos e bocejo alto. Olho para o lado e vejo uma boa porção de carne. Crua, sangrenta, tenra. Arranco o lençol e me sento na ponta da cama. Estico o braço, pego um pedaço generoso de carne e o levo à boca. Quase quente. “Carne fresca”, comemoro. Meus dentes rasgam o bife de forma quase selvagem. O sangue lambuza minha boca, meu queixo, meu rosto, minhas mãos, e eu o espalho também pelos braços. Recosto no travesseiro. “Velho, você tem carne ai? Hoje recebi um banquete”. Limpo a boca com as costas da mão. Uma luz invade o quarto e eu fico encarando a janela. “Oh, velho demente, finalmente apareceu o sol.”

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44 comentários em “Apaga a Luz (Fernanda Barbetta)

  1. Fernanda Caleffi Barbetta
    16 de junho de 2019

    Oi, Rubens. Obrigada pelas dicas, vou usá-las para melhorar o conto. Abraço.

  2. Marco Aurélio Saraiva
    15 de junho de 2019

    A personagem principal acorda em uma sala sem janelas e portas. Logo descobre que há um velho do outro lado da parede e um túnel para outro quarto onde uma garotinha chamada Maia se encontra, tão presa quanto ela. E talvez – talvez – exista uma criatura na escuridão que a sufoca constantemente até que desmaie. No final a criança pára de chorar, a personagem apaga a luz e, após um último desmaio, ganha uma refeição de carne fresca. Curiosamente, o velho e a criança pararam de falar.

    É um conto “aberto”, como eu diria. Descreve uma situação improvável e que não necessariamente tem que ser explicada. O objetivo do conto é explorar a personagem principal, mas ela nem sequer tem um nome. É a narradora da própria história. O conto, porém, não se explica em nada e fica muito confuso. O terror existe, misturado à sujeira, mas é um terror sem fundamento. No fim o leitor não sabe quem é a narradora, quem é Lucius, quem é a Maia e de quem era a carne (apesar de parecer bem óbvio que era de Maia).

    O conto em si é tão amplo que abre margens para muitas interpretações. A criança e o velho podem ser a luta da personagem principal com saudades da sua infância e medo da sua velhice. Ou o conto inteiro pode ser uma analogia ao medo da personagem de dar a luz à filha que está em seu ventre. “Pode ser”, eu falo, por quê tudo isso é imaginação minha e não há muita sugestão do que o conto queira realmente falar.

    A técnica é boa. Muito boa, na verdade. Sem erros, bem escrita e fluida. Acho que, entre um título misterioso, um nome de autor que nada diz com nada, e uma história sem pé nem cabeça, o sentimento que ficou foi o único pode poderia ter ficado: “confusão”.

    • Fernanda Caleffi Barbetta
      16 de junho de 2019

      Olá, Marco Aurelio. Peço desculpas pela confusão… talvez eu tenha mesmo exagerado. Mas obrigada pelo comentário. Abraço

  3. rsollberg
    14 de junho de 2019

    Apaga a Luz (King, Burger King)

    Resumo: Acompanhamos a situação angustiante de uma mulher no cativeiro e seu fluxo de consciência tentando encontrar respostas.

    De início, cumpre destacar que em minha humilde opinião tendo em vista o “tipo” de conto, o autor acertou em escolher a primeira pessoa. Ao situar o leitor no mesmo local do protagonista embarcamos na atmosfera criada, “luz fraca, lugar sujo desconhecido, fisgada nas costas, sem portas e janelas”, facilitando a imersão, ex: “Então, sinto como se alguém enfiasse a mão em punho dentro da minha garganta e não consigo respirar.”
    As descrições, do ambiente e das sensações, que o Mestre Poe usou com tanta maestria, funcionam aqui também, gerando pro leitor o sentimento de um espectador privilegiado, observando tudo de dentro.
    Supressão de alguns pronomes, especialmente o “eu”, ex : “e eu caio” “e eu fico “ou “meu corpo desliza, e eu me agacho” já temos o “meu” e depois o “me”.
    Não vejo qualquer problema no uso de travessão ou aspas no diálogo, o problema é quando não há uniformidade, ai fica uma mistura de Cortazar, Sarmago e Rubem Fonseca. Não sei se existiu a intenção de parecer esquizofrênico, mas ainda assim faltou marcação, especialmente nas vozes. Como sugestão, caberia também algo mais mordaz ou sarcástico, ou melhor, hermético.
    O final tem um ritmo frenético, mostrando a habilidade em preparar o terreno para o clímax. As possíveis interpretações fazem o leitor refletir, o que é sempre bom.
    .
    Frase destaque: Sinto a umidade do quarto penetrar meus ossos.
    Curti muito: O estilo empregado durante toda a narrativa.
    Não curti muito: Os diálogos.

    Anotações: “apertarem minhas cochas” nesse caso seria “coxas”, porque “cochas” são cabos usados em embarcações, que caso não esteja muito doido ou distraído, não se enquadra aqui.
    Achei que “massa de bosta” e “retoma o chororô”, destoaram da linguagem empregada durante a maior parte do texto.

    • Fernanda Caleffi Barbetta
      16 de junho de 2019

      Olá, Rafael. Obrigada pelas dicas, as levarei em conta. Abraço. Ah, o seu texto foi o que mais gostei. Excelente, parabéns.

  4. Fil Felix
    14 de junho de 2019

    Uma mulher acorda e se descobre presanum quarto, sem janela e sem porta. Para piorar ao lado do seu quarto também estão presos um velho e uma garotinha, que acabam deixando -a mais confusa.

    É um bom conto, escrito de maneira fluida e que consegue criar uma ótima ambientação, algo que acho difícil de fazer em se tratando de terror ou suspense. Possui um quê de histórias como Cubo, aproveitando a ideia de claustrofobia e também do que a pessoa é capaz de fazer em momentos extremos, algo que sempre rende ótimas cenas de terror e aflição. Gostei do desenvolvimento e o final deixa aberto para interpretação o paradeiro da garotinha, que pode ter virado banquete. Muito bom.

