EntreContos

Detox Literário.

A Gangorra (Sidney Muniz)

Sabe…

Quando os olhos ardem e você não chora?

Quando a boca seca e a água não molha?

Quando o coração bate e você o sente?

Quando a solidão rompe as correntes?

 

Não sei se a aspereza da areia em minhas mãos, o cheiro do sangue, ou aquele gosto de ferrugem em minha boca poderiam me dizer algo mais do que a verdade. Segurando-o em meus braços sentia o cobertor de seu corpo aquecer minha pele. Não sabia o que dizer, senão um “não me abandone” e eu disse isso. Disse com todo meu coração partido, com toda minha falta de fé e com a imensidão do meu egoísmo, mas disse.

Ainda que impedido de avistar as nuvens, naquele dia, tinha total certeza de que elas estavam lá, no céu, adornando meu caminho. Eram elas, empurrando o vento, lançando uma brisa morna sobre meu rosto. O ar se esgueirava pelas trilhas de meus cabelos, balançando-os como se fosse um milharal numa tarde qualquer e esse mesmo vento traiçoeiro chacoalhava os braços dos ipês desfloridos, provocando-os, fazendo com que uns resvalassem noutros, derrubando as últimas folhas secas, e assim caía a primavera, quase sendo segura pelos galhos, num tom afetuoso e do mesmo modo; opaco, num tenro aperto de mãos o elo se rompeu.

Sabe…

Quando você enxerga, mas não vê?

Quando a boca se move, mas não há voz?

Quando o coração dispara e você o sente?

Quando a solidão faz ranger os dentes?

 

Enquanto caminhava naquela praça onde os ladrilhos definiam o ritmo do meu corpo, e sua tutela me cadenciava, ali eu e ele éramos somente um, ou dois uns em um. Tudo era tão simples e cotidiano, tão similar como outro dia qualquer.

Pra mim estava escuro demais, um apinhado de barulho desenhado nas cores mistas do aroma de grama se fundindo com odor de combustível que exalava pela descarga dos motores, de algo nadando em gordura quente, açúcar sendo caramelizado, e o som repetido e explosivo dos grãos de milho crescendo e saltando dentro do carrinho de pipocas.

Os cheiros sempre deram sabor para minha vida. O vento trazia tudo e levava para além do que eu sentia, se propagando e anunciando, desenhando todo aquele espaço em minha mente, contornando obstáculos fixos e móveis, seguindo, convidando mais pessoas a uma odisseia única com direito a tudo que pudesse experimentar; ah, como é bom experimentar um passo, outro passo e assim; um movimento de cada vez, como num tabuleiro de casas claras e escuras, e essa era a dança da minha vida.

Mas ele não. Dormir ao pé da cama, me ouvir roncar, me ouvir chorar, dar carinho mesmo quando eu o mandasse sair. Não importava quantas vezes eu o dizia para ir embora, ele voltava antes mesmo de se esquecer, bem antes mesmo de eu me sentir só.

Paramos ali, na verdade ele parou primeiro. Estávamos de frente ao banco onde sentava habitualmente, me aproximei com o devido cuidado. Minha mão esquerda visitou os contornos da peça de cimento, e eu senti a leve poeira impregnando na ponta dos meus dedos, os poros do material ressecado como uma lixa e os relevos do artefato me revelando mais do que um conceito de arte, eu podia imaginar a pessoa que construiu aquilo, mesmo não tendo ideia de quem fosse. Mais que isso, ao apalpar a superfície também percebi o calor em certo ponto, onde alguém esteve sentado há pouco, uma bunda grande, não, duas talvez. Entretanto, era apenas um banco de praça, era o que era, e ali as pessoas sentavam para respirar, pensar na vida, ter ideias absurdas ou simplesmente não ter ideia alguma. A maioria buscava unicamente se esquivar da crueldade do mundo real, divagar, se perder.

Sabe…

Quando você vê algo e ignora?

Quando você se diz algo que o apavora?

Quando o coração não para de bater?

Quando a solidão quer acompanhar você?

