EntreContos

Detox Literário.

Benza Deus as Amizades (Angelo Rodrigues)

Tem hora que a gente dá a maior sorte, e isso não acontece todo dia, porque a vida não é sempre assim tão boa, como quando eu tava saindo de casa e Seu Murilo passou no carrão bonito dele, um Ford Corcel 80, da melhor qualidade, e dando meia-paradinha, gritou: Sobeaê, Zacarias, que levo você pro trabalho; e eu fiquei doidinho porque ele nem parou direito, e eu tive que entrar no possante dele meio que andando, seu Murilo nunca me deu carona, sempre passava direto, sem parar, e aquela era a primeira vez, e fui logo sentando, puxando uma conversinha, lembrando dos tempos de infância, e tava contente pra caramba porque, além de economizar o-da-passagem, via que seu Murilo era gente boa, dez, mas pra meu azar, quando o carro parou no primeiro sinal vermelho, pufff-pufff-pufff, deu uma engasgada e morreu feito um tuberculoso, aos peidos, aí seu Murilo falou: Zacarias, amigão, desce e dá uma empurradinha que o possante pega, e a gente voa pro trabalho; e eu pulei pra fora do carro como um raio e empurrei o bicho, que demorou pra caramba pra pegar, só me fazendo suar bastante, então seguimos viagem direto pro Centro, mas não foi assim tão-tão diretinho não, que quando entramos na Avenida Brasil, em Coelho Neto, o possante engasgou outra vez e seu Murilo falou: Meu Deus, o que há com essa máquina maravilhosa?, tava tão boa… e disse: Por favor, Zacarias, dê uma empurradinha no possante que ele pega; e eu desci suando feito um cavalo que não tinha nem a força dum bode, e quase me caguei calça abaixo de tanta força que fiz, porque o carro tava numa subida desgraçada e, finalmente, graças ao bom Deus, o danado pegou, e a gente voltou a flanar pela Avenida Brasil, mas isso durou pouco, até o trânsito engarrafar na subida de Parada de Lucas, e o possante, pufff-pufff, engasgou e morreu, e seu Murilo nem precisou pedir porque eu sabia o que fazer, e dei logo aquela empurrada de bode, e veio gente me ajudar quando seu Murilo disse: Meu amigão Zacarias, você não aguenta esse tranco sozinho, proteja os colhões senão você pega uma hérnia nos bagos que vai te deixar brocha pro resto da vida, um aleijão-sacudo; e, por sorte, o carro pegou, então pulei dentro e corri pra verificar os bagos lá embaixo, e senti na mãozada que dei na cueca que tava tudo do mesmo tamanho, e só pensando na parceirona Nataly me olhando e me chamando de otário-sacudo, mas tava tudo no lugar, graças a Deus, e foi quando fiquei meio chateado porque seu Murilo tava sentado ao volante limpinho e sequinho-da-silva, e eu suando feito um bode velho, sovaco fedendo pra caramba, então eu falei com meus botões: Por favor, Senhor, Deus Todo Poderoso, não deixe o possante morrer novamente, que eu não aguento mais fazer força, vou acabar me cagando todo; e o carro, graças ao Santo, seguiu em frente, então eu abri a janela pra tomar uma fresca e vi que tava todo cheio de poeira, camisa cagada de graxa, calça molhada entre as pernas parecendo um mijão, sentindo que o calor tinha azedado a marmita, porque a diaba cheirava esquisito pra caramba, mas tudo bem, devia ser o ovo frito com repolho da Nataly, vamos em frente, e quando passamos pela Rodoviária Novo Rio, o desgraçado fez, pufff, e morreu, e eu, que já tava todo emporcalhado mesmo, desci correndo e dei uma empurrada fraquinha, botando os bofes pela boca, e o carro pegou novamente, e pulei dentro dele, e finalmente chegamos na Avenida Rio Branco, onde gritei: Seu Murilo, pelo Senhor Todo Poderoso, dê uma meia-paradinha que eu vou saltar; e me joguei pra fora do possante antes que ele morresse de novo, e seu Murilo gritou pra mim, que já corria lá fora: Zacarias, meu amigão, amanhã te pego novamente, te dou outra carona, porque você é dez e mora no meu coração; e eu fiquei batendo na roupa que já fedia de tanta catinga e poeira, marmita azeda, e aquele dia só ficou bom mesmo quando cheguei em casa e abracei Nataly e contei essa merda toda pra ela, e Nataly disse com aquele jeitão parceiro dela: Zacarias, você é um tremendo otário, sabia?, seu Murilo nunca valeu nada, um grande filho da puta que quando o carro tá bom não te dá carona coisa nenhuma, e agora te fez empurrar o carro dele daqui até o Centro, que isso não se repita; e eu fiquei olhando pra Nataly e disse: Nataly, querida, não queira mal seu Murilo, nós somos amigos desde criança, saiba que ele não faria isso comigo; e Nataly com seu jeito amável virou proutro lado e dormiu, e eu fiquei a noite toda pensando naquela história, e quando foi de manhã, já indo de novo pro trabalho com roupa limpinha e passada, vi seu Murilo chegando com o Corcelzão 80 dele, e quando ele passou direto, vi que ia com ele o Plínio, que é contínuo como eu lá na repartição, e fiquei olhando e achando que seu Murilo nem ligava mesmo pra mim, quando de repente o possante fez pufff-pufff-pufff e morreu, naquele mesmo sinal vermelho, e o Plínio desceu correndo pra empurrar, então eu pensei: Que sacana é mesmo seu Murilo, Nataly tinha razão, minha Nataly sempre tem razão, é melhor eu correr e pegar o busão…