    • Fernanda Caleffi Barbetta
      16 de junho de 2019

      Olá, Fil. Agradeço seu feedback. Ela virou banquete mesmo rsrs. Abraço.

  5. Daniel Reis
    13 de junho de 2019

    Resumo: Uma menina está em cativeiro, num lugar não identificado, e se comunica com Lucius do outro lado da parede. Não tem como sair, e acompanhamos sua agonia pelos pensamentos dela. Ela é instada a apagar a luz, e cada vez que isso acontece, volta novamente ao pesadelo. Há um buraco embaixo da cama, mas por ali ela não passa. Até que chega Maia, uma criança num quarto ao lado, e ela tenta manter a calma da menina. Diz para deixar a luz sempre acesa, e sente inveja dela ter janela e roupas de cama limpas. Maia chama pela mãe, e pede uma história, que a protagonista conta como a dos Três Porquinhos. Por fim, Maia se vai, talvez tenha entrado no túnel, talvez seja a carne crua que é servida à protagonista. O sol aparece na janela (que não havia?).
    Premissa: Terror psicológico, com o horror de se ver encarcerado e não saber o motivo ou como sair dali.
    Técnica: as coisas acontecem na história meio sem explicação, somente são assim, por mais absurda que seja a situação. Nisso, tem o mérito de manter o leitor na expectativa até o final.
    Voz Narrativa: narrado na primeira pessoa, a história se torna pouco crível primeiro pela falta de isenção da narradora; depois, pela falta de motivos ou razões pelo que está acontecendo com ela. Um texto que deixa muitas perguntas no ar, talvez demais para um leitor mediano como sou.

    • Fernanda Caleffi Barbetta
      16 de junho de 2019

      Olá, Daniel. Peço desculpas se deixei a desejar… agradeço seu comentário. Abraço

  6. Gustavo Araujo
    13 de junho de 2019

    Resumo: mulher acorda em lugar fechado, prisioneira, onde escuta a voz de um velho que conversa com ela. Logo surge a voz de uma garota. A sensação claustrofóbica leva a protagonista à loucura e ela termina o conto se banqueteando com pedaços generosos de carne, possivelmente a menina com quem ela vinha conversando.

    Impressões: conto de ótimo terror psicológico, muito bem construído e arquitetado de modo a fazer com que o leitor também se sinta prisioneiro desse cubículo de insanidade. Gostei da maneira como a protagonista vai sucumbindo aos jogos mentais do velho Lucius, e como a menina funciona, ao mesmo tempo como tentativa de resgate de normalidade e como último passo antes da perda completa da razão. O terror gore no final destoou um pouco do desenvolvimento, mas entendo a opção de quem escreveu por essa linha. É um arremate aberto, mas provavelmente significa que a mulher se refestela com a garotinha morta, para deleite do velho Lucius, o verdadeiro arquiteto dessa experiência. Não notei erros dignos de nota – a não ser um “cochas” quando o certo é “coxas”, de modo que posso parabenizar o(a) autor(a) pela ótima criação. Boa sorte no desafio

    • Fernanda Caleffi Barbetta
      16 de junho de 2019

      Oi, Gustavo. Que alegria ler este comentário tão generoso. Muito obrigada!!! Desculpe pelo cochas..acredite que não fiz o conto nas coxas (nem nas cochas) não kkkk. Abraço

  7. Fabio Baptista
    12 de junho de 2019

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    RESUMO
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    Pessoa desperta presa em uma cela. Começa a conversar com um homem misterioso de quem só escuta a voz.
    Há também uma criança por perto, que acaba sendo devorada no final quando a luz se apaga e o verdadeiro monstro se revela (a narradora/protagonista).

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    ANOTAÇÕES AUXILIARES
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    – narrador(a) personagem desperta num lugar estilo Jogos Mortais
    – o personagem aprisionado começa a ouvir a voz de alguém que se identifica como Lucius
    – Lucius diz que alguém vai chegar
    – Lucius diz que o tal alguém (ou algo) já está lá dentro (pô, Lucius… se decide!)
    – Lucius, agora com voz assustadora, diz que o “companheiro de cela” só poderá ser visto no escuro
    – narrador é atacado e desmaia
    – Lucius mete uma de Mestre dos Magos e diz que há uma saída. Um túnel debaixo da cama.
    – “Ele já não me parece amigável”… pô, antes tarde… kkkkkkkkkk
    – Lucius diz que talvez um dia faça uma visita… isso não parece bom
    – No fim do túnel, uma criança
    – Lucius instiga a personagem a ir até a criança. A personagem começa a ter pensamentos meio egoístas.
    – A narradora vai se revelando meio monstruosa
    – correção: totalmente monstruosa

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    TÉCNICA
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    Muito boa. Conseguiu imprimir um ritmo excelente, com bons ganchos para prender a atenção e aumentar a tensão.
    Nem a narrativa no presente me incomodou.

    – um a uma
    >>> uma a uma

    – Puxo todo o ar que consigo, mas ele não chega aos meus pulmões
    >>> não está errado assim, mas eu tiraria esse “meus” para deixar a frase mais enxuta

    – “Você também está preso ai?”
    >>> eu não misturaria a marcação de diálogos. Tipo, travessões sempre pra diálogos e aspas para pensamentos.

    – Prisão e liberdade são apenas ilusão
    >>> usaria “ilusões”

    – totalmente escuro por um átimo de segundo
    >>> terminaria em “átimo”

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    TRAMA
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    É simples, com poucos elementos (personagens e cenários), mas muito efetiva. Há sempre algum elemento novo entrando para renovar o interesse. Há suspense e terror.
    Honestamente, só não captei muito bem a ideia do final.

    – O que importa é quem vai chegar
    >>> essa parte ficou bem legal, criou uma ótima expectativa

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    SALDO FINAL
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    Excelente.

    NOTA: 5

    • Fernanda Caleffi Barbetta
      16 de junho de 2019

      Oi, Fábio. Agradeço a atenção com meu texto. As anotações auxiliares estão muito engraçadas e seu comentário, muito generoso. Vc não imagina a minha alegria ao receber um 5 de vc. Valeu mesmo. Abraço.