 

Eu, bem, eu gostava de estar com ele, de assistir as coisas de outro modo. E ali em frente a um pequeno parque sobre milhões de grãos de areia, onde risos infantis preenchiam todo um ambiente e eu podia descobrir os escorregadores, ouvir o vai e vem dos balanços cantando feito grilos no meu ouvido, ou até mesmo sentir a vertigem ao experimentar o som rangido do gira-gira enrolando minhas tripas. Ah, ele parecia não se importar, era ainda mais atento que eu, mas mesmo assim ele estava tão quieto e tudo girava ao nosso redor.  

Sentei-me ao lado dele. Conversar com ele me tirava do meu casulo. Talvez pudesse ser visto como louco, ou quem sabe seria apenas engraçado me observarem assim. É irônico que tantos olhos enxerguem a nossa vida, enquanto na maioria das vezes somos cegos para aquilo que está tão perto de nós, nossas vidas, nossa família, nossos corações.

Tirei os sapados para sentir a grama, me confortei ao perceber que ela ainda estava lá, mesmo com suas falhas, com sua fragilidade, com toda a falta de cuidado, lá estava ela, a massagear meus pés e aderir a seu formato quando pousava sobre seu carpete. Era maravilhosamente singelo e belo.

Nunca gostei de companhia, nunca quis uma família, mas tive uma. Criado em um orfanato, adotado por uma alguém que “eu não queria”, “abandonado” pela mesma família após um acidente de automóvel onde fui arremessado pelo para-brisa. Ainda ouço a voz dela me pedindo para colocar o “maldito” cinto de segurança. Após aquele dia entendi que a solidão era mais escura do que eu podia imaginar. Acordei e vi que tudo era diferente, queria ter morrido no acidente, eu devia ter morrido, na verdade, nunca deveria ter nascido.

 As vozes dos médicos, os sons metálicos, aquele aviso de que “vai doer só um pouco”, é só uma “picadinha”, tudo é uma pequena mentira para nos dar conforto, mas chega uma hora que a única coisa que pode-se dizer é a verdade. E eu a ouvi sem poder encarar o rosto da pessoa que foi sincera comigo. “Será assim até o fim da sua vida.” Simples assim. “Mas e depois do fim, continuará tudo escuro?” Eu só queria saber essa resposta.

 

Sabe…

Quando você não enxerga mais?

Quando você grita e ninguém responde?

Quando você para de escutar o coração?

Quando quem enxerga e escuta é solidão?

 

Passei quinze anos sozinhos até encontrá-lo. Convivemos ao todo por doze anos. Era apenas um pedaço de pelos de três meses, largado na rua. Sabe aquela coisa de amor à primeira vista? Bem, comigo é claro que não funcionou. Mas quando ele agarrou meu cadarço e não soltou mais e eu fui “obrigado” a dar um tapa nele, poxa, aquele ganido foi de doer o coração. Peguei-o no colo apenas para acariciar e soltar novamente, porém ele me lambeu e eu entendi que aquela relação não teria como dar errado.

Conhecer seu cheiro, seu hálito, seus dentes e seus odores, alimentar alguém além de mim mesmo, ter quem me amava mais do que eu. Para um homem cego e tolo como eu, não foi nada fácil ensinar-lhe as boas maneiras, pisei tanto em cocô de cachorro que achei que iria nascer um cogumelo em cada pé. Certo dia levei um escorregão no xixi do gordinho e caí de bunda no chão, quando xinguei um palavrão daqueles e o anjinho veio e saltou lambendo a minha boca, não dava para me zangar, ou melhor; não dava para me manter zangado com ele.

Ter sua língua acariciando meus pés desnudos sobre a grama, e perceber que ele adormeceu com a cabeça sobre eles e ficou lá quieto, respirando, respirando até… Ouvi as mães chamando os filhos, as vozes indo e vindo. Eu quis esperar um pouco mais, deixar a chuva ficar mais densa, não deveria ser um temporal, apenas uma chuvinha passageira, e eu queria curtir a algazarra das crianças sob as nuvens, afinal era uma visão deslumbrante, principalmente para mim que não podia vê-los.

