EntreContos

Detox Literário.

Justiça Flamejante (Victor O. de Faria)

I.

Morte Agonizante era um dragão triste. Suas asas incandescentes cor de fogo o impediam de manter contato com qualquer criatura viva, incluindo a floresta ao seu redor. Talvez por sua face acinzentada cheia de espinhos causar certa repulsa, ninguém se atrevia a adentrar seus domínios. No alto de sua caverna de cinquenta metros, com o focinho enfiado nas pernas em descanso, observava a vida florir. O bosque logo abaixo fervilhava em sons, cheiros e sabores, mesmo com a neve já caindo. Era uma vida relativamente tranquila, embora solitária.

Tudo mudou no dia em que uma figura curiosa surgiu em seu lar sem permissão. Uma armadura pesada arrastava uma espada gigantesca à passos lentos, mal conseguindo manter-se de pé – chegou a deixar de lado a espada e colocar as mãos sobre os joelhos. A parte móvel do capacete serrilhado subiu e revelou um rosto ofegante. Havia um homem lá dentro. Já tinha ouvido falar nos predadores do campo, mas ver um de perto era bem diferente: a criatura mal tinha dois metros. Cabia na palma de sua mão.

Antes que pudesse fazer qualquer coisa, o homem sentou-se e afastou as pernas. Estava exausto. Podia devorá-lo ali mesmo ou simplesmente esmagá-lo com seus dentes, mas fazia tanto tempo que não encontrava alguém… Resolveu dar-lhe uma chance. Afinal, a espada permanecia no chão e não seria levantada tão cedo.

— Você deve estar se perguntando que material é esse que resiste ao fogo, né?

Compreendia muito bem os vaga-lumes, pois mudavam de cor quando desejavam transmitir alguma informação, mas aquilo, aos seus ouvidos, soava como um ganido de lobo. Era um tanto engraçado ver aquela figura gesticular. Brincaria um pouco antes de parti-lo em dois.

— É uma espuma metálica adaptada ao traje. Mesmo assim, ainda preciso usar toda essa tralha. Ainda bem que já estamos no inverno.

Embora não entendesse nada, seu comportamento era intrigante. Como podia estar tão calmo diante de sua imponência? Vendo que a pequena criatura não pretendia atacá-lo nas próximas horas, deixou sua zona de conforto. Esticou as asas por um momento gerando uma brisa suave e pôs-se ao seu lado, com a cauda encolhida.

— É uma bela vista daqui de cima! – Disse ele, suspirando.

Se compreendesse o que o homem estava dizendo, teria concordado.

— Sabe… Eu não queria fazer isso.  

Morte Agonizante conhecia muito bem aquela expressão caída: olhos profundos, focinho pra baixo, cansaço e um olhar distante; uma vontade de não viver. Poderia atender seu desejo a qualquer momento. Mas o amargor em sua boca adiou a decisão.

— Eu tenho uma filha de dez anos, sabia? Olhos azuis, ruiva, cabelos trançados… Ela ia adorar te conhecer…  – Passou a mão no rosto depressa e voltou a falar. — Ela foi levada ainda pequena. O chefe da tribo do norte disse que eu era fraco e não merecia a família que tinha. Minha companheira foi junto.

A neve mais grossa começava a descer. O homem levantou-se de repente. Procurou uma série de gravetos nas trepadeiras e os jogou no centro da rocha, próximo à espada.

Seguiu-se um silêncio reconfortante. Os últimos raios de Sol tocavam a superfície rochosa. Lá embaixo, toda a fauna se preparava para o início definitivo da época mais fria do ano. Morte Agonizante estava curioso para ver o que o homem faria. Deu um passo atrás assim que ele se aproximou do objeto cortante e aguardou. A criatura reuniu pequenas folhas de tamanhos variados e raspou as braçadeiras na espada. A chama veio tímida, mas logo evoluiu para uma labareda distinta.

— Assim vão saber que ainda estou vivo. – Encolheu-se. — Eu devia ter matado aquele alce quando tive a chance. Sabe, eu prefiro deixar a natureza em paz, ter uma boa convivência e… Bem, deixa pra lá. Nunca fui um guerreiro mesmo. Sou um simples coletor de frutas.  

Precisava mesmo desabafar. E fez isso pelo resto da noite.

Lá estava ele envolto em seus grunhidos, tremendo no frio ao redor da fogueira. Aquela criatura era muito interessante. Nunca havia deixado uma presa tão à vontade. Ergueu as patas, recolheu as asas e entrou na caverna, balançando a cauda gigante em aviso. Deu duas voltas em torno de si. Lá fora, o homem cozinhava um pequeno espetinho de frutas.

 

II.

No meio da noite, o fogo se extinguiu. A tempestade sólida encobriu por completo seu acampamento improvisado, incluindo a pesada (e agora inútil) espada gigante de aço polido. Se não fosse pela exigência logística, teria preferido o bom e velho capote de couro, cheio de bolsos e muita lã.  

Estava frio, terrivelmente frio. Teria de se arriscar uma vez mais, afinal, havia uma fonte de calor às suas costas, dormindo em sono profundo. Livrou-se do excesso de peso, atendeu o chamado da natureza e, na ponta dos pés, aproximou-se da entidade destrutiva. O calor era mais suportável enquanto o monstro dormia. Parecia desvanecer ao toque.

Já que estava ali mesmo, tentaria arrancar-lhe uma escama arco-íris – um presente, caso um dia encontrasse sua filha. Tirou a luva da mão direita. Estava disposto a se queimar. Fechou os olhos.