  8. Catarina Cunha
    12 de junho de 2019

    O que entendi: Uma mulher acorda presa em um quarto sem parede ou janelas. Um buraco pode levar a uma cela melhor, mas ela não tem coragem de entrar. Como vizinhos de cárcere, um velho doido e uma menina. Ela evita apagar a luz para não ver uma visita fantasma, que ela sente a presença. Lá pelas tantas se enfurece, quebra a lâmpada e, enfim, vê a própria loucura.

    Técnica: de sufocamento. O (A) autor (a) foi muito feliz em passar a agonia da personagem para o leitor. Criatividade: Está na forma em que foi escrito, não necessariamente na história.

    Impacto: Muito bom. O final aberto deu a sensação de total desesperança. Eu esperava um fantasma, um psicopata, ratos, baratas, o capeta. Mas não, algo muito pior apareceu: a loucura.

    Destaque: “— Você só vai vê-lo na escuridão.” – Ai, que medo!
    “— Prisão e liberdade são apenas ilusão. Estou velho demais para isso.” – Eu também.

    Sugestão: Se ela tentasse entrar no túnel e ficasse entalada, acho que eu enfartaria. Fica a dica.

    • Fernanda Caleffi Barbetta
      16 de junho de 2019

      Oi, Catarina. Obrigada pelo comentário. Adorei a ideia dela ficar entalada kkkk que medo. Abraço

  9. Tikkun Olam
    7 de junho de 2019

    Apaga a Luz – King, Burger King

    O início é o que cativa. O meio é o que sustenta. O final é o que surpreende. O título é o que resume. O estilo é o que ilumina. O tema é o que guia. E com esses elementos, junto com meu ego, analiso esse texto, humildemente. Não sou dono da verdade, apenas um leitor. Posso causar dor, posso causar alegria, como todo ser humano.

    – Resumo: Ela desperta num quarto fechado. Confusa, e compartilhando o cativeiro com um velho sádico e uma criança escandalosa, a protagonista-narradora revela sua rotina naquela ambiente claustrofóbico.

    – Início: Muito bom. Amo situações dessa natureza, recheada de mistérios e assombros. A narrativa no presente ajudou a me colocar no lugar da protagonista. Lucius é um personagem um pouco duvidoso e me pareceu, de primeira vista, que ele serviu muito mais como um “guia” para direcionar a menina para o caminho que o autor queria. Os “desmaios” misteriosos não me convenceram.

    – Meio: Razoável. Com a apresentação de Maia e o aprofundamento de Lucius, senti uma quebra no ritmo de suspense. O autor preferiu se focar neles, esquecendo duas coisas que ajudaram a manter minha atenção inicial: quem a prendeu e por qual motivo. E a criatura do escuro, também, foi meio esquecido. O ponto forte, nessa parte, foi o túnel. A agonia descrita neste momento, o medo dela, cara, foi fantástico.

    – Final: Decepcionante. Fiquei esperando pela aparição do monstro. Ou pela revelação da pessoa, ou criatura, que a prendeu naquele quarto. Algo mais, sabe? Mas tudo o que aconteceu era exatamente o que a narrativa indicava. O final foi um tanto amargo para mim…

    – Título: Desconexo. Faria sentido se o foco da história fosse o monstro. Mas ele é citado algumas vezes, esquecido em alguns momentos e noutros lembrado de forma rasa. No geral, o título se resume apenas a um dos fatores que movimenta a história.

    – Estilo: Excelente. Escrever no presente não é fácil. Sei disso, pois, de fato, gosto de escrever nesse tempo verbal (inclusive, meu conto nesse desafio também foi escrito no presente, haha). A forma como você conduz a narrativa é sólida. E seu estilo, de fato, agradável. Nenhum fator marcante, mas sua escrita apresenta certo esmero que me inspirou a querer escrever melhor. Parabéns!

    – Tema: Perfeito! Terror puro, mais puxado para o psicológico, o que é melhor ainda. O que fortaleceu foi a escrita madura e de qualidade. A sensação claustrofóbica é intensa. Gostei mesmo, disso.

    – Conceito: Ouro.

    • Fernanda Caleffi Barbetta
      16 de junho de 2019

      Olá, Tikkun. Uma pena tê-lo decepcionado com o final. Agradeço as dicas e a atenção. Abraço.

  10. Rafael Penha
    2 de junho de 2019

    Excelente! O terror do enclausuramento deu uma boa ideia de isolamento e loucura. O mei odo conto me parece ter uma pequena barriga, tendo trechos de “mais do mesmo” com a jovem indo dormir e acordando e o velho falando algumas coisas sem muito sentido. Poderia ter sido mais desenvolvida a evolução da loucura da prisioneira.

    Mas o final é bem interessante e deixado em aberto de forma bem amarrada. Só fiquei com vontade de saber que tipo de situação era aquela.
    Enfim, adorei.

    • Fernanda Caleffi Barbetta
      16 de junho de 2019

      Oi, Rafael. Tb fiquei com receio de ter deixado um miolo um pouco cansativo, mas minha intenção era mostrar a passagem do tempo para justificar a transformação da personagem. Sinto que falhei nesse ponto mesmo. Obrigada pelo comentário. Abraço.

  11. Sidney Muniz (@SidneyMuniz_)
    1 de junho de 2019

    Resumo: Apaga a Luz (King, Burger King)

    Um conto muito bem escrito e de fato um genuíno terror psicológico, mas mais que isso, com intensa carga de suspense e cenas excelentes, vi um pouco de Joe Hill, sim, apenas uma comparação com a tensão e escrita, não se gabe, autor(a), gostei bastante!

    Trata-se de um conto onde a personagem acorda em um quarto, uma espécie de prisão, e há um velho em outro quarto, paredes vizinhas, um sádico. Mas mais que isso, há um túnel debaixo da cama, e a personagem principal morre de medo do escuro e por isso não se arrisca a passar pelo túnel. No desenrolar da história chega uma criança e ao final temos um “delicioso” banquete… Bom final!