O dia seguinte era sábado, que tiro pra sair com Nataly, pra tomar uma fresca, e já tava tudo arrumado prum banho na praia de Ramos, e Nataly já tinha preparado um farnel gostoso que eu tava doido pra comer enquanto tomava uma gelada com a turma da pelada, e foi quando o Plínio chegou correndo com os olhos esbugalhados e foi dizendo: Zacarias, meu chapa, pelo amor de Deus, me ajuda porque mamãe tá morrendo, a velha tá que não se aguenta, preciso que você leve a gente com seu possante num hospital; aí eu falei: Plínio, garoto bom, logo agora que eu ia levar Nataly pra pegar uma fresca na praia de Ramos?; e ele falou: Vamos, Zacarias, senão a velha morre; e meu coração, que é uma bola de algodão, me fez pegar o moleque Plínio pelo pescoço e dizer: Então vamos, garoto, porque mãe é coisa séria; e botei o coitado no meu Fusca 64 e flanamos até a humilde residência de sua mãe, um barraco feito de pau, caindo aos pedaços, ao lado de um valão fedorento pra caramba, e pegamos a velha, um molambo, um fiapo de gente já batendo no fim da vida, com seus quarenta e cinco anos, parecendo já ter morrido muitas outras vezes, e botei ela no banco de trás e o Plínio ficou ao lado dela dizendo: Mamãe, mãe, segure as pontas mamãe, fica boa, mamãe; e nesse vaivém amalucado, passei em casa e botei a Nataly de copiloto, e disse: Vamos pra onde, Nataly?, que sou um homem viril que de hospital não sabe nadinha; então Nataly falou: Toca pro Carlos Chagas que fica pertinho, em Marechal Hermes; e toquei pra lá, e o Fucão zuniu pela Avenida Brasil esburacada, e logo chegamos em Marechal Hermes e fomos tirando a velha do Fuca, e ela parecia um espetinho de churrasco de tão magrinha que era, vestida com aquele tubinho imundo com duas alças que mais parecia um pano de cachorro deitar, e arrastamos a velha pela porta adentro, então um segurança do tipo vou-te-meter-a-porrada veio logo dizendo: Aqui tem que pegar número!; e eu disse: Que numero, seu segurança?, a velha tá vai-não-vai!; então ele falou: Pega um número aê, sujeito abusado, e fica na tua; e eu olhei e tinha um monte de gente, então falei pra minha turma: Vambora, senão a velha morre; e foi quando um sujeito sem mãe gritou lá do meio do mundaréu de gente: Leva a velha pro Caju!; então perguntei pra Nataly: Nataly, que hospital que é que fica no Caju, querida?; e Nataly, com jeitão afetuoso, me deu um solavanco e disse: Caju é um cemitério, Zacarias, deixa de ser burro; e o Plínio já tava desesperado, e então falou: Toca pra Penha, pro Getúlio Vargas, que é logo ali; e eu falei pra ele: Leva a velha correndo, mas não a velha correndo, que ela tá morrendo e não pode correr, bota ela no colo; e o Plínio, coitado, outro desgraçado magriça, com a mãe dobrada em cima do ombro, saiu correndo e jogou a velha no banco de trás do Fucão, e a coitada quase nem respirava, e depois do tombo no banco respirava menos ainda, um fiapo, e o Fucão zuniu feito louco, e logo chegamos ao Getúlio Vargas, mas a gente não conseguiu entrar porque era o mês das greves e tinha que respeitar, então eu falei: E agora, Nataly, o que faremos?, a velha tá vai-não-vai, mais pra vai que pra não-vai; e a Nataly, esperta pra caramba, falou: Nem tem jeito, Zacarias, mete a velha no Souza Aguiar que fica logo ali, no Centro da Cidade; então liguei meu Fucão 64, e foi quando vi que um guarda tinha colado uma multa no vidro do carro, então Nataly falou: Zacarias, essa vida é mesmo uma merda; e eu disse: Vambora, querida, que a gente vê isso depois; e quase duas horas mais tarde imbiquei o possante na porta do Souza Aguiar e fomos enfiando a velha no hospital, e o moleque Plínio parecia um homem feito, porque levava a velha com desenvoltura no ombro, já parecendo estar nas últimas, respirando pouco, falando bobagens que ninguém entendia, revirando os olhinhos e escorrendo uma baba grossa pela boca, e veio um enfermeiro muito atencioso e disse: Senhores, o que esta senhora tem?; e sentiu o pulso da velha, e sentiu o coração da velha, e então falou: Os médicos não estão atendendo, estão numa reunião verimportant na diretoria, assim, seria conveniente que os senhores levassem a velha ao Hospital dos Servidores do Estado, que fica pertinho, na Gamboa, lá, os médicos atendê-la-ão com a máxima cortesia, tudo será resolvido, o problema dela é coração fraco; então