Assim que os abriu, sua mão tocava diretamente a pele da fera, enquanto as partes incandescentes recuavam em harmonia, como um enxame em consciência coletiva. Em dúvida, correu a mão alguns centímetros. Naquele instante, as pálpebras do monstro subiram. O homem congelou.

 

III.

Aquilo nunca havia lhe acontecido. Desconhecia o fato de que sua incandescência pudesse ser “desligada” em algumas partes, mas também, a maioria preferia atacá-lo primeiro em vez de se aproximar cautelosamente. Sentiu uma vontade imensa de chicoteá-lo até o penhasco, mas sua curiosidade falou mais alto. Cheirou o homem. Não havia nada de diferente em sua estrutura biológica. Deixou que o tocasse outra vez. As flamas recuaram. Que sensação agradável era aquela? O homem decidiu retirar o capacete. Não se queimou. Perplexo, recolheu-se ao canto oposto, em total silêncio.

 

IV.

Ao raiar do Sol, Morte Agonizante abriu lentamente os olhos ao sentir uma leve coceira no estômago. A criatura dormia escorada na barreira de fogo, produzindo um som esquisito pelas narinas. Sacudiu as escamas e o lançou para o fundo, em direção aos musgos. Saiu em busca de frutas.

— Ei! Desculpe! Você vai caçar?

Ignorou os grunhidos. O homem tirou um artefato de borracha da calça e apertou o passo. A árvore frutífera logo acima era sua preferida, mesmo que os frutos sempre caíssem queimados. Desamassou as asas e as deixou abertas por um tempo.  

O homem mirou no galho mais fino e atirou a pedra. Uma boa quantidade de frutas caiu em cima do solo esbranquiçado. Aquela presa estava se saindo melhor do que imaginava. Talvez fosse uma boa ideia mantê-lo por perto.

— Acho que você merece saber. – Disse ele, mastigando uma Fruta da Montanha. — Eu vim aqui pra lhe matar.

Estava bastante ocupado apreciando uma romã selvagem, pura e fresca, como deveria ser, e aquilo não passava de um ruído esporádico.

— A tribo do sul; outra de coletores, assim como eu, disse que, se eu fizesse isso, me dariam a última localização da minha filha. Você deve tê-los irritado bastante. – Secou a boca. — Mas não quero. Você está aqui, sozinho, isolado de tudo e de todos. Somos parecidos.

Após o banquete incomum, notou que ele juntou suas coisas numa mochila feita de folhas e tentou, em vão, retirar a espada do túmulo de gelo. A noite tinha sido agressiva. Não podia deixá-lo ir embora agora que via vantagem naquela parceria. E depois daquele fenômeno estranho, olhava o pequeno ser com outros olhos. Não tinha uma boa companhia há décadas. Cheirou suas coisas. Esperava que ele entendesse.

— Já tenho uma escama como prova. – Disse ele.

O homem amarrou um cipó em seu dorso e se dirigiu à beirada. Estava curioso. Como eram inventivos! Observou-o descer uma grande sequência íngreme. Mas quando estava prestes a atingir metade da montanha, o cipó se desprendeu.  

Morte Agonizante sacudiu as cartilagens e levantou voo. Fazia tempo que não descia (da última vez, provocara um incêndio tão grande que se viu forçado a viver nas alturas). Era arriscado, mas sabia que se a criatura o tocasse, a incandescência recuaria como já havia comprovado. Deixou galhos em brasa pelo caminho, mas cumpriu seu objetivo.

No solo da floresta repleta de musgos, a ventania temporária revelou um cavaleiro em armadura prateada cavalgando um enorme dragão cinzento, uma lenda que se tornaria bem conhecida nos meses seguintes.

 

V.

O homem desceu ainda tonto e desencostou as mãos de seu corpo. Uma reação em cadeia teve início e suas asas entraram em combustão. O sopro das chamas abriu uma clareira no solo, consumindo boa parte da fauna nativa. Por sorte, ele estava embaixo. Recolocou a mão em seu pescoço.

— Pelos reis escandinavos! – O olho da criatura encobria sua alma. — O que eu faço? Se te deixar aqui, você vai botar fogo em tudo!

Vasculhou sua bolsa de frutas. Talvez, se chegasse na tribo do sul com uma lenda viva ao seu lado, o tratassem com mais respeito.

 

VI.

Quando o observador da muralha de espinhos viu uma mancha escura abrindo caminho pela mata embranquecida, imediatamente tocou os berrantes. Seus companheiros lacraram as portas de madeira e posicionaram os arqueiros.

Urrou só pra ver o que acontecia. Correram de um lado ao outro, desesperados. Aquilo tinha sido divertido, mas parou quando o homem resolveu descer, já sem armadura. Não deixou de tocá-lo um segundo, enquanto conversava com outro dos seus. Um cetro com uma joia embutida e uma máscara ancestral completavam o exótico traje da figura anciã. Esta, por sua vez, ajoelhou-se e esticou os braços em sua direção. Um zum-zum-zum interminável. Morte Agonizante não estava entendendo nada, mas assim que o homem o puxou (se fizesse aquilo de novo o devoraria), virou-se e o seguiu.

A anciã continuava em sua reverência quando uma flecha nervosa escapou das mãos do arqueiro e o atingiu na traseira. Se desvencilhou por um instante e sacudiu a cauda de fogo como um lagarto irritado, atingindo em cheio a guarnição e derrubando uma de suas torres. A criatura que o provocara jazia no chão, se contorcendo pelas chamas que não se apagavam, nem mesmo com jarros de água – uma ode a seu apelido. Aquela manhã havia começado muito bem.