    Só senti falta do velho conversar com a criança, fiquei pensando se só a mulher podia ouvi-la… ou se eu deixei passar algo, mas há muitas possibilidades, é um conto que pode ser vários!

    Avaliação: (Para os contos da Série A-B não considerarei o título, as notas serão divididas por 5 para encontrarmos a média. Porém teremos uma ordem de peso para avaliação caso tenha empates… Categoria/ Enredo / Narrativa / Personagens / Gramática.

    Terror: de 1 a 5 – Nota: 5 (Muito bom)

    Gramática – de 1 a 5 – Nota 5 (Sem erros)

    Narrativa – de 1 a 5 – Nota 5 (Me prendeu a cada letra)

    Enredo – de 1 a 5 – Nota 5,0 (Um excelente enredo!)

    Personagens – de 1 a 5 – Nota 5 (Bons demais, todos eles, cada um dos três cumpre bem o papel, parabéns!)

    Total: 25 / 5 = 5

    • Fernanda Caleffi Barbetta
      16 de junho de 2019

      Olá, Sidney, que bom que não fiquei triste com seu comentário!!! Nota 5 uau!!!!!!! Muito obrigada por ter comentado mesmo sem a ‘obrigação’, é muito importante para mim. Abraço.

  12. Ricardo Gnecco Falco
    23 de maio de 2019

    Olá Burger King; tudo bem?
    O seu conto é o quarto trabalho que eu estou lendo e avaliando.

    ————————————-
    O QUE ACHEI DO SEU TEXTO
    ————————————-

    Gostei da aura intimista que você deixou marcada na sua história. A escolha da primeira pessoa narrativa também foi bem assertiva. O ritmo do conto ficou bem legal, auxiliando na imersão do leitor, que acaba por se ver dentro daquele pequeno quarto, junto da protagonista, em meio ao pavor oriundo dessa tensa experiência.
    As cenas das conversas ocorridas entre as paredes (e, às vezes, dentro da própria mente da personagem) ficaram bem críveis, assim como as descrições do quarto e dos sentimentos, que completaram o quadro para o leitor poder compartilhar daquele confinamento assustador.
    Não senti nenhum travamento durante a leitura, não percebendo nenhum erro que atrapalhasse a minha claustrofóbica experiência no decorrer da história.
    É isso! 😉
    Parabéns pelo trabalho! E boa sorte no Desafio! 🙂

    Bem, pra finalizar… As regras do Certame exigem que eu faça um resuminho da história avaliada, para comprovar minha leitura. Então vamos lá:

    ——————————
    RESUMO DA HISTÓRIA
    ——————————

    Pessoa percebe-se presa em um pequeno cubículo, onde não pode contar com a luz natural (o ambiente não possui janelas) e muito menos com a possibilidade de escapar de lá (nenhuma porta), a não ser através de um soturno (e escuro) túnel existente embaixo da cama. Tudo isso é mostrado enquanto a protagonista enfrenta uma longa batalha contra o medo, traumas, fobias, necessidades fisiológicas e, por último, sua própria humanidade.

    • Fernanda Caleffi Barbetta
      16 de junho de 2019

      Olá, Ricardo, fiquei contente com seu comentário. Agradeço a atenção. Abraço.

  13. Leo Jardim
    20 de maio de 2019

    🗒 Resumo: uma mulher acorda pressa num ambiente claustrofóbico e escuro, sem portas ou janelas. Conversa apenas com outros prisioneiros como ela. No fim, acorda num quarto, come uma carne, dá a louca e percebe que estava num quarto com colcha e janela.

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): o conto prende muito a atenção usando o elemento do mistério. As palavras correram com muita velocidade na leitura, eu saboreando cada nova pista sobre o que estava acontecendo e tenso para saber o que estava por acontecer.

    Não sei se entendi muito bem o final e falta de uma resolução que fechasse todas as pontas me deixou frustrado no primeiro momento. A parte boa disso é que eu fiquei pensando por um bom tempo após a leitura para tentar entender o que havia acontecido. Ainda não tenho certeza de nada (e continuo frustrado por isso), mas minha aposta é que ela estava louca o tempo todo. O velho e a garotinha provavelmente eram vozes em sua cabeça, partes de si mesma.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): fiquei totalmente preso à trama e se teve um erro de ortografia e gramática, não notei. Um texto que desligou meu lado revisor. Devo dizer que isso é um feito e tanto.

    🎯 Tema (⭐⭐): terror [✔]

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): não é um mote totalmente novo. Lembrei, por exemplo, do primeiro (e único bom) Jogos Mortais. Mas não dá pra dizer, também, que a trama não tem seu tempero próprio.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐⭐▫): como já adiantei, gostei bastante da imersão que o texto proporciona. Uma leitura magnética.

    O fim sem fechar as pontas me deixou frustrado, como também já adiantei, e isso acabou afetando um pouquinho o impacto. Se fosse um texto que terminasse de forma impactante, ganharia 5 estrelas aqui.

    Enfim, um texto que me prendeu e me fez pensar, mas frustrou pelo excesso de mistério no fim.

    • Fernanda Caleffi Barbetta
      16 de junho de 2019

      Oi, Leo. Obrigada por ter comentado com tanta atenção o meu conto. Abraço.

  14. Regina Ruth Rincon Caires
    19 de maio de 2019

    Apaga a Luz (King, Burger King)

    Resumo:

    Uma narrativa de terror que descreve o suplício de uma pessoa presa em um cubículo imundo, sem saber a razão. Em outros compartimentos, há Lucius (outro preso) e Maia (uma menina que chora de medo e chama incessantemente pela mãe). Ao final, a menina é sacrificada e a protagonista (narradora) come a carne tenra. Foi o que consegui entender. Desculpe-me se a história não for essa, se não entendi. Confesso que não compreendi o sol que aparece no final.