imbicamos pra Gamboa como o homem disse, e aí, Nataly, que é muito esperta, parceirona, falou: Como é que a gente vai internar essa velha num hospital de servidores se ela nunca teve um emprego na vida, Zacarias, vive na maior miséria, isso aqui é um hospital pra parasita do Governo do Estado, meu querido, isso ainda vai dar merda, vamos pra outro lugar; aí, o Plínio, que é botafoguense doente, coitado, nunca teve bom gosto, falou: Vamos pro Rocha Maia que fica perto do meu time do coração; então eu dei um cavalo de pau no Fucão e acelerei pro Rocha Maia, mas não consegui encontrar o danado do hospital porque me perdi no caminho, e a velha babava, gemia, revirava os olhos, e Nataly, feito uma doida, botava a cabeça pra fora do Fuca tentando arrancar a multa colada no para-brisa dizendo que aquilo tava impedindo ela de ver o Pão de Açúcar e o Corcovado, então eu disse: Para com isso, querida, pelo amor de Deus, me tira dessa merda de lugar que eu já não sei o que fazer, tô perdidinho nessa terra dos bacanas, nesse oásis dos ricaços, você é meu copiloto de fé; e a velha não dizia coisa com coisa, babava, gemia, revirava os olhinhos, e Nataly lembrou que a gente tava pertinho da Gávea, onde fica o Miguel Couto, e como sou flamenguista doente, sujeito de bom gosto, achei que era uma boa ideia e imbiquei pra Gávea, e o Fucão, cansado pra caramba, deu uns peidos barulhentos quando acelerei passando uma segunda, e uma hora depois chegamos ao Miguel Couto e fomos empurrando a velha pra dentro do hospital, e sem ter quem atendesse, chegou um segurança gordo, tipo hipopótamo, que foi dizendo: Calmaê, chapinha!, aqui tem ordem, entra na fila; então fui logo dizendo: Olha o estado da velha seu segurança, ela tá morrendo que dá dó; e o Plínio, menino pacato pra caramba, já tava criando caso com o segurança obeso tipo Papai Noel, e o segurança foi empurrando a gente com a barriga pruma fila sem tamanho nem fim, e a gente não sabia mais o que fazer, e Nataly, de saco cheio, saiu do hospital querendo desgrudar a multa de trânsito do para-brisa, e toca de esfregar o vidro pra ver se o papel desgrudava, e eu fui lá e disse: Nataly, querida, pare com isso; e o Plínio começou a gritar feito doido dentro do hospital, e a velha, um caniço de bambu, quase ia mas não ia, então foi me dando um troço por dentro e eu acabei dando um bolachão no hipopótamo, foi quando juntou gente e o povo começou a dizer novamente pra velha ir pro Caju, vê se pode?, que se a gente chegou depois tinha mais era que esperar, que a velha se ferrasse porque todos ali tavam morrendo há mais tempo que ela, e vieram outros seguranças, e eu achei que iam encher a gente de sopapos, e isso era o que faltava, então eu falei pro meu pessoal: Queridos, tenham calma, vamos levar a velha pro Mário Kroëff, um hospital com nome tão bacana como esse deve atender a gente muito bem; e partimos pro Mário Kroëff, e nada de encontrar a desgraça do hospital, e eu já tava perdido quando, de repente, doido da vida, imbiquei o Fucão pra Parada de Lucas, depois pra Coelho Neto, e logo tava em Acari, num pulo tava de volta na Pavuna quase enfiando a velha de volta no barraco de pau dela quando Nataly, que é parceirona demais, falou: Zacarias, vamos pra tendinha de seu Zaqueu; e quando chegamos lá ela disse: Mete um cuscuz na velha, mete uma pamonha na velha, mete nela uma Coca-Cola que só tem açúcar, mete um caldinho de feijão, um café quente; e duma hora pra outra os olhinhos da velha foram revirando de um jeito bom e ela começou a dizer coisa com coisa, renascida, e o moleque Plínio ficou sorrindo, então Nataly falou: Essa velha tava era morrendo de fome, Zacarias; e toma outro cuscuz, toma outra pamonha, vai outra tapioca, e logo a velha pediu uma cervejinha gelada, e depois outra, e logo começou a pitar um cigarrinho, e o Plínio tava todo feliz, então a Nataly falou: Vamos todos pra praia amanhã; e não deu outra, no dia seguinte arrastei o Plínio e a velha até o carro, e logo imbicamos com meu Fucão 64 na praia de Ramos que tava numa calmaria de fazer gosto, sem onda nem nada, uma verdadeira água parada, e a velha, metida num calçolão cor-de-rosa encardido que dava dó de olhar, flutuava na marola daquele bonito mundaréu de gente, boiava leve como uma pluma, e o Plínio tava todo feliz, benza Deus as amizades.