Mesmo assim, seguiria o homem apenas por mais um pouco. Estava tão acostumado a ficar sozinho que era estranho ter companhia. A floresta, logo à frente, ainda se recuperava de seu último rasante. O homem o direcionou para trás da montanha. Se conseguisse mais algumas romãs selvagens, quem sabe o acompanhasse até o fim do dia.

 

VII.

A tribo do norte era formada pelos mais valentes guerreiros da região. Sua estratégia principal consistia num acampamento móvel, de guarnição desmontável. O homem não sabia (ou não queria entender), mas de tanto procurar sua filha nas terras vastas sem fim, já havia perdido a noção do tempo. Era um nômade sem tribo.

Percebeu que seu pequeno guia estava apreensivo ao avistar o castelo improvisado. Já tinha visto aquela estrutura dos céus, mas sempre mudavam de lugar. Estavam desaparecidos há anos. Não fazia ideia do que encontraria lá.

De longe, o homem avistou uma bela moça carregando uma cesta de frutas. Assoviou. Estavam bem escondidos entre árvores, no sopé da montanha. Contudo, devido ao aroma perfeito de romãs, não pôde resistir. Saiu das sombras, para total espanto dos dois. Aos seus ouvidos, os grunhidos voltaram com força total.

— Calma! Ele é meu amigo!

— Sai de perto de mim! – Gritou ela, derrubando o cesto de suas mãos.

— Só quero uma resposta, depois vou embora! Você conhece Bjorn e sua filha Sven?

— Eu sou Sven! – Disse ela, rastejando sem tirar os olhos da entidade presente.

Os batimentos cardíacos de seu pequeno amigo se aceleraram. Era um pouco irritante ter de aguentar aquela mão sempre encostada em seu dorso, mas entendia o motivo. A moça trocou a expressão de pavor por dúvida ao se levantar e desamassar o vestido azul.

— Você tem quantos anos? – Perguntou ele, abalado.

— Vinte. – Disse ela, se afastando aos poucos.

Dez anos. Estava à sua procura há tanto tempo assim? Ela ainda tinha seus olhos e suas tranças ruivas permaneciam vívidas… Quanto a ele, havia envelhecido muito. Estava irreconhecível.

— E Bjorn? – Indagou, de olhos marejados.

— Meu p… O ‘chefe da tribo’ e minha mãe… Morreram ano passado.  – Outro choque. — Ela estava muito doente. Escuta, como consegue… – Não completou a frase.

Uma garotinha de vestido amarelo surgiu correndo por entre os cipós.

— Olha, mãe! O monstro da montanha! – Gritou a pequena.

— Ingrid! Vem cá, agora! – Sven a pegou em seus braços enquanto tentava descobrir de onde conhecia aquela face sofrida. O dragão já não era tão importante.

“Ingrid; a amazona da paz”, pensou.

Morte Agonizante sentiu uma queimação em suas patas. Flechas ardentes o atingiram. Logo em seguida ouviu o ruído de tambores marchando. A tribo do norte o havia localizado em seu refúgio. O homem deixou a escama arco-íris para a menorzinha e subiu em seu lombo, enxugando o rosto com as duas mãos. Aquilo já estava se tornando cansativo.

Assim que a cavalaria atravessou a ponte, esticou as cartilagens e tomou impulso. O turbilhão derrubou os guerreiros da linha de frente. De canto de olho, viu seu companheiro sorrir. A pequeninha acenava de longe, gritando coisas incompreensíveis, enquanto sua mãe entrava nos portões seguros com ela no colo. Os filhotes conseguiam ser ainda mais barulhentos.

Estava cansado da experiência. Nunca havia sentido tanta falta de sua caverna solitária.

 

VIII.

No alto da montanha, acima de toda aquela agitação, pôde finalmente relaxar. Estava de estômago cheio. Deitou-se de lado sob a rocha úmida, aproveitando a maciez da neve derretida. Agora podia descansar em paz, já que o considerava um novo amigo, contanto que ele parasse com aquele ruído irritante. O homem não parava de falar. Devorá-lo ainda era uma opção em aberto.

— Eu tenho uma neta!

Virou-se para o outro lado.

— Você deve estar se perguntando por que não fiquei. Nem eu sei direito… Bem, agora ela tem uma família e uma filha saudável. Não quero interferir. Ela nem me reconheceu! Pelo menos, posso protegê-la daqui…  

Aproximou o focinho.

— … com sua ajuda, é claro. Falar nisso, meu nome é Lars. – Acariciou seu pescoço. — Aliás, Morte Agonizante é um apelido terrível. Você me ajudou mais do que qualquer tribo em todos esses anos… Já sei! Vou chamá-lo de “Justiça Flamejante”. Que tal?

O cansaço veio com tudo. O sono já o pegava de vez. Mas aqueles dois últimos grunhidos ditos com dedo em riste, soaram agradáveis aos seus ouvidos. Não compreendia muito bem aquela sensação, mas não era a mesma angústia de antes. Estava decidido! Manteria aquele homem por perto enquanto vivesse.

Justiça Flamejante era um dragão feliz.

 

IX.

Alguns meses depois, a lenda do Domador de Dragões se espalharia como rastro de pólvora, e Sven, ao olhar a escama pendurada no pescoço de Ingrid e lembrar-se dos olhos do visitante, finalmente compreenderia. Derreter-se-ia em lágrimas. Aquilo era uma garantia. Ela e sua filha estariam seguras até o fim dos tempos.

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18 comentários em “Justiça Flamejante (Victor O. de Faria)

  1. Leandro Soares Barreiros
    29 de março de 2019

    Dragão que causa destruição por sua natureza descobre homem que subiu a montanha para matá-lo. O objetivo do homem é ser recompensado com informações sobre o paradeiro de sua filha. Ambos acabam se entendendo e, por motivos distintos, rumam em busca da menina. Ao final, o dragão é capaz de controlar sua destruição por conta da companhia do homem. Por sua vez, o homem encontra sua filha e decide ficar com o dragão para que possa protegê-la de qualquer mal.