    Comentário:

    Texto muito bem escrito, a narrativa é fluente, o suspense é colocado de maneira crescente e assustadora. Mexe com os nervos do leitor. A descrição é tão trabalhada que dá a sensação de que estou presente no ambiente escuro, fétido, úmido. Um deslize que chama a atenção é a grafia de “cocha” (coxa). Percebe-se que o trabalho não foi feito por iniciante na escrita, tem ritmo, tem técnica. O desfecho é assustador, dentro da minha percepção. A linguagem é bem colocada, firme, despojada. O texto cumpre o seu papel dentro do tema proposto. O pseudônimo deve ser por causa do “hamburger” do final, misericórdia…

    Parabéns pelo trabalho!

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

    • Fernanda Caleffi Barbetta
      16 de junho de 2019

      Oi dona Regina, que legal receber um comentário da senhora… e tão gentil. Aproveitando, amei seu texto. Parabéns. Abraço.

      • Regina Ruth Rincon Caires
        16 de junho de 2019

        Você é muito generosa… Abraços…

  15. Leandro Soares Barreiros
    17 de maio de 2019

    Outras considerações:

    Encontrei um rascunho do meu primeiro comentário… Acho que autores se interessam mais por feedback do que por organização (rs), então lá vai:

    Tenho a impressão de que o autor buscou construir um ambiente claustrofóbico. Optou pela narrativa em primeira pessoa para facilitar a empatia com a protagonista, limitando o conhecimento do leitor sobre o que acontece ao que a personagem sabe. Aqui desliza um pouco pelo exagero do explícito para transmitir o sentimento ao leitor, deixando o texto um pouco inverossímil (ESTOU CONFUSA)

    Além disso, evitou o gore, investindo pesadamente em elementos psicológicos (o quarto claustrofóbico, o medo do escuro, as risadas, a canção sinistra (que foi mencionada, mas não explicitada) o reforço da fome e das condições adversas, a sensação de impotência e vulnerabilidade representada pela força invisível que imobiliza e sufoca.

    De maneira sutil e eficiente utiliza elementos visuais do horror ao final, sem se perder no exagero: o sangue, a carne crua, a alimentação.

    Entrega bem, portanto, o que propõe.

    VIAGENS

    A narrativa pode fazer uma referência a culturas precolombianas, na medida em que o Sol surge depois que um “monstro” se alimenta da carne de uma criança (um sacrifício) que por um acaso se chama Maia, relembrando práticas religiosas de então. Lucius pode, inclusive, não ser referência exclusiva à Lúcifer, mas ao Deus maia da luz, sendo capaz de efetuar sua visita prometida após o sacrifício.

    A interpretação também serve para o demônio judaico, na medida em que ele faz sua visita ao coração da mulher que sucumbiu ao mal.

    SUGESTÕES
    São só sugestões. É mais fácil fazer sugestões no texto dos outros do que melhorar os próprios textos xD

    “Fico confusa com a resposta”
    Direto demais. Acho que o sentimento poderia ser transmitido de maneira mais trabalhada.

    Exemplo: “Fiquei feliz” –> “Meus lábios tremeram e, quando dei por mim, estava sorrindo”.

    “Lucius fica em silêncio e eu imagino ouvir risadas. Coisa da minha cabeça, penso.”

    Me parece uma percepção muito difícil. Nessa situação temos alguém falando coisas misteriosas, a protagonista ouve possíveis risadas e acha que é imaginação dela?

    “O senhor sabe quem me colocou aqui?””
    Novamente, não há por que confiar no homem. Poderia ser justificado pelo desespero, mas talvez fosse melhor simplesmente implorar por ajuda, tomando-o como seu captor.

    “Meu Deus do Céu, onde ele está? É um fantasma? Eu não consigo ver”, resmungo, apavorada.
    Um… fantasma? Achei uma preocupação boba, diante da situação.

    “Abro os olhos e bocejo alto. Olho para o lado e vejo uma boa porção de carne. Crua, sangrenta, tenra. Arranco o lençol e me sento na ponta da cama. Estico o braço, pego um pedaço generoso de carne e o levo à boca. Quase quente. “Carne fresca”, comemoro. Meus dentes rasgam o bife de forma quase selvagem. O sangue lambuza minha boca, meu queixo, meu rosto, minhas mãos, e eu o espalho também pelos braços. Recosto no travesseiro. “Velho, você tem carne ai? Hoje recebi um banquete”. Limpo a boca com as costas da mão. Uma luz invade o quarto e eu fico encarando a janela. “Oh, velho demente, finalmente apareceu o sol.”

    Gostei bastante da conclusão. Explicou a conclusão de eventos sem se preocupar em expor e esmiuçar tudo. Confiou no leitor. Muito bom.

    • Fernanda Caleffi Barbetta
      16 de junho de 2019

      Oi, Leandro. Agradeço o seu empenho e atenção ao comentar meu texto. Vou levar suas sugestões em consideração. Obrigada. Abraço.

  16. Leandro Soares Barreiros
    17 de maio de 2019

    Aviso prévio: Todas as notas refletem única e exclusivamente minha opinião enquanto leitor. Não entendo nada de teoria literária. E não é que seu texto seja esta nota. Apenas para os critérios que decidi levar em conta neste desafio foi assim. Se avaliasse outros aspectos, a nota poderia ser diferente. E qualquer sugestão que faço sobre a narrativa não é algo como “ficaria melhor assim”. É só um brainstorm para ajudar em uma possível reformulação, se o autor tiver interesse em reformular, ou em brincar com o texto depois.
    A menor nota por critério é zero.
    Resumo: Mulher desperta em um lugar estranho, distante de sua casa. Presa em um lugar escuro, úmido e opressor, é atormentada por um velho e pela sua própria fome. Ao final da história, se transforma no monstro que temia e sacia sua fome com a carne de uma criança.

    Um bom conto.

    1) Protagonista —- Mulher —- Nota: 1,5 de 2
    Uma boa construção da personagem que, diante das condições adversas que enfrenta, se corrompe, tornando-se o monstro da História. Via de regra, desejamos que nossos heróis, ao final da história, sejam diferentes de nossos heróis no início.

    A forma clássica de alcançar essa transformação é através de uma elevação espiritual de alguma forma, um amadurecimento. Aqui, temos um amadurecimento, mas que pende para a corrupção.