19 comentários em “Benza Deus as Amizades (Angelo Rodrigues)

  1. Fil Felix
    30 de março de 2019

    Resumo: um protagonista meio ingênuo, pegando carona com um cara que se aproveita dele. A esposa sempre da bronca e fala pra ele abrir os olhos, mas não consegue. Em seguida é ele quem ajuda um outro colega a tentar colocar a mãe no hospital.

    Considerações: acho que é o primeiro conto de comédia que leio no desafio, bom pra fugir um pouco dos outros. Mas acho que o texto se esticou demais. E como é tudo praticamente numa tacada só, sem pausas nem muitas descrições pro leitor poder aproveitar melhor, as cenas ficaram corridas e um pouco repetitivas. Foi interessante mostrar o contraste entre as duas amizades, na primeira e na segunda situação, em como o protagonista reagiu. O final é engraçado, mas acho que poderia ter sido mais enxuto, com menos paradas do carro e menos hospitais, surtiria um efeito cômico melhor, pra não ficar manjado.

  2. Wender Lemes
    30 de março de 2019

    Resumo: Zacarias é um carioca “inocente” e de bom coração. O protagonista foge ao estereótipo do malandro e sofre a tragicomédia que é sua vida por isso. Temos a narrativa dividida entre dois relatos: no primeiro, Zacarias passa um aperto empurrando o carro de seu Murilo; no segundo, é a lamúria da mãe de Plínio que lhe faz correr a cidade inteira em seu carango. O conto transparece o abuso da boa vontade do protagonista, que não se abala por nada. Por outro lado, essa boa vontade que chega a dar raiva é uma referência sutil a todos nós, que vemos tanta coisa errada e seguimos tendo fé nas pessoas, fé nas amizades. Afinal, fé é o que nos resta.

    Técnica: imagino que alguém vá comparar esse estilo de narrativa ao de Saramago, e a pontuação realmente traz essa lembrança. A agilidade das vírgulas traz dinâmica à narração, mas isso só se manifesta de maneira positiva por causa da habilidade de quem escreveu. É preciso empenho para não deixar que as palavras se atropelem. Está de parabéns por isso.

    Conjunto da obra: são duas histórias muito bem narradas. Sim, os personagens se repetem e a temática é a mesma, mas são dois episódios distintos – e não necessariamente complementares. Essa é a única ressalva que trago, pois do restante achei a narrativa impecável.

    Parabéns e bom trabalho!

  3. rsollberg
    28 de março de 2019

    Resumo: Tudo começa com a jornada de Zacarias e seu “grande” amigo Murilo. Na segunda parte acompanhamos o protagonista e sua odisseia com o amigo Plinio, auxiliado pela incrível Nataly.

    Fala, autor!

    Imprescindível destacar que num momento em que vemos cada vez mais autores optando pelo comum, o usual, o seguro ou até aquela “velhas fórmulas de sucesso”, o presente autor optou pela coragem e ousadia, especialmente no estilo. Sendo assim, tornando-se desde já um conto memorável. Panteão reservado em grande parte para aqueles que arriscam.

    Outro ponto alto do texto é o protagonista, acompanhar o fluxo de consciência frenético do personagem é divertido e serve sobremaneira a comédia.

    Também é muito interessante pegar carona com o autor e seguir o mesmo itinerário, conhecendo quase todos os hospitais do Rio de Janeiro.

    Apesar da confusão proposital da narrativa, o conto é delicioso. Uma verdadeira homenagem a todas as amizades.

    Meu único porém é quando o autor da um pouco mais de destaque ao humor mais escatológico visual, de fácil sáida, quase para pontuar onde não há “piada”. Felizmente, esse pequeno trecho é ofuscado de forma sublime por tiradas muito mais inteligentes e espirituosas, como essas “estão numa reunião verimportant na diretoria”. Essa é outra pérola hilária “que se a gente chegou depois tinha mais era que esperar, que a velha se ferrasse porque todos ali tavam morrendo há mais tempo que ela,”

  4. Marco Aurélio Saraiva
    28 de março de 2019

    As aventuras de Zacarias, Plínio e Nataly tentando se virar com a pobreza no rio de janeiro e salvar a velha mãe de Plínio! Isso deveria ser um filme!! rs rs rs

    O conto é sensacional. Quando vi a patacona de texto grudado cheio de vírgula e sem parágrafos, pensei que ia ser uma MERDA. Sério, olhei o texto, suspirei e tive que juntar forças pra começar a ler. Mas fui lendo e lendo… e me divertindo e sorrindo… e, quando vi, acabou e eu queria mais… MUITO mais! Você tem um estilo único de contar histórias: engraçado e fluente, cheio de gírias mas, ao mesmo tempo, claro e de fácil entendimento. Foi uma leitura divertidíssima!

    Parabéns!!

  5. Jowilton Amaral da Costa
    27 de março de 2019

    O conto narra dois dias de desventuras de Zacarias, um contínuo de repartição. No primeiro dia, uma quinta-feira, vemos seu percurso até o trabalho, de carona num corcel ano 80, de seu “amigo” Murilo. No segundo dia, um sábado, acompanhamos toda a saga de Zacarias pra levar a mãe de seu amigo Plínio para o hospital.

    Gostei bastante do conto. Está muito bem escrito e é bem engraçado. A narrativa tem estilo e é feita como num fluxo de consciência, mas, tudo muito bem trabalhado, nenhuma palavra esta ali por acaso, o que mostra a habilidade do escritor. O ponto negativo talvez tenha sido o tamanho, achei que a segunda parte se alongou um pouco demais para meu gosto. A crítica social que permeia todo o conto foi muito bem colocada, sem forçar a barra ou levantar bandeiras. Enfim, um ótimo conto. Boa sorte no desafio.