    Olá, autor.
    Tive a impressão do conto funcionar como uma espécie de história “buddy cop”, sendo bem competente neste sentido.

    A motivação dos personagens, contudo, me pareceu meio sem nexo.

    Não entendi como um coletor de frutas, sem afinidade com batalhas, acredita que pode subir uma montanha e matar um dragão gigante, por exemplo.

    Fazendo uma leitura de frase por frase, algumas construções me incomodaram um pouco, talvez uma reconstrução das mesmas ajudasse um pouco no fluxo da história. A que mais estranhei está no início:

    1″Suas asas incandescentes cor de fogo o impediam de manter contato com qualquer criatura viva, incluindo a floresta ao seu redor.”
    x
    2″Talvez por sua face acinzentada cheia de espinhos causar certa repulsa, ninguém se atrevia a adentrar seus domínios. ”

    Você já havia estabelecido um motivo bem claro para ninguém querer se aproximar do dragão impediam o contato com qualquer criatura… Não faz sentido apresentar a descrição de sua face, então, como motivo de ninguém adentrar seus domínios.

    “Toda” a procura pela filha e as interações com as tribos ficou corrida demais, tendo uma grande – e prejudicial-diferença no ritmo da história no início, quando o “cavaleiro” sobe a montanha e no restante. Aliás, o encontro entre o cavaleiro e Sven ficou bastante… Bem, inverossímil, sendo ela a primeira moça com quem o homem cruzou. Talvez isso tenha acontecido por conta do limite de palavras, mas acabou enfraquecendo a narrativa.

    “Falar nisso, meu nome é Lars”

    Acho que faltou o “por”.

    No que diz respeito a qualidade, acho que a maior força do conto está mesmo na relação entre Lars e o dragão, que gradativamente aceita a companhia do homem. O texto, em alguma medida, pode funcionar como uma metáfora para a solidão autodestrutiva e a importância de um alguém para combatê-la. Mas a pressa na história acabou diminuindo muito o impacto dela em mim. Especialmente após o início. Recebe, de mim, 3 o um anéis.

  2. Priscila Pereira
    26 de março de 2019

    Justiça Flamejante (Gerd)

    Sinopse: Um dragão incandescente vivia solitário no alto de uma montanha, se sentia aborrecido e triste. Um dia um visitante apareceu. Um homem que estava a procura de sua filha que havia sido raptada por outra tribo. Ele iria matar o dragão, mas não conseguiu. Se afeiçoou a ele e o dragão descobriu que quando o homem o tocava sua incandescência sumia. Começou então uma amizade entre os dois. O dragão o levou até sua filha que já era uma moça. Os dois passaram a viver juntos e se tornaram uma lenda.

    Olá autor!

    Eu gostei muito do seu conto, muito fofo!! Amei o Dragão! Você conseguiu dar uma personalidade marcante para ele. Mostrar que ele não entendia o homem mas se interessava pela companhia foi muito legal. Dividir o conto em capítulos ficou muito bom. A história é bem sólida, os personagens foram muito bem construídos, a escrita é fluida e interessante. Gostei de tudo! Parabéns! Boa sorte no desafio!

  3. RenataRothstein
    26 de março de 2019

    Conto que narra a estranha amizade nascida entre um dragão malvado (que não era mau, apenas solitário e incompreendido ), e um homem sofrido, que de mercenário disposto a acabar com a vida do dragão torna-se seu grande companheiro.
    O tema não é inédito, mas o conto é belíssimo, sensível, extremamente bem escrito – e acho que sei quem escreveu – e está mais uma vez de infinitos parabéns.
    Maravilhoso!

  4. Fheluany Nogueira
    20 de março de 2019

    Um dragão vive na montanha, temido por todos. Um homem vem até ele para matá-lo, mas, mesmo sem haver comunicação verbal, vai nascendo uma amizade entre eles. O animal acaba por salvar a vida do homem e ajudá-lo a encontrar a filha perdida. Os dois passam a viver juntos. Gostei da troca dos nomes do dragão, deu mais emoção à narrativa, assim como a filha perceber tudo que acontecida. O surgimento de uma lenda sobre os dois foi um bom recurso.

    É um texto criativo sobre solidão, cujo ponto alto é a técnica; e, inclusive a estranheza dos acontecimentos, narrados num contexto de contos-de-fadas, fez com que esse conto se destacasse. A introdução cria uma atmosfera excelente e a aventura que se segue é interessante, mesmo com o final previsível e certo tom didático. Vocabulário rico, estilo bem atado ao conteúdo.

    Dicas gramaticais: à passos (sem crase); me dariam (dar-me-iam ou dariam a mim); Se desvencilhou – não iniciar frase com pronome átono: Desvencilhou-se.

    Parabéns pelo bom trabalho. Bom desafio. Um abraço.

  5. Jorge Santos
    17 de março de 2019

    Resumo: homem com armadura e espada vai até à toca de um dragão com a intenção de o matar e assim provar a sua valentia.
    Achei o conto com pouco ritmo e pouca coerência. Como o tema dos dragões é muito usado, pareceu um conto com pouca criatividade. Ao nível linguístico encontrei alguma fragilidade. Um ponto que gostaria de evidenciar é o facto de Sven ser um nome masculino. Este tipo de erros tem de ser revisto para não estragar o conto.