    Em uma história curta, realizar esse tipo de transformação é bem complexo, tendo em vista que há pouco espaço para o desenvolvimento do personagem. Aqui, foi feita de maneira eficiente, ainda que um tanto corrida.

    Chamo a atenção apenas para a confiança exagerada em Lucius. Na situação em que se encontrava, a suspeita sobre a participação do homem em sua prisão deveria surgir imediatamente. Dificilmente a Mulher pensaria que as risadas que ouvira a princípio eram fruto de sua imaginação.

    2)Vilão — Lucius — Nota: 2 de 2

    Defino o velho como o antagonista por ele incentivar o desespero da personagem, promovendo sua transformação e, portanto, o desenvolvimento da história. Etimologicamente, Lucius deriva da palavra luz, podendo ser uma referência aqui a Lúcifer, ou a qualquer outra entidade mais ou menos demoníaca (a história parece fazer referência à cultura maia, também)

    Embora tenha me incomodado um pouco a exagerada ingenuidade da Mulher diante do velho (naquela situação, acredito que uma das primeiras suspeitas seja a de que Lucius seria seu cárcere) ele cumpre seu papel sinistro na narrativa. Faz algumas previsões macabras e direciona a protagonista para a corrupção, mas não de maneira óbvia.

    Um bom personagem, imo.
    3) Mudanças de valor na narrativa -Nota: 2 de 3
    O principal valor que acompanha a narrativa é o binômio segurança (+) e tragédia (-).

    A narrativa começa com um valor negativo, nossa protagonista presa em um local sombrio, sem saber como foi parar ali. Terminará com um valor duplo negativo (–), quando atinge a perdição, o destino pior que a morte (tem a alma corrompida).
    O principal problema nas mudanças de valores ao longo da narrativa está na superficialidade das cargas positivas. A presença inicial de Lucius parece tentar oferecer certa esperança, mas é rapidamente descartada como algo bom. Temos, então, poucos valores de esperança e, quando temos, parecem de maneira bastante clara como pequenas armadilhas, conforme o túnel, a menina etc.
    É claro, nem toda boa história traça mudanças de carga para se sustentar, especialmente de terror. Os contos de Poe se constroem em uma atmosfera bastante pessimista, pelo menos os que li. Mas são consideravelmente longos, o que possibilitam o trabalho em uma espécie de zona cinza. Com exceção de obras primas, que assim o são não por acaso.
    O autor insistiu na atmosfera dark e, de certa maneira, camuflou o problema das trocas de valores. A tragédia, contudo, foi martelada do início ao fim, o que diminui um pouco a tensão da narrativa.

    4) O que o texto pretendia/ o que o texto fez – Nota 2 de 3.

    Aqui é um palpite, em todos os contos assim será.

    O texto pretende ser claustrofóbico do início ao fim, narrando a progressiva queda da protagonista mulher, enquanto sugere que ela vá se transformar naquilo que teme. A narrativa foi feliz nessa missão, não sendo óbvia no início, mas conseguindo encaixar um final que é, ao mesmo tempo, inesperado e coerente com o início da narrativa.

    Só não recebe nota máxima pelo espaço curto demais da história (limitação do desafio, mas esse é o desafio) que tornou a queda da mulher um tanto quanto rápida demais. Além disso, pecou na declaração exagerada dos sentimentos da protagonista, especialmente no início, o que diminui um pouco a empatia sobre os sentimentos.

    Exemplo de boa construção que nos convida a sentir:
    “Um arrepio eriça os pelos do meu braço como se Lucius tivesse sussurrado dentro do meu ouvido. Afasto a cabeça da parede e sinto meu coração acelerar. ”

    Exemplo de construção apressada e pouco envolvente (seria novamente o limite de palavras?):
    “Fico confusa com a resposta,”

    ” “Meu Deus do Céu, onde ele está? É um fantasma? Eu não consigo ver”, resmungo, apavorada.”

    E por aí vai.

    Síntese: Um texto competente na criação de ambiente, especialmente considerando o limite de palavras. Um bom exemplo de personagem em queda, com um encerramento não exageradamente explicativo, mas que peca pela pressa em algumas construções e na aparente… bem… estupidez da personagem diante daquilo que a cerca.

    Nota final: 3,8

  17. Pedro Paulo
    15 de maio de 2019

    RESUMO: A protagonista acorda presa em um cubículo. Pouco a pouco vai tomando conhecimento da situação, que inclui o seu vizinho Lucius e a vizinha Maia, respectivamente um homem mais velho e uma criança, todos os três em situações de algum modo diferentes, em que só sabemos em definitivo a posição da protagonista. Com o passar do tempo, o desespero e a precariedade vão aumentando enquanto Lucius e Maia a atormentam, cada um a seu modo, o conto se encerrando quando a protagonista opta pela escuridão e é agraciada com um pedaço de carne crua, com o qual se delicia. Ao fim, temos luz e, estranhamente, uma janela.

    COMENTÁRIO: Claustrofóbico e desesperador, mas repetitivo e de certa forma inconclusivo. As descrições da situação são eficientes em produzir o terror e o crescente desconforto da personagem, fazendo o leitor sufocar junto com a protagonista. Ao mesmo tempo, a indeterminação de sua situação situa a leitura na mesma confusão, de modo que assim como a personagem, ficamos indagando o que está acontecendo o tempo todo e se torna fácil sentir a mesma frustração que ela, especialmente referente a Lucius, que logo no início se anuncia como um instrumento de tortura mais do que qualquer ajuda. Ironicamente, o mesmo ocorre a Maia, que muito surpreendentemente não se tornou um ponto de virada na história, o medo da protagonista prevalecendo e tornando a garotinha indefesa mais um objeto de tormento, na mistura da incapacidade de ajudá-la com a constante ladainha da impotência da garota. Uma boa escolha para a narrativa que também enriqueceu a protagonista, que não apresentou a empatia “esperada”. Outro ponto de interrogação que foi conveniente ao sentimento de terror foi o “monstro da escuridão”, que por suas expressões pareceu uma manifestação clara da claustrofobia da protagonista mais do que um monstro real, mas, pelas descrições presentes no conto, não se confirma nem como um e nem como outro. Todos esses aspectos indicam um domínio da narrativa pelo autor, que tem uma escrita “inteligente”.