  6. Daniel Reis
    26 de março de 2019

    BREVE RESUMO: Comédia – uma das poucas, note-se, dessa série B, conta a história de Zacarias, que narra quase sem respirar a sua história desde que consegue carona com seu Murilo – mas que é para empurrar o carro dele – para ir ao trabalho. Depois, conta a Nataly o seu dia, e que o Plínio caiu no mesmo conto que ele. Mas, no sábado, o mesmo Plínio pediu carona para ele (que ia de busão ontem?) para levar a mãe no hospital, e eles fazem um périplo pelos hospitais do Rio e Baixada Fluminense, sendo que no final a velha fica melhor e ele acabam no Piscinão de Ramos.
    PREMISSA: o cotidiano do subúrbio carioca e os perrengues de quem vive ali – desde o carro velho até a dificuldade em conseguir um hospital. Seria mais engraçado se não fosse trágico.
    TÉCNICA: o autor optou por utilizar a narrativa em primeira pessoa e uma linguagem naturalista, o que deu um bom toque de autenticidade à história. Só aponto que a história em si, apesar das peripécias, não é exatamente hilariante, mas pitoresca. E que, num primeiro momento, parecia que o Zacarias não tinha carro, mas ele tinha um Fusca. Duas histórias coladas?
    EFEITO: no geral, foi um bom conto, e também está entre os meus favoritos para acesso à Série A. Parabéns.

  7. Catarina Cunha
    12 de março de 2019

    O que entendi: Um cara gente boa ganha uma carona do amigão de infância que nunca ofereceu antes. Depois descobre que a gentileza era só para empurrar o banheirão todo ferrado. Em outro momento um outro amigo pede carona no seu fuscão para levar a mãe doente no hospital. A família faz uma romaria por quase todos os hospitais públicos da cidade sem conseguir atendimento. Desistem, levam a velha pro boteco e enchem ela de comida e bebida, salvando-lhe a vida. Depois todo mundo vai curtir uma poça em Ramos.

    Técnica:De sitcom. Os eventos vão se encaixando uns nos outros de forma caótica, sem dar chance do leitor analisar os absurdos ou fugir deles. Técnica que exige perícia, muito bem executada, vale realçar.

    Criatividade: Muito boa. O que poderia ser uma crônica de um trágico cotidiano, nasceu, cresceu e se completou inédita comédia.

    Impacto: Embora não haja nenhuma sofisticação no estilo de humor, o estilo marcante me impressionou positivamente.

    Destaque: “Mete um cuscuz na velha, mete uma pamonha na velha, mete nela uma Coca-Cola que só tem açúcar, mete um caldinho de feijão, um café quente; e duma hora pra outra os olhinhos da velha foram revirando de um jeito bom e ela começou a dizer coisa com coisa, renascida,(…)”

    Sugestão: A história do carrão do Murilo ficou sem conexão com a da agonia da velha. Percebi que o (a) autor (a) quis demonstrar a diferença de uma amizade falsa de uma verdadeira, mas acho que Murilo (o vilão) poderia ser aproveitado no resto da trama, nem que fosse para atrapalhar ou empurrar o carro.

  8. Rodrigues
    10 de março de 2019

    Homem desiludido com caroneiro entra em uma saga junto com a esposa e um amigo para levar a senhora ao hospital, não encontram atendimento em local algum e resolvem comer pamonha e tomar refrigerante, isso deixa a velha feliz e ao final ela flutua como uma pluma no meio da praia de Ramos.

    Conto muito bacana, o suficiente para colocar um sorriso no rosto e um brilho no olho no final, que parece surpreender pela simplicidade, mas que na verdade está cheio de significado e regula o leitor de forma a fazer com que assista um filme do tipo Férias Frustradas só que com o Chevy Chase brasileiro e enfrentando os problemas de todos os dias sem a ajuda de ninguém do governo mas contando com a sorte de ter uns amigos tão doidos quanto ele e que tornam o dia a dia um pouco menos tenso porque no dia a dia a gente pode dar risada da nossa própria desgraça e depois trabalhar e almoçar num lugar bem barato, que costuma ter barata, mas que também é bem limpo e serve picadinho por 9 reais.

  9. Fernando Cyrino
    4 de março de 2019

    Uau, bravo! Grande conto. impecável a sua comédia. Parabéns, rindo demais aqui. Grande abraço, Fernando

  10. Evandro Furtado
    3 de março de 2019

    Uma comédia em dois atos que gira em torno de um sujeito chamado Zacarias que, primeiro, fica a empurrar o carro do tal seu Murilo, e depois roda a cidade tentando levar a mãe de Plínio pra algum hospital.

    A primeira história é fantástico. De começo, eu fiquei preocupado com a falta de períodos, então percebi que era o estilo, e isso funcionou bem demais. Deu uma dinamicidade ao texto muito interessante. Ao não permitir que o leitor respire, ele se joga na história, e fica preso, constantemente nessa história elétrica e incessante. Aí o autor resolve colocar uma segunda história, meio que separada da anterior, e dá medo. Mas, advinha? A segunda é ainda melhor. Ainda mais engraçada. Ainda mais dinâmica. A gente não vê passar, fica girando e girando que nem o Zacarias em busca de hospital. A gente ri feito bobo com os personagens carismáticos, caricatos, mas, ainda assim, verossímeis. É daqueles contos que a gente quer que não acabe, mas entende que é perfeito em sua duração. Um obra-prima, sem dúvidas.

    OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOUTSTANDING!