  6. Pedro Paulo
    17 de março de 2019

    RESUMO: Um homem procura pela sua filha, levada pela esposa que o abandonou quando foi submetido por uma tribo seminômade. Decidiu que matar o dragão Morte Agonizante traria o respeito necessário para que recuperasse a família. Surpreendentemente, faz amizade com o dragão, descobrindo até ser capaz de anular a incandescência das asas da criatura. Dragão e homem descem a montanha e conquistam as simpatias da tribo do sul. Só dez anos depois o homem reencontra sua filha, mas ela não o reconhece e, inclusive, tem uma filha ela mesma. Deixando um presente para a neta, homem e dragão voltam à caverna, onde a besta cuspidora de fogo é rebatizada e os amigos selam um eterno companheirismo que depois se transformará em lenda.

    CONTO: Um conto de fantasia caloroso, trazendo uma história sobre uma amizade improvável. A construção dessa amizade é o fio condutor do enredo, em que o autor fez bem em adotar as duas perspectivas, do dragão e do homem, assim deixando claro como as percepções de ambos eram diferentes, mas, complementares: os dois em angústia, na chance de se reabilitarem. É uma aliança envolvente e interessantemente crível numa história em que dragões existem.

    O que devo criticar é a motivação do homem que, embora “legítima”, não tem tanto impacto quanto deveria. Nesse sentido, penso que a cena do reencontro com a filha foi um pouco vazia e que mesmo a descoberta da neta não provocou muita emoção. O que eu sugeriria é que de alguma maneira diminuísse a dificuldade de entendimento entre dragão e homem. Durante a leitura, a arrogância de Morte Agonizante constitui um ponto que representa a visão do personagem e que também entretém o leitor com um pouco de humor. Um pouco dessa arrogância também pôde ser vista no momento em que Sven é encontrada, e acho que ali ficou deslocada, anticlimática. Se o dragão tivesse se compadecido com o homem, deixaria a cena mais grave, mas pareceu vazia, principalmente com o ataque que sucede, interrompendo o que poderia ter sido a catarse do enredo. Claro que o dragão pode sim ser arrogante o tempo todo. Acima eu só escrevi uma sugestão de como o pivô da história poderia ter surtido mais efeito. Para além disso, no começo tem um “à passos”, sendo que a crase não é utilizável nessa forma.

    De todo modo, é ainda um bom conto de fantasia. Boa sorte!

  7. MARIANA CAROLO SENANDES
    10 de março de 2019

    Resumo: A amizade entre um homem que busca resgatar a sua família e um dragão isolado em uma montanha. O começo de uma lenda.

    Eu não gosto do gênero fantasia. Normalmente é empolado, bom, chato. Mas esse conto venceu a minha má vontade inicial, estava entusiasmada no final da leitura. Em vez de longas descrições cheias de adjetivos, ação. Um herói que ganha o dragão com a sua humanidade (Lembrei de uma dessas histórias de face, que o pai foi jogar rpg com as filhas e elas dominaram a matilha de lobos de uma forma bem parecida). Colocar a perspectiva do dragão foi uma boa sacada também. O final teve aquela ponta de tristeza, mas que combina bastante com o gênero. Foi um excelente conto. Parabéns e boa sorte no desafio.

  8. Luis Guilherme Banzi Florido
    6 de março de 2019

    Boa tarrrde! Tudo em paz por aí?

    Resumo: dragão solitário, temido por todos, recebe a visita inesperada de homem atrapalhado que tem como objetivo mata-lo para recuperar sua filha. Porém, a dupla improvável se apega, e homem e dragão visitam vilarejo e encontram a filha e a neta do homem. Ao fim, uma bela amizade se forma entre os dois.

    Comentário:

    Cara, seu conto é bem bonito e tem uma mensagem cativante! Gostei.

    A escrita é segura e impecável, a leitura também é fácil e agradável. Nem percebi o passar do conto, e quando vi já acabada.

    O enredo é simples e sem grandes reviravoltas ou clímax, porém cumpre seu papel. Apesar de bastante previsível, o desfecho é agradável, e como já disse acima, traz uma mensagem de amizade e amor bem legal.

    No fim, o amor é sempre capaz de transformar “morte agonizante” em “justiça flamejante”, não é? Rsrs

    Divagações à parte, um resumo de minhas impressoes: um conto simples, bonito e bem escrito. A única ressalva que eu faria é que pela ausência de clímax ou conflito, talvez ele seja menos marcante que alguns outros de mesma qualidade que já li no certame.

    Parabéns pelo trabalho e boa sorte!

  9. Matheus Pacheco
    4 de março de 2019

    RESUMO: Um conto de Fantasia sobre a busca de um Coletor de frutas para encontrar a filha que há muito tempo foi levada dele, forçando-o a buscar uma escama de dragão para conseguir a informação, fazendo com que esse adquirisse uma amizade com a criatura e o auxiliando na busca.
    COMENTÁRIO: Que conto legal, muito parecido com “Coração de Dragão” onde o principal está totalmente desvinculado da tentativa de matar o inimigo fazendo com .
    que ambos cooperassem para um meio em comum.
    Um excelente conto e um abraço.