Cochilei por alguns minutos sob a chuva. Acordei e ainda sentado, curvei-me para acaricia-lo, minha mão brincando com os pelos de sua cabeça, e o que estranhei é que suas orelhas ainda estavam deitadas, mesmo com a folia das crianças que já haviam ido embora, mesmo com a chuva escorrendo das nuvens, e mesmo com a ventania que já era mais intensa, então eu percebi que ele estava quieto demais.

“Ei garotão, você está bem?”

Perguntar isso e esperar uma resposta, olhar e não ver mais nada. Sentir os olhos arderem e não chorar, a boca seca e a água da chuva ser impossível de molhar, o coração bater tão forte e a solidão romper as nossas correntes. Eu o enxergava e não o via mais. Não havia voz. Como eu pude ter ignorado aquele silêncio.

“Ele está morto?”

Isso me apavorou. A chuva aumentou, me levantei, deixei os sapatos de lado, desabotoei a coleira, segurei a corrente nas mãos e gritei o mais alto que pude. Coloquei-o no colo e corri pedindo socorro. “Pra que lado?” Não sabia e agora era uma tempestade.

Sabe…

Quando a chuva molha seus olhos?

Quando trovões saem de sua boca?

Quando seu coração não bate mais?

Quando a solidão te grita de volta?

 

Não sei quantos metros corri, mas não foram muitos. Caímos os dois, trombei em algo de ferro, e o que me salvou foi o corpo dele, que já estava morto, e ainda assim sangrou por mim. O que eu sabia é que estava caído no parque, abraçando a areia com os dedos de minhas mãos. Meu pé doía como se tivesse dado um giro de 180 graus, talvez tenha dado mesmo. Hoje, posso dizer que foi num dos brinquedos, um balanço de cavalinho, bem do lado suspenso, na altura do meu peito. Foi fácil para quem viu o sangue no brinquedo. Fiquei caído por horas, abraçado a ele, enquanto a chuva não parava e depois mesmo dela parar.

Quando as pessoas chegaram, deve ter sido estranho para eles, verem um homem sujo de sangue abraçando um cão morto. Não me importo com o que pensaram, nem com o que pensam. Não me importo com mais nada.

 

Sabe…

Quando não se enxerga mais futuro?

Quando as palavras secam na boca?

Quando seu coração bate por bater?

Quando você se vê apenas um “eu”?

 

Perdi o equilíbrio, pois ele era a outra ponta da gangorra. A vida é assim. Sinto-me um cão sem dono, como ele, um fantasma. E agora só há uma corrente presa no ventilador, uma coleira no meu pescoço, o silêncio que grita e a solidão que insiste em me acompanhar. Após isso, quem sabe exista “eu e ele”, mas antes só queria encarar o espelho e ver meu rosto quando encontrar a resposta para seguinte pergunta:

“E depois do fim, continuará tudo escuro?”

17 comentários em “A Gangorra (Sidney Muniz)

  1. Fil Felix
    23 de dezembro de 2018

    Boa tarde! A história de um garoto que fica cego após um acidente, que adota um cachorrinho e passa anos com ele, sendo seu parceiro fiel. Até o momento em que morre, ocorre um acidente e ficam os dois no parque. Um vivo, outro morto.

    É um conto que se destaca pela sua linguagem, bastante poética. Contos assim são mais difíceis de ler, pois exigem mais atenção, principalmente no começo. Ir enxergando a trama que vai se desenvolvendo em meio aos floreios e poesia. Confesso que fui pegar mais da história do meio pro final. A primeira metade foi mais sensações, assim como pro protagonista, sentir mais e ver menos. Essa metáfora fica interessante, dando um tom e uma personalidade a mais pro texto. O final traz aquela tragédia anunciada, envolvendo a morte do bichinho. Um conto suave e muito poético.

  2. Amanda Gomez
    23 de dezembro de 2018

    A história de um homem cego e seu cão guia. O homem viveu uma vida de desesperanças, sozinho. Nunca teve ninguém, apenas abandonos, até encontrar o cão que tornou-se seu equilíbrio, a outra ponta da gangorra. Passados anos, em um dia corriqueiro de passeio de vistas negras, o cachorro morre ao seus pés sem que se de conta disso. O desespero e a tristeza de um futuro escuro com sozinho faz com que o homem se feche novamente em seu mundo vazio.

    Olá!