  11. Rubem Cabral
    25 de fevereiro de 2019

    Olá, Zacarias.

    Resumo da história: acompanhamos a rotina de Zacarias, rapaz pobre e de bom coração. A dificuldade de ir ao trabalho mesmo quando recebeu carona de Seu Murilo e, finalmente, a difícil jornada até um hospital que atendesse a mãe de seu amigo Plínio, que, afinal, estava somente fraca de fome.

    Prós: é um conto criativo, com uma estética a la Saramago ou Rubem Fonseca, com bastante crítica social e muita graça nas desgraças e apertos que passam as pessoas mais pobres.

    Contras: a mesma estética de misturar diálogos e narração em enormes parágrafos torna a leitura um tanto difícil; requer certo esforço do leitor.

    Nota: 4,5

  12. Fabio Baptista
    24 de fevereiro de 2019

    ———————–
    RESUMO
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    Zacarias recebe carona de um amigo de infância que sempre o ignorou, mas percebe que era só por interesse para empurrar o carro.
    Dias depois, num sábado, ajuda o amigo Plínio, que estava com a mãe passando mal. Depois de muitas desventuras nos hospitais da cidade, descobrem que o mal da velha era fome.

    ———————–
    ANOTAÇÕES AUXILIARES DO RESUMO DURANTE A LEITURA:
    ———————–
    O ritmo é tão frenético, e o texto tão bom, que nem parei pra anotar nada.

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    SOBRE A TÉCNICA:
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    Excelente. Imprime um ritmo alucinante com um viés delicioso de crônica. Dei risada em vários momentos.

    – e Nataly disse com aquele jeitão parceiro dela: Zacarias, você é um tremendo otário, sabia?
    >>> kkkkkkkkkkkkk

    – Zacarias, essa vida é mesmo uma merda; e eu disse: Vambora, querida, que a gente vê isso depois
    >>> kkkkkkkkkkk

    – um segurança gordo, tipo hipopótamo / obeso tipo Papai Noel
    >>> só prareclamar de alguma coisa e não acharem que estou doente: aqui caberiam metáforas melhores

    – porque todos ali tavam morrendo há mais tempo que ela
    >>> essa foi ótima

    – e logo a velha pediu uma cervejinha gelada
    >>> kkkkkkk

    ———————–
    SOBRE A TRAMA
    ———————–
    É bem simples, um road movie suburbano. O diferencial aqui é o jeito que foi contado.
    O único porém é que não houve relação nenhuma entre a primeira e a segunda parte do conto. Aquele começo, apesar de muito bom, acabou sobrando dentro do conto. Pensei que o Seu Murilo apareceria para ajudar no caso da velha, mas não deu mais as caras.

    ———————–
    CONSIDERAÇÕES FINAIS
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    Sensacional.

    NOTA: 5

  13. Gustavo Araujo
    23 de fevereiro de 2019

    Resumo: Zacarias aceita a carona de Murilo apenas para ver-se usado para empurrar o carro que morre sem parar; depois, no fim de semana, Zacarias, junto com a namorada Nataly, dá carona Plínio e à avó dele, que está doente, em busca de uma vaga em hospital público; depois de rodar por diversos deles, desistem e dão de comer à velha, que se recupera; no dia seguinte, todos vão à praia.

    Impressões: o conto é muito bom. Tem uma linguagem fácil, de dia-a-dia, como se fosse um daqueles velhos amigos contando o que lhe aconteceu no fim de semana, inclusive os exageros e as interjeições. Essa fluidez é corroborada pelo uso intencional de parágrafos contínuos, enormes, algo parecido com o que Saramago faz. Felizmente, essa semelhança só fica no uso do recurso, já que, ao contrário do que ocorre com os textos do autor português, aqui a narrativa se apresenta muito mais amistosa e, por descompromissada, gostosa de ler.

    De fato, cenas urbanas dão ótimos contos, ainda mais quando por trás da falta de compromisso há uma crítica social embutida – no caso a falta de vagas em hospitais públicos no Rio de Janeiro em meio ao caos de suas ruas e bairros. É interessante, aliás, perceber como, em determinados momentos, nos sentimos mais do que testemunhas das dificuldades dos personagens, com a nítida impressão de estarmos juntos deles no fuscão 64, prestes a dizer “vai por ali, cacete!” Creio que uma boa comédia precisa, além de fazer rir, fazer pensar. É o que ocorre aqui. São vários os momentos que trazem o riso à boca, mormente por conta das expressões tipicamente gaiatas que Zacarias solta aqui e ali. Tudo soa verdadeiro, sem forçar a barra – chego a pensar que o autor do conto baseou-se em alguém que conhece de verdade para criar o protagonista. Enfim, um ótimo conto/crônica que, aposto, há de agradar muita gente. Chuto aqui, agora (dia 23/02 às 16h00), que a Catarina Cunha vai gostar muito deste texto, pois é a cara dela haha

    O único porém da obra é que não há muita relação entre as duas partes que a compõem, a não ser a presença de Zacarias. Creio que faltou uma ligação maior entre elas, como por exemplo, a presença de Murilo na segunda parte, talvez trazendo a pamonha para fazer a avó de Plínio se reanimar – isso demonstraria melhor que amigos são amigos mesmo que às vezes nos explorem. Tal ligação, porém, não existiu, de modo que a primeira parte me pareceu solta demais. É boa também, mas perde em interesse para a segunda, que é mais dinâmica e envolvente. Enfim, esta é apenas a impressão deste leitor rabugento e às vezes exigente demais.