  10. Fernando Cyrino
    4 de março de 2019

    Olá, Gerd, você me conta a história de dois solitários, dois seres bons. Um homem incompreendido e chamado de fraco pela sua tribo. O pior de tudo é que, devido a isto, ele teve tomada a sua filha ainda na infância e sai pelo mundo à sua procura(como pode um fraco ter uma família assim, bonita?). O dragão, apesar de ser bom, é um ser – como todo dragão – bem complexo. Seu maior problema é que era flamejante. Ele exalava pelo seu casco feito de escamas de arco-íris um calor tão grande que queimava até mesmo as florestas. E a história vem me trazendo o nascer dessa amizade que vai acontecendo entre os dois. Os solitários se aproximam e o homem se prova, ou prova para o dragão, que não era nada fraco. Absolutamente, ele era bem forte e destemido. E o final da história, como todo bom conto de fadas, é feliz. Depois de ter mudado de nome, o agora dragão Justiça Flamejante, era um “dragão feliz”. Você se ajusta perfeitamente ao tema, Gerd. Traz-me uma fantasia gostosa de se ler. Usa bem o idioma. Opa, digo isto, mas não é que o seu conto não mereça uma boa revisão. Você deixou passar alguns errinhos e a sua narrativa merece que eles sejam consertados. Você, amigo, me apresenta um bom vocabulário. Confesso-lhe, Gerd, que tive um certo espanto com a mesóclise ao final do conto. Achei-a excessiva na história. Você tem uma técnica literária que se adequa ao tema. Sem grandes espalhafatos, dá conta do recado. A trama é que achei que precisa ser mais bem trabalhada. Ela tem algumas pontas meio frouxas no meu modo de ver. Um só exemplo: se o bicho era uma fonte terrível de calor, por que o guerreiro (que não era bem guerreiro) precisou acender o fogo? O impacto não foi alto. Diria que de médio para baixo. Senti falta de ser mais abraçado pela trama. Receba o meu abraço.

  11. Regina Ruth Rincon Caires
    2 de março de 2019

    Justiça Flamejante (Gerd)

    Resumo:

    Conta a história de Morte Agonizante, um dragão solitário, temido por todos e que vivia numa montanha, bem acima do bosque. Até que aparece (Lars) um homem com armadura pesada, também solitário que, sem medo, passou a conviver com a criatura. O dragão, por inúmeras vezes, pensou em engoli-lo numa bocada só, mas sempre achava uma “desculpa” e o deixava viver. E a afeição foi crescendo. Enfim, o dragão acabou chegando ao bosque, o homem encontrou a filha, a neta, e… que lindeza… a lenda do Domador de Dragões.

    Comentário:

    O que dizer de uma maravilha desta?! Texto primoroso, fluente, salpicado não só de fantasia, mas de encantamento, de porções de “pirlimpimpim”, de amor, de sentimentos, de reflexão. O autor abusou da criatividade, construiu uma narrativa suave, soube costurar uma história coordenada, com descrições tão perfeitas que levam o leitor a sentir o frio intenso da neve e o queimar das chamas do dragão. Não me fez chorar, mas fiquei muito tocada. Conto perfeito!

    Parabéns pelo trabalho, boa sorte no desafio!

    Abraços…

    Ah! Como eu gostaria de ter escrito este texto!!!!!!! Uma lindeza…

  12. Gustavo Araujo
    2 de março de 2019

    Resumo: A improvável amizade entre um guerreiro e um dragão chamado “Morte Agonizante”. O guerreiro chega até o dragão com a missão de matar a criatura para que possa reaver sua filha, sequestrada por uma tribo distante. O dragão, incapaz de compreender o homem, se afeiçoa a ele. O homem desiste de matar o dragão e juntos partem atrás da menina, que agora é uma moça e até possui um filho. No fim, o homem decide que o dragão deve ser chamado “Justiça Flamejante”.

    Impressões: Gostei bastante deste conto. A construção paulatina da amizade entre o homem e o dragão foi o destaque, já que na maioria das vezes esse tipo de relação é contada de forma açodada e artificial. Aqui, percebe-se a conquista da confiança de um pelo outro a cada situação, a cada episódio. A isso se some o fato de que eles não falam o idioma do outro, tendo que se basear nos atos para estabelecer os laços. Também gostei do modo como o homem age, das descrições de seus atos, de sua natureza conformada, resignada e, ao mesmo tempo, perseverante: está cansado, mas mesmo assim parte em busca da filha, não desiste. A ambientação é outro destaque na minha opinião, especialmente porque não se sabe — nem os personagens sabem — onde se está, em que época se está, quanto tempo se passou entre os eventos. Isso ajuda a criar uma atmosfera onírica bastante atraente. Dá para se afeiçoar aos personagens facilmente, compreender seus atos, estabelecer um paralelo com eles. É, definitivamente, algo que me atrai.

    Quando o homem obtém o que procura, quando encontra a filha, simplesmente resolve descansar, deixando que ela siga seu destino mesmo desconhecendo quem ele é. Foi uma ótima saída para o conto, que dessa forma fugiu aos arroubos histéricos e forçados que contaminam a literatura de fantasia. Aliás, penso que este conto é muito mais do que mera fantasia, pois os personagens são essencial e verdadeiramente humanos, o que inclui o dragão.

    Por fim, para que não pareça que só falei de flores, digo que o último parágrafo é totalmente dispensável. O foco é no dragão e no homem. A filha ficou no passado e lá deve permanecer. Falar dela nesse ponto fez com que o conto resvalasse para a pieguice. Desnecessário.

    Em todo caso, é um excelente trabalho e minha impressão final é de que se trata de um dos melhores do certame. Parabéns.