    Que conto, heim? Deslumbrante definiria bem a sua escrita, muito precioso, uma poesia, uma canção. Gostei muito da forma como você escreveu essa história, o enredo simples mas regado ao lirismo e beleza da escrita dilapida de forma impar. Um conto triste, sobre uma vida triste, mas sobre amor, companheirismo e, partida, luto. Espero que possa haver mais ou, ao personagem, ele pode amar muitos Fantasmas ainda.

    Só posso lhe dá parabéns! .

  3. Fabio D'Oliveira
    23 de dezembro de 2018

    A Gangorra – Fantasma

    Nesse desafio, irei avaliar cada texto de forma cruel, expondo os defeitos sem pudor. Mas não se preocupe: serei completamente justo na hora de decidir o vencedor do embate. Meu gosto pessoal? Jogarei fora neste certame.

    – Resumo: Os últimos momentos de seu parceiro, seu melhor amigo, alguém que o amava sem esperar nada em retorno. Acompanhamos uma narrativa trágica e melancólica, enquanto o narrador sabe, mas nega, que o tempo junto com seu cão está chegando ao fim. No final, o animal era seu ponto de equilíbrio, o que o mantinha em movimento com a gangorra da vida, naquele vai e vem sem fim. No final, acaba caído no chão, com sangue, abraçado ao seu amigo. Esse é o fim.

    A escrita é perfeita, ao meu ver. Um estilo interessante e que vale a pena ser desenvolvido e aplicado com mais equilíbrio de forma geral (pende muito para a poesia, demais, até, bom mesmo é encontrar a harmonia). Se dependesse apenas disso, seria um texto nota mil. Mas não é o caso.

    Sabe quando alguém corta cebola e nós choramos? Mesmo sem vontade? É esse conto.

    O texto tem uma aura puramente melodramática. Nas primeiras frases, nota-se que a intenção do autor é fazer o leitor se emocionar. Existe a tentativa de colocar o narrador numa situação trágica, sendo um solitário, um abandonado, contando detalhes de sua infância e adolescência (quer coisa mais clichê do que fazer um pobre coitado que é órfão e sozinho no mundo?). Sem falar na cegueira, que reforça ainda mais a fragilidade dele. Para finalizar, o grande amigo, companheiro do cara, é um cachorro (quase todo mundo já perdeu um animal de estimação que era querido). Pronto, aí está um cenário perfeito para o leitor comum se emocionar. Dá até pra imaginar uma ópera, daquelas bem exageradas, com o ceguinho abraçado a um bicho de pelúcia e soltando a voz, hahaha.

    Esse drama é, de fato, bem medíocre. Muito bem escrito, mas com enredo intrinsecamente frágil e clichê. É até uma afronta para a inteligência de alguns, é como assistir “Sete Vidas” de Gabriele Muccino e saber que vai se emocionar em algum ponto por pura forçação de barra. Com a habilidade de escrita, imagino que você poderia fazer algo MUITO melhor, muito mais inteligente do que esse melodrama fraco. Sério, foi uma gangorra, no vai e vem da admiração pela escrita e decepção pelo enredo.

  4. Nathiely Feitosa
    20 de dezembro de 2018

    O conto traz uma narrativa em primeira pessoa sobre uma relação íntima e intensa entre um homem cego e o seu cachorro, em síntese.

    Ao começar a ler, confesso, e não sei se essa foi a intenção do autor, que supus se tratar de uma história entre um casal em conflito. O tom melancólico, o excesso de descrição (que eu, particularmente, gosto muito) e a sutileza na composição imagética do conto me fez, muito erroneamente, achar que se tratava de um romance. E a surpresa foi ainda melhor.
    O conto muda de perspectiva quando descobrimos que o personagem é cego; ele deixa de ser uma descrição das sensações e passa a transmitir todas elas. É intenso a forma como ele pisa na grama, se apoia no banco… a maneira como o texto inteiro está escrito é de uma sensibilidade muito própria, escritor.
    O fim é triste e comove. O que só reafirma a sua capacidade de fazer veicular, através de meras letras arranjadas, os sentimentos que você idealiza ou aqueles que te ocupam.
    Parabéns! O conto é belíssimo!