    Quantos aos problemas, acredito que os sucessivos desmaios, embora condizentes com a realidade, quebraram um pouco o ritmo da leitura, fazendo da situação um pequeno “atraso” e banalizando a inconsciência da personagem, que parecia vir apenas para passarmos a uma nova surpresa. Mas, ainda assim, foi realista. Quanto ao que citei sobre a falta de uma conclusão, o conto ofereceu sim um final, que entendi como referente ao nível que pode chegar a degradação humana, dado que ao fim das contas, impedida de mudar minimamente a própria situação devido ao próprio medo, tivemos nossa protagonista trancada no escuro, saciada por carne crua e água contaminada, melada de sangue e tão ensandecida que berrava com uma criança. Confesso não ter entendido a luz e a “janela” do final, que mesmo no ambiente de incerteza que condiciona o enredo, pareceram-me aleatórios. Um bom conto, indutivo de sensações. Boa sorte!

    • Fernanda Caleffi Barbetta
      16 de junho de 2019

      Olá, Pedro. Obrigada pelas dicas, vou analisá-las com atenção para melhorar meu texto. Abraço

  18. Paula Giannini
    9 de maio de 2019

    Olá Entrecontista,
    Tudo bem?

    Resumo:

    Uma mulher, prisioneira em um quarto em condições precárias, é submetida à fome, ao medo e à exaustão, até o dia quem que, recebendo um prato de carne fresca e crua, torna-se, muito provavelmente, uma canibal.

    Meu ponto de vista:

    Aqui deparo-me com um conto muito bem construído no que toca o suspense. O(a) autor(a) consegue criar expectativa na leitora, em quase 100% da narrativa. O que acontecerá com esta mulher? O que é a coisa no escuro? Seu próprio medo? Será o velho, torturando-a, e forçando-a a manter a luz acesa o tempo todo? Por que ela não sai pelo túnel? Quem é esta criança? O que acontecerá com ela? E por aí vai.

    O ponto alto do conto, no entanto, ao menos para mim, é justamente sua (quase) falta de desfecho. Os monstros que criamos em nossas cabeças são, certamente, mais terríveis que qualquer descrição que um(a) escritor(a) nos poderia oferecer.
    Assim, o conto “brinca” com o fato de a prisioneira não apagar a luz. Ela mesma cria seu monstro. A chance de fuga lhe é oferecida, porém, seu próprio medo a impede de sair.

    Se por um lado, não há solução para quem (ou o que) a aprisiona, ou, ainda mais, para o que ou quem a mulher come, por outro, há esta oportunidade oferecida por quem escreve o texto de que o seu leitor, de certa forma, crie seu próprio “final”.
    O título traz uma pitada de sarcasmo. A carne dos hambúrgueres das grades redes seria tão saborosa por ser humana?

    Certamente um conto impactante no qual, destaco ainda, o modo como a personagem mostra aquilo que há de pior em si, conforme é submetida às privações de seu cárcere.

    Parabéns.

    Beijos

    Paula Giannini

    • Fernanda Caleffi Barbetta
      16 de junho de 2019

      Oi, Paula. Seu comentário me deixou muito feliz e agradecida. Obrigada. Abraço

  19. Fernando Cyrino.
    9 de maio de 2019

    A moça que acorda num quarto com pouca luz, corpo dolorido e se vê totalmente só com uma bacia de água. Enfim aparece o vizinho, um velho (pela voz que ela escuta) que se chama Lúcius (Lúcifer) e que a atazana e lhe sugere apagar a luz. Diz-lhe também haver uma saída por baixo da cama. Depois de um bom tempo, eis que chega uma criança, Maia, para piorar mais ainda o ambiente. E a nossa heroína na dúvida constante se entra no túnel sob a cama, ou se permanecesse na luz. Por fim, num acesso de fúria, ela quebra o abajur e se vê no escuro. Eis aí, talvez, a sua salvação. Aparece comida, carne crua e, enfim, a luz do sol, não mais sendo ouvidas as vozes dos vizinhos. Gostei do começo e do final da história. Você, Burger King, tem as manhas. Para o Terror. Um enredo clássico, claustrofóbico de alguém que se vê preso em um lugar hermeticamente fechado. Estranhei que ela tenha se sentido egoísta ao perceber que há alguém por perto. Acho que o sentimento aí não seria egoísmo. Você desenvolve bem a história. Como eu disse, tem o jeito de escrever contos de terror. Você usa muito bem o idioma. Parabéns. Só dois pequenos detalhes dignos de reparo, ao meu ver: Cochas, acho que queria dizer coxas. E na expressão filho de uma da puta, sobra um da. Uma história que me prendeu e me cativou. Gostei de lê-la, achei bacana seu modo de me relatar o drama. O final em aberto também ficou legal. Daqui se pode imaginar que a carne, ainda quente, seja de Maia. Meu Deus, pensar isto… Meu abraço fraterno, Fernando.

    • Fernanda Caleffi Barbetta
      16 de junho de 2019

      Oi, Fernando, que legal seu comentário. Muito obrigada. Abraço

  20. neusafontolan
    7 de maio de 2019

    O conto fruiu muito bem, mas fiquei sem entender esse final
    de qualquer forma achei bom
    Parabéns

    • Fernanda Caleffi Barbetta
      16 de junho de 2019

      Olá, dona Neusa. Quem bom que comentou meu conto e que tenha achado bom, apesar de eu não ter sido muito clara quanto ao final. Obrigada e abraço.

  21. Antonio Stegues Batista
    6 de maio de 2019

    APAGA A LUZ- é a história de uma mulher que está presa num quarto. Desorientada, com fome e sede, ela ouve a voz de um homem, dizendo que um monstro vai chegar. Ouve também, a voz de uma menina do outro lado da parede. O homem diz que há um túnel que pode levar até lá, mas ela não vai. Ela pede para a menina passar para o lado dela e perde os sentidos. Quando acorda, encontra um prato com carne, que ela come. É mais ou menos isso.