  13. Tiago Volpato
    1 de março de 2019

    Resumão

    Um homem armadurado se aproxima de um dragão. Ele começa a falar como uma matraca, sobre a vida e etc e jura o dragão de morte, o dragão não entende patavinas. O negócio é que se ele matar o dragão a galera da tribo diz onde a filha dele pode estar. Ele não mata o dragão, acha a filha da mesma forma, mas decide morar com o dragão. No fim sua lenda se espalhou por todo o reino com o filme: “como treinar o seu dragão”

    Considerações

    Ótimo conto. Uma bonita história de amizade inter espécies (desculpe parecer um babacão aqui, mas dá pra rolar uma parte 2 quando o tema for erótismo, hein… hahahaha. Não!). O texto está escrito de forma magistral, não percebi erros, só no inicio “Suas asas incandescentes cor de fogo” achei um pouco redundante, dava pra tirar o cor de fogo sem prejuízo. Enfim…
    Não tem muita coisa pra criticar, o conto é realmente muito bom. A única coisa que não me agradou muito foi o enredo, quando eu comecei a ler parecia que já tinha lido antes. Não tem muita novidade aqui, mas o conto é ótimo.

  14. Givago Domingues Thimoti
    28 de fevereiro de 2019

    Justiça Flamejante
    Caro(a) autor(a),

    Desejo, primeiramente, uma boa primeira rodada da Liga Entrecontos a você! Ao participar de um desafio como esse, é necessária muita coragem, já que receberá alguns tapas ardidos. Por isso, meus parabéns!

    Meu objetivo ao fazer o comentário de teu conto é fundamentar minha nota, além de apontar pontos nos quais precisam ser trabalhados, para melhorar sua escrita. Por isso, tentarei ser o mais claro possível.

    Obviamente, peço desculpas de forma maneira antecipada por quaisquer criticas que lhe pareçam exageradas ou descabidas de fundamento. Nessa avaliação, expresso somente minha opinião de um leitor/escritor iniciante, tentando melhorar, assim como você.

    PS:Meus apontamentos no quesito “gramática” podem estar errados, considerando que também não sou um expert na área.
    RESUMO: Justiça Flamejante conta a história de um pai que parte em busca de sua filha, com o auxilio de um perigoso dragão que vive isolado numa caverna.

    IMPRESSÃO PESSOAL: Esse é um daqueles contos fofos, que arrancam suspiros e elogios de alguns leitores e criticas e, porque não dizer, desprezo de outros. É um tiro seguro, vamos dizer assim. Particularmente, faço parte do primeiro grupo, já que eu mesmo escrevi por um bom tempo contos com essa pegada mais sensível, com uma certa dose “melosa”
    Gostei, achei que foi uma leitura prazerosa, com uma escrita que prende a atenção o leitor com uma narrativa leve e técnica simples, porém, bonita e talentosa. Valeu a leitura!

    ENREDO: O enredo é bom, redondinho, com um desenvolvimento bem conduzido e uma conclusão esperada, muito bem escrita.
    O que mais se destaca nesse conto, ao meu ver, é a relação entre o protagonista e o dragão. Sempre interessante ver como o homem consegue criar uma relação amigável com os animais, mesmo os fantasiosos.
    GRAMÁTICA: Não encontrei nenhum erro gramatical.
    PONTOS POSITIVOS
    • Um conto fofo de qualidade.
    • Enredo muito bem desenvolvido, com uma técnica bastante singela.
    PONTOS NEGATIVOS
    • O conto possui uma dose de clichê. Não é algo necessariamente ruim, já que a percepção varia de leitor para leitor. Gosto de clichês, principalmente quando são bem feitos e ousam em quebrar algum parâmetro. Senti falta desse algo a mais, que torna o conto diferente.
    • Por falta dessa ousadia, achei o final um pouco previsível. Ainda assim, a conclusão me agradou.

  15. Fabio D'Oliveira
    26 de fevereiro de 2019

    O corpo é a beleza, a forma, o mensurável, o moldável. A alma é a sensibilidade, os sentimentos, as ideias, as máscaras. O espírito é a essência, o imutável, o destino, a musa. E com esses elementos, junto com meu ego, analiso esse texto, humildemente. Não sou dono da verdade, apenas um leitor. Posso causar dor, posso causar alegria, como todo ser humano.

    – Resumo: Morte Agonizante é um dragão solitário. Vive numa caverna no alto de uma montanha. Certo dia, um humano aparece, armado e pronto para o combate. Porém, decide sentar e apreciar a vista. Aquilo era estranho, pois, de fato, era comum ser atacado por homens. Curioso, o réptil alado decide observar o humano de perto, seguindo-o quando ele vai embora. Lars, é o nome do guerreiro. Ele procura por sua filha. E simpatiza com o dragão, que o toma como amigo e companheiro de viagem. Com sua ajuda, encontra Sven, finalmente, e conhece sua neta. Deixando um presente para trás, vai embora sem revelar sua identidade, pois a menina era nova quando foi deixado para trás e, certamente, não se lembrava dele. Assim acaba a história, com o nascimento de Justiça Flamejante e seu cavaleiro dragônico.

    – Corpo: A leitura foi tranquila, sem muitos tropeços e pareceu estar tudo okey na questão ortográfica. Mas, por algum motivo que ainda não entendi, não gostei do conto. A narrativa é um pouco sem personalidade, vale ressaltar. Natural, porém, sem brilho. A organização do texto está impecável. A divisão de atos me pareceu consistente e as trocas de narrativa também. Prestou tanta atenção nisso que preocupou-se em indicar as mudanças de foco narrativo dentro de um ato com o uso do itálico. Valorizo isso. E muito. O cuidado que temos para que o conto seja o mais fácil possível para o leitor é admirável. Algo que vai contra o egoísmo, algo tão presente em nossas vidas na atualidade. Acredito que vale o conselho de procurar embelezar seu estilo, que se encontra um pouco neutro demais. Fazer algo que o diferencie, que um leitor, no futuro, possa enxergá-lo naquele texto, nem que seja um pouco. Acho isso muito bonito. Ah, evite repetir muitas ideias em períodos curtos, como relembrar que o humano é pequeno em relação ao dragão e que o fogo dele era perigoso. Isso aconteceu várias vezes e acaba empobrecendo o texto, visualmente falando, e também atrapalha a leitura, deixando-a cansativa. Ademais, nada mais!