  5. Cirineu Pereira
    15 de dezembro de 2018

    Síntese

    A história de um órfão que, após acidente automobilístico, perde a visão e passa a viver sozinho. Mais tarde, o homem encontra na rua um filhote canino que adota como companheiro, até que o animal morre no parque, num acidente pouco explicado.

    Análise

    Os versos interrogativos e retóricos que abrem o texto apreendem logo a atenção do leitor. A princípio, a narrativa, que de imediato cita a morte do cachorro, sem explicitar que se trata de um cão e de um cego, intriga justamente pela omissão das peculiaridades sobre os personagens. Descobrir tais peculiaridades, até certa altura, fica a encargo do leitor que, unindo as peças, chega à conclusão antes da revelação parágrafos adiante. Em suma, estas técnicas enriquecem o conto.

    Em contrapartida, todos os sentimentos do protagonista são diretamente relatados, num tom lamurioso e apelativo. Também o recurso dos versos com os questionamentos retóricos que tão bem funcionaram na abertura do conto, ao serem repetidos ao longo de toda a narrativa se fazem supérfluos e desinteressantes Aqui, além da dramaticidade excessiva, o autor peca por tentar incutir diretamente no leitor toda a dor do protagonista, quando o mais adequado, ainda que mais desafiador, seria adicionar à narrativa elementos que levassem o leitor a inferir sobre tal dor.

  6. Leandro Soares Barreiros
    15 de dezembro de 2018

    A história aborda a tragédia de uma pessoa que perdeu um companheiro. Durante a leitura, descobrimos que a pessoa se trata de um deficiente visual e que o companheiro era um cachorro. Ora, o cão era quem dava significado para a vida do homem e, com a sua morte, o cego acaba perdendo seu próprio desejo de viver.

    Parabéns. Diante dos contos que mais gosto acabo ficando muito sem ter o que comentar. Vou tentar do mesmo jeito.

    Essa história é muito boa em apresentar uma determinada situação para o leitor e aos poucos desvelar seu verdadeiro significado. Isso tem um efeito poderosíssimo em histórias curtas e cria um desejo instigante de releitura. “Ahhh ele era cego, agora essa passagem faz sentido”, ou “nossa, é claro que era um cachorro, vendo essas passagens agora a coisa se torna ainda mais interessante”.

    Para além dos trunfos narrativos, a história é bastante cativante.

    Um dos contos mais fortes que li até o momento.. Excelente.

  7. Catarina Cunha
    14 de dezembro de 2018

    O que processei disso tudo aí: Um cara azarado: órfão perde a família adotiva em um acidente de carro e fica cego. Seu único amigo, um cão adotado, morre aos seus pés, com muito sangue, de causas misteriosas.

    Título: Interessante por causa do estado emocional do sujeito.

    Melhor imagem: “Não sei se a aspereza da areia em minhas mãos, o cheiro do sangue, ou aquele gosto de ferrugem em minha boca poderiam me dizer algo mais do que a verdade.”. Começou bem o conto, com uma boa frase de efeito. Poucos conseguem isso.

    Impacto: Menor do que eu esperava. Os poemas não me caíram bem e acho que há muita divagação no começo. Cheguei a pensar que o cara era bipolar e vivia numa gangorra emocional de divagações pessoais. Acho que o cara era triste mesmo e vivia por um fio de sanidade graças ao cachorro, o que é diferente. Uma história bonita que merece ser melhor trabalhada.

  8. Miquéias Dell'Orti
    8 de dezembro de 2018

    RESUMO

    Um homem cego conta a história de vida de um cão que se tornou seu melhor amigo. No decorrer do relato, ele nos revela como perdeu seu cão de guarda, morto durante um dia chuvoso, enquanto estavam em um parque. No fim, o homem, totalmente transtornado com a perda do amigo, decide tirar a própria vida.

    MINHA OPINIÃO

    É um conto mito tocante, e que trata de um assunto que mexe com os mais despreparados sentimentalmente: o amor entre um cão e seu dono.