    O conto é narrado em tempo-presente. É válido, mas eu não gosto muito de ler, tampouco escrever meus contos desta forma, pois sempre há o risco de mudar para tempo-passado, que eu estou acostumado a escrever. Não entendi muito bem a história, pois não há uma introdução que explique o porquê que mulher está num quarto sem porta e janelas. Ali ela se desespera imagina um milhão de coisas, perde os sentidos/acorda, se desespera, dorme/acorda, ouve a voz de um velho e depois de uma menina. No final também não tem explicações e isso é de propósito, o leitor tem que imaginar o que está acontecendo.
    Apesar disso,ou por causa disso, gostei do texto, é bem escrito, o autor(a) constrói um suspense pesado, claustrofóbico, como se a gente estivesse também naquele quarto. Penso que a mulher é louca e está presa no quarto de isolamento de uma clínica psiquiátrica. A abertura no chão é a portinhola por onde alguém coloca comida para ela e o velho e a menina, que na realidade deve ser outra mulher mais jovem, são também pacientes. Acho que é isso.
    Boa sorte no Desafio.

    • Fernanda Caleffi Barbetta
      16 de junho de 2019

      Oi, Antônio, grata pelo seu comentário e atenção. Abraço

  22. Angelo Rodrigues
    5 de maio de 2019

    Resumo:
    [Terror de mal abstrato e inexplicável]
    Garota está presa em um quarto sem janelas ou portas. Estabelece um diálogo com alguém, um homem, do outro lado da parede, depois ele indica a ela a existência de um túnel, depois ela descobre que há uma menina de oito anos em outro quarto contiguo. Estabelece diálogos com a menina, se desespera e ela acaba comendo carne quente e fresca que surge em seu quarto ou ela se transporta para o quarto vizinho, ou ela mesma é a menina do outro quarto, porque no quarto passa a haver lençol, travesseiro, porta e janela.

    Comentários:
    Cara King, Burger King,
    Conto que explora a ideia de que as noites, a escuridão – o lado primal do homem – traz o horror.
    Conto interessante passando a ideia do aprisionamento e da claustrofobia, toques de um mal não identificado, uma divisão – talvez – de personalidade representado pela menina do quarto contiguo.
    Não sei se pela exiguidade do espaço em palavra que nos foi dado para escrever o contos, achei que o autor deixou pontas soltas por conta da brevidade quando, ao final, terminou o conto deixando muitas dúvidas que poderiam ser sanadas com a redução da ambientação e mais capricho na condução da trama até o desenlace final.
    Muitas coisas ficaram desamarradas. O último parágrafo, que trouxe ao conto o seu final, me pareceu bastante imponderável, dado que não deu ao leitor uma compreensão mais apurada do que se passava ali, naqueles três quartos (criança, garota, velho).
    Não tenho problemas com finais estranhos, que não se explicam devidamente, mas, no caso em análise, senti um certo estranhamento. Há uma mudança de personalidade e de comportamento, por parte da garota, acelerada demais, que, de não beber água suja por nojo, aceita comer carne – bife? – desconhecida sem nenhum pudor ou receio, e ainda se lambuzar com o sangue.
    Há uma bruteza na condução dessa transformação de personalidade, que não se explica pelo túnel que ela poderia atravessar e dilacerar a garota no outro quarto, ou que, dilacerada, a garota lhe fosse servida como carne, ou ser ela mesmo a garota do outro quarto e por aí vai.
    Nenhum dos personagens se resolve. O velho não se resolve, a menina ao lado não se resolve, e isso não significa que ambos não pudessem ser uma só, com o túnel sendo a lucidez que as separava.
    Como disse mais acima, gostei do conto pelo clima que ele passa, mas também notei pontas soltas demais, particularmente porque não deixou ao leitor nenhum senso alucinatório da garota, que louca desde sempre, revela-se ao final – uma possibilidade.
    Acho que o leitor merecia um pouco mais de clareza na condução da trama, que se alongou demais no início, e deixou pendente algumas amarrações no final.
    Parabéns pelo conto e boa sorte no desafio.

    • Fernanda Caleffi Barbetta
      16 de junho de 2019

      Oi, Angelo. Que pena que a leitura do meu texto não tenha sido uma experiência agradável.. quem sabe na próxima. Agradeço o cuidado ao comentar. Abraço.

  23. Rubem Cabral
    3 de maio de 2019

    Olá, King, Burger King.

    Resumo da história: moça desperta num cubículo sem portas e janelas e descobre que foi raptada ou algo do tipo. Descobre tbm que há outros prisioneiros feito ela: um velho chamado Lucius e uma menina chamada Maia. A protagonista é informada da existência de uma saída sob o piso, mas sua aparente claustrofobia a impede de sair. Lucius fica anunciando a possível chegada de alguém. Ao fim, a protagonista ao mergulhar na escuridão aparentemente se transforma/transtorna e quando dá por si está comendo carne crua, o que pode indificar que, afinal, ela matou e devorou a menina.

    Prós: texto escrito com clareza e com bom domínio do nosso idioma. Salvo um “cocha”, não reparei em nada grave. O conto é hábil em causar uma escalada na tensão de quem lê.

    Contras: o uso de narração no presente causou-me estranheza, penso que narrar no passado teria casado melhor com o texto em questão. Os diálogos ficaram um tanto fracos e toda a situação meio clichê. A conclusão poderia ter sido melhor trabalhada, para não ser apenas surpresa pela surpresa, mas algo mais calcado em pistas sobre a personalidade da narradora, por exemplo, ou na existência de algo sobrenatural, feito um espírito ou demônio que houvesse se apossado da moça e a levado a realizar o assassinato seguido de consumo do corpo da menina. Do jeito apresentado, houve a surpresa, mas não a impressão de uma revelação.

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Informação

Publicado às 1 de maio de 2019 por em Liga 2019 - Rodada 2, Série B e marcado .