    – Alma: É um compilado de ideias usadas à exaustão no tema escolhido. O pai que procura a filha. A criatura solitária que aprende a amar outro ser vivo. O companheirismo silencioso. O reencontro frustrante. Enfim, tudo muito comum. O diferencial, ao meu ver, é a forma como você escolheu contar a história. A relação se desenvolve de forma gradual, com a mudança de foco sendo intercalado de forma interessante e, geralmente, acertada. Ficou bem crível, para mim. Eu esperava um final semelhante, então não me impressionou muito. O fator que mais me incomodou durante a leitura foi o ato que Lars reencontrou Sven. A primeira pessoa que ele parou acabou sendo, numa incrível coincidência, sua filha. E, interrompendo a reunião no momento certo, um grupo de guerreiros aparece, provavelmente da tribo. Tudo muito bem oportuno, não acha? Essa cena não ficou muito natural. Existem milhares de maneiras de contar o reencontro e, pela sua criatividade, sei que poderia fazer bem melhor! Fora isso, não tenho mais nada a adicionar.

    – Espírito: Fantasia. E do tipo que mais estou acostumado. O elemento fantástico está em toda parte nesse conto. O maior problema dele, ao meu ver, é que não existe um fator que o destaca. É apenas mais um conto bem escrito no certame. Nenhum problema nisso, claro. Mas pode ser considerado problemático se você esperava ganhar com ele. Todo tipo de autor tem seu público. Mas para chamar bastante atenção, ficar no pódio em concursos e afins, sua escrita tem que ter certa personalidade e brilho. E nem sempre a atenção é positiva. Pode ser bem negativa. No caso, você precisa avaliar suas aspirações, apenas isso. Eu mesmo quero viver disso e estou procurando melhorar minha escrita, dar esse brilho pra ela, que ainda se encontra apagada. Quem sabe não crescemos juntos, né?

    – Conceito: Prata!

  16. Rafael Penha
    26 de fevereiro de 2019

    RESUMO: Um homem, chega até o covil de um temível dragão com a intenção de mata-lo, mas muda de ideia e tenta se relacionar com o monstro, que a princípio, cogitara devorá-lo, mas agora, passa a tolerá-lo. Os dois se tornam amigos e partem em busca da família do homem, e os encontra irreconhecíveis. Homem e dragão voltam para a caverna do dragão, onde ele é rebatizado e os dois selam para sempre sua amizade.

    COMENTÁRIO : Um conto com um ponto de vista bem original, o da fera. Mostrar o que o dragão pensa e a forma como ele interpreta os meneios do humano é uma forma interessante e original de narrar a batida história da amizade entre homem e dragão. A história segue um enredo coeso, mas apressado. A personalidade do homem e do dragão poderiam ser melhor trabalhadas, pois em alguns momentos é difícil entender qual dos dois está narrando… Uma escrita clara e direta ao ponto, que me agrada, mas careceu de um pouco mais de descrição.
    Um conto legal, mas que precisa de um polimento mais apurado na descrição e elaboração dos personagens.
    Um abraço!

  17. Antonio Stegues Batista
    24 de fevereiro de 2019

    Justiça Flamejante- conta a história de Bjorn, que tem a filha raptada por membros de outra tribo. Para saber onde ela está, ele precisa matar um dragão que vive numa caverna nas montanhas. Chegando lá, ele fica amigo do dragão e com o bicho, sai à procura da filha. Ele a encontra, mas ela não o reconhece num primeiro momento, pois haviam se passados 10 anos.

    Geralmente, nas histórias de dragões, sempre tem alguém que fica amigo dele, criança ou adulto. Nesse conto não é diferente, porém, o texto é bem escrito, com toques interessantes. Gostei da escrita, da ambientação, descrições perfeitas. A interação entre o homem e o dragão, está bem estruturada, original. As descrições dos sentimentos e pensamentos do dragão, deu um grande valor ao conto. E o enredo, com Bjorn encontrando a filha no final, a revelação de que haviam se passados 10 anos, ficou bem legal.

  18. Angelo Rodrigues
    21 de fevereiro de 2019

    Caro Gerd,

    Resumo:
    homem procura pela filha que lhe foi roubada. Em sua aventura encontra um dragão e ele, o dragão, terrível em princípio, se torna seu amigo. Os dois saem em busca da filha e a encontra, e é quando descobre que o raptor dela e sua “ex-posa” estão mortos e agora tem uma neta. Retorna ao alto da montanha e passa a viver com o dragão sabendo que com isso poderia proteger a filha numa aldeia além.

    Avaliação:
    narrativa ingênua que cumpre bem o papel a que se destinou. Uma jornada do herói simplificada.
    Não encontrei nada que dificultasse a leitura, nem mesmo erros de linguagem que travasse a compreensão.
    Um conto de cavaleiros e dragões com seus clássicos finais felizes. Cumpriu bem a determinação do autor em escrevê-lo, ainda que tenha arrastado consigo todos os clichês característicos inerentes ao tema. Não digo isso de forma ruim. Alguns temas têm em torno de si um rastro de obrigações: a espada, o fogo, o dragão domado, a donzela em perigo (que já nem era mais donzela), a reverência ao que domina a força do mal poderosa (que já nem era assim tão poderosa).
    Parabéns e boa sorte na Liga!!

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Informação

Publicado às 17 de fevereiro de 2019 por em Liga 2019 - Rodada 1, Série A e marcado .