    Tem passagens muito bonitas. Gostei muito de algumas boas comparações, como essa:

    “…e assim caía a primavera, quase sendo segura pelos galhos,”

    Mas acho que não ha só isso na história. A meu ver, a narrativa trata de diversos outros temas que também emocionam. Como a relação quase simbiôntica entre um cego e seu cão guia e, mais importante, do quanto nós, seres humanos, necessitamos da companhia de alguém para ser plenamente felizes.

    A solidão é o grande vilão desse conto na minha opinião. Porque sem um contraponto, sem (como o próprio texto diz) a outra ponta da gangorra, estamos fadados a cair, pois não encontraremos mais motivos para continuar.

    Um ótimo trabalho! Parabéns

  9. Ana Carolina Machado
    6 de dezembro de 2018

    Oiiii. Um conto muito tocante sobre um homem cego e o seu cachorro. Os dois estão no parque e o homem sente os sons do local. Ele lembra do acidente que o arremessou do carro e provocou a sua cegueira e reflete sobre seu estado e solidão. Pensa em como vivia sozinho até encontrar o cachorro ainda filhote pequeno. O cachorro sempre companheiro lambe seus pés e adormece em cima deles enquanto isso. Começa a chover e ele escuta as mães chamando os filhos. Fica no banco e percebe que algo está errado. No momento em que percebe que o cachorro está morto entra em desespero e na corrida para tentar buscar ajuda acaba batendo em um balanço de cavalinho, o corpo do amado cachorro acaba o salvando, mesmo que tivesse parado de respirar ainda conseguiu ajudar o amigo. No fim extremamente triste o homem reflete como o cachorro o ajudava a manter o equilibrio da gangorra emocional e pensa sobre o que viria a seguir depois do final. Esse foi um dos que mais gostei e que me emocionou, acho que é impossível ficar indiferente diante da morte do cachorro e da relação que os dois tinham. Aquelas frase em forma de verso que seguem por todo conto deixam tudo ainda mais tocante, principalmente depois que ele descobre que o animal querido está morto e elas começam a fazerem ainda mais sentido. E foi genial a questão do título, da gangorra, de como o bicho de estimação equilibrava as coisas. Cachorros são anjos que ensinam a amar e isso ficou bem claro no conto. Parabéns pela emocionante história. Abraços!

  10. Givago Domingues Thimoti
    4 de dezembro de 2018

    A GANGORRA (FANTASMA)
    Caro(a) autor(a),

    Desejo, primeiramente, uma boa Copa Entrecontos a você! Acredito que ao participar de um desafio como esse, é necessária muita coragem, já que receberá alguns tapas ardidos. Por isso, meus parabéns!

    Meu objetivo ao fazer o comentário de teu conto é fundamentar minha escolha, além de apontar pontos nos quais precisam ser trabalhados, para melhorar sua escrita. Por isso, tentarei ser o mais claro possível.

    Obviamente, peço desculpas antecipadamente por quaisquer criticas que pareçam exageradas ou descabidas de fundamento. Nessa avaliação, expresso somente minha opinião de um leitor/escritor

    PS: Meus apontamentos no quesito gramática podem estar errados, considerando que também não sou um expert na área.

    RESUMO: O conto aborda os momentos finais de um solitário homem cego com o seu companheiro fiel, o cão-guia.

    IMPRESSÃO PESSOAL: O conto tem uma carga emotiva bastante forte. Acredito que qualquer um que tenha (ou já teve) algum animal de estimação entende quão conectados ficamos com eles. O desenrolar do texto mostrou muito bem essa conexão entre cachorro e homem.

    ENREDO: A narrativa é muito bem construída, além de bastante bonita, mostrando como o cachorro era muito mais que os olhos do dono. Era a família que ele jamais pretendeu ter. Acho que o conto prende a atenção do leitor pela empatia. Todos nós sofremos, em menor ou maior grau, com a sensação de perda.

    GRAMÁTICA: Em alguns momentos, o(a) autor(a) colocou vírgulas no lugar de pontos. Além disso, escapou um erro em uma palavra. Saiu “sapados” ao invés de “sapatos”, mas ainda assim, acredito que esses meus apontamentos são apagados diante da bela narrativa.