    De todo modo, quero parabenizar o autor pelo ótimo trabalho e agradecer pelo empenho em nos entregar um texto deste nível. Boa sorte no desafio!

  14. Paula Giannini
    23 de fevereiro de 2019

    Olá, autor(a),
    Tudo bem?

    Resumo:
    Na tentativa de salvar a avó de um amigo, a saga pela triste realidade do hospitais públicos, no caso qui, do Rio de Janeiro. Uma tragicomédia que é o retrato do sistema público de saúde de hoje no Brasil.

    Meu Ponto de Vista:
    Escrito em primeira pessoa, com maneirismos típicos cariocas, em um ambiente muito bem situado e construído pelo autor, acompanhamos a saga do personagem protagonista por um universo muito relacionado ao Rio de Janeiro, em uma viagem por grande parte dos hospitais públicos da cidade, porém, com uma pegada universal.

    O que acontece ao personagem, sua mulher, a velha e o amigo, poderia ocorrer a qualquer outro, em outra cidade brasileira qualquer.

    Triste realidade, transformada em comédia, demonstrando o talento, a técnica e a maturidade do(a) escritor(a), capaz de trazer ao certame um trabalho forte, e, com aquilo que uma comédia tem de melhor, o fato de fazer o leitor rir de suas próprias mazelas, com personagens fortões, que sofrem a ação dos fatos de modo inocente, dando ainda mais credibilidade ao jogo cômico.

    O conto é muito bom, e, deixou o gosto de quero mais. Sugiro o desenvolvimento de uma novela ou romance, com esses mesmos personagens, ficaria incrível.

    Parabéns pelo ótimo trabalho.
    Sorte no desafio.
    Beijos
    Paula Giannini

  15. Victor O. de Faria
    22 de fevereiro de 2019

    RATO (Resumo, Adequação, Texto, Ordenação)
    R: Interrompemos nossa programação para trazer o triste comunicado de que o “fôlego” faleceu há quinze minutos. Embora os médicos tivessem tentado reanimá-lo com uma breve folga entre as palpitações, não foi possível fazer mais por sua entidade. Enfim, vamos lá: um carinha esperto da periferia pega carona (com um velho amigo) num carango caindo aos pedaços. Logo se arrepende, pois à cada esquina vê-se obrigado a empurrar a relíquia. Ao fim do dia relata suas peripécias à sua companheira, que rebate a história dizendo que o trouxa é ele. No outro dia, outro amigo passa pelo mesmo. Logo depois sua mãe fica “doente” e o protagonista é novamente arrastado para o espiral de m… problemas. Então temos uma sucessão de idas e vindas ao estilo “Um morto muito louco”, com um Fusca sendo o personagem de maior destaque. No fim, tudo acaba em pizza. E praia.
    A: Traz um cotidiano bem-humorado, num conto que mais parece uma crônica. Me perdi um bocado nas localizações, mas o contexto trabalhou bem a questão de cenários. O mérito está na ousadia de trazer a cultura brasileira num texto de fluxo de pensamentos. – 5,0
    T: Entendo que se trata de estilo, mas o texto é MUITO cansativo. O que o salva é o bom humor nas linhas e entrelinhas, bem como o final abrasileirado. – 3,0
    O: A estrutura poderia continuar do jeito que está, mas com mais espaçamentos. Um só é pouquíssimo. Leio com várias telas abertas e me perdi várias vezes. Com mais parágrafos, poderia dizer “ah, estou aqui no terceiro”. Como disse antes, o conjunto tem muita personalidade, mas a forma atrapalhou maior compreensão. Tem quem goste. Infelizmente, não é o meu caso. – 3,0
    [3,6]

  16. Leo Jardim
    22 de fevereiro de 2019

    🗒 Resumo: um morador da periferia conta suas desventuras: primeiro um vizinho que dá carona em troca de empurrões no carro velho e a segunda da busca, pela cidade, por um hospital que atendesse uma vizinha doente, que, por fim, só precisava mesmo de comida.

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): um relato divertido, como se o narrador falasse sem pensar. Gostei das histórias contadas, mas achei que a primeira (do carro que pifava) acabou sobrando na trama. Geralmente diz-se que, em um conto, todas as cenas devem servir à trama.

    Não cheguei a perceber qual a utilidade da primeira parte para aquela que acabou se mostrando a trama principal: da vizinha doente e o tour desesperado pelos hospitais públicos da cidade. Só como exemplo, se o carro do Seu Murilo acabasse sendo usado para levar a senhora nos hospitais, as tramas se conectariam (e teríamos mais situações engraçadas tendo que empurrar o carro). Tão separada, da forma que ficou, me pareceu que sobrou, como se fossem dois contos distintos com o mesmo narrador.