    PONTOS POSITIVOS:
    • Enredo muito bem construído e bonito
    • O (a) autor(a) conseguiu atingir as minhas emoções

    PONTOS NEGATIVOS:
    • No início, me agradou bastante as perguntas soltas iniciadas com o “sabe”. Porém, depois do segundo ou terceiro, tive a impressão que ficou um tanto solto e repetitivo.
    • Algumas repetições travaram um tanto a leitura

  11. Ana Maria Monteiro
    28 de novembro de 2018

    Conselho: decidir entre se o que se pretende é ter mais leitores ou melhores leitores; se for mais leitores é continuar a apostar na emoção imediata, se for melhores leitores é fazê-lo (sempre há que fazê-lo), mas de forma bastante menos óbvia.
    Prémio “Derrete coração”,

  12. Antonio Stegues Batista
    27 de novembro de 2018

    A GANGORRA
    A história de alguém que tem um cão, idoso creio, sai para passear com ele e o cão tem um colapso e morre.

    A escrita é muito boa, frases rebuscadas cheias de metáforas e poesia. Acho que o que se destaca no conto, (ou seria crônica?) é a poesia, a história ficou em segundo plano. Acredito que houve excesso de poesia e pouca ação, drama, suspense e coisas que fazem um bom conto. De qualquer forma é um belo trabalho.

  13. Leo Jardim
    27 de novembro de 2018

    🗒 Resumo: um rapaz cego, órfão de pais e padastros, sofre com a morte de seu mais recente companheiro, um cachorrinho de rua, e acaba por decidindo retirar a própria vida.

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): por trás de um encadeamento não-linear de descrições e sensações, existe uma trama triste: um menino órfão e cego (não percebi, ao certo, se ele nasceu assim, ou ficou após no acidente) sofre com a morte de seu cachorrinho e decide se matar. Não é muito complexa, mas funciona bem.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐⭐): não consegui encontrar nenhum defeito para descontar um estrela. Esses contos muito poéticos, descritivos e sinestésicos podem, se exagerarem na dose, ficarem chatos e/ou confusos, mas não foi o caso deste aqui. Desde o início a trama prendeu, pois eu queria entender o que havia acontecido. As descrições, nesse caso, serviram para deixar tudo ainda mais bonito.

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): não há grandes novidades de saltar aos olhos, mas não dá pra negar que há personalidade neste conto.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): é um texto muito bonito, singelo e no qual as informações vão sendo liberadas aos poucos. É uma história triste, de um personagem triste. Mas, não sei exatamente o motivo, talvez pelo excesso de descrições, não cheguei a me apegar muito ao personagem para sentir de verdade a sua perda no fim. A morte do cachorro, uma coisa que sempre nos afeta, não chegou a ser muito forte, pois foi adiantada no início. Enfim, faltou alguma coisinha para ser um texto emocionante para mim. Apesar disso, é um ótimo texto com um bom impacto.

  14. Evandro Furtado
    26 de novembro de 2018

    Não estava psicologicamente preparado pra isso.

    Vamos lá. Esse é um conto que, em sua maior parte, caracteriza-se por ser reflexivo. Descreve os momentos da vida de uma pessoa ao lado de outro ser (que durante alguma parte acredita-se ser outra pessoa). Revela-se que o ser é um cachorro e o sujeito é cego. Constrói-se a relação de afeto entre ambos. O cachorro morre. O homem “morre”.

    Achei um conto espetacular, extremamente sensível que consegue trazer empatia para com o protagonista que é extremamente reconhecível sem perder aquela coisa de ser único e especial. Cachorros são sempre maneiros, então sem comentários nessa parte. O autor utilizou de uma das estratégias mais básicas pra criar drama: matar um animal de estimação. É claro que isso, por si só, não funciona, precisa ser construído, e o autor o fez bem.

  15. Davenir Viganon
    21 de novembro de 2018

    Comentário-Rodada1-(“A Gangorra” x “A Menina e o Pato”)
    “A Gangorra”
    Uma relação de amor entre dois seres indefinidos, a princípio, e a perda. Ao longo do conto nos é revelado que se trata de uma pessoa cega que perdeu a família e agora um cachorro. O conto é bem triste do início ao fim, um drama de cachorro que não me comoveu mas foi bem escrito. Os trechos poéticos acrescentam bem aos sentimentos do protagonista e passam a ideia da perda e de que ele está perdido. Esses trechos compensam também a falta de diálogos do conto. No geral o conto deixou uma impressão positiva, mas não o suficiente para levar meu voto nesta rodada.