    📝 Técnica (⭐⭐▫▫▫): o texto inteiro é escrito com frases muito longas. O autor optou por não utilizar ponto para separar as frases, preferindo vírgulas e ponto-e-vírgulas. Não sei se foi intencional ou é a forma de escrever do autor, mas em algumas situações isso é erro ortográfico e, mais importante, deixa o texto difícil de ler. Cansativo até. Separei dois exemplos no início do texto:

    ▪ Tem hora que a gente dá a maior sorte, e isso não acontece todo dia, porque a vida não é sempre assim tão boa *ponto* Como quando eu tava saindo de casa e Seu Murilo passou no carrão bonito dele (a primeira frase é enorme, precisa de um ponto pro leitor descansar)

    ▪ (…) eu tive que entrar no possante dele meio que andando *ponto* Seu Murilo nunca me deu carona (aqui é um erro mesmo, já que são duas frases com ideias diferentes, logo precisam ser separadas por ponto)

    Além de economizar menos no uso do ponto para separar as frases, recomendo separar algumas partes do texto em parágrafos, para deixar o texto ainda mais agradável de ler.

    Sua forma de escrever é legal, continue assim. Mas dá pra usar a linguagem das ruas sem infringir as regras da língua nem matar o leitor sufocado 🙂

    🎯 Tema (⭐⭐): comédia [✔]

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): os personagens seguem um padrão estabelecido da periferia carioca, mas as situações são criativas.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): qdo me acostumei com a forma do autor escrever, consegui curtir os causos divertidos que o narrador precisou passar. Gostei também da crítica social e aos hospitais públicos, não ficou forçada nem panfletária. Enfim, não dei nenhuma gargalhada, mas o conto me divertiu.

  17. angst447
    20 de fevereiro de 2019

    RESUMO: Zacarias é um homem humilde, casado e que pega carona com um sujeito que só quer que ele empurre o carro. No sábado, Plínio, um contínuo lá do trabalho de Zacarias, aparece desesperado pedindo ajuda para levar sua mãe ao hospital. A aventura começa, uma longa jornada de ida e volta em um fusquinha. Não encontram um só hospital que possa atender a mulher, então resolvem voltar. Quando descobrem que, afinal, o mal da senhora era fome. Restabelecida, foram todos para a praia de Ramos, aproveitar a vida.

    AVALIAÇÃO: Comédia narrada em ritmo alucinante. Discurso quase ininterrupto, apresentando pontuação bastante singular. Não encontrei erros que mereçam apontamento. O enredo, apesar do objetivo de fazer o leitor rir, também provoca uma certa agonia, pois retrata o drama de muitos brasileiros. Enfim, o(a) autor(a) sabe trabalhar com as palavras e cria imagens muito pertinentes com a ideia que pretende passar. A leitura flui fácil e pode ser classificada como algo entre aflitivo e divertido, com um final que, para mim, pareceu feliz.
    Vejo você na próxima rodada. Boa sorte!

  18. Davenir da Silveira Viganon
    20 de fevereiro de 2019

    Benza Deus as Amizades (Zacarias):
    – Zacarias conseguiu carona de Plínio, mas teve de empurrar seu carro até o Centro. No outro dia, Sábado, Plínio pediu ajuda para Zacarias para levar sua mãe ao hospital e sua zelosa esposa Nataly acompanhou os três que procuraram hospital em toda a cidade do Rio de Janeiro até que descobriram que o problema dela era fome. No fim, foram passear todos juntos.
    – Conto definitivamente de Comédia. A parte que me fez rir é a descoberta do problema da velha, achei bem engraçado. O resto me deixou com um sorriso. O que não aprecio é a escrita tipo “Saramago” que realmente não me desce. E olha que já tentei ler mais de um livro do cara. Aqui, consegui aproveitar bem, não sei explicar se foi o texto leve ou se foi a correria para os hospitais do Rio. Gostei bastante!

  19. Ricardo Gnecco Falco
    19 de fevereiro de 2019

    Olá Zacarias; tudo bem? 😉

    Como os hospitais visitados por seus personagens, o seu conto é o quinto trabalho que eu estou lendo e avaliando (tô seguindo a ordem). Não sei se o motivo foi esse, mas a (falta) de pontos no texto trouxe exatamente a falta de fôlego vivenciada pelos seus personagens. Gostei bastante dessa pegada “Hilda Hilst” da escrita; tudo a ver com o drama apresentado em sua história.

    COMENTÁRIOS GERAIS: Por falar nisso, a ideia de contar este drama de forma cômica também me atraiu bastante. A cada risada que dava, um sentimento incômodo de culpa a acompanhava. Isso ficou bem marcante e, por isso, creio que tenha sido intencional. Me vi diante de uma crítica social onde o sarcasmo e a ironia se mostraram como armas, “convidando” o leitor a uma reflexão a respeito do abismo existente entre a periferia e os “oásis” dos bairros mais abastados. Muito interessante esta dialética tão explícita quanto implícita, permeando todo o texto. E, num Desafio Temático onde a outra opção é a ‘fantasia’, a escolha do/a autor/a ganha ainda mais peso filosófico. Aquele trabalho que a gente lê e que vai ficar guardado — quem sabe até mesmo escondido — na mente da gente por um bom tempo depois. Parabéns pela obra e boa sorte no Desafio!

    Cumprindo a regra:

    ————————————-
    RESUMO DA HISTÓRIA:
    ————————————-

    O conto narra as peripécias de personagens que moram na periferia de uma grande cidade (Rio de Janeiro), para (não)conseguirem acesso digno a direitos básicos.

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Informação

Publicado às 17 de fevereiro de 2019 por em Liga 2019 - Rodada 1, Série B e marcado .