  16. Iolandinha Pinheiro
    21 de novembro de 2018

    Bom dia, autor! Este é o primeiro conto que leio deste desafio. Comecei pelo seu, e comecei ontem. Acabei tendo que fazer 3 leituras para poder escrever o comentário, mas vamos começar pelo resumo: Rapaz que vive sozinho com o seu cachorro, é órfão, foi adotado, sofreu um acidente e ficou cego, vive um dia triste em sua vida – o dia em que seu companheiro morre. Durante o dia ele aproveita o que ocorre para refletir sobre a sua própria vida e vamos sendo informados sobre tudo o que se passou com o rapaz até aquele fatídico dia.

    Pois bem, vamos voltar à questão de que eu precisei de 3 leituras: na primeira tentativa eu achei o conto muito difícil de acompanhar pois contava a história através das sensações do sujeito. Li dois parágrafos e o meu TDAH começou a gritar. Pulei alguns parágrafos e pensei: tomara que o desafiante não seja esta chatice. Daí fui fazer outras coisas e decidi fazer uma segunda leitura. Foi nessa que eu descobri que a pessoa a quem ele se referia era um cachorro, também foi aí que eu percebi que o rapaz era cego – daí tantas descrições sensoriais sobre o mundo ao redor: cheiros, texturas, sons, as coisas que ajudavam a formar as impressões do rapaz sobre a vida, informações necessárias para que ele pudesse andar pelas ruas e sentar na praça, seu lugar preferido. Mas foi necessária uma terceira leitura para que eu sentisse, para que eu mergulhasse no mundo dele e do cão.Para que sofresse com seus reveses e também sentisse saudade do amigo que partia. Todo mundo sabe o quanto eu amo cachorros e o quanto eu sofri com a morte do meu, ano passado. Então este conto, feito para nos emocionar, tocou especialmente fundo no meu coração. Aliás eu acho uma covardia isso de usar cachorros que morrem em contos, viu?

    Depois que eu compreendi o que estava lendo, não vi problema algum de fluidez. Gramática nem se fala, tudo perfeito. O único ponto negativo aqui era a impaciência da leitora, mas com este sistema de não ter que ler tudo o que for postado, a leitora sossegou o facho e fez uma análise muito mais acurada e consciente. Não achei o conto exatamente criativo, embora o formato de narrativa mais pelas sensações do que por uma sucessão de fatos por uma pessoa que enxergue não é também algo clichê. Criatividade, para mim, é algo bem pouco importante, o que me conquista mesmo é a emoção que o autor consegue passar, e este conto é pura emoção, parabéns!

    O que dizer mais? Se o seu desafiante for tão bom quanto vc, eu estarei em maus lençóis. Abraços e boa sorte, champs!

  17. Gustavo Araujo
    21 de novembro de 2018

    Resumo: a relação entre um homem que ficou cego devido a um acidente e o cão que encontra por acaso, que termina agindo como seu guia; no final, o cachorro morre.

    Impressões: é um conto bonito, muito bem escrito e que tem o mérito de emocionar sem parecer piegas. É inevitável que nesses enredos de “pessoas e cães” se apele ao sentimentalismo fácil, mas aqui a mão não pesou. Se olharmos direito, saberemos desde o início que o cão irá morrer; talvez seja por isso que a poesia que entremeia o conto faça tanto sentido. Em meio à escuridão indevassável e inevitável é que fazemos os questionamentos mais difíceis para nós mesmos. Não é uma história que siga de A para B, mas uma espécie de fluxo de consciência que transmite bem essa simbiose entre o homem e seu animal de estimação. Simbiose porque um precisa do outro e vice-versa, algo que fica bem nítido com o passar das linhas. Carinho e visão se alternam nas necessidades de parte a parte. Enfim, uma bonita história de amizade, com uma pontada de tristeza pela separação inevitável. Parabéns!

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Informação

Publicado às 20 de novembro de 2018 por em Copa Entrecontos e marcado .